terça-feira, 22 de março de 2016

CLASSE TAKANAMI. Uma escolta antiaérea a moda antiga.


FICHA TÉCNICA
Tipo:  Destróier antiaéreo.
Tripulação:  175
Data do comissionamento:  Março de 2003.
Deslocamento:  4650 toneladas (totalmente carregado).
Comprimento:  151 mts.
Calado:  5,3 mts.
Boca:  17,4 mts.
Propulsão:  2 turbinas a gás Kawasaky Rolls Royce Spey SM-1C e 2 turbinas General Electric/ Ishikawajima Harima LM-2500 que juntas produzem 60000 hp que movem dois eixos.
Velocidade máxima: 30 nós (56 km/h)
Alcance:  8350 Km
Sensores:  Radar de busca aérea:  OPS-24 com 450 km de alcance; radar de busca de superfície OPS-28D; radar de navegação OPS-20; Radar de controle de fogo:  FCS-3; Sonar:  OQS-5 montado no casco, OQR-2 rebocado.
Armamento:  1 canhão Otobreda de127 mm, 2 canhões canhões CIWS Vulcan Phalanx MK-15 de 20 mm, 1 lançador vertical MK-41 para 32 mísseis antiaéreos ESSM ou anti submarino RUM-139 VL ASROC, 2 lançadores quádruplos de mísseis Type 90 anti-navio, 2 lançadores triplos Type 68 para torpedos leves de 324 mm.
Aeronaves:  Heliporto para operar um helicóptero médio SH-60J Seahawk.

