quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Assinatura do Contrato de Licenciamento do Radar M60, produto de defesa com tecnologia nacional.


Brasília (DF) – No dia 13 de dezembro, no Quartel-General do Exército, foi realizada a assinatura do contrato de licenciamento e certificação do Radar SABER M60, entre o Exército Brasileiro e a EMBRAER Defesa. A certificação é o resultado de uma parceria entre as instituições no desenvolvimento de tecnologia nacional de defesa para a criação de um equipamento destinado a integrar um sistema antiaéreo visando a proteção de pontos e áreas sensíveis.

Na presença do Comandante do Exército, General de Exército Eduardo Dias da Costa Villas Bôas; do presidente da EMBRAER Defesa e Segurança, Jackson Schneider; e de oficiais-generais da Instituição; o Chefe do Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército (DCT), General de Exército Juarez Aparecido de Paula Cunha, assinou o contrato de licenciamento do Radar SABER M60 com o presidente da Savis Bradar (empresa controlada pela EMBRAER), Nilson Santin.

“O Radar SABER M60 é, realmente, um caso de sucesso!”, afirmou o chefe do DCT, General Juarez. Já o presidente da EMBRAER Defesa e Segurança ressaltou o orgulho da parceria com o Exército e explicou que, a partir desse licenciamento, o radar será comercializado para outros países e a tecnologia gerada poderá ser aproveitada em prol do Brasil. “Hoje é um momento importante para a EMBRAER, para o Exército e para o País”, completou.

RADAR SABER M60
O SABER M60 é utilizado pelas tropas brasileiras desde 2012, e foi empregado inclusive nas operações em prol dos grandes eventos sediados pelo Brasil nos últimos anos. Ele permite rastrear alvos em um raio de 60 quilômetros, transmitindo informações em tempo real para um Centro de Operações de Artilharia Antiaérea (COAA). O equipamento também está integrado ao Sisdabra (Sistema de Defesa Aeroespacial Brasileiro) da Força Aérea Brasileira. O radar foi desenvolvido pela BRADAR, empresa controlada pela EMBRAER Defesa e Segurança, em parceria com o Centro Tecnológico do Exército.

Leve, o M60 pode ser facilmente transportado para qualquer local do território nacional ou empregado em missões de paz no exterior. Sua instalação para entrar em operação pode ser feita em menos de 15 minutos e por apenas três pessoas. Outro ponto importante é que o radar pode ser integrado a sistemas de armas baseados em mísseis ou canhões antiaéreos.

O Radar SABER M60 possui baixo peso e elevada mobilidade, é acondicionado em caixas de transporte, podendo ser transportado por viaturas, aviões de pequeno porte, helicópteros, trens e embarcações, pode ser instalado no alto de edificações, e suporta a operação em todas as condições climáticas do território brasileiro. Estas características o tornaram indicado para emprego em operações de defesa externa, bem como em Operações de Garantia da Lei da Ordem e em Operações de Manutenção de Paz.
                                    

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

FUZIL L-129A1 - ATUALIZAÇÃO FMJ


Conheça o fuzil L-129A1 no Full Metal Jacket. Clique na foto e seja redirecionado para a matéria no FMJ.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

F-35A no Canyon de Star Wars em imagens sensacionais!

Cenas impressionantes do caça F-35A feitas por Dafydd Phillips no dia 1 de dezembro de 2017 no popularmente conhecido "Canyon de Star Wars", ou, mais precisamente no Death Valley Canyon, no estado da Califórnia, Estados Unidos. As sequencias foram feitas com dois caças F-35A holandeses que foram aos Estados Unidos. Degustem dessas lindas cenas!


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quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

TYPE 23 CLASSE DUKE. Preparada para qualquer missão!

FICHA TÉCNICA
Tipo: Fragata anti-submarino.
Tripulação: 185 tripulantes.
Data do comissionamento: Junho de 1990
Deslocamento: 4900 toneladas (totalmente carregado).
Comprimento: 113m.
Boca: 16,1 m.
Propulsão: 2 turbinas a gás Rolls Royce Marine Spey SM1C com 26150 hp, 2 motores elétricos Gec Electric Motors com 4000 hp cada e 4 motores diesel Paxman Valenta com 8100 hp de potencia total.
Velocidade máxima: 28 nós (51,85 km/h).
Alcance: 13890 Km.
Sensores: Radar de busca aérea e de superfície Type 997 Artisan tridimensional (3D) com 200 km de alcance; Radar de navegação: Kelvin Hugues Type 1007; Sistema de busca eletro-optico Sea Archer 30  Sonar de casco (proa) Thales Type 2050, Sonar rebocado Type 2087
Armamento: 1 canhão Vickers Mk-8 de 114 mm , 2 canhões DS30M Mark 2 de 30 mm, 1 lançador vertical de mísseis Sea Ceptor CAMM (32 mísseis),  2 lançadores quádruplos de mísseis RGM-84 Harpoon; 2 metralhadoras gatling M-134 Minigun em calibre 7,62 mm;  tubos duplos para torpedos leves de 324 mm BAE Stingray.
Aeronaves: 1 Helicóptero Super Links ou um helicóptero EH-101

