quarta-feira, 25 de junho de 2014

MOWAG PIRANHA III. O sucesso suiço para apoio da infantaria.


FICHA TÉCNICA (Piranha III C CFN Brasil)
Velocidade máxima: 100 Km/h.
Alcance Maximo: 750 Km (em rodovia).
Motor: Motor Caterpillar C-9 com 400 hp a diesel.
Peso: 22 Toneladas (máximo).
Altura: 2,18 m.
Comprimento: 7,58 m.
Largura: 2,66 m
Tripulação: 2 +12 soldados equipados.
Armamento: Metralhadora FN Mag cal 7,62X51 mm, um lançador automático de granadas LAG-40 de 40 mm, ou uma metralhadora M-2HB cal .50 (12,7 mm)
Trincheira: 2 m
Inclinação frontal: 60º
Inclinação lateral: 30º
Obstáculo vertical: 0,60 m
Passagem de vau: Anfíbio. 

DESCRIÇÃO
Por Carlos E.S Junior
O veículo blindado Piranha, da Mowag suíça, representa uma das mais bem sucedidas famílias de veículos blindados multifuncionais do ocidente tendo sido entregues cerca de 8000 unidades em suas diversas versões. Seu projeto data do final dos anos 60 e seu primeiro protótipo ficou pronto em 1972. O projeto foi feito sem apoio do governo, ou seja, com dinheiro da própria MOWAG, o que não costuma ser comum nesse segmento de sistema de armas. Suas quatro gerações (já existe uma quinta em desenvolvimento), em suas muitas versões têm se mostrado com grande capacidade de se adaptar nas mais diferentes missões como o simples transporte de tropas, ao combate direto como caça tanques através da sua ultima versão, a M-1128 do Exercito dos Estados Unidos.
A terceira geração deste blindado, conhecida como Piranha III, é o foco deste artigo, pois o corpo de fuzileiros navais do Brasil usa este excelente carro blindado.

Acima: O Piranha III é um dos mais populares veículos de transporte de tropas de todo o mundo. Nessa foto um exemplar do exército romeno.
Atualmente a Mowag faz parte da General Dynamics European Land Combat Systems que fabrica e desenvolve o Piranha III, que também é conhecido como LAV-III e pode ser encontrado nas configurações 6X6, 8X8 e 10X10.
O exercito dos Estados Unidos usa uma versão do Piranha III chamada localmente de LAV-25 e que, também possui diversas versões especiais que o manterão em serviço por muitas décadas ainda. Certamente que muito das experiências de combate dos Estados Unidos nas guerras do Iraque e do Afeganistão, geraram conhecimentos para serem aplicados em soluções nas novas gerações do Piranha.
Acima: O LAV-25 é uma versão do Piranha III usada pelo exército canadense e pelos fuzileiros navais dos Estados Unidos. Seu armamento é pouco mais pesado que o Piranha IIIC padrão.
A modularidade deste veículo permite a instalação de diversos tipos de motorização para ir de encontro com as necessidades do cliente. Ao todo estão disponíveis, hoje, 5 motores, sendo eles:
- MTU 6V183 TE 22 com 400 hp a 2300 rpm (Alemão)
- Scania DSJ9 48A com 400 hp a 2300 rpm (sueco)
- Caterpillar 3126 com 400 hp a 2500 rpm (Estados Unidos) (usada pelo Brasil)
- Detroit Diesel 6V53TA com 350 hp a 2800 rpm (Estados Unidos)
- Cummins 6CTAA8-3 T350 com 350 hp a 2200 rpm (britânico)
Com qualquer um desses motores a transmissão é feita automaticamente. A suspensão hidropneumática e de ajuste individual para cada roda é conjugada com um sistema central de calibragem dos pneus (CTIS) permite mobilidade elevada em qualquer tipo de terreno. Os freios são do tipo ABS e a velocidade  máxima do Piranha III é de 100 km/h, sendo de 30 a 40 % mais rápida que a atingida pelos veículos sobre lagartas. Outra característica do Piranha III relacionado a sua mobilidade é a sua capacidade anfíbia, sendo que há dois lemes e duas hélices que permitem uma velocidade de navegação de 8 km/h.
Acima: O Exército dos Estados Unidos usa o 4466 unidades da família Stryker, outro derivado do Piranha III, para funções de transporte de tropas, comando, ambulância, reconhecimento entre outras.
A blindagem do Piranha III também é modular e por isso varia de resistência contra projéteis de armas leves, como fuzis 7,62X51 mm, passando por proteção contra munição .50 e podendo, ao extremo ser blindada contra granadas de 40 mm.  A necessidade dessas proteções será decidida por cada cliente. O assoalho é construído com proteção anti-minas. Há previsão para uso de filtros contra guerra QBN (Química, biológica e nuclear), que é típico nesse tipo de veículo de projeto mais recente.

Acima: A saída da tropa do Piranha IIIC se dá por trás do veículo permitindo uma boa proteção aos soldado nesse momento critico. Foto: Alexandre Galante do site: www.forte.jor.br
A versão para transporte de tropas com a configuração 8X8 pode transportar até 12 soldados totalmente equipados além da tripulação de 2 homens. As versões especiais, de reconhecimento, ambulância, e antitanque, transportam numero de soldados bem menor, devido as necessidades de transporte de munição e sistemas de miras e armamentos.
Falando em armamentos, o piranha III pode ser equipado com metralhadoras calibre 7,62X51 mm de diversos modelos, metralhadoras M-2HB .50 (12,7 mm), lançadores automáticos de granadas como o LAG-40, em calibre 40 mm, da empresa Santa Barbara espanhola ou outros modelos como o General Dynamics MK-19 norte americano.  Uma torre com um canhão automático M-242 de 25 mm, do tipo Chain Gun, fabricado pela Bushmaster dos Estados Unidos, pode ser instalada. Os Piranhas III norte americanos, conhecidos como LAV-25 usam esta torre. Este canhão possui uma cadencia de tiro de 200 tiros por minuto. Uma versão do Piranha norte americano chamado de M1128 MGS (Mobile Gun System)  pode ser equipado com um canhão de carregamento automático M-68 A2 de 105 mm. Podem, ainda, ser transportado no Piranha, morteiros de 81 mm e lançadores de mísseis anticarro de diversos tipos.
Acima: O M-1128 MGS (Mobile Guns System) é a versão com amamento mais pesado do Piranha III desenvolvido pela General Dynamics Canadá para o exército dos Estados Unidos (US Army). Seu canhão M-68A2 de 105 mm tem carregamento automático.
No Brasil o Piranha III foi testado pelo exercito brasileiro no centro de avaliação do exercito quando a Mowag trouxe por sua conta e risco um veiculo desses sabendo da necessidade do Exercito Brasileiro de um substituto para o URUTU. Porém foi a Marinha do Brasil, através do Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) que colocou uma primeira encomenda do Piranha III C devido as deficiências do URUTU na missão de paz no Haiti comandada pelo Brasil. A marinha adquiriu, inicialmente 7 unidades, sendo 6 delas do tipo APC (transporte de tropas) e uma de socorro e no final de 2007 foi assinado um novo contrato de fornecimento de mais 5 unidades configuradas como APC. Os piranhas III C dos fuzileiros do Brasil transportam 8 soldados totalmente equipados mais a tripulação de 3 homens. Hoje o corpo de fuzileiros navais do Brasil operam 30 unidades do Piranha III.

