terça-feira, 29 de março de 2016

LOCKHEED MARTIN THAAD. A resposta às ameaças de mísseis balísticos de curto é médio alcance.


FICHA TÉCNICA
Motor: Propelente sólido de estágio único Thiokol TX-486-1
Velocidade: 10800 km/h
Alcance: 200 km.
Altitude: 150 km
Comprimento: 6,17 m.
Peso: 900 kg.
Ogiva: (não tem)
Lançadores: Caminhão M-1074.
Guiagem: IR ativo a base de Antimoneto de Índio com atualização por datalink.

DESCRIÇÃO
Por Carlos E.S. Junior
O sistema THAAD (Theatre High Altitude Area Defense) é uma solução para defesa antibalística (anti míssil de curto e médio alcance, com alguma capacidade para defesa contra mísseis de longo alcance também),  projetado para ser usado pelo exército dos Estados Unidos na proteção de área. Assim sendo, o THAAD pode ser movimentado para localizações estratégicas com facilidade, permitindo, assim, defender os interesses dos Estados Unidos, em qualquer lugar do mundo. É interessante notar, que o THAAD trata-se de um sistema com objetivo de destruir mísseis e faz parte do programa NMD  (National Missile Defense) de defesa antimíssil do departamento de defesa dos Estados Unidos. Muitas pessoas tem duvidas se o THAAD será usado, também contra aviões. Podem tirar essa duvida agora. O THAAD não é usada contra aeronaves. Para essa tarefa, os Estados Unidos contam com outro sistema: O Patriot PAC-3, da família de mísseis Patriot, já apresentado neste site. O exército dos Estados Unidos (US Army) encomendou em 2013 110 mísseis do sistema. Ao todo,foram adquiridos 4 baterias do sistema e o exército dos estados Unidos considera adquirir mais duas baterias..
Acima: Mísseis balísticos de curto alcance e de médio alcance, como este Taepodong da Coreia do Norte, são as presas do sistema THAAD. Esse tipo de armamento tem potencial de transporte de ogivas nucleares e sua mobilidade causa um sério problema para a estratégia de defesa norte americana e aliada.
Em 1992, a Lockheed Martin Missiles  and Space, ganhou um contrato do departamento de defesa americano para desenvolver e construir o sistema THAAD. A Empresa Raytheon (conhecida de nós brasileiros por fornecer os radares do SIVAM), foi selecionada como a subcontratante para desenvolver o radar AN/TPY-2 GBR para este sistema. Esse equipamento é o maior radar de varredura eletrônica em banda X já instalado em um veículo.  Sua antena tem 9,2 m² de área e possui 25344 módulos de transmissão e recepção TRM, que funcionam transmitindo feixes e recebendo os reflexos deles. Seu alcance é estimado em cerca de 1000 km. Esse radar foi testado contra um míssil balístico de treinamento, que durante os testes, direcionou um míssil Patriot PAC 3, com sucesso. Outro ponto bastante favoravel deste radar é sua facilidade de transporte que pode ser feita por um avião cargueiro Lockheed C-130 Hercules, disponível em grande quantidade no acervo da USAF (Força Aérea dos Estados Unidos).
No ano 2000, o programa, entrou em sua fase de construção e desenvolvimento, sendo que 16 mísseis de testes foram entregues em 2004, produzidos pela nova fabrica da Lockheed em Pike County, Alabama. Os testes de voo do sistema foram iniciados em 2005, no polígono de tiro de White Sands, New México, e no polígono de tiro do Pacífico, em Kauai, Hawai.
Acima: O veículo lançador do sistema THAAD é baseado no caminhão Oshkosh M-1120 e seu lançador comporta 8 mísseis.
Era previsto que uma bateria, típica, do sistema THAAD deveria ter 9 veículos lançadores, sendo que cada veículo transportará 8 mísseis; dois centros móveis de operações (TOCs) e um radar terrestre (GBR).Porém, o exército norte americano tem operado suas baterias com 6 veículos lançadores o que dá uma persistência de combate de 48 mísseis por bateria. O veículo usado no sistema THAAD é baseado no Oshkosh M-1120 HEMTT  (Heavy Expanded Mobility Tactical Truck), bastante usado no exército dos Estados Unidos.
Os dados do alvo e o ponto previsto para o impacto, são carregados no míssil antes do lançamento, e as atualizações do posicionamento do alvo são feitas com o míssil, já na fase de voo através de datalink. O sistema de guiagem terminal do míssil é feita por um sistema IR a base de Antimoneto de Índio, extremamente sensível, desenvolvido pela BAe Systems, e que opera na banda entre 3 e 5 microns. O míssil tem 6,17 metros de comprimento e é propulsado por um motor que possui vetoração de empuxo, sendo que ele usa combustível sólido de único estágio produzido pela Pratt & Whitney Rocketdyne. O míssil tem um peso de lançamento de 900 kg, o que pode ser considerado um valor bem alto para esta categoria de armamento. O motor acelera o míssil até bem próximo do alvo, quando ocorrer a separação do veículo do tipo "hit to kill" para impacto direto contra o alvo. É importante salientar aqui que o THAAD não tem ogiva e a destruição do alvo se dá exclusivamente por impacto direto através de energia cinética. O negócio funciona exatamente desse jeito. Um  míssil destrói outro míssil com impacto direto sendo desnecessário uma ogiva explosiva. Deu para perceber que se trata de um equipamento de extrema precisão e complexidade né?  Seu alcance chega a 200 km segundo estimativas, uma vez que esse dado oficial é classificado.
Acima: O centro de controle de fogo do THAAD é bastante simplificado para tornar mais eficiente a resposta em caso de necessidade de responder a um ataque. Abaixo, o centro de controle de fogo visto de fora.
O THAAD foi projetado para poder operar interligado em rede com os sistemas de informação aliados, através do gerenciador de batalha e comando BMC3I desenvolvido pela Northrop Grumman, e o sistema de comunicação é o JTIDS (Joint Tactical Information Distribution System), que permite a comunicação de dados de forma segura e é padronizadas nas forças armadas americanas e aliadas (OTAN). O nível de sofisticação atingida pelo sistema THAADS é um marco na história da tecnologia bélica. Os Estados Unidos conseguiram uma façanha de conseguir desenvolver e construir um sistema antimissil que embora caro (cerca de U$ 970 milhões de dólares cada bateria) tem um elevado nível de eficácia em uma missão muito complexa que é abater mísseisl balísticos de curto e médio alcance. Mesmo sendo um sistema caro, dois países, além dos Estados Unidos, adquiriram o sistema THAAD. O Emirados Árabes Unidos e Omã encomendaram o sistema. Os Estados Unidos estudam implantar o sistema na Coreia do Sul para defender seus interesses contra os "nervosinhos" norte coreanos.
Acima: O desenvolvimento do sistema THAAD foi bastante demorado por conta de falhas que ocorreram em testes de fogo entre 1995 e 1999. Mas o sistema se mostrou bastante eficiente nos testes posteriores que duraram de 2005 a 2012.



