segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Membros do 3º Batalhão, Royal 22e Régiment se preparam para a guerra na selva


Foto de Édouard Dufour, Adsum Newspaper.

Artigo do Canadian Army Today, 6 de dezembro de 2018.
Tradução Filipe do A. Monteiro, 28 de agosto de 2019.

O mandato nacional da Companhia B, 3º Batalhão, Royal 22e Régiment (3 R22eR) é preparar combatentes de elite para realizar missões complexas na selva. Essas missões acontecem no coração de ambientes inóspitos, com níveis de umidade incapacitantes, altos riscos de infecção e com uma ameaça animal onipresente à espreita nas sombras. Vamos voltar os holofotes para o rigoroso processo de seleção do curso de guerra na selva.
Cerca de 10 candidatos do 3 R22eR, os rostos tensos com esforço, começaram os primeiros testes de seleção na Base de Apoio da 2ª Divisão Canadense (2nd Canadian Division Support Base, 2 CDSB) de Valcartier, todos tentando garantir uma das raras vagas abertas neste treinamento especializado. A seleção, que ocorreu de 27 a 29 de agosto de 2018, foi para os membros da Companhia B das graduações de Master Corporal ou superior.

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

BRUGGER & THOMET APC-9. A nova submetralhadora das forças de segurança do Exército dos Estados Unidos.


FICHA TÉCNICA
Tipo: Submetralhadora.
Sistema de operação: Blowback com ferrolho fechado.
Calibre: (APC-9): 9X19 mm; (APC-45): 45 ACP.
Capacidade: Carregadores de 15, 20, 25 e 30 munições.
Peso: 2,7 kg. (vazia).
Comprimento Total: 59,7 cm (Estendida), 37,8 cm (coronha rebatida).
Comprimento do Cano: 6,9 polegadas (175 mm).
Miras: Alça e massa dobráveis e um trilho picatinni integral para miras opticas.
Cadência de tiro: 1080 tiros por minuto.
Velocidade na Boca do Cano: 405 m/seg (munição 9 mm padrão).

