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terça-feira, 7 de setembro de 2021

FOTO: Hotchkiss M1926 com reparo anti-aéreo

Soldados gregos praticando fogo anti-aéreo com um fuzil-metralhador Hotchkiss M1926.

Os soldados usam capacetes de cortiça Adrian franceses e a metralhadora Hotchkiss está no reparo anti-aéreo, o que dá grande ângulo ao tiro.

Bibliografia recomendada:

Hotchkiss Machine Guns:
From Verdun to Iwo Jima.
John Walter.

Leitura recomendada:

A submetralhadora MAS-38, 5 de julho de 2020.

O Chauchat na Iugoslávia26 de outubro de 2020.


FOTO: Soldado finlandês com uma DP-27
10 de maio de 2021.

domingo, 25 de julho de 2021

VÍDEO: A Rússia acaba de lançar a primeira filmagem do S-500 SAM em ação


As imagens foram publicadas pelo Ministério da Defesa russo hoje, depois de 10 anos de especulação midiática russa, e publicadas pelo canal Binkov's Battlegrounds (o mesmo da invasão da Guiana Francesa), um canal de análises militares.

No vídeo é mostrada a primeira filmagem do sistema S-500 SAM em ação, acompanhada dos comentários do personagem Camarada Binkov, além de uma breve análise e comparação com outros mísseis terra-ar (SAM) russos.

O Camarada Binkov.

Leitura recomendada:




quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

O embaixador russo diz que não há problema em vender mísseis S-400 ao Irã quando a proibição de armas expirar

Sistemas russos de mísseis de defesa aérea de longo alcance S-400 desdobrados na base aérea de Hemeimeem na Síria, 16 de dezembro de 2015. (Vadim Savitsky / Serviço de Imprensa do Ministério da Defesa Russo via AP)

Da equipe do TOI, The Times of Israel, 4 de outubro de 2020.

Tradução Filipe do A. Monteiro, 16 de dezembro de 2020.

O embaixador russo Levan Dzhagaryan ignora a ameaça de sanções dos EUA se a Rússia fornecer à República Islâmica o sistema avançado de defesa aérea.

O embaixador da Rússia no Irã disse que Moscou "não terá problemas" em vender a Teerã um sistema avançado de defesa aérea quando o embargo de armas da ONU à República Islâmica expirar no final [de outubro].

“Dissemos desde o primeiro dia que não haverá problemas para vender armas ao Irã a partir de 19 de outubro”, disse Levan Dzhagaryan ao jornal Resalat em uma entrevista publicada no sábado, segundo a agência de notícias iraniana Fars.

Embaixador da Rússia no Irã, Levan Dzhagaryan.

Em agosto, o Conselho de Segurança da ONU votou contra uma resolução dos EUA para estender o embargo de armas ao Irã, que agora deve expirar em 18 de outubro. O governo Trump, no entanto, afirmou unilateralmente no mês passado que as sanções “instantâneas” da ONU estão agora em vigor e prometeu punir aqueles que as violarem.

Dzhagaryan ignorou a ameaça de sanções dos EUA e disse que Moscou consideraria qualquer pedido de armas do Irã após 18 de outubro. “Como você sabe, fornecemos ao Irã o S-300. A Rússia não teve nenhum problema para entregar o S-400 ao Irã e também não teve nenhum problema antes ”, disse ele.

Dzhagaryan estava se referindo à entrega do S-300 ao Irã após a assinatura do acordo de 2015 entre Teerã e potências mundiais que restringiu o programa nuclear iraniano em troca de sanções. Em 2010, a Rússia congelou um acordo para fornecer o sistema ao Irã, vinculando a decisão às sanções da ONU sobre o programa nuclear de Teerã.

Israel tentou sem sucesso bloquear a venda ao Irã do sistema S-300, que analistas dizem que poderia impedir um possível ataque israelense às instalações nucleares de Teerã, e provavelmente se oporia ao fornecimento do S-400 ao Irã.

