quinta-feira, 19 de setembro de 2019

CONSIDERAÇÕES SOBRE O CALIBRE 5,56 MM: As tropas americanas estão sob risco?



Por Seth R. Nadel, Guns Magazine, 2003.
Tradução Filipe do A. Monteiro, Setembro de 2019.

...as tropas querem uma munição que derrube o inimigo com um único tiro... a munição padrão atual de 5,56mm... está se mostrando lamentavelmente inadequada como uma paradora de homens...

Essas palavras, em um relatório desclassificado das tropas envolvidas na Operação Anaconda, provocaram uma reavaliação há muito esperada do cartucho de 5,56x45 mm - a munição de serviços dos EUA nos últimos 30 anos. Por várias razões, ressurgiram as mesmas questões e preocupações originalmente levantadas durante a era do Vietnã sobre o poder de parada de nossa munição atual. O livro Black Hawk Down (Falcão Negro em Perigo, 1999) contém várias referências ao fracasso da munição 5,56 mm em "derrubar" o inimigo no chão. Pesquisas adicionais revelam referências semelhantes do Panamá e Granada. Comparativamente, pouco uso foi feito de armas portáteis durante as operações da Tempestade no Deserto, e, portanto, existem poucos relatórios desse tipo em domínio público. Mas as operações atuais no Afeganistão estão produzindo uma nova lista dos mesmos velhos problemas.
Nossas tropas estão acertando tiros, em muitos casos, múltiplos tiros no centro da massa do tronco, mas os bandidos não estão caindo. Em uma situação de combate, poucas coisas são certas, mas a incapacidade de deter um adversário determinado com um tiro bem centrado quase certamente causará baixas americanas. Perdemos tropas no Afeganistão devido a esse fracasso? Ninguém ainda vai dizer.

INÍCIO CONTROVERSO
Os primeiros relatórios sobre a eficácia em combate do cartucho 5,56 mm surgiram de experiências no Vietnã no início dos anos 60. Pequenas quantidades do novo XM15 foram enviadas ao Vietnã para dotação dos conselheiros americanos. A resistência à adoção de uma munição de serviço de calibre .22 foi difícil de sustentar diante desses relatos iniciais. Edward C. Ezell, em seu livro The Great Rifle Controversy (A Grande Controvérsia do Fuzil, 1984, sem tradução e tratando do M-16), registra um relatório pós-ação:
“Em 16 de junho de 1962, um pelotão da 340 Companhia Ranger [sul-vietnamita]... entrou em contato com três vietcongues armados na selva densamente arborizada. A uma distância de aproximadamente 15 metros, um Ranger disparou um AR-15 em fogo automático, atingindo um vietcongue com três tiros na primeira rajada. Um tiro na cabeça a arrancou completamente. Outro no braço direito também o arrancou completamente. Um tiro o atingiu no lado direito, causando um buraco de cerca de cinco polegadas de diâmetro... pode-se presumir que qualquer um dos três ferimentos teria causado a morte.”
A experiência de combate subsequente descobriu que os M16 mais recentes - quando funcionavam - não causavam os grandes ferimentos traumáticas como nas versões iniciais. Isso causou uma perda de confiança na arma que foi exacerbada por problemas funcionais iniciais. Assim, quando as tropas tinham fuzis que funcionavam, a munição nem sempre parava o inimigo. Pesquisas descobriram o porquê.
O exato primeiro lote de XM15 enviado ao Vietnã para teste usou canos com um passo do raiamento de 1:14 polegadas. Posteriormente, a taxa do passo do raiamento foi alterada para 1:12 polegadas. Dois fatores motivaram essa mudança. O primeiro foram os estudos balísticos que mostraram que o passo do raiamento de 1:14 polegadas levou a uma estabilidade extremamente ruim das balas sob condições árticas. O outro fator motivador era muito mais poderoso e menos fundamentado no uso realista do fuzil em combate.

Acima: Soldado norte americano no campo de batalha da guerra do Vietnã com com sua "nova" arma. O M-16 dos lotes originais apresentou diversas falhas de confiabilidade, assim como sua munição.

MOTIVAÇÃO ERRADA?
Os instrutores de tiro ao alvo do exército e atiradores competitivos, freqüentemente as mesmas pessoas, sabiam que o novo fuzil era impreciso a longas distâncias porque as balas eram marginalmente estabilizadas pela lenta taxa do passo do raiamento de 1:14 polegadas. Eles se esforçaram para obter uma taxa mais rápida do passo do raiamento para melhorar a precisão.
Continuamos a cair na armadilha de permitir que atiradores de competição, cursos de tiro projetados no século XIX, tenham um impacto considerável em nossas armas e munições projetadas para o século XXI. A mudança para um passo de 1:12 polegadas tornou as balas de 55 grãos mais estáveis, mas também reduziu a letalidade da munição. Embora a taxa original do passo do raiamento tivesse permitido que a bala se tornasse instável e tombasse com o impacto, os novos canos super-estabilizaram a munição, de modo que as feridas mais pareciam punhaladas com um picador de gelo.
Deve-se admitir que "as histórias sobre a falha em parar" nem sempre podem ser tomadas pelo valor nominal sem a verificação pós-ação. Ao contrário do fuzil M-14 usado antes, todos os M-16 tinham capacidade para disparos totalmente automáticos. Freqüentemente, muitas histórias repetidas de tropas que despejavam um carregador inteiro em fogo automático no peito de um inimigo que se aproximava, frequentemente significavam que apenas alguns tiros marginais realmente atingiram o alvo. Independentemente, ocorreram incidentes suficientes de falha de parada documentados para deixar dúvidas sobre a eficácia do cartucho de 5,56 mm.

