sábado, 25 de janeiro de 2020

Cadete de West Point pediu doações para subsidiar um encontro com uma estrela pornô

Diamond Foxxx recebe os visitantes da Adult Video News Adult Entertainment Expo 2010. (FLIPCHIP/LASVEGASVEGAS.COM/Wikipedia Commons)

Por Michael Hill, Associated Press, 16 de janeiro de 2020.
Tradução Filipe do A. Monteiro, 25 de janeiro de 2020.

Um cadete de West Point tentou brevemente arrecadar dinheiro online para cobrir os custos de viagem e hospedagem de uma estrela de cinema adulta como seu par para um banquete formal na célebre academia.

A página do GoFundMe estava offline na quarta-feira, mas o site de notícias militares Task&Purpose disse que a página intitulada "Ajude-me a levar Diamond Foxxx para YWW" foi lançada no último final de semana e listou US $ 370 em doações. Foxxx é uma atriz veterana de filmes adultos e "YWW" se refere ao próximo final de semana de inverno de um ano (Yearling Winter Weekend). Os alunos do segundo ano de West Point são chamados de um yearlings.

O cadete escreveu que não tinha dinheiro e perguntou: "Por favor, ajude o sonho de um garoto a se tornar realidade".

A Academia Militar dos EUA disse quarta-feira que o cadete havia removido a página do site.

"A lei federal proíbe que os militares usem suas posições oficiais para ganho pessoal", afirmou a academia em comunicado. "Essa proibição se estende a usar ou parecer usar o status militar para solicitar doações em dinheiro".

Foxxx, respondendo a perguntas da Associated Press em sua conta no Instagram, disse que o cadete era "muito educado e respeitoso" e que foi "honrada" pelo convite como alguém de uma família militar. Ela lhe dissera que compareceria se ele pagasse a conta do hotel e um voo de Fort Lauderdale, na Flórida.

Ela não identificou o cadete, e West Point também não. 

"Minha única preocupação é que ele não tenha problemas", escreveu ela.

Não houve nenhum comentário adicional de West Point, que enfatizou uma cultura de dignidade e respeito à medida que as forças armadas enfrentam os problemas persistentes de agressão sexual e assédio.

Não ficou claro se o cadete, que usou um pseudônimo na página do GoFundMe, enfrentará alguma sanção disciplinar.

Os cadetes atraíram atenção crítica na web e nas mídias sociais por seu comportamento várias vezes nos últimos anos.

No mês passado, alguns cadetes de West Point e soldados da Academia Naval dos EUA foram examinados por exibirem o que parecia um gesto lateral de OK durante uma transmissão ao vivo da televisão do jogo de futebol Marinha-Exército. Investigadores militares concluíram que os gestos faziam parte de um jogo e não um sinal de "poder branco", como algumas pessoas sugeriram online.

Os caras não confiam nesse fuzil de assalto

Real Fuzileiro Naval faz pontaria com o SA80 usando uma empunhadura frontal.

Por Paul Huard, War is Boring, 8 de junho de 2015.
Tradução Filipe do A. Monteiro, 1º de setembro de 2019.

O SA80 é medíocre, na melhor das hipóteses.

O SA80 é o principal fuzil de assalto do exército britânico, e tudo nele grita "década de 1980".

O Serviço de Boatos do Exército Britânico - um quadro de mensagens e site de comédia - descreveu-o como a versão armada do funcionário público, “as it doesn’t work, and can’t be fired” ("pois não funciona e não pode ser demitido", trocadilho entre não funcionar e não disparar). O fuzil ainda tem a década incorporada em seu nome. SA80 significa "Arma Portátil para os anos 80".

Como muito na época, o SA80 representava uma modernidade elegante. Generais e burocratas do Ministério da Defesa queriam que fosse o fuzil de assalto mais preciso e confiável do mundo.

Em vez disso, foi um desastre gigantesco.

Introduzido pela primeira vez em 1985, o SA80 vem na configuração bullpup* e dispara a munição da OTAN de 5,56x45 milímetros. Era para ser um substituto compacto e tecnologicamente avançado para o venerável fuzil de batalha L1A1 - mais conhecido como o Fabrique Nationale FAL.


*Nota do Tradutor: Bullpup, intraduzível, significa “tudo à retaguarda”, com as peças móveis atrás do gatilho.

Mas os problemas afetaram o SA80, que ainda está em serviço em uma variedade de configurações. Para ser justo, alguns soldados britânicos dizem que o L85A2 - a mais recente encarnação do fuzil de assalto SA80 - é confiável na maioria das vezes.

Ainda assim, as versões anteriores do SA80 eram notórias por seus incidentes de tiro, principalmente nos ambientes agressivos encontrados em um campo de batalha típico. O fuzil freqüentemente tinha “pedaços” que quebrariam ou cairiam da arma. Há até histórias de baionetas fixas "tornando-se balísticas"* quando soldados abriam fogo.

*Nota do Tradutor: Sendo disparadas com a bala.

"A questão principal do SA80 agora é de confiança", disse Terry Gander, editor da Jane’s Infantry Weapons, ao The Daily Mail. "Os caras não gostam dele e o menor problema tenderá a ser ampliado".


Mas, apesar de alguma conversa sobre a substituição da arma, os militares britânicos planejam manter o SA80 até pelo menos 2020 - quer os rapazes gostem ou não.

