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terça-feira, 9 de novembro de 2021

CLASSE VANGUARD. Dissuasão estratégica britânica.


HMS VANGUARD S-28

FICHA TÉCNICA
Tipo: Submarino estratégico lançador de mísseis balísticos.
Data de comissionamento: Agosto de 1993
Comprimento: 149,9 m.
Largura: 12,8 m.
Calado: 12 m.
Deslocamento: 16000 toneladas.
Velocidade máxima: 25 nós (46 km/h).
Profundidade: 500 m (Máxima).
Armamento: 4 Tubos para torpedos de 533 mm Spearfish, 16 mísseis SLBM UGM-133 Trident D-5.Tripulação: 111 homens.
Tripulação: 135 marinheiros
Propulsão: Um reator nuclear Rolls-Royce PWR-2 que produz 27500 hp potencia, mais duas turbinas a gás GEC.

DESCRIÇÃO
Por Carlos Junior
A capacidade de dissuasão estratégica da Inglaterra está centrada, atualmente em seus 4 submarinos SSBN da classe Vanguard, cujo primeiro navio foi comissionado em agosto de 1993. O Vanguard é o maior submarino construído pela Inglaterra e sua capacidade se aproxima da encontrada nos submarinos norte-americanos da Classe Ohio, já descrita aqui no WARFARE Blog.
O Vanguard tem um deslocamento de 16000 toneladas quando submerso e um comprimento de 149,9 metros. Para mover essa massa toda, é usado um reator nuclear Rolls-Royce PWR-2 cuja capacidade permite  que o Vanguard possa dar 40 voltas em volta da Terra sem precisar reabastecer de combustível atômico. Logicamente que o navio precisará de reabastecimento de alimentos e viveres da tripulação. Esse reator alimenta duas turbinas GEC que desenvolvem 27500 Hp de força movendo um eixo que produz um jato de água, sistema muito mais silencioso de operar quando a discrição é caso de vida ou morte, como no caso de um submarino. Esse sistema propulsor permite ao Vanguard atingir velocidades de até 25 nós (46 km/h) quando submerso.
O sistema de jato de agua usado pelos submarinos da classe Vanguard representam o que há de mais silencioso para propulsão desse tipo de embarcação atualmente.

A suíte eletrônica que equipa este submarino possui diversos tipos de sonares dando uma alta flexibilidade para lidar com ameaças submarinas avançadas. 
Um sistema de sonar multifrequência composto chamado de Type 2054 da Thales Underwater System que foi modernizado pela Lockheed Martin UK, contratada em setembro de 2006 para incorporar uma nova arquitetura do tipo aberta para poder receber peças disponíveis em sistemas comerciais baixando os custos operacionais e facilitando a logística para manutenção, foi implementada. O sonar rebocado é o Type 2046 que faz buscas passivas em frequência ultrabaixas. Há um sonar Type 2043 montado no casco do Vanguard que opera busca de forma ativa e passiva além de um sonar Type 2082 passivo que intercepta os alvos dando sua distancia. Esse sistema permite que o detecte o som de um navio de superfície a pouco mais de 80 km. O Vanguard conta, ainda, com um radar de navegação Type 1007 fornecido pela empresa Kevin Hughes. 
Como se pode ver, a suíte de sensores submarinos incorporados ao Vanguard é bastante completa dando uma capacidade de detecção extremamente eficiente para o comandante do submarino.
Para lidar com as ameaças de ataque de um inimigo, o Vanguard está equipado com contramedidas contra torpedos SSE Mark 10 composto de dois lançadores de iscas além de um sistema de apoio a guerra eletrônica UAP Mark-3, fornecido pela Thales Defense.

Operadores na sala de sonar do Vanguard.

O armamento do Vanguard é composto de 16 mísseis balísticos intercontinentais Lockheed UGM-133 Trident D-5 SLBMs com alcance estimado de 12000 km ( O valor exato é um dado classificado) e podendo carregar até 14 ogivas MIRV porém, esse numero foi reduzido após  a assinatura do acordo START-1, para 8 ogivas Holbrook com rendimento de 100 Kilotons cada. A margem de erro da ogiva está em 90. metros do ponto previsto o que pode ser considera relativamente bem preciso dado a potencia desta ogiva. É interessante notar que a Inglaterra é o único país que conseguiu importar mísseis nucleares dos Estados Unidos oficialmente (Israel usa tecnologia norte americana em seus artefatos atômicos). 
O míssil SLBM Trident II D5 é a razão de ser dos submarinos estratégicos da classe Vanguard.

Ao todo um submarino da classe Vanguard transporta, atualmente, 128 ogivas atômicas divididas em 16 mísseis balísticos Trident D-5. Também há 4 tubos de torpedos de 533 mm armados com o torpedo pesado Spearfish que foi desenvolvido pela BAE System Underwater, para destruir alvos submarinos e de superfície. Este torpedo é guiado por fio e tem um sonar interno que opera na fase final do ataque. Seu alcance é de 54 km a baixa velocidade ou de 26 km em alta velocidade.
A capacidade de defesa anti submarino e antinavio desse submarino dica a cargo do poderoso torpedo pesado Spearfush.

O Vanguard está equipado com diversos sonares. Um sistema de sonar multifrequência composto Type 2054 da Thales Underwater System que foi modernizado pela Lockheed Martin UK, contratada em setembro de 2006 para incorporar uma nova arquitetura do tipo aberta para poder receber peças disponíveis em sistemas comerciais baixando os custos operacionais e facilitando a logística de peças. O sonar rebocado é o Type 2046 que faz buscas passivas e ativas em frequência ultrabaixas. Há um sonar Type 2043 montado no casco do Vanguard que opera busca de forma ativa e passiva além de um sonar Type 2082 passivo que intercepta os alvos dando sua distancia. O Vanguard conta, ainda, com um radar de navegação Type 1007 fornecido pela empresa Kevin Hughes. 
Como se pode ver, a suíte de sensores submarinos incorporados ao Vanguard é bastante completa dando uma capacidade de detecção extremamente eficiente para o comandante do submarino. 
O Vanguard está equipado com contramedidas para despistar torpedos inimigos SSE Mark 10 composto de dois lançadores de iscas além de um sistema de apoio a guerra eletrônica UAP Mark-3, fornecido pela Thales Defense
Embora a classe de submarinos Vanguard já esteja em serviço há quase 30 anos, sua suíte eletrônica foi sendo atualizada, e mesmo   próximo de sua aposentadoria, quando for substituído pela nova classe Dreadnought a partir de 2030.