NOVAS DIREÇÕES
A era pós-Vietnã trouxe novas mudanças para o M-16. Nossos aliados da OTAN, tendo evitado o sudeste da Ásia, continuavam justificadamente temendo uma invasão soviética. A inteligência revelou que as forças do Pacto de Varsóvia estavam começando a adotar coletes à prova de balas. Ao buscar a padronização da OTAN do 5,56x45 mm, uma objeção era a falta percebida de capacidade de perfurante.
A munição belga SS-109 foi desenvolvida para combater essa fraqueza. Nos testes da OTAN concluídos em 1979, a munição SS-109 foi escolhida por responder à necessidade de penetração de blindagem, perfurando o capacete de aço americano a 500 metros. Mas o projétil de 62 grãos, mais longo e pesado, exigia uma taxa do passo do raiamento ainda mais rápida para se estabilizar.
Além da padronização da OTAN, outra justificativa para a adoção de um equivalente americano do SS-109 foi a necessidade de desenvolver e padronizar uma nova arma de apoio do grupo de combate. Experimentos com fuzis M-16 de cano pesado haviam provado a necessidade de uma arma muito mais robusta e alimentada por cinta de munição.
Para cumprir a função de apoio de GC, a nova metralhadora precisaria da capacidade de disparar munição perfurante, bem como uma nova munição traçante que possuísse um alcance de "esgotamento" mais longo do que a capacidade de 450 metros da munição traçante M196 de 55 grãos.
Os dados foram lançados para a adoção americana dessas novas cargas do cartucho 5,56 mm. Os equivalentes americanos do SS-109 desenvolvido na Europa, e munição traçante L-110  correspondente foram classificadas como do tipo M-855 e M-856, munições comuns M-855 podem ser identificadas por uma ponta de projétil envernizada em verde, e a M-856 por uma ponta envernizada em laranja.

ENTRA O M-16A2
Para simplificar a logística, a nova munição foi publicada. Isso exigiu mais uma mudança na taxa do passo do raiamento do M-16 para 1:7 polegadas. Agora temos uma munição muito estável e precisa que pode perfurar coletes à prova de balas. No entanto, a bala tem uma tendência lamentável a permanecer estável, mesmo depois de atingir um adversário, resultando em um pequeno canal de ferimento.

Acima: O M-16A2.
A pesquisa, facilitada pelo Dr. Martin Fackler, veterano do Laboratório de Ferimentos Balísticos do Exército, esclareceu os ferimentos das munições militares. Independentemente do calibre, os ferimentos funcionam da mesma maneira. Geralmente, todas as balas de fuzil encamisadas em metal danificam o corpo girando (chamado guinada) em seu longo eixo enquanto se movem pelo corpo.
O diâmetro, o peso, a velocidade e o giro induzido pelo raiamento no cano todos afetam (a que profundidade do tecido) quando a guinada começa. Descobriu-se que o 7,62x39mm guinava somente após penetração profunda, geralmente produzindo um orifício de calibre .30 ligeiramente curvado. A munição 7,62x51mm OTAN de 147 grãos, e a munição comum M193 5,56x45 de 55 grãos, ambas tombam, e depositam pequenas partículas ao longo do caminho da bala.
As mesmas munições de fabricantes diferentes se comportam de maneira diferente, principalmente o projétil sueco 7,62 mm OTAN. Essa munição tende a fragmentar-se mais violentamente, despedaçando-se em muitos fragmentos, o que causa um caminho de destruição muito mais amplo.
Infelizmente, a munição M855 5,56 mm super-estabilizada não tomba prontamente, e pode fazê-lo somente depois de sair do corpo, criando um orifício de entrada e saída calibre .22. A menos que esse orifício esteja em material quase sólido, como o baço ou o fígado, ou atinja o coração ou o sistema nervoso central, ele causa pouco dano.
É por isso que o antigo programa "SPIW" (Special Purpose Individual Weapon/ Arma Individual de Propósito Especial) abandonou a flechette (‘flecheta’, pequena flecha) como projétil. Esses projéteis de diâmetro muito pequeno, parecidos com dardos, eram tão estáveis que atravessavam os alvos, como descobrimos com a dotação limitada de cartuchos de espingarda flechette testados no Vietnã.

ABORDAGEM ALTERNATIVA
Em 1974, os soviéticos adotaram uma munição de serviço de pequeno diâmetro, o cartucho de 5,45x39 mm. Os engenheiros soviéticos evitaram a potencial perda de capacidade de ferimento deixando um espaço de ar no nariz do projétil 5,45 mm. No impacto, o núcleo de chumbo avança, altera o centro de gravidade e induz rapidamente à guinada. Portanto, eles têm uma munição que é estável em voo, mas instável após o impacto.
A eficácia do projeto é evidenciada pela experiência dos mujahideen afegãos, que durante o conflito com as forças soviéticas no início dos anos 80 apelidaram a munição 5,45 mm de "O Ferrão Venenoso.” Não introduzimos essa munição por motivos "humanitários."

Acima: Alguns propõem armar pelo menos alguns membros do GC com os fuzis M-14 dos estoques existentes, como esse M-14 DMR.


Acima: A arma belga de apoio do GC Minimi, adotada pelos EUA como M-249. A decisão de adotar uma arma de apoio de GC em 5,56 mm escreveu em pedra a adoção do cartucho SS-109 mais pesado de 62 grãos.


Acima: O AK74M 5,45x39 mm soviético viu serviço no Afeganistão a partir de 1979. O fuzil era admirado pelas tropas e respeitado pelos mujahideen.

