terça-feira, 29 de novembro de 2016

CLASSE CHARLES DE GAULLE. O primeiro porta aviões nuclear da França.


FICHA TÉCNICA
Comprimento: 261,5 m.
Calado: 9,43 m.
Boca: 64,36 m.
Deslocamento: 42500 toneladas.
Propulsão: Nuclear, com dois reatores nucleares PWR K15 mais duas turbinas a vapor fornecida pela Alston e 4 motores a diesel com 80000 hp de potência combinada.
Velocidade máxima: 27 nós (50 km/h).
Autonomia: Reabastecido a cada 20 anos
Sensores: Radar de busca aérea tridimensional Thales DRBJ 11B com 305 km de alcance; Radar de médio alcance DRBV 26D Júpiter; Radar de controle de fogo Thonson CSF 3D Arabel; Radar de busca de superfície Thales DRBV 15C Sea Tiger MK 2 com 100 Km de alcance.
Armamento: SAM: 4 lançadores Silver com 8 celulas para mísseis Áster 15; 2 lançadores de mísseis SAM de curto alcance Sadral, para mísseis Mistral, com 6 mísseis cada. 8 Canhões GIAT 20F2 de 20 mm.
Aviação: Até 40 aviões, sendo 3 Northrop Grumman E-2C Hawkeye, Helicópteros NH-90, e cerca de 30 caças Rafales.

DESCRIÇÃO
Por Carlos E.S Junior
Este projeto é interessante, pois apresentou algumas características indesejáveis como uma frequência elevada de defeitos durantes seu teste no mar entre 1999 e 2001, e um elevadíssimo custo operacional. Os Franceses precisavam de um porta aviões novo para substituir os cansados porta aviões da classe Clemenceau, que não tinham o tamanho ideal, nem potencia adequada em suas catapultas para operar o novo caça naval francês, o Rafale. Para isso o governo francês decidiu que deveria construir uma nova classe de porta aviões, que usasse propulsão nuclear para permitir uma autonomia muito maior que a dos porta aviões que seria substituídos por ele. Todavia, diversos problemas ocorreram, desde relacionados com o desenho do navio, até problemas ligados a confiabilidade do reator nuclear que impulsiona o navio. Hoje, depois destes problemas terem sido resolvidos, ainda um permanece: O custo elevado para operar um navio nuclear levou a marinha da França a considerar construir um novo porta aviões, em conjunto com a Inglaterra, que era conhecido como CVF, e que teria propulsão convencional, porém, problemas financeiros graves, levaram os franceses a cancelarem o projeto em 2013.
Acima: A marinha francesa precisou de um porta aviões mais capaz para operar os caças Rafales, que na época de sua incorporação, também era um novo caça. O Charles de Gaulle substituiu os dois antigos porta aviões da classe Clemenceau.
O Charles de Gaulle pode  operar 40 aeronaves que hoje são representadas por 34 caças Rafale M, 3 aviões de alerta aéreo antecipado (AEW) E-2C Hawkeye, além de helicópteros de apoio AS-565 Panther e H-225M Caracal. Esse equipamento torna o Charles de Gaulle, um dos mais bem equipados porta aviões do mundo, sendo inferior, apenas, aos super porta aviões americanos. As duas catapultas C13, de fabricação norte americana, usadas neste navio podem lançar 2 aviões por minuto, podendo colocar uma força respeitável no ar, em pouco tempo.
Embora os aviões de combate de um porta aviões sejam a principal linha de defesa, o Charles de Gaulle possui uma peculiaridade que é seu armamento orgânico relativamente pesado quando comparado com os navios do mesmo tipo ocidentais. O navio está equipado com 4 lançadores verticais Silver com 8 celulas para mísseis Áster 15, com um alcance de 30 Km, e com guiagem inercial, atualização por data link e radar ativo no final do engajamento. Além desse excelente sistema. Estão instalados, 2 lançadores Sadral com 6 mísseis Mistral cada. Este míssil tem um pequeno alcance de 4 km e usa a guiagem por infravermelho.
Estão instalados, também, 8 canhões automáticos de 20 mm da GIAT modelo 20F2, que disparam 720 tiros por minuto, e os projéteis alcançam 8 km.
Acima: Uma das aeronaves utilizada no Charles de Gaulle é o eficiente Grumman E-2C Hawkeye, de alerta aéreo antecipado, também usado pela marinha dos Estados Unidos.
O sistema de gerenciamento de combate Senit consegue rastrear 2000 alvos no campo de batalha, e é apoiado por um sistema de controle de armas Vigy 105 que são direcionadores optronicos fornecidos pela empresa Sagem. Este sistema permite a detecção de alvos numa distancia máxima de 27 km de forma passiva e imune a interferência. Em fevereiro de 2004, a empresa francesa Thales forneceu  o sistema de comando e controle chamado Sytex, e que será incorporado, não só no Charles de Gaulle, como em outros navios de guerra da frota francesa.
O sistema de radar é composto por um radar tridimensional Thales DRBJ 11B de busca aérea de longo alcance com 305 km de alcance, radar de busca aérea de longo alcance Thales DRBV 26D Júpiter, com o mesmo alcance do radar tridimensional (305 km), e um radar de busca de superfície e aérea Thales DRBV 15C Sea Tiger Mark 2 com 74 km de alcance. O radar de controle de tiro é o Thonson CSF Arabel 3 D, com 150 km de alcance, que é usado para fornecer informações do alvo para o sistema de mísseis antiaéreo Áster 15.
Acima: No começo do serviço operacional do Charles de Gaulle, a ala aérea utilizou aeronaves de combate Dassault Super Etendard modernizados, porém, atualmente, o Rafale assumiu as missões de combate embarcadas.
Como dito no início desta matéria, o Charles de Gaulle,  é um porta aviões nuclear, e ele usa dois reatores nucleares PWR K15, que o permitem, esta embarcação de 42500 toneladas de deslocamento, alcançar 26 nós (50 km/h) de velocidade máxima. A autonomia do sistema, é de 20 anos de operações continuas com o navio à 50 km/h.  Os mantimentos de comida da tripulação permitem ao navio operar sem reabastecimento por 45 dias. Um outro item interessante, é o sistema estabilizador Satrap, que promove uma estabilização executada por um computador e que mantêm o navio em uma situação horizontal com variação de 0.5º, permitindo, assim, operar os aviões em situações de mar agitado.
A marinha francesa é, tradicionalmente, uma das maiores do mundo. Dado à influência política que a França exerce sobre muitos países, notadamente do continente africano, assim como seu compromisso junto da OTAN (tratado do Atlântico Norte), sua marinha deverá continuar forte, porém, com problemas orçamentários, ela ainda poderá contar apenas com um porta aviões por um bom tempo.