O Vanguard pode ser considerado um dos mais poderosos sistemas de armas já construídos. Além da Inglaterra, apenas a Rússia, China, França e Estados Unidos dispões de submarinos nucleares armados com mísseis balísticos SLBMs capazes de arrasar um pequeno país a milhares de quilômetros. Os Submarinos SSBN são uma arma formidável até porque torna sua interceptação e destruição, algo quase impossível promovendo a dissuasão estratégica máxima.
Classe Vanguard







                      


ÍNDICE DE NAVIOS DE GUERRA - WARFARE BLOG



quarta-feira, 22 de setembro de 2021

Disputa dos submarinos: a França tem "todo o direito de ficar com raiva", diz o ex-primeiro-ministro australiano


Por Marc Perelman, The Interview/France 24, 22 de setembro de 2021.

Tradução Filipe do A. Monteiro, 22 de setembro de 2021.

O ex-primeiro-ministro australiano Kevin Rudd classificou a atual disputa de submarinos com a França como um "desastre de política externa e segurança nacional" para seu país. Rudd disse ao FRANCE 24 que a França tinha "todo o direito de ficar com raiva" com a perda repentina de um contrato de submarino multibilionário com a Austrália, depois que Canberra optou por comprar submarinos nucleares dos Estados Unidos. Ele também pediu uma investigação parlamentar sobre a decisão do primeiro-ministro Scott Morrison.

O ex-premier australiano Kevin Rudd rejeitou o argumento do primeiro-ministro Scott Morrison de que uma mudança para a aliança AUKUS (Australia-UK-US/Austrália-Reino Unido-EUA) atenderia aos interesses de segurança nacional da Austrália, principalmente a crescente ameaça da China. Rudd disse que quando estava no poder há uma década, a ameaça da China já era uma grande prioridade e a principal razão por trás do acordo inicial de submarinos com a França. Rudd disse que a França tem "todo o direito de ficar com raiva" com o acordo cancelado, expressando preocupação de que a crise diplomática tenha efeitos duradouros e prejudiciais sobre o relacionamento bilateral.

Rudd disse ao FRANCE 24 que o governo australiano deveria ter notificado o governo francês e a empresa francesa que construiu os submarinos sobre suas intenções de trocar os submarinos movidos a diesel por submarinos nucleares. Ele acrescentou que, em vez de simplesmente escolher a oferta americana, Canberra deveria ter deixado a França concorrer em uma nova licitação. Além disso, afirmou que a decisão atrasaria a entrega dos submarinos e deixaria seu país “nu” durante a década de 2030.

Finalmente, Rudd pediu uma investigação parlamentar sobre a decisão, enfatizando que os contribuintes australianos precisam saber exatamente como a decisão se desenrolou e quanto ela vai custar-lhes.

O caso dos submarinos: "Macron fez bem em agir com firmeza", defende Sarkozy


Por Wally Bordas, Le Figaro, 22 de setembro de 2021.

Tradução Filipe do A. Monteiro, 22 de setembro de 2021.

O ex-Presidente da República considera que o incumprimento deste contrato internacional de mais de 56 bilhões de euros "não é admissível".

A quebra do "contrato do século" não foi digerida. Após as inúmeras reações de toda a classe política, após o torpedeamento da venda de submarinos franceses para a Austrália, é a vez de Nicolas Sarkozy se manifestar. “Acho que o presidente Macron teve razão em reagir com firmeza”, determinou o ex-presidente da República, poucos minutos antes da sessão de autógrafos de seu novo livro Promenades (Ed. Herscher), em Neuilly-sur-Seine.

“Entre aliados, isso não se faz. (...) Quando se é amigo, dá-se direitos e cria-se deveres, e agir assim não é inadmissível. Teremos que tirar as consequências”, acrescentou Nicolas Sarkozy.

“Macron estava certo em agir com firmeza”, disse Nicolas Sarkozy.

"Era uma mentira"

Durante vários dias, o cancelamento deste megacontrato esteve no centro das notícias. A França acusa os Estados Unidos de ter concluído uma nova aliança pelas suas costas, que fará com que a Austrália se equipe com submarinos americanos, o que afunda uma encomenda gigantesca de mais de 56 bilhões de euros feita pelos australianos aos franceses há alguns anos.

Jean-Yves Le Drian, ministro das Relações Exteriores, falou de uma "grave crise" entre os Estados Unidos, Austrália e França. O chefe da diplomacia anunciou a retirada dos embaixadores franceses em Canberra e Washington. Um primeiro “ato simbólico” na história das relações entre Paris e Washington.

“Chamamos de volta os nossos embaixadores para tentar compreender e mostrar aos nossos antigos países parceiros que temos uma insatisfação muito forte, que existe realmente uma grave crise entre nós”, explicou. E para acrescentar: "Houve uma mentira, houve duplicidade, houve uma grande quebra de confiança, houve desacato, então as coisas não vão bem entre nós".

O governo australiano defendeu-se, afirmando que a França tinha sido avisada "na primeira oportunidade possível, antes que o assunto se tornasse público". Por sua vez, os Estados Unidos indicaram que desejam continuar a trabalhar "em estreita colaboração com a França na zona do Indo-Pacífico". O presidente Joe Biden e Emmanuel Macron também concordaram em uma entrevista por telefone, incluindo "impaciente" para se encontrar com o presidente da República Francesa.

sábado, 2 de novembro de 2019

PROJECT 949A ANTEY (OSCAR II). O indestrutivel dos mares.


