sexta-feira, 6 de março de 2015

CLASSE FREEDOM. O problemático navio de combate litorâneo dos Estados Unidos.

FICHA TÉCNICA
Tipo: Navio de combate litorâneo/ Corveta.
Tripulação: 50 tripulantes, porém há acomodação para 75 tripulantes..
Data do comissionamento: Novembro de 2008
Deslocamento: 3200 toneladas (totalmente carregado).
Comprimento: 118,6 m.
Boca: 17,5 m.
Propulsão: CODAG com 2 turbinas a gás Rolls Royce MT-30, 2 motores a diesel Colt-Pielstick que movem 4 propulsores jatos de água Rolls Royce que produzem, juntos 113600 hp de potência.
Velocidade máxima: 47 nós (87 km/h).
Alcance: 7408 Km em velocidade econômica
Sensores: 1 radar tridimensional de busca aérea e de superfície EADS TRS-3D com 180 km de alcance máximo, Sonar rebocado Lockheed Martin  AN/SQR-20.
Armamento: Um canhão BAE Systems MK-110 de  57 mm MK3, um lançador MK-49  para 21 mísseis antiaéreos RIM-116 RAM, Lançador de mísseis BGM-176 Griffin Block II B, dois canhões automáticos Bushmaster MK-44 em calibre 30 mm, 4 metralhadoras pesadas M-2HB calibre 12,7 mm.
Aeronaves: dois helicópteros MH-60R Seahawk ou uma composição de um MH-60R Seahawk e três UAVs MQ-8 Fire Scout.

DESCRIÇÃO
Por Carlos E.S Junior
A Marinha dos Estados Unidos (US Navy), no início do seculo XXI solicitou uma nova classe de navio, com o porte de uma corveta, que serviria a missão de combate litorâneo com vistas ao aumento da guerra assimétrica para os conflitos que estava sendo delineados no horizonte previsível. Assim, um programa chamado LCS (Littoral Combat Ship) ou navio de combate litorâneo foi iniciado e dois concorrentes, a Lockheed Martin e a General Dynamics, ficaram responsabilizados para apresentar suas propostas e um protótipo  para avaliação onde, inicialmente, apenas uma delas seria escolhida e encomendada, nos mesmos moldes que vemos na força aérea dos Estados Unidos, onde esse tipo de concorrência é corriqueira. Porém, diferentemente do que vemos nessas concorrências da força aérea, a marinha dos Estados Unidos decidiu dar o contrato de produção aos dois concorrentes. O modelo do LCS que vou apresentar nesse artigo é o da classe  Freedom, modelo da Lockheed Martin.
Acima: O desenho do Freedom tem forte influencia da tecnologia stealth, com estruturas em ângulos para evitar o retorno do eco radar. 
Com o tamanho que se aproxima de uma fragata, mas com capacidade limitada a de um navio menor, no caso, uma corveta, o navio classe Freedom apresenta um diferencial em relação a outras embarcações de seu porte: Sua elevada velocidade. O navio consegue atingir 47 nós, ou cerca de 87 km/h, o que representa cerca de 36% mais velocidade do que outros navios de guerra da esquadra norte americana. Nada mau para um navio cujo deslocamento atinge, quando carregada, 3200 toneladas. Esse desempenho é conseguido com o uso de uma propulsão do tipo CODAG (combinação de motores a diesel com turbinas a gás) composta por duas turbinas Rolls Royce MT-30 com dois motores a diesel Colt-Pielstick que movem 4 sistemas de jatos de água fornecidos pela Rolls Royce. A autonomia do Freedom, em velocidade de cruzeiro econômico chega a 7408 km, dando assim, capacidade de operação oceânica.
Acima: O Freedom está entre as mais rápidas embarcações de seu porte em todo o mundo. Essa velocidade lhe dá uma vantagem tática importante.
O Freedom, assim como o Independence, o outro navio do projeto LCS que trataremos em uma outra ocasião, são navios projetados para operarem em apoio de outras unidades da esquadra, sendo que, devido a isso, tem seus sistemas eletrônicos e sensores, relativamente mais limitados do que encontramos em navios maiores da marinha norte americana. O Freedom está equipado com um sistema de apoio eletrônico Argon ST WBR-2000 que permite interceptar sinais de radares hostis, identificando estes sinais e fornecendo relatórios para aumentar o nível de consciência situacional da tripulação d navio. O Freedom está equipado, também, com um sistema de iscas para despistar mísseis guiados a radar e torpedos SKWS. O radar usado no Freedom é o modelo europeu TRS-3D fabricado pela EADS. Trata-se de um radar tridimensional de busca aérea e de superfície com alcance máximo de 200 km contra alvos de maiores dimensões voando alto (um avião patrulha, por exemplo). Por se tratar de um radar de alta precisão e que fornece dados do alvo instantaneamente, ele é usado para controle de fogo para os armamentos defensivos do navio, descartando a necessidade de um radar de controle de fogo dedicado.
A suíte de sensores conta, ainda, com um sistema de sonar rebocado AN/SQR-20 que faz busca passiva e ativa de submarinos inimigos.