Acima: O Charles de Gaulle é a capitânia da poderosa marinha francesa atualmente.

VÍDEO


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terça-feira, 22 de novembro de 2016

ALMAZ-ANTEY TOR M-1/M-2. Mais um guarda chuva antiaéreo da Rússia

FICHA TÉCNICA
Motor: Propelente sólido com 2 estágios.
Velocidade: 3060 km/h
Alcance: 12 Km.
Altitude: 6000 metros..
Comprimento: 2,9 m.
Peso: 167 kg.
Ogiva: 15 kg de fragmentação e alto explosivo acionada por espoleta de proximidade.
Lançadores: Veiculos blindado 9A330, 9A331 e MZKT-6922 6x6
Guiagem: Comando de radio.

DESCRIÇÃO
Por Carlos E.S. Junior
Mísseis antiaéreos de curto alcance costumam ser “vitimas” de preconceito, por não ter aquela mística do míssil que derruba o avião a longas distancias e que torna inviável um ataque aéreo do inimigo. Fora isso, podemos ver que muitos mísseis de curto alcance antigos não podem ser considerados um “sucesso total”, dado a baixa capacidade de enfrentar aeronaves de alto desempenho voando baixo. A história dos mísseis de curto alcance foi mudada em 1991 quando entrou em serviço a versão M do TOR, que incorporou muitas melhorias que acarretaram num aumento da precisão do sistema para índices inéditos nessa categoria de arma.
Acima: O sistema TOR M-1 representa um salta importante na qualidade e capacidade de sistemas de defesa antiaérea de curto alcance.
A industria Almaz - Antey, construtora de famosos mísseis como o S-300 PMU, lançou no mercado internacional um sistema antiaéreo contra alvos de baixa é médias altitudes e curto alcance com alta tecnologia e avançadas capacidades de interceptação, em qualquer tempo ou condição atmosférica. Como muitos dos sistemas modernos de defesa antiaérea russa, o TOR M-1 é móvel e independente, graças a um esquema composto por veículos lançadores já equipados com radar. O veiculo lançador utilizado pelo sistema TOR M-1 é o 9A331, baseado no veículo GM-355M (um veículo blindado transportador de tropas), que tem uma autonomia de 500 km e pode desenvolver uma velocidade máxima de 65 km/ h em estradas. O 9A331 é preparado para operar em ambientes NBC (nuclear bacteriológico e químico).
Acima: O veículo nos sistema TOR M-1 é o GM-355M, bastante usado pelas forças armadas russas em diversos sistemas de armas.
O míssil usado é o 9M330, conhecido como SA-15 Gauntlet, dentro da nomenclatura da OTAN. Trata-se de um míssil de curto alcance montado em duas caixas de lançamento vertical com 4 mísseis cada. Essa configuração permite engajar alvos em qualquer quadrante sem ter que apontar o lançador para um lado específico garantindo maior agilidade no engajamento. O SA-15 tem um alcance mínimo de 1,5 km e um alcance máximo de 12 km. Sua velocidade máxima é de 3000 km/h e o míssil é capaz de manobrar a 30 Gs, podendo engajar alvos que estejam voando a uma velocidade de 2520 km/h e manobrando a manobras de 10 Gs. A guiagem do míssil é feita por comando de rádio apoiado pelos sistemas de radares do lançador. A probabilidade de acerto (PK) do míssil é de 0.95 contra aeronaves e de 0.60 a 0.90 contra mísseis de cruzeiro.
Acima: O míssil 9M330 é lançado por verticalmente, acelerado por um booster. Logo na sequencia, o míssil se posiciona para a direção onde o alvo está e ele aciona seu próprio motor para acelerar até o alvo.
O sistema é operado por 3 tripulantes que são o motorista, o comandante e o operador de sistemas, num padrão similar ao encontrado em equipamentos mais antigos como o sistema SA-6 Gainful e o sistema ZSU-23-4 Shilka. Essa característica é muito positiva, pois o sistema é operado por um numero reduzido de pessoas facilitando a formação de tripulação.
Como dito anteriormente, o sistema TOR M-1 é autônomo e assim pode operar sozinho, porém ele pode ser conectado a uma rede integrada de defesa aérea para cobrir uma grande aérea. No veículo 9A331 estão instalados 2 radares dentro de um sistema chamado “Scrum Half”, sendo que uma das antenas é do tipo tridimensional, de varredura mecânica, cujo alcance de busca é de 25 km e capacidade de detectar até 48 alvos e mostrar os 10 alvos mais perigosos através de parâmetros programados no computador de tiro do sistema. A outra antena é de escaneamento eletrônico passivo e é usada para rastrear os alvos durante o engajamento, tendo um alcance de 15 km. Esta é a antena que fornece os dados para a guiagem do míssil. Um sistema IFF (identificação amigo inimigo) já está integrado para evitar disparar contra aeronaves aliadas.  Esse sistema permite o ataque simultâneo contra 2 alvos que estejam sob proteção de ECM (contra medidas eletrônicas) e em qualquer condição de tempo.
Acima: As antenas de radar do sistema Scrum Half montado sobre o TOR M-1/ M-2 se mantém dobradas quando o veículo está em deslocamento.
Como é bem comum quando tratamos de sistemas de armas de origem russa, o TOR passou por algumas atualizações. Embora o sistema M-1 continue ainda em produção, a Almaz Antey produz a versão TOR M-2 que recebeu melhorias no seu sistema de radar e sistema de controle de fogo, que agora passa a poder engajar até 4 alvos simultaneamente. Existe uma versão para exportação chamada TOR M2E, que usa um veículo sobre rodas MZKT-69222 com tração 6X6.
Atualmente o sistema TOR M-1 está em uso pela Rússia, Irã, Grécia, China, Bielorrússia, Egito, Chipre e Venezuela. Este ultimo país passou por um profundo programa de reequipamento que colocou a defesa antiaérea da Venezuela na primeira posição na escala das melhores defesas aérea do continente.
Acima: A versão TOR M2E usa uma viatura sobre rodas MZKT-69222. Esta versão conta ainda, com um sistema eletro-óptico de apoio ao sistema de radar para designar o alvo.

