domingo, 28 de junho de 2015

CLASSE SKJOLD. Uma nova geração de patrulheiros navais.

FICHA TÉCNICA
Tipo: Barco rápido de patrulha.
Tripulação: 15 tripulantes.
Data do comissionamento: Abril de 2009.
Deslocamento: 270 toneladas (totalmente carregado).
Comprimento: 47,5 m.
Boca: 13,5 m.
Propulsão: 2 motores Pratt & Whitney ST-18M com 2417 hp de potencia cada, 2 turbinas a gás Pratt & Whitney ST-40M com 5070 kg hp de potencia cada.
Velocidade máxima: 60 nós (110 km/h).
Alcance: 1480 Km em velocidade econômica
Sensores: 1 radar Thales MRR 3D NG com 180 km de alcance. Sistema Multisensor Ceros 200 com um radar de controle de tiro apoiado por sensores optronicos e telêmetro a laser.
Armamento: 2 lançadores quádruplos para 8 mísseis antinavio Kongsberg NSM, 1 lançador de mísseis duplos Simbad para mísseis antiaéreos Mistral (8 mísseis), um canhão OTO Melara 76 mm/ 62 super rapid..

DESCRIÇÃO
Por Carlos E. S. Junior
A marinha norueguesa, assim como a marinha sueca, possui uma criatividade notável. A embarcação que trataremos agora traz algumas características que as colocam em uma condição de destaque. Chamada de Skjold (escudo, em norueguês), nome bastante estranho, assim como seu igualmente estranho aspecto, este barco patrulha fabricado pelo estaleiro Umoe mandal AS norueguês pode ser considerado a mais veloz embarcação de combate em serviço no mundo atualmente. Num momento em que as atenções se voltam para a guerra litorânea, a Skjold aparece como uma espécie de “sonho de consumo” das embarcações de guerra que se encaixam como uma luva na tarefa, Além de veloz, ela é pesadamente armada e extremamente furtiva devido a seu desenho projetado para reduzir ao máximo a reflexão de radar.

Acima: O barco patrulha Skjold foi projetado para ser furtivo, ou em outras palavras, ser difícil de ser detectado pelos radares inimigos. Esse aspecto de seu projeto levou a Skjold apresentar um desenho bastante limpo e diferente de qualquer outra embarcação de patrulha usada antes dele.
A propulsão da Skjold é do tipo COGAG (combinação gás e gás) composta por dois motores Pratt & Whitney ST-18M, derivadas do motor de aviação PW-100. Cada turbina ST-18M produz 2417 hp de potencia. Junto com estes motores, outras duas turbinas a gás Pratt & Whitney ST-40M que produzem 5070 kg hp cada. Para conseguir a velocidade máxima, que chega a 60 nós (110 km/h), além das 4 turbinas, um colchão de ar infla no casco, tipo catamaram, da Skjold com auxilio de dois motores a diesel MTU-12 12V TE92. Esse colchão, somado a característica de ser um casco tipo catamaram, faz com que o calado do Skjold seja de apenas 1 m o que somado ao sistema de jatos de água, no lugar das hélices convencionais, facilita a agilidade de navegação e dá a Skjold uma melhor resposta contra ondas. A Skjold é capaz de executar curvas extremamente fechadas, mesmo em alta velocidade, outro beneficio dado pelo sistema de jatos de água. Outra facilidade dada pelo uso do colchão de ar é a maior imunidade a minas navais, permitindo com que a Skjold possa operar com segurança em zonas minadas e até mesmo caçar minas.
Porém o “calcanhar de Aquiles” da Skjold é sua autonomia, considerada baixa. O alcance da Skjold chega a 1480 km (800 mn). Devido a essa limitação, um país de grandes dimensões como o Brasil, por exemplo, precisaria de um numero grande de unidades dessa embarcação para poder patrulhar suas vastas águas territoriais.

Acima: Quando em a Skjold navega a velocidade máxima, que chega a incríveis 60 nós (110 km;h), um colchão de ar infla deixado a embarcação alta em relação a água e diminui sua resistência hidrodinâmica.
A estrutura da Skjold é revestida de matérias absorventes de radar RAM, assim como o próprio desenho da embarcação visa influenciar a reflexão das ondas de radar para longe da fonte emissora. Os lançadores de mísseis, por exemplo, ficam ocultos no convés do barco até o momento do lançamento. Graças a esse tipo de medida adotada em sua construção, a Skjold apresenta um desenho limpo, lembrando uma “balsa”. O esforço para manter a furtividade foi levado tão a sério que até detalhes como as bordas das janelas da Skjold foram tratadas com material radar-absorvente.
A suíte eletrônica da Skjold tem no radar francês Thales MRR 3D NG seu principal elemento. Este radar é capaz detectar um alvo aéreo a 180 km de distancia dando todos os parâmetros de posicionamento do alvo. Para controle de fogo é usado um sistema multi-sensor Ceros 200 composto por um radar, um telêmetro a laser e sensores optronicos que permitem traquear alvos aéreos como aeronaves ou mísseis antinavio, que normalmente voam rente ao mar (sea skimming), o que dificulta sua detecção e consequentemente a resposta de defesa a esse tipo de arma.
O Skjold possui uma suíte de guerra eletrônica baseada num sistema de busca e reconhecimento EDO composto por antenas de interferência, um radar tático CS-3701 e um sistema de alerta radar RWR que avisa quando um radar inimigo estiver rastreando a Skjold. Um sistema de iscas MASS (Multi Ammunition  Soft Kill) fabricado pela Buck Neue Technologien da Alemanha dispara projéteis que emitem sinais que atraem o sensor dos mísseis antinavio inimigos, evitando, assim, um impacto contra a Skjold. O sistema MASS é eficaz contra mísseis guiados a radar, infravermelho IR, laser e sistemas eletroopticos.
Acima: O painel de comando do Skjold é extremamente moderno e garante agilidade a seus navegadores para lutar e navegar.
O armamento transportado na Skjold é consideravelmente pesado, principalmente por conta dos 8 mísseis antinavio Kongsberg NSM. Esses modernos mísseis são lançados de dois lançadores quádruplos que ficam ocultos até a hora do lançamento na popa do navio e possuem um alcance máximo de 150 km. Sua ogiva é de 125 kg de alto explosivo. Guiado por um sistema GPS para navegação de meio curso e sistema infravermelho IR na fase final do ataque, este moderno míssil antinavio se beneficia, ainda de um desenho furtivo dificultando a tarefa das defesas antimíssil inimigas e impedir seu ataque. Para defesa antiaérea a Skjold usa os famosos mísseis portáteis MBDA Mistral, guiados por calor e com alcance de 4 km. Estes mísseis são montados em um lançador duplo Simbad e são transportados 8 mísseis, ao todo.

