sábado, 30 de agosto de 2014

PISTOLAS SIG SAUER - Atualização Full Metal Jacket

O blog Full Metal Jacker foi atualizado com um artigo sobre as pistolas Sig Sauer. Para ler clique na foto abaixo.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

AR-15/ M-16 no Full Metal Jacket blog


O Blog Full Metal Jacket foi atualizado com uma matéria sobre o famoso fuzil AR-15, também conhecido como M-16 em sua versão militar. Para conhecer detalhes desta arma entre no site  Full Metal Jacket clicando na foto acima.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

ROTEM/ SAMSUNG K-2 BLACK PANTHER. O defensor peso pesado da democracia sul coreana.


FICHA TÉCNICA
Velocidade máxima: 70 Km/h.
Alcance Maximo: 450 Km.
Motor: Motor MTU MB883 Ka 500 4 tempos com 12 cilindros e 1500 Hp de potência
Peso: 61 Toneladas.
Comprimento: 10 m
Largura: 3,6 m.
Altura: 2,5 m
Tripulação: 3
Inclinação frontal: 60º
Inclinação lateral: 40º
Passagem de vau: 1,2 m
Obstáculo vertical: 1,3 m
Armamento: Um canhão L-55 de 120 mm e 40 munições; 1 metralhadora K-6 em calibre 12,7X99 mm e uma metralhadora FN MAG) de 7.62 mm. 12 granadas de fumaça.

PREFÁCIO
Por Edilson Moura Pinto
Desde os anos 50, imersa em conflitos com a Coreia do Norte, a Coreia do Sul vive um clima de instabilidade e desconfiança. As hostilidades cessaram sem que houvesse, até hoje, um acordo de paz oficial.
Com forte apoio dos Estados Unidos, a Coreia do Sul se desenvolveu, contrariamente a sua irmã do Norte que mantém-se em padrões tecnológico não muito diferentes dos que possuía após a 2ª guerra. A indústria de defesa Sul Coreana é uma das mais modernas do mundo e assim como as suas forças militares, uma das mais bem treinadas e bem equipadas do planeta, busca a todo momento a sua atualização. A florescente nação asiática se prepara constantemente para o futuro. Um exemplo de sua capacidade é o desenvolvimento dos carro de combate K-1, veículo que supera com folga o desempenho e poder de fogo dos veículos similares da Coreia do Norte e outros concorrentes regionais.Para manter-se na vanguarda tecnológica, em meados dos anos 90 a jovem indústria de defesa sul coreana lançou-se para desenvolvimento de um novo carro de combate pesado. A nova arma seria extremamente moderna e visava entre outros interesses a exportação para países sobre embargo ou restrições de transferência de tecnologias e armas por parte dos Estados Unidos. A nova arma blindada viria, a inicialmente, para completar a defesa coreana e posteriormente substituir os modernos K-1 a partir de 2011. O novo projeto recebeu o nome código XK-2 e consiste num carro de combate equipado com as mais avançadas tecnologias aplicadas ao combate terrestre no momento. O K-2 é visto por alguns analistas como sendo um carro de combate equivalente aos Norte americanos M-1A2 e Leopard 2A6 alemão, o que já demonstra, a maturidade tecnológica e o grande esforço dos engenheiros Sul Coreanos em produzir um veículo com capacidades militares e potencial para conquistar o mercado externo.
Acima: Oriundo de um projeto totalmente novo e inovador, o K-2 Black Panther é visto pelos especialistas como um dos melhores e mais atuais carros de combate concebidos na atualidade

ORIGEM
Em 1995, a Agência para o Desenvolvimento de Defesa Sul-Coreano recebeu do Ministério da Defesa da Coreia do Sul a importante tarefa de desenvolver um moderno carro de combate blindado, com base em tecnologias nacionais coreanas em state-of-the-art. Apesar da formidável capacidade dos seus carros K1 e K1A1 inegavelmente superiores aos projetos norte-coreanos existentes que em sua maioria consiste em envelhecidos carros T-55 e T-59, o Ministério da Defesa Coreano firmou-se em produzir o “veículo do Futuro” capaz de fazer frente aos outros carros de combate asiáticos que estavam em desenvolvimento, na Rússia, China e Japão.
A ênfase em tecnologias nacionais também permitiria que o veículo fosse proposto para entrar no mercado de exportação, sem problemas de liberações, esta mudança de visão por parte dos coreanos visava entre outras coisas, equacionar e reduzir os custos de desenvolvimento da nova arma que como se esperaria, seria elevado.
Acima: Concebido para o combate em qualquer tempo o K2 projeta a indústria de defesa sul coreana que busca potenciais exportações para o veículo.

O projeto do XK-2 coube então à agência de Desenvolvimento de Defesa conjuntamente com a projetista e construtora francesa, GIAT industries e a Alemã Diehl, que desenvolveram o projeto do carro XK-2. A construção e montagem seriada dos veículos foi destinada a Rotem, empresa do grupo Hyundai, fabricante dos carros K-1. A meta de nacionalização alcançada no projeto XK-2 supera 90% dos componentes existentes no veículo.
O projeto estava pronto para entrar em produção em 2006, 11 anos após o inicio do desenvolvimento, haviam sido envolvidos em projetos de pesquisa e desenvolvimentos, cerca de US$ 230 milhões, o veículo entrou em fase de produção, na planta produtora da Rotem em Changwon, Coreia do Sul em 2 de Março de 2007.
Acima: Na imagem o segundo protótipo do veículo em demonstração ao público.

Em Março de 2011, a DAPA (Defense Acquisition Program Administration) da Coreia do Sul anunciou que a produção em massa do novo MBT K2 para o Exército Sul Coreano teria início em 2012, entretanto, foram detectados problemas com o sistema de motores e transmissão, que acabaram por atrasar o início da produção seriada do veículo, algo que não aconteceu até meados de 2013.
O problema segundo relatado, devia-se a falhas, confiabilidade e durabilidade dos motores produzidos domesticamente, os primeiros 100 K2 de produção usariam um motor estrangeiro, produzido pela MTU, atrasando a entrada em serviço do carro que só ocorrera em Março de 2014.
O projeto previa que o K2 seria movido por um motor nacional produzido pela Doosan Infracore Corporation, o motor seria concebido e baseado no Alemão MTU-890. O Motor diesel de 12 cilindros, deveria entregar 1.500 HP (1.100 kW) e seria acoplado a um sistema de transmissão C & T Dynamics Transmission. No entanto, este problema técnico recorrente, foi encontrado nos testes que se sucederam e levaram aos atrasos no desenvolvimento operacional do K2 em cerca de 2 anos.