VÍDEO


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sábado, 19 de novembro de 2016

Blindados policiais no Brasil: junto às novidades, os problemas


Matéria publicada no site Tecnologia e defesa, de autoria de Paulo Bastos.
Leitura altamente recomendada. Clique na foto para redirecionamento para a matéria.


segunda-feira, 14 de novembro de 2016

SUKHOI SU-34 FULLBACK. O bico de pato no ataque.

FICHA TÉCNICA
Velocidade de cruzeiro: Mach 0,9 (1150 km/h).
Velocidade máxima: Mach 1,85 (1962 km/h).
Razão de subida: 9000 m/min
Potência: 0,78.
Carga de asa: 114,23 ft/lb²
Fator de carga: 7 Gs
Taxa de giro instantânea: 21º/s
Razão de rolamento: 240º/s.
Teto de Serviço: 15000 m.
Raio de ação/ alcance: 1100 km/ 4000 km
Alcance do radar: Radar Leninets V-004 com 90 km contra alvos aéreos com 5m2 e 150 km contra alvos de superfície.
Empuxo: 2 X NPO Saturn AL-31F com 12800 kg de empuxo cada
DIMENSÕES
Comprimento: 23,34 m
Envergadura: 14,7 m
Altura: 6,09 m
Peso: 39000 kg.
Combustível Interno: 12100 kg.
ARMAMENTO
Capacidade de 8000 kg de armamento em seus 12 pontos fixos
Ar Ar: Míssil R-73 Archer, missil R-27 Alamo, Missil R-77 Adder
Ar Terra: Míssil Kh-59, Míssil Kh-29, missil Kh-31, missil Kh-29, Bombas guiadas Kab (todas as versões), Bombas convencionais FAB (todas as versões)
Interno: Canhão GSH-30 de 30 mm.