Versão L85A1 do SA80 em desmontagem de primeiro escalão.
O desenvolvimento do SA80 remonta à década de 1950. As forças armadas britânicas estavam interessadas em desenvolver uma arma em configuração bullpup mesmo nessa época. Mas foi somente na década de 1970 que o Reino Unido construiu protótipos reais do SA80.


Ao mesmo tempo, o M-16 produzido nos EUA havia se tornado o fuzil mais comum da OTAN, se por nenhuma outra razão, a não ser o grande número de soldados americanos na aliança. Os britânicos ainda estavam apegados ao FAL — uma armada confiável e bruta que havia servido bem os soldados na Malásia, Vietnã e nas Falklands.


No entanto, alguns soldados consideraram o FAL uma arma pesada que não acompanhava os avanços tecnológicos. Por um lado, os fuzis mais recentes costumavam incluir ópticas de maior potência para condições de baixa luminosidade.

Nos escalões superiores das forças armadas britânicas, há muito fizeram-se queixas sobre a munição da OTAN de 7,62 x 51 milímetros do FAL. Muitos achavam que a munição era poderosa demais para disparar de modo totalmente automático.

Portanto, a substituição do FAL - o SA80 - usaria a mesma munição menor que a usada no M-16. Isso tornaria a logística e o fornecimento de munição mais fáceis e permitiria que os soldados controlassem suas armas ao disparar de forma automática. Testes iniciais do SA80 indicaram que ele era altamente preciso e pronto para o campo de batalha.

Pelo menos... em teoria.

Em 1990, o ditador iraquiano Saddam Hussein invadiu o Kuwait e iniciou a Guerra do Golfo Pérsico. Tropas britânicas - armadas com fuzis SA80 - correram para a Arábia Saudita e se juntaram ao contra-ataque. Mas os soldados descobriram rapidamente que seus fuzis tinham grandes problemas.

Por exemplo, o SA80 não tinha uma proteção em torno do retém do carregador, o que frequentemente fazia com que o carregador caísse quando a arma colidisse contra o corpo do usuário. Os projetistas o construíram para atiradores destros - um grande descuido que deixou as tropas canhotas com uma arma desconfortável e desajeitada para atirar.

Mais ameaçadoramente, o SA80 freqüentemente travava com poeira e detritos do Oriente Médio, um mau funcionamento que poderia tornar a arma de um soldado inútil no pior momento possível.


"Acho que o desenho do SA80 é adequado", disse um ex-soldado do Exército Britânico ao War Is Boring. “A iteração original da arma foi muito ruim. Relatos daqueles que a usaram na primeira Guerra do Golfo apontaram para muitos problemas - especialmente em comparação com o SLR, a versão britânica do L1A1, que ainda estava em utilização padrão na época.”


“Os soldados mais antigos comparavam constantemente os dois, conversando sobre munições mais brutas e o fato de que você podia atirar com o SLR de ambos os ombros”, continuou o soldado. "Pra mim, isso era algo que eu realmente não gostei no L85, não era possível atirar com a mão esquerda quando necessário - se você o fizesse, acabaria com um um belo roxo na bochecha esquerda."

Anos de atualizações e ajustes foram feitos para melhorar o SA80. Finalmente, os soldados britânicos receberam o fuzil L85A2 modificado em 2001, a tempo para a missão da OTAN no Afeganistão.

"Era uma arma que eu realmente não precisava me preocupar e fez o trabalho que eu queria", disse ele. "Não ouvi muitas reclamações sobre o assunto desde que as atualizações do A2 foram implementadas. É uma pena que demorou tantos anos para que as coisas fossem resolvidas."

Mas isso não é suficiente para fazer todos os soldados britânicos aceitarem o fuzil de assalto.

O SAS pode selecionar quaisquer armas de fogo que deseje para cumprir suas missões, mas se eles se recusaram a usar o SA80. Os Fuzileiros Navais Reais no Afeganistão também estão trocando o SA80 pelo C8 Diemaco, de fabricação canadense, uma versão do Colt M-16A3.

Além disso, o SA80 é um fracasso como arma de exportação. Somente a Bolívia e a Jamaica compraram-o, o que significa que o governo britânico nunca recuperou os consideráveis custos de desenvolvimento do fuzil.

Então, que tal substituir o SA80 por outra coisa? Bem, um contra-argumento é que os britânicos já gastaram tanto dinheiro em atualizações, que se livrar do fuzil agora seria economicamente e politicamente desastroso.

Portanto, parece que o SA80 chegou pra ficar no exército britânico por pelo menos mais alguns anos - um fuzil cujos piores críticos dizem ter sido "projetado pelo incompetente, emitido pelos indiferentes e carregado pelos infelizes."


Original:https://warisboring.com/the-lads-dont-trust-this-battle-rifle/

O impacto decisivo da inteligência militar francesa na ofensiva alemã de Marneschutz-Reims


Por David Retherford e Richard Willis, do site Strategy Bridge, 29 de julho de 2019.
Tradução Filipe do A. Monteiro, 06 de agosto de 2019.