Acima: Problemas no motor e sistemas de transmissão produzidos localmente atrasaram o lançamento do veículo, porém o projeto atingiu a sua maturidade e encontra-se em franca linha de produção.

Para muitos estes seriam problemas técnicos que fariam desmerecer o projeto, entretanto, ressalta-se que a Coreia buscou desenvolver alternativas próprias sempre que possível, a complexidade de tecnologias certamente são fatores a ser considerados, especialmente quanto a motorização e um veículo desta natureza.
Pode-se dizer que este atraso seria esperado, frente as variadas e complexas tecnologias que envolvem um veículo deste quilate. Basta dizer que na sua concepção, seus projetistas avaliaram a possibilidade de integrar-lhe tecnologias inovadoras.
Uma das variantes planejadas teria a torre da arma principal não tripulada, todas as armas seriam operadas remotamente, posteriormente esta solução foi descartada.
Em busca de maior poder de fogo e capacidade de destruição das blindagens compostas que se encontravam em franco crescimento, os projetistas imaginaram equipar o carro com uma arma de cano liso de 140 mm produzida pela Rheinmetall.
Segundo informações da época, o descarte desta arma alternativa só foi tomado devido ao desinteresse da Rheinmetall produtora do canhão, que por razões internas, resolvera abandonar o projeto concentrado esforços no desenvolvimento da sua arma mais atual, o canhão 120 mm – L55 que segundo o fabricante teria a mesma eficácia que a arma de 140 mm, sendo suficiente para contrariar ameaças de blindados potenciais num futuro previsível.

SISTEMAS DE ARMAS
Com o cancelamento do projeto do canhão de 140 mm, os projetistas buscaram junto ao fabricante a alternativa de arma mais poderosa que poderia existir no inventário internacional.
A Coreia do Sul não possui tecnologia para produção de um canhão com as especificações que desejava. Portanto, a solução viria por meio da Rheinmetall e seu novo modelo de canhão o L-55 de 120 mm, uma arma de alma lisa que passou a ser produzida sob licença na Coreia do Sul. O sistema de arma principal idealizado pelos projetistas Coreanos e Franceses, fazia uso de carregador automático, semelhante ao sistema que fora projetado para MBT Francês, Leclerc. A arma coreana poderia assim disparar a uma cadência bastante elevada de até 20 tiros por minuto ou seja, um disparo à cada 3 segundos.

Acima: Na imagem o canhão Reinmetall L 55- 120 mm.

O Black Panther pode se utilizar de todo a sorte de munições 120 mm operadas pelos seus predecessores, os carros de combate K1 e K1 A1, em especial as munições APFSDS. Porém para a nova arma do exército Sul Coreano, os projetistas preparam duas surpresas especiais. Além das referidas munições de 120 mm o K2 pode operar uma munição anti-tanque principal de tungstênio (APFSDS) especial, produzida e desenvolvida localmente.
Esta nova munição consiste num penetrador de energia cinética, que oferece significativamente maior capacidade de penetração que qualquer arma semelhante atualmente em operação.
Segundo o fabricante, uma tecnologia própria permite que o núcleo da ogiva não se fragmente ou deforme, mantendo a sua integridade e capacidade de penetração.
Para atacar alvos não protegidos, o K2 pode usar munições multipropósito química HEAT, similares às americanas M830A1 HEAT MP-T, proporcionando boas capacidades ofensivas contra tropas, veículos sem blindagem  ou levemente blindados, bem como helicópteros em voo baixo. Outra arma especial do veículo é a  Korean Smart Top-Attack Munition (KSTAM),  uma munição do tipo dispare e esqueça, que atinge o carro de combate por uma de suas regiões mais frágeis, o topo. Esta munição anti-carro possui um alcance de funcionamento eficaz entre 2-8 km, e foi especificamente desenvolvida para o emprego nos veículos K2. Ela é lançada como um projéctil de energia cinética, disparado da arma principal em um perfil de elevação maior.

Acima: Perfeitamente intercambiáveis, as munições empregadas pelos veículos K1 e K1 A1 são igualmente operadas pelo K2.

Ao chegar a sua área de destino designado, um pára-quedas é aberto e é ai que um radar de banda milimétrica e sistemas de infravermelho bem como,  sensores radiométricos iniciam a busca por alvos fixos ou móveis. Uma vez que o alvo é adquirido, uma carga explosiva com um penetrador é disparada a partir de uma posição de cima para baixo, atingindo a armadura do veículo oponente numa de suas regiões mais vulneráveis, o topo do casco e torre.
A busca pelo alvo pode também ser executada manualmente pela tripulação do carro, por meio de sistema de data link. Estas características permitem que o veículo de lançamento se esconda atrás de coberturas enquanto dispara sucessivas cargas para a localização de um inimigo conhecido, ou ainda, preste apoio efetivo com fogo indireto contra alvos escondidos atrás de obstáculos e estruturas. Além da arma principal o veículo utiliza-se armas secundárias como a metralhadora pesada  K-6 de 12,7 mm e metralhadora coaxial de  7,62 mm.

Acima: Demonstrativo da munição KSTAM.