Acima: Temos aqui uma foto do Piranha IIIC do corpo de fuzileiros navais do Brasil (CFN) armado com um lançador de granadas espanhol SB 40 LAG de 40 mm. Foto: Alexandre Galante do site: www.forte.jor.br 



ABAIXO TEMOS UM VÍDEO DE APRESENTAÇÃO DO PIRANHA IIIC

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domingo, 22 de junho de 2014

CLASSE NIMITZ. 102000 toneladas de diplomacia norte ameriana


FICHA TÉCNICA
Comprimento: 332,8 m.
Calado: 11,3 m.
Boca: 40.8 m.
Deslocamento: 102000 toneladas.
Propulsão: Nuclear, com dois reatores GE PWR A4W/A1G , mais 4 turbinas a gás, que geram 260 000 HP.
Velocidade máxima: 34 nós (64km/h).
Autonomia: reabastecido a cada 13 anos.
Sensores: Radar de busca aérea: AN/SPS 48E, AN/SPS 49(V)5, Radar Raytheon MK 23 de banda D; Radar de busca de superfície: AN/SPS 67V banda G. Radar de navegação: Raytheon A N/SPS 64 (V)9 de banda L/J.
helicópteros SH-60 Seahawk. podendo, em caso de guerra, chegar a 110 aviões.
Armamento: 3 lançadores MK 29 de 8 células de mísseis Sea Sparrow; 4 Canhões CIWS MK-15 Phalanx de 20 mm.
Aviação: Variável conforme a missão, porém tipicamente 68 aeronaves que podem ser distribuídos em 48 F/A-18 E/F super Hornet, 4 Grumman E-2 C Hawkeye, 4 EA-18G Growler, além de 12 helicópteros SH-60 Seahawk.

DESCRIÇÃO
Por Carlos E. S. Junior
Poucas coisas neste mundo representam tão bem o significado da palavra poder de fogo como a força de porta aviões da Marinha dos Estados Unidos. São navios que operam mais de 60 aeronaves, sendo a maioria absoluta, de combate, podendo, ainda ter esse numero aumentado em caso de necessidade de guerra. E ainda, dentro dessa força, uma classe de navio se destaca pelo sucesso de seu projeto que foi construído em grande número, o que é interessante quando se trata dessa categoria de navios, que são os porta aviões, onde são, no máximo, construídos um ou dois por classe. Para se ter uma ideia do sucesso da classe Nimitz (CVN 68), basta observar que foram construídos, nada mais, nada menos que dez navios.

Acima: O tamanho dos porta aviões da classe Nimitz deixa claro o seu poder. O navio menor do lado direito é um porta aviões britanico Illustrious.
O Nimitz foi o segundo maior navio de guerra do mundo por muitos anos, pois era pouco menor que o USS Enterprise, primeiro navio porta aviões a ser propulsado por reatores nucleares. Com a desativação do Enterprise, o Nimitz passou a ser o maior navio de guerra do mundo. Ele foi construído pelo estaleiro Newport News Shipbuilding, que é propriedade da Northrop Grummam e comissionado no começo de 1975, iniciando uma nova fase na capacidade de combate da marinha dos Estados Unidos (US Navy).
O Nimitz desloca 102000 toneladas quando totalmente carregado e transportam em tempos normais, 68 aeronaves sendo elas 48 F/A-18 E/F super Hornet, 4 Grumman E-2 C Hawkeye, 4 EA-18G Growler,  além de 12 helicópteros SH-60 Seahawk. Esses números, são incríveis, principalmente quando verificamos, que um navio da classe Nimitz possui uma força aérea embarcada muito mais poderosa que qualquer força aérea Latino americana ou mesmo a de muitas forças aéreas europeias.
Se você considerar o poder de fogo dos aviões de combate deste navio, será fácil chegar a conclusão de que este é o mais poderoso navio de guerra já construído entre todas as categorias de navios de guerra.

Acima: Atualmente o caça F/A-18E/F Super Hornet representa o braço armado dos porta aviões norte americanos. A partir de 2019 o novo caça F-35C Lighning II deverá fazer companhia aos Super Hornets e dividir as tarefas "quentes" do navio.
A suíte de sensores do Nimitz é formada pelo radar tridimensional SPS-48E com alcance aproximado de 400 Km, e o radar SPS 49 V Bidimensional com alcance aproximadamente 560 Km, para auxiliar na busca aérea. O radar de busca de superfície é p AN/SPS-67V com alcance de 115 km contra alvos de frande porte (um navio cargueiro, por exemplo). Por fim está instalado um sistema de controle de fogo MK-91 para uso com os mísseis SAM Sea Sparrow, que representa a principal defesa orgânica do navio. Para apoio a esses mísseis estão montados sistemas CIWS MK 15 Phalanx com um canhão rotativo em calibre 20 mm que conta com uma provisão de 989 tiros cada e dispara 4500 tiros por minuto. Mais recentemente, a Marinha dos Estados Unidos, está equipando os porta aviões da classe Nimitz com o míssil antiaéreo de curto alcance RIM-116 RAM no lugar de seus sistemas Phalanx; O RIM-116 é um pequeno míssil guiado a calor com alcance de 9 km.

Acima: O radar AN/ SPS-48E é um sensor antiquado, porém seu longo alcance e confiabilidade ainda representa um sistema viável para defesa do Nimitz.
Muitos podem pensar: “Nossa, só isso de armas?” Sim, só isso, porém, lembrem-se que dos 68 aeronaves, 52 são aviões de combate supersônicos e pesadamente armados. Podem ter a certeza, que se um invasor passar pela barreira que é imposta pela aviação de combate do Nimitz, muita coisa deve ter dada errado. A proteção anti-submarina, é exclusiva dos helicópteros SH-60 Seahawk. Por isso os porta aviões americanos estão sempre escoltados por no mínimo, um destróier da classe Arleigh Burke, que já foi assunto de matéria publicada nesse blog.

