quarta-feira, 14 de abril de 2021

DESARMAMENTO E LEGITIMA DEFESA - O direito que as "autoridades" querem nos tirar.


Por Carlos Junior

De tempo em tempos o assunto "armas de fogo" volta a cena nos corredores do poder publico e principalmente na mídia através de jornais tendenciosos como o UOL (Folha de São Paulo) ou na emissora Globo (Globo lixo, para os mais íntimos).

Muito já se falou, desde a época em que o ex presidente (e imbecil) Fernando Henrique Cardoso do PSDB (um dos mais lesivos partidos políticos do Brasil, ao lado do PT e PSOL) começou a se movimentar para retirar um dos direitos mais básicos de um humano, o direito a se defender, através da proibição da venda de armas de fogo para civis, observando e reforçando que são as armas de fogo, as ferramentas mais adequadas para se poder exercer a sua defesa quando se trata do tema "criminalidade". Afinal de contas, aquele cara que chega em você, com uma pistola em punho, e exige que você entregue a ele seu carro, sua moto ou  seu celular, só poderia ser parado por uma pessoa, igualmente armada. Quando se subtrai esse direito do cidadão, o de possuir e mesmo, portar armas de fogo,  o que se tem como resultado é que esse cidadão, que paga impostos (aquele mesmo imposto que é usado para pagar o salario de ministros do STF que perderam a noção que são servidores públicos e não Deuses) se torna vitima de um criminoso que tem arma (sempre teve e sempre terá pois adquire suas armas de forma totalmente sem controle e que, estão totalmente alheios a leis que atingem apenas trabalhadores contribuintes)
Ministra Rosa Weber e o seu comentário completamente ridículo que só poderia ter sido feito por alguém que vive em um mundo paralelo: Entendo que a livre circulação de cidadãos armados, carregando consigo múltiplas armas de fogo, atenta contra os valores da segurança pública e da defesa da paz, criando risco social incompatível com os ideais constitucionalmente consagrados que expressam, por exemplo, o direito titularizado por todos de reunirem-se, em locais abertos e públicos, pacificamente e sem armas.”
Não consigo compreender, mesmo me esforçando muito, onde se encontra lógica de justiça na ideia distorcida que ministros do STF e alguns parlamentares da esquerda enxergam que o cidadão desarmado é mais justo dentro de nossa realidade, do que um cidadão armado. O motivo de eu não conseguir encontrar tal lógica se dá, muito provavelmente, pelo fato de que não há lógica dentro da boa fé nesse interesse em deixar o povo brasileiro sem poder adquirir, dentro de regras controladas, armas de fogo e treinar com elas. O motivo, pode ser muito, mas muito menos nobre do que os alegados pela ministra Rosa Weber (cuja argumentação foi, absolutamente ridícula, até mesmo infantilóide), em sua decisão de suspender alguns dispositivos dos decretos do presidente Jair Bolsonaro.
Novamente o senado, através do Projeto de Decreto Legislativo n° 55, de 2021, de inciativa de uma patótinha de socialistas do PT e do PROS (nunca tinha ouvido falar desse partidinho) mal intencionados, vem a ser foco de votação que visa sustar todos os decretos do presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, pessoa vista como inimigo pelos partidos da esquerda que sempre lutaram para deixar as pessoas com menos direitos, mais obrigações e muito maior poder do Estado sobre a vida das pessoas.
Senador Paulo Rocha do Pará, um dos autores da ação para tirar o seu, o meu, o nosso direito a defesa. Advinha de qual partido esse "distinto"  cavalheiro é?
A flexibilização de acesso as armas de fogo não implica que as pessoas vão se armar até os dentes, ou que serão obrigadas a comprarem uma arma. Apenas deixa em aberto a possibilidade de uma pessoa adquirir sua arma para exercer a sua defesa se, e somente se, ela assim o quiser. Nem todo mundo tem os recursos financeiros que parlamentares e membros do judiciário tem de andar com seguranças (sempre armados). O cidadão médio, caso queira se defender, terá que o fazer por seus meios próprios. O Estado não lhe dá segurança contra violência e nem garantia alguma para sua família caso este cidadão venha a falecer em decorrência de um crime onde o Estado não exerceu sua função de o proteger. A manutenção da venda de armas sob critérios já estabelecidos e funcionais, permite o exercício do direito a defesa e o controle do poder publico. Condições esta que não se tem quando tratamos de armas usadas por criminosos que como disse nas linhas acima, sempre estarão armados com armas de fogo.
O vagabundo da foto está com seu CPF cancelado, graças a ação de um policial, que armado, encerrou a carreira desse inimigo de Estado enquanto tentava roubar uma motocicleta em São Paulo.
Em fim, o direito de legitima defesa é um direito que independe de textos normativos e já decorrem dos direitos naturais que qualquer pessoa tem. No Brasil, se o Estado nega esse direito básico tentando suprimir artificialmente algo que todos tem de direito, a injustiça prevalecerá sobre o que é justo, resultado, este, oposto do que se espera do poder publico, principalmente do judiciário e do legislativo.
O direito a defesa é independente de um texto de lei. Todas as pessoas o tem. Suprimir esse direito, é facilitar, ainda mais, a atividade ilícita do ladrão, assassino ou estuprador.






terça-feira, 13 de abril de 2021

13 de abril de 1990: Soviéticos admitem o Massacre de Katyn da Segunda Guerra Mundial

Oficiais nazistas com delegados britânicos, canadenses e americanos em Katyn, abril de 1943.

Do History Channel, 9 de abril de 2020.

Tradução Filipe do A. Monteiro, 13 de abril de 2021.

O governo soviético aceita oficialmente a culpa pelo Massacre de Katyn na Segunda Guerra Mundial, quando cerca de 5.000 oficiais militares poloneses foram assassinados e enterrados em valas comuns na Floresta de Katyn [número total de 21.768 assassinados]. A admissão foi parte da promessa do líder soviético Mikhail Gorbachov de ser mais direto e franco em relação à história soviética.