EFICÁCIA SITUACIONAL
Outros fatores externos influenciam o "poder de parada" da atual munição de serviço americana. Na era pós-Vietnã, esperávamos enfrentar um exército da Europa Oriental. Essas forças opostas deveriam ser pessoas "civilizadas" como nossas próprias tropas. No entanto, o atual adversário é quase um animal completamente diferente do soldado americano.
Nossos inimigos na Somália e no Afeganistão são pessoas duras, acostumadas a trabalho físico duro. Eles não considerariam ficar sentado em frente a uma tela de computador como um trabalho. Quando eles viajam do ponto A ao ponto B, eles andam - geralmente descalços. Eles têm pouco para comer, não esperam atendimento médico e estão acostumados a sofrer. Assim, um ferimento que derruba as tropas ocidentais, pedindo medevac*, faz com que esses lutadores duros enfiem um pano sujo e continuem a luta. Eles também são fanáticos, lutando, e dispostos a morrer, por sua causa.
*Nota do Tradutor: Evacuação médica por aeronave.
O velho cálculo de batalha de que era melhor ferir um soldado do que matá-lo não é mais verdadeiro. Os exércitos precisam remover os feridos da batalha e tratar seus ferimentos. Isso remove tropas adicionais da batalha. Exércitos bem organizados têm uma cauda logística de médicos, padioleiros, helicópteros, cirurgiões, hospitais e todo o resto. Os terroristas não. Eles nem são exércitos nesse sentido.
Os feridos são deixados por conta própria, e considerados mártires se morrerem. Muitos buscam esse martírio, e então lutam até serem mortos. Exércitos mais organizados têm tropas que se rendem. Mesmo os nazistas, com sua disciplina de ferro, não podiam impedir que tropas e até exércitos inteiros se rendessem. Mas para um verdadeiro crente, lutando contra o que vê como uma santa cruzada, a causa nunca é perdida.
O ambiente em que lutamos também afeta a capacidade de ferir. No clima quente e úmido do Vietnã, onde o M-16 foi colocado em campo pela primeira vez, estava quente e o mínimo de vestimentas era a norma. Enquanto esse artigo é escrito, estamos nos aproximando do inverno nas montanhas altas do Afeganistão, o que tem dois efeitos, nenhum deles benéfico para deter um adversário com tiros únicos.
No tempo frio, todos se juntam. Eles podem não usar coletes à prova de balas, mas várias camadas de roupas pesadas e de baixa tecnologia que podem diminuir a velocidade e, em alguns casos, até parar balas. Particularmente nas distâncias mais longas, uma bala de 5,56 mm pode não ter velocidade suficiente para atravessar o corpo sob a roupa ou infligir um ferimento grave.

Acima: Da esquerda pra direita: 5,45x39 mm soviética, SS-109/M-855, projéteis SS-109 e M-193, M-193 comum.

O QUE DEVE SER FEITO?
Documentamos os motivos pelos quais a atual combinação de fuzil / cartucho dos EUA não possui a mesma alta capacidade de ferimento do primeiro XM-15 adotado. Então, o que deve ser feito sobre isso?
As possíveis soluções para esse problema assumem diferentes formas. Alguns defendem o retorno à munição 7,62x51 mm OTAN, que agora está disponível nos fuzis da série AR-10. Uma versão ampliada do M-16 (na verdade, o projeto original estava em 7,62 mm*). Todo o treinamento anterior seria transferido diretamente até o manuseio da arma. Outros querem um retorno ao M-14 de 7,62 mm, um fuzil de batalha em tamanho tradicional, muitos milhares dos quais permanecem em estoque. De fato, existem rumores de certas unidades de Operações Especiais seguindo um ou ambos os caminhos.
*Nota do Tradutor: Trata-se do AR-10.
Outro caminho seria adotar munição diferente, usando algum método que os russos fazem para induzir a guinada rapidamente, desestabilizando o impacto. Uma terceira opção seria adotar uma nova munição, mais leve e com menos recuo que a 7,62 OTAN, mas com um projétil de diâmetro maior e melhor balística de ferimento que a 5,56 mm. Uma variante de 6 mm da munição 5,56x45 mm existente foi investigada.
Haverá grande relutância em buscar qualquer uma dessas opções. Independentemente disso, nossos combatentes exigem - não, eles merecem - as melhores armas individuais possíveis. Parece que a atual munição padrão de serviço está aquém do esperado e, como resultado, nossas tropas estão em perigo. Agora é a hora de reexaminar esse problema e garantir que o nosso pessoal tenha a melhor munição e equipamento possíveis, se quisermos enviá-los para o perigo.




segunda-feira, 9 de setembro de 2019

LAPA FA Modelo 03 Brasileiro


Por  Ronaldo Olive, 07 de junho de 2013 (1984).
Tradução Filipe do A. Monteiro.

Hoje temos mais um artigo de Ronaldo Olive, reimpresso com sua permissão. Isso foi originalmente publicado no Jane's Defence Weekly em 1984, quando o LAPA FA-03 ainda estava mais ou menos em fase de protótipo - os fuzis bullpup* se tornaram mais amplamente aceitos desde então. Infelizmente para o LAPA, o Modelo 03 não foi aceito para uso militar, e nenhuma encomenda estrangeira foi recebida - apenas este único protótipo foi construído. Então, sem mais delongas, leia sobre esse fuzil de combate brasileiro com algumas características interessantes. Obrigado Ronaldo!
-  Ian McCollum

*Nota do Tradutor: Bullpup, de inglês intraduzível significa “tudo à retaguarda” por associação.

Fuzil de Assalto LAPA 5.56 mm Atinge a Fase Oficial de Testes.
A aparição de mais um fuzil de assalto de 5,56mm na cena militar pode não atrair muita atenção, a menos que ele tenha a configuração bullpup agora na moda, o que lhe dá uma chance maior de receber mais do que apenas um olhar casual. E se este fuzil incorpora características novas e principalmente úteis, então ele merece um exame completo. É o caso do LAPA FA Modelo 03, recém-chegado à arena dos fuzis de pequeno calibre, que está prestes a iniciar o teste oficial de certificação no Campo de Provas da Marambaia, uma filial do CTEx - Centro Tecnológico do Exército. Recentemente, a Janes Defense Weekly teve a chance de disparar essa nova arma e avaliar suas características gerais.
O FA (Fuzil Automático) Modelo 03 foi projetado pelo LAPA - Laboratório de Projetos de Armamento Automático, uma área de P&D baseada no Rio de Janeiro. Os trabalhos iniciais começaram no final de 1978. Após cerca de um ano, um protótipo de viabilidade técnica foi concluído, e suas características mais promissoras levaram a protótipos adicionais para refinar o projeto. Senões inevitáveis foram gradualmente removidas e a arma brasileira evoluiu para uma realidade confiável e funcional. Após a certificação, deve entrar na produção para atender a demanda local e estrangeira, mas a empresa não especificaria datas. Tampouco se comentariam as abordagens relatadas por países estrangeiros interessados em acordos de produção licenciados, mas considerada a dura concorrência no setor de armas, sua reticência em tornar públicos alguns detalhes é compreensível.