Além dos mísseis, um canhão italiano OTO Melara 76 mm/ 62 super rapid dispara projéteis de 6 kg a um alcance de 16 km à uma taxa de tiro de 120 tiros por minuto.
Acima: O míssil NSM é o principal armamento a bordo da Skjold. Com seus 8 mísseis que ficam oculto dentro do casco do navio, a Skjold pode afundar navios bem maiores e sair da zona de batalha rapidamente.
A marinha dos Estados Unidos, sempre ligada nas novidades militares que poderiam servir a seus objetivos, mostrou grande interesse na classe Skjold e chegou a bancar o envio da Skjold aos Estados Unidos para fins de estudos conceptuais. O interesse norte americano era o de empregar alguma solução do projeto em seus navios LCS e mesmo em embarcações da guarda costeira. A Skjold permaneceu em testes por um período de um ano, sendo posteriormente reintegrada a marinha norueguesa. Eu considero esta embarcação a mais adequada para missões de patrulha marítima costeira para a marinha brasileira devido a sua extrema velocidade e capacidade de combate convincente. Sua furtividade seria útil em não alertar eventuais intrusos de nossas águas e assim poder dar uma sólida resposta a eles. Porém, a doutrina brasileira é menos agressiva e os requisitos para um navio patrulha visam muito mais a autonomia do que sua capacidade de combate propriamente dita.


ABAIXO TEMOS UM VÍDEO COM A APRESENTAÇÃO DA SKJOLD.

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quarta-feira, 24 de junho de 2015

NORTHROP B-2 SPIRIT. A dissuasão do invisível.


FICHA TÉCNICA
Velocidade de cruzeiro: 870 km/h
Velocidade máxima: 1010 km/h
Alcance: 11100 km.
Teto de serviço: 15200 m.
Propulsão: 4 motores General Electric F-118-GE-110 com 7847 Hp de potencia cada.
DIMENSÕES
Comprimento: 21,03 m
Envergadura: 52,43 m
Altura: 5,18 m
Peso: 71700 kg (vazio)
ARMAMENTO
Até 18300 kg em armamento. As armas integradas ao B-2 são: Misseis de cruzeiro nucleares AGM-129 ACM, Bombas nucleares B-61 e B-83, bombas convencionais MK-82 e MK-83, Bombas guiadas por GPS JDAM e JSOW, bombas EGBU-28 anti bunker, bombas de fragmentação CBU-87 e CBU-97, minas terrestres GATOR, míssil de cruzeiro AGM-158 JASSM.