Em 1939, a Polônia foi invadida pelo oeste pelas forças nazistas e pelo leste pelas tropas soviéticas. Em algum momento da primavera de 1940, milhares de oficiais militares poloneses foram presos pelas forças da polícia secreta soviética, levados para a Floresta de Katyn nos arredores de Smolensk, massacrados e enterrados em uma vala comum. Em 1941, a Alemanha atacou a União Soviética e invadiu o território polonês que antes era controlado pelos russos. Em 1943, com a guerra contra a Rússia indo mal, os alemães anunciaram que haviam desenterrado milhares de cadáveres na Floresta de Katyn. Representantes do governo polonês no exílio (situado em Londres) visitaram o local e decidiram que os soviéticos, e não os nazistas, eram os responsáveis pelos assassinatos. Esses representantes, no entanto, foram pressionados por autoridades americanas e britânicas a manterem seu relatório em segredo por enquanto, já que não queriam arriscar uma ruptura diplomática com os soviéticos. Quando a Segunda Guerra Mundial chegou ao fim, a propaganda alemã atacou os soviéticos, usando o Massacre de Katyn como um exemplo das atrocidades russas. O líder soviético Joseph Stalin negou categoricamente as acusações e afirmou que os nazistas foram os responsáveis pelo massacre. O assunto não foi revisitado por 40 anos.

Valas cheias de cadáveres, abril de 1943.

Exame durante a exumação, abril de 1943.

Em 1990, no entanto, dois fatores levaram os soviéticos a admitirem sua culpabilidade. Em primeiro lugar, foi a muito divulgada política de "abertura" de Gorbachov na política soviética. Isso incluiu uma avaliação mais franca da história soviética, particularmente no que diz respeito ao período de Stalin. Em segundo lugar estava o estado das relações polonês-soviéticas em 1990. A União Soviética estava perdendo muito de seu poder de manter seus satélites na Europa Oriental, mas os russos esperavam reter o máximo de influência possível. Na Polônia, o movimento Solidariedade de Lech Walesa estava constantemente erodindo o poder do regime comunista. A questão do Massacre de Katyn foi um ponto sensível nas relações com a Polônia por mais de quatro décadas, e é possível que as autoridades soviéticas acreditassem que uma admissão franca e um pedido de desculpas ajudariam a aliviar as crescentes tensões diplomáticas. O governo soviético emitiu a seguinte declaração: “O lado soviético expressa profundo pesar pela tragédia e a avalia como um dos piores ultrajes stalinistas”.

Processo de exumação, abril de 1943.

Mão amarradas para trás, tiro na cabeça. Execução padrão da NKVD.

É difícil determinar se a admissão soviética teve algum impacto. O regime comunista na Polônia ruiu no final de 1990, e Lech Walesa foi eleito presidente da Polônia em dezembro daquele ano. Gorbachov renunciou em dezembro de 1991, o que pôs fim à União Soviética.

Post-script: Visita do presidente do comitê central da LVF à Katyn

Fernand de Brinon (centro e capote claro), presidente da comissão da LVF e o terceiro homem do regime de Vichy visitando os túmulos de Katyn em abril de 1943.

Marquês de Brinon quando em visita à Legião de Voluntários Franceses (LVF) na União Soviética, à pedido das autoridades alemãs, visitou a exumação de Katyn em abril de 1943. Notam-se vários militares das Legiões Orientais (povos da União Soviética à serviço alemão) durante a filmagem, reconhecidos pelos casquetes em estilo soviético (pelo menos um porta a Medalha Ostvolk).


Filme: Katyn (2007)

Em 2007, o cinema polonês lançou o filme Katyn, que trouxe o caso do massacre da floresta de Katyn para o grande público. O filme choca pelo realismo das cenas, com o massacre em escala industrial e execução mecânica - como numa linha de processamento de uma fábrica.


Cena da execução de um general polonês. Os agentes da NKVD usaram pistolas Walther P38 alemãs, fornecidas durante o período de cooperação entre as duas ditaduras - nazista e soviética.

Cena mostrando as execuções no filme "Katyn":


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Bibliografia recomendada:


Leitura recomendada:

"A criação de uma escola de guerra européia permitiria o desenvolvimento de uma estratégia militar indispensável na Europa"

"O fortalecimento do conhecimento mútuo entre os parceiros europeus promoveria a compreensão de suas várias abordagens e visões estratégicas do mundo." (Frederick Florin / AFP)

Por Jean-Marc Vigilant, Le Figaro, 13 de abril de 2021.

Tradução Filipe do A. Monteiro, 13 de abril de 2021.

FIGAROVOX / TRIBUNE - Para o Diretor-Geral da Escola de Guerra, o General Jean-Marc Vigilant, a defesa européia exige o treinamento conjunto das elites militares.

Jean-Marc Vigilant é general de brigada aérea e diretor geral da École de guerre.

O novo ambiente estratégico global de hoje é caracterizado por sua complexidade, mudanças rápidas e imprevisibilidade. Além dos desafios de segurança híbridos, que mesclam atores estatais e não-estatais, e que enfraquecem a fronteira entre guerra e paz, soma-se agora o retorno desinibido do equilíbrio de poder nas relações internacionais, na própria periferia do espaço europeu. Nenhum país pode enfrentar todos esses desafios sozinho.

Manobra franco-belga na Europa.

No desejo de desenvolver a sua autonomia estratégica, para além dos aspectos econômicos, industriais e digitais recordados nas reuniões de cúpula européias de 1 e 2 de outubro de 2020, pelo Presidente do Conselho, Charles Michel, a Europa deve também reforçar a sua defesa e segurança.

Embora a OTAN continue a ser a pedra angular da defesa coletiva do espaço Euratlântico e o cadinho da interoperabilidade entre os Aliados e parceiros da Aliança Atlântica, os Estados-Membros da União Européia devem prosseguir os seus esforços para desenvolver as suas capacidades militares. Isto contribuirá para uma melhor repartição dos encargos no seio da Aliança e para a credibilidade da defesa européia.