15 de julho de 1918 viu o início da quinta e última ofensiva alemã da Primeira Guerra Mundial. Naquele dia, os alemães lançaram a fase de abertura da Segunda Batalha do Marne, com o codinome de Operação Marneschutz-Reims, mudando todo o ímpeto da guerra das Potências Centrais para a Entente. Um dos principais fatores que contribuíram para essa mudança foi a inteligência tática de combate. [1] Este artigo analisa o processo de análise e disseminação dessa inteligência. [2] A educação militar profissional (PME) ou os leitores especializados encontrarão essa batalha e a subsequente mudança de de ímpeto interessantes e leitores comuns serão igualmente envolvidos por uma narrativa orientada pela inteligência.[3]

Ludendorff em seus estudos no Quartel-General do Exército. (Arquivos Federais Alemães/Wikimedia)

Em meados de 1918, os alemães estavam procurando um golpe decisivo pelo qual a Entente seria forçada a buscar a paz. [4] O Primeiro Intendente-Geral Erich Ludendorff detalhou o ataque em 14 de junho: o Sétimo Exército atacaria a área do rio Marne (o elemento de defesa Marne) em torno de Mery, enquanto o Primeiro Exército atacaria a leste de Reims, com 10 de julho destinado a um ataque ao longo de uma frente de setenta e quatro milhas (113km). [5] O ataque foi planejado como uma distração, com o alvo principal em outro ataque mais ao norte, no Flandres, planejado para o início de agosto - Operação Hagen. O objetivo era atravessar o Marne e enganar os aliados a acreditarem que o alvo era Paris, para que os franceses e britânicos precipitassem suas reservas para proteger a capital francesa, causando pânico entre a população francesa.

Um mês de preparação proporcionou a oportunidade de completar planos meticulosos, mas também teve dois efeitos colaterais infelizes. Primeiro, o planejamento estendido permitiu que Ludendorff estendesse o escopo original em uma operação maior, exigindo significativamente mais mão-de-obra. Segundo, os eventos no terreno significavam que logo após os planos serem elaborados, eles tiveram de ser descartados e redesenhados. Embora parte integrante da guerra, era perceptível que muitas divisões foram ordenadas a se mover para novos locais, apenas para que essas ordens fossem mudadas e às vezes mudadas novamente - muitas vezes depois de terem começado o movimento - causando perturbação, atraso e frustração nas tropas envolvidas.

A inteligência militar desempenhou um papel fundamental no apoio ao planejamento da ofensiva e foi responsabilidade do Departamento Abteilung IIIb, reportando-se ao Oberste Heeresleitung, Comando Supremo do Exército alemão. A culpa pelo fracasso da ofensiva pode ser rastreada até falhas sistêmicas e operacionais evidentes dentro do Abteilung IIIb, enquanto a disciplina ruim do exército e o acaso também desempenharam um papel. Embora o Deuxième Bureau, a Inteligência Militar francesa, usasse as mesmas fontes e tipos de informações disponíveis a todos os beligerantes - interrogatórios de prisioneiros, reconhecimento aéreo, observação visual, documentos capturados e espionagem -, ele demonstrou uma capacidade superior de interpretar a inteligência resultante em comparação ao Abteilung IIIb.[6]

As quatro ofensivas anteriores seguiram um padrão similar de ataque. Os alemães usaram surpresa tática com três componentes principais: lugar, tempo e peso. [7] Com base nessa experiência, o Alto Comando francês acreditava que sabia o que esperar quando o ataque começou. Mas a chave seria obter informações sobre a localização exata e, tão importante quanto, a data do ataque. Entender a força e o tamanho da força de ataque também ajudaria a determinar os requisitos de qualquer resposta defensiva.

Ao contrário dos alemães, que estavam obcecados em saber qual divisão da Entente em frente às posições alemãs, os franceses não estavam particularmente interessados nesse nível de detalhe. Os franceses se basearam em ofensivas anteriores de que a maioria das tropas de choque alemãs chegou à linha de frente no último minuto - precisamente antes do ataque -, tornando a identificação prévia das unidades na linha um exercício inútil. Era, portanto, importante que os franceses levassem a coleta de informações para áreas remotas usando reconhecimento aéreo distante para identificar movimentos mais gerais de tropas e suprimentos.

Apesar de ser expressamente proibido por Ludendorff, em 30 de junho um oficial pioneiro alemão nadou até a margem sul do Marne e foi devidamente capturado. [8] Esta foi a descoberta de inteligência que o Deuxième Bureau procurava. O interrogatório do oficial pioneiro revelou a localização exata da próxima ofensiva alemã e uma data aproximada no início de julho. Isso foi então confirmado por espiões franceses baseados em Madri - na Espanha neutra - como provavelmente no dia 4 de julho. No entanto, nenhum ataque ocorreu naquela data e o Deuxième Bureau ordenou ao Quarto Exército que redobrasse seus esforços e enviasse mais grupos incursores para capturar documentos e prisioneiros.