DESCRIÇÃO
Por Carlos E. S. Junior
No final do período conhecido como guerra fria em meados dos anos 70 do século passado os Estados Unidos estavam atras de um bombardeiro estratégico que pudesse substituir os velhos B-52 pois estes aviões não teriam a menor chance de sobreviver as fortes defesas antiaéreas que a União Soviética estavam colocando em operação. Inicialmente, se pensou em um bombardeiro que voasse alto e em velocidades supersônicas para que assim as defesas antiaéreas não conseguissem interceptar o bombardeiro levando a construção do protótipo do XB-70 Valkyre. Porém, a tomada de conhecimento por parte da inteligência dos Estados Unidos deixou claro que essa ideia não daria certo, pois os russos estavam com novos mísseis com capacidade de interceptar e destruir uma aeronave em alta velocidade e alta altitude. Naquela época um outro bombardeiro de nova geração, o B-1A, uma aeronave mais simples que o XB-70, era a aeronave que os Estados Unidos estavam desenvolvendo para atingir esse objetivo e depois que se obteve o conhecimento do poder dos soviéticos em lidar com esse perfil de ataque, se optou por modificar o B-1 para que ele pudesse ser empregado em infiltração de baixa altitude e em velocidade supersônica, dificultando sua detecção pelos sistemas de radares soviéticos e seus mísseis. Porém, os soviéticos ainda começaram a apresentar aeronaves de combate com capacidade look Down/ Shot Down (capacidade de ver para baixo e atirar para baixo), em aeronaves como o Su-27 Flanker, o MIG-29 Fulcrum e o gigante MIG-31 Foxhound. Este novo cenário mostrou que a tática de penetração a baixa altitude não seria útil naquele ponto também. A partir dai, estava claro que para superar a formidável rede de defesa antiaérea soviética seria necessário dar um passo a frente e revolucionar totalmente a guerra aérea.
Acima: O bombardeiro XB-70 Valkyrie foi uma tentativa de criar uma aeronave imune a capacidade defensiva soviética através da exploração da altíssima velocidade acima de mach 3 e alta altitudes. Essa abordagem do assunto se mostrou ineficaz frente ao ganho de capacidade dos soviéticos em sua capacidade antiaérea.
Surge em 1979 um programa de desenvolvimento de um bombardeiro de nova geração conhecido pela sigla ATB (Advanced Tactical Bomber, ou Bombardeiro Tático Avançado) que visava fornecer um bombardeiro que além do longo alcance, fosse capaz de operar com baixíssima reflexão a radar, uma tecnologia que foi chamada de "stealth" e já era usada em um outro programa que levaria concepção do jato de ataque invisível F-117. Os estudos foram levado a cabo pela Boeing, a Lockheed Martim, e a Northrop e em todas estas empresas, a forma de suas propostas mostrava uma aeronave em forma de asa voadora. Em 1981 a Northrop acabou sendo selecionada pela Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) para dar continuidade a sua proposta para o ATB e a construir o novo bombardeiro estratégico dos Estados Unidos que foi batizado de B-2A Spirit. Embora houvesse informações do andamento de um programa para construir um novo bombardeiro para a USAF, poucos dados sobre as características da futura aeronave haviam sido liberadas e por isso a "invisibilidade" que caracteriza este projeto não era de conhecimento do grande público. O B-2 foi apresentado para o mundo em novembro de 1988 e seu formato de asa voadora, sem cauda, chamou bastante a atenção dos que estavam presentes e estava claro que a "invisibilidade" era parte do "pacote" desse projeto.
Acima: Muitos dos avistamentos de OVNIs na região da base de Edwards foi responsabilidade do B-2 e suas formas "diferenciadas"
Diferentemente do caça F-117, primeira aeronave "invisível", o B-2 não apresenta as formas facetadas, cheia de ângulos que se pode observar no F-117. O B-2 tem linhas mais fluidas e seu projeto foi feito com ajuda de supercomputadores que calculavam o angulo de reflexão das ondas de radar, além do uso de materiais que absorvem as ondas não refletidas. O resultado prático é que o B-2, mesmo sendo muito maior que um F-117, consegue ser mais difícil de ser detectado que o pequeno caça. As entradas de ar dos motores ficam posicionadas acima da aeronave e possuem formas cerrilhadas embaixo e em "W" em cima, característica que ajuda a desviar as ondas de radar para longe da antena emissora. As saídas dos motores apresentam uma solução diferenciada que é uma extensão da fuselagem, logo depois do escape dos motores, que são revestidas de carbono para resfriar o calor do ar que sai do motor e assim reduzir a assinatura infravermelha. O B-2 está equipado com 4 motores tipo turbofam modelo General Electric F-118-GE-100 sem pós combustores e com empuxo máximo de 7847 Hp. Sua velocidade máxima é de 1010 km/h e sua velocidade de cruzeiro é de 870 km/h. Já, seu alcance pode chegar a 11100 km, o que lhe permite atacar alvos em qualquer continente do mundo,.
Acima: O B-2 é um grande avião cuja envergadura chega a 52,43 metros e isso traz um arrasto aerodinâmico considerável. Sua velocidade é subsônica em qualquer altitude.
O B-2 está equipado com um radar AN/APQ-181 que for recentemente modernizado e recebeu uma antena de abertura sintética (AESA) que fornece dados de navegação através do modo de seguimento de terreno, o que permite ao B-2 voar em alta velocidade em baixa altitude em total segurança. O radar fornece dados sobre a localização de alvos em terra para ataques precisos. O sistema de navegação opera com apoio de um sistema de GPS e de um sistema inercial NAS-26. O sistema de comunicação usa o link 16 para operação intercambio de dados permitindo com que o B-2 opere em rede com outras aeronaves, satélites e bases em terra. O B-2 possui um sistema de alerta de aproximação de mísseis (MAWS) AN/AAR-54 desenvolvido pela própria Northrop. Este sistema avisa os pilotos sobre o lançamento, aproximação e a direção de mísseis que estejam atacando o B-2. Para contramedidas eletrônicas, é usado o sistema de gerenciamento de defesa da Lockheed Martin AN/APR-50. 
Os controles de voo do B-2 são do tipo Fly By Wire (FBW) com redundância quadrupla, o que significa que se um sistema de controle de voo falhar, há mais 3 para manter a aeronave voando.

Acima: O cockpit do B-2 traz muitos displays multifuncionais para facilitar a vida de seus dois tripulantes na atividade de navegação e ataque.
O armamento do B-2 é transportado dentro de dois compartimentos internos localizados no centro da aeronave e é capaz de transportar uma carga de até 18300 kg. Cada compartimento pode ser equipado com um lançador rotativo chamado de CRSL (Common  Rotary, Strategic Launcher) capaz de ser carregado com 8 mísseis de cruzeiros AGM-129 ACM, com uma ogiva nuclear W-80 com potência de 150 kt (quiloton) o que equivale a 8 vezes a potência da bomba que destruiu Hiroshima na segunda guerra mundial. O AGM-129 tem alcance de 3700 km e sua guiagem se dá por sistema inercial e TERCOM (sistema de seguimento do terreno) que permite o míssil voar rasante contornando o relevo do terreno cujo mapa é previamente carregado no computador de voo do míssil. Outras armas nucleares que o B-2 está habilitado a lançar são as bombas atômicas B-61 e B-83 que tem uma potência de 340 kt e 1,2 Mt (megaton) respectivamente. Além das armas estratégicas (as nucleares), o B-2 tem um grande leque de armamentos convencionais. Fazem parte do arsenal as bombas MK-82 e MK-84 que são transportadas em um rack que substitui o lançador rotativo e pode transportar até 80 (sim!!! oitenta) bombas MK-82 ou 16 bombas MK-84 de 2000 libras nos dois lançadores rotativo. As bombas guiadas por GPS da família JDAM e as bombas planadoras da família JSOW que permitem atacar os alvos em condição stand off (longe das defesas antiaéreas) a distancias de 115 km também foram integradas ao B-2. Para destruir alvos reforçados ou subterrâneos o B-2 é armado com bombas EGBU-28 guiadas a laser e com apoio do GPS com 5000 libras de peso. Esta bomba é capaz de penetrar cerca de 30 metros de terra ou 6 metros de concreto antes de detonar sua potente ogiva. Por ultimo, o novo míssil AGM-158 JASSM com uma ogiva WDU-42 de 450 kg de alto explosivo e com capacidade de penetração também faz parte do arsenal do B-2. O AGM-158 é guiado por um sistema de GPS e guiagem inercial, além de um sensor infravermelho que reconhece o alvo previamente carregado na memória do computador do míssil. O alcance desta arma é de 370 km o modelo padrão, e de 1000 km  a versão com alcance estendido  JASSM-ER.
Acima: O B-2 possui uma grande capacidade de transporte de armas. Nesta foto um B-2 despeja sua carga de 80 bombas de queda livre MK-82 sobre uma área alvo. O B-2 porém, é caro demais para ser usado como um bombardeiro de bombas burras. O melhor aproveitamento de seu potencial é através do uso de armas inteligente com longo alcance.
A capacidade de se esconder dos radares que o B-2 apresenta é impressionante, principalmente se levarmos em consideração seu tamanho. Um radar capaz de detectar um B-52 a 180 km, só vai conseguir ver um B-2 quando ele estiver a 5 km do alvo. Ou seja, tarde demais para reagir. O B-2 aumenta em muito a capacidade de dissuasão do EUA, tornando muito arriscado se envolver em uma disputa bélica com os americanos. Um B-2 pode realizar sozinho uma missão que seria necessária um esquadrão inteiro de F-16, graças a sua capacidade de transportar uma grande quantidade de armas de precisão. Mesmo com a melhora da tecnologia dos radares que começam a conseguir detectar um avião furtivo como o B-2 a distancias um pouco maiores que os radares convencionais, o B-2 ainda pode operar com imunidade pois ele ainda usa armamentos que podem ser lançados de distancias muito grandes. Com apenas 19 unidades operando, devido a seu elevado custo e a perda de 2 exemplares desde que a aeronave entrou em serviço, o B-2, em breve, terá uma companhia para as missões estratégicas. O novo bombardeiro do programa LRS-B  (Long Range Strike Bomber), que provavelmente será batizado de B-3, terá mais unidades construídas e deve operar lado a lado com o B-2 por muitos anos.
Acima: Aqui temos uma imagem interna das partes do B-2A Spirit.