FICHA TÉCNICA 
Comprimento: 154 m.
Largura: 18,2 m. 
Calado: 9 m. 
Deslocamento: 23000 toneladas quando submerso.
Velocidade máxima: 32 nós (59 Km/h) submerso ou 15 nós (28 km/h) na superfície.
Profundidade: 500 m normalmente, mas pode chegar a 830 m no máximo. 
Armamento: 4 Tubos para torpedos de 533 mm, 2 tubos para torpedos de 650 mm, somando 24 torpedos;  Míssil anti submarino RPK-2 Viyuga (SS-N-15 Starfish) lançados dos tubos de torpedo de 533 mm; missil antinavio RPK-6 Vodopad (SS-N-16 Stallion) lançados dos tubos de 650 mm; 24 mísseis antinavio P-700 Granit (SS-N-19 Shipwreck). 
Tripulação: 94 a 107 homens.
Propulsão: 2 reatores nucleares OK-650B que produz  e 2 × turbinas a vapor tipo GTZA OK-9 entregando 73.070 kW (98000 shp) para dois eixos.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

PROJETO 971 SHCHUKA – B “AKULA”. O silencioso caçador russo.

 
FICHA TÉCNICA
Tipo: Submarino nuclear de ataque.
Data de comissionamento: 1985.
Comprimento: 110,3 m (114,3 m Akula II).
Boca: 13,6 m.
Calado: 9,68 m.
Deslocamento: 12770 toneladas; (13800 toneladas Akula II).
Velocidade máxima: 33 nos (61 Km/h) submerso.
Profundidade: 600 metros (estimado).
Armamento: 4 Tubos para torpedos de 533 mm do tipo USET-80 e Fizik-1; 4 Tubos para torpedos de 650 mm do tipo 65-76A Kit; Mísseis 3K10 GRAU (SS-N-21 Sampson); Míssil RPK-2 (SS-N-15 Starfish). Ao todo, podem ser transportados 40 munições configuradas com estas armas. Mísseis 3M-54 Kalibr.
Tripulação: 79 homens.
Propulsão: Um reator nuclear OK-650B pressurizado a agua que produz 190 MW, Uma turbina a vapor OK-9VM que produz 50000 Hp de força mais 2 motores auxiliares OK-300 com um rendimento de 410 Hp cada.

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

CLASSE SEAWOLF. O Ultimo filho da guerra fria

FICHA TÉCNICA
Tipo: Submarino nuclear de ataque.
Data de comissionamento: Julho de 1997.
Comprimento: 107,6 m.
Largura: 12,2 m.
Calado: 11 m.
Deslocamento: 9285 toneladas.
Velocidade máxima: 30 nos (56 Km/h) submerso.
Profundidade: 500 metros (estimado).
Armamento: 8 Tubos para torpedos de 660 mm Mk-48 ADCAP mod 6, Mísseis UGM-84 Sub Harpoon, mísseis BGM-109 Tomahawk, Ao todo podem ser transportados 50 munições configuradas com estas 3 armas.
Tripulação: 140homens.
Propulsão: Um reator nuclear Westinghouse S6W PWR, e duas turbinas que juntas produzem 52000 hps.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

CLASSE VIRGINIA. O avançado caçador da US Navy

FICHA TÉCNICA
Tipo: Submarino nuclear de ataque
Data de comissionamento: Outubro de 2004
Comprimento: 114,9 m.
Largura: 10,36 m.
Calado: 9,3 m.
Deslocamento: 7800 toneladas.
Velocidade máxima: 25 nos (46 Km/h) submerso
Profundidade: maior que 240 metros
Armamento: 4 Tubos para torpedos 533 mm (13 torpedos MK-48), 12 tubos verticais para lançamento de mísseis BGM-105 Tomahawk.
Tripulação: 134 homens.
Propulsão: Um reator nuclear General Electric S9G e duas turbinas a vapor que produzem 40000 hp de potencia.

DESCRIÇÃO
Por Carlos E.S.Junior
Um dos pontos mais importantes de uma marinha séria é sua capacidade de combate fornecida por seus submarinos. Dentro da estratégia de defesa que um país tenha, a quantidade, qualidade e capacidade de seus submarinos vão ditar o sucesso ou o fracasso dessa estratégia de defesa. Os Estados Unidos possuem uma politica internacional altamente intervencionista e por isso, mantem uma força militar, nas suas 4 forças armadas, bastante numerosa. No caso da Marinha (US Navy), em especial, sua força é incontestavelmente a mais poderosa do mundo numericamente e em sofisticação. Só de submarinos nucleares de ataque (sem misseis balísticos), são 54 embarcações! Muitos países não tem esses numero somando todos seus tipos de navios! O submarino nuclear mais numeroso na US Navy é o da classe Los Angeles, com 39 embarcações operacionais na data de hoje. Esta classe, no entanto, já sente o peso de sua idade, afinal de contas, trata-se de um projeto da década de 70 do século passado. Os Estados Unidos pretendiam substituir essa classe ainda no final da guerra fria com seu poderoso submarino classe Sea Wolf que em breve estará sendo descrito neste site também. Porém a soma de fatores como o fima da guerra que levou a uma mudança na ordem mundial, a crise que a assolou a Rússia neste mesmo período, e os elevadíssimos custos envolvidos no programa Sea Wolf, foi decidido que o investimento nessa classe não seria necessário de forma que apenas 3 unidades do Sea Wolf foram concluídas e colocadas em serviço. A US Navy precisava de um submarino mais econômico e que fosse mais versátil que o Sea Wolf e que pudesse ser usado em missões de águas rasas, onde a guerra assimétrica, novo tipo de conflito, passara a ser mais relevante.
Acima: O Virginia em sua fase final de construção antes de ir ao mar. Esta classe manterá a capacidade de combate da marinha dos Estados Unidos entre as três mais poderosas do planeta.
Dentro das necessidades expostas no primeiro paragrafo, a General Dynamics Electric Boat foi contratada em 1991 para desenvolver um submarino nuclear de ataque que preenchesse os requisitos de flexibilidade de emprego e menores custos de aquisição e manutenção que os poderosos submarinos Sea Wolf, para poder assumir o lugar dos numerosos submarinos da classe Los Angeles.
O primeiro submarino da classe,  USS Virginia foi comissionado em outubro de 2004 e desde então, 11 novos submarinos desta classe seguiram, sendo que o planejamento é de incorporar 48 unidades deste moderno submarino.
O sistema de propulsão do nuclear do Virginia usa um reator General Electric S9G que move um subsistema de hidro jato (pump jet) onde uma hélice com várias pás gira dentro de um duto produzindo um sistema muito eficiente de impulsão e mais silencioso que o tradicionais sistema de hélices usadas em submarinos mais antigos. O sistema todo produz  40000 Hp de força e 30000 KW de energia. O reator tem combustível nuclear para operar ininterruptamente por 33 anos (sim, você leu certo. São trinta e três anos sem reabastecimento). na verdade o submarino só vai parar para reabastecer os insumos de sobrevivência da população como alimentos, medicações, etc.
este sistema permite ao Virginia atingir uma velocidade de 25 nós (6 km;h) quando submerso, e seu casco suporta profundidades superiores a 240 metros (o dado exato é classificado).
Acima: O sistema de propulsão nuclear Genreal Electric S9G fornece 40000 Hp e precisam ser reabastecido a cada 33 anos.

