domingo, 12 de janeiro de 2020

A Mentalidade da Pontaria de Combate (Atualizado)


Por Frankie McRae, Diretor da Training Raidon Tactics Inc.
Tradução Filipe do A. Monteiro, 2008.

O Pensamento da Pontaria de Combate

Pontaria de Combate (Combat Marksmanship – CMMS) é a habilidade de aplicar fogo de precisão letal em um alvo ameaça em todos os ambientes sob o stress de combate com a finalidade de reduzir uma ameaça a um ponto em que ela não seja mais viável. CMMS difere dos fundamentos de Pontaria (Marksmanship - MMS), de uma forma que, o inimigo está atirando contra você ou estava atirando contra você. Em eventos de tiro de pontaria, o atirador tem todo o tempo para fazer a contagem de tiro. Em CMMS, o atirador possui tempo limitado, literalmente o resto de sua vida para distinguir uma ameaça e eliminar aquela ameaça. Quando um lutador de UFC (Ultimate Fighting Championship) vai ao octógono, eles chamam isso de combate. Entretanto, será isso mesmo? Ele não pode morder, dar cabeçada, ou arrancar o olho do oponente. Não é nada mais do que um evento atlético muito doloroso. O lutador de UFC tem a possibilidade de dizer, “eu desisto” ou bater. Em combate, o cara-a-cara com os oponentes é até a morte, você não tem a possibilidade de desistir. Se você desistir é muito provável que você ou outra pessoa irá morrer.

O CMMS começa com a ideia de que o atirador está indo para uma situação de combate. Quando um boxeador adentra o ringue, ele espera ser atingido. Quando uma pessoa toma a responsabilidade para proteger a si e a outros, ele deve supor que tão logo a luta se inicie, deve ser até o fim. Pode terminar pacificamente. Posar pode realmente funcionar. Estudos mostraram que uma arma apresentada por uma vítima mantém os agressores à distância ou os põe pra correr. A decisão mental da “vítima” em recusar ser a vítima foi a primeira ação efetuada para salvar sua vida. Essa decisão foi feita logo que a pessoa decidiu se armar. O pensamento correto para a situação de “Combate” começa com a preparação.


Preparação é a consciência situacional de que algo pode acontecer e então “preparar” a mente para imaginar os “e se”. “Se isso acontecer, eu faço isso...”. Este pequeno ditado é um dos melhores pensamentos para se ter em mente antes que algo de fato aconteça. O tempo de reação humana gira em torno de .25 segundos. Esses tempos de reação são atingidos quando uma pessoa pode racionalizar as ações necessárias ao cumprimento de uma tarefa antes que ela seja necessária. Isto é um ensaio mental. Meu treinador de luta no colegial era um grande defensor do “ensaio mental”. Antes de partidas, eu me deitaria na cama na noite de véspera e mentalmente imaginar a competição em minha cabeça. Eu visualizaria as ações que eu iria executar primeiro e pensar comigo “se isso ou aquilo acontecer, então eu farei isso...” Eu lutava a partida muitas vezes virtualmente muitas vezes antes de lutá-la de fato. Agora, eu sou um atirador muito melhor do que eu era lutador no colegial, mas eu aprendi muito com estes exercícios mentais simples. Estes me prepararam para muitas situações na vida. A preparação também influencia a determinação e a habilidade de ser proativo.


Determinação é o próximo princípio do pensamento para o combate. É a decisão pessoal inata de “não desistir” até que a situação tenha acabado. Ao estar mentalmente preparado, o atirador não é tão surpreendido em determinada situação e por conta disso não tão superado pelos acontecimentos quanto alguém que não faz a menor idéia do que está acontecendo. Porque uma pessoa pode pensar à frente em um tiroteio, ele pode então perceber o resultado e ser proativo, não reativo. Ao ser determinado e proativo, o atirador tem um fator medo reduzido. Não estou dizendo que não existe medo no tiroteio. Existe medo, medo de outras pessoas serem feridas ou morrerem, além de outros tipos de medo. Talvez medo de o bandido fugir. Porém, determinação, a atitude mental de “EU NÃO VOU DESISTIR” levam-nos até o fim da luta. Determinação nos dá paixão e paixão pode ser uma força motriz que nos leva a levantar da cama nas manhãs de sábado e nos leva para o estande.


Paixão é o amor que nós temos por atividades que fazemos. Indo para o estande e treinando para tarefas que são desconfortáveis ou difíceis de realizar. Entretanto, logo que completamos estas tarefas nós sentimos gratificação e satisfação. Essa paixão gera mais determinação para se distinguir e nos faz melhores e nos empenhar ainda mais. Nós apenas devemos nos lembrar, muito “deixa comigo” algumas vezes pode acabar conosco. Precisamos de freio na hora certa no ciclo de treinamento. Nós devemos ser capazes de controlar nossa paixão e usar a calma que desenvolvemos em nossas ações para desenvolver a velocidade mental necessária para antecipar o que acontecerá em seguida.