Acima: O míssil Sea Sparrow deixa seu lançador MK-29. este míssil é o principal elemento de defesa  orgânica dos porta aviões da classe Nimitz. Seu sistema de guiagem se dá por radar semi ativo e seu alcance chega a 18,5 km.
Abaixo: O sistema de defesa antiaérea de ponto RAM (Rolling Airframe Missile)  usa o míssil RIM-116 para destruir alvos como aeronaves ou mísseis antinavio. O RAM substitui algumas unidades do antigo sistema CIWS MK-15 Phalanx que usa um canhão rotativo M-61 de 20 mm.

Para proteção do navio, existem contramedidas como o lançador de iscas infravermelhas Sippican SRBOC, sistemas para iludir torpedos AN/SLQ-25 Nixie , e iscas antitorpedos SSTDS. Um sistema de guerra eletrônica AN/SLQ-32 (V) detecta as emissões de radar inimigas e, após analisa-las alerta aos sistemas de contra medidas do navio.
A propulsão desta “cidade flutuante” é provida por dois poderosos reatores nucleares A4W que movem 4 turbinas e 4 eixos à produzir um impulso 260 000 HPs. Essa potência, acelera o Nimitz a incrível velocidade, (se considerarmos o tamanho dele) de 34 nós (64 Km/h), o que faz dele um dos mais rápidos navios de guerra do mundo. A tripulação dele é de 3150 tripulantes mais 2600 tripulantes da ala aérea, ou seja, são 5750 tripulantes em cada porta aviões dessa classe!
A nova classe de porta aviões CVN 78 Gerald R Ford terá uma redução importante nesses números devido a automação de uma série de sistemas do navio, que já se mostrou como uma tendência para os futuros navios de guerra americanos.

Acima: O Nimitz opera escoltado por um cruzador e por alguns destróieres, normalmente. estes navios que o protegem contra ataques de submarinos, e ainda, de quebra prestam uma importante capacidade antiaérea extra ao grupo de batalha.
A classe Nimitz foi projetada para operar por 50 anos. O primeiro navio da classe, o Nimitz, deverá ser descomissionado em 2025, e os seus irmãos mais novos se manterão em serviço até meados de 2050. Estes navios são a ponta de lança de ataque convencional do governo norte americano, e sua robusta capacidade de combate garante um fator dissuasivo muito eficaz. Porém, deve-se observar que algumas nações apresentaram armas dedicadas a destruição de navios porta aviões, como o míssil balístico DF-21D da China ou o Brahmos 2 da Índia e que, poderão colocar em xeque a viabilidade do uso desse tipo de navio. Porém, ainda é uma ameaça limitada a duas ou 3 nações e esse tipo de arma deverá ser cara e complexa demais para a grande maioria dos países por muitas décadas ainda.

Acima: Mesmo o Nimitz sendo o maior navio de guerra do planeta, sua manobrabilidade surpreende.

Acima: Outro ponto extremamente positivo do Nimitz é sua velocidade superior a da maioria dos navios de guerra existentes no mundo, atingindo 34 nós (64 km/h)

ABAIXO PODEMOS ASSISTIR A UM DOCUMENTÁRIO SOBRE O NIMITZ.

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quarta-feira, 11 de junho de 2014

FAMÍLIA S-300 GRAMBLE E S-400 TRIUMF. A parede antiaérea russa


FICHA TÉCNICA (S-300 Grumble e S-300V)
Motor: Propelente sólido de estágio único.
Velocidade: 7200 Km/h.
Alcance: (5V55K) 47Km, (5V55R) 90Km, (48N6E2) 95 Km, (9M83M) 200 Km.
Altitude: 10000 a 27000 metros dependendo do míssil usado.
Comprimento:  (5V55K) 7 m, (5V55R) 7 m, (48N6E2) 7,5m, (9M83M) 9 m
Peso: (5V55K) 1450 kg, (5V55R) 1450 kg, (48N6E2) 1800kg, (9M83M) 2100 kg.
Ogiva: 150 kg de alto explosivo
Lançadores: Caminhão MAZ-7910, Navio Classe Kirov, Veículo sobre lagartas MT-T.
Guiagem: Comando de radio (5V55K) e guiagem semi ativa para todos os outros modelos de mísseis do sistema S-300.


FICHA TÉCNICA (S-400 Triumf)

Motor: Propelente sólido de estágio único.
Velocidade:  9M96E1: 3240 km/h,  9M96E2: 3600 km/h, 40N6: 8600 Km/h.
Alcance: 9M96E1: 40 km; 9M96E2: 120 km, 40N6: 400 Km.
Altitude: 9M96E1: 20000 m; 9M96E2: 30000 m, 40N6: 30000 m.
Comprimento: 9M96E1: 4,75 m; 9M96E2: 5,65m, 40N6: 9 m.
Peso: 9M96E1: 333kg; 9M96E2: 420, 40N6: 2000 kg.
Ogiva: 24 kg de alto explosivo..
Lançadores: caminhão MAZ-7930,  Tanque type 80.
Guiagem: Ativa em todos os modelos de mísseis deste sistema.


DESCRIÇÃO
Por Carlos E. S. Junior
O sistema de mísseis antiaéreos S-300 (SA-10 Grumble na nomenclatura da OTAN)), foi desenvolvido pela empresa Almaz Scientific Production Association para destruir aviões, mísseis de cruzeiro e mísseis balísticos, seguindo uma necessidade do governo da extinta União Soviética, no final da década de 1960. O S-300 que também é conhecido com a designação SA-10 Grumble, na classificação da OTAN, sofreu muitas modificações através do tempo desde sua entrada em serviço, no início da década de 1980. Uma marca registrada deste excelente sistema é o tamanho descomunal de seus lançadores, instalados em viaturas sobre rodas como o sistema PMU, ou sobre lagartas, no caso do sistema S-300V. Atualmente, o S-300 representa um dos melhores sistemas de defesa antiaérea do mundo, e foram exportados para a China, Índia, Chipre, Irã, Venezuela e Grécia. O fabricante alega que o sistema tem grande capacidade de atacar alvos stealth, devido ao radar de alta freqüência usado pelo sistema

Acima: O descomunal tamanho do sistema S-300 poderia sugerir a uma pessoa desavisada tratar-se de um míssil balístico de curto alcance.
O sistema S-300 diferentemente de seus concorrentes ocidentais possui uma grande variedade de mísseis que foram sendo incorporados ao sistema no decorrer de seu continuo desenvolvimento. O S-300P, a primeira versão a entrar em serviço em 1978, usava um míssil 5V55K cujo alcance era de 47 km e com guiagem feita por comando de rádio, sendo que o sistema estava montado num veículo MAS-7910, e tinha como controle do fogo um radar 36D6  “Big Bird” com alcance na casa dos 165 Km.
Junto com essa versão foi desenvolvida uma versão naval deste míssil conhecida por S-300F, ou SA-N-6 pela codificação da OTAN. Esta versão possui um alcance de 90 Km e foi instalada nos grandes cruzadores de batalha da classe Kirov. Esta versão pode atacar 6 alvos simultaneamente o que a tornou o primeiro sistema antiaéreo multialvos desenvolvido pela Rússia. O sistema de controle de tiro é proporcionado por um radar de varredura eletrônica “Top Dome”, que possui um alcance de 100 km. O radar de aquisição é o “Top Steer” com 300 km de alcance.
De lá para cá muita coisa mudou e mais 4 modelos de mísseis foram sendo integrados de forma que a versão antiaérea mais sofisticada deste sistema, conhecido como S-300 PMU2 (SA-20 Favorit pela OTAN), usa o míssil 48N6E2, cujo alcance chega a 195 km contra um alvo voando a 27000 metros de altitude, sendo guiado guiado por TVM (Track Via Missile) que é uma forma de guiagem que se usa um radar semiativo (o alvo é iluminado pelo radar do sistema S-300) e o míssil segue essa orientação recebendo ainda, correção por comando de radio. No sistema S-300PMU-2 o radar usado é o “Tom Stone” cujo alcance de engajamento é 300 km.