Acima: O Virginia usa um sistema de impulsão conhecido como hidro jato (Pump Jet) mostrado neste desenho. este sistema permite maior eficiência além de um funcionamento mais silencioso.
Os submarinos desta classe possui um sistema sofisticado de comunicação via satélite (SATCOM) que é fornecido pela Raytheon. Através deste sistema, que fica montado no mastro do submarino é é operado a profundidade de periscópio, onde apenas a antena do sistema fica exposta fora da água, o Virgina recebe dados de voz, imagens, vídeo conferência através do serviço de transmissão global fornecido pela constelação de satélites Milstar e satélites de comunicação militar. O submarino também tem acesso a internet através de um sistema chamado FORCEnet o que permite o intercambio de dados militares entre os navios da frota norte americana e ainda dá a possibilidade da tripulação poder se conectar com seus familiares amenizado o natural estresse da atividade militar preso dentro de um submarino.
O Virginia possui uma suite de sonares composta pelo sonar AN/BQQ-10(V4) , que é um sensor de nova geração que também foi instalado nos submarinos da classe Sea Wolf e nas modernizações dos velhos submarinos da classe Los Angeles. Além desse sonar, foi instalado um sonar rebocado no estado da arte, TB-29 que fornece detecção, dados da localização e classificação da ameaça. Por ultimo, o sonar TB-34 rebocado, também mas otimizado para ser usado em águas rasas próximo ao litoral, onde existe uma exposição maior a congestionamento de sinais desordenados naturais.
Também foi instalado um radar AN/BPS-16 que é usado para fornecer maior segurança de navegação, além de um aumento da consciência situacional através da detecção de aeronaves voando baixo.
Acima: Internamente, o marinheiro que trabalha nas operações desta moderna maquina de combate, pode se sentir como em uma nave de filmes de ficção cientifica. Sensores no estado da arte, e diversos displays centralizam a maioria das informações criticas para a missão facilitando a tomada de decisões.
A capacidade ofensiva do Virginia vem de seus 4 tubos de torpedos pesados de 533 mm equipados com torpedos MK-48 ADCAP Mod 6 cujop alcance varia de 38 a 50 km dependendo da velocidade configurada. este torpedo possui uma potente ogiva de 292,5 kg de alto explosivo. Seu sistema de guiagem usa um sonar próprio que opera passiva e ativamente. também, pelos mesmos tubos, o Virginia pode empregar os mísseis anti navio UGM-84D Sub Harpoon, com alcance de 140 km e guiado por radar ativo. este míssil transporta uma ogiva de 221 kg de alto explosivo e pode por a pique navios do tamanho de um destróier com um só impacto. Os tubos de torpedos podem, também, lançar minas navais MK-60 Captor.
Porém o armamento que mais chama a atenção no Virginia são os 12 lançadores verticais a frente da vela, onde são lançados mísseis BGM-109 Tomahawk, que são usados para atacar alvos de superfície, principalmente em terra graças a seu alcance que varia de 1700 a 2200 km dependendo da versão do míssil.; O Tomahawk usa um sistema de guiagem complexo composto por INS, GPS, TERCOM (Mapas do terreno previamente gravados na memoria de navegação do míssil) DSMAC (Digital Scene-Mapping Area Correlator) que integra o Tercom com um sistema de guiagem terminal e um radar ativo. A margem de erro do Tomahawk é de apenas 5 metros (o comprimento de um carro de luxo). Ou seja, o alvo será destruído, mesmo que ele o erre, uma vez que sua ogiva pode ser de 450 kg de alto explosivo, Fragmentação, sub munições ou mesmo uma W-80 nuclear com rendimento de até 150 Kt. (A que explodiu Hiroshima tinha 15 Kt apenas).
Acima: O armamento disponível nos submarinos da classe Virginia é composto por 4 tubos de torpedos pesados de 533 mm para torpedos MK-48 ADCAP Mod 6; Mísseis anti-navio Sub Harpoon; Minas navais MK-60 Captor, e 12 tubos verticais para lançamento de mísseis Tomahawk.
O moderno submarino da classe Virginia vai permitir aos Estados Unidos uma grande capacidade de se contrapor aos poderosos submarinos de ataque russos graças a seus sistemas no estado da arte e a grande capacidade de operar de forma silenciosa. Além disso, esta flexível plataforma de ataque, será muito útil em reforçar os grupos de batalha em termos de poder de fogo contra alvos de superfície com seus mísseis Tomahawks. Está previsto que esta classe de submarinos opere até o final dos anos 60, o que dará um tempo de vida operacional de mais de 55 anos quando o ultimo submarino desta classe der baixa do serviço ativo.
Acima: Aqui podemos ver um infográfico com os principais sistemas do submarino da classe Virginia.