Acima: O passadiço da Freedom é bastante moderno, embora o navio seja relativamente limitado em recursos de sistemas.
Uma das maiores diferenças entre os navios do programa LCS, do qual a classe Freedom faz parte, e os outros navios de guerra do mundo, é que o armamento do navio é modular. Você pode estar se perguntando o que significa isso, não é mesmo? Bom, vamos dizer que o navio pode ser configurado para 3 perfis de missão trocando seu módulo de missão. Cada módulo tem uma composição de armamentos. Esses módulos são o SUW, o ASW e o MCM e podem ser substituídos em apenas 24 horas. O módulo SUW (anti surface Warfare) ou guerra anti superfície, por exemplo, é composta por um lançador de mísseis MK-60 para mísseis BGM-176 Griffin Block II B guiados por laser, GPS ou INS, e com alcance de 6 km. Esta arma é usada contra pequenas e rápidas embarcações como as usadas por piratas. Nesse modulo também está incluso dois canhões automáticos MK-44 em calibre 30 mm que disparam a uma cadência de 200 tiros por minuto com alcance de 5000 metros. Os helicópteros MH-60R apoia a missão anti superfície fazendo buscas e podendo ser empregado em combate com até 8 mísseis AGM-114 Hellfire, contra pequenas embarcações, além de também estar armado com metralhadoras pesadas M-3 em calibre .50 (12,7 mm) ou metralhadoras de uso geral M-240 em calibre 7,62X51 mm.
Acima: Parte da capacidade ofensiva do Freedom é fornecida pelos seus dois helicópteros MH-60R Seahawk que podem ser armados com mísseis AGM-114 Hellfire, como o que está sendo lançado nesta foto.
Já o módulo ASW (Anti-Submarine Warfare) ou guerra anti submarino, tem uma configuração composta por sistemas eletrônicos dedicados a esse perfil de missão, sendo o sistema Lockheed Martin MFTA composto pelo sonar de operação ativa e passiva, rebocado AN/ SQR-20, seus sistemas de controle e diversos subsistemas. O sistema MFTA tem incorporado um subsistema de contramedidas torpédicas LWT (Light Weight Tow) para interceptar torpedos lançados contra o navio que recebe dados do subsistema de interceptação acústica ACI, também parte do sistema MFTA. O braço armado para ataque contra submarinos, nessa configuração é fornecido pelo uso do helicóptero MH-60R Seahawk que são armados, nesse caso, com o torpede leve MK-54 MAKO cujo alcance chega a 11 km e é guiado por sonar ativo ou passivo. É interessante observar que o helicóptero MH-60R, tem seus próprios sistemas de detecção de submarinos, podendo operar sem apoio do navio, se isso for necessário. E o terceiro módulo de missão é o MCM (Mine Countermeasures Mission) ou missão de contra minagem onde o objetivo é limpar a área de minas navais para que o grupo de batalha possa opera em segurança. Nesse módulo, a Freedon é configurada com o sonar caça minas AN/AQS-20A. São usados veículos multimissão remotamente controlados RMMVs e veículos de contramedidas anti minas SMCM UUV. O helicóptero MH-60R Seahawk, opera com um avançado sensor laser detector de minas ALMDS e um sistema de neutralização de minas AMNS.