O desenvolvimento de capacidades militares não se trata apenas de adquirir novos equipamentos. Também requer treinamento do pessoal.

O desenvolvimento de capacidades militares não se trata apenas de adquirir novos equipamentos. Também pressupõe a formação do pessoal e, em particular, do pessoal militar superior, que desenvolverá novas estratégias, conceberá novas organizações, conceberá e implementará novas armas e sistemas de comando, e planificará e comandará operações militares.

Cada Estado membro é responsável pelo treinamento de seus oficiais, que podem ser chamados para servir em qualquer organização internacional. Após o treinamento inicial no exército, o caminho de educação continuada para oficiais europeus, às vezes chamado de ensino militar superior, geralmente consiste em três níveis.

Militares franceses e belgas.

O primeiro nível, que corresponde à aquisição de um alto conhecimento técnico ou tático, permite aos oficiais subalternos exercerem suas primeiras responsabilidades de supervisão em seu campo específico (especialidade profissional inicial e ambiente físico de origem de seu exército).

O segundo estágio, que geralmente ocorre dentro da Escola de Guerra ou equivalente, treina os oficiais superiores selecionados em questões estratégicas e desenvolve suas habilidades interarmas para servir em estado-maior de nível operacional ou na administração central. Eles também são preparados para ocuparem funções de comando e de direção subsequentes.

Por fim, o terceiro nível proporciona aos oficiais de altíssimo potencial, de patente equivalente a coronel, conhecimentos mais aprofundados nos campos político-militar e estratégico.

O desenvolvimento de uma cultura estratégica européia é o pré-requisito essencial para o advento da autonomia estratégica européia. Algumas iniciativas entre Estados-Membros já estão a contribuir para isso. Por exemplo, na área da formação inicial de oficiais, existe um programa militar Erasmus, a Iniciativa Européia para o Intercâmbio de Jovens Oficiais, inspirada no ERASMUS.

Deveríamos ter uma abordagem mais inovadora e decididamente ambiciosa, considerando a criação de uma escola de guerra verdadeiramente européia.

Do mesmo modo, para além do intercâmbio de alguns oficiais nas respectivas escolas de guerra, alguns países europeus desenvolveram uma cooperação mais específica no âmbito da formação dos seus jovens oficiais superiores. É o caso, em particular, da Alemanha, Espanha, França, Itália e Reino Unido, que realizam um exercício conjunto há vinte anos e que consideram o alargamento do seu campo de cooperação.

No outro extremo do espectro, desde 2005, o Colégio Europeu de Segurança e Defesa oferece a cada ano um curso de alto nível para oficiais do posto de coronel ou capitão-de-mar-e-guerra e funcionários civis de nível equivalente, a fim de promover a compreensão da Política Comum de Segurança e Defesa.

No entanto, para ir mais longe na construção da Europe de la Défense (Europa de Defesa), e para ser mais eficaz na formação dos futuros líderes militares europeus, deve ser adotada uma abordagem mais inovadora e decididamente ambiciosa, considerando a criação de uma escola de guerra propriamente européia.

Atirador de GC belga em evidência durante a manobra.

Com efeito, para além das escolas de guerra nacionais, tal instituição, cujo modelo de organização ainda está por se definir, seria um importante instrumento de interoperabilidade humana e cultural, entre oficiais dos diferentes Estados-Membros. Por um lado, estes oficiais aprenderiam a trabalhar em conjunto num quadro europeu e adquiririam as competências necessárias para ocupar as funções de oficiais do estado-maior (EM) em organismos como o EUMS ou o SEAE MPCC, bem como na OTAN e nos seus EM nacionais.

Além do planejamento de operações interarmas nos três domínios físicos tradicionais (terrestre, marítimo, aéreo), esses oficiais também seriam treinados para desenvolver as respostas adequadas às ameaças nas novas áreas de confronto que constituem o espaço, o ciberespaço e o campo da informação.

Os oficiais formados nesta escola construiriam uma consciência partilhada dos interesses comuns e coletivos da União Européia.

Ao aprender a integrar e sincronizar todos os efeitos militares em futuras operações multi-domínio, os oficiais assim formados contribuiriam para a implementação concertada de todos os instrumentos de poder da UE, como parte de uma abordagem verdadeiramente abrangente das crises. Por outro lado, os oficiais formados nesta escola construiriam uma consciência partilhada dos interesses comuns e coletivos da União Européia. Na verdade, o reforço do conhecimento mútuo entre os parceiros europeus das realidades históricas, geográficas e culturais de cada um promoveria a compreensão das suas várias abordagens e visões estratégicas do mundo.

Longe de conduzir à definição do mínimo denominador comum, esta combinação de conhecimentos seria um fator essencial para o desenvolvimento de uma cultura estratégica européia comum.

Ao preparar os futuros líderes militares europeus para enfrentar os desafios estratégicos de amanhã, a criação de uma escola de guerra européia daria um ímpeto adicional à construção da Europa de Defesa, bem como uma melhor visibilidade e maior legitimidade no seio das instituições européias.

Bibliografia recomendada:


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COMENTÁRIO: Por que ler Beaufre hoje?, 12 de fevereiro de 2021.

Depois de um "ano especial", a Arquus aspira se recuperar em 2021


Do blog Forces Operations, 12 de março de 2021.

Por Filipe do A. Monteiro, 13 de abril de 2021.

A Arquus terá "limitado a quebra" em 2020, apesar de um resultado 10% inferior ao do ano anterior. A subsidiária do grupo Volvo conta agora com uma recuperação equivalente em 2021, contando principalmente com o mercado nacional. Melhor ainda, pretende atingir a marca de um milhão de euros em volume de negócios até 2030.