ABAIXO TEMOS UM VÍDEO COM O VIRGINIA

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quarta-feira, 25 de novembro de 2015

CLASSE LE TRIOMPHANT. Dissuasão ala francesa



FICHA TÉCNICA
Tipo: Submarino estratégico lançador de mísseis balísticos.
Data de comissionamento: Março de 1997.
Comprimento: 138 m.
Largura: 12,50m.
Calado: 10,60 m.
Deslocamento: 14335 toneladas (Submerso e totalmente carregado).
Velocidade máxima: 25 nós (47 Km/h submerso).
Profundidade: 400 m.
Armamento:  4 Tubos para torpedos de 533 mm para torpedos ECAM L-5 Mod 3, Mísseis anti-navio SM-39 Exocet, e 16 mísseis SLBM M-45 ou o novo M-51.
Tripulação: 111 homens.
Propulsão: Um reator nuclear Type K-15 com 41500 Hp. Propulsão auxiliar é feita por um motor elétrico alimentado por 2 alternadores diesel elétrico SEMT-Pielstick 8PA-4 V200 que produzem 950 Hp cada.


DESCRIÇÃO
Por Carlos E.S.Junior
O submarino francês da classe Lê Triumphant representa o que há de mais moderno na industria naval francesa em termos de submarinos lançadores de mísseis balísticos. Ele é o responsável pela dissuasão nuclear francesa nos dias de hoje e será por muitos anos ainda. O Lê Triomphant foi desenvolvido para substituir o submarino da classe Lê Inflexible, que usava os mísseis M-45.
Inicialmente o Lê Triomphant, também foi armado com 16 desses mísseis M-45, cuja capacidade é de transportar 6 ogivas nucleares com 150 Kilotons cada a uma distancia máxima de 6000 km. Essa ogivas são do tipo MIRV (Multiple independently targetable reentry vehicle, ou veículos de reentrada independentemente direcionados) e tem uma margem de erro (CEP) de cerca de 500 m. Para quem não compreende o que significa isso, eu explico da seguinte forma. Um míssil M-45 transporta 6 bombas nucleares que são programadas para destruir 6 alvos distintos como 6 cidades por exemplo. Atualmente, este submarino tem sido armado com o mais novo míssil M-51 que entrou em serviço em 2010. Este míssil é, efetivamente, muito mais poderoso que o M-45, pois seu alcance é de de 8000 km e ele transporta de 6 a 12 ogivas MIRVs com 100 kilotons cada. O CEP do M-51, é secreto mas pode-se estimar algo em torno de 10 m a 50 m.
Acima: O míssil balístico M-51 é a arma estratégica mais poderosa fabricada na Europa. Seu alcance chega a 8000 km e ele pode transportar de 6 a 12 ogivas nucleares MIRV com 100 kilotons cada uma.
Além destas armas nucleares, o Lê Triomphant é equipado com armas convencionais. Uma delas é o míssil MBDA SM-39 Exocet. Este é a versão lançado de submarino deste que é um dos mais populares mísseis anti-navio do mundo, graças a seu sucesso na guerra das Malvinas. O SM-39, tem um alcance de 50 km e usa uma ogiva de 165 Kg que é detonada por aproximação ou por retardo após o impacto, sendo que essas opções são configuráveis na hora do lançamento, que é feito pelos tubos de torpedos do Submarino. E falando em torpedos, o Lê Triomphant é armado com 4 tubos de 533 mm que lançam o torpedo ECAN L-5 Mod 3, com um alcance de 7 km e que carrega uma ogiva de 150 kg a uma velocidade de 65 km/h, usando um sonar ativo e passivo para se guiar até o alvo. O Lê Triomphat, transporta 18 desses torpedos pesados.
Acima: O Le Triomphant possui tubos de torpedos pesados de 533 mm, estando dois tubos de cada lado da proa do submarino. Estes tubos operam torpedos ECAN L-5 Mod 3 e mísseis anti-navio SM-39 Exocet.
O Lê Triomphant é equipado com um sonar DMUX-80 fornecido pela Thales Underwater, que permite determinar de forma passiva o alcance do alvo para sua interceptação. Um sonar rebocado DSUV-61B de baixa frequência que opera na banda I permite a identificação de alvos a longa distancia. Além dos sonares, existe o componente de guerra eletrônica, representado pelo sistema de apoio eletrônico DR-3000U. Este sistema é um receptor alerta de radar que opera nas bandas C e J que fica na ponta do mastro, separado da antena de alerta do periscópio. Para navegação é usado um pequeno radar Racal Decca. O Le Triomphant opera 3 computadores de que fazem a alimentação de dados para o armamento empregado pelo submarino. São eles o SAD (Systeme d'Armes de Dissuasion) para os mísseis balísticos; e o SAT (Systeme d'Armes Tactique) para os mísseis anti-navio SM-39 e DLA-4A para os torpedos L-5.
Acima: Com 4 submarinos da classe Le Trimphant, a França possui uma das mais poderosas forças de resposta estratégica do planeta.
O Lê Triomphant é um submarino movido a energia nuclear propulsado por um reator de pressão de água Type  K-15 que providencia 150 MW e 41500 HP de força e que precisa ser reabastecido a cada 20 anos (vinte anos mesmo meu caro leitor. Você não leu errado). A propulsão auxiliar é do tipo diesel elétrica com um motor elétrico alimentado por 2 alternadores a diesel SEMT-Pielstick 8 PA-4 V200. O submarino chega a velocidade máxima de 25 nós (47 km/h) quando submerso e 20 nós (37 Km/h) na superfície. è interessante observar que o Le Triomphant usa um sistema de hidro-jato onde as hélices giram dentro de um duto. esse sistema permite maiores velocidades que com as hélices convencionais. O tempo de submersão é de 60 dias e a profundidade máxima chega aos 500 metros.
Acima:O sistema de propulsão do Le Trimphant agrega a potência de uma planta nuclear com um sistema de hidro-jato que garante um otimo desempenho para um submarino com o grande deslocamento que um SSBM possui.
O Lê Triomphant, comissionado em março de 1997, foi o primeiro submarino desta classe que possui 4 submarinos: (S-616) Lê Triomphant, (S-617) Lê Temeraire ,(S-618) Lê Vigilant. Todos os 4 submarinos já foram comissionados. O Lê vigilante foi comissionado em novembro de 2004. O quarto submarino, (S-619) Lê Terrible foi comissionado em 2010. Com isso a França tem atualmente uma força de dissuasão estratégica que será, principalmente, baseada em 4 submarinos com 16 mísseis nucleares (SLBMs) e em seus aviões de combate Rafale e Mirage 2000N que transportam o míssil de cruzeiro ASMP-A, com uma ogiva de 300 kilotons, mantendo esta nação como a mais poderosa da Europa.
Acima: Um submarino da classe Le Triomphant no dique seco durante final de sua construção.