DESCRIÇÃO
Por Carlos E.S Junior
A fragata da classe Duke, também conhecida como Type 23, começou a ser projetada em 1980 para substituir as velhas fragatas da classe Leander. Porém em 1981 uma revisão dos programas de defesa da Inglaterra pediu que fosse acelerado o programa de construção da nova fragata Type 23, e acabou sendo redesenhado nos anos seguintes tendo seu tamanho e preço aumentado. Desta forma, lições aprendidas durante o conflito das Malvinas, foram incorporadas ao projeto, assim como um hangar maior para operar o helicóptero Sea King ou o Lynx, e posteriormente o novo EH-101 Merlin. A primeira fragata Type 23 foi comissionada em junho de 1990 e o ultimo navio desta classe foi comissionado em 2002, tendo totalizado 16 embarcações construídas. Recentemente, em 2005, o Chile, dando andamento ao programa de modernização de suas forças armadas, adquiriu da marinha inglesa 3 embarcações da classe Type 23, sendo que em 2006 foi entregue o primeiro navio que foi batizado de Almirante Cochrane.
Acima: Desenvolvida com base na experiência adquirida na guerra das Malvinas, a Type 23 trouxe um navio de custo relativamente baixo, e com uma capacidade multi-missão  elevada.
O sistema de controle e comando da Type-23 foi desenvolvido pela poderosa BAE e usa processadores Intel 80486,  transponders  INMOS T-800 e um sistema de rede com fibra óptica em via dupla. Esse sistema foi atualizado para poder operar integrado ao novo sonar 2087 que substituiu o sonar 2031. O sonar 2087 é um sonar rebocado que trabalha passivo e ativamente e tem profundidade variável. Sua frequência menor que as dos sonares anteriores se propaga melhor no oceano permitindo um maior alcance de varredura.
O novo radar, que 11 dos 13 navios desta classe passou a contar depois de sua modernização em 2017, foi o BAE Type 997 Artisan 3D capaz de rastrear  900 alvos simultaneamente a um alcance máximo de 200 km. Isso representa um acréscimo de 25% sobre o alcance do radar Type 996 original instalado nestes navios. O radar de navegação é o Type 1007 que trabalha na banda I e além disso há dois radares de controle de fogo BAE System Type 911 atuam integrados ao sistema de mísseis Sea Wolf,.
Acima: Recentemente modernizada, as Type 23 receberam o moderno radar Type 997 Artisan 3D, que também compõe a suíte de sensores dos novos porta aviões da classe Queen Elizabeth, já abordados aqui no WARFARE.
De longe, o mais importante armamento da Type-23 é o seu sistema de defesa antiaérea que, durante 26 anos foi composto por um lançador vertical GWS-26 para mísseis antimíssil Sea Wolf  de defesa de ponto. O Sea Wolf é um pequeno míssil com um alcance útil que vai de 1 km até o máximo de 10 km em sua ultima versão, e que possui uma ogiva de fragmentação com 14 kg de massa. Sua guiagem é do tipo comando em linha de visada (CLOS) onde um radar é apoiado por um sensor eletro-óptico que garantia um elevado nível de precisão do sistema. Porém, a qualidade das ameaças navais aumentou e levou a necessidade da marinha inglesa de modernizar o armamento de suas fragatas Type 23 remanescentes para poder fazer face a esta nova realidade. A resposta da Royal Navy para essa nova demanda veio sob a forma do CAMM (Common Anti-Air Modular Missile), mais conhecido pelo seu nome Sea Ceptor. O moderno míssil, baseado no projeto do míssil ar ar AIM-132 Asraam, tem seu sensor de guiagem composto por um radar ativo, no lugar do sensor de calor (IR) do míssil aerotransportado. O lançador é vertical permitindo deixar 32 mísseis prontos para emprego imediato, no lugar dos 32 Sea Wolf originais. Por ultimo, vale observar que o alcance do Sea Ceptor é de 25 km, sendo, assim, mais que o dobro do mísseis Sea Wolf. este moderno armamento foi escolhido pela marinha do Brasil para ser empregado na nova classe de corvetas classe tamandaré a ser construída no país.
Acima: O moderno míssil CAMM Sea Ceptor ampliou significativamente a capacidade de destruir alvos aéreos. Além de ser uma arma mais precisa que o Sea Wolf, seu predecessor, o novo míssil  tem mais que o dobro do alcance.
Para combate de superfície, a Type-23, está equipada com 2 lançadores quádruplos para mísseis anti-navio RGM-84D Harpoon, cujo alcance é de 120 km. O Harpoon é um míssil com perfil de voo “sea skimmig” onde o trajeto final é feito a baixa altitude para dificultar sua localização, voando a uma velocidade de cruzeiro na ordem de 800 km/h. O Harpoon foi um dos mais bem sucedidos mísseis anti-navio já construídos e está equipado com uma potente ogiva com 224 kg de alto explosivo que é capaz de por fora de ação a maioria dos navios de guerra do mundo. A  sua baixa velocidade, no entanto, o coloca em vulnerabilidade frente aos sistemas anti mísseis modernos que podem destruir o míssil quando se aproxima do seu alvo. Em breve a Royal Navy deve aposentar este míssil e até o momento não possui um substituto escolhido ou em desenvolvimento para ocupar a missão anti-navio.
Acima: Nesta foto podemos ver, logo a frente da ponte do navio, os dois lançadores quádruplos para mísseis anti-navio Harpoon. Em breve, estes mísseis serão aposentados devido a chegada do fim da vida útil deles. A Real marinha Inglesa ainda não tem um substituto para esta arma o que deverá abrir uma perigosa lacuna na capacidade de combate de seus navios de guerra.
Logo na proa do navio pode-se ver uma torre do canhão Vickers MK-8 de 114 mm, um canhão clássico nos navios britânico do final do século 20. Esse canhão tem um alcance de 22 km e consegue disparar até 25 tiros por minuto. Atualmente uma nova munição para este canhão desenvolvida pela RO Defense estendeu o alcance do projétil para 27 km. A torre do canhão, também recebeu uma modernização e tem um desenho facetado para diminuir sua reflexão a radares inimigos. Para defesa antiaérea de ponto, existem 2 canhões DS30M Mark 2 de 30 mm cujo projétil atinge um alcance de 10 km contra alvos de superfície ou 3,5 km contra alvos aéreos. Cada um desses canhões podem disparar em uma cadência de 200 tiros por minuto.
Para atacar submarinos estão instalados 4 tubos lança torpedos de 324 mm equipados com torpedos leves BAE Stingray cujo alcance chega a 11 km e pode atacar submarinos a uma profundidade de 750 m. O Stingray usa uma ogiva de 45 kg de torpex, altamente explosivo e sua velocidade chega a 83 km/h. Ainda, para  apoio a guerra anti-submarina, a Type-23 opera um helicóptero médio Agusta/ Westland  AW-101 Merlin  que executa tarefas de busca e ataque contra alvos submarinos e de superfície. O Merlin está substituindo o extremamente bem sucedido helicóptero Agusta/ Westland Lynx.
Acima: O armamento de defesa de curto alcance é representado pelo canhão DS30M Mark 2 de 30 mm instalado um de cada lado da fragata.
O sistema de propulsão da Type-23 é do tipo diesel elétrica (CODLAG), composto por duas turbinas a gás Rolls Royce  Spey  SM1C que desenvolvem 37540 hp de potencia, e  dois motores elétricos GEC electric motors  que produzem 2980 kW e 4000 cavalos de potencia. A velocidade máxima que é atingida por esta classe de fragata é de 28 nós (52 km/h), e o alcance do navio, em velocidade econômica de 15 nós  (30 km/h) chega a 13890 km. Existe, também, 4 motores auxiliares movidos a diesel  Paxman Valenta 12 RPA 200 CZ que podem desenvolver 1,510 kW e 2025 shp de força, cada um.  Essas características de desempenho tornam o fragata Type-23, um navio totalmente capaz de operar em águas azuis e a fazer parte de um grupo de batalha e escolta.
Acima: Com um competente sistema de propulsão baseado em motores a diesel e turbinas a gás, as fragatas Type 23 possuem boa capacidade marinheira podendo participar de grupos de batalhas navais como escoltas.
Em 2006, governo britânico, decidiu que haveria uma substancial diminuição de sua marinha o que acarretaria em muitos navios de guerra sendo disponibilizados para compra de segunda mão por países com orçamentos mais limitados. O Brasil, com uma importante influencia britânica nos navios de guerra em uso pela marinha, poderia ser muito beneficiada por essa disponibilidade de navios como as fragatas Type-23 que certamente estarão entre os navios disponibilizados. Embora a maior deficiência dos navios de guerra da marinha do Brasil seja a falta de um sistema de mísseis antiaéreos de área, ainda sim a Type-23, que não tem esta capacidade, poderia ser útil para substituir as fragatas Type-22 já em uso pela nossa marinha. Mas recentemente, no entanto, a mudança no cenário estratégico internacional que foi iniciado com a anexação da Crimeia pela Rússia e pela, visível maior agressividade do governo russo na defesa de seus interesses, causou maior preocupação em todos os países europeus, de forma a reverter o processo de redução de ativos militares e fazendo com que os orçamentos de defesa dos membros da OTAN e nações alinhadas recebessem um aumento. Hoje é entendido que as 13 fragatas Type 23 remanescentes da Inglaterra só deixarão o serviço ativo depois de começarem a ser entregues as novas fragatas Type 26 em meados de 2023 que as substituirão na Royal Navy.
Acima: Embora os navios não sejam tão antigos, o desenho, certamente, é baseado em conceitos ultrapassados. A popa tem um heliporto e um hangar para operar um helicóptero AW-101 Merlin.