Os franceses ordenaram que todas as divisões ao longo da frente de 50 quilômetros ocupada pelo Quarto Exército francês participassem de incursões para capturar soldados alemães, especialmente oficiais, com o objetivo de obter informações sobre o que sabiam sobre a planejada ofensiva alemã. Um estudo do Sexto Exército francês divulgado no dia 4 de julho indicou que um ataque estava agendado para o dia 9 entre Reims e Château-Thierry.[9] Isso incluía o conhecimento das florestas nas quais as tropas já estavam se reunindo e um aumento notável no tráfego de aeronaves e veículos na área. Treze prisioneiros capturados em 5 e 6 de julho na área a leste de Suippe apresentaram mais evidências de que um ataque era iminente.[10] Apesar de repassar livremente os detalhes do ataque às autoridades francesas, todos os prisioneiros forneceram uma história notavelmente consistente, o que despertou a suspeita do Deuxième Bureau. Mas a história também continha elementos de fato, os quais o Deuxième Bureau conseguiu reunir, indicando a localização geográfica do ataque como sendo Reims. Um dia depois, três prisioneiros franceses fugidos escaparam de volta para as linhas francesas - todos confirmaram um ataque alemão iminente. Pouco a pouco, o Deuxième Bureau eliminou as opções e reduziu a localização provável do ataque, melhorando as chances de interceptar o avanço.

Prisioneiros alemães sendo guardados por tropas australianas, 23 de abril de 1918. (Museu Imperial de Guerra/Wikimedia)

Em 10 de julho, o Deuxième Bureau estava confiante o suficiente para publicar um relatório de inteligência afirmando que um ataque alemão de 28 divisões atravessaria o Marne por volta do dia 14 entre Jaulgonne-Vrigny, na direção de Epernay. Simultaneamente, haveria um ataque de 16 divisões na frente Suippe-Main de Massiges na direção de Châlons e um terceiro ataque na frente Pompelle-Suippe por 14 divisões.[11] Isto foi confirmado por novas capturas de prisioneiros, revelando que a ofensiva recebeu o codinome Friedensturm (a Ofensiva da Paz) e o ataque seria em uma frente de 150 quilômetros a oeste e leste de Reims, enquanto a cidade em si não seria atacada frontalmente.[12] Uma série de explosões violentas em depósitos de munição entre 7 e 11 de julho foi mais uma prova de que munição adicional havia sido trazida para perto da primeira linha e já estava em posição. Um grande número de Minenwerfers [morteiros] com copiosos suprimentos de munição nas proximidades foram localizados em K2 e K3, a segunda e terceira trincheiras de combate, juntamente com um número extremamente grande de metralhadoras logo ao norte do rio.[13] Um relatório de interrogatório datado de 12 de julho explicou que os soldados foram capturados com uma reserva de comida de três ou quatro dias. O que a princípio poderia parecer banal era, na verdade, uma forte indicação da data iminente do ataque. Além disso, 14 de julho foi o Dia da Bastilha, um feriado nacional francês, e isso foi considerado significativo por causa da chance de que a população francesa pudesse temporariamente baixar a guarda enquanto comemorava.

Uma incursão executada por quatro oficiais e 170 homens do 366º RI francês sob o comando do tenente Balestie às 19:55 de 14 de julho capturou 27 prisioneiros das 73ª e 19ª Divisões de Reserva e dos 7º e 11º Batalhões de Minenwerfers.[14] Entre os documentos capturados, havia um mapa do sistema completo dos Minenwerfers, incluindo direções de disparos e objetivos. Mas foi um comportamento acidental de um prisioneiro alemão capturado que finalmente entregou o jogo. Um oficial e 19 homens da 19ª Divisão de Reserva alemã foram capturados no setor do Quarto Exército francês às 21:30 do dia 14 e insistiram em ter suas máscaras de gás urgentemente devolvidas a eles.[15] Suspeitoso, o guarda perguntou por que os alemães exigiam suas máscaras de gás. Percebendo que ele havia revelado involuntariamente que um ataque alemão era iminente e que envolveria gás, o prisioneiro admitiu que um ataque começaria com uma preparação de artilharia envolvendo grandes quantidades de gás à meia-noite por quatro horas, seguido de um assalto de infantaria protegido por um barragem rolante.[16] Esta peça final do quebra-cabeça foi urgentemente comunicada à cadeia de comando, dando aos franceses tempo suficiente para organizar seu próprio ataque de artilharia. Às 23:45 isto foi passado pelo XXXVIII Corpo francês para a 3ª Divisão norte-americana na linha de frente a leste de Château-Thierry.[17] Às 23:50, apenas dez minutos antes do início da planejada ofensiva alemã, a artilharia pré-arranjada abriu fogo sobre pontos de reunião conhecidos, amontoados de soldados prontos para subir as trincheiras e fogo de contra-bateria sobre posições da artilharia alemã, causando baixas generalizadas e explosões em vários depósitos de munição.