DESCRIÇÃO
Por Ironhead
A desconhecida empresa suíça Brügger & Thomet  (B&T) é um fabricante de armas de fogo que ganhou atenção no começo de 2019 por ter vencido uma concorrência para o Exército dos Estados Unidos para fornecimento de uma submetralhadora sub compacta para ser empregada por militares responsáveis por segurança pessoal de potenciais alvos de alto risco (autoridades politicas e militares) norte americanas.
Aqui no WARFARE Blog, a marca já foi citada na matéria sobre a submetralhadora MP-9, versão da TMP, originalmente projetada pela Steyr, e atualmente fabricada pela empresa suíça.
A B&T é uma empresa relativamente jovem, tendo sido fundada no final da década de 90 do século passado. Em pouco tempo, a empresa passou a produzir uma grande variedade de tipos de armas que vão de pistolas a fuzis de precisão de longo alcance.
Acima: A APC-9 possui um desenho convencional, tendo como diferencial o baixo peso e o fato de vir com uma mita de qualidade reconhecida Aimpoint Micro TL-1 tipo red dot.
O armamento que será foco deste artigo é a submetralhadora APC-9, cuja sigla "APC" significa "Advanced Police Carbine". O foco que os projetistas tiveram foi o de fornecer uma arma para emprego policial e para forças especiais através de analise de requisitos para uma arma que usasse munição de arma curta e que tivesse versatilidade para emprego em diversas situações que incluem combate em ambientes confinados (CQB), arma de defesa pessoal (PDW), armamento para emprego em ambiente urbano, etc.
A escolha da munição, considerando tais requisitos, caiu como uma luva sobre o 9x19 mm, conhecido também por 9 mm Luger, Parabellum, ou simplesmente 9 mm NATO, em referência ao padrão adotado pela aliança militar ocidental OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e o velho guerreiro calibre 45 ACP (Automatic Colt Pistol), cuja versão neste calibre é chamada de APC-45.
Acima: A APC-9 é fabricada nos calibres 9 mm (foto) e no calibre 45, sendo esta ultima na versão APC-45
A APC-9 opera por sistema blowback, aproveitando a própria energia do recuo do disparo da munição para movimentar o ferrolho para liberar a câmara do estojo da munição deflagrada e alimentar com uma nova munição. A APC-9 possui uma cadência de 1080 disparos por minuto, o que pode ser considerado muito alta, o que obriga a um treinamento mais rigoroso de tiro para que o operador seja habilitado em usar o regime automático sem desperdiçar munição (o que é bastante difícil). Nesse ponto, tem se observado vários projetos modernos de armas automáticas tem objetivado reduzir a cadencia de tiro com o intuito de  facilitar o controle da arma em regime automático.
Esta submetralhadora possui seletor de fogo com 3 posições que são as básicas "safe" (travada); semi automático e totalmente automático (rajada). Não há a posição de rajada curta ou "burst", como em alguns concorrentes deste modelo.
Acima: A tecla seletora de disparo na APC-9 possui apenas as três posições básicas e é ambidestra.
A APC-9 pode usar carregadores 15, 20, 25 e de 30 munições de capacidade e que é produzido em plástico translucido, o que facilita a visualização da munição disponível (o que também pode ser negativo pois o inimigo, dependendo da situação, também poderá ver).
Um ponto a ser observado é que a alavanca do ferrolho é reversível, para qualquer lado, e as teclas da APC-9  de seleção de disparo e liberador do ferrolho são ambidestras.
Na parte superior da arma há um trilho integral padrão picatinny que facilita a instalação de acessórios, porém, a arma vem de fabrica com uma mira Aimpoint Micro TL1, do tipo red dot.
No guarda mão há trilhos nas laterais e na parte de baixo, para instalação de acessórios como lanternas, miras laser ou grip frontal.
O baixo recuo somado a agilidade de aquisição do alvo com essa mira dão a APC-9 uma agilidade elevadíssima para o rápido engajamento do alvo.
A coronha padrão é do tipo rebatível com desenho esqueletizado para redução de peso. Existe, porém, opção de substituir essa coronha por outros modelos como uma de tubo que possui um formato baixo que facilita seu uso com capacetes com protetores faciais (como os usados em operações de tropas de choque). O corpo da arma é produzido em polímero, o que contribui para um peso reduzido.
Acima: O uso de um trilho integral na parte superior ajuda muito na flexibilidade de configurações de acessórios como sistemas de miras.
Além dos Estados Unidos, esta excelente submetralhadora é encontrada em mãos de policiais e agencias de segurança da Suíça, Jordânia, Bósnia e Herzegovina, Eslováquia, Bélgica, Lituânia e Áustria. Considerando a qualidade elevada desta arma, e seu projeto recente (arma foi colocada em serviço em 2011), é previsível que ela consiga penetrar ainda mais rapidamente em novos mercados depois de ter passado na concorrência para uma submetralhadora sub compacta para o Exército dos Estados Unidos que acaba tendo um apelo comercial muito forte aumentado significativamente sua visibilidade no mercado mundial de armamentos.
Acima: A coronha rebaixada apresentada nesta APC-9 permite o uso do armamento por operadores empregando capacetes com viseiras como as vistas em tropas de choque.

Acima: Nesta foto podemos ver uma APC-9 com supressor de ruido, lanterna tática na lateral direita e o grip frontal.






quinta-feira, 19 de setembro de 2019

CONSIDERAÇÕES SOBRE O CALIBRE 5,56 MM: As tropas americanas estão sob risco?



Por Seth R. Nadel, Guns Magazine, 2003.
Tradução Filipe do A. Monteiro, Setembro de 2019.

...as tropas querem uma munição que derrube o inimigo com um único tiro... a munição padrão atual de 5,56mm... está se mostrando lamentavelmente inadequada como uma paradora de homens...

Essas palavras, em um relatório desclassificado das tropas envolvidas na Operação Anaconda, provocaram uma reavaliação há muito esperada do cartucho de 5,56x45 mm - a munição de serviços dos EUA nos últimos 30 anos. Por várias razões, ressurgiram as mesmas questões e preocupações originalmente levantadas durante a era do Vietnã sobre o poder de parada de nossa munição atual. O livro Black Hawk Down (Falcão Negro em Perigo, 1999) contém várias referências ao fracasso da munição 5,56 mm em "derrubar" o inimigo no chão. Pesquisas adicionais revelam referências semelhantes do Panamá e Granada. Comparativamente, pouco uso foi feito de armas portáteis durante as operações da Tempestade no Deserto, e, portanto, existem poucos relatórios desse tipo em domínio público. Mas as operações atuais no Afeganistão estão produzindo uma nova lista dos mesmos velhos problemas.
Nossas tropas estão acertando tiros, em muitos casos, múltiplos tiros no centro da massa do tronco, mas os bandidos não estão caindo. Em uma situação de combate, poucas coisas são certas, mas a incapacidade de deter um adversário determinado com um tiro bem centrado quase certamente causará baixas americanas. Perdemos tropas no Afeganistão devido a esse fracasso? Ninguém ainda vai dizer.