VÍDEO

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sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

ENGESA

Por General de Exército Armando Luiz Malan Paiva Chaves
O nome ou, melhor dizendo, o acrônimo ENGESA é muito mais do que o batismo de uma empresa. É o relato da obra de um empresário altamente dotado de inteligência, bagagem técnica e cultural, acurada visão de futuro e aptidão para selecionar valores humanos e que levou uma modesta firma de fabricação de componentes para exploração petroleira a se transformar num complexo industrial-militar, o qual disputou mercados com os maiores e mais tradicionais produtores de armamentos de alta tecnologia mundiais. Vencido pela concorrência por justa ambição de crescimento, que ignorou a ponderação no cumprimento de compromissos contratuais e bancários assumidos, esse empreendedor mergulhou na inadimplência, na concordata e na falência. Deixou de existir. Passou a ser uma história, a contar e lembrar.

Nascimento e evolução

Em 1958, a ENGESA (Engenheiros Especializados S/A) foi criada por José Luiz Whitaker Ribeiro. Em 1968, produzia componentes para a exploração de petróleo e os fornecia a Petrobras. Ao ter seus caminhões enfrentando estradas de terra e barro para chegarem ao destino no litoral, desenvolveu, "de motu próprio", uma caixa de transferência com tração total, aplicada com sucesso em seus veículos nacionais. Em 1970, o Exército interessou-se em testar o invento. Aprovado, passou a usá-lo.

Na época, estavam em desenvolvimento no Parque Regional de Motomecanização, da 2ª Região Militar, os blindados S/R Cascavel e Urutu. Convidada, a ENGESA aceitou associar-se à Força Terrestre e participar do empreendimento. Em 1974, a empresa tomou a iniciativa pioneira de oferecer à Líbia o blindado Cascavel, com canhão 90 milímetros. Foi um sucesso! A ENGESA começava a crescer com a exportação. Em poucos anos, vendeu esse blindado a 18 países localizados no Oriente Médio, na África, na América do Sul e no Mediterrâneo.
Acima: Veículo de transporte de tropas Urutu, um dos mais bem sucedidos produtos da Engesa.
Nos anos de 1980, iniciou o desenvolvimento em computador (hoje, AutoCad) doEE-T1 Osório, carro de combate (CC) armado de canhão 120 milímetros. Em 1985, a Arábia Saudita convidou Alemanha, Brasil, EUA, França, Grã-Bretanha e Rússia a levarem seus CC para demonstração. O Osório, já testado aqui, foi transportado de avião ao destino. Teve muito bom desempenho.