Soldados alemães avançando passam por uma posição francesa conquistada, entre Loivre e Brimont, departamento do Marne, 1918. (Wikimedia)

O martelo alemão caiu à meia-noite de 15 de julho de 1918, com unidades conseguindo cruzar o Marne mais tarde naquela manhã. O ímpeto tinha estado com os alemães depois de cada ofensiva, mas desta vez os Aliados não só resistiram à barragem, mas, graças a um sistema de defesa em profundidade mais eficaz, foram capazes de quebrar o ataque e reduzir a sua eficácia. O ataque durou mais três dias, mas mesmo no dia 16 Ludendorff admitiu a derrota e emitiu ordens para suspender a ofensiva ao sul do rio e continuá-la apenas nas proximidades de Reims. De acordo com o historiador Jonathan Boff, “quando Marneschutz-Reims começou em 15 de julho, ela não ocorreu de forma alguma [de todo] com o planejado”.[18] Além disso, o historiador David Zabecki afirmou que um dos fracassos críticos da ofensiva alemã de 15 de julho foi a falta de surpresa.[19] A batalha é geralmente reconhecida como sendo o ponto de virada da guerra, sinalizando o fim da capacidade militar alemã de realizar operações ofensivas. Três dias depois, os aliados lançaram sua contra-ofensiva e, daquele dia até o armistício, o ímpeto passou das Potências Centrais para a Entente. O chanceler alemão, von Hertling disse mais tarde, “Nós esperávamos eventos graves em Paris para o final de julho. Isso foi no dia 15. No dia 18, até os mais otimistas entre nós entenderam que tudo estava perdido. A história do mundo foi esgotada em três dias.”[20]

Conclusão
Embora seja verdade que a inteligência de combate não disparou nenhuma granada de artilharia nem desmantelou nenhum ataque de infantaria, ela colocou informações oportunas e acionáveis nas mãos dos tomadores de decisão franceses. Mas não foi só porque o plano alemão falhou em ser levado a cabo adequadamente ou que os elementos do plano eram claramente fundamentalmente falhos. O fracasso teve tanto a ver com o fato do plano ter sido descoberto pelo Deuxième Bureau, permitindo a preempção da Entente, como teve com quaisquer limitações na execução alemã desse plano.

David Retherford é graduado pela University of Florida e possui mestrado pela Birmingham University. David está atualmente trabalhando em um segundo mestrado com foco em pesquisa sobre coleta de inteligência americana durante a Primeira Guerra Mundial.

Richard Willis é PhD em Estratégia e Mudança de Organização pela University of Newcastle e é graduado pela University of Aberdeen. Richard está atualmente trabalhando em uma monografia da AEF e BEF lutando com o Décimo Exército francês durante a Segunda Batalha do Marne.


Notas:
[1] Heymont, Irving. Combat Intelligence in Modern Warfare. (Harrisburg: Military Service Division The Stackpole Company, 1960). p6.
[2] Heymont, Irving. p6.
[3] Neiberg, Michael. The Second Battle of the Marne. (Bloomington: Indiana University Press, 2008). p 131.
[4] Neiberg, Michael. p77.
[5] United States. General Service Schools, and Conrad Hammons Lanza. The German Offensive of July 15, 1918 (Marne Source Book). Fort Leavenworth, Kan.: The General Service Schools Press, 1923. p.11-12; Zabecki, (2004), p.460.
[6] Gauché, Capitaine (1924), ‘La recherche du renseignement avant la bataille du 15 juillet 1918,’ La Revue d’infanterie, December, p.831.
[7] Falls, Cyril. The Great War. (New York: G.P. Putnam's Sons, 1959). p349.
[8] Ludendorff, Eric (1919) A história do próprio Ludendorff, de agosto de 1914 a novembro de 1918; a Grande Guerra desde o cerco de Liège até a assinatura do armistício visto do grande quartel-general do Exército Alemão, p.308.
[9] Marne Sourcebook. p.383.
[10] Gauché, p.813.
[11] Note 2e bureau / GQG n ° 9056 », citée au SHD / GR et au 16 nº 917:« Relevé chronologique et analyse succincte des principaux ordres, instructions, directives et études concernant la recherche et le traitement des renseignements personnels au cours de la campagne », GQG / 2e bureau, 17 juillet 1919
[12] Marne Sourcebook, p.298. Gauché, p.814.
[13] Gauché, p.827
[14] Revue Militaire Francaise (1923) Un coup de main historique exécuté par la 132e DI le 14 Juillet 1918.
[15] Lahaie, Olivier (2014) LES INTERROGATOIRES DE PRISONNIERS ALLEMANDS PAR LES SERVICES DE RENSEIGNEMENTS FRANÇAIS (1914-1918)
[16] This was 01:00 German time.
[17] Marne Sourcebook, p.645
[18] Boff, Jonathan. Haig’s Enemy. (Oxford: Oxford University Press, 2018). p231
[19] Zabeki, David. The German 1918 Offensives. (New York: Routledge, 2006). p.254,p.271,p.273
[20] Von Hertling citado em Pershing John J My experiences in the World War. Volume II 1931, p.472.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

FOTO: Manobra Conjunta entre Rússia e China, 2019

19º Destacamento Spetsnaz "Ermak" da Guarda Nacional russa com seus colegas chineses da unidade "Lieying" da Polícia Militar chinesa, 2019. (Foto de Alexandr Kryazhev)

O exercício foi parte dos treinamentos conjuntos sino-russos da manobra "Cooperação 2019", ocorrida no Distrito de Toguchinsky, Oblast de Novosiribirsk, na Rússia.

A Guarda Nacional da Federação Russa (seu nome oficial) foi formada em 2016 por ordem direta do Presidente Vladmir Putin, para evitar o eterno problema de duplicidade de funções no aparato de segurança russo. A Guarda Nacional consolidou as tropas do Ministério do Interior (MVD), Unidade Especial de Resposta Rápida (SOBR), Unidade Móvel de Propósito Especial (OMON) e outras unidades paramilitares internas; somando 340 mil homens em 84 unidades espalhadas pela Rússia. A Guarda Nacional é independente das forças armadas e responde diretamente para o Presidente Putin.