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

LAPA FA Modelo 03 Brasileiro


Por  Ronaldo Olive, 07 de junho de 2013 (1984).
Tradução Filipe do A. Monteiro.

Hoje temos mais um artigo de Ronaldo Olive, reimpresso com sua permissão. Isso foi originalmente publicado no Jane's Defence Weekly em 1984, quando o LAPA FA-03 ainda estava mais ou menos em fase de protótipo - os fuzis bullpup* se tornaram mais amplamente aceitos desde então. Infelizmente para o LAPA, o Modelo 03 não foi aceito para uso militar, e nenhuma encomenda estrangeira foi recebida - apenas este único protótipo foi construído. Então, sem mais delongas, leia sobre esse fuzil de combate brasileiro com algumas características interessantes. Obrigado Ronaldo!
-  Ian McCollum

*Nota do Tradutor: Bullpup, de inglês intraduzível significa “tudo à retaguarda” por associação.

Fuzil de Assalto LAPA 5.56 mm Atinge a Fase Oficial de Testes.
A aparição de mais um fuzil de assalto de 5,56mm na cena militar pode não atrair muita atenção, a menos que ele tenha a configuração bullpup agora na moda, o que lhe dá uma chance maior de receber mais do que apenas um olhar casual. E se este fuzil incorpora características novas e principalmente úteis, então ele merece um exame completo. É o caso do LAPA FA Modelo 03, recém-chegado à arena dos fuzis de pequeno calibre, que está prestes a iniciar o teste oficial de certificação no Campo de Provas da Marambaia, uma filial do CTEx - Centro Tecnológico do Exército. Recentemente, a Janes Defense Weekly teve a chance de disparar essa nova arma e avaliar suas características gerais.
O FA (Fuzil Automático) Modelo 03 foi projetado pelo LAPA - Laboratório de Projetos de Armamento Automático, uma área de P&D baseada no Rio de Janeiro. Os trabalhos iniciais começaram no final de 1978. Após cerca de um ano, um protótipo de viabilidade técnica foi concluído, e suas características mais promissoras levaram a protótipos adicionais para refinar o projeto. Senões inevitáveis foram gradualmente removidas e a arma brasileira evoluiu para uma realidade confiável e funcional. Após a certificação, deve entrar na produção para atender a demanda local e estrangeira, mas a empresa não especificaria datas. Tampouco se comentariam as abordagens relatadas por países estrangeiros interessados em acordos de produção licenciados, mas considerada a dura concorrência no setor de armas, sua reticência em tornar públicos alguns detalhes é compreensível.

DESCRIÇÃO
O arranjo do fuzil bullpup é o resultado de querer torná-lo o mais compacto possível sem encurtar o cano a um ponto em que a eficiência balística seja degradada. Então, o gatilho é movido para frente e o mecanismo de disparo, junto com o carregador, é encaixado na cavidade da coronha.
O corpo do LAPA FA Modelo 03 é construído em grande parte de plástico de alto impacto, possui contornos particularmente elegantes e é agradável de manusear e transportar. Uma configuração de linha reta bem projetada, de fato, resultou no fuzil ser capaz de ficar equilibrado na soleira da coronha! Isso também determinou a configuração das miras elevadas: a alça de mira, uma abertura com giro de duas posições (200 m e 400 m), está alojada dentro da alça de transporte estilo AR-10, enquanto a massa de mira é uma coluna protegida em cima de uma armação metálica erguida na boca do cano. O raio é (para a configuração bullpup) um generoso 374 mm (14,7 polegadas). A alavanca de manejo, que permanece estacionária quando a arma é disparada, está dentro da alça de transporte e a extremidade superior corre ao longo de uma fenda na parte de baixo da alça, dando-lhe mais rigidez.