DESCRIÇÃO
O arranjo do fuzil bullpup é o resultado de querer torná-lo o mais compacto possível sem encurtar o cano a um ponto em que a eficiência balística seja degradada. Então, o gatilho é movido para frente e o mecanismo de disparo, junto com o carregador, é encaixado na cavidade da coronha.
O corpo do LAPA FA Modelo 03 é construído em grande parte de plástico de alto impacto, possui contornos particularmente elegantes e é agradável de manusear e transportar. Uma configuração de linha reta bem projetada, de fato, resultou no fuzil ser capaz de ficar equilibrado na soleira da coronha! Isso também determinou a configuração das miras elevadas: a alça de mira, uma abertura com giro de duas posições (200 m e 400 m), está alojada dentro da alça de transporte estilo AR-10, enquanto a massa de mira é uma coluna protegida em cima de uma armação metálica erguida na boca do cano. O raio é (para a configuração bullpup) um generoso 374 mm (14,7 polegadas). A alavanca de manejo, que permanece estacionária quando a arma é disparada, está dentro da alça de transporte e a extremidade superior corre ao longo de uma fenda na parte de baixo da alça, dando-lhe mais rigidez.

MUNIÇÃO
Atualmente, a arma é calibrada para o cartucho M193 de 5,56 x 45 mm tipo comum, o cano de 490 mm (19,3 polegadas) tendo um raiamento de seis raias com um passo de uma volta em 305 mm (1:12 polegada). Exemplos de produção, como esperado, também terão os canos adaptados para a nova munição SS109 da OTAN. Um quebra-chama é montado no cano e um acessório para baioneta é fornecido. A alimentação no protótipo é feita por carregadores metálicos tipo cofre de 20 ou 30 tiros do tipo do M-16, mas as armas de produção são suscetíveis de usarem carregadores de plástico curvos de 20, 30 ou 40 tiros. O carregador é inserido de baixo para cima dentro do alojamento da coronha, e o retém na parte traseira é pressionado para frente para liberar o carregador. A janela de ejeção, que pode ser ajustada facilmente para atiradores destros ou canhotos, é equipada com uma cobertura de mola que se abre quando a arma é engatilhada ou disparada.

MECANISMO DE DISPARO
As inovações reais são aquelas encontradas no mecanismo de disparo. No lugar dos arranjos de segurança mais convencionais aplicados, o FA Modelo 03 tem uma configuração de ação dupla para o cão, mantendo-o pronto para uso imediato, e ao mesmo tempo protegido contra disparos acidentais. Uma única alavanca, no lado esquerdo da coronha entre o alojamento do carregador e a soleira, é ajustada para um dos três modos de disparo (“30” para automático; “3” para rajada controlada de 3 tiros; “1” para fogo semi-automático) e os dois modos de ação (“SA” para ação única [single action] e “DA” para ação dupla [double action]).
Após ou antes de armar e alimentar as armas, o que é feito puxando a alavanca de manejo cerca de 110 mm (4,3 polegadas) para trás e liberando-a, o atirador ajusta a alavanca seletora de tiro em uma das três posições de tiro. Caso disparado imediatamente, o fuzil será ajustado para ação única, exibindo assim um gatilho mais curto e mais leve. Depois de disparar alguns tiros, ou se nenhum uso imediato for previsto, a alavanca pode ser movida para a marca “DA” e retornada a uma das três posições de tiro. Isso derrubará o cão, permitindo que a arma seja transportada com total segurança, com uma bala carregada na câmara e pronta para a ação: tudo o que é necessário é puxar o gatilho (que terá uma tração mais longa e mais pesada) para disparar o fuzil. Se for necessária mais precisão para o primeiro disparo, o atirador pode mover a alavanca para a marca "SA" e voltar para a posição de tiro escolhida, o que fará com que a arma dispare o primeira tiro em ação simples. A operação é por gás, a partir de uma janela localizada a cerca de 160 mm (6,3 polegadas) da boca do cano, que aciona um conjunto de pistão/haste ortodoxo. O trancamento da culatra é conseguido pelos ressaltos do ferrolho rotativo.
A desmontagem de primeiro escalão para limpeza de rotina é relativamente simples e não requer ferramentas. Depois de retirar o carregador e verificar se a arma está descarregada, o retém da soleira é removido lateralmente para a direita, o que permite que a soleira junto com a mola de recuperadora e seu alojamento sejam puxados para fora da coronha. O retém de desmontagem, na lateral da empunhadura da pistola, é então removido da arma lateralmente para a direita, separando o corpo em duas metades. A metade inferior, que inclui o alojamento do carregador, a empunhadura da pistola e o guarda-mão, alojam o mecanismo de disparo, que fica totalmente exposto para limpeza normal, não sendo necessária a desmontagem adicional desse grupo. Com a alavanca de manejo puxada para a posição traseira, a tampa plástica superior pode ser removida, expondo o cano/conjunto do ferrolho. A tampa da caixa da culatra tubular de metal é desparafusada, e isso permite que o ferrolho e o conjunto do ferrolho deslize para fora. A haste de gases e o pistão podem então ser removidos. Um procedimento invertido é usado para remontar a arma.
Acima: LAPA FA Modelo 03 com bandoleira.

IMPRESSÕES DO TIRO
Fuzis Bullpup não são facilmente encontrados, especialmente no Brasil, então essa foi uma primeira experiência prática. Apesar da preparação psicológica, a primeira impressão é de uma arma do tipo “Guerra nas Estrelas”, mesmo que as linhas do FA Modelo 03 sejam conservadoras se comparadas com, digamos, o Steyr AUG. Depois de manusear por alguns minutos, porém, e me acostumar com a localização incomum do carregador, sua compactação pôde ser apreciada: apenas 735 mm (28,9 polegadas) de comprimento, e com superfícies muito lisas, é “agradável” de manusear e transportar, o que é especialmente importante para longas marchas, quando o fuzil é transportado pela bandoleira em seu corpo. O retém frontal da bandoleira gira livremente em torno do cano, e acoplado a um retém traseiro de duas posições (por cima/por baixo da coronha), permite que o fuzil seja carregado em várias posições.
Acima: Ronaldo Olive com o LAPA FA Modelo 03.