DESCRIÇÃO
Por Carlos.E.S.Junior
A marinha do Japão, assim como todas as suas forças armadas são extremamente poderosas graças a seu intenso treinamento e a expressiva quantidade de armas que esta nação possui. Alguns desses armamentos são, realmente, o estado da arte em sua categoria como o moderno destróier classe Kongo e Atago. Porém, embora nem todos os seus sistemas de armas sejam tão modernos, ainda tem tem uma representatividade significativa na estratégia de defesa da nação do sol nascente.
O destróier classe Takanami é um desses sistemas de armas, cuja tecnologia, algo ultrapassada frente aos projetos ocidentais contemporâneos, ainda tem sua validade no campo de batalha naval. O destróier classe Takanami é derivada da classe Murasame, especializada em guerra anti-submarino. Porém o Takanami foi projetado para dar ênfase na capacidade de combate antiaéreo e assim poder participar da escolta do grupo de batalha japonês ou de seu principal aliado, os Estados Unidos.
Acima: O destróier classe Takanami representa um melhoramento em capacidade de combate antiaéreo da classe Murasame, do qual o navio herda casco e outras estruturas.
Para cumprir a missão de combate antiaéreo foi instalado um lançador de mísseis vertical MK-41 de com 32 células e que podem ser equipadas com mísseis ESSM (Envolved Sea Sparrow) ou o míssil anti submarino RUM-139 VL ASROC. O ESSM é um míssil antiaéreo cuja capacidade de interceptar até mesmo, mísseis anti-navio supersônicos é bastante importante, considerando os prováveis adversários do Japão, como China, Rússia ou Coreia do Norte. O alcance do ESSM é de 50 km e seu guiamento se dá por radar semi-ativo. Já, para atacar submarinos, é usado o míssil RUM-139 VL ASROC que tem alcance de 22 km e ele transporta um torpedo leve MK-46 que é lançado na água, próximo do submarino inimigo detectado. Esse torpedo, por sua vez, tem alcance de 11 km e faz a busca pelo alvo através de um sonar que funciona ativo e passivamente. A ogiva do MK-46 pesa 44 kg e é composta por alto explosivo PBXN-103, extremamente destrutivo. Para guerra anti-navio está instalado dois lançadores quádruplos de mísseis Type 90 SSM-1B que começaram a substituir os mísseis norte americanos RGM-84 Harpoon. O novo míssil Type 90 é mais veloz (1150 km/h) e tem maior alcance que o míssil Harpoon que ele substitui (200 km), porém seu sistema de guiamento é o mesmo, ou seja, inercial, durante o início do voo e acionando um radar ativo quando estiver próximo do alvo. O Takanami está armado com um canhão italiano Otobreda de 127 mm que consegue uma cadência de 40 tiros por minuto e cujo alcance com granadas convencionais é de 30 km. Uma nova munição assistida por foguete, chamada Volcano, tem alcance ampliado para 100 km. Para defesa antiaérea de ponto são usados dois sistemas CIWS MK-15 Phalanx. Cada sistema Phalanx é composto por um canhão de 6 canos giratórios M61 Vulcan em calibre 20 mm capaz de impor uma cadência de  4500 tiros por minuto e com um alcance efetivo de 2000 a 3000 metros.
Para guerra anti-submarino, ainda há dois lançadores triplos Type 68 para torpedos leves de 324 mm, além de poder operar um helicóptero anti-submarino Sikorsky SH-60J Seahawk.
Acima: Os navios da classe Takanami possuem, além de seu armamento orgânico, um helicóptero SH-60J Seahawk  que é usado para missões anti-submarino, busca e resgate.
O Takanami possui um deslocamento de 4650 toneladas quando totalmente carregado. Sua propulsão, do tipo COGAG (Combinação gás gás) é fornecida por duas turbinas a gás LM-2500 desenvolvida pela General Eléctric e fabricadas sob licença pela empresa japonesa Ishikawajima Harima. Estas turbonas são apoiadas por mais duas turbinas a gás Kawasaki/ Rolls Royce Spey SM-1C que juntas produzem 60000 Hp de força movendo dois eixos e suas hélices. Essa propulsão é a mesma usada no destróier Murasame, Essa composição leva a Takanami a uma velocidade máxima de 30 nós (56 km/h), perfeitamente adequado a operação em grupos de batalha centrado em porta aviões. Em velocidade de cruzeiro de 18 nós (34 km/h) o Takanami tem uma autonomia de 8350 km.
Acima: A propulsão dos destróieres da classe Takanami tem uma configuração incomum, baseada em dois sistemas a gás. 
O  radar de busca aérea usada no Takanami é o radar bidimensional OPS-24 capaz de detectar um alvo de grande tamanho (100 m2) a 450 km de distancia. Esse radar também é derivado de modelos desenvolvidos nos Estados Unidos durante o período da guerra fria. Um radar da busca de superfície OPS-28D proporciona um alcance de 74 km contra navios.O radar de navegação é um OPS-20. 
Dois radares de controle de fogo FCS-3 fazem a iluminação do alvo para os mísseis antiaéreo ESSM. Para guerra anti-submarina é usado o sonar OQS-5 que fica montado no casco do Takanami além de um radar rebocado OQR-2.
Além desses sensores, há ainda uma suíte de guerra eletrônica composta por interferidores (Jammer) NOLQ-3, iscas MK-137 anti radar (Chaffs) e um sistema de iscas anti-torpedo rebocado SLQ-25 Nixie que emite sinais que atraem o torpedo inimigo para longe do casco do navio.
Acima: A composição da suite de sensores da Takanami, embora não represente o estado da arte nesse segmento, ainda sim tem bom desempenho e é capaz de fornecer proteção para um grupo de batalha.
Embora o Takanami seja uma embarcação nova (foi comissionado em 2003), seu projeto mostra uma concepção obsoleta, porém com um armamento que provê um poder de fogo consistente e uma suíte eletrônica capaz de proporcionar sérios problemas em qualquer navio de guerra. O Takanami é um destróier ainda valido no teatro de operação em que o Japão está participando e os cinco navios dessa classe representam um obstáculo a ser estudado atentamente para uma marinha que tenha como missão atacar um grupo de batalha naval japonês. Ao todo, o Japão possui 5 navios desta classe.
Acima: Com um desing já desatualizado, os navios da classe Takanami são mais novos do que aparentam. Sua capacidade de combate permitirá que esses navios se mantenham como uma opção válida para a marinha japonesa por mais uns 20 anos.

ABAIXO TEMOS UM VÍDEO COM UM NAVIO DA CLASSE TAKANAMI EM EXERCÍCOS.



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terça-feira, 15 de março de 2016