Um míssil S-300 iraniano de fabricação russa é exibido durante o desfile militar anual que marca o aniversário da eclosão de sua guerra devastadora de 1980-1988 com o Iraque de Saddam Hussein, em 22 de setembro de 2017, em Teerã. (AFP)

Em 2015, a Rússia desdobrou o S-400 na Síria, onde, junto com o Irã, está lutando em nome do regime de Assad na guerra civil síria.

O desdobramento do sistema, que é poderoso o suficiente para rastrear a grande maioria do espaço aéreo israelense, minou a superioridade aérea de Israel na Síria, onde realizou centenas de ataques a alvos ligados ao Irã e ao grupo terrorista libanês Hezbollah.

Leitura recomendada:

Por que a Rússia realmente interrompeu seu fornecimento de S-400 para a China16 de dezembro de 2020.

Game Changer: A Rússia pode ter o sistema de defesa aérea S-400 na Líbia19 de setembro de 2020.

Por que a Rússia realmente interrompeu seu fornecimento de S-400 para a China

Primeiro-ministro Narendra Modi, presidente da China Xi Jinping, presidente russo Vladimir Putin na Cúpula do G20, 2016.

Por Probal Dasgupta, The Print, 12 de novembro de 2020.

Tradução Filipe do A. Monteiro, 15 de dezembro de 2020.

A Rússia quer ter um papel maior no sul da Ásia agora. Mesmo que atrapalhe o relacionamento com a China.

Enquanto a disputa Índia-China grassava no Himalaia ao longo deste ano, ambos os lados correram para estocar sistemas de mísseis e aeronaves. Mas, embora a Rússia tenha confirmado que estava a caminho de entregar cinco esquadrões de sistemas de defesa aérea S-400 Triumpf à Índia, não fez a mesma promessa à China. Moscou decidiu suspender o fornecimento dos S-400 para a China.

O S-400 é um moderno sistema de defesa antimísseis superfície-ar capaz de interceptar e destruir mísseis e aeronaves inimigas com um alcance de até 400km.

Em 2018, apesar da ameaça de sanções dos EUA, a Índia escolheu corretamente o S-400 da Rússia em vez dos mísseis americanos Patriot Advanced Capability (PAC-3) e THAAD (Terminal High Altitude Area Defense). Seguiu-se uma explosão previsivelmente ultrajante do presidente Donald Trump contra a decisão da Índia. Este ano, porém, sob uma série de negócios de armas, foi enterrada uma notícia que levantou algumas sobrancelhas. Os S-400 prometidos pela Rússia à China não chegaram. Correram boatos de que a Covid-19 pode ter sido o motivo do atraso. Mas parece que Moscou tomou uma posição deliberada.

Em fevereiro de 2020, Valery Mitko, um dos principais cientistas árticos da Rússia, foi preso sob a acusação de, alegadamente, passar segredos sobre tecnologia de detecção de submarinos para a China. Mais tarde, em junho, após investigações, um tribunal da Rússia estendeu sua prisão domiciliar. Cientistas russos têm estado sob uma nuvem por causa de ligações com a China nos últimos dois anos e o incidente de Mitko agravou uma crescente suspeita que paira sobre uma colaboração de conveniência entre a China e a Rússia. Um mês após a decisão do tribunal sobre Mitko, a Rússia optou por suspender o fornecimento de mísseis à China.

Manifestação anti-chinesa na Índia.

Rivalidade China-Rússia

Na Ásia, a China se encontra em uma vizinhança hostil de estados litorâneos no Mar da China Meridional, piorada com a entrada dos Estados Unidos no Indo-Pacífico com seus aliados. A conversa sobre o renascimento do Quad envolvendo os EUA, Japão, Índia e Austrália é um exemplo. Dado seu status de isolado, um relacionamento estável com a Rússia assumiu uma importância crítica para a China. Uma China desconfiada, entretanto, sente que sua dependência da tecnologia de armas russa a torna vulnerável. O que pode ter levado à espionagem na Rússia e provavelmente no caso Mitko. Moscou, por outro lado, precisa de investimentos chineses para desenvolver portos e infraestrutura na região ártica, mas teme que Pequim possa reduzir sua influência na indústria de defesa e na Ásia Central.