DISPARANDO DO OMBRO
Sem o seu carregador, o protótipo do fuzil de assalto LAPA pesa 3,2 kg (7,0 libras), embora as armas de produção devam pesar 2,8 kg (6,2 libras). Para o disparo de ombro mirado, as miras estão em uma posição confortável para o olho. A alça de mira com mola gira facilmente para a posição de 200 m ou 400 m, sendo ao mesmo tempo rígida o suficiente para não ser deslocada acidentalmente. É ajustável para resistência ao vento, enquanto a massa de mira com torre protegida pode ser ajustada para elevação. A abertura de visão da alça de mira é um pouco pequena demais para a rápida aquisição do alvo, mas isso deve ser corrigido em armas de produção, segundo o LAPA.
Acima: Miras do LAPA FA Modelo 03.
A posição da alavanca de manejo, na parte superior da arma, a torna ambidestra, mas como ela precisa ser puxada com um ou dois dedos, a tração parece mais pesada quando comparada a uma alça que pode ser segurada com o apoio do polegar. Isso é mais do que compensado, no entanto, pela alça permanecendo fora do caminho em todos os momentos.
O estande de testes foi fisicamente limitada a cerca de 50m, portanto a precisão de longa distância estava fora de questão. Disparado do ombro, o fuzil é confortável e proporciona um bom descanso para a bochecha do atirador na coronha. Embora a culatra esteja mais próxima da orelha do que nos fuzis convencionais, não há aumento perceptível no nível de ruído, embora as medidas instrumentadas possam provar o contrário. A configuração em linha reta do fuzil, com o eixo do cano estendendo-se diretamente ao ombro junto com o recuo muito baixo inerente à munição de 5,56mm, mantém o FA Modelo 03 estável em fogo semiautomático. Nesse modo, de pé, ajoelhado e deitado, a arma era manuseada bem.
Acima: O autor disparando LAPA FA Modelo 03.

Rajadas controladas de 3 tiros foram disparadas tanto do ombro quanto do quadril, as armas sempre permanecendo muito estáveis. O gatilho deve ser mantido puxado pela duração da rajada. Nessa configuração, se apenas um ou dois tiros forem disparados, o mecanismo será reiniciado automaticamente para estar pronto para disparar mais três vezes quando o gatilho for puxado novamente.

FOGO AUTOMÁTICO
Uma grande quantidade de fogo automático (cerca de 700 tiros/ minuto) foi realizado, com a arma na altura do quadril, estilo de assalto. Mais uma vez, a controlabilidade era excelente, e a extrema compacidade do desenho, fazendo com que o fuzil tivesse apenas 60mm (2,4 polegadas) a mais do que a maioria das submetralhadoras de coronha, seria um bônus definitivo no combate aproximado. O fogo instintivo em engajamentos com múltiplos alvos, por exemplo, é muito facilitado pelo fato da empunhadura da pistola estar localizada quase na metade do comprimento da arma, permitindo movimentos mais rápidos do cano em alvos diferentes. Disparos com uma mão, com e sem o apoio da bandoleira, mostram o seu notável equilíbrio e com uma ligeira pressão entre o braço e o corpo, o fuzil é mantido estável mesmo em fogo automático.
Nas fotografias, a janela de ejeção pode parecer muito próxima do braço para conforto, no entanto, na prática, os cartuchos usados ejetam bem acima e para frente, nem mesmo o calor dos gases é sentido por um braço desprotegido, portanto a segurança não é comprometida.

FICHA TÉCNICA
Calibre: 5,56 mm.
Raiamento: Seis Raias, 1:12’’ volta.
Peso total (vazio): 3,2 kg (7,0 polegadas).
Comprimento total: 735 mm (28,9 polegadas).
Comprimento do cano: 490 mm (19,3 polegadas).
Miras: Alça de mira de abertura com giro dual (200 m e 400 m), torre frontal.
Raio da Mira: 374 mm (14,7 polegadas).
Capacidade do carregador: 20 ou 30 tiros (carregadores STANAG).
Cadência de tiro: 700 tiros/ minuto.





sábado, 7 de setembro de 2019

Para os Amantes do F-14 Tomcat!


Para algumas pessoas, um automóvel esportivo da Ferrari é o sonho de consumo, para outros, uma motocicleta Kawasaki H-2R representa o máximo que uma maquina poderia promover seu sonho em realidade. Brinquedinhos caros, eu sei. Mas para mim, o F-14 Tomcat é a "encarnação" da minha idealização de maquina dos sonhos. Muitos compartilham esse entusiasmo em relação a esta aeronave. Aqui abaixo, deixo um vídeo sensacional de uma apresentação do F-14B e algumas explicações sobre detalhes da aeronave pelo piloto.






quinta-feira, 5 de setembro de 2019

EMBRAER E-99 A longa visão do sistema de defesa aéreo brasileiro.


FICHA TÉCNICA
Velocidade de cruzeiro: 800  km/h
Velocidade máxima: 832 km/h
Autonomia: 8 horas
Teto operacional: 9144 mts.
Alcance: 2666 km.
Empuxo: 2 motores Turbofan Allison/ Rolls-Royce AE-3007 A1P que produzem 3782 kgf cada um.
Radar e sistemas de missão: Radar Ericsson PS-890 Erieye com 350 km de alcance para um alvo do tamanho de um caça.
DIMENSÕES
Comprimento: 28,45 m
Envergadura: 20,04 m
Altura: 6,72 m
Peso: 11750 kg; (vazio) ; Máximo de decolagem 24000 kg

domingo, 1 de setembro de 2019

GUERRA PELA AMAZÔNIA BRASILEIRA - Um choque de realidade.