AERONAVES DE COMBATE DO FUTURO. A revolução conceitual no combate aéreo


Para pessoas que procuram estudar, conhecer e entender os conceitos de como a aviação de combate tem executado suas missões tanto contra alvos aéreos como para alvos de superfície, tem se acostumado com a mania de ficar pensando sobre qual será o próximo passo na aviação de combate. No período pós II Guerra, até meados da década de 70, você podia esperar que a próxima geração fosse sempre mais rápida que a anterior. As aeronaves tinham que transporta mais armas, e estas, com maior alcance de engajamento. Podia esperar sensores mais complexos de operar, mas com maior alcance. Depois dessa fase, vimos uma mudança nos requisitos das novas aeronaves de combate. Agora, além da da boa velocidade e boa quantidade de armas, as aeronaves tinham que ser manobráveis e ágeis, e ter uma relação empuxo peso igual ou superior a unidade, para garantir boa aceleração, necessária a recuperação de manobras violentas em combate corpo a corpo. Essa dura lição que os americanos tiveram que aprender da pior forma no sudeste asiático, durante a guerra do Vietnã, serviu para o mundo todo, pois todos os grandes fabricantes desenvolveram aeronaves que traziam essas características em seus caças de 4º geração. A 5º geração é hoje representada por aeronaves que são difíceis de serem detectadas por radares a longas distancias. Alguns argumentam que a super manobrabilidade faz parte das características dos caças de 5º geração, porém o novo caça F-35 dos Estados Unidos tem manobrabilidade em um nível que fica entre o F/A-18 Hornet de primeira geração e os F-16. Ou seja, não tem super manobrabilidade. Os russos estão em fase de testes com seu Sukhoi T-50 Pak Fa, onde a aeronave se apresentou em duas MAKS, com presença de militares da força aérea dos Estados Unidos que puderam assistir in loco o novo caça russo que demonstrou um desempenho soberbo em manobrabilidade, sendo muito similar ao caça Su-35S Flanker E, referência nesse quesito para qualquer aeronave de combate atual ou em fase de desenvolvimento, com o detalhe de que o T-50 é uma aeronave furtiva. Porém, o próximo passo é a 6º geração, onde os Estados Unidos deram seus primeiros passos para uma nova geração de caças. Todavia, dado ao grande salto tecnológico que os adversários dos Estados Unidos deram, especificamente Rússia e China, os requisitos de capacidades que a 6º geração de aeronaves de combate aéreo ainda não foram claramente definidos, ainda que os três grandes fabricantes norte americanos andaram dando umas dicas de suas linhas de estudos. As outras nações. como Coreia do Sul, Índia e Japão, estão desenvolvendo suas aeronaves de 5º geração, sendo que em todas elas, é visível que o nível de furtividade é menor que nos caças americanos e russos e mesmo chineses do mesmo tipo, porém, focaram em agilidade ainda. Neste artigo vou apresentar os projetos que estão em andamento para as próximas décadas. Dois dos modelos que serão apresentados foram foco de um artigo especial nesse site, o F-35 dos Estados Unidos e o Sukhoi T-50, porém, por serem aeronaves que estão em fase final de desenvolvimento, considerei justo a menção deles nessa listagem. Farei algumas considerações de cunho pessoal sobre cada um dos modelos. Elenquei, também aeronaves de ataque, como os bombardeiros B-21 norte americano e o Pak Da russo.

SUKHOI T-50 PAK FA (Rússia)
A Sukhoi, famosa fabricante russa de aeronaves de combate como o Su-27 Flanker e seus derivados, está em uma avançada fase de testes do seu caça de 5º geração batizado de T-50 "Pak Fa" (Futuro Complexo Aéreo para as Forças Aéreas Tácticas). O modelo foi descrito em uma artigo dedicado a ele nesse site e quem quiser mais detalhe pode clicar  AQUI que será direcionado ao artigo sobre o modelo.
Os russos deram uma resposta ao F-22 Raptor com o programa Pak Fa e estão desenvolvendo uma aeronave que inova em seus sensores, através de um sistema de radar com capacidade de varredura lateral, algo inédito e que aumenta fortemente o angulo de busca do avião. Colocaram esse recurso em uma aeronave de baixa detecção e altíssimo desempenho de voo. Por causa disso, a supremacia aérea desejada pelos Estados Unidos com seu poderoso F-22 acabou sendo desafiada. É claro que a força aérea dos Estados Unidos identificou o problema e já começou a flertar com os fabricantes de aeronaves militares para que comecem a pensar em como será o substituto do F-22 em meados de 2035.

TUPOLEV PAK DA (Rússia)
O projeto PAK DA está em sua fase inicial ainda e tem o objetivo de fornecer um novo bombardeiro estratégico com tecnologia de baixa detecção e voo subsônico. Na verdade as informações disponíveis sobre o programa são bastante escassas e muitas são conflitantes. O que se lê em sites e revistas hoje, sobre esse projeto, dá uma ideia sobre uma aeronave com grande autonomia e capacidade de transporte de grandes cargas de armas e com um RCS bem menor que de um bombardeiro comum, mas ainda menos eficiente neste ultimo quesito que o B-2 ou ou novo B-21 americano. O modelo pode estar em testes na próxima década e teremos que esperar para conhecer maiores detalhes. Os russos são muito bons em esconder os detalhes de seus projetos e só apresentam esse dados quando está próximo de iniciar os testes de voo de seus protótipos.