DESCRIÇÃO
Por Carlos E.S. Junior
A força aérea russa precisava de um novo caça bombardeiro que substituísse seus aviões de ataque e bombardeiro de profundidade de 3º geração como o Mig-27 Flogger e o Su-24 Fencer, e começou a estudar um novo avião para essa tarefa em meados da década de 80. Esses estudos levaram a conclusão de que o bem sucedido caça Sukhoi Su-27 Flanker poderia servir de base para essa nova aeronave, devido ao Flanker apresentar elevada capacidade de carga associada a uma autonomia de voo espetacular.
Porém as características do tipo de missão que esta nova aeronave cumpriria exigiram algumas mudanças no Flanker original para poder tornar mais eficiente a execução dessas tarefas. O desenho da fuselagem do Su-34 segue o mesmo layout do Su-35-1 Super Flanker, com asas, tailerons e canard moveis ativos, porém a superfície vertical foi diminuída e a cabine amplamente modificada para posicionar os dois tripulantes lado a lado, no mesmo esquema visto no Su-24 Fencer e no F-111 Aardvark. O formato do cone do Su-34 é extremamente delgado se assemelhando a o bico de um pato que acabou se tornando uma marca registrada do modelo.
Acima: Com seu "bico de pato", o Su-34 é uma aeronave facilmente reconhecível. 
Esse desenho diferenciado, associado ao uso de materiais absorventes de radar, permitiu uma pequena diminuição da reflexão de radar e ainda comporta melhor o potente radar de abertura sintética Leninets V-004 que fornece dados como mapa de alta resolução do terreno para permitir voos à baixa altitude e em alta velocidade seguindo o contorno do terreno de forma automática evitando, assim a cobertura de radar inimiga. Esse radar permite, ainda, ser operado em missões anti-submarino pois é capaz de detectar as ondas geradas por um submarino. No modo ar ar, o alcance deste radar é de 250 km. Alvos aéreos do tamanho de caças (5m2) podem ser detectados a 90 km.
O sistema para designação de alvos para ataques a alvos de superfície é feito pelo sistema UOMZ Platan composto por um iluminador a laser e um sistema de TV. este sistema fica embutido abaixo da parte frontal da aeronave e só é exposto quando for ser usado.
A suite de guerra eletrônica defensiva é o KNIRTI Khibiny M que é composto por um interferidor L-175V,  um sistema de alerta de aproximação de mísseis (MAWS), dispensadores de iscas eletromagnéticas e de infravermelho Chaff/ Flares e um sistema de inteligencia eletrônica para identificação e catalogação de sinais eletrônicos e comunicação.
O Su-34 está equipado com um sistema de intercambio de dados datalink TKS-2 que lhe permite operar em rede com outras aeronaves e veículos de superfície recebendo e transmitindo dados de seus sensores.
Acima: O principal sensor usado no Su-34 é seu radar de escaneio eletrônico passivo Lelinets V-004, capaz de varredura aérea, de superfície e de mapeamento de terreno.
O Su-34 Fullback é classificado como um "caça bombardeiro", porque pode, efetivamente ser empregado contra aeronaves inimigas, graças a seu armamento ar ar de curto e médio alcance, além de sua boa agilidade, porém, a força aérea russa o emprega, fundamentalmente em bombardeio.
O armamento do Su-34 é bastante pesado. Certamente que ele é capaz de destruir muitos alvos em uma única surtida, mesmo que isso seja feito sozinho. Ao todo há 12 pontos fixos para cargas externas nas asas e fuselagem do Su-34 que são capazes de transportar até 8000 kg de armamento variado entre mísseis, foguetes e bombas. Pode-se lançar misseis Vympel Kh-29 Kedge, que dependendo da versão pode atacar radares, alvos moveis como tanques inimigos ou, ainda, edificações reforçada. O Kh-29 tem alcance que vai de 10 km até 30 km dependendo da versão. Sua guiagem pode ser feita por laser semi ativo, ou TV, também dependendo da versão; O grande míssil Kh-59MK Kingbolt, derivado do antigo Kh-59M, que tem um alcance de 285 km, com guiagem por TV. Existem duas ogivas possíveis, sendo uma de 320 kg de explosivos para penetração em alvos reforçados ou ogiva de fragmentação com 280 kg.
Outro míssil que o Su-34 está qualificado para lançar é o Kh-31 Kripton em todas as suas versões. Este míssil pode ser usado em missões anti-radar (Kh-31P) com 110 km de alcance máximo, ou em missões anti-navio (Kh-31 A) com alcance de 103 km.
O novo míssil ar superfície Kh-38 com alcance de 40 km, e com diversas versões de tipo de guiagem, podendo ser por radar ativo, laser, satélite ou infravermelho, faz parte do arsenal do Su-34. O objetivo deste armamento é a destruição de alvos fixos, inclusive os reforçados.
Lançadores de foguetes, muito comuns em todas as aeronaves de ataque táticas russas como o S-8, S-13 e S-25, também fazem parte das armas disponíveis para o Fullback.
No arsenal do Su-34, há ainda bombas burras e bombas guiadas como a Kab-250 L, Kab-500S e sua variante mais pesada a Kab-1500s, com guiagem por satélite (GPS, ou no caso, russo GLONASS), com alcance similar a JDAM americana (50-70km). Os testes começaram em 1999. A bomba é compatível com o sistema GPS americano.
Por ultimo, o Su-34 está armado com um canhão interno GSH-30, de 30 mm, com cadencia de tiro de 1800 tiros por minuto. A quantidade de munições do canhão é 150 projéteis.
Acima: O Su-34 tem capacidade de atacar alvos de superfície, além de destruir alvos aéreos. Nesta foto podemos ver o armamento composto por dois mísseis ar ar R-73 na ponta das asas, dois mísseis R-27ER sob as asas, e dois mísseis anti radar KH-31P. 
O Su-34 é propulsado por dois motores NPO Saturn AL-31FM que proporciona um empuxo de 12800 kg quando em uso do pós-combustor. Este motor é uma versão melhorada do AL-31 usado nos caças da família Flanker. Essa motorização compensa, um pouco, o aumento de peso que o modelo Su-34 incorpora sobre o Su-27, porém, sua relação empuxo peso fica em 0,78, consideravelmente menor que a dos modelos multifunção da família Flanker que conseguem atingir a unidade (1,0). Porém, de qualquer forma, o Su-34 foi projetado para ataques de profundidade, atingindo alvos em um  raio de combate de 1100 km de alcance, e não para ser um interceptador multifunção. Mesmo assim, sua capacidade de manobra é relativamente boa, sendo que a celula da aeronave suporta até 9 Gs em manobras, o que lhe dá condições de enfrentar em um dogfight qualquer aeronave de combate inimiga. Neste ponto, ainda saliento que o Su-34 tem uma ótima capacidade de combate ar ar BVR (além do alcance visual) com seu ótimo radar e mísseis de médio/ longo alcance R-27 e R-77.
Acima: Embora o Su-34 seja um avião de ataque, seu desempenho de voo permite engajar aeronaves em combate de curta distancia com segurança.
Uma curiosidade sobre o Su-34 é que o conforto da tripulação é único nesse tipo de avião de combate. Os tripulantes contam com um espaço para cozinhar e um banheiro dentro da grande cabine. Esses itens foram integrados ao projeto devido ao perfil da missão do Su-34 poder demorar muitas horas ininterruptas o que acarretaria em um desgaste excessivo da tripulação.
O Su-34 é um bombardeiro tático com capacidade que excedem por longa margem seu antecessor Su-24 Fencer e agrega um notável poder de ataque e interdição na força aérea russa. Seu uso contra navios de guerra é, da mesma forma, devastador dado a sua autônima que chega a 4000 km ou até 10 horas quando usando reabastecimento em voo e a seu forte arsenal. Essas capacidades todas fazem imperativo por parte de uma força inimiga neutralizar a força de Su-34 logo nas primeiras horas de guerra para evitar sofrer as consequências desastrosas que este poderoso vetor é capaz de realizar.
Atualmente a Rússia dispões de 87 aeronaves, e recentemente, no começo de 2016, a Argélia encomendou 12 aeronaves.
Acima: O cockpit do Su-34 tem 4 displays multifuncionais, seguindo a linha de aeronaves de 4º geração.