MUNIÇÃO
Atualmente, a arma é calibrada para o cartucho M193 de 5,56 x 45 mm tipo comum, o cano de 490 mm (19,3 polegadas) tendo um raiamento de seis raias com um passo de uma volta em 305 mm (1:12 polegada). Exemplos de produção, como esperado, também terão os canos adaptados para a nova munição SS109 da OTAN. Um quebra-chama é montado no cano e um acessório para baioneta é fornecido. A alimentação no protótipo é feita por carregadores metálicos tipo cofre de 20 ou 30 tiros do tipo do M-16, mas as armas de produção são suscetíveis de usarem carregadores de plástico curvos de 20, 30 ou 40 tiros. O carregador é inserido de baixo para cima dentro do alojamento da coronha, e o retém na parte traseira é pressionado para frente para liberar o carregador. A janela de ejeção, que pode ser ajustada facilmente para atiradores destros ou canhotos, é equipada com uma cobertura de mola que se abre quando a arma é engatilhada ou disparada.

MECANISMO DE DISPARO
As inovações reais são aquelas encontradas no mecanismo de disparo. No lugar dos arranjos de segurança mais convencionais aplicados, o FA Modelo 03 tem uma configuração de ação dupla para o cão, mantendo-o pronto para uso imediato, e ao mesmo tempo protegido contra disparos acidentais. Uma única alavanca, no lado esquerdo da coronha entre o alojamento do carregador e a soleira, é ajustada para um dos três modos de disparo (“30” para automático; “3” para rajada controlada de 3 tiros; “1” para fogo semi-automático) e os dois modos de ação (“SA” para ação única [single action] e “DA” para ação dupla [double action]).
Após ou antes de armar e alimentar as armas, o que é feito puxando a alavanca de manejo cerca de 110 mm (4,3 polegadas) para trás e liberando-a, o atirador ajusta a alavanca seletora de tiro em uma das três posições de tiro. Caso disparado imediatamente, o fuzil será ajustado para ação única, exibindo assim um gatilho mais curto e mais leve. Depois de disparar alguns tiros, ou se nenhum uso imediato for previsto, a alavanca pode ser movida para a marca “DA” e retornada a uma das três posições de tiro. Isso derrubará o cão, permitindo que a arma seja transportada com total segurança, com uma bala carregada na câmara e pronta para a ação: tudo o que é necessário é puxar o gatilho (que terá uma tração mais longa e mais pesada) para disparar o fuzil. Se for necessária mais precisão para o primeiro disparo, o atirador pode mover a alavanca para a marca "SA" e voltar para a posição de tiro escolhida, o que fará com que a arma dispare o primeira tiro em ação simples. A operação é por gás, a partir de uma janela localizada a cerca de 160 mm (6,3 polegadas) da boca do cano, que aciona um conjunto de pistão/haste ortodoxo. O trancamento da culatra é conseguido pelos ressaltos do ferrolho rotativo.
A desmontagem de primeiro escalão para limpeza de rotina é relativamente simples e não requer ferramentas. Depois de retirar o carregador e verificar se a arma está descarregada, o retém da soleira é removido lateralmente para a direita, o que permite que a soleira junto com a mola de recuperadora e seu alojamento sejam puxados para fora da coronha. O retém de desmontagem, na lateral da empunhadura da pistola, é então removido da arma lateralmente para a direita, separando o corpo em duas metades. A metade inferior, que inclui o alojamento do carregador, a empunhadura da pistola e o guarda-mão, alojam o mecanismo de disparo, que fica totalmente exposto para limpeza normal, não sendo necessária a desmontagem adicional desse grupo. Com a alavanca de manejo puxada para a posição traseira, a tampa plástica superior pode ser removida, expondo o cano/conjunto do ferrolho. A tampa da caixa da culatra tubular de metal é desparafusada, e isso permite que o ferrolho e o conjunto do ferrolho deslize para fora. A haste de gases e o pistão podem então ser removidos. Um procedimento invertido é usado para remontar a arma.
Acima: LAPA FA Modelo 03 com bandoleira.

IMPRESSÕES DO TIRO
Fuzis Bullpup não são facilmente encontrados, especialmente no Brasil, então essa foi uma primeira experiência prática. Apesar da preparação psicológica, a primeira impressão é de uma arma do tipo “Guerra nas Estrelas”, mesmo que as linhas do FA Modelo 03 sejam conservadoras se comparadas com, digamos, o Steyr AUG. Depois de manusear por alguns minutos, porém, e me acostumar com a localização incomum do carregador, sua compactação pôde ser apreciada: apenas 735 mm (28,9 polegadas) de comprimento, e com superfícies muito lisas, é “agradável” de manusear e transportar, o que é especialmente importante para longas marchas, quando o fuzil é transportado pela bandoleira em seu corpo. O retém frontal da bandoleira gira livremente em torno do cano, e acoplado a um retém traseiro de duas posições (por cima/por baixo da coronha), permite que o fuzil seja carregado em várias posições.
Acima: Ronaldo Olive com o LAPA FA Modelo 03.