ABAIXO PODEMOS ASSISTIR A UM DOCUMENTÁRIO SOBRE O B-2.

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quarta-feira, 17 de junho de 2015

CZ P-09 DUTY - Atualização Full Metal Jacket

Olá amigos.
O blog Full Metal Jacket traz esta semana uma matéria sobre a nova pistola CZ P-09. Para conhecer melhor esta excelente pistola entre em: http://fullmetaljacketbr.blogspot.com.br/2015/06/cz-p-09-duty-as-melhores-qualidades-que.html
Abraços

CZ-P-09 DUTY. As melhores qualidades que uma pistola pode ter inseridas em um único produto.

FICHA TÉCNICA
Calibre: 9X19 mm, .40 S&W.
Peso: 860 g.
Capacidade: 19+1 em 9X19 mm, 15+1 em .40 S&W.
Comprimento do cano: 4,53 polegadas.
Comprimento total: 20,8 cm.
Gatilho: Ação dupla/ ação simples.
Sistema de operação: Recuo curto.
Mira: Fixa com sistema tridot.

DESCRIÇÃO
Por Carlos E.S Junior
O universo das armas é extremamente rico em variedades de modelos. Graças a grande competitividade entre os fabricantes, hoje temos um alto padrão de qualidade que permite a escolha de uma arma ser muito mais pessoal do que propriamente técnica, uma vez que os níveis de confiabilidade mecânica atingiu níveis bem altos. Embora eu tenha uma forte admiração pelos produtos da Heckler & Koch, ou "HK", minha pistola preferida é de uma outra grande fabricante, a Ceska Zbrojovka ou simplificando, "CZ", orgulho da Republica Checa, a fábrica de armas CZ produz algumas das mais bem sucedidas pistolas do mundo. O produto de maior sucesso da CZ é sua pistola CZ-75 projetada em 1975 e em linha de produção até os dias de hoje, é reconhecida como sendo a pistola com a empunhadura de melhor ergonomia já projetada, o modelo se mantém em produção até os dias de hoje. A CZ-75 foi sendo aperfeiçoada no decorrer desses 39 anos de existência, sendo que a variante mais recente, responde pelo nome de CZ-75 P07 Duty. A P-07 é uma pistola compacta com armação em polímero que agrega as melhores características de operação, segurança, mira e ergonomia que se pode encontrar em uma pistola moderna. 
A pistola cuja minha predileção eu expus no começo deste artigo é uma variante de P-07, chamada CZ P-09. 

Acima: A CZ P-09 ao lado de sua irmão mais velha e mais compacta CZ P-07 Duty.
A P-09, na pratica, é uma P-07 com todas as dimensões aumentadas para uma arma em tamanho full, cujo objetivo é uma arma de porte ostensivo dada suas dimensões, sendo portanto, pensada para uso tático policial ou militar embora possa ser usada para defesa pessoal também. A P-09 é fabricada com sua armação em polímero, seguindo uma forte tendência para esse tipo de armamento atualmente. A empunhadura conta com o recurso de substituição de seus calços traseiros (backstraps) de forma que a arma vem acompanhada em sua caixa, de 3 calços de tamanhos diferentes para garantir uma melhor adaptação da empunhadura as dimensões das mãos dos seus usuários. A armação, em sua parte frontal possui um trilho para instalação fácil de acessórios como apontadores a laser ou lanternas táticas. A armação pode ser em acabamento negro ou com cor "desértica" lembrando areia.
Outro ponto que chama a atenção na P-09 é seu sistema de segurança que pode ser facilmente substituído pelo próprio usuário, sem a necessidade de levar a arma a um armeiro. A tecla de trava da armadilha, posicionada na parte posterior do ferrolho, pode ser substituída por uma tecla que funcione como desarmador do cão (decocking lever), simplesmente trocando a peça na desmontagem de primeiro escalão. A peça é vendida nas lojas de armas como acessório.

Acima: A tecla de trava pode ser substituída pelo uma tecla de desarmar o cão sem necessidade de uma mão de obra técnica. Observe a tecla atras da arma e os calços (backstraps) da empunhadura abaixo da P-09.