ABAIXO TEMOS UM DOCUMENTÁRIO SOBRE O LE TRIOMPHANT.
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quinta-feira, 13 de agosto de 2015

PROJECT 667BDRM DELFIN (DELTA IV). O longo braço estratégico da marinha russa.

FICHA TÉCNICA
Comprimento: 167 m.
Largura: 12,3m.
Calado: 8,8 m.
Deslocamento: 18900 toneladas (Submerso e totalmente carregado).
Velocidade máxima: 24 nós (44 Km/h submerso).
Profundidade: 400 m.
Armamento:  4 tubos para torpedos 533 mm, 16 mísseis R-29RMU Sineva (SS-N-23 Skiff) SLBM (míssil balístico lançado de submarino), mísseis anti submarino RPK-2 Viyuga (SS-N-15 Starfish) que são lançados pelos tubos de torpedos.
Tripulação: 130 homens.
Propulsão: 2 reatores nucleares de água pressurizadas VM-4 de 180 MW, 2 turbinas a vapor do tipo GT3A-365 com potência de cerca de 30 MW e 40000 SHP, dois eixos com duas hélices com 7 pás.

Por Iuri  Gomes em parceria com o site Plano Brasil.
INTRODUÇÃO
A marinha Soviética (Военно-морской флот – ВМФ ou Voyenno-Morskoy Flot – VMF) com uma nova doutrina de expansão em meados dos anos 60, liderada pelo renomado Almirante Sergey Gorshkov fez crescer sua frota de submarinos para nada menos que 340 embarcações nucleares e convencionais contra 137 unidades do seu maior inimigo os Estados Unidos. Com isso, parte do grupo estratégico nuclear soviético concentrava-se nos 34 SSBN classe Yankee (projeto 667A) que utilizavam os mísseis nucleares R-27 (SS-N-6 ‘Serb‘) que possuíam alcance limitado de 3000 km. Porém, essa classe de navio demonstrou ser demasiadamente ruidosa devido ao atraso tecnológico que a indústria naval soviética possuía na época. Diante disso VMF foi um dos grandes apoiadores para um novo SSBN que possuísse uma arma com maior alcance. Dessa forma a classe Yankee se estabeleceu como lançadores de mísseis médios.

Acima: O Submarino K-219 (Classe Yankee – nome da OTAN para o Projeto 667A) navegando com um dos seus silos de misseis danificados apos uma explosão. No dia 3 de outubro de 1986, o submarino nuclear soviético K-219 afundou no Atlântico Norte nas proximidades da Ilha de Bermuda após a explosão em um dos silos de mísseis. A embarcação ainda conseguiu emergir a superfície apesar do incêndio se alastrar, mas afundou quando seus dois reatores nucleares falharem. Quatro tripulantes morreram na explosão.
Em 1973, paralelamente em construção com a classe Yankee, a nova classe de SSBN chamada Delta I (Projeto 667B Murena, versão melhorada e alongada da classe Yankee) foi introduzida à marinha, no qual sua principal arma, os mísseis R-27 (SS-N-6 Serb) se tornaram de fato, o primeiro míssil balístico intercontinental lançado de submarino (SLBM) pelos soviéticos, com alcance de 7800 km. O R-29 possuía maior dimensão que o R-27, dessa forma, para acomodar os novos e maiores mísseis foi instalado uma “corcova” atrás da vela de cada um dos 18 Deltas I construídos até 1978, onde ficavam alojados 12 SLBM. Em 1975 foi incorporada a versão Delta II (projeto 667BD Murena M), que comparada à versão anterior, possuía maiores dimensões para acomodação de 16 SLBM, mas somente quatro foram construídos para que a produção se concentrasse na mais nova versão de SSBN, o Delta III (projeto 667BDR, Kalmar) que entrou em serviço em 1976 e tinha como principal arma os mais novos e avançados mísseis SS-N-18, uma variante modernizada do SS-N-8. Ademais foram construídos 14 submarinos Delta III, o primeiro SSBN Soviético capaz de lançar em uma única salva os 16 SLBM do tipo R-29R, que por sua vez, foi também o primeiro sistema de mísseis soviéticos lançados do mar levando de 3 a 7 veículos de reentrada independentes (MIRVs) com alcance de 6,500 a 8000 km, dependendo do número de MIRV.

Acima: Desenvolvido para equipar os novos submarinos nucleares lançadores de Mísseis balísticos da Marinha Soviética durante a década de 1960, Os R-27 Zyb (SS-N-6 Serb) foram os primeiros mísseis do gênero a terem lançamento real na Marinha Soviética. Entre 1974 e 1990, 161 lançamentos de mísseis foram realizados, com uma taxa de 93% de sucesso nesses disparos.A produção total foi de cerca de 1.800 mísseis.
Eis que na década de 80 surge na VMF um SSBN muito mais capaz que seus antecessores; o Delta IV (667BDRM Delfin) mesmo parecendo externamente com Delta III, o novo submarino possuía um projeto muito mais avançado em todos os conceitos técnicos e tecnológicos, onde pela primeira vez os engenheiros soviéticos conseguiram se igualar em furtividade aos ocidentais em todos os projetos de submarinos deste período.  Este submarino é hoje a espinha dorsal de SSBNs da marinha russa, sofrendo constantes modernizações, que o manterão como um dos pilares da tríade nuclear russa por um bom tempo.

