sexta-feira, 6 de junho de 2014

CLASSE TICONDEROGA. A escolta antiaérea da marinha dos Estados Unidos

FICHA TÉCNICA
Tipo: Cruzador de escolta..
Tripulação: 350 tripulantes (incluindo 24 oficiais)
Data do comissionamento:  28 de Janeiro de 1983.
Deslocamento: 9500 toneladas (totalmente carregado).
Comprimento: 172,8 mts.
Calado: 9.5 mts.
Boca: 16.8 mts.
Propulsão: 4 turbinas a gás GE LM 2500 de 80000 SHP
Velocidade máxima: 32 nós (60 km/h).
Alcance: 11100 Km
Sensores: Radar SPY-1 AEGIS, multifuncional, radar de busca de superfície AN/ SPS 55, Sistema de controle de fogo feito por 4 radares SPG-62 ,Sonar SQQ 89 (V)6
Armamento: 2 lançadores verticais MK41 totalizando 127 células para mísseis Tomahawk, Standard SM2, SM-3 Anti balístico, Asroc VLA. 1 canhão MK45 de 127 mm; 2 canhões MK15 Phalanx de 20 mm CIWS. 2 lançadores quádruplos de mísseis Harpoon antinavio. 2 lançadores triplos MK-32  para torpedos pesados MK46/ MK50.
Aeronaves:  2 helicópteros Sikorsky SH-60B Seahawk

DESCRIÇÃO
Por Carlos E. S Junior
A classe Ticonderoga representa a mais recente classe de cruzadores de escolta da marinha norte americana US Navy. Comissionado no começo de 1983, sua principal função tem sido, desde então, a de escoltar os grupos de batalha baseados em porta aviões da US Navy, para que os ataques de saturação, usados como tática antinavio da extinta União Soviética, fossem anulados. O navio foi projetado em cima do antigo projeto do destróier Spruance, que tinha um casco muito grande para esse tipo de navio e era o mais adequado para se instalar a eletrônica necessária para o sistema antiaéreo AEGIS funcionar.
Aproveitando que comentei do sistema AEGIS, o USS Ticonderoga foi o primeiro navio, a usar esse sistema, que envolve radares e mísseis, para defesa aérea.  Com o desenvolvimento tecnológico, foi possível diminuir o tamanho desse sistema a instala-lo, posteriormente nos navios da classe Arleigh Burke, como mostrado em matéria anterior.
Acima: O Ticonderoga é a única classe de cruzador a serviço da marinha dos Estados Unidos. Atualmente 22 deles estão em serviço nos mares do mundo.
No Ticonderoga, o radar de busca é o AN/ SPY-1 da Lockheed Martin, de varredura eletrônica passiva que permite monitorar 200 alvos simultaneamente num alcance de 370 Km e atacar os 20 alvos prioritários simultaneamente. Essa capacidade permite aos navios desta classe, negar o seu espaço aéreo a sua volta com grande eficiência. Para apoio ao radar SPY-1, está instalado um radar de busca aérea AN/ SPS-49, de longo alcance, que permite detectar um avião de grandes dimensões, como uma aeronave de patrulha marítima voando alto a 550 Km. O radar de busca de superfície é o AN/ SPS-55, que pode detectar um navio a 100 km, aproximadamente e o radar de controle de fogo para os canhões MK-86 é o AN/ SPQ-9B que tem alcance Maximo de 37 Km. Para a proteção contra submarinos, existe um complexo sistema de sonar AN/ SQQ-89, que agrega um sonar ativo AN/ SQS-53B/C montado no casco do navio, com um sonar passivo rebocado AN/ SQR-19B. No apoio contra submarinos, o Ticonderoga opera dois helicópteros Sikorsky SH-60B Seahawk, que são armados com torpedos MK-46 e estão equipados com um radar APS-124 e sonobóias ASQ-81 (V) 2 MAD.
Acima: Abaixo da ponte, podemos ver com uma das antenas do radar Spy-1, que compõe o sistema AEGIS.
A propulsão deste navio é fornecida por 4 turbinas a gás General Electric LM 2500 com dois eixos que desenvolvem 80000 HP e levam este grande navio a 60 Km/h (32 nós), para poder acompanhar os grandes porta aviões da esquadra americana. Sua autonomia é de 11100 km, lhe garantindo atingir a maior parte dos lugares do mundo antes de precisar ser reabastecido.
O armamento do Ticonderoga, era composto, inicialmente por dois lançadores de mísseis MK 26 para dois mísseis SM-2 Standard ou dois mísseis ASW ASROC, e que posteriormente, foi substituído pelo bem mais moderno lançador vertical MK-41 para 127 mísseis que podem ser o míssil de cruzeiro BGM-109C Tomahawk, capaz de destruir alvos em terra, a 1700 km com uma potente ogiva unitária de 450 kg de alto explosivo, ou ainda, a versão D, que usa uma ogiva de fragmentação (submunições como pequenas granadas que se espalham), cujo alcance é de 1300 km. Para defesa antiaérea é usado o míssil RIM-66C SM-2MR, cujo alcance chega a 74 km, guiados por radar semiativo. A ultima versão desta numerosa família de mísseis é a versão RIM-161 SM-3, desenvolvida dentro dos requisitos de defesa antibalística BMD (defesa antimíssil balístico). O SM-3 é uma arma especializada, e sua ogiva não possui explosivo, sendo usada, exclusivamente a força cinética, ou seja, impacto direto contra o míssil balístico inimigo. O seu sistema de guiagem é por radar semiativo, sendo no final do curso, ativado um sensor de infravermelho LWIR. O alcance é de 700 km e seu objetivo é destruir alvos em órbita, como as ogivas de mísseis balísticos de médio alcance ou mesmo satélites em orbitas baixas. A ultima versão deste míssil, a SM-3 Block IIA tem alcance aumentado para 2500 km e capacidade de destruir um alvo a 1500 km de altitude (orbital). Para atacar submarinos são usados os mísseis RUM-139 VL, ASROC que transporta um torpedo leve MK-46 ou MK-54 até um ponto próximo do contato sonar onde o alvo foi detectado até um alcance máximo de 22 km. Para mísseis antinavio Harpoon, foi instalado dois lançadores quádruplos MK-141. Esse míssil guiado por radar ativo, tem um alcance de 130 km e voa rente ao mar (sea Skimming) em velocidade subsônica.