Velocidade, tanto mental e física, é alcançada por treinar ações repetitivamente. Ao repetir as mesmas ações corretamente muitas vezes, nós “entalhamos” esta ação em nosso cérebro. Uma vez que esse movimento for “entalhado”, a ação pode se tornar quase reflexiva. Não existe tal coisa como “memória muscular” por assim dizer. É um termo usado para explicar as ações reflexo de tarefas treinadas que podem acontecer com mínima influência externa. Um reflexo, por definição, é uma resposta a um estímulo que não necessita ir até o cérebro e ser processada. Ele vai até a coluna vertebral e de volta para o ponto de origem. O treinamento aumenta a velocidade. O treinamento nos dá a experiência para saber o que deve estar prestes a acontecer na sequencia de eventos. A paixão nos leva a treinar e a determinação nos mantém caminhando quando ele fica difícil. Ao focar essa paixão e determinação, nós podemos “forçar a passagem” para o próximo nível de desempenho e nossa velocidade aumenta. Com poder e velocidade focados, nós alcançamos a violência na ação.


Violência na ação é a execução de ações com força surpreendentemente esmagadora. É a culminação de toda paixão, determinação e velocidade necessárias para atingir a vitória. Quando confrontado com a violência na ação o agressor deve reavaliar a situação. A violência na ação também diminui o ímpeto do agressor e aumenta a coragem do atirador. Violência na ação é um aspecto que os criminosos usam para surpreender as vítimas e dominar totalmente a situação. Por dominar a situação, eles controlam a vítima. O atirador precisa utilizar todos os aspectos do pensamento de COMBATE para ser o único a dominar a situação, eliminar quaisquer ameaças com o nível apropriado de força e estar preparado para ir até aquele nível de força. Desse modo, controlando a situação e sendo vitorioso.

O Pensamento de Combate não é uma habilidade inata para a maioria das pessoas. Ele é e pode ser uma resposta aprendida. Ao se preparar para uma luta, o pensamento de combate deve ser dominado. Você deve ter determinação para trilhar o caminho, paixão para trabalhar duro e o preparo mental para estar consciente da situação.





Frankie McRae
é o Diretor da Training Raidon Tactics Inc. Ele é o antigo chefe do Curso de Forças Especiais do Exército dos EUA que é o proponente do treinamento de Combate Urbano Avançado das Forças Especiais (Special Forces Advanced Urban Combat, SFAUC), Reconhecimento Avançado, Análise de Alvo e Técnicas de Exploração das Forças Especiais do Exército dos EUA (US Army Special Forces Advanced Reconnaissance Target Analysis and Exploitation Techniques, SFARTAETC), operações de Resgate de Reféns e Contra-Terrorismo.


A Raidon Tactics Inc. é uma companhia que oferece treinamento de Tiro, Combate Aproximado em Compartimento (CQB) e Contra-Terrorismo. Esses são oferecidos às Forças Armadas, Forças Policiais, Companhias de Segurança Corporativa e público em geral.


Post Scriptum: Então 1º Sargento Augusto, Comando Anfíbio (COMANF), Grupo Especial de Retomada e Resgate (GERR), comentário de 2012.


O artigo é interessante, mas no caso da memória muscular, na minha opinião, ela é valida sim para os princípios básicos de tiro como: base, empunhadura, enquadramento e acionamento; pois estes são movimentos que influenciam diretamente na eficácia do tiro e são movimentos reflexos, pois necessitam de pouco tempo para reação. Você vai sacar sua arma e vai atirar e terá que acertar. Isso dependerá de sua posição de tiro e sua empunhadura que envolve vários outros aspectos como pressão adequada na arma, velocidade do tiro e etc... Você terá que fazer os tiros de enquadramento e de eficácia que são ações reflexas - tem que estar massificadas -, ou seja terá que existir esta memória muscular. Nas entradas em compartimentos ou em situações de combate em locais abertos, a situação vai determinar a decisão a ser tomada: como o tipo de entrada, a abordagem ao inimigo e outras situações que possam surgir que você terá que tomar uma decisão pensada e não uma ação reflexa.

Em nossos treinamentos, nós criamos várias situações dentro de um compartimento para que possamos tomar a melhor decisão na hora “da real”; mas nós também observamos que, mesmo quando ficamos muito tempo sem atirar, os reflexos necessários para fazer um bom tiro não se perdem. Podem acontecer erros na tomada de decisões: como em casos de vários alvos no mesmo compartimento e as vezes decidir por um que não seria mais adequado, por te expor para o outro inimigo que poderia causar uma baixa na equipe, e isso vem com muito treinamento.


Eu assisti o vídeo, ele é bem instrutivo mesmo. Uma coisa que ele diz que nós também temos consciência, é sobre responsabilidade dentro do compartimento. Todos têm a responsabilidade de abater o inimigo - mesmo não estando em sua Zona de Responsabilidade Tática (ZRT) - mas na entrada o Número 1 (o primeiro que entra) tem a responsabilidade de varrer todo compartimento com o olhar e seguir para sua ZRT, e caso tenha um inimigo em outra ZRT - ele irá abater. Outro ponto é que sempre se procura os cantos, não se pára no meio do compartimento senão será alvo fácil. Agora eu notei que eles ainda não tem muita preocupação com os cotovelos abertos. O cotovelo aberto possibilita ser atingido neste lugar, que irá impossibilitar o operador de combater; mas é “na marca”. Cada grupo tático tem sua doutrina, que é treinada dentro dos parâmetros que se enquadram aos seus objetivos. Talvez a doutrina que eles empregam seja a melhor para eles. Abração!

Nenhum comentário:

Postar um comentário