sexta-feira, 4 de julho de 2014

CLASSE AQUITAINE. A espinha dorsal da modernização das escoltas francesas.


FICHA TÉCNICA
Tipo: Fragata multimissão.
Tripulação: 108 tripulantes.
Data do comissionamento: Comissionada em 2012.
Deslocamento: 6000 toneladas
Comprimento: 142 mts.
Boca: 19 mts.
Propulsão: Uma  turbina a General Electric/Avio LM2500+G4 com 42895 hp de potencia.
Alcance: 11000 Km
Sensores: Radar tridimensional  de varredura eletrônica multifunção Herakles com 250 km de alcance contra alvos aéreos e 80 km contra alvos de superfície. Sistema  multissensor eletro-óptico Artemis de detecção passiva; Sensor Najir MM eletro-óptico de controle de fogo; Sonar de casco UMS-4110C, sonar rebocado UMS-4249.
Armamento: AAW: 1 lançador Sylver A-43 VLS de 16 mísseis Aster 15; AsuW: 1 lançador Sylver A-70 VLS para 16 mísseis de cruzeiro SCALP Naval; 2 lançadores quádruplos de mísseis MBDA MM-40 Block III Exocet;  1 canhão de fogo rápido Oto Melara de 76 mm Super rapid, ASW: Torpedos Eurotorp MU-90 Impact; 2 canhões remotamente controlados Nexter Narwhal em calibre 20 mm; 2 metralhadoras M-2HB calibre 12,7 mm (.50).
Aeronaves: Um helicóptero NH-90 ASW.

DESCRIÇÃO
Por Carlos E.S. Junior
O continente europeu está acostumado a dividir as responsabilidades de defesa entre seus paises. Isso estreita as relações já tão próximas entre aquelas nações, diminui custos e aperfeiçoa a eficiência dos diversos sistemas de armas que ali são projetados. Os projetos como o do caça-bombardeiro Tornado IDS, o caça europeu Eurofighter Typhoon, a fragata classe Horizon, são exemplos bem sucedidos de programas  militares multinacionais europeus. 
No ano de 2002 a França e a Itália formaram mais uma pareceria com a assinatura de um contrato para desenvolver e construir uma nova classe de fragata multimissão cujo programa foi chamado de FREMM (Frégates Européennes Multi-missions) Ou fragata europeia multimissão. Este moderno navio de guerra está sendo construído pela DCNS Francesa e pela empresa italiana Fincantieri. Embora essa classe esteja sendo projetada para operar em funções múltiplas, ainda sim, os navios franceses serão construídos em duas versões distintas com otimização de uma determinada função. A primeira versão será a ASW (Anti-submarine Warfare) ou guerra anti-submarino, e a segunda será a FREDA (Fragata de defesa aérea) que terá a capacidade de combate antiaéreo otimizada além de poder destruir alvos em terra com o uso do novo míssil de cruzeiro MBDA SCALP. Já a Itália usará uma versão que será será levemente diferente em desenho e sensores, lembrando sua irmã mais velha a fragata da classe Horizon com uma capacidade de combate mais equilibrada contra todos os tipos de alvos. Essa versão é chamada de GP (Generel Purpose) ou "uso geral", e a versão uma versão dedicada a missões antissubmarino (ASW).

Acima: O desenho da Aquitaine teve forte foco na redução de sua reflexão de radar epor isso muitos dos sistemas do navio são embutidos sob o convés ou no próprio casco do navio.
Nesse primeiro artigo sobre o projeto FREMM vamos apresentar a versão francesa, a classe Aquitaine. A Marine Nationale (marinha francesa) tinha o desejo de adquirir 17 navios dessa classe, mas por motivos de problemas orçamentários causados pela crise financeira que assolou a Europa e os Estados Unidos, houve um grande corte do numero a ser adquirido desta classe de navios. Hoje, está confirmado que serão adquiridos 8 navios da classe Aquitanine, sendo 6 deles, da versão ASW (antissubmarino), e 2 da versão FREDA (versão de defesa antiaérea). Em 2016 será decidido se serão construídos mais 3 unidades que totalizariam 11 unidades. Hoje, há dois navios prontos, sendo que o Aquitaine foi comissionado em novembro de 2012 e o segundo navio, batizado de Normandie está em testes e deverá ser comissionado ainda este ano.

Acima: Ao todo, 8 navios desta classe estão confirmados para a poderosa Marine Nationale (marinha francesa). O Marrocos, adquiriu uma unidade dessa classe e outras nações demonstraram interesse neste moderno navio, e o Brasil foi uma delas em seu programa PROSUPER.
A propulsão das fragatas FREMM será feita por uma turbina a gás General Electric/ Avio LM-2500+G4 que proporcionará 32 MW e 42895  hp de potencia para duas hélices que podem levar a FREMM a uma velocidade máxima de 27 nós (50 km/h), ou ainda, em operação silenciosa, a velocidade de 15 nós (28 km/h). A autonomia é de 11000 km,  o que pode ser considerado espetacular para esse tipo de navio o que permite, desta forma, operações em qualquer lugar no mundo escoltando um grupo de batalha.
A Aquitaine tem 142 metros de comprimento e 6000 toneladas de deslocamento. Sua tripulação será reduzida para 108 tripulantes devido grande automação dos sistemas operados no navio. A modularidade de seu projeto permitirá a modernização e atualização dos sistemas de combate do navio de forma indefinida, garantindo uma longevidade operacional desta fragata.