DISPARANDO DO OMBRO
Sem o seu carregador, o protótipo do fuzil de assalto LAPA pesa 3,2 kg (7,0 libras), embora as armas de produção devam pesar 2,8 kg (6,2 libras). Para o disparo de ombro mirado, as miras estão em uma posição confortável para o olho. A alça de mira com mola gira facilmente para a posição de 200 m ou 400 m, sendo ao mesmo tempo rígida o suficiente para não ser deslocada acidentalmente. É ajustável para resistência ao vento, enquanto a massa de mira com torre protegida pode ser ajustada para elevação. A abertura de visão da alça de mira é um pouco pequena demais para a rápida aquisição do alvo, mas isso deve ser corrigido em armas de produção, segundo o LAPA.
Acima: Miras do LAPA FA Modelo 03.
A posição da alavanca de manejo, na parte superior da arma, a torna ambidestra, mas como ela precisa ser puxada com um ou dois dedos, a tração parece mais pesada quando comparada a uma alça que pode ser segurada com o apoio do polegar. Isso é mais do que compensado, no entanto, pela alça permanecendo fora do caminho em todos os momentos.
O estande de testes foi fisicamente limitada a cerca de 50m, portanto a precisão de longa distância estava fora de questão. Disparado do ombro, o fuzil é confortável e proporciona um bom descanso para a bochecha do atirador na coronha. Embora a culatra esteja mais próxima da orelha do que nos fuzis convencionais, não há aumento perceptível no nível de ruído, embora as medidas instrumentadas possam provar o contrário. A configuração em linha reta do fuzil, com o eixo do cano estendendo-se diretamente ao ombro junto com o recuo muito baixo inerente à munição de 5,56mm, mantém o FA Modelo 03 estável em fogo semiautomático. Nesse modo, de pé, ajoelhado e deitado, a arma era manuseada bem.
Acima: O autor disparando LAPA FA Modelo 03.

Rajadas controladas de 3 tiros foram disparadas tanto do ombro quanto do quadril, as armas sempre permanecendo muito estáveis. O gatilho deve ser mantido puxado pela duração da rajada. Nessa configuração, se apenas um ou dois tiros forem disparados, o mecanismo será reiniciado automaticamente para estar pronto para disparar mais três vezes quando o gatilho for puxado novamente.

FOGO AUTOMÁTICO
Uma grande quantidade de fogo automático (cerca de 700 tiros/ minuto) foi realizado, com a arma na altura do quadril, estilo de assalto. Mais uma vez, a controlabilidade era excelente, e a extrema compacidade do desenho, fazendo com que o fuzil tivesse apenas 60mm (2,4 polegadas) a mais do que a maioria das submetralhadoras de coronha, seria um bônus definitivo no combate aproximado. O fogo instintivo em engajamentos com múltiplos alvos, por exemplo, é muito facilitado pelo fato da empunhadura da pistola estar localizada quase na metade do comprimento da arma, permitindo movimentos mais rápidos do cano em alvos diferentes. Disparos com uma mão, com e sem o apoio da bandoleira, mostram o seu notável equilíbrio e com uma ligeira pressão entre o braço e o corpo, o fuzil é mantido estável mesmo em fogo automático.
Nas fotografias, a janela de ejeção pode parecer muito próxima do braço para conforto, no entanto, na prática, os cartuchos usados ejetam bem acima e para frente, nem mesmo o calor dos gases é sentido por um braço desprotegido, portanto a segurança não é comprometida.

FICHA TÉCNICA
Calibre: 5,56 mm.
Raiamento: Seis Raias, 1:12’’ volta.
Peso total (vazio): 3,2 kg (7,0 polegadas).
Comprimento total: 735 mm (28,9 polegadas).
Comprimento do cano: 490 mm (19,3 polegadas).
Miras: Alça de mira de abertura com giro dual (200 m e 400 m), torre frontal.
Raio da Mira: 374 mm (14,7 polegadas).
Capacidade do carregador: 20 ou 30 tiros (carregadores STANAG).
Cadência de tiro: 700 tiros/ minuto.





sábado, 7 de setembro de 2019

Para os Amantes do F-14 Tomcat!