Acima: Nesta foto podemos ver um Ticonderoga no momento do lançamento de um míssil antiaéreo SM-2MR Standard. 
Para alvos diversos, 2 canhões MK-45 de 127 mm e fogo automático, pó ser usado para .destruir alvos aéreos e atacar pequenas embarcações. Existem, ainda 2 canhões CIWS Phalanx MK-15 de 6 canos rotativos e calibre 20 mm para destruir aviões e mísseis que se aproximarem para perto da embarcação. E por ultimo, foi instalados 2 lançadores triplos de torpedos pesados MK-46 e MK-50.  Com esse armamento todo, este cruzador, é uma valiosa peça da dissuasão norte americana no mundo, e uma poderosa escolta para proteger os bilhões de dólares investidos nos super porta aviões dos EUA.
Acima: O míssil de cruzeiro BGM-109C Tomahawk representa o mais valioso armamento para destruir alvos em terra firme, localizados profundamente no território inimigo. Esse recurso faz com que navios de guerra como o Ticonderoga, descrito neste artigo, sejam um multiplicador de forças para marinha norte americana.
Após os ataques de 11 de setembro de 2001, quase todos os sistemas de armas das forças americanas foram otimizadas para poderem operar em múltiplas funções e com isso conseguir um melhor resultado frente ao combate ao terrorismo, e os navios da classe Ticonderoga, foram atualizados para essa nova guerra que foi declarada aos Estados Unidos. Por isso, um navio antes especializado na guerra antiaérea, é hoje um poderoso sistema multimissão, capaz de infligir pesados danos, mesmo em alvos em terra recuados mais de 2000 Km terra adentro.

Acima: Mesmo sendo um grande navio, os navios da classe Ticonderoga não possuem um hangar de manutenção para aeronaves, porém há um heliporto na popa para operação de um helicóptero SH-60 Seahawk.




ABAIXO UM DOCUMENTÁRIO SOBRE O CRUZADOR DA CLASSE TICONDEROGA

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3 comentários:

  1. Carlos, na sua opinião, o que esse navio pode fazer que um Arleigh Burke não pode? A idéia de cruzador está superada?

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  2. O Arleigh Burke tem maior capacidade anti submarina, porém o Ticonderoga tem mais munição

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  3. Essa classe de cruzadores ficou famosa quando num episódio da guerra entre Irã e Iraque no dia 3 de julho de 1988 quando seus radares detectaram um contato no radar que não respondia aos chamados do capitão, o navio era o USS Vincennes CG 49 e seu capitão ordenou para abrir fogo no alvo com dois mísseis anti aéreos achando que o contato radar se tratava de um F-14 tomcat da IRIAF mas na verdade se tratava de uma aeronave civil, um vôo da Iran Air código 665 com 290 pessoas a bordo, incluindo 66 crianças, todos mortos. Entre as vítimas havia cidadãos de Irã, Índia e Itália, entre outros países...
    Um ano depois o então presidente George Bush (pai) disse que não pediria desculpas jamais por isso e condecorou o capitão do navio com a mais alta medalha de honra da US NAVY.

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