Acima: A armação em cor desértica com uma lanterna tática presa ao trilho. Este padrão de acabamento tem se tornado popular no mercado norte americano.
O seu sistema de operação ocorre por recuo curto com cano pivotante, o que significa que no momento do disparo, com o movimento de retrocesso do ferrolho, o cano também se movimenta, levando a câmara para uma posição mais baixa, para facilitar a entrada de uma nova munição na câmara. O gatilho da P-09 é do tipo ação dupla/ ação simples, ou seja, a arma faz o primeiro disparo em ação dupla e os demais em ação simples, como ocorre nas pistolas da Taurus modelo PT-58 amplamente conhecida em nosso mercado civil. É interessante notar, também, que o guarda mato do gatilho é de boa dimensão permitindo seu uso mesmo com o uso de luvas, o que mostra a preocupação da CZ em facilitar o uso da arma em situações táticas.
A P-09 é fabricada em dois calibres, sendo o 9X19 mm e o popular calibre .40 S&W, muito usado por departamento de policias norte americanos e brasileiros. A capacidade do carregador é de 19 munições que se soma a mais uma munição que pode ser colocada diretamente na câmara, para o calibre 9 mm enquanto que para o calibre .40 S&W, o carregador comporta 15 munições, que também se soma a mais uma munição direto na câmara. O sistema de mira que vem na P-09 é do tipo tridot, com alça fixa e massa. A alça é substituível e pode ser "zerada" com o uso de uma ferramenta que alinha ela.

Acima: Nessa foto podemos perceber o tamanho da P-09.  Trata-se de uma pistola em tamanho full comparável a uma Colt M-1911 ou a Beretta M-92.

Em testes feitos com a P-09 o modelo apresentou um funcionamento impecável, sem apresentar qualquer tipo de falha de alimentação ou precursão, se mostrando extremamente confiável, qualidade esta, que já se tornou rotina nos produtos da CZ. A precisão é demonstrada nos alvos que aparecem na foto deste artigo sendo considerada muito boa. O modelo foi lançado, inicialmente no mercado norte americano, e as características que a CZ procurou inserir nesse projeto deixam claro para mim que o publico norte americano de fato era o principal alvo deste modelo. Porém, aqui no Brasil, o modelo poderia ser muito útil para o policial ser fosse possível importar e usar, operacionalmente a P-09 para seu uso profissional, Porém, nossa legislação obriga aos policiais usarem apenas armas fabricadas em solo nacional.. No mercado norte americano, a P-09 pode ser considerada uma arma relativamente barata (pelo menos bem mais barata que suas concorrentes da HK P-30 FN FNX ou Sig Sauer P-226), sendo que as pistolas Glock são as mais fortes concorrentes devido a seu preço equivalente (U$650,00). Aqui no Brasil, com as taxas todas, a arma não sairia por menos que R$ 7000,00, um verdadeiro absurdo para quem precisa de uma arma para trabalhar.  

Acima: O sistema de mira tridot, tem sido usado amplamente pelos principais fabricantes do mundo. Este sistema permite rápida visada com boa precisão em situações de combate.


Acima: A desmontagem de primeiro escalão da P-09 é fácil e possui poucas peças, o que facilita o processo de limpeza.


Acima: Teste com a P-09 com diversas marcas de munição em 9 mm. A precisão desta arma é considerada muito boa.

ABAIXO TEMOS UM TESTE COM A CZ P-09.

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segunda-feira, 15 de junho de 2015

METRALHADORA FN MINIMI - Atualização Full Metal Jacket


Olá amigos.
A metralhadora Minimi, fabricada pela FN Herstal e´a arma escolhida para substituir nosso velho fuzil FAP para a função de apoio de fogo. Porém o modelo é usado por muitas forças militares importantes no mundo todo. Para conhecer melhor esta metralhadora entre em: http://fullmetaljacketbr.blogspot.com.br/2015/06/fn-herstal-minimi-versatil-escolha-do.html
Abraços

quarta-feira, 10 de junho de 2015

RAYTHEON/ LOCKHEED MARTIM MIM-104 PATRIOT. A celebridade aliada da Guerra do Golfo


FICHA TÉCNICA
Motor: Propelente sólido de estágio único Thiokol TX-486-1
Velocidade: PAC-1: 3675 km/h; PAC-2 e PAC-3:  6125 Km/h.
Alcance: PAC-1: 70 Km, PAC-2: 160 Km, PAC-3: 45 Km.
Altitude: PAC-1/ PAC-2: 24000 metros; PAC-3: 15000 metros..
Comprimento:  PAC-1:  5,3 m, PAC-2: 5,18 m, PAC-3:  5,2 m.
Peso: PAC-1: 914 kg, PAC-2: 900 kg, PAC:3: 312 kg.
Ogiva: PAC-1: 90 kg de alto explosivo (HE); PAC-2: 91 kg de alto explosivo (HE) fragmentada com espoleta de proximidade; PAC-3: 73 kg De alto explosivo fragmentada com espoleta de proximidade, e capacidade de impacto direto.
Lançadores: PAC-1/ PAC-2: Contêiner rebocável com 4 mísseis; PAC-3: Contêiner rebocável com 8 mísseis.
Guiagem: Comando de radio e guiagem semi ativa.

