segunda-feira, 11 de agosto de 2014

BOEING E-3B/C SENTRY. Os olhos e ouvidos do império.

FICHA TECNICA
Velocidade de cruzeiro: 579 km/h
Velocidade máxima: 805 km/h
Autonomia: 8 horas
Teto operacional: 8839 m.
Alcance de travessia: 9251 km
Empuxo: Quatro turbofans Pratt and Whitney TF33-PW-100A, gerando unitariamente 9.523/9.525kg de empuxo 
Radar: AN/APY-1 com 400 km de alcance
DIMENSÕES
Comprimento: 46,60
Envergadura: 44,4 m
Altura: 13 m
Peso: 92986 kg (vazio) e 147418 kg peso de decolagem.

DESCRIÇÃO
Por Sergio Santana
Certamente, nenhuma outra aeronave melhor simboliza a capacidade de inteligência e vigilância disponível às Forças Armadas norte-americanas que o Boeing E-3 “Sentry” (sentinela), mais conhecido como "AWACS" (Airborne Warning and Control System ), anunciado vencedor em 1972 de uma concorrência iniciada sete anos antes para uma aeronave de alerta antecipado e controle aerotransportado com capacidades superiores às do então empregado Lockheed EC-121 Warning Star. A primeira variante do Sentry, E-3A, entrou em serviço com a USAF, a Força Aérea dos Estados Unidos, em março de 1977 e desde então tem se tornado uma visão constante nos diversos conflitos em que tropas estadunidenses têm participado.
Acima: O velho EC-121 foi  um importante avião de alerta aéreo avançado da USAF nos anos 60 e 70 do século passado. O E-3 veio para substituir o EC-121 nessa importante missão de alerta aéreo antecipado.
Em 1980 foi determinado que os 24 exemplares do E-3A fossem modernizados, para o denominado padrão E-3A “Block 20”. Em adição ao radar AN/APY-1 (capaz de detectar até 600 alvos com velocidade mínima de 148 km/h a uma distância superior a 400 km, bem como gerenciar 60 interceptações aéreas) e ao interrogador AN/APX-103 (com habilidade de identificar aeronaves aliadas ou hostis, fornecendo distância, azimute e altitude, mesmo na presença de múltiplos alvos e a até 800 km), trocou-se o data link padrão TADIL-C pelo JTIDS Classe 1, mais conhecido como link 16, foram recebidos rádios criptografados VHF AN/ARC-166 e UHF AN/ARC-169B atuando no sistema “Have Quick” e aumentou-se para 17 a quantidade de operadores a bordo. Também se adicionaram lançadores de chaff/flare e instalações para mísseis ar-ar infravermelho de curto alcance AIM-9 Sidewinder. As modificações foram suficientes para uma nova designação, E-3B, o primeiro dos quais foi entregue em 1984.
Acima: O E-3C é a versão mais moderna em uso pela USAF do AWACS. Ao todo, dez aviões desta versão operam ao lado de 21 unidades de E-3B, atualmente na USAF.
Seis anos depois, os 10 Sentries restantes começaram a ser construídos segundo o padrão “Block 25”. Esta variante incluía dois rádios HF AN/ARC-230; três rádios VHF AN/ARC-168 (mais tarde AN/ARC-210); AN/ARC-204 (modelo V, padrão HAVE QUICK II/rede A-NET); catorze consoles ELCAN/Raytheon com telas CLADS LCD de 21’’; computador de  missão CC-2E; GPS (inicialmente NAVSTAR, mas em seguida GPS/INS “GINS”); IFF AN/APX-103B e dispositivo de SIGINT/ELINT  AN/AYR-1, capaz de detectar emissões variando de 0.5 a 18 GHz em 360°. O radar permanecia o mesmo, mas a nova versão foi designada E-3C.
Contudo, antes que estas modificações fossem implementadas em todas aquelas plataformas, outra atualização foi aprovada: o “Bloco 30/35”, que introduziu Medidas de Apoio Eletrônico AN/AYR-1, terminais JTIDS 2H, computador de missão CC-2E e GPS segundo o sistema NAVSTAR. Concluída em 2001, abrangeu toda a frota norte-americana de E-3C.
Acima: O E-3 faz o intercambio de dados em tempo real com aeronaves de combate através do seu data link JTIDS, também conhecido como Link16.
No contínuo esforço de atualizar o E-3 destaca-se o RSIP, em avançado estágio de instalação. Sendo a sigla em inglês para “Programa de Aperfeiçoamento do Sistema de Radar”, engloba a troca do computador do subsistema de radar, a estação de trabalho do seu operador, o seu “software” e determinadas partes físicas do equipamento, com o objetivo de restaurar os índices de detecção a longo alcance e de resistência eletrônica, que desde a introdução da aeronave sofreram queda gradativa com o advento das aeronaves furtivas, mísseis de cruzeiro e dispositivos sofisticados de combate eletrônico.
Entre agosto a novembro de 1995 foram efetuados seis voos da fase inicial de testes e avaliação, os quais detectaram interferência do Sistema de Medidas Eletrônicas de Apoio com os demais sistemas da aeronave e outros defeitos não relacionados com a modernização, com aquele período concluído em outubro de 1996. O RSIP foi avaliado em um exercício operacional, a terceira edição do “Green Flag ‘99”.
Uma característica adversa da nova atualização foi o decréscimo no desempenho do radar atuando no modo “além do horizonte”, causado pelo programa de compressão de pulso Doppler, algo cuja superação não foi divulgada, embora a integração do RSIP progrida. A frota atual é de 31 aeronaves estacionadas em bases aéreas no Alasca, Japão e meio-oeste norte-americano. O Boeing E-3 Sentry deve sair do serviço ativo em 2035. 
Acima: Em primeiro plano podemos ver o posto da equipe de controle de armas  dentro do E-3 Sentry.

ABAIXO PODEMO VER ALGUMAS CENAS DE UM E-3C EM OPERAÇÃO.

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4 comentários:

  1. Olá pessoal,
    Esta aereonave além de alerta aéreo antecipado pode guiar os misseis ar-ar (BVR) ou terra-ar (SAM) disparados das plataformas (aéreas ou terra) até o alvo?

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  2. Olá Skill. Segundo o Sergio Santana, que teve um problema para conectar e responder a pergunta, a resposta é Sim, depende da arma. Seria necessária capacidade de conexão com um padrão de enlace de dados, como o Link 16, para essa atualização de meio curso.
    Abraços

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  3. A meu ver uma das principais vantagens de uma plataforma como essa é a vantagem que ele fornece ao esquadrão de possibilitar operar com os radares desligados, se utilizando apenas dos dados fornecidos pelo AWACS via link 16, assim as aeronaves não fornecem sua posição pelas emissões radar e ficam operando apenas no modo passivo, só na "escuta" e tem todas as condições favoráveis para preparar uma estratégia de ataque além do alcance visual disparando seus AIM-120 sem sequer serem detectados pelo inimigo, gostaria muito que nossa FAB dispusesse de ao menos duas aeronaves como essa pois aliadas aos novos Gripens NG tornaria a FAB um adversário extremamente difícil

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    1. Olá Topol.
      A FAB opera 5 aeronaves do mesmo tipo, os E-99 da Embraer. Estas aeronaves, embora com menor autonomia, tem um radar Erieye mais avançado que o do E-3. Em breve haverá uma matéria sobre isso.
      Abraços

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