segunda-feira, 21 de julho de 2014

CLASSE OHIO. Fogo do mar, destruição em terra firme.

FICHA TÉCNICA
Comprimento: 170,69 m.
Largura: 12,8 m.

calado: 11,1m
Deslocamento: 18750 toneladas (Submerso e totalmente carregado)
Velocidade máxima: 25 nos (46 Km/h) submerso
Profundidade: maior que 500 metros
Armamento: 4 Tubos para torpedos 533 mm (13 torpedos), 24 mísseis balísticos intercontinentais Trident II D-5.
Tripulação: 155 homens
Propulsão: Um reator nuclear General Electric S8G e duas turbinas a vapor que produzem 60000 hp de potencia.

DESCRIÇÃO
Por Carlos E.S Junior
Atualmente a Marinha dos Estados Unidos (US Navy) possui apenas uma classe de submarino SSBM (submarino nuclear com mísseis balísticos): A classe Ohio. Esta classe representa o maior submarino que já foi construído nos Estados Unidos com seus 170,69 metros de comprimento e com um deslocamento, quando submerso, de 18750 toneladas. 
O Ohio começou a tomar forma no início dos anos 70 do seculo passado, quando a General Dynamics Electric Boat  foi contratada pelo governo dos Estados Unidos  para fabricar um novo submarino nuclear  lançador de mísseis balísticos para substituir os submarinos da classe Benjamin Franklin e o da classe Lafaiette. A ideia era ter um submarino novo que fosse capaz de lançar o mais novo míssil do arsenal nuclear da Marinha dos Estados Unidos, o Trident I C-4. Como esse míssil era maior que os mísseis anteriores, e os idealizadores da marinha queriam um submarino que transportasse 24 mísseis ao invés de 16 dos submarinos anteriores, o obvio aconteceu: O custo se mostrou estratosférico e o congresso norte americano teve uma forte resistência em liberar verba para o programa. Porem, os soviéticos fizeram um teste bem sucedido de um lançamento de um míssil SLBM (míssil balístico lançado de submarino) de longo alcance SS-N-8, cujo alcance atingia 6760 km, o que fez o pessoal da burocracia legislativa ficar mais "doce" com a ideia de construir uma frota de poderosos submarinos da classe Ohio.
A princípio estavam programada a construção de 24 unidades desta classe, mas 6 foram cancelados totalizando 18 submarinos da classe Ohio que entraram em serviço.

Acima: O Ohio está operacional a 33 anos. Seu poder destrutivo tem permitido um equilibrio com as forças russas, evitando uma guerra total entre os dois países.
As vantagens de submarinos nucleares são sua capacidade de permanecer submerso por tempo indeterminado, sem necessidade de subir a superfície para alimentar de ar os motores a diesel que recarregam suas baterias elétricas e a sua maior velocidade, graças a muito maior disponibilidade de potência. O Ohio é propulsado por duas turbinas a vapor que são alimentadas por um reator nuclear de água pressurizada (PWR) General Electric S8G. Este sistema movimenta uma hélice com 7 pás que fornece 60000 hp de potência que levam o Ohio a uma velocidade máxima de 25 nós (46km/h) quando submerso. O reator precisa ser recarregado a cada 9 anos e o processo de recarga leva cerca de 12 meses. Cada missão de patrulha do Ohio tem duração de 70 dias. Já, o preparo para cada missão costuma levar cerca de 25 dias que envolvem o carregamento de alimentos e medicação para a população, armamento e planejamento de missão.