Acima: Delta I



Acima: Delta II


Acima: Delta III


Acima: Delta IV

ORIGEM
No início da década de 70, a marinha soviética percebeu que seus SSBN precisavam ser mais furtivos pois eram ameaçados constantemente pelos SSN (submarinos nucleares de ataque) da OTAN, no entanto, a indústria naval soviética só conseguiu aperfeiçoar sua construção de submarinos em meados dos anos 70 e criar uma série de belonaves muito silenciosas mesmo para os padrões ocidentais. Dessa forma, Gorshkov apoiou dois novos projetos de SSBNs, o imponente Typhoon (projeto 941) já descrito nesse site, para lançar o míssil 3M65/SS-N-20 “Sturgeon”, de combustível sólido e o Delta IV (projeto 667 BDRM) para lançar o míssil de combustível líquido R-29RM/SS-N-23 “Shtil”.  Durante o desenvolvimento do projeto 667BDRM foram implantadas melhorias em relação à redução de nível de ruídos; os sistema e equipamentos encontram-se isolados a partir do casco de pressão e seu sistema anti-hidroacústico foi bastante melhorado em relação ao seu projeto anterior 667BDR.

Acima: A enorme corcova atras da vela nos navios da classe Delta IV é o seu lançador D-9RM para mísseis balísticos intercontinentais R-29RM.

PROPULSÃO
O design do submarino é semelhante com a classe Delta III, constituído de casco duplo com mísseis adotados no casco interno. Como no Delta III, os hidroplanos são posicionados na parte da frente da vela, podendo ficar na horizontal para facilitar no rompimento das grossas camadas de gelo do ártico.
O SSBN projeto 667 BDRM possui dois reatores nucleares de água pressurizadas VM-4 de 180 MW, e possui também duas turbinas do tipo GT3A-365 com potência de cerca de 30 MW que são transmitidas por dois eixos com hélices de sete pás de passos fixos que fornecem 40000 SHP de força. Seu sistema de propulsão permite uma velocidade de 24 nós (43 km/h) quando submerso. A profundidade operacional é de 320 metros, mas possui a capacidade de mergulho de 400 metros se for extremamente necessário. Em condições normais, o submarino pode permanecer em incursões de 80 dias.

AcimaO Delta IV é capaz de mergulhar a 400 metros de profundidade e a navegar a velocidade máxima de 24 nós (43 km/h).

ARMAMENTO
O submarino possui quatro tubos de 533 mm que pode disparar grande variedade de torpedos e torpedos-mísseis de capacidade anti-submarino. A embarcação é capaz de lançar o míssil anti-navio SS-N-15 Starfish que pode ser armado com uma ogiva nuclear de 200 kt e possuindo um alcance de cerca de 45 quilômetros. O submarino pode transportar até 18 mísseis e torpedos.

Família R-29 no SSBN Delta IV
Em 1979 foi iniciado o projeto de um novo míssil SLBN (Míssil Intercontinental Lançado por Submarino) R-29RM (RSM-54) ou SS-N-23 Skiff, pelo centro de engenharia Victor Makeev para ser utilizado no sistema lançamento modernizado D-9RM que é aquela corcova atras da vela do submarino Delta IV que vemos nas fotos e caracteriza esta classe de navio. A concepção do projeto consiste em um míssil intercontinental capaz de atingir pequenos alvos terrestres, dado a sua maior precisão, cujo CEP (Circular error probable, ou margem de erro) chega a 500 metros. O R-29RM foi incorporado a Marinha Soviética em 1986 onde cada Delfin portava 16 mísseis. O R-29RM é uma modificação da versão anterior R-29R com melhorias significativas, onde foram diminuídos os custos em relação a um novo projeto. Dessa forma foi ampliada para 40 toneladas o peso de lançamento e seu alcance máximo para 8300 km, suas dimensões se mantiveram praticamente as mesmas de seu antecessor tendo 14,8 metros de comprimento e 1,9 metros de diâmetro. O corpo do míssil é feito de liga de magnésio-alumínio. O foguete é dividido em três estágios de combustível líquido onde os propulsores de dois estágios são “afogados” nos tanques de combustíveis. Na parte dianteira do foguete está alojado o sistema de controle que inclui sistema de correção celeste de trajetória de voo, sistema de guiamento por satélite, sistema de navegação pelas estrelas, 4-10 ogivas MIRVs e suas iscas. Entretanto, por conta do tratado Start-1, assinado entre EUA e URSS (atual Federação Russa) o número de ogivas nucleares transportada por mísseis intercontinentais é limitado  em apenas quatros unidades.
Em 19 de novembro de 1998 foi realizado um teste com protótipo do míssil SS-NX-28 (RSM-52) no qual houve uma falha a cerca de 200 metros da estação de lançamento terrestre ocorrendo uma explosão e posteriormente duas falhas consecutivas, desta forma optaram por abandonar o projeto.

Acima: Alguns modernos modelos de mísseis balísticos lançados de submarinos (SLBMs) usado pela marinha russa.