Por Carlos Junior
A polêmica internacional promovida, principalmente pelo atual presidente da França Emmanuel Macron, que se viu em toda na imprensa mundial, e de forma mais feroz na brasileira, trouxe a tona uma séria de comentários e especulações, muitas vezes equivocado, sobre o tema das queimadas na região da floresta Amazônica. A situação piorou quando o presidente Macron, que vive um momento político delicado em sua "própria casa", visivelmente explorou o assunto de uma forma a mover o foco  da mídia francesa que paira sobre ele para um problema brasileiro, chegando ao cúmulo de mencionar que poderia haver uma ação de internacionalização da Amazônia caso os países do mundo (lê-se ai, os membros do G7) entendesse que o Brasil não estivesse dando o devido tratamento para resolver a questão das queimadas na floresta, que, diga-se de passagem, abrange outros países como Peru, Colômbia, Equador, Venezuela, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa (território francês).
O Brasil é o país que tem a, absoluta, maior parte da floresta, com 60% dela. O segundo país com maior parte é o Peru, com apenas 13%, e o resto da floresta é dividida pelos outros países mencionados.
Neste mapa podemos ver a extensão da floresta amazônica
e os países que fazem parte desta floresta

Quando o presidente francês fala sobre "internacionalização da floresta", o significado disso é, inequivocamente, guerra. Sim, você não leu errado ou eu me expressei mal. Internacionalizar a amazônia é o caminho para a guerra. Diga-se de passagem, o motivo mais provável para que o pacifico (e passivo) Brasil entrar em uma guerra é, justamente, se estrangeiros assumirem qualquer tipo de posicionamento ativo sobre nossa parte da floresta, agredindo de forma violenta nossa soberania. A própria reunião do G7 que tratou sobre o tema sem que nenhum representante do governo tenha sido chamado, já é por si só, uma expressão de desrespeito com nossa soberania. Para o leitor tentar entender meu ponto de vista, vou usar uma analogia. Seria como se o Brasil, a Argentina e o Chile se reunisse para podermos decidir o que faremos com a Polinésia Francesa se os franceses resolvessem detonar armas nucleares sobre os atóis de Mururoa e Fangataufa, no arquipélago, lembrando aqui, que o governo francês, "este grande protetor do meio ambiente" (modo irônico ligado no máximo) detonou 193 bombas atômicas em testes nessa área, causando um impacto ambiental que vocês podem pesquisar para compreenderem.
Pois bem, voltar a tratar do caso brasileiro. Nos últimos dias eu li e assisti muito conteúdo postado em canais do Youtube e em redes sociais apresentando as formas como o Brasil poderia se defender de uma agressão por causa da Floresta Amazônica, e todos, absolutamente todos, os conteúdos que verifiquei, trataram do assunto de forma bastante ingenua e rasa. Alias a superficialidade é um problema absolutamente recorrente na internet, principalmente nas paginas brasileiras. Todos mostraram as capacidades de guerra na selva que o Exército Brasileiro possui por conta de seus batalhões de Selva e por conta dos militares que são formados num dos, se não o mais duro treinamento de guerra na selva do mundo que é ministrado pelo CIGS - Centro de Instrução de Guerra na Selva. 
É completamente equivocada a ideia de que uma guerra pela floresta fosse combatida na própria floresta. O mundo inteiro sabe que seria extremamente difícil sobreviver em batalhas travadas em meio ao TO (Teatro de Operações)  amazônico, e é certo que uma incursão por tropas naquela região seria uma ação a se considerar como secundária, pois dificilmente os soldados invasores sairiam vivos dali, principalmente se nossa estrutura, como país, estivesse inteira.
Um dos cursos que o CIGS ministra é o de 
Operações na Selva (COS). Uma guerra aberta, 
limitada apenas dentro do TO Amazônico,
dificilmente seria vencido por uma força invasora.
(Foto: Centro de Instrução de Guerra na Selva)
Qualquer potência militar grande o média, teria que atacar o Brasil em sua infraestrutura, bombardeando fábricas de munições, armas, aeroportos e bases aéreas, portos, centros de comando das forças armadas, centro de comando do governo, hidrelétricas, e centros de comunicação. Os ataques, para vencer o Brasil iriam ser efetuados contra as regiões mais desenvolvidas para que o país tivesse que mobilizar recursos materiais e humanos para prestar apoio a população que estaria sendo gravemente impactada pelos ataques, tirando o foco de nossas forças da floresta, propriamente dita e tentando, forçar as autoridades brasileiras a se render.

Nós, enquanto nação soberana, infelizmente, não temos meios de dissuasão estratégica militar. Nossas forças militares são, como a constituição brasileira diz, "apenas para defesa", o que levou a um importante negligenciamento de nossas capacidades de ataque. Não se tem uma defesa real se as forças armadas de um país não são capazes de promover ataques contra uma nação estrangeira. Por isso, tenham em mente, caros leitores, que "defesa" no sentido perfeito, se faz com a capacidade de ir a guerra com tudo e vencer ela, mesmo que em território inimigo. Nós focamos em ações sociais para que as forças armadas fossem usadas para missões que não são, nem de longe, o real motivo dessas instituições existirem. Defender um país, principalmente de potencias miliares maiores, envolve ter capacidade de atacar e destruir os meios materiais que essas potencias possam vir usar em uma injusta agressão contra a soberania brasileira. O ex presidente Fernando Henrique Cardoso, assinou o tratado de não proliferação nuclear, comprometendo nossa industria bélica de desenvolver  e  nossas forças militares, de usar, armas atômicas. Isso, somado a previsão incluída dentro da própria constituição de 88, em seu artigo 21, já deixou o potencial de desenvolver uma defesa, efetivamente dissuasiva, aleijada.
A capacidade de lançar um armamento nuclear contra
um alvo posicionado muito além das fronteiras do
Brasil, é a unica forma de conseguir intimidar qualquer
país a tentar atacar a soberania brasileira. 
(foto Míssil UGM-133 D5 Trident II
Para concluir este artigo, é importante observar que, devido ao atual estágio de desenvolvimento tecnológico das armas, de nada adiantaria contarmos com grandes quantidades de mísseis antiaéreos de longo e médio alcance, ou ainda, contar com dezenas de navios de guerra do porte de destróieres e fragatas, se nós não tivermos capacidade de destruir alvos em território inimigo que esteja além de nossas próprias fronteiras. Uma grande quantidade de submarinos modernos que estejam efetivamente disponíveis (fora de manutenção e prontos para emprego), armados com mísseis de cruzeiro com capacidade de atacar alvos em terra a mais de 1000 km, ou, mísseis anti navio supersônicos, seria uma das poucas medidas dissuasivas convencionais válidas dentro do contexto de uma França liderando uma força multinacional para tomar o controle da Floresta Amazônica. De resto, só armas nucleares que pudessem ser empregadas a longas distancias (mísseis balísticos lançados por terra ou mesmo por submarinos), colocariam o medo nas mentes de potenciais "aventureiros' estrangeiros que viessem a tentar intervir sobre nosso território.
Uma força de submarinos convencionais e nucleares 
numerosa seria uma das alternativa para se conseguir
uma dissuasão estratégica relevante.