BLINDAGEM E PROTEÇÃO

O MBT coreano possui um sistema de blindagem composta cujos detalhes da armadura são sigilosos. Segundo os testes com fogo real, a armadura frontal do caco do veículo suporta eficazmente os disparos de munições APFSDS 120 mm lançados a partir do canhão L55. No futuro as novas versões do veículo terão também inclusas na armadura, sistemas de blindagem reativa explosivas, com a adição de Non-Explosive Reactive Armour (NERA) planejado para a versão K2 PIP. Encontra-se em desenvolvimento um programa denominado KAPS ou Korean Active Protection System, que em suma, destina-se a desenvolver localmente um sistema de proteção ativa como o israelense “Trophy” ou o Russo “Arena” no qual o sistema se baseia.
O sistema proverá a defesa ativa dos veículos contra as armas anticarro. Segundo informações do fabricante o sistema utiliza-se da detecção tridimensional e acompanhamento por radar e um termovisor para acompanhar as ameaças.
Ogivas podem ser detectadas à 150 metros do veículo e após isso uma carga é disparada com vistas a destruir a ameaça num perímetro superior a 10 m do veículo. Segundo o fabricante o sistema encontra-se em fase final de testes e é capaz de neutralizar ameaças provenientes de lança-granadas anti-tanque e mísseis guiados.
O sistema pode ser instalado em outras plataformas no futuro, e seu valor unitário é estimado em cerca de US$ 600 mil.
Para auto-defesa o Black Panther faz uso de um sistema de radar de banda milímetros montada na torre que é capaz de operar como um sistema de alerta de ataques de mísseis, Missile Approach Warning System (MAWS). O computador do veículo por sua vez, pode triangular sinais de projéteis e avisar imediatamente a tripulação do veículo ao mesmo tempo que dispara o sistema de interferência a laser, por meio do lançamento de granadas de fumaça (VIRSS) 2×6, bloqueando assinaturas ópticas, infravermelho e de radar.

Acima: Na parte frontal da Torre localizam-se os sensores radares e os sistemas lançadores de granadas.
Quatro receptores de alerta laser (LWR) também estão presentes para alertar a tripulação quando o veículo está sendo “pintado” por um sistema de disparo.
O sistema é automático e dispara as granadas VIRSS na direção incidente do feixe laser. 
Um sistema de supressão de incêndio automático é programado para detectar e apagar todos os fogos internos que podem ocorrer e os sensores atmosféricos alertam a tripulação sobre os perigos atmosféricos dentro e fora do carro.
O K2 está equipado com um avançado sistema de controle de fogo (FCS), ligado a um sistema de radar banda milimétrica, implantado no arco frontal da torre, junto com um identificador de laser e um sensor de velocidade de vento. O sistema é capaz de operar em modo “lock-on“, de adquirir e seguir alvos específicos até uma distância de 9,8 km usando os sistemas ópticos e termais. Isso permite que a tripulação dispare com precisão enquanto se move, bem como possa engajar efetivamente aeronaves voando baixo. O FCS também está ligado a um estabilizador avançado de arma e a um mecanismo de disparo com atraso para otimizar a precisão enquanto se move em terreno irregular. Se o gatilho da arma principal for puxado no momento em que o veículo se encontra em uma irregularidade no terreno, a oscilação do cano da arma vai causar desalinhamento temporário entre um emissor de laser na parte superior do cilindro e um sensor na base. Isto irá retardar o FCS de ativar, até que o feixe seja novamente realinhado, melhorando as chances de acertar o alvo pretendido.

Acima: Visor termal KCPS, apesar de mais moderno e atualizado este sistema é semelhante ao utilizado pelos MBT K1 e K1A1 também coreanos.
O veículo é equipado com um visor primário para o artilheiro denominado Korean Gunner Primer Sight (KGPS), já o comandante do veículo possui um segundo sensor o Korean Commander Panoramic Sight (KCPS). Estes sistemas são os mesmos os quais empregam os carros K1 e K1 A1, porém, tratam-se de versões atualizadas e mais avançadas. Para o Programa K2 PIP, uma nova gama de visores termais e sistemas eletro-ópticos estão sendo desenvolvidos, mas não serão tratados aqui pois não são o objetivo deste artigo. O comandante do carro tem a capacidade de substituir o comando para assumir o controle da torre e arma do artilheiro. O veículo pode ser operado por apenas dois tripulantes, ou até mesmo um único membro da tripulação.Especula-se que o FCS pode detectar automaticamente e rastrear alvos visíveis, compará-los usando o link de dados estabelecido com outros veículos para evitar a redundância de disparos da arma principal sem a entrada manual. O K2 foi planejado para um ambiente de guerra centrado em redes e possui uma eleva gama de sistemas que amplificam a consciência situacional da tripulação, é plenamente imerso na filosofia C4I (Comando, Controle, Comunicações, Computadores e Inteligência) uplink, possui sistema de orientação por GPS (Global Positioning Satellite) uplink.  Possui sistema IFF / SIF (Identificação Friend or Foe / Selective Identification Feature) compatível com STANAG 4579 o sistema é localizado logo acima da arma principal e dispara um feixe de 38 GHz na direção da arma para uma resposta do alvo (veículo).

Acima: Visor do artilheiro KGPS projetado pela  Thales -Samsung.
Se um sinal de resposta adequada é mostrada, o sistema de controle de fogo identifica automaticamente como amistoso ou não. Se o destino não responder ao sinal de identificação, este é automaticamente declarado como um hostil.
O Sistema de Gestão da Batalha (Similar ao Sistema de Informação Inter-Veicular usado no exército dos Estados Unidos) permite que o veículo compartilhe seus dados com unidades aliadas, incluindo veículos blindados e helicópteros. 
Os coreanos trabalham agora para ampliar as capacidades do K2 integrando-o a um veículo XAV, um veículo de reconhecimento não tripulado de rodas que proverá a capacidade de explorar remotamente uma área sem expor a sua posição.

MOTORIZAÇÃO E MECÂNICA
O veículo é equipado com um motor MTU-883 Ka 500 a diesel 4 tempos, 12 cilindros e refrigerado a água de 1.500 hp (1.100 kW), o que permite trafegar a uma velocidade de 70 km/h em estradas.
O veículo é capaz de acelerar de zero à  32 km/h em 7 s e manter velocidades de até 52 km / h em condições off-road. Ele também pode  transpassar inclinações frontais de 60º e obstáculos verticais de 1,3 m de altura.
Devido à concepção relativamente compacta do motor, os seus projetistas foram capazes de encaixar um mecanismo adicional no sistema de propulsão, uma turbina a gás Samsung Techwin que amplia a potência conferindo-lhe 100 cavalos de potência (75 kW) extras. Esta turbina funciona também como uma unidade auxiliar de potência com a qual o carro pode ligar seus sistemas de bordo quando seu motor principal estiver desligado. Fora isso, permite uma economia de combustível quando em marcha lenta e minimiza as assinaturas térmicas e acústicas do veículo. O veículo pode atravessar rios com 5 m de profundidade, usando um sistema especial de snorkel, que também serve como uma torre de comando para o comandante do veículo.
O sistema leva cerca de 30 minutos para ser preparado. A torre torna-se estanque, mas o chassis é carregado com até 500 litros de água para evitar a flutuação, mantendo o veículo em contato com o solo. O reservatório pode ser esvaziado permitindo ao veículo entrar em combate tão logo atinja a superfície.