PAK DP (Rússia) - fabricante ainda não selecionado
O interceptador MIG-31BM, foco de uma recente modernização, também está  na mira de um futuro sucessor. Os russos atribuem (justificadamente, diga-se de passagem) uma grande importância a seu poderoso interceptador Mach 3. Por isso o programa PAK DP, nome dado ao projeto que visa desenvolver um substituto para o MIG-31 e que, deverá ser ainda mais rápido do que o poderoso jato da MAPO MIG, deverá tomar seu lugar em algum momento na década de 2030. Por ser o programa em estágio mais inicial do que os outros, e que nem foi escolhido o fabricante que o desenvolverá, os dados ainda são bastante restritos.

F/A-XX (Estados Unidos - Marinha)
Os Estados Unidos estão estudando uma nova aeronave de combate multi-função para substituir os caças F/A-18E/F Super Hornet por volta de 2030. Este projeto é considerado como sendo uma aeronave de 6º geração e a Boeing foi a primeira a apresentar desenhos para este modelo. A Northrop Grumman mostrou um vídeo recentemente em que aparece um conceito desse um caça de 6º geração e uma coisa em comum entre todos os desenhos, dos dois fabricantes, é que se trata de uma aeronave sem cauda ou "tail less", o que revela que o nível de furtividade pretendida para o modelo é maior que dos caças stealths atuais. Outro ponto em comum em todos os conceitos que foram divulgados é que a aeronave é híbrida, pois permitirá operar de forma autônoma como um UCAV ou tripulado como nos caças atuais. Alias, é bem provável que essa seja uma característica que classifique a aeronave como de 6º geração. Por ultimo, o armamento pensado para esse projeto é baseado em um canhão laser interno. Para isso, os Estados Unidos estão com um projeto em andamento, cuja responsabilidade é da Northrop Grumman, que visa miniaturizar um canhão laser para instalar em um pod externo em caças atuais de 4º geração, sendo que um F-15 deverá testar esse armamento em 2018 segundo o cronograma. O F/A-XX é previsto ter uma arma laser orgânica como parte de seu armamento principal e isso é observável em alguns dos desenho apresentados pela própria Northrop Grumman e que deve se beneficiar deste projeto.

FX (Estados Unidos - Força Aérea)
Acima: Modelo conhecido como "Miss November" da Lockheed Martin para o programa FX.
O programa FX  é o nome atual (isso pode mudar) para um programa da USAF (Força Aérea dos Estados Unidos) de caça de 6º geração com objetivo de substituir o F-22 Raptor em meados de 2030 e 2040. Dependendo dos acontecimentos esse cronograma poderá ser revisto e antecipado, uma vez que a quantidade de caças F-22 é pequena e o custo de se reabrir a linha de montagem do modelo é bem alto, além de que, os F-15, mesmo modernizados, podem não ter folego para chegar em 2030. Outro ponto é o custo operacional do F-22 e sua baixa disponibilidade (em torno de 65%) que representa um índice abaixo do que os outros modelos da USAF apresentam, e mesmo que o desejo desta solicitou. Até o momento, a Lockheed Martin, projetista do F-22, apresentou um desenho para esse projeto, e a Northrop Grumman , também mostrou um modelo, que aliás parece ser uma variante do seus F/A-XX da marinha, com modificações para a força aérea. Assim, sendo muito do que foi dito a respeito do F/A-XX acima, se aplica ao FX, principalmente no que tange a parte do armamento. A Boeing também chegou a mostrar um conceito para esse programa que traz uma aeronave com tailerons, mas sem deriva vertical.
Abaixo: Essa concepção foi apresentada em um vídeo pela Northrop Grumman e mostra uma ideia do fabricante de um modelo que pudesse ser usado no programa FX e no F/A-XX. Porém, é quase certo que os dois programas sigam em paralelo devido a todos os graves problemas que o programa F-35 apresentou.



Acima: Esta é a única imagem de um conceito artístico do que a Boeing tem em mente para o programa FX da USAF.

UCLASS (Estados Unidos - Marinha)
O programa UCLASS (Unmanned Carrier-Launched Airborne Surveillance and Strike) ou aeronave sem piloto lançada de porta aviões para vigilância e ataque que teve no programa UCAS-D uma de suas fontes de estudo para desenvolvimento de uma aeronave de combate com capacidade similar a de um jato de ataque tático, porém sem piloto operado de um porta aviões parece estar na iminência de ser cancelado para dar lugar a um projeto menos ambicioso, que é o de fornecer uma aeronave de reabastecimento aéreo sem piloto para apoiar aeronaves de ataque tripuladas para missões de longo alcance CBARS. Porém, é claro que muito foi aprendido e provado ser totalmente viável para operar através do jato X-47B. A era das aeronaves sem piloto está ainda no começo, mas certamente tomarão a maior parte das missões na segunda metade deste século.

