quarta-feira, 14 de agosto de 2019

IVECO/ OTO MELARA CENTAURO II - O caça tanques italiano


FICHA TÉCNICA
Velocidade máxima: 105 Km/h (Em estrada).
Alcance Máxima: 800 Km (Em estrada).
Motor: Motor turbodiesel Iveco Vector 8V com 720 hp de potência.
Peso: 30 Toneladas (carregado).
Comprimento: 8,26 m.
Largura: 3,38 m.
Altura: 3,65 m.
Tripulação: 4 tripulantes.
Inclinação frontal: 60º.
Inclinação lateral: 30º.
Passagem de vau: 1,5 m,
Obstáculo vertical: 0,60 m.
Armamento: Um canhão de 120 x 45 mm, com 40 granadas. Uma metralhadora coaxial em calibre 7,62 mm com 750 munições e uma estação remota de armas Hitrole, da Oto Melara, que pode ser equipada com uma metralhadora de uso geral 7,62 mm, ou uma metralhadora pesada M2HB em calibre 12,7 mm. O uso de lançador automático de granadas, também pode ser empregado nessa estação de armamento. Há 16 granadas de fumaça sendo que 8 são para pronto uso, 4 de cada lado da torre.
DESCRIÇÃO
Por Carlos Junior
Apresentado ao público em 2016, e com a produção iniciada em 2019, o Centauro II é a ultima versão de uma família bem sucedida de viaturas militares de combate que teve no modelo inicial Centauro B-1, um carro de reconhecimento tático e de caça tanques, a sua origem. O Centauro B-1 é um blindado com uma grande mobilidade fornecida pela sua configuração tracionada por 8 rodas e um poder de fogo comparável a de um tanque da linha do M-60 norte americano ou de um Leopard 1A5 Alemão. O exercito italiano pediu que se desenvolvesse um blindado com essas características em meados dos anos 80 sendo que em 1991 ele entrou em produção para servir a uma encomenda do exercito italiano para 400 blindados da versão antitanque e reconhecimento, mais 249 unidades para funções como transporte de tropas, porta morteiro e comando. A Espanha também adquiriu 84 unidades deste veiculo.
Acima: A primeira versão do centauro, conhecida como o nome de B-1, tem um canhão de 105 mm, que já traz uma capacidade de combate relevante.
O Centauro B1 continua em serviço, com 300 unidades no Exército Italiano, sendo que 64 estão na reserva. Outros usuários desta plataforma são Espanha, Omã, e Jordânia.
Agora entra em cena o veículo foco deste artigo, o Centauro II, uma versão bastante evoluída que vai entregar ao Exército Italiano, que encomendou 136 unidades a um custo de U$ 3,5 milhões de dólares cada unidade, um veículo sobre rodas com proteção balística superior e um poder de fogo análogo a de um MBT, somado a agilidade de um veículo sobre rodas.
Acima: A esquerda temos centauro II e ao seu lado, o Centauro B1. Notem que o Centauro II é ligeiramente maior e mais alto que seu antecessor.
O Centauro II recebeu um canhão  L45 de 120 mm no lugar do canhão de 105 mm empregado na viatura centauro B1. O novo canhão está habilitado a disparar todas as ultimas munições APFSDS (Armour-piercing fin-stabilized discarding sabot) ou em bom português, projétil perfurante de blindagem, estabilizado com base descartável, além das munições MP (Munições multipropósito) da OTAN. O canhão possui um freio de boca que ajuda a reduzir o grande recuo que esse tipo de armamento gera. Outro destaque deste canhão é que ele possui carregamento automático com 12 granadas prontas para emprego em seu carregador. Como armamento secundário há uma metralhadora coaxial em calibre 7,62 mm com 750 munições e uma estação de armas remota (RWS) Hitrole, da Oto melara, que pode operar uma metralhadora de uso geral como uma MG-3 em calibre 7,62 mm (outros modelos podem operar nessa estação), metralhadora pesada M2HB em calibre 12,7 mm. Por fim, a Hitrole pode empregar um lançador de granadas automáticos em calibre 40 mm como o modelo MK-19 de fabricação norte americana. Neste caso, são transportados 96 granadas.
Acima: Embora a Itália tenha comprado seu Centauro II com um canhão L45 em calibre 120 mm, ele pode ser equipado com um canhão menor, o L52 em calibre 105 mm, caso um cliente assim prefira.
O sistema Hitrole é controlado por um sistema de controle de fogo que possui uma gama de sensores como uma câmera infravermelha IR, câmera de visão noturna, um telêmetro a laser e uma câmera de TV que permitem adquirir o alvo de forma segura e rápida em todas as condições climáticas, de dia e de noite.
A torre do centauro possui, ainda, um periscópio estabilizado Leonardo Attila II que disponibiliza imagens de dia e de noite, com um sistema de telemetria a laser para o comandante, garantindo uma ótima consciência situacional do campo de batalha. O artilheiro, por sua vez, também conta com um sistema de mira modular chamado Lothar, especificamente projetado para fornecer visada opara o canhão de 120 mm. O sistema permite levantar dados como posição, distancia e velocidade para uma solução de tiro eficaz.
O sistema de gerenciamento de campo de batalha é o SICCONA, sistema de comando, controle e navegação, que recebe dados atualizados advindos de data link com os posicionamentos das forças amigas e inimigas, permitindo a operação de forma coordenada com os outros elementos do grupo de combate.
Acima: A torre do Centauro recebeu sensores  como o periscópio Attila II e o sistema de mira Lothar, que permitem uma excelente capacidade de identificar alvos e fazer a visada para o disparo do canhão de 120 mm.
A proteção do centauro II começa com sua carroceria que recebeu uma blindagem reforçada que permite suportar impactos de munição 12,7 mm nas laterais e na parte traseira. Em sua parte frontal, como é comum em carros de combate, a blindagem é mais robusta e suporta impactos de canhões de calibre 20 mm. Nada mal para uma blindagem padrão de série em uma viatura sobre rodas. Normalmente, viaturas como esta só aguentam esse nível de agressão com blindagens extras. E falando em blindagens extras, o Centauro II foi projetado para receber placas extras modulares de blindagem que lhe permitem aumentar sua capacidade a ponto de poder sofrem impactos de munições até 40 mm e continuar operando.
Como não podia deixar de ser para um veículo de combate que é empregado por um importante membro da OTAN, o Centauro II vem preparado para operar em ambientes NBQ (Nuclear, Biológico e Químico) e ainda, há sistemas anti incêndio e anti explosões (a carroceria tem formato em  "V" que direciona a energia de explosões para fora reduzindo a eficiência destas armas, preservando a vida da tripulação.