Em 1986, a ENGESA obteve financiamento de US$ 65 milhões pelo BNDES. No mesmo ano, assinou contratos com o Exército para grandes fornecimentos: 40 mil tiros de morteiro; 100 conjuntos de rádio; 51 blindados Urutu; 500 a 600 viaturas de 2 1/2 toneladas; 380 viaturas de 3/4 toneladas e 82 jipes. Apesar do subsídio, os recursos foram aplicados para a aquisição de fábricas, como a IMBEL, de Juiz de Fora, bem como para novos desenvolvimentos, como mísseis e helicópteros, que não chegaram a ser efetivados. O Exército exigiu e obteve uma Confissão de Dívida, porém, nada do contratado jamais foi entregue.

Plano inclinado descendente

Do exposto, deduz-se que 1986 foi o ano de entrada da empresa no plano inclinado descendente, que a levaria, mais adiante, à extinção. Em 1987, a Arábia Saudita convocou para segunda avaliação o Abrams norte-americano, o AMX 40 francês, o Challenger britânico e o Osório brasileiro, este, mais uma vez, transportado de avião. Pelo relato dos dirigentes da ENGESA, tudo indicava que seu produto foi o vencedor do certame. Prova disto é que foi assinado um pré-contrato para a aquisição de 316 carros de combate, por US$ 2,2 milhões.

Em 1989, o Departamento de Estado e o Departamento de Defesa norte-americanos apresentaram ao Congresso minucioso relatório defendendo a conveniência de o Abrams ser vendido à Arábia Saudita, tanto pelo que a fabricação representaria para a indústria nacional, como pelo que significaria a entrada de um novo fabricante (ENGESA) no mercado do Oriente Médio. A ação diplomática produziu seus efeitos e o Abrams foi vendido aos árabes, deixando a ENGESA "a ver navios".
Acima: O MBT Osório foi o mais sofisticado produto da Engesa.
Nos anos de 1990, a ENGESA pediu concordata. O Governo brasileiro autorizou o Tesouro Nacional a conceder à IMBEL NCz$ 30 milhões (de cruzados novos) para adquirir o acervo tecnológico da ENGESA, excluído o do Osório. A empresa vendedora teria três anos de prazo para recompra. Caso isto não ocorresse, o acervo tecnológico do Osório seria cedido à IMBEL por preço simbólico de NCz$ 1,00.

Deduz-se do parágrafo anterior que os méritos tecnológicos da ENGESA eram amplamente reconhecidos, seja pelo Exército, seja pelo mais alto escalão da administração pública. E que a inconsistência de sua política econômico-financeira vinha sendo severamente avaliada e mesmo sancionada, como o foi com a aquisição do acervo tecnológico.

Um Grupo de Trabalho criado na Presidência da República, ligado ao Gabinete Militar, reuniu representantes do Tesouro, do BNDES e do Banco do Brasil, para acompanhar a evolução do saneamento. Foi, inclusive, proposta a concessão de aumento de capital da IMBEL, pelo BNDES e BB, para que a ela fossem transferidas todas as garantias da ENGESA depositadas nos dois bancos. A IMBEL não aceitou a proposta, pois nada receberia em caso de falência. Em contraposição, propôs a entrega do acervo tecnológico, o que ocorreu, já que o prazo para recompra se esgotara. Os 30 milhões recebidos para a aquisição temporária do acervo tecnológico foram aplicados na recompra da Fábrica de Juiz de Fora, que voltou a ser propriedade da IMBEL.

Agonia

Em 1991, firmou-se um Protocolo de Intenções e Procedimentos. Nele, foi estabelecido que as ações dos controladores passassem ao domínio da IMBEL, a preço simbólico. A Fábrica foi credenciada para negociar com os credores redução de 90% das dívidas. O BNDES e o BB receberiam 53% do resultado da alienação de ativos não operacionais e os 47% restantes passariam para a IMBEL pagar parcialmente os credores. Seria criada nova empresa afim, com os recursos devidos aos trabalhadores, que virariam acionistas, com os valores desses recursos.

Em 1992, os ativos não operacionais não obtiveram preço. Em consequência, todo o plano falhou. Em 1994, o Gabinete Militar da Presidência apresentou proposta de desapropriação da ENGESA por interesse público. Na época, o Governo julgou temerária tal iniciativa e a arquivou.
Acima: Mesmo com vendas expressivas para o mercado internacional, a Engesa veio a falir devido a falhas de gestão.
Ainda naquele ano, o Presidente da IMBEL viajou à Grã-Bretanha para apresentar, ao Conselho de Administração da British Aerospace, uma proposta de associação com sua subsidiária Royal Ordnance para a copropriedade e a gerência conjunta da ENGESA, mediante investimento de US$ 125 milhões. Os britânicos disseram concordar com o valor da participação, porém, os recursos não poderiam ser aplicados para saldar dívidas tributárias, trabalhistas e bancárias. Mais uma tentativa frustrada de salvar a empresa.

Em 1995 decretou-se a falência da ENGESA. O juiz passou a tratar das alienações. Questionou a propriedade da IMBEL sobre o acervo tecnológico, que só foi assegurada com ganho de causa obtido na justiça. Todo o material do acervo foi transferido para a Fábrica de Piquete, à exceção dos planos do Osório, que não foram encontrados nem na fábrica, em São José dos Campos, nem no complexo administrativo de Barueri. Em 2005 a fábrica de São José dos Campos foi vendida à EMBRAER.