Acima: Demonstração do Snorkel adaptável ao veículo durante testes de prova.
O veículo possui um avançado sistema de suspensão, chamado In-arm Suspension Unit (ISU), que permite o controle individual de cada bogie sobre os trilhos. Isso permite que o K2 possa “sentar”, “ficar” e “ajoelhar-se”, bem como “inclinar-se” para um lado ou um canto.  Este sistema lhe permite “sentar-se” diminuindo o seu perfil o que também lhe permite melhor dirigibilidade em estradas. No perfil “ficar”, o veículo ganha maior distância ao solo permitindo melhor manobrabilidade em terrenos acidentados. “Ajoelhado” o veículo alcança uma gama angular maior para o cano da arma, que pode elevar-se ou baixar-se, permitindo que ao veículo dispare a sua principal arma para baixo, bem como engajar aeronaves voando baixo de forma mais eficaz.
A unidade de suspensão também amortece o chassis a partir de vibrações ao se deslocar sobre terrenos irregulares, os bogies podem ser ajustados individualmente enquanto se desloca.

Acima: Nesta foto podemos ver o motor MTU-883 Ka 500 e sua turbina tckwin da Samsung montada nele.

CONCLUSÕES
Alcançando a vanguarda no desenvolvimento de armamentos de elevado valor estratégico, a Coreia do Sul projetou um carro de combate de primeira linha, construído sobre um princípio de constante atualização e adequação o que garante-lhe a sobrevivência nos mais variados cenários da guerra moderna.
Superando os seus Predecessores K1 e K1 A1 especialmente por ser mais adaptado aos conflitos assimétricos o K2 Black Panther não só demonstrou aos críticos do seu projeto a necessidade da “reinvenção” de um novo MBT baseado em novos critérios, como delimitou novos parâmetros necessários para os futuros MBT. Um veículo capaz de operar em ambiente centrado em redes, que transfere e recebe informações sobre o campo de batalha, que atua ativa e passivamente nas contra medidas eletrônicas interferindo e “escutando” o inimigo.
Fora isso o K2 passa agora por amplo programa de atualização denominado K2 PIP (product improvement program) que visa prover ao veículo melhorias que incluem:
  • Atualização da unidade de suspensão semi-Ativa.
  • Integração de um sistema de varredura de terreno de alta resolução para o sistema de suspensão do veículo.
  • Integração de defesa ativa KAPS.
  • Adição de blindagem Non-Explosive Reactive Armor (NERA).
  • Potencialmente o programa visa substituir a arma 120 mm / L55 por uma arma química-eletroquímica.
Todos estes itens por si só demonstram que embora seja moderno e especializado o MBT K2 Black Panther possui ainda um potencial de evolução que certamente o manterá no seleto grupo da linha de frente dos melhore carros de combate do mundo.

Acima: Acompanhando a evolução tecnológica a ROTEM SAMSUNG estão trabalhando num programa de atualização para o K2 denominado K2 PIP.

ABAIXO PODEMOS ASSISTIR A UM VÍDEO SUL COREANO SOBRE O K-2 BLACK PANTHER. 


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segunda-feira, 18 de agosto de 2014

CLASSE ZUMWALT. O mais avançado navio de guerra da história.

FICHA TÉCNICA
Tipo: Destróier.
Tripulação: 142 tripulantes, já contando a ala aérea.
Data do comissionamento: Previsto para o primeiro semestre de 2015
Deslocamento: 9033 toneladas (totalmente carregado).
Comprimento: 182,88 mts.
Calado: 8,53 mts.
Boca: 24,69 mts.
Propulsão:  2 turbinas a gás Rolls-Royce MT-30 mais dois geradores  a diesel que juntos produzem 105000 SHP de potência.
Velocidade máxima: 30 nós (56 km/h)
Alcance: 8334 Km
Sensores: Radar SPY-3 DBR, sistema de proteção integrada AN/SQQ-90 composto por sonar AN/ SQR-20, AN/SQS-60 e AN/ SQS-61
Armamento: 20 lançadores verticais MK-57 com capacidade para até 80 mísseis RIM-162 ESSM, 20 mísseis SM-2ER Standard, 20 mísseis RGM-109 Tomahawk. 20 mísseis RUM-139 VL ASROC ; 2 canhões AGS de 155 mm; 2 canhões 
MK-46 Mod 2 de 30X173 mm.
Aeronaves: 2 helicópteros SH-60 Seahawk ou 3 RQ-8A Fire Scout VTUAV