Acima: O lançamento vertical de um míssil do sistema S-300 garante uma vantagem importante do sistema por ter flexibilidade de cobertura de 360º envolta do sitio de lançamento.
Essa extensa e extremamente bem sucedida família de mísseis antiaéreos teve uma versão desenvolvida com maior foco na capacidade antimísseis balísticos táticos (ATBM) sem, com isso, perder sua original capacidade de destruir aeronaves e mísseis de cruzeiro. Essa versão é conhecida como S-300V (SA-12 Gladiator pela OTAN). Diferentemente do S-300P, esta versão é transportada por um veículo sobre lagartas MT-T que permite transportar, designar o alvo (ele tem um radar próprio), e lançar os misseis. Essa flexibilidade garante maior mobilidade que os S-300P. Há duas variantes do S-300V. Uma está armada com dois enormes mísseis 9M82 (SA-12B Giant), especializados em interceptar mísseis balísticos inimigos. Esses mísseis tem alcance de 100 km e é capaz de interceptar um míssil inimigo a uma altitude de 30000 metros. A outra variante usa o míssil 9M83 (SA-12 A Gladiator) de menores dimensões e que pode ser transportado em numero de 4 por veículo. Este míssil tem capacidade de interceptar mísseis balísticos e aeronaves a uma distancia de 75 km a uma altitude de 25000 metros. Em ambas as variantes, o veículo MT-T usa um radar de controle de fogo 9S32 Grill Pan e o radar 9S15 Bill Board de busca que tem alcance de 314 km contra um alvo do tamanho de um caça voando alto. Porém, na variante armada com misseis antibalístico, há um sensor a mais. O radar HIGH SCREEN que presta apoio na varredura contra mísseis balísticos. Também é comum nas duas variantes, o sistema de guiagem dos mísseis se dá por radar semiativo, controlado pelo radar Grill Pan.

Acima: Esteticamente a maior diferença entre o S-300V (foto) e os modelos anteriores, é seus veículo sobre lagartas MT-T, porém a mobilidade e flexibilidade de emprego dá uma boa vantagem desta versão.
Uma versão modernizada do S-300V, é conhecida como S-300VM ou Antey 2500 e possui novos sistemas de radares 9S15M2, 9S15MV2E e 9S32ME. Este radar permite ao sistema engajar até 24 aeronaves simultaneamente. Os mísseis deste sistema são as novas versões dos mísseis do S-300V como 9M82ME com alcance de 200 km e altitude de 30000 metros, desempenho também repetido pelo seu míssil irmão 9M83ME, ambos guiados por radar semiativo, porém com a fase final sendo orientada por um sensor térmico. A Venezuela adquiriu este modelo, especificamente. A ultima versão do sistema S-300 a entrar em produção é chamada S-300V4, porém ainda há muito pouco informação sobre detalhes de seus sistemas.

Acima: Nessa foto podemos ver dois exemplares do sistema S-300VM, ultima versão do sistema Antey 2500. Nossos vizinhos venezuelanos adquiriram esse veículo para compor o que pode-se considerar a mais poderosa rede de defesa antiaérea de todo o continente.
O míssil S-400 é a evolução desta espetacular família de sistemas antiaéreos. A designação da OTAN para este novo sistema é SA-21 Growler. Originalmente o sistema era chamado de S-300PMU3, porem, devido a ser uma evolução muito grande, sobre o S-300, o sistema passou a ser designado de S-400 Triunf. A grande diferença, e por que não dizer também, “vantagem” do sistema S-400 é que ele tem uma maior flexibilidade de emprego de forma a poder executar o conceito de defesa em camadas sozinho, pois ele usa 3 tipos de mísseis sendo um de médio alcance, um de longo alcance e um de ultra longo alcance, podendo ser usado eficazmente contra mísseis balísticos de médico alcance e aeronaves furtivas como o F-22, segundo o seu fabricante.
Os mísseis usados pelo sistema S-400 são o 9M96E1, de médio alcance, podendo atacar alvos a distancias de até 40 km a altitude de 20000 metros; o míssil 9M96E2 de longo alcance, com capacidade de destruir seu alvo a 120 km a altitude de 30000 metros; e por fim, o míssil 40N6 de alcance extra longo, capaz de acertar seu alvo a 400 km de distancia e a altitude de 30000 metros. O radar de usado para a bateria S-400 é do tipo tridimensional, modelo 91N6E e é montado em uma viatura separada. Uma característica muito interessante sobre o S-400 é que seus tubos lançadores de mísseis podem ser carregados com modelos distintos de mísseis para se adaptar melhor a cada situação, diferentemente dos modelos S-300 que eram equipados com um dos tipos de mísseis disponibilizados. O míssil de médio alcance 9M96E1, por ser bastante compacto, pode ser transportado em numero de 4 em um só tubo, somando 16 mísseis se os 4 tubos de lançamento estiverem armado com ele. Porém pode ser misturar os mísseis num só caminhão.

Acima: O sistema S-400 tem a flexibilidade de emprego em um só veículo que só teríamos com todas as versões do S-300.
Como visto, o sistema S-300, assim como o modelo que representa a sua evolução natural. o S-400, podem ser classificados, sem nenhuma duvida, entre os 3 melhores sistemas de defesa antiaérea do mundo hoje.A evolução do S-300 levou a um sistema completo capaz de defesa de camadas, dando um poderoso instrumento dissuasório a uma força aérea inimiga. É interessante notar que os russos costumam informar sobre a probabilidade de acerto dos seus mísseis e os do sistema S-300 sempre ficam no patamar dos 80 ou 90 % para os mísseis desta família quando considerados alvos aerodinâmicos como aeronaves. Logicamente que essa taxa de acerto cai quando o alvo é um míssil, porém ainda fica na excelente marca dos 70% logo no primeiro lançamento. Outro ponto característico importante da família S-300 e S-400, é que em todas os mísseis são lançados verticalmente não tendo, assim, uma restrição de engajamento por quadrante, como no sistema MIM-104 Patriot norte americano que e direcionado para um lado específico.
Não é de se admirar que os Estados Unidos tenham feita tanta pressão sobre os russos para não fornecer uma das versões do S-300 ao Irã, pois isso dificultaria muito uma ação militar contra o programa nuclear iraniano.