A Força Policial Popular Armada chinesa (Polícia Armada Popular, PAP) é uma força paramilitar criada em 19 de junho de 1982, contando hoje 32 contingentes no Corpo de Guarda Interna PAP, 2 contingentes no Corpo Móvel PAP e 1 contingente no Corpo de Guarda Costeira PAP. Com 1,5 milhão de homens, a PAP é parte das forças armadas e mobilizável como reforço em caso de guerra.


A força Barkhane exterminou um "grupo de combate completo" da Katiba Macina


Por Laurent Lagneau, Zone Militaire Opex360, 23 de janeiro de 2020.
Tradução Filipe do A. Monteiro, 23 de janeiro de 2020.

Em 21 de dezembro, a força francesa Barkhane havia conduzido uma operação de oportunidade no setor florestal de Ouagadou, 150 km ao norte de Mopti [centro do Mali] contra um grupo terrorista armado [GAT] provavelmente pertencente à Katiba Macina , liderada pelo pregador jihadista Amadou Kouffa.

E em intensos combates que duraram até o amanhecer, a Barkhane colocou fora de combate 33 jihadistas. Mas as coisas não pararam por aí, uma vez que os comandos franceses foram novamente colocados em ação algumas horas depois. O apoio aéreo de uma patrulha Mirage 2000D e um drone MQ-9 Reaper armado neutralizaram outros 7 jihadistas.

No entanto, o resultado dessas lutas não desencorajou a Katiba Macina. Em 9 de janeiro, na mesma região, durante uma nova operação de comandos da Barkhane, apoiada por helicópteros de ataque Tigre e Gazelle, 9 outros terroristas foram "neutralizados", incluindo três por um ataque de um MQ-9 Reaper.

No dia seguinte, e o Estado-Maior das Forças Armadas [EMA] anunciou apenas em 23 de janeiro, uma nova operação de comandos da Barkhane tornou possível colocar três outros terroristas fora de combate, incluindo um "quadro logístico".

Mas mesmo que a região dita das "três fronteiras" [ou seja, Liptako Gourma] deve ser objeto de uma intensificação das operações militares, a de Mopti, "sujeita a atos de predação pela Katiba Macina", não escapa à vigilância da Barkhane.

Dessa forma, entre 14 e 15 de janeiro, a Barkhane mais uma vez interveio, através de uma operação helitransportada realizada ao sul de Mopti, com comandos e helicópteros de ataque. Segundo o EMA, a luta foi "amarga", a ponto de ser necessário um ataque aéreo [realizado pelo Mirage 2000D ou por um drone Reaper].

E os resultados são claros: um grupo de combate da Katiba Macina foi exterminado, ou seja, cerca de trinta jihadistas foram colocados fora de combate. "Uma vintena de motocicletas foram destruídas e uma grande quantidade de equipamentos telefônicos foi apreendida", acrescentou o EMA.

"A prioridade de Barkhane consiste em reduzir o EIGS na zona das três fronteiras [Mali-Burkina-Níger], sem excluir ações em outras partes do território", comentou o Coronel Frédéric Barbry, o porta-voz do EMA, durante a coletiva de imprensa semanal deste  23 de janeiro.

Além disso, e alinhando-se às observações que o General Lecointre, o Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas [CEMA], ainda se lembrava recentemente, não há dúvida para o EMA sobre dar o total dos terroristas " neutralizados” pela Barkhane. "O indicador de sucesso não é o número de jihadistas mortos, mas a quantidade de população que não está ou não está mais sob o controle desses grupos", explicou o Coronel Barbry. Mas isso é provavelmente esquecer que, na "guerra de percepções", esse tipo de informação é algo a ser levado em consideração na opinião pública local.

Original: http://www.opex360.com/2020/01/23/la-force-barkhane-a-aneanti-un-groupe-de-combat-complet-de-la-katiba-macina/?fbclid=IwAR3xlKkKXLCznO6guop7fRBSJksRSfxZyEXTztb6UVgJMvWVVW-FRmkqaRw

quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

Comandos Navais franceses com fuzis CETME

Wolfgang Riess, um dos Comandos que usou estes CETMEs – mais tarde ele foi trabalhar como técnico de armas da H&K. Esta história vem de suas anotações.

Por Ian McCollum, Forgotten Weapons, 1º de junho de 2016.
Tradução Filipe do A. Monteiro, 2017.

Eu estava lendo sobre os primeiros fuzis com retardo do recuo por roletes (no livro requintadamente técnico e detalhado de Blake Stevens (Full Circle: A Treatise on Roller Locking/ Círculo Completo: Um Tratado sobre Trancamento por Roletes) e me deparei com essa história muito legal, que eu queria compartilhar…

A Espanha adotou formalmente o CETME Modelo B em 1958. Era mecanicamente praticamente a mesma arma que conhecemos hoje como o CETME-C ou G3, mas que ainda calibrado para o cartucho 7,62 NATO-CETME. Esta foi uma resposta espanhola aos requisitos de cartuchos da OTAN – era dimensionalmente idêntica 7,62 mm OTAN, mas disparou um projétil de 125 grãos a 2300 fps, em vez dos 143gr a 2790fps do padrão da OTAN. Os espanhóis viram que o cartucho padrão era muito potente para ser eficaz em um fuzil de tiro seletivo, e a carga reduzida foi desenvolvida para reduzir o recuo a um nível manejável. Isso foi feito apenas por alguns anos, até que eles se renderam e adotaram o Modelo C em 1964 usando munição padrão. O CETME-B ainda usaria a munição da OTAN, mas ela foi dura com as armas.