F-35 Lightining II (Estados Unidos - Força Aérea, Marinha e Fuzileiros Navais)
O F-35 é um "velho" conhecido nosso por ter sido foco de duas matérias nesse site (para ler a matéria clique AQUI). O caça foi desenvolvido para assumir o lugar do F-16 e do A-10 na força aérea americana, do F/A-18A e C (Hornets da primeira e segunda geração) na Marinha e Fuzileiros Navais dos Estados Unidos e os AV-8B Harriers II dos Fuzileiros navais dos Estados Unidos. O F-35B, justamente a versão dos fuzileiros que substituirá os Harriers americanos e britânicos, já teve seu IOC  (Initial operational capability ), ou capacidade operacional inicial declarada. Porém é fato conhecido que a aeronave apresentou sérios problemas que ainda não foram solucionados e ao que tudo indica, ainda demorará para serem resolvidos em definitivo. De qualquer forma, na segunda metade da próxima década, o F-35 será, certamente, o principal avião de combate da força aérea dos Estados Unidos e o de muitas nações aliadas dos norte americanos.

B-21 ( Estados Unidos - Força Aérea)
O novo bombardeiro da Northrop Grumman em desenvolvimento para a Força Aérea dos Estados Unidos deverá substituir os bombardeiros B-1B Lancer e o B-52, e possivelmente o próprio B-2 Spirit nos próximos anos. A aeronave deverá ser apresentada até o final desta década e a USAF planeja adquirir 100 unidades do modelo. O avião terá muita tecnologia já disponível para poder manter os custos em um patamar aceitável, embora um bombardeiro com tecnologia stealth nunca será algo que poderemos classificar como "barato". A aeronave será bimotor, algo incomum em se tratando de bombardeiros estratégicos norte americanos, onde se costuma usar 4 motores. Estuda-se a possibilidade de empregar o motor Pratt &Whitney F-135, usado nos caças F-35 comentados acima, para propulsar esta moderníssima aeronave de longo alcance. Assim que houver mais dados certos sobre o B-21 haverá uma matéria dedicada sobre ele no WARFARE.

FCAS (Inglaterra e França)
O FCAS é um projeto cujo estudo de viabilidade recém contratado de um avião sem piloto para missões de de ataque que deverá substituir alguns modelos de aeronaves tripuladas como os Tornados IDS GR4 ingleses e possivelmente alguns caças Rafales franceses em missões de ataque, principalmente. O projeto fará uso dos conhecimentos adquiridos nos testes dos protótipos Taranis desenvolvido pela BAe Systems, da Inglaterra e o nEUROn, projetado e desenvolvido por um consorcio composto pela França (fabricado pela poderosa Dassault Aviation), Grecia, Suécia (com a Saab), Itália, Espanha e Suíça. Se basearmos nos modelos Taranis e nEUROn, o FCAS terá velocidade na casa de mach 0,7 a mach 0,9, será uma aeronave stealth com RCS menor a dos aviões de 5º geração como F-22 e F-35 e terá capacidade de transportar duas bombas de 907 kg guiadas ou 8 pequenas bombas SDB GBU-39 em seu compartimento interno de armas.

J-20 Black Eagle (China)
O J-20 é o primeiro avião com características stealth desenvolvido na China e o primeiro caça de 5º geração desta nação. Embora poucos dados confiáveis tenham sido divulgados, é certo que a aeronave foi pensada para tentar fazer frente ao F-22 norte americano. O J-20 é um caça bombardeiro pesado e deverá ser capaz de executar missões ar ar e ar terra. Devido a sua baixa reflexão de radar,  a entrada em serviço do J-20 vai implicar, de cara, com uma significativa redução da capacidade de impor superioridade aérea de adversários como a marinha dos Estados Unidos que dependerá do F/A-18E Super Hornet por pelo menos até 2030. Independentemente das qualidade do Super Hornet, o fato é que se trata de um caça de 4º geração e ele ficará em desvantagem séria frente a um caça de 5º geração na arena ar ar de médio e longo alcance. O J-20, como vários dos aviões citados nesta matéria deverão ser foco de artigo no futuro próximo aqui no WARFARE.

FC-31 Gyrfalcon (China)
O segundo caça de 5º geração chines, inicialmente chamado de J-31 e posteriormente batizado de FC-31 é um caça que está sendo desenvolvido para exportação como foi feito com caça leve JF-17, projeto entre o Paquistão e China, do qual a China não adquiriu nenhuma unidade. O desenho do FC-31 é claramente influenciado por técnicas de redução de furtividade. O armamento pode ser transportado em um compartimento interno de armas ou externamente e existe uma certa semelhança com os modelos norte americanos F-35 e F-22, de uma forma geral.