Para algumas pessoas, um automóvel esportivo da Ferrari é o sonho de consumo, para outros, uma motocicleta Kawasaki H-2R representa o máximo que uma maquina poderia promover seu sonho em realidade. Brinquedinhos caros, eu sei. Mas para mim, o F-14 Tomcat é a "encarnação" da minha idealização de maquina dos sonhos. Muitos compartilham esse entusiasmo em relação a esta aeronave. Aqui abaixo, deixo um vídeo sensacional de uma apresentação do F-14B e algumas explicações sobre detalhes da aeronave pelo piloto.






quinta-feira, 5 de setembro de 2019

EMBRAER E-99 A longa visão do sistema de defesa aéreo brasileiro.


FICHA TÉCNICA
Velocidade de cruzeiro: 800  km/h
Velocidade máxima: 832 km/h
Autonomia: 8 horas
Teto operacional: 9144 mts.
Alcance: 2666 km.
Empuxo: 2 motores Turbofan Allison/ Rolls-Royce AE-3007 A1P que produzem 3782 kgf cada um.
Radar e sistemas de missão: Radar Ericsson PS-890 Erieye com 350 km de alcance para um alvo do tamanho de um caça.
DIMENSÕES
Comprimento: 28,45 m
Envergadura: 20,04 m
Altura: 6,72 m
Peso: 11750 kg; (vazio) ; Máximo de decolagem 24000 kg

domingo, 1 de setembro de 2019

GUERRA PELA AMAZÔNIA BRASILEIRA - Um choque de realidade.


Por Carlos Junior
A polêmica internacional promovida, principalmente pelo atual presidente da França Emmanuel Macron, que se viu em toda na imprensa mundial, e de forma mais feroz na brasileira, trouxe a tona uma séria de comentários e especulações, muitas vezes equivocado, sobre o tema das queimadas na região da floresta Amazônica. A situação piorou quando o presidente Macron, que vive um momento político delicado em sua "própria casa", visivelmente explorou o assunto de uma forma a mover o foco  da mídia francesa que paira sobre ele para um problema brasileiro, chegando ao cúmulo de mencionar que poderia haver uma ação de internacionalização da Amazônia caso os países do mundo (lê-se ai, os membros do G7) entendesse que o Brasil não estivesse dando o devido tratamento para resolver a questão das queimadas na floresta, que, diga-se de passagem, abrange outros países como Peru, Colômbia, Equador, Venezuela, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa (território francês).
O Brasil é o país que tem a, absoluta, maior parte da floresta, com 60% dela. O segundo país com maior parte é o Peru, com apenas 13%, e o resto da floresta é dividida pelos outros países mencionados.
Neste mapa podemos ver a extensão da floresta amazônica
e os países que fazem parte desta floresta