Considerações finais


A epopeia da ENGESA - da criação ao declínio, e deste à falência - é exemplo frustrante da aptidão criativa e tecnológica do empresariado brasileiro, bem como da carência de recursos financeiros governamentais para assegurar a regularidade de encomendas de que depende a sobrevivência das empresas. As motopeças, os blindados Charrua e Bernardini, e o carro de combate Tamoio reforçam a exemplificação.

Enquanto foi possível financiar demandas não entregues, a ENGESA foi largamente apoiada. Porém, seu ímpeto de produzir e exportar gerou compromissos financeiros que foram muito além do que o Governo brasileiro poderia apoiar. Veio-lhe a inadimplência e não houve como contorná-la, nem como moderar sua ambição. À frustração da venda do Osório somou-se o fracasso de novas iniciativas, como a de helicópteros e a de mísseis.

O Governo e o Exército Brasileiro, via IMBEL, procuraram caminhos para salvar a ENGESA, contudo, a cova que a enterraria já era muito funda, cavada por seu próprio Conselho de Administração. O Brasil perdeu uma empresa que lhe poderia dar autossuficiência em muitos itens de emprego militar, destruída pelas mãos de quem a criara e a quis maior do que lhe disponibilizavam os meios.

Não se tem notícia da utilização do acervo tecnológico guardado na Fábrica de Piquete, que poderia ser muito útil nos desenvolvimentos programados pelo Exército. Também não se sabe do acervo do Osório, sem dúvida muito valioso, que é propriedade da Força. Caberia uma ação, mesmo policial, para descobrir seu destino. Localizado, teria grande valor na orientação da fabricação de blindados brasileiros.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Tiro de Guerra: escola de civismo e cidadania



Por  Cb R2 Weverson Flávio Santana Nunes
"Se todos os cidadãos usufruem das benesses da Pátria, nada mais justo que todos participem da sua defesa." (Olavo Bilac).

Em 1902, foi criado, no Rio Grande (RS), uma sociedade de tiro ao alvo, voltada às atividades militares. A partir de 1916, com a contribuição direta de Olavo Bilac em proveito do Serviço Militar Inicial Obrigatório, essa sociedade transformou-se em Tiro de Guerra (TG), unidade militar cada vez mais participativa na comunidade e importante para a sociedade brasileira, responsável por formar cabos e soldados de segunda categoria, que se tornam reservistas do Exército Brasileiro.

Atualmente, existem mais de duzentos Tiros de Guerra no Brasil, espalhados pelas diferentes Regiões Militares. Além das instruções ministradas durante o Serviço Militar Inicial (SMI), o TG contribui com outras práticas primordiais na vida do jovem, como a cidadania e o patriotismo, atributos que colaboram com a formação de cidadãos cônscios de seus direitos e, principalmente, de seus deveres no espaço em que atuam.

Um dos pontos positivos dos TG é a adequação das instruções, de modo que o futuro reservista consiga conciliar o SMI com o trabalho e o estudo. Além disso, um dos fatores motivacionais é a oportunidade de servir a seu País, com o acompanhamento familiar bem de perto, evitando que o jovem se desloque até outro Município ou Estado. Outro lado igualmente importante é a contribuição da organização militar na divulgação dos valores éticos, morais e patrióticos, que, uma vez inseridos na vida desses militares, ajudam na manutenção das famílias e na construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

Apesar do curto período de nove meses, os atiradores (assim são chamados os militares que servem nos Tiros de Guerra) passam por diversas experiências, que auxiliam na formação pessoal e profissional: operações de Garantia da Lei e da Ordem, ações cívico-sociais, treinamentos de ordem unida, desenvolvimento da liderança, trabalho em equipe, entre outras, marcam a vida do atirador. Mesmo não seguindo a carreira das armas após a prestação do Serviço Militar, atributos como liderança, disciplina e assiduidade são internalizados e aproveitados pelos jovens, particularmente no mercado de trabalho, fazendo com que se destaquem em qualquer instituição em que trabalhem.

Neste TG, ensina-se o jovem a ser SOLDADO e CIDADÃO". A frase está estampada nas paredes do Tiro de Guerra 01-007, em Colatina (ES), Unidade em que servi com muito apreço e admiração em 2012. Lá, eu acompanhava, diariamente, os atiradores, deixando bem claro que a principal função era conciliar as instruções militares com a cidadania. Era praticamente impossível não ler essa passagem, diariamente, quando chegávamos ao quartel; no caminho para as aulas e, até mesmo, no último dia do ano de instrução. De certa forma, o TG marca a vida de qualquer jovem que tem a honrosa oportunidade de passar por essa organização militar, seja nas atividades, seja no ciclo de amizades, o que torna seus integrantes uma família.

Por fim, os Tiros de Guerra contribuem para a integração dos atiradores com a realidade nacional, transformando-os em verdadeiros líderes democráticos, atentos aos ideais da nacionalidade brasileira. Desse modo, esses jovens, uma vez instruídos e incentivados, serão peças fundamentais na construção de nossa Pátria, que tem, no civismo e na cidadania, os pilares para o seu crescimento.

domingo, 19 de novembro de 2017

PROTEÇÃO BLINDADA. O que faz de um tanque, um tanque.