DESCRIÇÃO
Por Carlos E.S Junior
A Marinha dos Estados Unidos é, com uma certa folga, a mais poderosa marinha do planeta. Porém seus principais navios de superfície como o cruzador da classe Ticonderoga e o destróier da classe Arleigh Burke, ambos já descritos neste blog, estão envelhecendo. Embora não haja duvidas sobre o excelente poder de fogo disponível nestas embarcações de combate, a verdade é que se trata de projetos com mais de 30 anos, no caso do Ticonderoga, e 25 anos no caso do Arleigh Burke. Novas tecnologias em armamentos, sensores e de engenharia incorporando característica de baixa reflexão, amplamente conhecida no meio aeronáutico sob o nome de "stealth", estão sendo introduzidos nos projetos dos mais modernos navios de guerra. A US Navy (Marinha dos Estados Unidos) se viu na necessidade e um novo navio de guerra com novas capacidades, sendo algumas dela, revolucionárias, para poder fazer  a manutenção de sua superioridade naval no seculo XXI.
Acima: O projeto DDX deveria ser base de uma família de navios de guerra com tecnologia stealth que englobaria até um cruzador.
O navio da classe Zumwalt é o resultado do projeto que, inicialmente, era chamado de DDX, e era para ser uma nova família de navios de guerra que deveria ser composta de navios de vários tamanhos, incluindo o futuro cruzador CGX. Em dezembro de 2001, a US Navy emitiu um pedido de revisão da proposta pois o projeto havia se mostrado excessivamente caro e complexo levando a uma incerteza para o futuro dessa ideia o que acabou reduzindo a encomenda para apenas 3 unidades desta classe dos inicialmente 32 navios pretendidos. Essa economia levou a aquisição de mais unidades de navios da classe Arleigh Burke para fechar a composição da armada de batalha dos Estados Unidos nesse começo de século.
Acima: Além do desenho revolucionário do Zumwalt, a sofisticação de seus sistemas resultaram numa plataforma de combate muito capaz, porém extremamente cara.
A nova classe foi batizada de Zumwalt, em homenagem ao almirante Elmo Zumwalt, com a numeração de casco DDG-1000 e o primeiro navio da classe foi entregue em maio de 2014. Sua entrada em serviço deve se dar no segundo semestre de 2015.
Quando se olha para o Zumwalt, não tem como deixar de perceber que se trata de uma maquina de guerra naval completamente nova, com um desenho absolutamente diferente do que temos visto em toda a história naval. Seu casco apresenta uma característica peculiar que é o formato da proa diferente de tudo que já vimos antes, em uma configuração "hidrodinâmica"  chamada de wavepiercing. Além disso, é muito interessante a ausência total de mastros com antenas no navio. Todos os sensores e antenas estão embutidos na estrutura do navio, deixando ele com um aspecto limpo, simples. Mesmo seus canhões, permanecem guardados dentro da torre, desenhada seguindo o padrão de baixa reflexão de radar, só sendo expostos no momento do disparo. Tudo em prol de uma agressiva diminuição de sua assinatura de radar, da qual se conseguiu, segundo o site Global Security, redução de 50 vezes a seção cruzada de radar em relação aos destróieres anteriores.
Acima: Nesta foto podemos ver dois modelos em escala do Zumwalt (navio maior) e o atual destróier da classe Arleigh Burke. Notem as diferenças de design e ausência de mastros no Zumwalt.
O sistema de radar usado pelo Zumwalt será um novo e avançadíssimo radar multifuncional AN/ SPY-3 DBR, de varredura eletrônica ativa projetada para preencher todas as exigências de controle de fogo e busca para a frota americana do século 21, tanto que esse moderno radar será instalado no novo porta aviões Gerald R Ford CVN-78. Naturalmente, este radar representa a evolução natural do sistema AEGIS baseado no SPY-1 usado nos cruzadores e destróieres norte americanos atuais. O alcance estimado do SPY- 3 é de 320 km e sua operação se dá na banda X. O Zumwalt está equipado com um sistema integrado de proteção AN/SQQ-90 que tem uma suite de sonares composta por um sonar rebocado AN/ SQR-20 que opera de forma ativa e passiva, um sonar de casco AN/SQS-60 e um sonar AN/ SQS-61 também de casco mas que opera em alta frequência.
Acima: Nesta foto do primeiro navio da classe, o DDG-1000 Zumwalt mostra sua configuração wavepiercing adotada em seu casco. 
A propulsão do Zumwalt será fornecida por duas turbinas a gás Rolls-Royce MT-30 que são integrados a dois geradores diesel de emergência que operam interligados pelo sistema IPS (Integrated Power System). Esse sistema e propulsão produz 105000 hp de potencia que levam o navio a uma velocidade máxima de 30 nós (56 km/h). A autonomia é estimada em 8334 km, o que dá alcance para operar em qualquer ponto do globo com certa tranquilidade.
Uma característica muito interessante do Zumwalt que reflete sua sofisticação é o elevado grau de automação de seus sistemas permitindo uma significativa redução de sua tripulação que é de apenas 142 tripulantes. Para se ter uma ideia do que representa isso, basta olhar para o destróier da classe Arleigh Burke, da geração anterior de navios desta categoria que precisam de 346 tripulantes para operar normalmente. 
Acima: O Zumwalt será o mais avançado navio de guerra de todos os tempos, quando estiver operacional, por volta de meados de 2015.
O armamento usado no Zumwalt é um dos pontos que chamam a atenção por ser bastante pesado e poderoso. O navio tem dois canhões AGS (Advanced Gun System) que emprega munição em calibre 155 mm, que tem disponibilidade de projéteis guiados LRLAP (Long Range Land Attack Projectile) cuja precisão chega a 50 metros do ponto previsto a um alcance que pode chegar a 185 km, o que representa uma grande melhoria na efetividade desse tipo de armamento, considerando que os canhões MK-45 em calibre 127 mm, comuns nos navios anteriores, conseguem atingir alvos a apenas 24 km. Para complementar o armamento de tubo, foram instalados duas torres General Dynamics MK-46 Mod 2, que usa um canhão MK-44 Bushmaster II em calibre 30X173 mm capaz de uma cadência de 200 tiros por minutos e atingir alvos a 3000 metros. Inicialmente estava previsto o uso de canhões MK-110 MOD 0 em calibre 57 mm, mas na revisão do projeto em 2012, eles foram descartados em favor do modelo MK-46 Mod 2.
Acima: Nessa ilustração podemos observar bem como é o sistema de abrigo do canhão AGS. Observarem que o canhão de traz , o cano está exposto (e pronto para uso), enquanto que a torre da frente o canhão está oculto dentro da mesma.
Nas bordas do navio foram instalados 20 lançadores verticais modulares MK-57 capaz de operar vários modelos de mísseis como, por exemplo o míssil antiaéreo RIM-162 ESSM (até 80 mísseis divididos em 4 misseis por cada lançador), capaz de destruir uma aeronave inimiga a 50 km de distancia, usando um sistema de guiagem por radar semi ativo e um sistema inercial. O míssil SM-2ER Standard, para defesa antiaérea de longo alcance, pode ser lançado pelo mesmo lançador (um míssil por lançador). O SM-2ER Standard tem alcance de 185 km e é guiado por radar semi ativo. O RGM-109 Tomahawk, famoso por ter sido pesadamente usado contra o Iraque, também faz parte do arsenal que pode ser operado pelo lançador MK-57 (1 míssil por lançador), que é usado contra alvos de superfície podendo, dependendo da versão, atacar navios inimigos, ou alvos em terra firme, entregando uma ogiva com 450 kg de alto explosivo. O alcance da versão lançada contra alvos terrestres, chega a 1700 km, sendo guiado pelo sistema TERCOM que usa informações sobre o relevo do terreno, previamente carregado em seu computador de voo, para poder voar em baixa altitude, contornando o terreno, evitando os radares inimigos. O sistema de guiagem, conta ainda, com apoio de um sistema inercial e de GPS. Por ultimo, esses lançadores podem lançar mísseis antissubmarinos RUM-139 VL ASROC que transporta um torpedo leve MK-46 ou MK-54 até um ponto próximo do contato sonar onde o alvo foi detectado até um alcance máximo de 22 km, soltando o torpedo na água, que faz a busca pelo submarino inimigo até sua destruição. O navio será equipado com aeronaves pilotadas e não pilotadas sendo configurados para dois helicópteros navais Sikorsky SH-60 Seahawk que operam em missões antissubmarino, esclarecimento marítimo, busca e salvamento ou uma composição mista desse mesmo helicóptero mais dois ou três RQ-8A Fire Scout VTUAV (veículo de decolagem vertical sem piloto). O Fire Scout pode operar missões de reconhecimento e suporte de fogo armado com mísseis Hellfire, guiados a Laser ou bombas de planeio GBU-44 Viper Strike, guiadas por laser e GPS.
Acima: O pequeno helicópteros não tripulado da Northrop, RQ-8A Fire Scout fará parte dos recursos empregado pelo Zumwalt para operações de reconhecimento e mesmo ataque, uma vez que este VTUAV pode ser armado com mísseis Hellfire e foguetes guiados a laser.
A classe Zumwalt vai operar como um navio de suporte de fogo como um legitimo couraçado do século XXI. É claro que o navio foi otimizado para operações litorâneas e em um teatro de operações de média e alta intensidade poderá precisar de apoio de uma escolta, principalmente devido a sua limitada capacidade orgânica antissubmarino. Com apenas 3 navios encomendados, o futuro da capacidade de combate naval norte americana ainda parece nebulosa. Provavelmente, com a recuperação econômica num futuro de médio ou longo prazo, a marinha possa encomendar mais unidades desta nova classe de destróieres e ainda incorporar modificações para tornar o navio mais flexível, porém, só o tempo revelará se isso vai acontecer.