Quando o presidente francês fala sobre "internacionalização da floresta", o significado disso é, inequivocamente, guerra. Sim, você não leu errado ou eu me expressei mal. Internacionalizar a amazônia é o caminho para a guerra. Diga-se de passagem, o motivo mais provável para que o pacifico (e passivo) Brasil entrar em uma guerra é, justamente, se estrangeiros assumirem qualquer tipo de posicionamento ativo sobre nossa parte da floresta, agredindo de forma violenta nossa soberania. A própria reunião do G7 que tratou sobre o tema sem que nenhum representante do governo tenha sido chamado, já é por si só, uma expressão de desrespeito com nossa soberania. Para o leitor tentar entender meu ponto de vista, vou usar uma analogia. Seria como se o Brasil, a Argentina e o Chile se reunisse para podermos decidir o que faremos com a Polinésia Francesa se os franceses resolvessem detonar armas nucleares sobre os atóis de Mururoa e Fangataufa, no arquipélago, lembrando aqui, que o governo francês, "este grande protetor do meio ambiente" (modo irônico ligado no máximo) detonou 193 bombas atômicas em testes nessa área, causando um impacto ambiental que vocês podem pesquisar para compreenderem.
Pois bem, voltar a tratar do caso brasileiro. Nos últimos dias eu li e assisti muito conteúdo postado em canais do Youtube e em redes sociais apresentando as formas como o Brasil poderia se defender de uma agressão por causa da Floresta Amazônica, e todos, absolutamente todos, os conteúdos que verifiquei, trataram do assunto de forma bastante ingenua e rasa. Alias a superficialidade é um problema absolutamente recorrente na internet, principalmente nas paginas brasileiras. Todos mostraram as capacidades de guerra na selva que o Exército Brasileiro possui por conta de seus batalhões de Selva e por conta dos militares que são formados num dos, se não o mais duro treinamento de guerra na selva do mundo que é ministrado pelo CIGS - Centro de Instrução de Guerra na Selva. 
É completamente equivocada a ideia de que uma guerra pela floresta fosse combatida na própria floresta. O mundo inteiro sabe que seria extremamente difícil sobreviver em batalhas travadas em meio ao TO (Teatro de Operações)  amazônico, e é certo que uma incursão por tropas naquela região seria uma ação a se considerar como secundária, pois dificilmente os soldados invasores sairiam vivos dali, principalmente se nossa estrutura, como país, estivesse inteira.
Um dos cursos que o CIGS ministra é o de 
Operações na Selva (COS). Uma guerra aberta, 
limitada apenas dentro do TO Amazônico,
dificilmente seria vencido por uma força invasora.
(Foto: Centro de Instrução de Guerra na Selva)
Qualquer potência militar grande o média, teria que atacar o Brasil em sua infraestrutura, bombardeando fábricas de munições, armas, aeroportos e bases aéreas, portos, centros de comando das forças armadas, centro de comando do governo, hidrelétricas, e centros de comunicação. Os ataques, para vencer o Brasil iriam ser efetuados contra as regiões mais desenvolvidas para que o país tivesse que mobilizar recursos materiais e humanos para prestar apoio a população que estaria sendo gravemente impactada pelos ataques, tirando o foco de nossas forças da floresta, propriamente dita e tentando, forçar as autoridades brasileiras a se render.

Nós, enquanto nação soberana, infelizmente, não temos meios de dissuasão estratégica militar. Nossas forças militares são, como a constituição brasileira diz, "apenas para defesa", o que levou a um importante negligenciamento de nossas capacidades de ataque. Não se tem uma defesa real se as forças armadas de um país não são capazes de promover ataques contra uma nação estrangeira. Por isso, tenham em mente, caros leitores, que "defesa" no sentido perfeito, se faz com a capacidade de ir a guerra com tudo e vencer ela, mesmo que em território inimigo. Nós focamos em ações sociais para que as forças armadas fossem usadas para missões que não são, nem de longe, o real motivo dessas instituições existirem. Defender um país, principalmente de potencias miliares maiores, envolve ter capacidade de atacar e destruir os meios materiais que essas potencias possam vir usar em uma injusta agressão contra a soberania brasileira. O ex presidente Fernando Henrique Cardoso, assinou o tratado de não proliferação nuclear, comprometendo nossa industria bélica de desenvolver  e  nossas forças militares, de usar, armas atômicas. Isso, somado a previsão incluída dentro da própria constituição de 88, em seu artigo 21, já deixou o potencial de desenvolver uma defesa, efetivamente dissuasiva, aleijada.
A capacidade de lançar um armamento nuclear contra
um alvo posicionado muito além das fronteiras do
Brasil, é a unica forma de conseguir intimidar qualquer
país a tentar atacar a soberania brasileira. 
(foto Míssil UGM-133 D5 Trident II
Para concluir este artigo, é importante observar que, devido ao atual estágio de desenvolvimento tecnológico das armas, de nada adiantaria contarmos com grandes quantidades de mísseis antiaéreos de longo e médio alcance, ou ainda, contar com dezenas de navios de guerra do porte de destróieres e fragatas, se nós não tivermos capacidade de destruir alvos em território inimigo que esteja além de nossas próprias fronteiras. Uma grande quantidade de submarinos modernos que estejam efetivamente disponíveis (fora de manutenção e prontos para emprego), armados com mísseis de cruzeiro com capacidade de atacar alvos em terra a mais de 1000 km, ou, mísseis anti navio supersônicos, seria uma das poucas medidas dissuasivas convencionais válidas dentro do contexto de uma França liderando uma força multinacional para tomar o controle da Floresta Amazônica. De resto, só armas nucleares que pudessem ser empregadas a longas distancias (mísseis balísticos lançados por terra ou mesmo por submarinos), colocariam o medo nas mentes de potenciais "aventureiros' estrangeiros que viessem a tentar intervir sobre nosso território.
Uma força de submarinos convencionais e nucleares 
numerosa seria uma das alternativa para se conseguir
uma dissuasão estratégica relevante.