RSM-54 Sineva- O novo Martelo do Delta IV
Em 1999, o centro de design VP Makeev recebeu ordem do governo russo para voltar a produção dos sistemas SS-N-23, com a expiração do tratado Start-1 ocorrida em 2009, o míssil pode transportar até dez ogivas nucleares.
O novo RSM-54 Sineva (versão R-29RMU), conhecido no ocidente como (SS-N-23 Skiff) é a terceira geração de mísseis balísticos de combustível líquido a entrar em serviço VMF, e seu comissionamento ocorreu em 2007 sendo considerado um dos projetos mais promissores da indústria militar russa. Esse novo sistema poderá se manter em estado de alerta até 2030. O primeiro submarino a ser modernizado com a nova arma foi o K-114 “Tula” em 2007, essa embarcação foi construída em 1987 no estaleiro de Severodvinsk na região de Arkhangelsk.
O alcance exato do R-29RMU não é conhecido, mas se estima a uma distância superior a 10000 km segundo a algumas fontes russas, mas um teste realizado em outubro de 2008 em um exercício, o míssil alcançou uma distância de 11.547 km, e diferentemente, o teste não foi realizado no campo de provas em Kura no extremo oriente russo e sim lançado do noroeste russo na península de Kola a parte equatorial do Oceano Pacífico.
Com a sequência de falhas no míssil de combustível sólido (SLBN) R-30 (Bulava) no período entre 2009 a 2013 que hoje equipa os moderníssimos SSBN projeto 955(Borei), o projeto do R-29 ganhou maior fôlego para garantir o braço de SSBNs da frota russa. Dessa forma, uma modernização no sistema R-29RMU surgiu em 2011 míssil R-29RMU2 “Lyner” com capacidade de levar até doze ogivas MIRVs e com avanços técnicos não divulgados pelo estado russo, mas testes realizados demonstraram que o sistema possui maior capacidade para superar o escudo de mísseis antibalísticos. “Em 2014 o ‘Lyner’ foi aceito por decreto da presidência russa para equipar os seis SSBN projeto 667BDRM” Delta IV”.Hoje, de fato, o sistema “Lyner” e “Bulava” são os mais capazes sistemas de SLBN em operação no mundo.

Acima: Infográfico do míssil RSM-59 (SS-N-23 Skiff).

Acima: Um submarino Delta IV em teste no ártico disparando seu míssil R-29RMU em 2007.

Eletrônica e comunicação.
O Delta IV possui um sistema de gerenciamento de batalha “Omnibus-BDRM” que controla todas as atividades de combate, processamento de dados e comandos das armas como torpedo e torpedos-mísseis do tipo. O sistema de navegação de precisão dos mísseis que possui capacidade de navegação estelar em profundidade de periscópio é do tipo “Shlyuz4”. O submarino possui também duas boias flutuantes de antenas para “mensagens- rádio”, dados de alvo, navegação por satélite a grandes profundidades. O Skat-BDRM é outro sistema hidro-acústico disponível no Delfin. A suíte de sonar é montada na parte frontal do casco que opera em baixa e média frequência no modo de busca e ataque de forma passiva e ativa. Seu sonar de ataque do tipo RAT ROAR é operado em alta frequência. Seu sonar passivo de baixa frequência é do tipo tubarão. O Delta IV possui um sonar rebocado que opera em baixíssima frequência em modo passivo.

Acima: Um Delta IV em modernização em alguma base naval Russa. Apos a Modernização dos Submarinos Delta IV os mesmo passaram a contar com o míssil balístico lançado por submarino (SLBM) Sineva.

Apocalypse (Behemoth-2)
Em agosto de 1991, em uma inusitada manobra de combate, o submarino K-407 Novomosk, último dos sete Delta IV, comandada pelo capitão Sergey Yegorov, disparou uma salva completa de dezesseis mísseis balísticos (R-29RM) de forma subaquática. Toda essa salva durou 3 minutos e 44 segundos, com intervalo de 14 segundos por lançamento, dessa forma foi expelido incríveis 650 toneladas de sua estrutura, essa operação de código “Behemoth-2” foi um ensaio para uma guerra nuclear total (conhecido também como “ensaio do Apocalipse”). Somente o primeiro e o ultimo míssil atingiram seus alvos na península de Kamchatka , pois os outros  foram autodestruídos em voo.
Essa operação demonstrou ao mundo e a própria cúpula militar russa a capacidade de dissuasão do SSBN do projeto 667 BDRM em um cenário de guerra nuclear e confirmou a segurança de uma rápida salva de mísseis balísticos de forma subaquática. Até aquela data, nenhum submarino no mundo havia disparado todos seus SLBNs em uma única salva.


Abaixo temos dois vídeos sobre a Operação “Behemoth-2″


Operação na Marinha Russa
Ao todo foram construídas sete unidades do DELTA IV, porém, o K-64 foi convertido para BS-64, um submarino para propósitos especiais, tem por função ser a nave mãe de um mini-submarino que serve para pesquisa oceanográfica, busca e salvamento subaquática e coleta de informações.
A estrutura mínima de SSBN na marinha russa é de cerca de doze submarinos, hoje ela é composta por nove navios, seis DELTA IV na frota do “Mar do Norte” (K-51 Verkhoturye, K-84 Ekaterinburg, K-114 Tula, K-117 Bryansk, K-18 Karelia E K-407 Novomoskovsk)  e três velhos Delta III na frota do oceano “Pacífico” (K-223 Podolsk, K-433 Georgiy Pobedonosets Svyatoy e o K-44 Ryazan).

No início dessa década, a mídia ocidental e parte da própria mídia russa, mencionava erroneamente que os SSBN Borei iriam substituir os gigantescos SSBN projeto 941 “Typhoon” e SSBN 667BDRM “Delta IV”, mas desde os tempos soviéticos, a classe “Delfin” tinha por função realizar um ataque nuclear secundário em relação aos “Typhoon”, dessa forma, com a entrada em operação de seus mísseis “R-30 BULAVA” de combustível sólido, os navios da classe Borei irá substituir somente os imponentes “Typhoon”, e os Delta IV voltam a função secundária  de  ataque nuclear em relação aos SSBNs Borei.
A estimativa na Marinha Russa, é que em 2020 os oito navios da classe Borei se encontre prontos e ativos, três das embarcações se encontram prontos na versão projeto 955 que portam dezesseis mísseis SLBM R-30 “Bulava”, os outros cinco, serão uma versão modernizada Projeto 955A com capacidade de 20 mísseis “Bulava”. Dessa maneira nos anos posteriores a 2020, a VMF estará com uma força de quatro ou seis “Delta IV” armados com modernos mísseis “Sineva” e “Lyner” e oito unidades da classe Borei armados com mísseis Bulava. Os SSBNs “Delfin” demonstram ter muito folego para os desafios da próxima década ao lado dos SSBN Borei, garantindo assim a força nuclear submarina da Federação Russa.






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