XIAN H-20

Como todos os equipamentos militares chineses, o H-20 é cercado de mistério. As informações são classificadas, porém, sabe-se que os chineses, em busca de consolidar como uma super potência regional (e mundial), tem um programa de desenvolvimento de um bombardeiro de longo alcance com características stealth, hora chamado de H-20 que deverá entrar em serviço em 2025. Alguns desenhos deste projeto foram publicados, mas é quase certo que não devem se aproximar da real aparência que o modelo deverá ter. Os chineses são relativamente competentes em esconder seus projetos. Outros dados que foram publicados dão conta que a força aérea chinesa deseja uma aeronave com autonomia de 8000 km sem reabastecimento aéreo, capaz de transportar uma carga maior do que 10 toneladas de armamentos.

AMCA (India)
A Índia tem uma das maiores e bem preparadas forças armadas do mundo atualmente. Com sua rivalidade com a crescente super potencia chinesa, nada mais natural que eles procurarem se manter atualizados e independentes na medida do possível com relação a suas armas. O programa AMCA levado a cabo pela empresa estatal HAL busca desenvolver um caça médio de 5º geração para equipar a força aérea indiana. O modelo já teve varias modificações desde que começou a ser projetado e deve fazer seu primeiro voo no começo da próxima década. Trata-se de um caça de médio porte, com característica stealth, inclusive a capacidade de transporte de armas em compartimento interno. Ele deverá substituir o MIG-27, Mirage 2000 e o Sepecat jaguar na força aérea hindu.

ATD-X Shinshin (Japão)
A programa ATD-X está testando um protótipo de uma aeronave de combate stealth da qual, os conhecimentos adquiridos nessa fase serão usados no desenvolvimento de um caça de 5º geração japonês que deverá modernizar a força aérea japonesa, que hoje conta com bons caças, mas que estão em processo de envelhecimento. O ATD-X deve fazer seu primeiro voo ainda no primeiro semestre de 2016. A aeronave conta com vetoração tridimensional de empuxo com uma tecnologia empregada no antigo protótipo Rockwell/ MBB X-31, que usa 3 "pétalas" para direcionar o fluxo de saída de ar do motor para qualquer direção em um arco de 15 º que lhe garantirá alta manobrabilidade e bom controle a velocidades reduzidas.

KF-X (Coreia do Sul e Indonésia)
A Coreia do Sul está desenvolvendo um projeto com apoio da Indonésia de um caça de 4,5º geração que deverá tomar o lugar do F-5E Tiger II e os F-4E Phanton II usados pela sua força aérea. A Indonésia embarcou nesse projeto como parceira e vai aproveitar o know how da KAI para agregar conhecimento e transferência de tecnologia para um moderno caça leve que também deverá preencher as fileiras da força aérea da Indonésia. O modelo deverá ser um caça bimotor, monoplace, com duas derivas com desenho que lembra levemente o F-35. Na verdade, a Coreia do Sul, adquiriu um lote de F-35 e deve receber algumas tecnologias que muito provavelmente deverão ser empregadas no projeto de seu KF-X,

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domingo, 6 de março de 2016

NORTHROP GRUMMAN E-2 HAWKEYE. O primeiro avião projetado desde o começo para alerta aéreo na história


FICHA TÉCNICA (E-2D)
Velocidade de cruzeiro: 474 km/h
Velocidade máxima: 648 km/h
Autonomia: 6 horas
Teto operacional: 10576 m.
Alcance de travessia: 2708 km
Empuxo: 2 motores turbo propulsores Allison/ Rolls-Royce T-56-A-427 A com 5100 shp de potência
Radar: AN/APY-9 com 555 km de alcance
DIMENSÕES
Comprimento: 17,60
Envergadura: 24,56 m
Altura: 5,58 m
Peso: 18900 kg (vazio).


DESCRIÇÃO
Por Carlos E.S.Junior
Embora existam diversos modelos de aeronaves usadas em missões de alerta aéreo antecipado, a única projetada especificamente para esta missão foi o Grumman E-2 Hawkeye usado pela marinha dos Estados Unidos (US Navy) desde abril de 1961, quando o primeiro protótipo com capacidade total voou pela primeira vez. O E-2A Hawkeye substituiu o avião E-1 Tracer que era uma adaptação do velho Grumman S-2 Tracker usado para caça antissubmarino, do mesmo tipo que foi usado pela nossa força aérea nos anos 70 e 80. O E-1 apresentava fraco desempenho em suas tarefas de detecção e a US Navy precisava de uma aeronave de melhor desempenho com certa urgência.
Desde a sua entrada em serviço, que ocorreu em janeiro de 1964, o Hawkeye passou por diversas modificações para se manter como uma plataforma atualizada frente a evolução da tecnologia adversária no campo de batalha. As versões produzidas do Hawkeye fora a E-2A, E-2B, E-2C (ainda em uso), e a atual E-2D, que representa a modificação mais extensa do Hawkeye.
Nesse artigo, em especial, vou focar na versão C e na atual D que deverá assumir todos os porta aviões da US Navy em breve.