DESCRIÇÃO
Por Carlos E.S Junior
Para as pessoas que puderam acompanhar pela mídia a guerra do golfo em 1991, alguns sistemas de armas se tornaram verdadeiras “celebridades” graças ao sensacionalismo da imprensa leiga e da propaganda norte americana, como sempre, distorcendo a realidade em proveito próprio. Uma dessas “celebridades” da tecnologia militar foi o míssil antiaéreo MIM-104 Patriot, que pudemos ver interceptar alguns dos muitos mísseis Scuds iraquianos lançados contra alvos em Israel e na Arábia Saudita.
O Míssil Patriot foi desenvolvido, a partir de 1965 pela Raytheon, a mais importante empresa fabricante de mísseis dos Estados Unidos e pela Lockheed Martim visando substituir o míssil Hawk e o míssil Nike Hercules na função de defesa antiaérea de média e alta altitude. O primeiro lançamento ocorreu em 1970, porém os elevados custos do sistema e alguns problemas técnicos atrasaram a autorização do governo americano para dar continuidade ao processo de aquisição deste sistema antiaéreo até meados de 1983.
Acima: O Míssil MIM-109 Patriot é responsável pela defesa antiaérea de longo alcance do exército dos Estados Unidos e de muitos outros países aliados dos norte americanos.
O sistema de defesa aérea Patriot consiste, primeiramente, em um radar de varredura eletrônica passiva AN/MPQ-53/ 65 equipado com um sistema IFF (identificação amigo inimigo), sistema anti-interferência (ECCM) e o sistema guiagem TVM para o míssil. O alcance deste radar é de 100 km, podendo rastrear mais de 100 alvos simultaneamente e atacar mais de 9 alvos ao mesmo tempo. 
Uma estação de controle de tiro AN/MSQ-104 ECS que fica montada num abrigo móvel que pode estar em um caminhão M-927 ou em um caminhão  Light Medium Tactical Vehicle  (LMTV ), é o centro nervoso do sistema, pois é o lugar onde os operadores do Patriot operam o sistema. É interessante observar aqui que o ECS é totalmente protegido para ambientes NBQ (Nuclear Biológico e Quimico), além de ter uma blindagem contra pulsos magnéticos. Os lançadores M-901 são compostos por 4 contêineres com 1 míssil Patriot, cada, sendo que na ultima versão do Patriot, conhecida como PAC-3, dado a suas menores dimensões, cada contêiner que pode abrigar  4 mísseis totalizando 16 mísseis. Uma bateria de mísseis Patriot por acomodar até 16 lançadores M-901 fornecendo um poder de fogo antiaéreo bastante pesado com 64 mísseis da versão PAC-1 e PAC-2.
Acima: A estação AN/MSQ-104 ECS é onde os operadores do sistema Patriot controlam todo o sistema. Essa estação é protegida contra pulso magnético e para ambientes NBQ.
O míssil MIM-104 Patriot, tem um sistema de guiagem chamado de “track via missile” (TVM) que consiste, na pratica em um sistema de guiagem híbrido entre a guiagem por radar semi-ativo (SARH) e o sistema de guiagem por comando de radio. No sistema TVM o radar AN/MPQ-53/ 65 ilumina o alvo, porém os dados dessa iluminação não são usados pelo míssil diretamente para ter o parâmetro do alvo, como nos sistemas SARH  normais. Os dados do alvo iluminado são retransmitidos para  o radar que envia os dados de correção de trajetória para o Patriot através de um sistema datalink.  O alcance do Patriot PAC-1 é de 70 km e pode destruí alvos a altitudes de até 24000 metros, sendo sua velocidade de mach 3 (3675 km/h). Esses dados fazem do Patriot o sistema de mísseis ocidental de maior desempenho atualmente.
Acima: O radar de varredura eletrônica passiva AN/MPQ-53 é o principal elemento para a precisão do sistema Patriot. Depois da primeira guerra do Golfo, onde houve um desempenho pobre do sistema, muitas melhorias foram incorporadas ao sistema de aquisição e designação de alvo.
Hoje, temos 8 versões distintas do Patriot sendo que a primeira versão, chamada MIM-104 A, é um míssil antiaéreo bastante capaz, porém com limitada capacidade anti míssil balísticos. Uma das versões do Patriot, conhecida como PAC-1 (Patriot Advanced Capability), também chamada de MIM-104B ASOJ (Anti Stand Off Jammer), tem como diferencial que ele busca alvos que emitem contramedidas eletrônicas ECM, ou seja, aeronaves de guerra eletrônica ou aeronaves de combate que esteja usando esse artifício para despistarem de radares inimigos. A versão MIM-104C PAC-2, foi a primeira versão do Patriot otimizada para destruir, especificamente mísseis balísticos, como os Scud, usados pelo Iraque na guerra do Golfo. A versão PAC-2 teve 2 aperfeiçoamentos gerais de software do sistema guiagem que renderem as novas denominações MIM-104 D/E. Já a atual versão do Patriot, chamada de PAC-3 é um míssil totalmente novo, de menores dimensões com elevada capacidade anti míssil balístico e anti mísseis de cruzeiro, que proporciona a possibilidade de destruir seus alvos com impacto direto, dado a precisão do sistema. Essa versão, particularmente tem na Lockheed Martim seu principal contratante enquanto, a Raytheon foi contratada como integradora do sistema. O PAC-3 usa, essencialmente o mesmo sistema de guiagem TVM das versões anteriores do Patriot, porém com maior precisão e com o uso de um radar ativo que é ligado na fase final do engajamento dando uma elevadíssima precisão. O alcance máximo do PAC-3 é de 45 km, porém sua velocidade máxima é quase o dobro das versões mais antigas do Patriot, chegando a mach 5 (61 km/h). Essa maior velocidade, assim como a maior manobrabilidade terminal do míssil, permite uma interceptação mais ágil que compensa o alcance inferior. Como dito anteriormente o míssil PAC-3 é bem menor que as versões anteriores do Patriot, sendo que um lançador M-901, acomoda 16 mísseis em lugar de apenas 4 das outras versões.
Acima: Aqui temos dois veículos lançadores do sistema Patriot PAC-2 do exército alemão. Uma bateria tipica do sistema Patriot possui 4 veículos destes com 16 mísseis, Um radar AN/MPQ-53/65 para localização e designação de alvos, uma estação de controle de tiro AN/MSQ-104 ECS e um caminhão com um gerador de energia para o sistema todo. Recentemente o Exército alemão selecionou o substituto do sistema Patriot que será o moderno sistema MEADS.
Atualmente, os países que usam o Patriot são Estados Unidos, Coreia do Sul, Grécia (que também usa o S-300 russo), Taiwan, Espanha, Holanda, Arábia Saudita, Jordânia, Kuwait, Israel, Alemanha, Egito, Alemanha, Bahrain, Qatar, Emirados Árabes Unidos,  e Japão. Como se pode ver, o sistema é bem “popular” entre os aliados dos Estados Unidos.
Na guerra do Golfo, muitas informações sobre o sucesso do Patriot frente aos Scuds foram publicados, porém, tempos após o termino daquele conflito os dados que, inicialmente, eram bastante positivos, eu diria até otimistas, foram sendo desmentidos, sendo que os resultados mais próximos da realidade ficaram entre 25 e 33 % de precisão. Certamente, e não poderia deixar de ser, que o desempenho do Patriot nesse conflito ajudou no desenvolvimento da atual versão PAC-3, muito mais precisa e especialmente desenvolvida para defesa antimíssil. Ainda sim, deve-se observar que é interessante o fato do míssil Patriot não ter um sistema de lançamento vertical como o MICA VL ou o sistema S-300/ 400 russo que possibilita uma maior eficácia contra alvos vindos de todas as direções. Essa característica representa a maior limitação, atualmente deste sistema quando comparado com os novos sistemas similares europeus e russos.
Acima: O míssil PAC-3 é o mais avançado membro da família Patriot. Com dimensões bem reduzidas e uma precisão radicalmente melhorada, permite ser eficiente a distancias menores e com capacidade de destruição do alvo com impacto direto e com uma ogiva menor e mais leve.