ABAIXO UM VÍDEO DO LANÇAMENTO DO DDG-1000 ZUMWALT

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segunda-feira, 11 de agosto de 2014

BOEING E-3B/C SENTRY. Os olhos e ouvidos do império.

FICHA TECNICA
Velocidade de cruzeiro: 579 km/h
Velocidade máxima: 805 km/h
Autonomia: 8 horas
Teto operacional: 8839 m.
Alcance de travessia: 9251 km
Empuxo: Quatro turbofans Pratt and Whitney TF33-PW-100A, gerando unitariamente 9.523/9.525kg de empuxo 
Radar: AN/APY-1 com 400 km de alcance
DIMENSÕES
Comprimento: 46,60
Envergadura: 44,4 m
Altura: 13 m
Peso: 92986 kg (vazio) e 147418 kg peso de decolagem.

DESCRIÇÃO
Por Sergio Santana
Certamente, nenhuma outra aeronave melhor simboliza a capacidade de inteligência e vigilância disponível às Forças Armadas norte-americanas que o Boeing E-3 “Sentry” (sentinela), mais conhecido como "AWACS" (Airborne Warning and Control System ), anunciado vencedor em 1972 de uma concorrência iniciada sete anos antes para uma aeronave de alerta antecipado e controle aerotransportado com capacidades superiores às do então empregado Lockheed EC-121 Warning Star. A primeira variante do Sentry, E-3A, entrou em serviço com a USAF, a Força Aérea dos Estados Unidos, em março de 1977 e desde então tem se tornado uma visão constante nos diversos conflitos em que tropas estadunidenses têm participado.
Acima: O velho EC-121 foi  um importante avião de alerta aéreo avançado da USAF nos anos 60 e 70 do século passado. O E-3 veio para substituir o EC-121 nessa importante missão de alerta aéreo antecipado.
Em 1980 foi determinado que os 24 exemplares do E-3A fossem modernizados, para o denominado padrão E-3A “Block 20”. Em adição ao radar AN/APY-1 (capaz de detectar até 600 alvos com velocidade mínima de 148 km/h a uma distância superior a 400 km, bem como gerenciar 60 interceptações aéreas) e ao interrogador AN/APX-103 (com habilidade de identificar aeronaves aliadas ou hostis, fornecendo distância, azimute e altitude, mesmo na presença de múltiplos alvos e a até 800 km), trocou-se o data link padrão TADIL-C pelo JTIDS Classe 1, mais conhecido como link 16, foram recebidos rádios criptografados VHF AN/ARC-166 e UHF AN/ARC-169B atuando no sistema “Have Quick” e aumentou-se para 17 a quantidade de operadores a bordo. Também se adicionaram lançadores de chaff/flare e instalações para mísseis ar-ar infravermelho de curto alcance AIM-9 Sidewinder. As modificações foram suficientes para uma nova designação, E-3B, o primeiro dos quais foi entregue em 1984.
Acima: O E-3C é a versão mais moderna em uso pela USAF do AWACS. Ao todo, dez aviões desta versão operam ao lado de 21 unidades de E-3B, atualmente na USAF.
Seis anos depois, os 10 Sentries restantes começaram a ser construídos segundo o padrão “Block 25”. Esta variante incluía dois rádios HF AN/ARC-230; três rádios VHF AN/ARC-168 (mais tarde AN/ARC-210); AN/ARC-204 (modelo V, padrão HAVE QUICK II/rede A-NET); catorze consoles ELCAN/Raytheon com telas CLADS LCD de 21’’; computador de  missão CC-2E; GPS (inicialmente NAVSTAR, mas em seguida GPS/INS “GINS”); IFF AN/APX-103B e dispositivo de SIGINT/ELINT  AN/AYR-1, capaz de detectar emissões variando de 0.5 a 18 GHz em 360°. O radar permanecia o mesmo, mas a nova versão foi designada E-3C.
Contudo, antes que estas modificações fossem implementadas em todas aquelas plataformas, outra atualização foi aprovada: o “Bloco 30/35”, que introduziu Medidas de Apoio Eletrônico AN/AYR-1, terminais JTIDS 2H, computador de missão CC-2E e GPS segundo o sistema NAVSTAR. Concluída em 2001, abrangeu toda a frota norte-americana de E-3C.
Acima: O E-3 faz o intercambio de dados em tempo real com aeronaves de combate através do seu data link JTIDS, também conhecido como Link16.
No contínuo esforço de atualizar o E-3 destaca-se o RSIP, em avançado estágio de instalação. Sendo a sigla em inglês para “Programa de Aperfeiçoamento do Sistema de Radar”, engloba a troca do computador do subsistema de radar, a estação de trabalho do seu operador, o seu “software” e determinadas partes físicas do equipamento, com o objetivo de restaurar os índices de detecção a longo alcance e de resistência eletrônica, que desde a introdução da aeronave sofreram queda gradativa com o advento das aeronaves furtivas, mísseis de cruzeiro e dispositivos sofisticados de combate eletrônico.
Entre agosto a novembro de 1995 foram efetuados seis voos da fase inicial de testes e avaliação, os quais detectaram interferência do Sistema de Medidas Eletrônicas de Apoio com os demais sistemas da aeronave e outros defeitos não relacionados com a modernização, com aquele período concluído em outubro de 1996. O RSIP foi avaliado em um exercício operacional, a terceira edição do “Green Flag ‘99”.
Uma característica adversa da nova atualização foi o decréscimo no desempenho do radar atuando no modo “além do horizonte”, causado pelo programa de compressão de pulso Doppler, algo cuja superação não foi divulgada, embora a integração do RSIP progrida. A frota atual é de 31 aeronaves estacionadas em bases aéreas no Alasca, Japão e meio-oeste norte-americano. O Boeing E-3 Sentry deve sair do serviço ativo em 2035. 
Acima: Em primeiro plano podemos ver o posto da equipe de controle de armas  dentro do E-3 Sentry.