Um volume de negócios que caiu 10%

A Arquus tinha "começado o ano cheia de ímpeto e otimismo, e nosso ímpeto foi brutalmente interrompido pela crise da Covid-19", observou nesta quarta-feira seu CEO, Emmanuel Levacher, em uma conferência à imprensa. A queda do volume de negócios foi finalmente controlada, na ordem dos 10% face a 2019, para um resultado ligeiramente inferior a 600 milhões de euros. “Tínhamos receio no início do ano que fosse muito pior do que isso, pelo que para nós 10% é mais uma prova de uma resistência muito boa”. E se a Arquus não se comunica precisamente sobre sua lucratividade, Emmanuel Levacher confirma que sua empresa continua "amplamente positiva".

Perante a crise, a atividade reorientou globalmente os serviços e o cliente França, com o qual terá desenvolvido 73% da sua atividade, um aumento de 23% face a 2019. O setor de serviços subiu 40%, enquanto a produção de veículos novos despencou 30%. A caderneta de pedidos atinge um pico de € 5,5 bilhões, incluindo € 1,3 bilhão de participação firme, e permanece "em um nível aproximadamente equivalente ao que tínhamos no final de 2019, uma vez que recebemos tantos pedidos quanto faturamos, então um livro para faturar de 1”.

Por mais que o mercado nacional tenha se mantido bem e continue ganhando impulso, “2020 ainda terá sido um ano mais fraco em termos de pedidos de exportação”. Isso se deve aos entraves à prospecção no exterior e, sobretudo, a uma incerteza econômica às vezes sinônimo de adiamento ou cancelamento de programas de armamento.

Se o segmento de exportação caiu 50%, a Arquus pode, no entanto, orgulhar-se dos poucos sucessos alcançados, incluindo “alguns veículos que são portadores de sistemas dos nossos parceiros MBDA e Nexter e que se destinam a um país norte-africano” e a aquisição pela polícia especial sueca de um número não revelado de veículos Fortress. No final do ano, houve um grande pedido das Forças Armadas Reais (Forces armées royalesFAR) do Marrocos para 300 veículos VLRA.

Mais de mil veículos produzidos

Apesar de algumas semanas de desaceleração necessárias para implementar novos protocolos, as equipes da Arquus terão conseguido entregar 1.166 veículos novos e 508 veículos recuperados em 2020 - um recorde de acordo com Emmanuel Levacher. Quase 300 veículos novos ou atualizados deixaram as linhas de montagem no auge do primeiro confinamento para equipar prioritariamente as unidades francesas que operam no exterior e na França metropolitana. Estes foram, por exemplo, 4x4 VT4 destinado ao Regimento Médico e cerca de quarentena VAB SAN CIED para Barkhane. Os VT4 cuja entrega está agora na metade e que terão experimentado sua primeira OPEX (operação exterior) no ano passado no Líbano como parte da Operação Amizade.

Outra prioridade é o aumento de potência do programa Scorpion (Escorpião), um importante programa de substituição de blindados médios do Exército. A Arquus e seus parceiros GME Scorpion, Nexter e Thales, terão conseguido apresentar ao DGA os 128 Griffons esperados em 2020. Um esforço que também resultou na qualificação da cúpula operada remotamente (tourelleau téléopéréTTOP) T1 do Griffon (Grifo), incluindo 99 cópias foram entregues para a DGA.

No lado da atualização, "a SIMMT nos pediu para acelerar, pois, devido ao uso intensivo desses equipamentos em operação e a crise da Covid, tínhamos que ser capazes de acelerar", diz Levacher. Essas operações já ocupam mais de 30% da capacidade industrial do grupo.

Por fim, a crise de saúde não terá impedido a finalização de alguns programas de exportação. O Kuwait recebeu assim o último Sherpa ao abrigo de um contrato de 300 exemplares assinado em 2016. Cerca de cinquenta veículos blindados Bastion e diferentes tipos de caminhões foram fornecidos às forças africanas, "em particular do G5 Sahel". Uma empresa menos conhecida, a Arquus fornecia chassis e fontes de alimentação para seu parceiro indonésio PT Pindad, que também produz veículos blindados. O grupo francês também chegou ao fim do contrato ODAS (antigo DONAS) assinado em 2014 com a Arábia Saudita para várias centenas de veículos VAB Mk3 e Sherpa.

O abastecimento poderia, portanto, ter seguido, apesar das preocupações iniciais sobre a resiliência da cadeia de abastecimento. “Não tínhamos nenhum bug muito grande”, ressalta Levacher. Mesmo quando a peça vem de longe, como a base do veículo leve VT4, produzido na Tailândia. Para o CEO da Arquus, é importante manter a cautela. “Não saímos do hostel, a crise ainda não ficou para trás”, explica, destacando, em particular, as preocupações causadas pela escassez de microprocessadores e pelas crescentes tensões sobre as matérias-primas.

VABs do Exército em total reavaliação na fábrica de Garchizy. (Créditos: Arquus)

Quicar em 2021

Depois da queda, o ano em curso deve ser de uma retomada que nos permitirá voltar ao patamar alcançado em 2019. Por que e, principalmente, como? Enquanto se espera por uma recuperação das exportações, a esperança recairá principalmente na França. Em primeiro lugar, graças ao Jaguar, a segunda grande plataforma do programa Scorpion, os primeiros 20 dos quais são esperados este ano. A Arquus é responsável pela componente de mobilidade, a cúpula T3 operada à distância (TTOP) e a logística de peças sobressalentes. A empresa também entregará 119 Griffons e 122 TTOP T1 e iniciará a produção de TTOP T2 e T3. "Portanto, também será um grande ano do Escorpião", disse Levacher.

A Arquus terá potencialmente duas novas cartas para jogar com o cliente francês. Primeiro no histórico segmento de caminhões. “São 7.500 caminhões para renovar”, lembra Levacher. Sem certeza quando uma substituição "um por um" por falta de especificações, este mercado deve representar vários milhares de transportadores táticos e logísticos a serem entregues aos exércitos franceses.