No início da década de 1990, o colapso da União Soviética coincidiu com a ascensão da China. À medida que os EUA consolidavam seu status de única superpotência, Pequim e Moscou se uniram para desafiar a hegemonia americana. Os interesses russos, porém, estavam restritos à Ásia Central e ao Oriente Médio - visto que a natureza da postura militar na região se adequava ao manual russo tipicamente intrusivo. Seus interesses no Leste Asiático, dominado pela China, permaneceram principalmente marginais. No entanto, a deterioração das relações na vizinhança em torno do Mar da China Meridional e do Sul da Ásia pode fazer com que uma indústria de armamentos russa interessada entre na ponta dos pés. Enquanto uma rivalidade oculta limita sua colaboração com a China, a Rússia discretamente aumenta suas apostas de negociação no Leste Asiático.

Oficiais chineses e indianos na fronteira.

Em vez de seu alcance político-militar arquetípico que poderia perturbar a China, a Rússia usou uma rota de comércio de poder suave para fortalecer seu relacionamento com o Japão e a Coréia do Sul. Em 2017, o Japão e a Coréia do Sul representaram 7 por cento das exportações russas (contra 11 por cento para a China).

De acordo com o Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (Stockholm International Peace Research InstituteSIPRI), a Rússia aumentou substancialmente seu fornecimento de armas para o Sudeste Asiático nesta década. O ex-PM Dmitry Medvedev usou plataformas multilaterais como a ASEAN para se reunir com líderes do Laos, Tailândia e Camboja no ano passado. O presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, chamou Vladimir Putin de “meu herói favorito”. E para regimes autoritários como o Camboja, a Rússia é uma presença menos exigente do que o Ocidente.

O único intermediário agora

Uma China ambiciosa, sob o comando de Xi Jinping, afirmou-se em regiões fora da Ásia Oriental. Qualquer impulso para a Ásia Central e Oriente Médio preocupa a Rússia, que gostaria de manter um cartão do Leste Asiático mais forte. Isso explica as relações da Rússia com países do Leste Asiático, onde a China tem novos inimigos. Isso também explica por que a Rússia provavelmente manterá a Índia do seu lado. Na frente dos EUA, o novo governo de Joe Biden poderia reabrir divergências anteriores com a Rússia, incluindo na Ucrânia e Bielo-Rússia. O silêncio de Moscou sobre a vitória de Biden nas eleições é um indicador, assim como o silêncio de Pequim indica a expectativa de uma linha americana firme e obstinada.

Tropas russas durante os exercícios militares Vostok-2018 (Leste-2018) no campo de treinamento de Tsugol, não muito longe das fronteiras com a China e a Mongólia na Sibéria, em 13 de setembro de 2018.

A Rússia e a China evoluíram muito em sua relação histórica e, hoje, compartilham o que Parag Khanna chama de “um eixo de conveniência ao invés de uma aliança real”. Cinquenta anos atrás, patrulhas chinesas engajaram um posto avançado soviético em uma ilha ao largo do rio Ussuri. Os soviéticos retaliaram, obliterando uma brigada militar chinesa inteira. Os beneficiários, então, foram os americanos, que acreditavam que o inimigo de um inimigo era seu amigo, e ficaram do lado dos chineses. Meio século depois, enquanto os russos suspeitam que uma China agora poderosa possa enganá-los novamente, estes precisam deles contra a América e seus aliados. Vasily Kashin, do Instituto de Estudos do Extremo Oriente da Academia Russa de Ciências, afirma: "A China não pode se dar ao luxo de alienar um vizinho que é um importante poder militar e de recursos por si só".

Anunciar-se como um mediador ativo entre a Índia e a China não é exatamente o estilo da Rússia, mas ela nunca se esquivou de hospedar cúpulas de paz (Tashkent em 1965 foi um exemplo). Em setembro deste ano, os chanceleres da Índia e da China se reuniram em Moscou e concordaram que os comandantes militares dos dois países precisavam dar continuidade ao diálogo. A Rússia sabe que pode reivindicar maior relevância na região por ser a intermediária, já que é a única potência aceitável para os dois vizinhos em guerra. Em uma região fragmentada e turbulenta da Ásia, uma mão sagaz russa deve desempenhar um papel fundamental.