Acima: O Freedom foi projetado para ser configurado em módulos de missão, que permitem uma especialização em três tipos de missão: Anti superfície, Anti submarino e anti minas.
Embora o navio tenha seus módulos de operação que acabam personalizando cada configuração de armamento, ainda sim, algumas das armas e sistemas são comuns a qualquer uma dessas configurações. Assim, o Freedom está armado com um canhão de fogo rápido BAE MK-110 em calibre 57 mm. Este canhão é capaz de disparar 220 tiros por minuto contra alvos distantes até 14 km. Outro armamento onipresente em todas as configurações do Freedom é o lançador de mísseis antiaéreos MK-49 com seus 21 mísseis RIM-116 RAM, que são usados contra ameaças de curto alcance, principalmente mísseis antinavio de cruzeiro que ataquem o navio. O míssil RIM-116 pode ser guiado por infravermelho de modo duplo, ou ainda uma combinação de infravermelho e comando por radio. O alcance é de 9 km. Além do helicópteros MH-60R, presente em qualquer uma das configurações de missão como apresentado anteriormente, o Freedom pode operar veículos aéreos não tripulados MQ-8B Fire Scout que podem ser usados para reconhecimento ou combate, armado com foguetes ou mísseis AGM-114 Hellfire.

Acima: O canhão MK-110 em calibre 57 mm é um dos armamentos que estão presente em qualquer uma das configurações de missão do Freedom.
Os dois navios do programa LCS apresentaram graves problemas relacionados a qualidade dos materiais usados em sua construção, assim como de projetos. No caso do Freedom, houve problemas relacionados a rachaduras em seu casco e também uma elevação nos custos de operação, algo que está pesando bastante para o orçamento de defesa dos Estados Unidos que hoje passa por profunda reformulação devido as condições financeiras desfavoráveis da economia norte americana. Ainda sim, eu considero que o armamento instalado no Freedom (e em seu irmão Independence) são fracos considerando as dimensões do navio que poderia receber mais armamentos ofensivos. Embora o objetivo dos navios do programa LCS esteja restrito a operações litorâneas e preveja que as embarcações sempre operem com apoio de um navio maior, ainda sim considero interessante que houvesse uma capacidade antinavio mais robusta, com pelo menos, 4 mísseis do porte do AGM-84 Harpoon, o que daria uma melhor capacidade de defesa contra navios de superfície. O departamento de defesa dos Estados Unidos, no entanto, solicitou uma revisão das capacidades do programa LCS tendo em vista a encomenda de navios mais capazes que os já entregues. A Lockheed martin, fabricante da Freedom, tem um projeto baseado no próprio Freedom, que hoje responde pela sigla SSC que possui capacidades similares a de uma moderna fragata e que, poderia ser operada dentro desse novo contexto.
Acima: O SSC é um projeto de maior porte e mais capaz que o Freedom que poderá ser usado pela marinha na revisão do programa LCS.
Acima: O Freedom tem um hangar capaz de operar dois helicópteros de médio porte MH-60R Seahawk ou uma combinação de um Helicóptero MH-60R mais três veículos aéreos remotamente pilotados MQ-8B Fire Scout.

ABAIXO UM VÍDEO PROMOCIONAL COM O USS FREEDOM. 

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2 comentários:

  1. Parabens pela materia Carlos.
    Voce sabe quando vao comesar a construcao das novas Barroso?

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  2. Olá Fernando.
    Obrigado. Eu não sei informar quando começará a construção dessa nova classe pois a instabilidade politica/ econômica nacional acabou colocando um freio nos programas militares. Creio que haverão atrasos em todos os programas.
    Abraços

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