Por Neison Santos
Setembro de 1916, Primeira Guerra Mundial, Guerra de trincheiras, praticamente estática e defensiva, onde as infantarias não conseguiam progredir por causa dos obstáculos construídos do lado alemão e aliados.
Em 15 de setembro de 1916, tropas alemães esperavam os costumeiros ataques de infantaria, que dentro de suas trincheiras e cercas de arame farpado, teriam vantagem, pois a infantaria aliada, não conseguiria progredir e seria alvo fácil. Para surpresa geral, no horizonte surgiam dois artefatos nunca antes vistos para confusão e desespero dos alemães. Um correspondente de Guerra relatou o fato da seguinte maneira:
“Sobre as crateras vinham dois gigantes. Os monstros aproximavam-se hesitantes e vacilantes, mas chegavam cada vez mais perto. Para eles, que pareciam movidos por forças sobrenaturais, não havia obstáculos. Os disparos das nossas metralhadoras e das nossas armas de mão ricocheteavam neles. Assim, eles conseguiram liquidar, sem esforço, os granadeiros das trincheiras avançadas".
Esse dia entrou para história com o surgimento do maior armamento terrestre até os dias atuais, “O Rei do Campo de Batalha”, o Carro de combate ou “tanque” como é conhecido pela maioria dos países.
Acima: O britanico Mark I, primeiro Carro de Combate da história.
Os novos tanques de guerra desencadearam a situação mais fatídica ocorrida até então numa frente de combate. Os "monstros" superavam obstáculos, em função dos quais milhares de soldados tinham morrido antes. Armas, trincheiras ou cercas de arame farpado, nada conseguia deter os poderosos veículos.
Desde esse dia acontecem disputas de engenharia, uma maneira de furar suas couraças, quando se conseguia um armamento que conseguisse esse feito, estudos eram feitos para tornar a proteção do veículo resistente a esse armamento e assim até os dias de hoje, uma guerra entra armas anticarro e blindagens.

A EVOLUÇÃO DAS BLINDAGENS
As blindagens podem ser divididas em gerações:
  • Primeira geração: Homogênia com chapas de aço(1916-final de 1950) Ex.: Mark, T- 34, M4 Shermman, Panzers e M-41
  • Segunda geração: chapas de aço com face endurecida, bimetálicas ou homogênias de segunda solução(final de 1950- final de 1970) Ex.: M-60, Leopard 1, Cascavel, Urutu
  • Terceira geração: Materiais compostos, cerâmica, kevlar, titânio, etc. (final de 1970- dias atuais) Leopard 2, M1 Abrams, Challenger, EE T1/2 Osório
  • Quarta geração: São blindagens modulares reativas ativas ou passivas, colocadas sobrepostas a blindagem principal. Possuem a mais alta tecnologia em blindagem, como matérias compostos e material expansível que aumenta seu diâmetro quando impactadas. Ex.: Leclerc, Merkava Mk 4. Como são modulares podem ser colocadas em qualquer outro veículo, como por exemplo Leopard 2 A6, leopard C2 canadense(Leopard 1 A5).
1º GERAÇÃO
O Mark I possuía chapas de aço de aproximadamente 6 a  12 mm, que eram invulneráveis para as armas da época, que eram desenvolvidas para furar um corpo humano ou pequenas fortificações mas alguns foram tomados pelos alemães que devido a sua baixa velocidade, soldados de infantaria conseguiam subir em seu topo e atirar pelas frestas, matando seus tripulantes De posse da viatura, os alemães conseguiam identificar como eram feitos e a sua proteção, melhorando seus armamentos de maneira rápida.
Desde já, também os britânicos aperfeiçoaram seu projeto, melhorando os defeitos encontrados na primeira versão, e também a blindagem, desafios entre armamentos e blindagens que seguem até hoje e seguirão por muito tempo.
Acima: O Mark V, evolução do Mark I, II, III e IV, com melhor blindagem e chassi mais longo, para superar trincheiras alemães que foram aumentadas de tamanho para impedir a transposição dos Marks de versões anteriores. A evolução dos Marks foram até a versão X.
Notem que todas as evoluções a partir de agora seguirão com seus conceitos até os dias atuais.
Até o final da década de 30, não houve grandes mudanças nas blindagens que eram basicamente chapas de aço unidas por rebites, que após ser impactadas, rebites quebravam e eram projetados para dentro e matavam ou feriam seus tripulantes, até que os russos inventaram a blindagem inclinada e soldada, uma revolução na blindagem pois, com uma chapa inclinada, além de recochetearem com maior facilidade os projéteis, aumenta as dimensões, contando que os projéteis seguem uma trajetória paralela ao solo, por exemplo uma chapa de Aço de 5 cm, a um ângulo de 45 graus chega a uma superfície a ser penetrada de 14 cm e aumenta ainda mais quanto maior for a diferença de um ângulo reto de 90 graus (menor ângulo). A metodologia de blindagens inclinadas é um dos maiores fatores para uma blindagem bem sucedida até os dias de hoje.
Acima: O T-34/76 (1940) e T-34/85 (1943) e Abaixo, com a revolucionária blindagem  soldada, sem rebites inclinada que desenvolvia  7 cm  (70mm) no caso da torre da versão 75mm e 90mm na versão 85, graças a sua angulação.

Acima: Tiger I- O grande temor da Segunda Guerra Mundial, desenvolvia 100 mm de blindagem em seu peito, apesar de  não haver muita inclinação, e 200 de blindagem máxima na parte frontal da torre, dependendo do ângulo de incidência do projetil.


Acima: Tiger II, já incorporando uma blindagem mais angular no seu peito, desenvolvia 150mm de blindagem na parte frontal do chassi. As dimensõe da torre dependiam da fabricante,já que existia 2 fbricantes da torre, Porche e Henschel.

2º GERAÇÃO
Até o final da década de 50, o aço normal ou blindagem homogênica foi o principal material a ser utilizado em blindagens, e já era necessário melhorar a proteção dos veículos, a blindagem homogênica perde terreno para as de face endurecida, bimetálicas ou homogenias de segunda geração , cuja solução, consistia em duas chapas de aço soldadas, e após fundidas em forma de “sanduíche” de forma que a chapa frontal seja endurecida por processos térmicos e a segunda chapa, a interna desenvolvida com um aço com maior tenacidade, mais mole e deformável para absorver a onda de choque. Essa blindagem é a utilizada pelos carros de combate em uso no Exército Brasileiro, Leopard 1 A1 e M60 A3 TTS.  O Leopard 1 A5 além de possuir a blindagem de face endurecida como blindagem principal, possui uma melhoria na  blindagem da torre que veremos a seguir.