De qualquer forma, os franceses estavam ocupados lutando contra os rebeldes argelinos neste momento, e em março de 1961 um cargueiro dinamarquês chamado Margot Hansen foi visto por um avião de patrulha marítima francesa e parou na costa da Argélia. Durante a abordagem e inspeção, descobriu-se que o navio carregava 200 novos fuzis CETME-B e munição para eles, destinados (ilegalmente) aos grupos rebeldes da ANL e da FLN. As armas foram confiscadas, é claro, e colocadas em depósito no depósito naval francês em Mers El Kebir. Este depósito também possuía outras armas apreendidas, principalmente de origem alemã da Segunda Guerra Mundial – Kar 98k Mausers e fuzis de assalto StG-44. Quando os 200 CETMEs chegaram, rapidamente chamaram a atenção dos Comandos Navais Franceses que estavam estacionados no porto.

Os franceses na época usavam fuzis MAS 49/56, apenas semiautomáticos e com carregadores de 10 tiros. O poder de fogo automático suplementar era fornecido pelos fuzis-metralhadores Châtellerault 24/29, que possuíam carregadores redondos de 20 tiros (que ocasionalmente eram adaptadas a fuzis 49/56, mas essa é uma história diferente). Os Comandos Navais estavam muito interessados nesse novo fuzil, que parecia oferecer as capacidades de seus fuzis e FMs em um único pacote leve. Como eram uma unidade da Marinha Francesa e as armas foram apreendidas pela Marinha e armazenadas em um depósito da Marinha, os Comandos puderam requisitar as armas e munição apreendidas para seu próprio uso sem muita dificuldade.



Comandos Navais franceses testam seus fuzis CETME-B no Djibuti.

O único obstáculo que surgiu foi quando alguém notou que todos os fuzis estavam faltando os percussores. Por quê? Ninguém sabe ao certo, mas muito provavelmente porque os contrabandistas estavam planejando retê-los por segurança ou por um pagamento adicional. Também é possível que toda a configuração do contrabando fosse na verdade uma operação falsa que estava sendo executada pelo SDECE (Inteligência do Exército Francês), mas quaisquer registros que pudessem confirmar isso há muito tempo foram destruídos. De qualquer forma, os Navais não permitiram que uma questão menor, como percussores, os detivesse, e os operadores de máquinas dos depósitos fabricaram por engenharia reversa o projeto e fabricaram um grande número de substitutos. Eles nunca conseguiram acertar o material e o tratamento de calor, e seus percussores aparentemente tinham uma tendência de quebrar com frequência – então os Navais carregavam um monte de peças sobressalentes sempre que usavam as armas.

Outro obstáculo que surgiu foi que a munição apreendida acabou por ser um lixo. Ela foi feita apressadamente a partir de componentes enviados para serem sucateados, e dimensões como o comprimento total variaram substancialmente. Alguns cartuchos não tinham os furos das espoletas. As bases das espoletas variaram significativamente, e foram misturadas dentro de caixas. Os homens conseguiram obter munição de 7,62 mm fabricada na França e acabaram usando os fuzis CETME-B em operações de combate até fins de 1978. Um histórico bem-sucedido para um lote de fuzis espanhóis, por fim usado por décadas contra os próprios grupos que se destinava a ajudar!

Um grupo de comandos franceses relaxantdo durante sua campanha na Argélia. Dois estão armados com submetralhadoras MAT-49 e dois com fuzis CETME-B apreendidos.

Como as armas conseguiram sair do controle espanhol? Esta é uma boa pergunta. Elas teriam sido os armas de uso militar de primeira linha na época, não sendo as armas excedentes ou deixadas sem vigilância. No entanto, a CETME estava trabalhando ativamente com empresas holandesas e alemãs e organizações militares na época, e os carregamentos de fuzis poderiam ter sido legitimamente destinados a qualquer um desses países. Blake Stevens sugere que uma possibilidade para a fonte é que tal carregamento tenha sido desviado por um homem como o notório contrabandista de armas alemão Otto the Strange (Otto, o Estranho) – embora isso possa ser apenas especulação.

FOTO: Tiro de raspão em um T-54/55 do ISIS

T-54/55 com telêmetro laser usado pelo ISIS é quase atingido por um ATGM, 2014.

FOTO: Sniper do FORAD no CENZUB

Sniper francês da FORAD (Force Adverse/ Figurativo Inimigo).

Sniper francês da FORAD com equipamento de detecção laser no Centro de Treinamento de Combate em Zona Urbana (Centre d'entraînement au combat en zone urbaineCENZUB), em Sissonne, na França. 

O padrão de camuflagem da FORAD é próprio e diferente do padrão das forças francesas.

FOTO: 195ª Brigada Pesada de Armas Combinadas do Exército de Libertação Popular Chinês

Soldados e veículos da 195ª Brigada Pesada de Armas Combinadas do PLA, a OPFOR chinesa.