Acima: O Ohio é uma "usina de força". Seu sistema de propulsão fornecido pela General Electric faz o Ohio navegar rápido, mesmo com seu elevado peso.
A suite de sensores do Ohio é composta por um radar BPS-15A que faz busca de superfície e tem alcance de 65 km contra navios de grande porte. O Ohio opera um sonar ativo/ passivo de casco  BQQ-6, capaz de detectar sons a uma distancia máxima de 74 km em modo passivo e 5,5 km no modo ativo. Mais dois sonares, um BQS-13 e um BQS-15 que operam ativa e passivamente em alta frequência. Por ultimo, um sonar rebocado BQR-15, fica instalado na popa do submarino. Um programa de modernização para os submarinos desta classe vai substituir os sonares BQQ-6 por um sistema mais capaz modelo BQQ-10 (V4) que opera passiva e ativamente. No modo passivo, este novo sonar tem capacidade de detecção de 128 km e no modo ativo, o alcance é de 37 km.
O  Ohio foi equipado com sistema de auto proteção como os 8 lançadores MK-2 de iscas para torpedo e uma suite de guerra eletrônica WLR-10 que faz o alerta de ameaças contra o submarino. O sistema de vigilância eletrônica WLR-8 permite detectar os sistemas eletrônicos inimigos e um sistema AN/ WLU-1 de interceptação acústica e de contramedidas  opera respostas de defesa automaticamente para proteger o submarino.
Acima: O Ohio está equipado com uma completa suite de sensores e sistemas de guerra eletrônicas para permitir sua capacidade de sobrevivência em caso de guerra. A grande esfera na proa mostrada nesse desenho em corte é o sonar principal BQQ-6.
O armamento principal do Ohio são seus poderosos mísseis balísticos intercontinentais Lockheed Martin UGM-133 Trident II, ou como é mais conhecido, Trident II D-5. Transportado em numero de 24 mísseis, esta arma representa a versão mais atual do míssil original Trident I C-4. Seu alcance  é de 12000 km, o que lhe permite ser lançado do meio do oceano, bem distante do alvo, o que torna sua detecção quase impossível. O sistema de guiagem, é inercial com o sistema MK-6 Stellar  que tem apoio de um GPS. Com esse aparato de guiagem, a margem de erro (CEP) de cada uma das 6 ogivas W-88 é de 90 metros do ponto de impacto previsto. Cada uma dessas ogivas tem um rendimento (potencia) de 475 kt (quilotons). Para os amigos menos inteirados do que representa essa potência, pode se usar como referência a bomba atômica que mandou Hiroshima para os ares. A bomba atômica jogada na cidade japonesa tinha meros 16 kt. 
Para auto defesa o Ohio está armado com 4 tubos de torpedos pesados de 533 mm, que estão carregados com o torpedo MK-48 ADCAP. Estes torpedos podem ser guiados por um fio ligado ao submarino lançador ou mesmo, ser guiado pelo seu próprio sonar. O alcance chega a 50 km, no modo de velocidade reduzida  (mais econômica) de 40 nós ou 74 km/h. Sua carga explosiva tem 295 kg e é capaz de afundar, praticamente, todos os navios de superfície e submarinos que existem.
Em 2002 estava prevista a retirada de serviço dos 4 primeiros submarinos da classe Ohio. Porém, se obervou que esses submarinos poderiam ser modificados para um novo tipo de submarino. A ideia foi transformar os SSBN em SSGN (Submarino lançador de misseis de cruzeiro). A modificação fez com que 22 dos 24 tubos de mísseis Trident recebessem, cada um, 7 mísseis de cruzeiro UGM-109 Tomahawk. Este míssil se tornou famoso durante a guerra do Golfo Pérsico por ter sido lançado de navios de superfície e de submarinos contra alvos em terra causando um sério estrago na estrutura iraquiana. O Tomahawk tem alcance de 1600 km e sua ogiva pode ser unitária com 450 kg do tipo fragmentada, ou uma ogiva com submunições compostas por 166 pequenas bombas BLU-97 que se espalham, bombardeando a área alvo. O sistema de guiagem se dá por sistema inercial, GPS e por TERCON, que é um sistema em que o míssil voa contornando o terreno, em voo baixo, de acordo com informações do relevo pré carregadas em seu computador de voo.

Acima: Nesta foto podemos ver um Trident II D-5 no momento em que inicia seu motor. O míssil é ejetado do seu silo, dentro do Ohio, e só quando se encontra totalmente fora da agua que seus motor é ligado.
O submarino nuclear lançador de mísseis balísticos, ou apenas "SSBN" na sigla em inglês é o mais poderoso elemento dissuasório que uma nação pode ter. Atualmente Além dos Estados Unidos, a Inglaterra, França, Russia, China e Índia tem submarinos deste tipo. Esse tipo de arma, pode destruir muitas cidades e ainda se manter escondido, praticamente invulnerável no meio do oceano, dada sua capacidade de lançar suas armas a milhares de quilômetros dos seus alvos. O Ohio, na sua versão SSBN, transporta 24 mísseis balísticos sendo que cada um pode destruir 6 cidades, o que dá uma capacidade de destruição de 144 cidades num só ataque! Por isso eu considero esse tipo de sistema de armas como o mais destrutivo da Terra.

Acima: O Ohio faz patrulhas pelo globo constantemente. Sempre há navios em missão em lugares cuja localização exata é uma informação secreta.






ABAIXO TEMOS UM VÍDEO DOCUMENTÁRIO SOBRE O OHIO.

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7 comentários:

  1. Muito bom Carlos, realmente uma máquina sinistra !

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Carlos embora os submarinos americanos sejam muito capazes os que a Rússia possui são, mas sofisticados e, mas poderosos do que os americanos? Ou essa diferença existe está envolvidas apenas no amamento que eles carregam? Grato.

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  4. Olá Rafael. Os russos tem submarinos mais silenciosos como o Akula, cujo discrição só foi igualada pelos submarinos da classe Sea Wolf, bem mais modernos. O Typhoon, maior submarino que construído, foi o mais poderoso submarino da história, porém apenas um se mantém na ativa para testes de fogo para mísseis Bulava. O Borei, novo submarino estratégico russo, tem maior sofisticação que os Ohio, norte americanos.

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  5. A US NAVY conta com apenas 18 submarinos da classe OHIO embora sejam 14 SSBN armados com os mísseis Trident II D5 e 4 SSGN armados com os Mísseis Tomahawk, isso sem contar os outros das classes Virgínia (18), Sea Wolf (3) e Los Angeles (41), todos de propulsão nuclear e considerados altamente silenciosos. Também, desde os anos 50 que els dominam a tecnologia de propulsão nuclear além do fato de terem muitos dólares para gastar.
    Isso dá um total de 80 submarinos nucleares !!! E nós fazendo das tripas o coração para ter um só !

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  6. Boa noite,Carlos.os russos teriam algum meio para interceptar os mísseis SSBN Trident II D5 antes que destruam suas cidades?

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    1. Boa noite Emerson!
      Tantos os Russos, como os Estados Unidos investiram em desenvolvimento de sistemas anti-balísticos para evitar, ou retardar um ataque com mísseis nucleares sobre suas capitais. os russos usam o sistema A-135 e em breve, o S-500. Porém, vale observar que estes sistemas não garantem segurança plena das áreas que eles protegem. na verdade, o desempenho destes sistemas está bem longe de garantir qualquer coisa. Um ataque de saturação com mísseis, ultrapassaria com relativa facilidade a proteção que estes sistemas podem fornecer.
      Abraços

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