Acima: Leopard 1 do início da década de 60 com blindagem bi metálica de face endurecida
No final da década de 60, as munições explosivas do tipo HEAT e do eficaz RPG de fabricação russa, estavam tendo vantagem nas blindagens de face endurecida e como essas munições possuíam sensores de impacto na ponta de suas ogivas e o princípio do seu funcionamento era injetar um jato de alta velocidade de cobre derretido em um pequeno ponto da blindagem. Para se contrapor a essa técnica de ataque, os engenheiros inventaram a blindagem espaçada, que pode ser descrita como uma “sobre blindagem” ou “blindagem extra”, com um espaço de alguns centímetros da blindagem principal. A sua função era ao ser impactada, disparar precocemente sua carga através do sensor elétrico da ogiva da munição, e ao ser penetrada, desviar o jato, espalhá-lo ou deixa-lo com um ângulo menos favorável para perfurar a blindagem principal. Essa melhoria está acrescentada na torre do Leopard 1 A5 operado pelo Brasil.
Acima: O Leopard 1A5 com blindagem adicional espaçada na torre, eficiente contra munições explosivas de carga oca simples como HEAT e as primeiras versões de RPG.
Na década de 70, pela eficiência da blindagem espaçada, projetista de armamento anticarro, deveriam produzir uma munição eficiente contra a blindagem adicional, surgem assim as munições de dupla carga oca para armamentos portáteis, onde a primeira carga perfurava a blindagem adicional e a segunda carga perfurava a blindagem principal e para os Carros de Combate as munições de energia cinética (já existentes na segunda guerra mundial, apenas aperfeiçoadas na década de 70/80), onde os explosivos não tinham mais utilidade e sim a força bruta. Elas consistiam em dardos de metal muito densos, tungstênio ou urânio empobrecido, que ao ser impulsionados a grande velocidade pelos canhões dos CCs, geravam enormes ondas de choque e temperaturas elevadíssimas no impacto com um CC alvo, perfurando com facilidade blindagens com varias camadas,atravessando-os de lado a lado, inclusive mais de dois blindados se estiverem enfileirados.
Acima: Um T 72 destruído durante a primeira Guerra do Golfo por uma flecha de 120 mm. Reparem que ela atravessou de lado a lado da viatura e a onda de choque e a alta temperatura gerada pelo impacto, explodiu a munição armazenada no interior da torre, arrancando-a do chassi e desintegrando por completo sua tripulação.

3º GERAÇÃO
De conhecimento disso, engenheiros britânicos da cidade de Chobhan, desenvolveram uma blindagem composta de vários materiais mais leves e resistentes que o aço, como o Kevlar, cerâmica (óxido de alumínio), titânio, espaço com colmeias de borracha e outros materiais, lembrando que muitos materiais colocados em alguns blindados seguem em sigilo. Apesar de uso de outros materiais, principalmente cerâmicos foram incorporados pelos russos no T 64 na década de 60, esse tipo de método só tornou-se eficaz com o método britânico da década de 70.

Acima: Blindagem composta russa, à esquerda um módulo com material composto dentro de uma parte oca na parte frontal da torre. À direita “peitos” mostrando o “sanduiche” entre aço balístico e algum outro material, possivelmente cerâmico.
Muito eficiente também para munições de energia química, a blindagem composta tem a sua eficiência comprovada contra os dardos perfuradores de blindagem (flecha).
A  blindagem CHOBHAM  era basicamente uma torre principal normal de aço balístico como a do Leopard 1, M60, etc. com módulos  parafusados nela ( semelhante a espaçada do nosso Leopard 1 A5),  porém com placas de matérias compostos e na parte mais externa uma capa de metal,talvez alumínio que dá a forma onde conhecemos esses blindados.
Acima: Como se vê nas imagens acima em alguns  M1 ABRAMS destruídos, que existe uma torre principal, de aço balístico com módulos parafusados a ela, revestidos por um metal maleável, possivelmente alumínio balístico, semelhante aos usados por VBTPs e VBCIs. Na parte mais interna da torre principal, já no,partimento da tripulação, existe um revestimento de aramida,tipo Kevlar chamado Spall liner, para evitar estilhaçamento.
Abaixo: A torre principal de um Challenger 2 sem seus módulos de blindagem composta e o revestimento.

Acima: Esquema de uma blindagem composta comum
A cerâmica possui um ponto de fusão entre 2500 e 3000 graus. A energia e a onda de choque gerada no impacto da flecha pode chegar a 3000 graus se o projétil parar instantaneamente. A cerâmica, que é 70% mais leve que o aço e possui uma resistência balística (dureza) 5 vezes superior,  fica na parte externa de algumas viaturas para tentar quebrar a ponta do projétil e se o dardo não alcançar 3000 graus , não haverá derretimento e perfuração e sim a quebra da cerâmica. Se passar, o kevlar tentará segurá-lo e se passar por ele, haverá um espaço vago com colmeias de borracha. Essas borrachas servem para absorver a onda de choque e dispersar o calor (que seria o que iria pra dentro do CC e destruiria a munição estocada e a tripulação) e também fazer o primeiro conjunto de blindagem mover-se e amortecer o dardo evitando uma desaceleração mais brusca que libera mais calor (energia) e também serve como princípio de blindagem espaçada.  Depois, começará outra porção de blindagem, e certamente o dardo estará com muita pouca energia e deformado, não tendo condições de atravessar mais esse conjunto de blindagem.
Acima: Challenger 2 da Inglaterra com blindagem composta Chobham, desenvolvida na cidade britânica de onde a blindagem herdou o nome.