Diferente das outras formações chinesas, a 195ª é treinada e opera com doutrina e equipamentos ocidentais, servindo de OPFOR (Opposin Force, Figurativo Inimigo) em combates simulados no Centro de Treinamento de Zhuhire, em Yutian, na província de Hebei. Essa força é inspirada no "exército soviético" americano no Deserto de Mojave, na Califórnia, criado na Guerra Fria. Seu comandante atual é o Coronel-Superior Man Guangzhi.

De maio de 2014 a setembro de 2015, a brigada travou 33 batalhas simuladas com outras brigadas e divisões da força terrestre do PLA no Centro de Treinamento de Táticas de Armas Combinadas Zhurihe, com 32 vitórias e 1 derrota.

FOTO: Mirage 2000D na Jordânia

Dois Mirages 2000D franceses decolando para um ataque de precisão contra o ISIS usando o GBU-24 Paveway III, na Jordânia, 2016.

ANIMAÇÃO: O cerco da embaixada do Irã em Londres, 1980


quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

FOTO: Brigada Franco-Alemã

Soldado francês escudado por alemães, 22/01/2020.

No dia 22 de janeiro de 1963, dezoito anos após o fim da Segunda Guerra Mundial, o presidente Charles de Gaulle e o chanceler alemão Konrad Adenauer assinaram o Tratado do Élysée, estabelecendo a amizade franco-alemã. 

A Brigada de mesmo nome foi acionada em 2 de outubro de 1989, sob o comando do General Jean-Pierre Sengeisen. Seu atual comandante é o General Peter Mirow, e as tropas são - desde 2016 - provenientes da 1re Division Blindée francesa e a 10. Panzerdivision alemã, formando uma brigada de infantaria mecanizada de 5.980 homens. 

terça-feira, 21 de janeiro de 2020

VÍDEO: Exercício de ataque, Polenar Tactical


Termina a manifestação contra o desarmamento forçado na Virgínia

Manifestantes armados e equipados.

Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 21 de janeiro de 2020.

Mais de 22.000 ativistas pelos direitos do porte de armas tomaram as ruas do Capitólio do Estado da Virgínia, na segunda-feira 20 de janeiro, para protestar pacificamente pelas novas leis sobre a posse de armas que atravessam a legislatura controlada pelos democratas. Acredita-se que mais de 70% dos manifestantes estavam armados.


"Cidadãos armados são livres, cidadãos desarmados são escravos. 

A manifestação, organizada pela Liga de Defesa dos Cidadãos da Virgínia, focou legislação sobre armas sugerida pelo governador democrata Ralph Northam. O pacote de novas leis sobre armas inclui verificações universais de antecedentes para a venda de armas e ampliou a autoridade dos governos locais para proibir armas de fogo em locais públicos. O Legislativo da Virgínia também está considerando leis de “bandeira vermelha” (red flag laws) que permitiriam ao governo o confisco de armas de fogo de cidadãos.

"Armas são direitos, não um privilégio."
O dia 20 de janeiro é relevante porque é o dia de Martin Luther King, que celebra os direitos civis. Dentre estes direitos, o posse de armas.

“[Martin]Luther King mesmo sendo um pacifista e adepto da não violência, não abria mão de armas para sua defesa, estas que estavam (faziam) presentes mesmo em sua igreja”, diz Bene Barbosa, presidente do movimento Viva Brasil e especialista sobre cidadania armada e segurança pública.


Os manifestantes vieram de todas as vertentes da sociedade, incluindo milícias armadas (algo previsto na Constituição americana), atiradores, homens, mulheres, gays, negros e outros grupos; contrariando as acusações de veículos da mídia de "supremacismo branco de extrema direita". Nenhum tipo de distúrbio ou violência ocorreu durante a manifestação.

"Eu pareço uma supremacista branca pra você?"

Notar a bandeira GLS com a cobra libertária "Don't tread on me" (Não pise em mim).

Um dos principais pontos da reação enérgica à postura do governo democrata é a arbitrariedade do confisco, algo inconstitucional, que seria feito por meio das leis de bandeira vermelha. Por meio destas, unidades policiais poderiam arrombar casas e confiscarem armas de cidadãos e levá-los presos à força. 

Essa foto tinha a legenda "O casal perfeito para o boogaloo".
Os americanos possuem uma gíria chamada "boogaloo", que é o hipotético conflito entre o cidadão e o governo autoritário querendo tomar os direitos desse mesmo cidadão. A ideia não é tão absurda quanto parece, pois a retórica democrata é abertamente combativa com vários porta-vozes alardeando que tomarão todas as armas dos cidadãos. O próprio Senado da Virgínia já afirmou que, apesar das manifestações, levará para votação a SB-240 (Senate Bill 240, Lei Senatorial 240) de confisco através das leis de bandeira vermelha. Xerifes já se manifestaram dizendo que não cumprirão tais leis, pois elas são inconstitucionais.



Este cidadão atravessou três estados desarmamentistas para apoiar a manifestação.


"Vem pegá-las!", frase de Leônidas nas Termópilas.










Charge com o governador democrata Ralph Northam.



"Meu direito de me proteger não deve ser violado", paráfrase da 2ª Emenda.