Acima: Graças a grande automação de seus sistemas a Aquitaine opera com uma tripulação reduzida de 108 tripulantes, cerca da metade do que era necessário no navio Geroges Leygues que esta sendo substituída pela Aquitaine
A suite de sensores da Aquitaine é composta por um radar de abertura sintética tridimensional Herakles, desenvolvido pela Thales, a gigante empresa francesa de eletrônica e defesa. Este radar tem alcance de busca aérea de 250 km contra alvos de grande porte como uma aeronave de patrulha marítima como um P-3 Orion  por exemplo.
Outro importante sistema é o sensor eletro-óptico Artemis que integra uma câmera infravermelha com uma câmera óptica para busca de alvos navais e aéreos. Esse sistema tem duas vantagens que são o de não emitir sinais para os sensores inimigos (opera totalmente de forma passiva) e de ser imune a interferência eletrônica (jammer). Para apoio ao controle de fogo, um sistema Sagem Nanjir MM, que também é um sensor eletro-óptico com um telêmetro a laser capaz de detectar e dar a distancia do alvos aéreos a até km 16 km, e alvos de superfície como uma corveta a 20 km. Para caçar submarinos, existem dois sistemas de sonar. O primeiro, um modelo de casco, é o UMS-4110C, que fica em uma espécie de bolha embaixo e a frente do casco. Este sonar é capaz de rastrear alvos submersos a longas distancias e ainda fornecer dados para alimentar o sistema de guiagem dos torpedos do Aquitaine. O outro sonar é o do tipo rebocado, de profundidade variável, do modelo UMS-4249 que opera em baixa frequência de forma ativa e passiva. Todos os sistemas mencionados aqui são gerenciados por um sistema de gerenciamento de combate CMS (Combat Management System) desenvolvido pela DCNS, responsável pela parte francesa do projeto FREMM.

Acima: Nessa foto podemos ver o radar de varredura sintética Herakles, desenvolvido pela Thales. Este radar tem alcance de 250 km contra alvos aéreos de grande porte.
As fragatas do projeto FREMM foram pensadas para serem pesadamente armadas. A Aquitaine, versão francesa desse projeto (a versão italiana será abordada em uma próxima matéria), tem duas configurações de armamento, sendo uma versão ASW (antissubmarino) da qual será a mais numerosa, com 6 navios. Já a segunda configuração chamada de FREDA, é a versão otimizada para guerra antiaérea, do qual, serão construídas duas embarcações. 
O primeiro navio da classe, a Aquitaine, é da configuração ASW e está armada com um lançador vertical Sylver A-43 com 16 células que pode ser armado, exclusivamente com mísseis antiaéreos de curto e médio alcance. Os mísseis usados por esse lançador são o MICA VL, T-1 (Crotale de lançamento vertical) e o moderno míssil Aster 15 (preferencialmente são os mísseis usados). O míssil MICA VL é uma versão do MICA, arma originalmente desenvolvida para combate ar ar e usado por caças Mirage 2000, F-1 (MF2000) e Rafale. O MICA VL pode ser guiado por radar ativo ou sensor infravermelho IR trocando apenas sua cabeça buscadora. O alcance desse míssil é de 20 km, quando lançado verticalmente. O míssil T-1, uma versão avançada do famoso míssil Crotale, tem alcance de 16 km e sua guiagem pode ser feita por radar semi ativo (o radar do navio precisa iluminar o alvo), sensor eletro-óptico, ou sensor infravermelho. Já o míssil Aster 15, vem de uma moderna família de armas pensada, desde o início para fazerem parte dos arsenais antiaéreos dos novos navios de guerra europeus. Desenvolvido pela MBDA, existem duas versões do Aster. A Aster 15, compatível com o lançador Sylver A-43, tem alcance de 30 km e seu sistema de guiagem é inercial com radar ativo no final do engajamento. O Aster é o armamento padrão de defesa anti aérea da Aquitaine, embora o lançador possa ser usado com os outros armamentos. Logo atras desse lançador de mísseis existe um segundo lançador da mesma familia, mas de versão diferente. Trata-se do lançador Sylver A-70 de 16 células também, e que está integrado ao míssil de ataque terrestre Scalp Naval Também conhecido pelo acrônimo MdCN ( Missile de Croisiere Naval) Míssil de cruzeiro naval. Este míssil é capaz de destruir alvos terrestres a 1000 km de distancia, o que coloca este míssil na mesma categoria do famoso míssil Tomahawk norte americano, inclusive com um sistema de guiagem similar do tipo Tercom na fase terminal do voo. Um detalhe importante de ser observado é que o lançador Sylver A-70 pode lançar a versão de longo alcance do Aster, conhecida como Aster 30, que possui o mesmo sistema de guiagem porém com alcance estendido até 120 km.