ABAIXO PODEMO VER ALGUMAS CENAS DE UM E-3C EM OPERAÇÃO.

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sexta-feira, 8 de agosto de 2014

EMBRAER AT-29 SUPER TUCANO. Os Patrulheiros da Amazônia.

FICHA TÉCNICA DE DESEMPENHO
Velocidade de cruzeiro: 530 km/h
Velocidade máxima: 593 km/h
Razão de subida: 1500 m/min
Fator de carga: +7, -3,5 Gs
Raio de ação/ alcance: 550 km (Hi Lo Hi)/ 4820 km (travessia com maximo combustível)
Propulsão: Um motor Pratt & Whitney Canadá PT-6 A 68C com 1600 Hp de potencia
DIMENSÕES
Comprimento: 11,33 m
Envergadura: 11,14 m
Altura: 3,97 m
Peso: 3020 kg (vazio)
ARMAMENTO
Até 1500 kg de cargas externas divididos em 5 pontos fixos (4 nas asas e um sob a fuselagem).
Ar Ar: Míssil Piranha.
Ar Terra: Bombas MK-81 de 119 kg, Mk-82 de 227 kg, bombas guiadas a laser GBU-12 de 227 kg, casulos com 19 foguetes SBAT-70 de 70 mm Skyfire e casulo com canhão de 20 mm.
Interno: 2 metralhadoras FN M-3P calibre.50 (12,7 mm).