A competição, personificada pelo Caminhão Daimler, Rheinmetall MAN, Iveco, DAF, Scania, promete ser formidável, então a Arquus está intensificando seus esforços para consolidar a gama de versáteis transportadores Armis revelados em junho passado. Após a demonstração do modelo 6x6 em setembro de 2020, a família Armis deverá se expandir em 2021 com versões 4x4 a 8x8. Resta ao Ministério das Forças Armadas formalizar o lançamento do edital, fase prevista para este ano e que fornecerá especificações precisas ao fabricante.

Em outra escala, o segundo mapa será o da renovação dos veículos blindados da Gendarmaria Nacional. Este programa, denominado "Veículos Blindados de Manutenção da Ordem (Véhicules blindés de maintien de l’ordreVBMO), é monitorado pela Arquus há vários anos. Em 2019, ele apresentou uma solução baseada em um Sherpa configurado para atender às supostas expectativas da Gendarmaria Nacional. Uma oferta que se pretenda suficientemente ampla para poder ser adaptada aquando do lançamento do respectivo concurso.

Quanto às exportações, o pior já passou, mas a incerteza deve persistir por algum tempo. “Sofremos muito por estarmos um pouco desconectados de nossos clientes no ano passado”, observa Levacher, acrescentando que “2020 ainda foi um pouco uma vala de exportação”. A empresa francesa, por exemplo, não conseguiu assinar o contrato para 200 Bastion com um cliente asiático, tendo a decisão sido adiada indefinidamente por dificuldades orçamentais. Portanto, é aconselhável manter a cautela porque há muitas perspectivas cuja economia continua precária, "inclusive em países considerados ricos".

Uma ferramenta industrial em plena reorganização

A recuperação também envolve uma racionalização da ferramenta industrial. “Falamos sobre a intenção de fazer isso no ano passado. Agora que está acontecendo, não diminuímos o ritmo desses investimentos e da implantação desses novos processos”, afirma Levacher. Por trás dos 12 milhões de euros lançados, surge a vontade de especializar os quatro parques industriais do grupo. Quando cada entidade até agora realizou “um pouco de tudo”, o futuro está na concentração do savoir-faire.

Graças a um investimento de 2,5 milhões de euros, Saint-Nazaire (Loire-Atlantique) torna-se assim o centro de excelência para as atividades de manutenção em condições operacionais (maintien en conditions opérationnelles, MCO) e atividades de regeneração. Os caminhões TRM 2000, veículos blindados PVP e VBL Ultima são ou serão tratados lá. Limoges (Haute-Vienne) será o único centro de produção de veículos novos. Beneficiará de um envelope de € 8 milhões para a construção de uma nova plataforma logística o mais próximo possível da linha de montagem.

As equipes de Marolles-en-Hurepoix (Essonne) serão responsáveis ​​pelo controle da militarização dos motores e também pela fabricação e reparação dos componentes mecânicos. Por fim, a unidade de Garchizy, em Nièvre, terá como foco a produção de cascos blindados e a logística de peças de reposição. Desde 2018 este hospeda o Arquus Hub, uma plataforma logística única de 20.000m² que deverá ter capacidade para armazenar 35.000 referências e processar 7.500 filas de encomendas por mês em 2021. Ou seja, um volume de atividade multiplicado por oito num ano.

Para além da reorganização física dos sites, a Arquus está a rever todos os seus processos e métodos. "Também estamos montando um sistema de produção que, em nosso jargão, é chamado de VPS, o Volvo Production System (Sistema de Produção Volvo)." Este mecanismo adota todas as técnicas de produção enxuta, permitindo maior flexibilidade. A preocupação não é econômica, segundo o CEO da Arquus. Pelo contrário, trata-se de responder a uma necessidade de eficiência industrial que se deve traduzir na qualidade e no respeito pelos prazos. Se houver um impacto econômico positivo, será uma das consequências dos compromissos de qualidade-custo-tempo assumidos. Respeitar isto significa evitar multas por atraso, custos adicionais resultantes de atrasos no desenvolvimento, atualização técnica e custos de garantia.

O Scarabee, vitrine de novas tecnologias com que a Arquus conta para garantir o seu crescimento até 2030 (Créditos: Arquus)

Rumo a € 1 bilhão em faturamento em 2030

“A nossa ambição é chegar o mais rapidamente possível, mas antes de 2030, que esta empresa seja uma empresa que pesa em média cerca de € 1 bilhão por ano em volume de negócios”. Um objetivo que não é apenas um número simbólico, mas permitirá que a Arquus alcance massa crítica para apoiar o desenvolvimento e inovação de novos produtos. O projeto não é desproporcional para Emmanuel Levacher, que aposta em um crescimento médio anual de 5% ao longo da década.

"Está muito ao nosso alcance", disse ele, apostando em novos produtos e inovações revolucionárias. A Arquus tem trabalhado em quatro blocos de construção principais há algum tempo, nomeadamente robotização, digitalização, gestão de energia e capacidade de sobrevivência. Suas equipes se beneficiam das muitas sinergias estabelecidas com outras subsidiárias do grupo Volvo, começando com a Volvo Autonomous Solutions. No lado da automação, a Arquus não está apenas trabalhando na viagem do comboio, mas também em uma solução chamada “Mission Extender”, um membro inteligente da equipe que acompanha o veículo principal. Muitas dessas tecnologias são agora sintetizadas no veículo blindado leve Scarabée (Escaravelho), um veículo híbrido de próxima geração lançado oficialmente no mês passado.

A França continuará sendo uma terra de oportunidades. A próxima lei de programação militar anuncia programas que a Arquus está se dando os meios para abordar. A possível hibridização de determinados veículos blindados, por exemplo, de acordo com a política energética do Ministério das Forças Armadas. Tema há muito explorado pelo parque industrial, mandatado pelo Ministério das Forças Armadas da França para o desenvolvimento de um protótipo híbrido de Griffon previsto para 2022.