VÍDEO


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quarta-feira, 2 de novembro de 2016

FUZIL FX-05 - ATUALIZAÇÃO FULL METAL JACKET

Conheça o novo fuzil mexicano FX-05 no blog Full Metal Jacket. Clique na foto abaixo para abrir a matéria.


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OPERAÇÕES DO CRUZADOR/ PORTA AVIÕES KUZNETSOV NO MEDITERRÂNEO.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

CLASSE DIPONEGORO. A modularidade da compacta corveta de projeto holandês.

FICHA TÉCNICA
Tipo: corveta.
Tripulação: 80 tripulantes.
Data do comissionamento: julho 2007.
Deslocamento: 1692 toneladas (totalmente carregado).
Comprimento: 90,7 mts.
Boca: 13 mts.
Propulsão: 2 motores a diesel SEMT Pielstick 20PA6B STC movimentando duas hélices que produzem 23887 Hp de potencia
Velocidade máxima: 28 nós (52 km/h).
Alcance: 8900 Km em velocidade econômica (14 nós/ 26 km/h)
Sensores: 1 radar Thales Naval Nederland MW-8 tridimensional com 110 km de alcance; 1 radar Sperry Marine BridgeMasterE ARPA; 1 radar de controle de fogo LIROD Mk 2. 1 sonar Thales UMS 4132 Kingclip de casco.
Armamento: 2 lançadores duplos para mísseis MM-40 Exocet Block II; 2 lançadores quádruplos Tetral para mísseis Mistral; Um canhão Oto Melara Super Rapid de 76 mm; 2 canhões Denel Vector Gi-2 em calibre 20 mm; 2 tubos B-515 para torpedos Eurotorp 3A 244S.

DESCRIÇÃO
Por Carlos E.S. Junior
O estaleiro holandês Schelde Naval Shipbuilding produziu uma classe de pequenos navios modulares batizados de Classe Sigma (Ship Integrated Geometrical Modularity Approach) ou simplesmente “Abordagem de modularidade geométrica integrada a navios”, com o objetivo de fornecer uma opção econômica a marinhas com menor orçamento, porém com capacidade efetiva na execução das suas missões. Atualmente a marinha da Indonésia é operadora da versão corveta, conhecida como SIGMA 9113 pelo estaleiro construtor do navio, e batizado de Classe Diponegoro pela Marinha da Indonésia. Embora haja versões maiores deste projeto como o SIGMA 9813 da marinha do Marrocos e as mais modernas SIGMA 10513 e 10514 do Marrocos e da Indonésia, o foco deste artigo é a corveta classe Diponegoro. As outras versões serão abordadas no WARFARE em uma outra matéria.
A Indonésia encomendou 2 corvetas SIGMA 9113 em 2005 sendo que a primeira foi comissionada em 2007. Outros dois navios desta mesma classe foram encomendados em em 2006 e entregues respectivamente em 2008 e 2009.
Acima: Compacta e bem armada, a corveta Diponegoro fornece uma capacidade relvante de defesa costeira para a marinha da Indonésia a um custo baixo de aquisição e manutenção.
Os navios desta classe são adequados a patrulhas costeiras e tem uma capacidade anti-submarino relativamente robusta para uma embarcação deste porte, além de uma capacidade antinavio. Por isso, seu armamento é composto por dois lançadores duplos para mísseis antinavio MBDA MM-40 Exocet, guiados por radar ativo e com um alcance de 70 km.  Para defesa antiaérea há dois lançadores Tetral para 4 mísseis de curto alcance MBDA Mistral cada, cujo alcance é de  5 km sendo seu guiamento por infravermelho (IR). O armamento de tubo é composto por um canhão de tiro rápido Oto Melara Super Rapid de 76 mm cuja cadência de tiro chega a 120 tiros por minuto e com um alcance de 20 km. Mais dois canhões automáticos Denel Vector G-12, em calibre 20 mm também compõe o arsenal do navio. Este canhão leve antiaéreo é uma copia do modelo francês GIAT  F-2, possuindo uma cadência de tiro de 720 tiros por minuto e um alcance de 1500 metros contra alvos aéreos. Para finalizar, há dois tubos B-515 de torpedos Eurotorp 3A 244S cujo alcance máximo chega a 25 km.
Existe um heliporto para operar helicópteros de no máximo 5 toneladas, porém sem hangar. O projeto da SIGMA permite, se o cliente assim desejar, que se instale um hangar para manutenção de um helicóptero.
Acima: O principal armamento de tubo da Diponegoro é o seu canhão Oto Melara Super Rapid de 76 mm montado na proa do navio. Dado a suas compactas dimensões e sua boa cadência de tiro, muitas modernos navios de guerra tem sido armados com este canhão.
A SIGMA possui um radar Thales Naval Nederland MW-8 tridimensional que opera na banda C cujo alcance máximo é de 105 km contra um alvo de grande porte (RCS 100 m² como um bombardeio B-52). Um caça inimigo com 5 m² de RCS, como um MIG-29 pode ser detectado a 60 km. Já o radar de navegação é um Sperry Marine BridgeMasterE ARPA e o radar de controle de fogo é um LIROD Mk 2 usado para designação de alvo para o canhão Oto Melara Super Rapid. Para detecção de ameaças submarinas o SIGMA está equipado com um sonar Thales UMS 4132 Kingklip de média frequência montado no casco cujo alcance máximo é de 64 km.
O sistema de comunicação conta com um data link Linky MK-2 para intercambio de dados com outros navios e aeronaves que estejam operando no campo de batalha.
Acima: O radar Thales Naval Nederland MW-8 tridimensional é o principal sensor do Diponegoro. Comparado aos radares de fragatas usadas pela Europa, este sensor demonstra alcance reduzido. Porém, para a missão a que o navio foi idealizado, ele cumpre o seu papel.
A propulsão é feita por dois motores SEMT Pielstick 20PA6B STC movimentando duas hélices que produzem 23887 Hp de potencia e levam a SIGMA a uma velocidade de 28 nós (52 km/h), e sua autonomia chega a 8900 km, quando navegando em velocidade econômica. De uma forma geral,  o desempenho da classe Diponegoro pode ser considerado pobre, pois o navio não é rápido o suficiente para acompanhar um grupo de batalha, sua autonomia é curta, sendo um navio limitado a operações litorâneas e em guerra de baixa intensidade. Sua qualidade, no entanto, é percebida em sua navegabilidade, que permite operar em mares agitados com segurança.
Acima: A navegabilidade apresentada pelo projeto do navio é sua maior qualidade. Essa característica permite ao Diponegoro estender suas missões para mais distante do litoral.
Como pode se ver pelos dados apresentados nesta matéria, a pequena corveta holandesa em uso pela marinha da Indonésia é uma resposta de baixo custo (U$ 222 milhões cada unidade) a uma necessidade de alta relação custo benefício. A modularidade do projeto tem permitido novas encomendas de versões modificadas, e maiores, já classificadas como fragatas, que agrega alcance e armamento mais pesado. É interessante observar que o projeto básico, traz um desenho de baixa reflexão ao radar, seguindo a tendência dos novos navios do guerra que tem sido apresentados, notoriamente no ocidente.
Acima: Embora a corveta Diponegoro não tenha um hangar para manter um helicóptero, seu heliporto na popa permite usar um helicóptero leve (5 toneladas).