Acima: O nível de proteção do Centauro II é alto, tanto no que diz respeito a capacidade de receber impactos de armas externas, como também, dentro de seu habitáculo que é preparado para garantir a sobreviv~encia da tripulação em ambientes nuclear, químico e bacteriológico.
A mobilidade do Centauro II é uma das vantagens chaves do veiculo italiano. O motor é um turbodiesel Iveco Vector 8V com 720 hp de potência que permite velocidade máxima de 105 km/h em estrada e cuja autonomia é de 800 km. Além do diesel, o motor Vector 8V funciona com combustível JP8 também. O cambio possui 7 marchas para frente e uma marcha ré
Com tração 8x8 e equipado com pneus do tipo “run flat”, e sem câmaras, por tanto, extremamente resistente a tiros, podendo percorrer até 80 km de distancia com os pneus perfurados pelas armas inimigas.
O Centauro II é capaz de entrar em rios com profundidade de até 1,5 m, superar trincheiras de 1,2 m e obstáculos verticais de até 0,60 metro. Certamente que esses números são inferiores a veículos sobre lagartas, porém o cenário de guerra moderna é mais urbano e condições maiores que essas não serão comuns, qualificando o Centauro a operar tranquilamente nesse cenário.
Acima: Veículos sobre rodas tem como particularidade sua maior velocidade e agilidade. Isso o torna alvos relativamente mais difíceis de serem atingidos por outros carros de combate. O Centauro II possui uma alta mobilidade devido a velocidade que pode exceder os 100 km/h em estrada e uma ótima performance em terrenos irregulares no fora de estrada.
Como se pode perceber pelos dados apresentados neste artigo, a Iveco em conjunto com a Oto Melara, trouxeram para o mercado um excelente carro de combate que permite operar sob intenso fogo inimigo, graças a sua proteção, e atacar, de forma contundente, os tanques inimigos com seu potente canhão de 120 mm. O Centauro II deverá ser mantido em serviço por mais de 30 anos e certamente é um sistema de armas com bom potencial no mercado de defesa mundial.






2 comentários:

  1. Excelente matéria,gosto muito do Centauro,com esse tipo de terreno no Brasil não seria adequado adquirir este modelo ao invés de um MBT de lagartas?

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  2. Obrigado John. O Brasil é um país enorme e com ambientes tão diversos que o Centauro pode operar ao lado de uma viatura sobre lagartas. Não considero que devêssemos escolher entre uma ou outra e sim usar as duas plataformas.

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