Com o objetivo de exportar por enquanto, o Scarabee está aguardando a hora de atender à necessidade de renovação dos VBL do Exército. A aquisição de seu sucessor, o Veículo Blindado de Auxílio ao Engajamento (Véhicule blindé d’aide à l’engagement, VBAE), só poderia ser concluída durante a próxima lei de programação. Assim, enquanto aguarda as especificações, a Arquus apostou num veículo modular com capacidade de carga de duas toneladas, o que vai facilitar a reorientação para as necessidades francesas quando tal se manifestar.

Mais um programa francês na mira da Arquus: o Módulo de Apoio ao Contato (Module d’appui au contact, MAC), ainda em desenvolvimento. “Posso confirmar que estamos trabalhando em um conceito, em que seremos candidatos quando o concurso for lançado e que obviamente pretendemos nos associar com parceiros na França”, anunciou Levacher. Para isso, a Arquus contará com o savoir-faire do grupo Volvo em engenharia civil, por meio da subsidiária Volvo Construction Equipments. No entanto, o programa MAC só entraria em vigor depois de 2025. Igualmente cobiçada pela dupla CNIM-Texelis, essa plataforma sucederá, entre outras coisas, o veículo blindado de engenharia aprimorado.

Por trás do objetivo financeiro, o outro desafio no horizonte para 2030 será o equilíbrio perfeito entre os pilares de produtos e serviços - objetivo perfeitamente realizável tendo em vista os bons avanços observados este ano no setor de serviços - e os mercados da França e de exportação.

“Hoje ainda somos muito franceses, principalmente em 2020”, enfatiza Levacher. Para este último, haverá também um equilíbrio a verificar-se nas exportações, entre os clientes europeus (25%) e o resto do mundo (25%). Apesar do sucesso alcançado na Bélgica graças à parceria CaMo, a clientela européia continua a ter uma participação modesta nas exportações. A conquista de novos mercados europeus é, portanto, uma prioridade e "não necessariamente nos países muito grandes".

Bibliografia recomendada:


Leitura recomendada:

Policiais belgas encarregados de vigiar a sede da OTAN ainda empunham a icônica submetralhadora Uzi


Por Joseph Trevithick, The Warzone, 20 de março de 2021.

Tradução Filipe do A. Monteiro, 13 de abril de 2021.

Depois de mais de sete décadas, a lendária submetralhadora Uzi continua a ser usada em todo o mundo.

Embora inquestionavelmente icônica, a submetralhadora Uzi israelense original é uma visão cada vez mais incomum entre as forças de segurança ocidentais. No entanto, imagens divulgadas recentemente mostram que a Polícia Federal belga encarregada de guardar o principal quartel-general operacional da OTAN em Bruxelas ainda tem acesso a essas armas.

As forças armadas americanas divulgaram as imagens do pessoal da Polícia Federal belga treinando com suas Uzis em um estande coberto no Centro de Suporte de Treinamento na Base Aérea de Chièvres. Chièvres está situado a cerca de 19km do Quartel-General Supremo das Potências Aliadas da OTAN na Europa (Supreme Headquarters Allied Powers EuropeSHAPE), sede das Operações de Comando Aliado (Allied Command OperationsACO) da Aliança, na cidade de Mons.


As fotos também mostram policiais treinando com suas pistolas Smith&Wesson M&P9. O fabricante de armas americano ganhou um contrato para fornecer essas armas de 9 mm para a Polícia Federal belga em 2011.

As Uzis em tamanho real são definitivamente as armas mais atraentes. Essas exemplares específicos são armas fabricadas sob licença na Bélgica pela igualmente famosa empresa de armas leves Fabrique National, mais comumente chamada de FN.

Uziel "Uzi" Gal, nascido na Alemanha, começou a trabalhar nesta arma de 9x19mm logo após o estabelecimento do Estado de Israel em 1948 e o primeiro protótipo foi concluído em 1950. Gal pessoalmente não queria a arma, que entrou em serviço nas Forças de Defesa de Israel (IDF) quatro anos depois, batizada em sua homenagem.

Um policial da Polícia Federal belga engatilha sua submetralhadora Uzi enquanto treina em uma área coberta na Base Aérea de Chièvres. (Exército dos EUA)

Uma policial da Polícia Federal belga aponta sua pistola Smith&Wesson M&P9. (Exército dos EUA)

A Uzi padrão, que pesa pouco menos de quatro quilos, foi uma das primeiras submetralhadoras a apresentar o chamado ferrolho telescópico. O que isso significa é que uma parte substancial do conjunto do ferrolho, um componente-chave do mecanismo interno da arma, está situada na frente da arma e desliza para frente e para trás em torno do cano. Em muitos projetos anteriores, bem como nos subsequentes, esse componente é posicionado inteiramente atrás do cano.

Isso permite uma arma mais compacta que ainda tem um cano relativamente longo. A Uzi padrão original, que tinha uma coronha fixa de madeira, tinha um cano de pouco mais de 25 centímetros de comprimento e um comprimento total de pouco mais de 64 centímetros. Em comparação, a submetralhadora M1 Thompson, outra arma icônica, tem um cano de 26,7cm e meia de comprimento, mas tem quase 86cm de comprimento.

Uma submetralhadora Uzi padrão com coronha fixa de madeira. (Museu do Exército Sueco)

Uma versão da Uzi padrão com coronha dobrável, como visto nos exemplos belgas em Chièvres, foi posteriormente introduzida. Com esta coronha estendida, o comprimento total da arma é apenas ligeiramente menor do que seria com a coronha fixa de madeira instalada.

Apesar das complexidades políticas que muitos países enfrentaram, e que muitos ainda enfrentam, ao lidar com Israel, a Uzi rapidamente se tornou um padrão-ouro para submetralhadoras em todo o mundo. O Irã sob o xá estava entre os importadores dessas armas e elas permanecem em uso na atual República Islâmica, embora seja contrário à própria existência de Israel por uma questão de política. Grandes quantidades de cópias licenciadas e clones não-licenciados foram produzidas em vários países.