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quarta-feira, 12 de outubro de 2016

AUGUSTA/ WESTLAND AW-129 INTERNATIONAL. O garanhão italiano de asas rotativas.

FICHA TÉCNICA 
Peso: 3220 kg (vazio)
Altura: 3,04 m.
Comprimento: 12,62 m.
Propulsão: 2 motores  Rolls Royce LHTEC T-800-LHT-802 com 1608 HP de potência cada.
Velocidade máxima: 302 Km/h.
Velocidade de cruzeiro: 278 Km/h.
Alcance:  561 Km (combustível interno); 1000 km (combustível externo)
Razão de subida vertical: 612 m/min.
Fator de carga: +3,5 Gs
Altitude máxima: 6096 m.
Armamento: Mísseis Ar-Ar: FIM-92 Stinger RMP e MBDA Mistral
Mísseis Ar-Superfície: BGM-71D TOW-2 , Spike-ER, AGM114 Hellfire., Foguetes: Hydra 70 e SNIA BPD 81 mm Medusa.
Interno: 1x General Dynamics M197 de 20 mm com 500 munições.

PREFÁCIO
Por Anderson Barros - uma parceria com o site PLANO BRASIL
Os últimos anos a Europa tem mostrado que vem diminuindo sua dependência dos EUA no campo de sistemas bélicos. Sua forte indústria de defesa vem desenvolvendo tecnologia e sistemas para o campo militar apresentando soluções próprias para suas Forças Armadas.
Um exemplo é o desenvolvimento, pelos italianos, do primeiro helicóptero de combate europeu, o Agusta A-129 Mangusta. Foi projetado em 1978, mas só agora, com a versão A-129 International, fabricado pelo consórcio Agusta-Westland, esse helicóptero tem chamado a atenção, sobretudo depois que a Turquia selecionou o AW-129 para servir de base para o seu programa de um Helicóptero de ataque e reconhecimento conhecido como ATAK.
A ORIGEM
O Agusta A-129 Mangusta foi desenvolvido a pedido do exercito italiano que viu a necessidade de dotar suas unidades aéreas com um vetor de ataque dedicado com capacidade antitanque. O A-129 foi o primeiro helicóptero de ataque dedicado totalmente projetado e construído na Europa ocidental. Seu projeto se iniciou em 1978 sendo que seu projeto final ficou pronto apenas em 1982. 
Os requisitos do Exercito italiano apontava para um vetor apto a realizar missões antitanque, escolta e ataque á objetivos em solo. O primeiro voo do protótipo inicial (de um total de cinco) ocorreu em 1983. Seu programa de testes e avaliações se estendeu ate meados de 1987, quando então foi assinado o contrato de produção do modelo que viria gerar diversas versões ao logo de sua carreira.
O nome escolhido pelo exercito italiano e pela Agusta para batizar seu novo Helicóptero de ataque foi Mangusta (O mangusto e conhecido pela sua facilidade em matar cobras venenosas.). Esse nome comercial foi escolhido devido o A-129 ser um concorrente direto do Bell A-1 Cobra que naquela época rivalizava com o projeto da Agusta.
Em 1986, os governos da Itália, Holanda, Espanha e Reino Unido assinaram um memorando de entendimento para desenvolver uma versão melhorada do A129, chamado de “Joint European Helicopter”. O memorando solicitava a instalação de motores mais potentes, um novo sistema de rotor, trem de pouso retrátil, melhores sensores e armamento mais potente. Porém o projeto ruiu em 1990, quando Grã-Bretanha e a Holanda decidiram pela compra do AH-64 Apache, enquanto a Espanha optou pelo Eurocopter Tiger.
No inicio da década de 1990 a Agusta começou a trabalhar em uma variante do A-129 Mangusta voltada para o mercado de exportação. Essa nova versão recebeu melhorias nos motores, avionicos e armamentos para atender as exigências do mercado de exportação. Devido a essas modificações a Agusta (agora AgustaWestland ) alterou o nome de Mangusta para Internacional (segundo o fabricando esse novo nome condiz melhor com o seu objetivo  que e o mercado de exportação).
Acima: O protótipo do A-129 Mangusta apresentava linhas mais simples que os atuais AW-129, mas já demonstrava forte potencial de crescimento da aeronave.