domingo, 25 de agosto de 2019

O Elemento Humano: Quando engenhocas se tornam estratégia

Pelo General H. R. McMAster, em 2009.
Tradução Filipe do A. Monteiro, 18 de agosto de 2019.

Tenente-General Herbert Raymond McMaster.
As guerras no Afeganistão e no Iraque, e os debates políticos sobre a natureza e o alcance do envolvimento dos EUA nesses países, ressuscitaram as "lições" do Vietnã mais uma vez. Longe de ter chutado a "síndrome do Vietnã", como o presidente George H. W. Bush colocou no exuberante rescaldo da Operação Tempestade no Deserto, agora parece possível que a memória da Guerra do Vietnã seja confundida para sempre na imaginação do público com os conflitos no Afeganistão e Iraque, produzindo algo como uma síndrome do Vietnã com esteroides.
Um pouco disso é compreensível. No Afeganistão e Iraque, os Estados Unidos estão engajados em conflitos do tipo que, após a dolorosa experiência da Guerra do Vietnã, muitos acreditavam que nossa nação nunca mais lutaria. À medida que o debate sobre política e estratégia americana no Iraque e no Afeganistão se intensificava no ano passado, vozes de todos os lados invocaram o Vietnã para gerar apoio para seus argumentos. Alguns sugeriram que, no nível da grande estratégia, os conflitos no Afeganistão e no Iraque eram campanhas relacionadas na guerra contra o terrorismo mais ampla, assim como o Vietnã era um dos capítulos de uma Guerra Fria mais ampla; outros, argumentando em termos ideológicos, compararam a luta global de hoje contra adeptos do Jihadismo Salafista à luta de ontem contra o Comunismo mundial. Em um nível ainda mais alto de abstração, o Afeganistão e o Iraque parecem análogos à experiência americana no Vietnã simplesmente porque apresentam problemas complexos com uma multiplicidade de dimensões políticas, militares, econômicas e culturais.

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Cabo Toloza, o "Rambo Salvadorenho"


Por Filipe do A. Monteiro
Cabo Samuel Toloza, Batalhão Cuscatlan do Exército de El Salvador. A palavra Cuscatlan é o nome original dos nativos Nahua para o que é hoje El Salvador. O nome foi adotado por uma unidade salvadorenha que se destacou lutando contra comunistas na Guerra Civil Salvadorenha. O batalhão, composto por 380 homens, foi enviado ao Iraque como parte do MNF-1 e foi parte da Brigada Hispanoamericana (Brigada Plus Ultra), que era formado por tropas hondurenhas, nicaraguenses, dominicanas, salvadorenhas e espanholas (que formavam a maior parte da força até a decisão de Madri de retirar suas tropas em 2004).

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

IVECO/ OTO MELARA CENTAURO II - O caça tanques italiano


FICHA TÉCNICA
Velocidade máxima: 105 Km/h (Em estrada).
Alcance Máxima: 800 Km (Em estrada).
Motor: Motor turbodiesel Iveco Vector 8V com 720 hp de potência.
Peso: 30 Toneladas (carregado).
Comprimento: 8,26 m.
Largura: 3,38 m.
Altura: 3,65 m.
Tripulação: 4 tripulantes.
Inclinação frontal: 60º.
Inclinação lateral: 30º.
Passagem de vau: 1,5 m,
Obstáculo vertical: 0,60 m.
Armamento: Um canhão de 120 x 45 mm, com 40 granadas. Uma metralhadora coaxial em calibre 7,62 mm com 750 munições e uma estação remota de armas Hitrole, da Oto Melara, que pode ser equipada com uma metralhadora de uso geral 7,62 mm, ou uma metralhadora pesada M2HB em calibre 12,7 mm. O uso de lançador automático de granadas, também pode ser empregado nessa estação de armamento. Há 16 granadas de fumaça sendo que 8 são para pronto uso, 4 de cada lado da torre.

domingo, 11 de agosto de 2019

O FN FAL quase foi o Fuzil de Batalha da América

  


Do blog War is Boring, 5 de outubro de 2014.
Tradução Filipe do A. Monteiro.