 
Acima: O primeiro avião de alerta aérea antecipado operado em navios aeródromos foi o E-1 Tracer, uma adaptação do S-2 Tracker de patrulha antisubmarino.



Acima: Aqui temos uma foto do E-2A Hawkeye ao lado de um E-1 Tracer, que foi substituido.


GRUMMAN E-2C HAWKEYE
O primeiro protótipo do E-2C, na verdade um E-2A modificado com novos sensores e novo radar AN/APS-120, fez seu primeiro voo no início de 1971. Além da parte eletrônica, os motores foram substituídos por motores Allison T-56-A-425 que usava hélices de material composto. Esse propulsor permite ao Hawkeye uma velocidade máxima de 648 km/h, porém, em missão, o avião voa a velocidade mais baixa para poder se manter na área de combate por mais tempo. Uma limitação que se pode observar no Hawkeye é sua autonomia reduzida pela menor capacidade de transporte de combustível, imposto pelo menor tamanho da aeronave que foi projetada para operar nos apertados espaços de um navio aeródromo. O alcance de travessia dele chega a 2700 km, e o interessante é que ele não pode ser abastecido em voo.
Mesmo assim, a importância desse avião para a capacidade de combate e sobrevivência do navio é elevadíssima, sendo muito maior do que se pensa entusiastas iniciantes nas pesquisas de sistemas de armas.
Desde que entrou em serviço, o modelo E-2C recebeu muitas melhorias e atualizações, tendo sido substituído seu radar 4 vezes, sendo que o modelo C atual usa o radar AN/APS 145 cujo alcance máximo é de 550 km podendo rastrear 2000 alvos de 20000 contatos e controlar a interceptação de 40 deles. O radar fica no rotodome  acima da fuselagem do Hawkeye e que tem um movimento rotativo variável entre 5 e 6 rotações por minuto, de acordo com a necessidade de acompanhamento do alvo. O E-2C possui um sistema IFF modelo AN/APX-100 (identificação amigo inimigo) aperfeiçoado e tem instalado o sistema de intercambio de dados (Data Link) Link 16 JTIDS (Joint Tactical Information Distribuition  System), padrão usado pela OTAN, usado para enviar e receber informações dos sensores de outros participantes da missão assim como dos seus próprios sensores.

 
Acima: O E-2C Hawkeye é a versão construída em maior numero desta aeronave de alerta aéreo antecipado. Também é a versão mais exportada.
Atualmente o modelo E-2C Hawkeye é usado pela marinha dos Estados Unidos (que está substituindo esta versão pela mais moderna E-2D que trataremos a seguir), França, Taiwan, Japão e México (comprados de Israel) e Egito. Foi oferecido algumas unidades dos E-2C norte americanos para a Índia, mas ainda não foram adquiridos.
O E-2C foi fabricado com algumas modificações que geraram 5 variantes. São elas:
  • E-2C básico, equipado com um radar AN/APS-120 com alcance de 222 km, posteriormente substituído por um radar um pouco mais potente, o AN/APS-125 cujo alcance chega a 249 km. Esse radar é instalado dentro do compartimento rotativo (aquele disco acima do avião), junto com um sistema de identificação amigo inimigo IFF.
  • E-2C Group 0, que é equipado com o mesmo radar da versão anterior, mas tem um sistema de data link AN/ASW-25, um sistema de identificação amigo inimigo IFF AN/APX-72, um sistema de detecção passiva de radio AN/ALR-73, sistema de navegação AN/ARN-84 TACAN.
  • E-2C Group I, que tem tudo da versão anterior, mais um novo radar AN/APS-139.
  • E-2C Group II, esta variante recebeu uma atualização eletrônica mais abrangente, começando pelo radar AN/APS-145, sistema de intercambio de dados atualizado AN/ARC-158 UHF (compatível com Link 4A, 11 and 16, padrão OTAN), um sistema comum de distribuição de informações táticas (JTIDS) AN/ARC-34 HF, sistema de GPS AN/ARN-151(V)2, um sistema ALS (sistema automático de pouso) AN/ASW-25B que é usado para facilitar os pousos em porta aviões.
  • E-2C Group II Plus, versão mais avançada antes do modelo D, mantém o eficiente radar AN/APS-145, mas recebeu um sistema de contramedidas AN/ALQ-217  que identifica e localiza o ponto de emissão de radares hostis, Sistema de comunicação voa satélite AN/ARC-210.
Acima: O E-2 Howkeye é uma aeronave projetada para operar a bordo de navios porta aviões cujo espaço é bastante limitado. Por isso, soluções como a dobragem das asas foram necessárias para acomodar a aeronave dentro do navio.