ABAIXO PODEMOS ASSISTIR A UM VÍDEO COM O S-300 EM AÇÃO.

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sábado, 7 de junho de 2014

GENERAL DYNAMICS LAND SYSTEM M-1A1/A2 ABRAMS. O peso pesado do Exercito dos Estados Unidos.

Olá amigos. 
A partir de uma parceria entre o site PLANO BRASIL e o blog WARFARE, as matérias publicadas sobre MBTs naquele ótimo site serão também disponibilizadas neste blog.
Deixo aqui meu agradecimento ao editor chefe do PLANO BRASIL Edilson Pinto pelo disposição em fazer esta parceria!

FICHA TÉCNICA
Velocidade máxima: 72 Km/h.
Alcance Maximo: 500 Km.
Motor: Uma turbina Honeywell AGT 1500 de 1500 HP
Peso: 69.5 Toneladas.
Comprimento: 9,8 m
Largura: 3,4 m.
Altura: 2,4 m
Tripulação: 4
Inclinação frontal: 60º
Inclinação lateral: 40º
Passagem de vau: 1,2 m
Obstáculo vertical: 1 m
Armamento: Um canhão M256 de 120 mm ; 2 metralhadoras M240 (FN MAG) de 7.62 mm (Uma coaxial); 12 lançadores de fumaça.


Autor: Vympel
PREFÁCIO
O desenvolvimento do carro de combate M1 Abrams foi influenciado pelos resultados do conflito Árabe-Israelense de 1973 (Yom Kippur), conflito este onde ocorreu a maior concentração de MBT’s (Main Battle Tank) no período pós segunda guerra mundial, onde a superioridade qualitativa e numérica árabe não conseguiu vencer as unidades israelenses, estas melhor coordenadas e treinadas, embora usassem equipamentos inferiores e em menor número.
Como estas características eram semelhantes as encontradas na Europa durante a guerra fria, os Estados Unidos desenvolveram uma nova doutrina militar, a qual aceitou a diferença de correlação de forças entre a URSS e a OTAN e priorizou o conceito de “armas combinadas”, onde os principais frutos desta doutrina foram o E-3 Sentry, o E-8 Joint stars, o M2 Bradley e o M1 Abrams, além do novo conceito que viria futuramente a ser chamado de “guerra centrada em redes”. Este novo entendimento do campo de batalha moderno levou a criação do conceito de “batalha terra-ar” criado em 1976, e consolidado na “doutrina terra-ar” de 1982.

A ORIGEM
A esmagadora superioridade numérica da União Soviética em praticamente tudo relacionado a forças convencionais, levou os EUA e seus aliados a tentativas de desenvolvimento de MBT’s que integrassem de forma harmoniosa as três áreas básicas do desenvolvimento de um MBT (proteção, mobilidade e poder de fogo) conseguindo assim superioridade tática, algo que nenhum país da OTAN havia conseguido anteriormente. Exemplos disso foram o AMX-32 francês e o Chieftain Britânico, o primeiro possuía excelente mobilidade e poder de fogo, mas uma proteção insuficiente e o segundo excelente poder de fogo e proteção, mas era pobre em mobilidade. A substituição do M60 “Patton” pelo novo MBT foi concorrida entre Chrysler Corporation (XM1) e a Divisão Allison da General Motors (MBT-70/XM803).
Após o fracasso no desenvolvimento do MBT-70 pela empresa Allison Corporation, foi posto em produção limitada no ano de 1979 pela empresa Chrysler Corporation (hoje General Dynamics), com os primeiro M1 Abrams concluídos em 1980. Atualmente, é o MBT do US Army, USMC, Egito, Kuwait, Arábia Saudita, Austrália e Iraque, com cerca de mais de 9.000 unidades produzidas, com cerca de 8.580 milhões de dólares a unidade (dados de 2012).
ARMAMENTO PRINCIPAL
O armamento principal do M1A2 Abrams é o Rheinmetall M256 L55 de calibre 120mm na versão americana, este que substituiu o M68A1 de calibre 105mm das versões iniciais de produção. Disparando uma enorme gama de munições padrões da OTAN, destacam-se as munições cinéticas modelo M829 APFSDS-T, as quais utilizam um penetrador de urânio empobrecido extremamente denso e com alta capacidade de penetração (duas vezes e meia mais que o aço).
Foram desenvolvidas a partir do começo da década de 90 para se contrapor as blindagens explosivas reativas (ERA) de fabricação soviética Kontakt-1 desenvolvidas no período. A versão mais atual e ainda em desenvolvimento é a M829A4, é voltada para fazer frente a ERA de fabricação russa denominada Kaktus e Relikit, que equipa atualmente o MBT russo T-90 Tagil.
Acima: Diagrama do canhão Rheinmetall M256 L55 que equipa o M-1 Abrams.
A versão básica do Rheinmetall 120mm foi modificada e atualmente estas modificações equipam os MBT’s Leopard 2 alemão, o Type 90 japonês, o Altay turco, e o K1A1 sul-coreano, além do próprio M1 Abrams.
Devido ao aumento do diâmetro (de 105 para 120 mm) o armazenamento de munições foi reduzido para 42 disparos no M1A2 (trinta e seis na torre e seis no chassi, prontos para o disparo).

Especificações do canhão:
Peso (somente o tubo): 1.190 kg
Peso (completo): 3.317 kg
Comprimento (L44): 5.28 metros
Comprimento (L55): 6.6 metros
Calibre: 120mm
Velocidade inicial: 1.750 m/s
Alcance de utilização: 4.400 metros

MUNIÇÕES UTILIZADAS PELO M256 L55 120 mm

As munições que são utilizadas no M-256 120mm dividem-se em munições de energia cinética (KE),  de alto explosivo anti-tanque (HEAT), alto explosivo (HE), Canister (antipessoal) e de treinamento (TP). As munições KE utilizam-se de um penetrador subcalibrado de urânio empobrecido (DU) estabilizado por aletas traseiras. Viajando a uma velocidade supersônica, este penetrador concentra um nível extremamente elevado de energia cinética sobre uma área relativamente pequena da superfície do alvo. A energia elevada permite que a munição KE penetre nas placas de blindagem mais resistentes.