PROTEÇÃO

Um dos pontos mais trabalhados no desenvolvimento do AW-129 foi a sua capacidade de sobrevivência e segurança da tripulação. A estrutura da cabine da tripulação e os sistemas vitais tais como motorização, tanques de combustível, rotor principal são blindados e resistentes a impactos de munição calibre 12,7 mm. Os propulsores são posicionados nas laterais da fuselagem bem espaçados um do outro e separados pela caixa de transmissão para reduzir a probabilidade de danos simultâneos. Os  tanques de combustível possuem um sistema anti-explosão e anti-vazamento composto por um sistema auto selante alem de um completo sistema de extinção de incêndio. As pás são construídas em materiais compostos altamente resistentes, aumentando sua resistência balística das mesmas sendo capazes de resistir a vários impactos de munição de canhões calibre 23 mm, fornecendo a capacidade de voo seguro mesmo após ter sido atingida. A estrutura principal do AW-129 possui tecnologia anti-crash (antichoque) com capacidade de absorção de impacto, que também é aplicada nos assentos da tripulação, que juntamente com o conjunto de trens de pouso principais que foram projetados para suportar o impacto de uma queda.

Outro sistema de proteção e o supressor de calor nos bocais de exaustão que resfria e direciona o fluxo das turbinas para longe da estrutura da aeronave diminuído a assinatura IR do vetor e a integração do filtro separador de partículas (Pall Vortex Engine Air Particle Separator System), que visa a não ingestão de FODs ou grãos de areia.  O vetor também possui proteção contra ambientes QBN (Químico, biológico e nuclear).
Acima: A proteção do AW-129 vai além de placas de blindagens capazes de "segurar" projéteis calibre 12,7 mm. A aeronave conta com um lançador de iscas chaffs e flares atras do rotor principal, que lança iscas contra mísseis guiados a calor (IR) e por radar.

SISTEMAS EMBARCADOS
O AW-129 utiliza unidades de exibição com o conceito de glass cockpit e um elevado nível de automação de seus sistemas, visando à redução da carga de trabalho dos tripulantes nas múltiplas tarefas que este vetor pode realizar.
O vetor possui integração de um sistema de posicionamento global GPS, sistema de navegação inercial (satélite-inercial), novas e poderosas unidades de processamento, novos softwares e a integração do sistema de visão noturna HIRNS (Helicopter Infrared Navigation System).
O vetor também foi compatibilizado com a utilização de óculos de visão noturna. Para a detecção, identificação e designação de alvos o A-129 foi equipado com o sistema HIRNS, que é composto por um sistema FLIR fornecido pela Honeywell, uma câmera CCD TV que substituiu o sistema de mira telescópica TSU (Telescópica Sight Unit), um sistema de telêmetro laser e um designador laser, que são montados em uma torre giratória sobre o nariz e um sensor IR que fica alocado à frente do nariz em uma pequena torre giratória, que fornece uma visão progressiva ao piloto em ambientes noturnos e em, mas condições climáticas.
Este sensor é integrado ao sistema de mira montado no capacete IHADS (integrated helmet and display sighting system), que direciona o sensor IR para onde o piloto estiver olhando, a mira montada fornece informações de navegação que permitem o voo Nap-of-the-earth (NOE) com baixo perfil seguindo a baixa altura, utilizando o mascaramento do terreno, se escondendo atrás das imperfeições do solo e das copas das árvores evitando a detecção pelos radares inimigos.
Este sistema de mira montada no capacete também permite apontar automaticamente o canhão para onde o copiloto-artilheiro estiver olhando. O AW-129 está equipado com uma suíte de contramedidas eletrônicas e  descartáveis composta por um sistema de alerta de radar RWR (Radar Warning receiver) Elettronica ELT-156, sistema de alerta de laser LES (laser warning systen) BAE Systems Itália RALM-101, sistema de jammer EM Elettronica ELT-554, sistema de jammer IR BAE Systems IEWS NA/ALQ-144A e dispensadores de Chaff e Flare.
Acima: O AW-129 possui uma moderna avionica com conceito Glass cockpit, que reduz a carga de trabalho da tripulação.

SISTEMAS DE ARMAS
O AW-129 Internacional pode ser dotado com uma ampla gama de armas em seus quatro pontos de fixação de armamento. Para missões anti superfície e antitanque o mesmo pode ser equipado com mísseis ar-terra AGM-114 Hellfire de origem americana possuindo um alcance máximo de 8 km ou o míssil Rafael Spike-ER (Extender Range) de origem israelenses com alcance máximo de 8 km.
O AW-129 também pode ser equipado com a família de mísseis mais antigos Raytheon BGM-71 TOW II (Tube-launched, Optically-tracked, Wire-guided) o seu alcance varia de acordo com a versão podendo chegar ate 4.200 metros.
Outro armamento ar-solo é o foguete Medusa de 81 milímetros no qual o podem ser carregados quatro lançadores com sete foguetes. Outro modelo de foguete empregado e o Hydra 70 (70 mm) podendo receber lançadores do modelo M260 para sete foguetes ou M261 para 19 foguetes.
Outra possibilidade que pode ser integrada ao AW-129 e o novo míssil Turco Roketsan UMTAS, que possui um alcance máximo de 8 km e o foguete guiado Roketsan CIRIT 70 mm, guiado a laser semiativo, que possui um alcance máximo de 8 km ambas as armas equipam a versão Turca do AW-129 Internacional (denominada T-129 ATAK).
O Armamento de tubo consiste em um canhão General Dynamics M-197 20 mm de 3 canos giratórios tipo Gatling  com cadência de 750 tiros por minuto montado em uma torre Otobreda TM 197B.
Alem do canhão  existe provisão para dois  POD  FN Herstal HMP-250 equipado com uma metralhadora  FN Herstal M3P calibre 12.7×99mm (.50 BMG) com capacidade para 250 munições. Para combate ar ar  o mesmo pode ser equipado com  mísseis MBDA Mistral guiados por infravermelho (IR) com alcance de 6 km e FIM-92 Stinger, guiado por infravermelho, com um alcance de 4,5 km.
Acima: O armamento orgânico do AW-129 é o canhão General Dynamics M-197 em calibre 20 mm, o mesmo usado no famoso helicóptero de combate norte americano AH-1W/Z Cobra.