E-2D ADVANCED HAWKEYE
Em 2003 foi iniciado o desenvolvimento da versão avançada do E-2, conhecida com o E-2D Advanced Hawkeye, com objetivo de equipar a marinha dos Estados Unidos, substituindo os modelos C. Um conceito mais avançado ainda estava sendo estudado, o CSA (Common Support Aircraft) para ocupar o lugar dos E-2C e de outros modelos em uso como o E/A-6B Prowler de guerra eletrônica, E-2C Greyhound  (transporte), S-3 Viking (Guerra anti submarino e reabastecimento aéreo) e o ES-3 Shadow (aeronave de reconhecimento eletrônico ELINT), porém, o elevado custo projetado do programa, assim como a provável demora no projeto, levou a US Navy a contratar o desenvolvimento da versão E-2D.
Acima: As diferenças estéticas entre o E2C e o E-2D, Advancer Hawkeye, mostrado nessa foto, são minimas e requer que o observador seja extremamente detalhista. Pode-se observar um triangulo na frente do cone negro da aeronave (um delta) que informa tratar-se de um E-2D.
O E-2D voou pela primeira vez em agosto de 2007, e deverão ser entregues 75 unidades do modelo, segundo os planos iniciais da US Navy. O modelo incorpora melhorias substanciais, algumas já usadas no modelo Hawkeye 2000, uma versão do C atualizada produzida com foco em clientes estrangeiros potenciais. O motor foi atualizado para lidar com o aumento do peso da aeronave. Assim foram instalados dois turbo propulsores Allison/ Rolls-Royce T-56-A-427 A com 5100 shp de potência e com novas hélices com 8 pás. No E-2D foi integrado um sistema que permitirá a possibilidade de se instalar a capacidade de reabastecimento em voo, embora os aviões estejam sendo entregues sem o sistema.
Acima: O E-2D tem um novo motor T-56-A-427 A que que produz mais força para compeçar o aumento do peso de aeronave.
O radar, novamente, foi substituído por um avançado modelo AESA chamado AN/APY-9, muito mais capaz que o anterior AN/APS-145. Seu alcance é classificado, porém estima-se, que esteja em cerca de 555 km, contra alvos grandes (bombardeiros). Embora o radar tenha varredura eletrônica, ainda sim, existe o movimento mecânico da antena para otimizar o acompanhamento de determinados alvos. Esse radar tem capacidade de observar três vezes mais espaço que o radar anterior além de ser muito mais ágil em lidar com os contatos, classificando-os de acordo com a ameaça específica de cada um.
O sistema de comunicação se manteve com o data link JTIDS que usa o link 11 e 16, essencial para as operações conjuntas centrada em rede com a OTAN.
Outro interessante equipamento que foi instalado no Advanced Hawkeye foi o SIRST (infrared emission detector) ou detector de missões infravermelhas para buscar alvos pela sua emissão de calor. Esse sensor passivo não existe em nenhuma outra versão do E-2 e no E-2D foi instalado na na frente do trem de pouso frontal..

Acima: O E-2D foi projetado desde o começo para poder receber uma lança para reabastecimento aéreo. Uma vantagem significativa frente aos modelos anteriores, israel fez  uma modificação em seus exemplares do E-2C para poderem ser reabastecidos em voo, mas é uma particularidade dos exemplares que israel usou.

O E-2D Advanced Hawkeye entrou em operação em 2014, dando continuidade a uma história operacional longa e muito bem sucedida deste já clássico avião. Muitos pilotos da US Navy fazem grandes elogios ao Hawkeye, devido as excelentes qualidades e capacidades da aeronave. Por isso a Grumman chegou a usar estes pilotos para apresentar o E-2 Hawkeye a nações que mostraram interesse. Nada melhor para o marketing de um produto sendo feito por usuários muito satisfeitos, e foi isso que aconteceu. Embora esse tipo de avião seja relativamente caro, ainda sim, pode-se dizer que o Hawkeye foi bem sucedido até nas exportações.



ABAIXO TEMOS UM VÍDEO COM OS TESTES DE ADEQUAÇÃO DO E-2D PARA OPERAÇÕES ABORDO DE PORTA AVIÕES.


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