Acima: O lançamento de um míssil Aster 15 de uma Aquitaine. Este míssil tem alcance máximo de 30 km e pode abater uma aeronave inimiga a altitude máxima de 13000 metros.
Para ataque contra navios, o Aquitaine está armado com dois lançadores quádruplos para mísseis MM-40 Exocet Block-III que além da capacidade antinavio, é capaz de destruir instalações terrestres que estejam em áreas litorâneas. O novo Exocet Block III tem um alcance expandido para 180 km (o alcance das versões anteriores era de 70 km) e sua guiagem é feita por radar ativo. O armamento de tubo é representado por um canhão de fogo rápido Oto Melara de 76 mm Super Rapid. Este canhão pode atingir alvos a 16 km usando a granada padrão, sendo, porém, que projéteis especiais como o SAPOMER tem o alcance estendido para 20 km. A granada Vulcano 76 é a granada de maior desempenho para canhões de 76 mm, conseguindo atingir alvos a 40 km e com alta precisão pois é um projétil guiado por GPS. 
Foram instalados dois canhões Nexter Narwhal em calibre 20 mm operado remotamente, a duas metralhadoras pesadas M-2HB calibre 12,7 mm (.50). Para destruir submarinos, foram instalados dois lançadores fixos para torpedos leves  MU-90 Impact, capazes de atingir um submarino a uma distancia máxima de 25 km com seu sistema de guiagem por sonar ativo e passivo. Para completar a capacidade antissubmarino, a Aquitaine opera um helicóptero médio NH-90 Caiman que podem desempenhar ataques a submarinos armados com torpedos MU-90 ou em busca e salvamento.
Acima: O Aquitaine opera o moderno helicóptero NH-90 em operações de busca e salvamento ou mesmo de guerra antissubmarino.
A fragata do projeto FREMM fornece uma capacidade extremamente equilibrada entre sensores e poder de fogo, associada a uma modularidade elevada que dão a seu cliente a possibilidade de configurar seu navio com os equipamentos, seja armas, seja sensores ou sistemas de comunicação que melhor lhe convierem. Trata-se de um dos projetos de melhor relação custo benefício disponíveis a marinhas interessadas em novos navios de escolta. A França é uma nação com uma forte tradição na industria naval e usou muito bem sua expertise em sua versão da FREMM. A marinha brasileira poderia ter uma solução ideal com este navio para substituir suas velhas embarcações de escolta da classe Niteroi e da classe Greenhaughem seu programa PROSUPER que prevê a aquisição de novos navios de superfície de escolta.

ABAIXO PODEMOS ASSISTIR UM VÍDEO COM BELAS IMAGENS DO NORMANDIE, A SEGUNDA EMBARCAÇÃO DA CLASSE AQUITAINE.

Curtiu o blog WARFARE? Assine a lista de atualizações através da ferramenta de alertas na barra lateral do blog, ou pelo e-mail editorwarfare@gmail.com e siga a fanpage WARFARE no facebook pelo endereço: https://www.facebook.com/warfareblog

5 comentários:

  1. Receio que fora a reiterada falta de verbas para segurança (sobram para corrupção) até ser estabelecida uma concorrência internacional, definido o vencedor, esclarecidos pontos do contrato levariam uns 3 a 4 anos. Com o tempo de construção, testes de mar e aceitação. só teríamos um navio desses em 6 anos.

    ResponderExcluir
  2. em um blog naval percebo que o pessoal tem uma certa preferencia pela FREMM italiana,argumentos que vão desde o visual melhor ou até mesmo sendo superior em desempenho..carlos na sua opinião qual versão da FREMMs é mais poderosa a italiana ou a francesa?as vezes acho tbm tem uma certa implicância de alguns usuários do tal blog que não vou mencionar com tudo que é francês,chamando até o rafale de " La Jaque"

    ResponderExcluir
  3. Olá John. Eu percebi isso também. Para mim, a Aquitaine é superior por um único motivo. Sua furtividade é maior, por ser um navio com um perfil mais baixo. O poder de fogo é equivalente de uma forma geral e o desempenho é, praticamente idêntico.
    Abraços

    ResponderExcluir
  4. Ola Carlos, bom dia... qual o alcance do canhao oto melara de 76/62, quando usado no modo anti aereo?

    ResponderExcluir
  5. Olá Gustavo. Boa noite!
    O alcance é aproximadamente 4 a 5 km contra avos aéreos.

    Abraços

    ResponderExcluir