Acima: O M1 A2 Abrams Norte Americano, com Blindagem Chobham.Os M1 A1 antecessores possuíam nos módulos de blindagem com placas de urânio empobrecido que por causar muitos danos na saúde de seus tripulantes, foi extinto nas versões posteriores.

Acima: O Leopard 2 A4 do Exército do Chile com blindagem composta  Chobham de aproximadamente 80 cm no seu peito e parte frontal da torre (com a inclinação e ângulo de inserção do projétil) . Possui também uma camada de titânio entre as camadas de blindagem composta. Diferentemente do Abrams e Challenger,os módulos de blindagem são colocadas em “gavetas” ao redor da torre.

Acima: O esquema da torre do Carro de combate Indiano Arjun, muito semelhante ao processo de produção da torre do Leo 2, onde se vê uma vulnerabilidade do lado direito onde não há placas por causo do seu sistema de pontaria e observação.

BLINDAGENS DE IV GERAÇÃO
As blindagens de 4º geração são aquelas adicionais compostas de materiais de ultima geração facilmente parafusadas na blindagem principal, geralmente adquirido por pacotes de empresas de blindagens tipo IBD da Alemanha e Rafael de Israel ( Leopard C2, Sabra, Leopard 2 A5/A6) ou vindos direto de fabrica e sendo característico do design do veículo como Leclerc e Merkava Mk4. São blindagens facilmente substituíveis em caso de avarias. Compostas pelos mesmos materiais das principais blindagens compostas, mas algumas como do Leclerc e as MEXAS ou AMAP da IBD, são compostas por um material secreto que se expande , aumentando sua espessura com o impacto.

IV-a. Blindagem modular originais de fábrica.
Acima: Merkava Mk4 onde sua blindagem modular é parte integrante do veículo e de seu  design característico. Notem que o espaçamento sempre é utilizado.




Acima: As dimensões da blindagem do Merkava Mk4.

Acima: O AMX 56 Leclerc com blindagem modular. Notem que tanto o Leclerc quanto o Merkava Mk 4 possuem  suas blindagens modulares que são partes integrantes e fazem parte do design conhecido do veículo, saindo assim de suas linhas de montagem, sendo originais de fábrica.

Acima: Nessa imagem, fica evidenciada a eficiência dessas blindagens modulares que foi totalmente destruída por um RPG que ativou sua carga e se destruiu prematuramente, mas a blindagem principal e a tripulação do Merkava Mk4 nada sofreu. Após a substituição do módulo destruído, que leva poucos minutos,  o Merkava volta a ativa como se nunca fosse atingido.



IV-b. Blindagens modulares adquiridas como pacote de modernização.

Acima: Leopard 1  com sistema de blindagem modular expansível(MEXAS) que foi muito eficiente contra RPGs no Afeganistão. É um excelente pacote de modernização para os Leopards do Exército Brasileiro, pois sua blindagem principal de segunda geração, não dá proteção contra as ameaças da atualidade.

Blindagem modular MEXAS em forma de cunha de um Leopard 2 A5  é uma das poucas modificações para transformar  o Leopard 2 A4 na versão A5, acrescentando 1000 mm (1 metro) a mais na sua blindagem frontal da torre,além ser penetrada por um projétil perfurante, faz a munição mudar de direção forçando-a a incidir na torre com um ângulo favorável para que seja detida pelos módulos de blindagem composta.
Acima: Observem um MBT M-60 original e abaixo um M-60 SABRA III ) com blindagem adicional modular espaçada da empresa Rafael. Reparem que por baixo da blindagem adicional pode-se ver a torre original. Outro exemplo de pacote de modernização para os M 60 do Exército Brasileiro.

Acima: O Leopard 2 A4 SG de Cingapura com blindagem AMAP da IBD. Reparem a diferença de tamanho do Leopard 2 A4 original do reforçado com a AMAP. Abaixo temos o Leopard 2 revolution que é um pacote de atualização da Rheinmetall para o Leopard 2A4

OUTRAS BLINDAGENS
Blindagem gaiola:Muito visto nos blindados canadenses no Afeganistão, são blindagens espaçadas com a finalidade de barrar as ogivas de RPG dos afegãos sem disparar sua carga, pois os sensores que ficam na ponta, não batem em nada e o corpo da munição, mais largo que a ponta, fica presa na grade e assim não há detonação.
Acima: O Leopard 2 A6 do Canadá no Afeganistão que usa como proteção lateral contra os RPGs afegãos, a eficiente blindagem gaiola.

Blindagens Reativas (ERA)
São blindagens espaçadas  com explosivos com finalidade de explodir quando impactadas. Tem a mesma finalidade das espaçadas normais, mas como possuem explosivos, a explosão interage com o jato das munições, espalhando-o e não afetando a blindagem principal.


Acima: Um T 72 com blindagem adicional espaçada reativa.
A espessura real da blindagem é aproximadamente a metade da soma da resistência entre EC e EQ. Esse método não vale como regra para todos os veículos, pois depende muito da resistência dos materiais empregados.

ABAIXO TEMOS UMA TABELA COM AS DIMENSÕES/ RESISTÊNCIA  DAS BLINDAGENS DOS CARROS DE COMBATE DA AMÉRICA LATINA E DO MUNDO. 

TABELA DO PODER DE PERFURAÇÃO EM  RHe (BLINDAGEM COMPOSTA) DOS PENETRADORES DE ENERGIA CINÉTICA DO CANHÃO L7A3 105MM (LEOPARD 1) E DO CANHÃO L 44 ( LEOPARD 2 A4/A5).

VÍDEO


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