Militares das forças especiais iranianas armados de Uzis com silenciadores. (Agência de Notícias Borna)

Por meio de sua onipresença, inclusive junto às principais forças militares e outras forças de segurança, a arma alcançou status de ícone, tanto na vida real quanto na mídia popular. Robert Wanko, assim como outros agentes do Serviço Secreto dos EUA, sacou sua Uzi durante a tentativa de assassinato do presidente Ronald Reagan em 1981.

O agente do Serviço Secreto dos Estados Unidos, Robert Wanko, à esquerda, desdobra a coronha de sua submetralhadora Uzi logo após a tentativa de assassinato do presidente Ronald Reagan em 1981. Uma pasta na qual uma Uzi, seja aquela mantida por Wanko, ou uma empunhado por outro agente em outro lugar na cena, tinha sido escondida, é vista na rua à direita. (NARA)

As Uzis também foram usados com as forças de operações especiais militares dos EUA, incluindo as equipes SEAL da Marinha dos EUA e as Forças Especiais do Exército dos EUA, e permanecem em armários dentro da comunidade das forças de operações especiais americanas para treinamento de familiarização com armas estrangeiras. Outras agências do governo federal, como o Serviço de Segurança Diplomática do Departamento de Estado e organizações predecessoras, também emitiram Uzis para seus funcionários.

Os alunos designados para o Centro de Guerra Especial JFK do Exército e a Escola disparam Uzis, bem como outras submetralhadoras, durante um curso de treinamento de familiarização com armas estrangeiras. (Exército dos EUA)

Um agente especial do então Escritório de Segurança do Departamento de Estado dos EUA, armado com uma Uzi, é visto à esquerda nesta foto do então Embaixador dos EUA em El Salvador Thomas Pickering, em primeiro plano, e então Embaixador dos EUA nas Nações Unidas Jeane Kirkpatrick, à direita, em El Salvador em 1984.

Ao mesmo tempo, Uzis também se tornaram populares entre grupos terroristas e criminosos. O desenho robusto e compacto combinado com o grande número dessas armas em circulação em todo o mundo - somente Israel fabricou mais de 1,5 milhão delas - aumenta as chances de que continuem a encontrar seu caminho até as mãos de atores maléficos não-estatais.

Tudo isso foi rapidamente traduzido para a tela grande em filmes como Comando Delta (The Delta Force, 1986), estrelado por Chuck Norris e Lee Marvin. A lista de filmes, bem como programas de televisão, em que a Uzi é um recurso de destaque, incluindo outros grandes sucessos de bilheteria, como O Exterminador do Futuro (The Terminator, 1984), com Arnold Schwarzenegger como o Exterminador titular, é longa demais para ser postada aqui por completo. Jogos de vídeo e outras mídias populares também apresentam Uzis rotineiramente.



Depois de mais de sete décadas, a Uzi continua a ver um uso significativo por unidades militares e forças de segurança estatais até hoje - incluindo a Polícia Federal belga. No entanto, agora é certamente um desenho datado que é relativamente pesado para seu tamanho e tem uma cadência de tiro - 600 tiros por minuto - que é decididamente lenta para uma arma deste tipo, mesmo que a torne mais controlável e, como resultado, preciso.

Um derivado compacto pesando 2,7kg e com uma cadência de tiro de 950 tiros por minuto, chamado de Mini Uzi, foi introduzido em 1980. Isto foi seguido seis anos depois pela Micro Uzi ainda menor e de disparo mais rápido, que, embora visualmente semelhante, é um desenho substancialmente diferente. Uma "pistola" Micro Uzi sem coronha, com um cano um pouco mais curto, veio logo em seguida. Versões semiautomáticas também foram produzidas, incluindo tipos com canos mais longos, necessários para atender às diversas legislações referentes à propriedade civil, principalmente nos Estados Unidos.


Um anúncio da década de 1980 mostrando todos os modelos da família Uzi naquela época.

"A tecnologia antiga deve ser eliminada em algum momento", disse Iddo Gal, filho de Uzi Gal, ao The Baltimore Sun em 2004, dois anos depois que seu pai morreu aos 79 anos. "Existem pouquíssimas armas que resistiram por tanto tempo."

Ainda assim, assim como seu uso operacional, a produção da Uzi persiste. Em 2010, o fabricante de armas israelense IWI até mesmo revelou um novo tipo, a Uzi Pro, um derivado da Mirco Uzi apresentando um receptor inferior de polímero leve totalmente novo, entre outras mudanças, e vários acessórios modernos, como trilhos de acessórios para montagem de itens como miras ópticas, miras laser e luzes táticas. Uma versão semiautomática de "pistola", inicialmente sem coronha, mas agora disponível com uma braçadeira, também foi introduzida, novamente voltada principalmente para os mercados civis, particularmente os entusiastas de armas nos Estados Unidos.


No entanto, mesmo quando apareceu pela primeira vez, há mais de uma década, a Uzi Pro estava entrando em um mercado inundado com submetralhadoras mais novas e modernas, que cada vez mais ultrapassaram outros tipos icônicos, mas datados, tais como as séries Heckler & Koch MP5, também. As forças militares, em geral, há muito tempo se afastam das armas desse tipo geral, também, em favor de fuzis de assalto compactos que disparam cartuchos com melhor desempenho e alcance balístico. Essa mesma tendência também foi aparente em muitas forças policiais e de segurança em todo o mundo, em grande parte devido às preocupações com a proliferação de armas e armaduras corporais mais capazes entre grupos criminosos.