DESCRIÇÃO
Por Carlos E.S.Junior
Um dos maiores sucessos da indústria de defesa brasileira é, sem a menor duvida, o avião de treinamento Embraer EMB-312, mais conhecido como T-27 Tucano. Extremamente confiável e manobrável este pequeno turboélice teve 662 unidades vendidas para nada menos que 13 países, incluindo a França e a Inglaterra. Com um sucesso desses, nada mais previsível de que o modelo servisse como base para um avião de treinamento avançado e ataque leve que pudesse vir de encontro com as necessidades que a Força Aérea Brasileira (FAB) estava apresentando. Essas necessidades são, na verdade, a origem do Super Tucano.
Acima: O Super Tucano foi  incorporado no esquadrão demostração aérea, mais conhecidos com "Esquadrilha da Fumaça" em setembro de 2012. Nesta foto podemos ver o AT-29 e mais ao fundo o T-27 que está sendo substituído.
Vou fazer uma breve explicação dessa necessidade, pois acredito ser relevante para entender a origem do Super Tucano. Com o projeto do Sistema de vigilância da Amazônia (SIVAM) que começou a ser implantado a partir de 1994 e se tornou operacional em 2002, a FAB tinha a necessidade de contar com uma aeronave que fosse adequada para operar contra pequenos aviões movidos a hélice, muito usados por narcotraficantes que se aproveitavam da lacuna da cobertura de radar do sistema de defesa aérea do Brasil naquela região para poder executar seus objetivos escusos. A FAB testou caças a reação como o F-5E e o F-103 (antigo Mirage III não mais em serviço) para interceptar esses pequenos aviões a pistão, mas a velocidade baixíssima desses aviões fazia os caças, mais pesados estolarem, demonstrando a total incompatibilidade daqueles caças com a função de interceptar esse tipo de alvo. Nisso a FAB começou a pensar na possibilidade de usar os T-27 Tucanos nessa função, porém foi percebido que o ideal, seria um avião mais potente e com uma aviônica mais completa para a função de combate. Outra necessidade que apareceu foi a substituição dos velhos AT-26 Xavantes, que é o avião a jato de treinamento avançado em uso pela FAB e que já chegou ao fim de sua vida operacional.
Acima: O pequeno avião turbo propulsor de treinamento T-27 Tucano serviu de referência para o desenvolvimento do Super Tucano para operações que deveriam ir além do treinamento de novos pilotos.
Esses fatos todos coincidiram com outro fato interessante. A Embraer estava, nessa mesma época, em 1991, oferecendo uma versão do Tucano chamada de EMB-312 H que era um Tucano remotorizado e que tinha um tamanho maior que o Tucano mais antigo. Na verdade o EMB-312 H era uma espécie Tucano anabolizado. Uma analise deste modelo de Tucano com as necessidades da FAB para o braço armado do SIVAM e um substituto para o Xavante, demonstrou que o EMB-312H preenchia muito dos quesitos para a plataforma que a FAB procurava. Nascia assim o programa ALX (Aeronave de ataque leve) da FAB que visava o desenvolvimento de um novo avião baseado no EMB-312H. O novo projeto passou a ser chamado de EMB-314 Super Tucano.
Acima: O AT-29 Super Tucano é uma aeronave ideal para operar contra aeronaves leves usadas por narcotraficantes e ainda presta um excelente apoio as tropas em terra em missões de apoio aéreo aproximado.
O motor que era usado no modelo Tucano H era o Pratt & Whitney Canada PT-6A-67 com 1250 Hp de potencia, e foi substituído, para uso no novo ALX, pelo mais potente Pratt & Whitney Canadá PT-6A68C com 1600 Hp de potencia que é controlado por um sistema FADEC. Esse aumento de força se mostrou necessário devido às dificuldades relacionadas a operações em ambientes muito quentes como o nordeste e norte do Brasil, que representa o principal teatro de operações a ser operado o Super Tucano. Além de um motor mais potente foi introduzida, também, uma nova hélice com 5 pás que aumenta a eficiência do motor. A velocidade máxima atingida pelo Super Tucano é de 590 km/h, colocando ele bem dentro do envelope de voo necessário para interceptar aeronaves com motores a pistão usado pelos narcotraficantes.
Acima: O novo motor PT-6A68C com 1600 Hp e as hélices penta pá, deram uma boa potencia e performance a Super Tucano. 
A estrela do Super Tucano é sua eletrônica. Nesse ponto pode-se dizer com tranqüilidade que o Super Tucano é o mais avançado avião turboélice em operação. O Super Tucano está equipado com um sistema de transmissão e recepção de dados via datalink fornecido pelo rádio Rohde & Schwartz M3AR (Série 6000) com proteção eletrônica das comunicações, como salto, criptografia e compressão de freqüências. Esse rádio é o mesmo usado pelos aviões R-99 AEW, F-5EM e A-1M AMX. Através desse sistema de datalink o Super Tucano recebe dados do radar do R-99 permitindo uma maior consciência situacional além enviar em tempo real imagens que forem captadas pelo seu sistema FLIR (Forward Looking Infrared) modelo AN/AAQ-22 Safire, fabricado pela FLIR Systems enviando para  o posto de comando de missão. O FLIR é usado para navegação através de uma visão infravermelha de alta resolução que funciona de dia ou noite podendo, ainda, designar um alvo para ataque. Cabe observar aqui que o FLIR do Super Tucano está integrado aos óculos de visão noturna NVG ANVIS-9 da ITT garantindo uma total capacidade de operações noturnas ou com baixa visibilidade com segurança. Para proteção da aeronave há um sistema de alerta de radar RWR e um sistema de alerta de aproximação de míssil MAWS. Há, ainda, um lançador de iscas tipo chaff e flares para despistar mísseis guiados a radar e a calor (IR).
Acima: O painel de controle do Super Tucano é, provavelmente, o mais moderno dentre todos os aviões turbo propulsores do mundo. Realmente é uma aeronave muito bem projetada.
Todos esses sistemas são controlados de uma cabine especialmente feita para facilitar a vida do piloto, podendo ser considerada, também a mais moderna cabine de um avião turboélice em serviço atualmente. Nesta cabine há dois displays multifunção e um HUD que contam com todas as informações de navegação de monitoramento do alvo, incluindo aqui o ponto de impacto continuamente monitorado CCIP e o ponto de lançamento continuamente computado CCRP, o que aumenta, substancialmente a precisão do lançamento das armas. Nesta cabine, o piloto fica sentado em uma “banheira” blindada, capaz de suportar impactos diretos de munição .50 (12,7 mm). Essa blindagem foi instalada também nos tanques internos do Super Tucano.
Outra melhoria no cockpit do Super Tucano foi a instalação de um sistema de geração de oxigênio OBOGS que produz oxigênio do próprio ar e o sistema HOTAS, foi usado na configuração da cabine permitindo ao piloto operar os principais sistemas do avião sem tirar as mãos do manete e do manche.
Acima: O Equador é uma das 11 forças aéreas que adquiriram o Super Tucano. A aeronave se tornou um sucesso de vendas graças a suas qualidade únicas.
O armamento disponível para o Super Tucano é bastante variado e relativamente pesado, chegando a um total de 1500 kg, considerando que se trata de um avião turboélice. O armamento básico é composto por duas metralhadoras FN Herstal M-3P calibre .50 (12,7 mm) com uma capacidade de 200 cartuchos e uma cadência de tiro na ordem de 1100 tiros por minuto. Nas asas do Super Tucano existem 4 pontos duros para transporte de armas e tanques de combustível, além de um ponto no ventre do avião. Nesse 5 pontos, podem transportar mísseis ar ar Piranha guiado por IR, de fabricação nacional, e cujo alcance chega a 10 km, que podem ser usados eficazmente contra helicópteros ou outros aviões. Para ataques a alvos terrestres podem ser usadas bombas MK-81 de 119 kg, bombas MK-82 de 227 kg, ou bombas guiadas a laser GBU-12, que foram integradas pela Colômbia, além de casulos de foguetes de 70 mm Avibras SBAT-70 com 19 foguetes. Também podem ser transportados casulos com canhões de 20 mm. No futuro o Super Tucano poderá ser armado com bombas guiadas a GPS GBU-39 SDB e mísseis AGM-169 JCM e Brimstone.
Acima: Duas metralhadoras pesadas M-3P em calibre .50 representam o armamento orgânico do Super Tucano. Essa configuração libera os pontos fixos sob as asas para outros tipos de cargas como mísseis, bombas, foguetes ou tanques de combustibel extras.
Ao todo foram encomendados 99 Super Tucanos pela Força Aérea Brasileira, um numero respeitável de vetores que farão o treinamento de pilotos que estiverem ingressando para a aviação de combate da FAB, além de garantir o patrulhamento dos céus da Amazônia contra o trafico de drogas e contrabando de armas. As capacidades aqui mostradas colocam o Super Tucano como um interessante avião de apoio aéreo aproximado para as tropas em terra. Uma flexibilidade que justifica seu valor tático para a força.

Acima: Vista em corte do Super Tucano.

ABAIXO TEMOS UM VÍDEO DE UM TREINAMENTO COM O SUPER TUCANO.

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