A ARMA BELGA ERA MUITO BOA APESAR DISSO
Fuzileiro Naval dos Estados Unidos com um SLR L1A1 britânico, durante 
um exercício de treinamento como parte da Operação Escudo do Deserto na 
Guerra do Golfo, 5 de dezembro de 1990
Ele poderia ter sido o fuzil de batalha principal dos Estados Unidos. Em vez disso, tornou-se "o braço direito do mundo livre."
Nomeie uma guerra, revolução ou revolta durante a Guerra Fria que envolveu a Comunidade Britânica, nações da Europa Ocidental ou seus aliados e você encontrou o FAL da Fabrique Nationale nas mãos dos soldados lutando nas batalhas.
Não admira que o FAL ganhou seu apelido e se tornou um símbolo da luta contra o comunismo.
Começando imediatamente após a Segunda Guerra Mundial, a FN produziu dois milhões de cópias do Fusil Automatique Léger— ou Fuzil Automático Leve. Mais de 90 nações adotaram a arma. Por um período, o FAL era até mesmo o fuzil oficial da maioria dos países da OTAN.
Um dos exemplos mais famosos da onipresença da FAL foi durante a Guerra das Falklands em 1982. O exército argentino levou a versão totalmente automática do FAL. As tropas britânicas tinham a versão semi-automática L1A1 Self-Loading Rifle ("Fuzil Auto-Carregável"). Depois de capturar tropas argentinas, a infantaria britânica e os fuzileiros navais britânicos freqüentemente andaram até a pilha de armas argentinas e recuperaram os FALs totalmente automáticos.
Na Argentina, milhares de FALs sofreram reconstruções em arsenais em 2010, um sinal claro de que o país continuará a usar a arma.
Ou considere a Guerra dos Seis Dias, de 1967. Um equívoco comum é que a Uzi de nove milímetros era a arma favorita da Força de Defesa de Israel. Na verdade, soldados israelenses carregaram mais FALs do que Uzis quando enfrentaram forças egípcias, jordanianas e sírias.
De muitas maneiras, foi a resposta do Ocidente ao Kalashnikov, apesar de ter disparado a munição mais pesada de 7,62x51 milímetros OTAN em vez da munição intermediária de 7,62x39 milímetros do AK-47.
Como o FAL viu a luz do dia é uma história que combina as realidades táticas que emergiram da Segunda Guerra Mundial e a política de quem lideraria quem durante a Guerra Fria.
SLR 1A1
O sucesso do inovador fuzil de assalto Sturmgewehr 44, da Alemanha, convenceu os oficiais de material bélico e os projetistas de armas de que a era do fuzil de batalha de ação rápida estava morta e ultrapassada. Cartuchos mais leves em fuzis de assalto com seletor de tiro capturaram a imaginação dos projetistas de armas.
Apenas os Estados Unidos adotaram um fuzil de batalha semi-automático de grosso calibre, o bem-estimado M1 Garand .30–06, arma que o General George Patton chamou de “o maior implemento de batalha já inventado”. Mas o futuro era um que disparava em fogo totalmente automático e o Garand não.
Mas a outra questão era: qual calibre? Enquanto os projetistas de armas de ambos os lados do Atlântico brincavam com protótipos de fuzis de batalha, os britânicos testaram uma munição de sete milímetros no novo FAL… e gostaram.
Nos Estados Unidos, o Exército queria continuar com a munição de calibre .30, afirmando categoricamente que nenhum outro cartucho poderia se manter no campo de batalha.
Com a formação da nova aliança da Otan em 1949, generais e planejadores civis falaram da necessidade de padronizar equipamentos, armas e suprimentos.
Rifles: An Illustrated History of their Impact.
"O objetivo louvável foi um que esteve muito nas mentes de muitos pensadores militares voltados para o futuro por um longo tempo", escreve David Westwood, autor de Rifles: An Illustrated History of their Impact (Fuzis: Uma História Ilustrada do Seu Impacto, sem tradução para o português). "Porque a experiência mostrou que os Estados Unidos e a Grã-Bretanha lutavam frequentemente lado a lado, e a comunalidade seria em benefício de todos, incluindo os soldados em campanha".
Uma coisa era certa. Os britânicos ficaram impressionados com o FAL. Eles consideraram a arma de fogo superior aos concorrentes porque era fácil de manter, desmontar e limpar. Ele se remontava sem ferramentas especiais e era uma arma de fogo com seletor de tiro - mas disparava a munição mais leve.
Os generais americanos "turrões" não aceitariam nada além de uma arma calibre .30, insistindo na superioridade de um protótipo chamado T25, um precursor do M14 que não era nada mais que um Garand embelezado.
Logo, houve uma “Batalha das Balas” que chegou até a Casa Branca e a 10 Downing Street. O presidente Harry Truman e o primeiro-ministro Winston Churchill realizaram uma mini-conferência, onde dizem os rumores, eles conseguiriam um quid pro quo - os EUA adotariam o FAL como seu principal fuzil de batalha se a Grã-Bretanha apoiasse a OTAN adotando a munição de 7,62x51 milímetros.
A OTAN adotou a munição. No entanto, os EUA renegaram, desenvolveram o M14 - que disparava o cartucho de 7,62 milímetros da OTAN - e o adotaram como o fuzil principal das forças armadas americanas. No final, não importava para a FN porque os países da OTAN, incluindo a Grã-Bretanha, começaram a abocanhar o FAL calibrado na munição da OTAN.
Muitos consideram essa combinação de arma e cartucho o emparelhamento quintessencial do fuzil de batalha e bala durante o século XX - o FAL entrou em produção em 1953 e a FN continuou a produzir o fuzil até 1988. O M-14 caiu no esquecimento como o fuzil de batalha principal dos EUA dentro de alguns anos, substituído pelo M-16.
The FN FAL Battle Rifle
“Independentemente da atividade política que ocorreu antes de sua adoção, o 7,62x51 milímetros da OTAN revelou-se um excelente e poderoso cartucho militar”, escreve Robert Cashner, autor de The FN FAL Battle Rifle.“Com milhões de FALs fabricados e distribuídos internacionalmente, o fuzil desempenhou um papel importante em tornar o 7,62x51 milímetros da OTAN o sucesso que foi.”
O FAL também provou ser um sucesso no Vietnã nas mãos de tropas australianas. Mais de 60.000 Aussies serviram na Guerra do Vietnã de 1962 a 1972, incluindo o 1º Batalhão, Regimento Real Australiano (1RAR). Os australianos frequentemente enfrentavam vietcongues bem equipados que carregavam AK-47 novos fornecidos pelos chineses comunistas e países do bloco oriental.
Apesar do seu peso e tamanho - o FAL é um dos mais longos fuzis de batalha do século XX - as tropas do 1RAR da Austrália consideraram sua arma adequada para a guerra na selva.
A poderosa munição da OTAN poderia perfurar a folhagem espessa. Foi também uma arma muito mais confiável do que a versão inicial do M-16 que as forças dos EUA carregavam. O FAL raramente travou ou sofreu incidentes de tiro - problemas que atormentaram o M-16 durante anos.

Original: https://medium.com/war-is-boring/the-fn-fal-was-almost-americas-battle-rifle-5186bdbda998