PROPULSÃO
O AW-129 faz uso de uma nova propulsão que substituiu os antigos motores Rolls-Royce Gem 2-1004D. A nova motorização ficou a cargo dos motores LHTEC T-800 fabricado pela Light Helicopter Turbine Engine Company (joint venture entre a Rolls-Royce e Honeywell).
Originalmente este motor foi desenvolvido para o programa do helicóptero Boeing-Sikorsky RAH-66 Comanche. Porém depois do cancelamento do Comanche a LHTEC começou a oferecer seu motor no mercado no qual foi bem aceito passando a equipar os modelos Agusta Westland  Super Lynx 300 e AW-159 WildCat alem de outros projetos.
Os dois motores LHTEC T-800 (sua variante de exportação e chamada de CTS-800) entregam normalmente uma potência de 1563 hp cada mas caso seja necessário o os motores em caráter de emergência podem desenvolver uma potencia de  1608 hp.
Graças a essa potencia o AW-129 possui uma taxa de subida de 612 m/min podendo atingir uma velocidade máxima de 302 Km/h e velocidade de cruzeiro de 278 Km/h. Seu raio de ação e de  561 km e seu alcance e de 1000 km.
Acima: O novo motor LHTEC T-800 são usado no AW-129 são muito mais potentes que os motores originais Rolls-Royce Gem 2-1004D e dão desempenho superior à aeronave.

VARIANTES
A129A Mangusta – Versão de produção original, alimentado por dois motores Rolls-Royce. Gem 2-1004D.
A-129C (CBT – Combate) – Versão atualizada para o exército italiano, que incorpora os mesmos avanços da versão A-129 internacional,  onde os avionicos foram modernizados e a motorização foi mantida  original, com os Rolls Royce Gem 2-1004D que possuem uma potencia máxima unitária de 1120 HP.
A-129D Mangusta – Versão modernizada do modelo CBT com sistemas desenvolvidos para o AW-129 Internacional. O mesmo recebeu um novo conjunto de rotores de cinco pás, canhão General Dynamics M197, torre EOS (Electro-Optical Systems) Rafael Toplite III e capacidade de lançar mísseis Spike ER.
Além disso, o vetor foi  homologado para uso em operações navais onde futuramente ira receber um sistema de dobragem das pás do rotor.
A-129I Internacional (Renomeado como AW-129 Internacional) – Versão dedicada ao mercado de exportação seu projeto começou no inicio dos anos de 1990. Para atender esse mercado o A-129I foi equipado com os propulsores LHTEC T-800 e a nova torre Otobreda TM 197B equipada com o canhão General Dynamics M197 20 mm de 3 canos giratórios tipo Gatling.
Esta nova versão também apresentava um novo conjunto de rotores de cinco pás ao invés de quatro da versão A-129 A, também possuía maior capacidade de combustível e uma avionica modernizada. Essa variante foi selecionada pela Turquia para seu programa de helicóptero de ataque.
TAI T-129 ATAK – Versão baseado no  Agusta Westland  A-129 internacional (AW-129) para atender as exigências Turcas que incluía entre outras coisas o uso de sistemas/avionicos  e armamentos de Origem Turca.
O mesmo também recebeu melhorias para reduziu substancialmente o RCS do vetor como tinta RAP (Radar Asborbent Paint) e materiais RAM (Radar Absorbent Material) e novos bocais de admissão que escondem o duto de entrada da turbina, mascarando as partes quentes, que juntamente com os supressores IR nos bocais de exaustão que direcionam o fluxo das turbinas para longe da estrutura, reduzem substancialmente a assinatura IR do vetor.
Acima: O T-129 Atak é a versão turca do AW-129, com sistemas desenvolvidos pela industria da Turquia.

CONCLUSÃO
O AW-129 incorpora tecnologias e soluções interessantes que englobam um custo de aquisição e operação bem acessível. Um bom exemplo disso foi à Turquia que vendo a necessidade de equipar seu exercito com um helicóptero de ataque dedicado capaz de combater nos novos cenários da guerra moderna escolheu o AW-129 Internacional como o modelo base para o desenvolvimento de seu novo vetor.
O desenvolvimento do programa Turco ficou a cargo da Agusta Westland da Itália e pelas turcas Aselsan e TAI (Turkish Aerospace Industries). Esse exemplo poderia ser seguido pelo Brasil onde o AW-129 Internacional poderia ser adaptado aos requerimentos da Aviação do Exercito, sobretudo para suas operações no teatro amazônico. Seguindo o exemplo Turco empresas brasileiras poderiam se tornar fornecedoras para uma variante nacionalizada do  AW-129.
O AW-129 seria um ótimo vetor para operar no Teatro de Operações Brasileiros podendo ser operado pela Aviação do Exercito e pelo Corpo de Fuzileiros navais (graças a capacidade do AW-129 de se operar embarcado). Operacionalmente seria uma excelente escolta para os Helicópteros de Manobras da Aviação do EB apoiando os mesmos em missões de assalto aerotransportado, Operações especiais (Infiltração/Exfiltração), Busca e Salvamento em Combate. Alem do fato de que atualmente a AvEx (Aviação do Exercito) carece de um vetor de ataque dedicado no cenário amazônico.
Acima: Imagem em corte do A-129 mangusta das primeiras gerações.

VÍDEO


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