Acima: Penetrador subcalibrado de urânio empobrecido (DU) com os calços descartáveis (sabot) desconectando-se em voo
As munições de alto explosivo anti-tanque (HEAT), por outro lado, levam uma ogiva de carga oca com um penetrador de cobre, utilizando-se do efeito de monroe. Esta ogiva, com sua capacidade de explosão e fragmentação inerente, também fornece a capacidade antimaterial e antipessoal.
As munições Canister, são utilizadas contra pessoal em áreas abertas, as munições de alto explosivo (HE) são utilizadas contra estruturas as de treinamento são utilizadas em estandes de tiro, comumente dotadas de limitadores de desempenho (cones de estabilização) por questões de segurança.

1 - Antipessoal, com 11 kg de esferas de tungstênio
2 - (Armor piercing, fin stabilized, discarding sabot – tracer) – Perfurante de blindagem, estabilizada por aletas com calço descartável – traçante
3- (High-explosive, anti-tank, multipurpose – tracer) – Alto explosivo antitanque multipropósito – traçante
4 - (Target practice multipurpose – tracer) – Treinamento de tiro, multipropósito – traçante
5 - (Target practice – tracer) – Treinamento de tiro – traçante
6 -(High explosive, anti-tank, multipurpose – tracer) – Alto explosivo antitanque multipropósito – traçante
7 - (High-explosive, obstacle reduction – tracer) – Alto explosivo para redução de obstáculos – traçante
8 - (Target practice, cone stabilized, discarding sabot – tracer) - Treinamento de tiro, estabilizada por cone com calço descartável – traçante

ARMAMENTO SECUNDÁRIO
Existem três metralhadoras utilizadas como armamento secundário no M1 Abrams. Uma Browning M-2HB calibre .50 (12.7X99 mm) na cúpula do comandante, uma M-240 7,62 mm na cúpula do municiador e outra M240 coaxial ao armamento principal. O total de munição embarcada é de 11.400 tiros de 7,62 mm e 1.000 tiros de 12.7 mm.
Além das metralhadoras, existem dois lançadores de granadas de fumaça com seis (M250) ou oito (M257) lançadores cada de calibre 66 mm, as quais geram uma fumaça que bloqueia a visão térmica dos designadores inimigos.

Acima: A poderosa  metralhadora M-2HB ou "Ma Deuce" para os mais íntimos, com sua potente munição calibre.50 (12,7X99 mm) faz parte do arsenal secundário dos Abrams.

SISTEMAS
A versão mais atualizada em serviço é o M1A2 SEP V2, a qual recebeu várias modernizações. As atualizações incluem monitores coloridos para o motorista, comandante, e o artilheiro, em comparação com displays monocromáticos do M1A1, bem como visores térmicos para cada posição, dando ao comandante consciência situacional e ao artilheiro melhor visão situacional.
O M1A2 SEP V2 é baseado na plataforma M1A2,  digitalizado com um melhor pacote de blindagem de terceira geração, com uma nova placa de urânio empobrecido revestido de aço na torre, um novo sistema de comando e controle, FLIR de terceira geração que inclui visualização térmica independente para o comandante (que lhe dá 360 graus de consciência situacional, podendo assim o comandante procurar por um alvo, enquanto o artilheiro está visando um alvo diferente), a ser utilizada em  operações ”caçador/matador“, nova Unidade de Potência Auxiliar (APU),  a qual permitirá o funcionamento dos sistemas eletrônicos mesmo com o motor desligado, e um novo sistema de ar condicionado para tripulação e os eletrônicos.

Acima: Nesta foto podemos ver o M1A2 SEP V2
O M1A2 SEP também possui sistema eletrônico avançado, como mapas e displays coloridos, melhoria das comunicações em rede, alta capacidade de memória computacional e maior velocidade de microprocessamento, além de uma mais amigável interface entre homem/máquina, tudo isto em um sistema operacional de computação aberto, que fará com que as futuras atualizações sejam mais facilmente implementadas.
Outra melhoria implementada é o CROWS II, que permite que o comandante para disparar a metralhadora .50 remotamente, sem abrir escotilha.

Acima: Visão do comandante em situação de combate noturno

BLINDAGEM

O M1 Abrams desde o começo foi privilegiado por incorporar o conceito de blindagem “Chobham”, desenvolvido na Inglaterra, o qual constitui em camadas de compostos cerâmicos, metálicos e não-metálicos aplicados diretamente na blindagem convencional de aço do veículo, que fornecem excepcional resistência, embora aumentem em muito o peso do veículo.
O urânio empobrecido é usado também para reforçar a blindagem dos M1 Abrams. O Exército dos EUA revelou publicamente o uso de armadura DU (Depleted Uranium – urânio empobrecido) em março 1987. A partir de 1993, o Exército dos EUA adquiriu cerca de 1.500 MBT’s Abrams M1A1 equipados com armadura DU, com planos para mais de 3.000. Quando aplicado no Abrams, DU é inserido na placa frontal da torre, e em seguida coberto com placas de aço. As torres dos Abrams que possuem DU são classificadas como HA (Heavy Armor) e são marcadas por um “U” (de urânio), perto do armamento principal do lado direito, como parte do número de série do mesmo.

SISTEMAS DE PROTEÇÃO
Black Fox (Eltics LTDA- Israel) - Em desenvolvimento.
Comercializado como “Electronic Thermal Infrared Countermeasure System” (ETICS), o sistema de camuflagem térmica Black Fox utiliza placas de camuflagem ativa, do lado de fora do veículo, bem como dois FLIR panorâmicos. As câmeras FLIR oferecem total cobertura de 360 ​​graus em torno do veículo. A câmera FLIR realiza varreduras e captura a textura térmica do ambiente em todos os momentos, inclusive quando o veículo está em movimento, e a imagem térmica resultante é projetado sobre as placas de camuflagem ativa ao redor do veículo.
A câmera FLIR  escaneia e captura a textura térmica do ambiente. A imagem capturada é então processada no computador o principal. O resultado é fornecido para as placas de camuflagem ativa para imitar a textura térmica do ambiente ao redor do veículo. Mesmo que as placas de camuflagem ativa estejam localizadas perto de uma fonte de calor elevada, tal como o motor, a placa não é afetada, e todo o veículo permanece invisível. Seja qual for o ambiente, seja qual for a velocidade, o sistema de controle de assinatura modifica a assinatura térmica para tornar a plataforma invisível.
Black Fox também pode criar falsa consciência situacional  no campo de batalha, gerando uma assinatura térmica falsa de um banco de dados pré-programados. Podendo assim, simular a assinatura de outros veículos. Um MBT   pode exibir assim a assinatura térmica de um Humvee ou um mesmo veículo civil.
Então, ao mascarar ou dissimular a sua assinatura térmica, são fornecidos ao usuário segundos cruciais para ver primeiro, atirar primeiro, e enfim, destruir primeiramente o inimigo.
Iron Curtain (APS) - Em desenvolvimento.
O Iron Curtain (APS) é um sistema de proteção ativa projetado pelo Artis, uma empresa americana de fabricação e desenvolvimento de tecnologia localizada em Herndon, Virginia. O sistema é projetado para proteger os veículos militares de mísseis antitanque, foguetes e granadas.
Quick Kill (APS) - Em desenvolvimento
Quick Kill (APS) é um sistema de proteção ativa projetado para destruir mísseis antitanque, foguetes e granadas. O sistema Quick Kill foi concebido e produzido pela Raytheon para o Exército dos EUA, fazendo parte do Sistema de Combate Futuro do Exército dos Estados Unidos.
AN/VLQ-6 Missile Countermeasure Device (MCD) Operacional desde 1990
Alguns M1 Abrams estão equipados com um sistema de proteção ativa softkill, designado AN/VLQ-6 Missile Countermeasure Device (MCD), que interfere nos sistemas de orientação de alguns mísseis guiados antitanque (ATGM) de orientação por comando semiautomático para linha de visada (SACLOS), guiados por fio, por rádio ou por infravermelho. O AN/VLQ-6 funciona emitindo um sinal de infravermelho extremamente poderoso, confundindo assim o sistema de guiagem do ATGM. No entanto, a principal desvantagem do sistema é que o ATGM não é destruído, mas somente dirigido para longe do seu alvo. Este dispositivo é montado sobre o alto da torre, na frente da escotilha do municiador.