Uma nova classe de armas, conhecida como Armas de Defesa Pessoal (Personal Defense Weapons, PDW), tenta fazer o melhor dos dois mundos, oferecendo um pacote compacto e altamente controlável com uma profundidade de carregador que dispara o que pode ser descrito como munição de fuzil em miniatura que são capazes de penetrar armadura corporal. Essas ofertas também degradaram a atratividade das subs em alguns casos.

O HK MP7 é uma PDW altamente popular usada por forças militares e policiais em todo o mundo. (SRI Tactical)

Dito isso, as submetralhadoras, em geral, continuam a servir nas principais forças militares e outras forças de segurança, embora frequentemente em funções de nicho. Por exemplo, em 2019, o Exército dos EUA selecionou oficialmente uma versão da série B&T USA AC9 PRO como uma nova arma especificamente para detalhes de segurança VIP, algo que você pode ler com mais detalhes neste artigo anterior da War Zone.

Ainda não se sabe por quanto tempo a Polícia Federal belga manterá suas Uzis, mas, pelo menos por enquanto, elas permanecem como parte do arsenal disponível para os policiais que protegem um dos principais quartéis-generais do que é indiscutivelmente a aliança militar mais significativa no planeta.

Bibliografia recomendada:


Leitura recomendado:

GALERIA: A Uzi iraniana, 3 de março de 2020.


A submetralhadora MAS-38, 5 de julho de 2020.

Micro Tavor VS M4/M16, 5 de março de 2020.

segunda-feira, 12 de abril de 2021

Tiroteio em frente a hospital de Paris deixa pelo menos um morto

A polícia francesa isolou a área perto do hospital particular Henry Dunant no sofisticado 16º distrito de Paris hoje cedo, 12 de abril de 2021. (Anne-Christine Poujoulat, AFP)

Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 12 de abril de 2020.

Hoje cedo, 12 de abril, um agressor não-identificado matou um homem e feriu gravemente uma mulher em frente ao hospital particular Henry Dunant de Paris na segunda-feira antes de fugir do local em uma motocicleta, disse a polícia.

O agressor deu vários tiros no hospital geriátrico particular Henry Dunant, administrado pela Cruz Vermelha, e localizado no 16º distrito de Paris. "Uma pessoa morreu e outra está gravemente ferida", disse uma fonte do serviço de bombeiros. As duas vítimas foram levadas ao hospital para tratamento após o tiroteio. O homem morreu por causa dos ferimentos. A mulher ferida trabalha como segurança no hospital, que administra um centro de vacinação da Covid-19.


Não houve indicação imediata do motivo do ataque. A polícia isolou a área ao redor do hospital, segundo informações da Agence France-Presse. Um carro de bombeiros e várias vans da polícia alinhavam-se na rua em frente às instalações. O hospital está situado perto do rio Sena, cerca de quatro quilômetros ao sul da Torre Eiffel e perto do estádio Parc des Princes, casa do clube de futebol Paris Saint-Germain.

O terrorista ainda está foragido.

Leitura recomendada:


GALERIA: Treinamento do Eurocorps com fuzis AK no CENTIAL-51e RI


Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 12 de abril de 2021.

Nesta segunda-feira, 12 de abril, o Curso de Parceria Militar Operacional (Partenariat Militaire Opérationnel, PMO) relizou treiamento com o fuzil AK em proveito do Eurocorps no CENTIAL do 51º Regimento de Infantaria francês (Centre d'entraînement interarmes et du soutien logistique - 51e régiment d'infanterie, CENTIAL- 51e RI).

Este mês, no âmbito da preparação para uma projeção da Missão de Formação da União Europeia (European Union Training Mission, EUTM), os soldados do Eurocorps se beneficiaram do armamento do centro e da sua infraestrutura para treinamento no sistema AK. Esses cursos de PMO permitem que os soldados do Exército se aculturem e dominem certas armas estrangeiras. Devido aos engajamentos no Oriente Médio e África, onde a plataforma AK é onipresente, o Exército Francês decidiu em dezembro de 2019 que o domínio desse armamento é uma prioridade. O treinamento é realizado em duas fases de aprendizagem:

- o manuseio do fuzil (características, montagem/desmontagem…);
- o tiro (em diferentes circunstâncias e ambientes).





Segundo o Ministério das Forças Armadas francês, a função dos PMO é:
  • Prevenção de conflitos: fortalecendo as capacidades de países amigos por meio de aconselhamento, formação, treinamento e apoio em combate;
  • Intervenção: apoiando parceiros no combate em combate;
  • Conhecimento e Antecipação: através de uma melhor compreensão dos vários países parceiros e diferentes ambientes;
  • Proteção: dos interesses franceses e de seus cidadãos no exterior por meio da presença permanente ou ad hoc de unidades francesas ao redor do globo.




O Eurocorps

Brasão do Eurocorps.

O Eurocorps (European Corps, Corpo Europeu) é um corpo militar intergovernamental com seu quartel-general de aproximadamente 1.000 soldados estacionados em Estrasburgo, Alsácia, na França. O corpo teve seu quartel-general estabelecido em maio de 1992, ativado em outubro de 1993 e declarado operacional em 1995. O núcleo da força é a Brigada Franco-Alemã criada em 1987, e contando quase 6 mil homens. O Tratado de Estrasburgo, assinado em 2004, deu ao corpo sua base legal quando entrou em vigor em 26 de fevereiro de 2009.

O Eurocorps possui 10 associados, sendo membros a Bélgica, França, Alemanha, Luxemburgo e Espanha. O tamanho e o tipo das unidades do corpo exigidas nas operações dependem da natureza e do escopo das missões designadas, do desdobramento provável e do resultado operacional esperado. No caso de todas as contribuições nacionais reservadas serem comprometidas, o corpo teoricamente compreenderia cerca de 60.000 soldados.

Boina e distintivo do Eurocorps.

Bibliografia recomendada:



Leitura recomendada:




FOTO: Brigada Franco-Alemã, 22 de janeiro de 2020.




GALERIA: Os fuzis AK-74M da Síria, 29 de agosto de 2020.