ABAIXO TEMOS UM VÍDEO COM O SISTEMA THAAD EM AÇÃO.


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6 comentários:

  1. Parabéns pela matéria Carlos, muito bom.
    Quais os sistemas de defesa aérea dedicados a abater mísseis de cruzeiro de longo alcance com ogivas múltiplas, disparados por submarinos ou lançadores terrestres, que existem hoje no mundo?

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  2. Obrigado Fabiano!
    Os mísseis de cruzeiro, normalmente podem ser abatidos por sistemas antiaéreos convencionais modernos. O Thaad, não se encaixa nesse perfil. O sistema patriot, dos Estados Unidos ou o S-300 e S400 russo, são perfeitamente qualificados para destruir misseis de cruzeiro de qualquer tipo. Os misseis com ogivas múltiplas são os misseis intercontinentais ICNMs ou SLBMs e hoje a defesa contra esse tipo de sistema é bastante limitado. Os misseis SM-3 americanos e S500 russos são capazes de lidar com esse tipo de ameaça, porém com chances mais restritas de sucesso.
    abraços

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  3. Ainda hoje, se for deflagrada uma guerra nuclear total, com ambos os lados abrindo fogo, "largando o dedo", não há qualquer sistema que seria eficiente na defesa do território de qualquer nação? Seria o famoso holocausto nuclear?

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    1. Olá Fabiano.
      Um cenário como o que você descreveu, certamente resultaria no Holocausto nuclear. Os sistemas de defesa anti-mísseis não foram produzidos em quantidades suficiente para poderem evitar uma hecatombe nuclear.
      Abraços

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  4. Excelente matéria!
    Me lembro de ter lido no antigo Campo de Batalha matéria sobre mísseis balísticos. Não encontrei a matéria no novo blog mas você pensa em pública-la aqui no Warfare?
    Abraços Carlos!

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    1. Boa noite R22! Obrigado!
      Certamente publicarei essa matéria sobre mísseis nuclears em algum momento. provavelmente este ano ainda.
      Abraços

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