ABAIXO UM VÍDEO COM O PATRIOT DO EXÉRCITO ALEMÃO EM OPERAÇÃO.

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sábado, 6 de junho de 2015

CLASSE KUZNETSOV TYPE 1143.5. O porta aviões de Moscou.

FICHA TÉCNICA
Comprimento: 304,50 m.
Calado: 10,49 m.
Boca: 37 m.
Deslocamento: 67000 toneladas.
Propulsão: 4 turbinas a gás TV-12-4 com 8 caldeiras que produzem  200 000 Hp, 2 turbinas com 50 000 Hp, 9 turbogeradores com 2011 Hp e 6 motores turbodiesel com 2011 Hp.
Velocidade máxima: 35 nós (65km/h).
Autonomia: 7129 km.
SensoresBusca aérea e de superfície: MR-710 Fregat-MA/Top Plate com 300 km de alcance, 2 radares MR-320M Topaz/Strut Pair 2D, Navegação: 3 radares Palm Frond, Controle de tiro: 4 radares  MR-360 Podcat (SA-N-9), 6X MR-123 Bass Tilt (Para os sistema Kashstan
Armamento: 12 mísseis de cruzeiro antinavio P-700 Granit. Mísseis anti-aéreos: 24 lançadores verticais SA-N-9 Gauntlet, Canhões anti-aéreos (CIWS): 8 sistemas kashtan composto por 2 canhões de 6 canos rotativos de 30 mm e 8 lançadores de mísseis SA-N-11 Grison, Anti-submarino: 2 lançadores de 10 tubos lançadores de foguetes com torpedos integrados Udav-1.
Aviação: 20 caças bombardeiros MIG-29K Fulcrum, 5 Aviões de treinamento e ataque Sukhoi Su-25 UTG; 18 helicópteros anti-submarinos Kamov Ka-27 PLO Helix e 2 helicópteros Kamov Ka-27S, Helix de busca e salvamento.


DESCRIÇÃO
Por Carlos E.S.Junior
A Rússia, desde a época da União Soviética, carecia de um navio aeródromo que fosse capaz de operar aviões de alto desempenho. O porta aviões Kiev, era equipado, apenas com aeronaves VSTOL Yak-38 Forger, uma aeronave com um desempenho limitado, e helicópteros Kamov KA-25 Hormone e KA-27 Hellix. A capacidade de defender o navio ou uma  esquadra era inexpressivo, principalmente, se considerarmos um combate contra um grupo de batalha norte americano, onde os caças usados eram os Grumman F-14 Tomcat, apoiados por aeronaves Vought A-7 Corsair ll e posteriormente, Mc Donnell Douglas F/A-18A Hornet. Com isso, a marinha soviética solicitou ao estaleiro Nikolayev South que construísse um novo porta aviões de maior deslocamento para poder operar um novo caça naval que seria escolhido entre uma versão navalizada do Mig-29 e o Su-33 Sea Flanker. Esse novo projeto foi batizado como projeto 1143.5 ou classe Orel e foi, posteriormente, batizado de Classe Kuznetsov com seu lançamento feito em 1985.

Acima: O porta aviões Kuznetsov é o único navio do seu tipo em operação na marinha russa. Na terceira década deste século, essa condição deverá mudar com uma nova classe de porta aviões que fará companhia ao Kuznetsov.
Uma característica interessante do Kuznetsov é que diferentemente dos super porta aviões americanos, ele é extremamente bem armado. Na verdade, este navio é mais bem armado que muitas fragatas ou mesmo destróieres ocidentais. O armamento do Kuznetsov é composto por 12 potentes mísseis de cruzeiro antinavio P-700 Granit, também conhecido pela nomenclatura da OTAN como SS-N-19 Shipwreck, que são lançados de 12 silos verticais próximo a proa do navio. Este míssil tem um alcance de  550 km quando armado com uma ogiva convencional. Se for equipado com a ogiva nuclear, seu alcance chega a 630 km, voando contra um navio, a uma velocidade de 1650 km/h. A ogiva nuclear e tem um rendimento de 500 Kt, enquanto que a convencional de alto explosivo (HE) tem 750 kg. Para defesa antiaérea é usado um sistema de lançamento vertical Klinok com 24 lançadores com 8 mísseis cada, somando 192 mísseis SA-N-9 Gauntlet. Este míssil, tem um alcance de 12 km e é eficiente contra alvos voando até uma altitude de 6000 metros. A precisão deste míssil é impressionante, com um índice de 95% de acerto contra aeronaves. Seu sistema de guiagem se dá por comando de rádio. Ainda, para defesa antiaérea de ponto, o Kuznetsov está equipado com 8 sistemas Kashstan, que é composto por dois lançadores de míssil 9M311 (SA-N-11 Grisom, segundo a nomenclatura da OTAN) com alcance de 8 km e guiagem por comando de radio; 2 canhões GSH-30K de 6 canos rotativos de 30 mm, cada, e que são usados contra mísseis a caminho do navio e outros projéteis de precisão que sejam lançados contra o Kusnetsov. Esses canhões atingem uma cadência de tiro da ordem de 9000 tiros por minuto e alcance de 4 km. Outros 6 canhões AK-630 de 30 mm com cadencia de 10000 tiros por minuto e 4 km de alcance também completam a  capacidade defensiva de curto alcance do navio. 
Para guerra anti-submarina, é usado o  sistema de foguetes anti-submarinos Udav-1, com 60 foguetes. Esse sistema é capaz de destruir torpedos que sejam lançados contra o navio e submarinos.