Acima: O sistema AN/VLQ-6 Missile Countermeasure Device (MCD) já é operado em alguns MBTs M-1Abrams desde os anos 90.

PROPULSÃO
A propulsão dos vários modelos do M1 Abram é feita pela turbina a gás Honeywell AGT1500, com potência máxima de 1500 hp, podendo utilizar vários tipos de combustível disponíveis (diesel, gasolina, combustível de aviação), dando-lhe uma velocidade máxima controlada de 45 mph (72 km / h) em estradas pavimentadas e 30 mph (48 km / h) em terreno acidentado.
O AGT1500 é muito confiável em operação, no entanto, seu consumo de combustível é alto (somente para dar a partida no mesmo, consome-se 38 litros). O motor queima mais 6,3 litros por milha (230 litros por hora) quando viajam em terreno acidentado e 38 litros por hora quando ocioso. Problemas quanto á emissão de radiação infravermelha também é uma característica deste motor, o qual faz o Abrams ser suscetível a ser detectado no campo de batalha

Acima: Turbina a gás Honeywell AGT1500 sendo retirada para manutenção.

PRINCIPAIS VERSÕES DE COMBATE
M-1 (1980) – Modelo básico com armamento principal de 105 mm com 55 tiros
M-1A1 (1984) – Novo armamento principal calibre 120 mm modelo M256, com 40 tiros
M-1A1HA (1988) – Torre reforçada com DU (Depleted Uranium – urânio empobrecido) de primeira geração.
M-1A1HC (1990) – Aumento para 42 disparos.
M-1A1NA + (1991) – Torre reforçada com DU (Depleted Uranium – urânio empobrecido) de segunda geração.
M-1A2 (1994) – O M1A2 oferece o comandante visão térmica independente e capacidade para, em seqüência rápida, atirar em dois alvos, sem a necessidade de adquirir cada um em sequência.
M-1A2 SEP (1999) - Câmeras de imagem térmica de 2 ª geração, DU de terceira geração
M-1A2 SEP V2 (2008) -  Telas coloridas para a exibição situação tática, com vistas eletro-ópticos e canais infravermelhos, motor modificado e novos meios de comunicação que são compatíveis com as redes de informação unidades de combate de infantaria e suas formações. Modernização também inclui a introdução de outras tecnologias desenvolvidas no âmbito do programa “Future Combat Systems”.
M-1A2S (2011) – Modernização dos M1A1 e M1A2 das Forças Armadas da Arábia Saudita.
Tank Urban Survival Kit (TUSK) – Aumento da capacidade de combate em áreas urbanas, concebido para instalação em MBT’s M1A1 e M1A2, proteção dinâmica para aumentar a blindagem lateral, visão térmica para a metralhadora M-240, escudos para proteger o comandante e o carregador quando vistos a partir das escotilhas abertas, novo sistema de comunicação com a infantaria, metralhadora M-2 controlada remotamente (CROWS II).

Acima: Podemos ver neste diagrama os sistemas que compõe o Tank Urban Survival Kit (TUSK)

PRINCIPAIS VERSÕES DE APOIO AO COMBATE 
M-1 Grizzly Combat Mobility Vehicle (CMV): Veículo especializado em limpar campos minados, neutralizar obstáculos, demolir bermas e preencher valas anticarro para as forças móveis.
M-1 Panther II Mine Clearing Vehicle (MCV): Veículo especializado em detecção e limpeza de minas.
M-104 Wolverine Heavy Assault Bridge (HAB): Veículo especializado lançador de ponte, com ponte de 26 metros de comprimento.
M-1 ABV Assault Breacher Vehicle (ABV): Veículo concebido para limpeza de campos minados e obstáculos complexos para o USMC.

Acima: Aqui temos um M-1 Panther II Mine Clearing Vehicle (MCV) que opera limpando campos minados.
ABAIXO UM POUCO MDE MOVIMENTO A MATÉRIA! O M-1 AMBRAMS EM AÇÃO.

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sexta-feira, 6 de junho de 2014

CLASSE TICONDEROGA. A escolta antiaérea da marinha dos Estados Unidos

FICHA TÉCNICA
Tipo: Cruzador de escolta..
Tripulação: 350 tripulantes (incluindo 24 oficiais)
Data do comissionamento:  28 de Janeiro de 1983.
Deslocamento: 9500 toneladas (totalmente carregado).
Comprimento: 172,8 mts.
Calado: 9.5 mts.
Boca: 16.8 mts.
Propulsão: 4 turbinas a gás GE LM 2500 de 80000 SHP
Velocidade máxima: 32 nós (60 km/h).
Alcance: 11100 Km
Sensores: Radar SPY-1 AEGIS, multifuncional, radar de busca de superfície AN/ SPS 55, Sistema de controle de fogo feito por 4 radares SPG-62 ,Sonar SQQ 89 (V)6
Armamento: 2 lançadores verticais MK41 totalizando 127 células para mísseis Tomahawk, Standard SM2, SM-3 Anti balístico, Asroc VLA. 1 canhão MK45 de 127 mm; 2 canhões MK15 Phalanx de 20 mm CIWS. 2 lançadores quádruplos de mísseis Harpoon antinavio. 2 lançadores triplos MK-32  para torpedos pesados MK46/ MK50.
Aeronaves:  2 helicópteros Sikorsky SH-60B Seahawk

DESCRIÇÃO
Por Carlos E. S Junior
A classe Ticonderoga representa a mais recente classe de cruzadores de escolta da marinha norte americana US Navy. Comissionado no começo de 1983, sua principal função tem sido, desde então, a de escoltar os grupos de batalha baseados em porta aviões da US Navy, para que os ataques de saturação, usados como tática antinavio da extinta União Soviética, fossem anulados. O navio foi projetado em cima do antigo projeto do destróier Spruance, que tinha um casco muito grande para esse tipo de navio e era o mais adequado para se instalar a eletrônica necessária para o sistema antiaéreo AEGIS funcionar.
Aproveitando que comentei do sistema AEGIS, o USS Ticonderoga foi o primeiro navio, a usar esse sistema, que envolve radares e mísseis, para defesa aérea.  Com o desenvolvimento tecnológico, foi possível diminuir o tamanho desse sistema a instala-lo, posteriormente nos navios da classe Arleigh Burke, como mostrado em matéria anterior.
Acima: O Ticonderoga é a única classe de cruzador a serviço da marinha dos Estados Unidos. Atualmente 22 deles estão em serviço nos mares do mundo.
No Ticonderoga, o radar de busca é o AN/ SPY-1 da Lockheed Martin, de varredura eletrônica passiva que permite monitorar 200 alvos simultaneamente num alcance de 370 Km e atacar os 20 alvos prioritários simultaneamente. Essa capacidade permite aos navios desta classe, negar o seu espaço aéreo a sua volta com grande eficiência. Para apoio ao radar SPY-1, está instalado um radar de busca aérea AN/ SPS-49, de longo alcance, que permite detectar um avião de grandes dimensões, como uma aeronave de patrulha marítima voando alto a 550 Km. O radar de busca de superfície é o AN/ SPS-55, que pode detectar um navio a 100 km, aproximadamente e o radar de controle de fogo para os canhões MK-86 é o AN/ SPQ-9B que tem alcance Maximo de 37 Km. Para a proteção contra submarinos, existe um complexo sistema de sonar AN/ SQQ-89, que agrega um sonar ativo AN/ SQS-53B/C montado no casco do navio, com um sonar passivo rebocado AN/ SQR-19B. No apoio contra submarinos, o Ticonderoga opera dois helicópteros Sikorsky SH-60B Seahawk, que são armados com torpedos MK-46 e estão equipados com um radar APS-124 e sonobóias ASQ-81 (V) 2 MAD.
Acima: Abaixo da ponte, podemos ver com uma das antenas do radar Spy-1, que compõe o sistema AEGIS.
A propulsão deste navio é fornecida por 4 turbinas a gás General Electric LM 2500 com dois eixos que desenvolvem 80000 HP e levam este grande navio a 60 Km/h (32 nós), para poder acompanhar os grandes porta aviões da esquadra americana. Sua autonomia é de 11100 km, lhe garantindo atingir a maior parte dos lugares do mundo antes de precisar ser reabastecido.
O armamento do Ticonderoga, era composto, inicialmente por dois lançadores de mísseis MK 26 para dois mísseis SM-2 Standard ou dois mísseis ASW ASROC, e que posteriormente, foi substituído pelo bem mais moderno lançador vertical MK-41 para 127 mísseis que podem ser o míssil de cruzeiro BGM-109C Tomahawk, capaz de destruir alvos em terra, a 1700 km com uma potente ogiva unitária de 450 kg de alto explosivo, ou ainda, a versão D, que usa uma ogiva de fragmentação (submunições como pequenas granadas que se espalham), cujo alcance é de 1300 km. Para defesa antiaérea é usado o míssil RIM-66C SM-2MR, cujo alcance chega a 74 km, guiados por radar semiativo. A ultima versão desta numerosa família de mísseis é a versão RIM-161 SM-3, desenvolvida dentro dos requisitos de defesa antibalística BMD (defesa antimíssil balístico). O SM-3 é uma arma especializada, e sua ogiva não possui explosivo, sendo usada, exclusivamente a força cinética, ou seja, impacto direto contra o míssil balístico inimigo. O seu sistema de guiagem é por radar semiativo, sendo no final do curso, ativado um sensor de infravermelho LWIR. O alcance é de 700 km e seu objetivo é destruir alvos em órbita, como as ogivas de mísseis balísticos de médio alcance ou mesmo satélites em orbitas baixas. A ultima versão deste míssil, a SM-3 Block IIA tem alcance aumentado para 2500 km e capacidade de destruir um alvo a 1500 km de altitude (orbital). Para atacar submarinos são usados os mísseis RUM-139 VL, ASROC que transporta um torpedo leve MK-46 ou MK-54 até um ponto próximo do contato sonar onde o alvo foi detectado até um alcance máximo de 22 km. Para mísseis antinavio Harpoon, foi instalado dois lançadores quádruplos MK-141. Esse míssil guiado por radar ativo, tem um alcance de 130 km e voa rente ao mar (sea Skimming) em velocidade subsônica.

Acima: Nesta foto podemos ver um Ticonderoga no momento do lançamento de um míssil antiaéreo SM-2MR Standard. 
Para alvos diversos, 2 canhões MK-45 de 127 mm e fogo automático, pó ser usado para .destruir alvos aéreos e atacar pequenas embarcações. Existem, ainda 2 canhões CIWS Phalanx MK-15 de 6 canos rotativos e calibre 20 mm para destruir aviões e mísseis que se aproximarem para perto da embarcação. E por ultimo, foi instalados 2 lançadores triplos de torpedos pesados MK-46 e MK-50.  Com esse armamento todo, este cruzador, é uma valiosa peça da dissuasão norte americana no mundo, e uma poderosa escolta para proteger os bilhões de dólares investidos nos super porta aviões dos EUA.
Acima: O míssil de cruzeiro BGM-109C Tomahawk representa o mais valioso armamento para destruir alvos em terra firme, localizados profundamente no território inimigo. Esse recurso faz com que navios de guerra como o Ticonderoga, descrito neste artigo, sejam um multiplicador de forças para marinha norte americana.
Após os ataques de 11 de setembro de 2001, quase todos os sistemas de armas das forças americanas foram otimizadas para poderem operar em múltiplas funções e com isso conseguir um melhor resultado frente ao combate ao terrorismo, e os navios da classe Ticonderoga, foram atualizados para essa nova guerra que foi declarada aos Estados Unidos. Por isso, um navio antes especializado na guerra antiaérea, é hoje um poderoso sistema multimissão, capaz de infligir pesados danos, mesmo em alvos em terra recuados mais de 2000 Km terra adentro.

Acima: Mesmo sendo um grande navio, os navios da classe Ticonderoga não possuem um hangar de manutenção para aeronaves, porém há um heliporto na popa para operação de um helicóptero SH-60 Seahawk.




ABAIXO UM DOCUMENTÁRIO SOBRE O CRUZADOR DA CLASSE TICONDEROGA

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