Acima: Uma das principais diferenças entre o Kuznetsov e seus pares ocidentais está em sua capacidade ofensiva. Enquanto os porta aviões ocidentais dependem de sua aviação para atacar seus alvos, o Kuznetsov tem uma capacidade orgânica de combate que supera a maioria das modernas fragatas e mesmo de alguns destróieres.
Pode se observar que existe uma rampa na proa do convés do Kuznetsov. Ela é necessária pois o navio não conta com as catapultas que encontramos nos porta aviões ocidentais, sendo que os aviões decolam do Kuznetsov exclusivamente com a força de seus motores. Embora isso diminua a complexidade do navio, ela limita, e muito a capacidade de transporte de cargas pelos aviões em suas decolagens pois não há espaço suficiente para ganhar velocidade em um navio. O navio iniciou sua vida operacional em 1990 operando 12 caças Sukhoi Su-33 Sea Flankers, derivado naval do super caça Su-27 Flanker. Hoje, em 2015, os Su-33 estão em processo de substituição pelo modelo MIG-29K Fulcrum D, do qual serão operados 20 exemplares monoposto e 4 exemplares biposto MIG-29KUB para treinamento operacional. Além dessas aeronaves de asas fixas, o Kuznetsov transporta 18 helicópteros anti-submarino (ASW) kamov Ka-27 PLO Helix, que permitem uma ampla capacidade de ataque e defesa na guerra anti-submarina. Mais 2 outros helicópteros Kamov  Ka-27 S para missões de busca e salvamento (SAR) são transportados, completando a ala aérea do Kuznetsov.
Acima: A foto desse angulo permite ver bem a rampa (sky jump) na proa do Kuznetsov usada para ajudar na decolagem de suas aeronaves de asa fixa.
Todo este poder de fogo proporcionado pela ala aérea e pelas armas transportadas pelo Kuznetsov, não seriam suficientes para manter o navio em atividade, se não fossem os sistemas eletrônicos avançados instalados no navio. O principal radar de busca aérea e de superfície é o radar tridimensional de longo alcance MR-710 Fregat-MA/Top Plate, capaz de detectar um alvo aéreo de grande porte (uma avião de patrulha P-3C orion, por exemplo) a 300 km e rastrear até 48 alvos simultaneamente. Outros 2 radares MR320 Topaz/Strut Pair 2D, fazem busca em apoio ao Top Plate cujo alcance contra alvos aéreos chega a 176 km e para alvos de superfície grandes (um porta aviões inimigo, por exemplo), pode ser detectado a 50 km (a curvatura da terra é um problema para alvos de superfície). Para navegação são usados 3 radares Palm Frond, um dos radares mais usados na marinha russa para esse fim. Para controle de fogo dos mísseis SA-N-9 são usados 4 radares MR-360 Podcat/"Cross Sword".
Para detecção de submarinos, está montado no casco do Kuznetsov um sonar MGK-345 Bronza com um alcance que pode chegar a 4,5 km. Uma suíte de sonar Zvezda-2 também complementa a capacidade de detecção de submarinos.

Acima: O Kuznetsov é usado para apoio a frota de superfície e aos submarinos da frota russa. A próxima geração de porta aviões russos será mais capaz de projetar força e por isso , se presume será maior que o Kuznetsov.
A propulsão do Kuznetsov é convencional e é feita por 4 turbinas a gás TV-12-4 com 8 caldeiras que produzem  200000 Hp de força. Essas turbinas movimentam os 4 eixos das hélices que impulsionam este porta aviões a uma velocidade máxima de 65 km/h. O alcance do Kuznetsov está em 7129 km, em velocidade máxima, ou 15742 km em velocidade econômica de 18 nós (33 km/h). O deslocamento do Kuznetsov é 67000 toneladas quando totalmente carregado e seu comprimento de 304,5 m o coloca como sendo o maior navio de guerra não americano do mundo. 
O kuznetsov teve um irmão, que não chegou a ser comissionado na marinha russa. O navio que chamava-se Varyag que acabou sendo vendido a China que reformou o navio e acabou incorporando a sua marinha com o nome de Liaoning, gerando uma nova classe.
A marinha russa usa o Kuznetsov como um navio de apoio a sua força de submarinos, e a seus navios de superfície não sendo, portanto, o centro de um grupo de batalha como são os porta aviões norte americanos. A marinha russa pretende construir uma nova classe de porta aviões que será maior e mais capaz que a classe Kuznetsov e provavelmente dará a seus novos navios uma função mais parecida com as das marinhas ocidentais que é a projeção global de força.
Acima: Dois MIG-29K, um russo e outro indiano no convés do Kuznetsov para testes operacionais. O MIG 29K substituirá os atuais Su-33 Sea Flanbker como componente aéreo do navio. 


Acima: O Kuznetsov sendo escoltado por um destróier classe Daring em águas internacionais próximo da Inglaterra durante uma das muitas missões de patrulha que a frota russa está levando a cabo pelo mundo.

Acima: O Kuznetsov serve na frota do norte em  Severomorsk, junto do cruzador de batalha classe Kirov, já descrito no WARFARE.

ABAIXO PODEMOS VER UM VÍDEO COM O MIG-29K OPERANDO NO KUZNETSOV.

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