Probal Dasgupta é um ex-oficial do Exército e autor do livro Watershed 1967: India’s Forgotten Victory over China (Divisor de Águas 1967: a vitória esquecida da Índia sobre a China).

Bibliografia recomendada:


Leitura recomendada:

A Índia pode vencer a China em uma guerra de fronteira?, 21 de junho de 2020.

Chefe do estado-maior indiano não descarta "conflito maior" com a China sobre Ladakh7 de novembro de 2020.

Tanques, navios e fuzis de assalto: a Índia ainda compra a maior parte de suas armas da Rússia25 de fevereiro de 2020.

Os condutores da estratégia russa, 16 de julho de 2020.

Game Changer: A Rússia pode ter o sistema de defesa aérea S-400 na Líbia19 de setembro de 2020.

sábado, 19 de setembro de 2020

Game Changer: A Rússia pode ter o sistema de defesa aérea S-400 na Líbia

Por H. I. Sutton, Aerospace & Defense, 6 de agosto de 2020.

Tradução Filipe do A. Monteiro, 19 de setembro de 2020.

Analistas de defesa estão tentando confirmar se a Rússia implantou um sistema de defesa aérea de última geração na Líbia. Imagens que circularam nas redes sociais parecem mostrar um grande radar e tubos de mísseis verticais perto de Ra's Lanuf, no leste do país. Este poderia ser o famoso S-300 ou o ainda mais potente sistema de mísseis S-400. Se for assim, pode ajudar a inclinar a balança a favor da Rússia e de seus aliados locais contra as forças apoiadas pela Turquia.

As imagens foram postadas online pela primeira vez pelo usuário do Twitter KRS Intl, que acompanha o conflito na Líbia. Elas foram tiradas nos últimos dias.

A partir dessas primeiras imagens, há um amplo consenso entre os analistas com quem conversei de que o radar se parece mais com o modelo russo 96L6E. Este é um radar de aquisição de alvos associado ao sistema de míssil superfície-ar (surface-to-air missile, SAM) S-300. Também é usado com o sistema S-400 Triumf ("Triunfo" em russo), mais novo e mais poderoso. A OTAN dá a esse radar o codinome Cheese Board (Tábua de Queijo).

Ao lado do radar está o que parece ser um míssil TEL (transporter erector launcher/ lançador eretor transportador). Os tubos do míssil estão na posição vertical, prontos para o lançamento. Podendo ser o S-300 ou S-400.

Esta imagem, tirada à distância de um veículo que passa, parece mostrar o sistema de mísseis de defesa aérea S-400 ou S-300.

Os mísseis estariam lá para proteger o envolvimento rapidamente crescente da Rússia no país. Eles já trouxeram para a companhia militar privada Wagner e jatos de combate. Mas eles e seus aliados enfrentam adversários competentes, incluindo as forças turcas. Os drones TB2 turcos obtiveram sucessos notáveis contra as defesas aéreas de fabricação russa. Mas o S-300 ou S-400 prejudicaria seriamente essas operações.

“Os russos sinalizaram discretamente que Sirte e Jufra são uma linha vermelha, embora não tenham ido tão longe quanto outros países em termos de declarações públicas”, conforme me disse Aaron Stein, diretor de pesquisa do Foreign Policy Research Institute, da Filadélfia. Stein não acha que a implantação de tais sistemas avançados de defesa aérea seria surpreendente. A Rússia implantou sistemas semelhantes, incluindo o S-400, para proteger seus ativos na Síria. “Eles parecem ter tirado uma página do seu manual da Síria, que é enviar um esquadrão misto e aumentar os recursos de defesa aérea no país. O S-300, se for real, junta-se ao sistema de curto alcance Pantsir S-1. Juntos, eles fariam a Turquia pensar duas vezes em testar essa linha vermelha".

Ironicamente, o sistema SAM S-400 é exatamente o que a Rússia vendeu à Turquia. Isso levou os EUA a cancelarem a venda de caças F-35 Lightning-II para a Turquia devido à preocupação de que a Rússia poderia usar os sensores do sistema SAM para extrair informações valiosas sobre as capacidades do F-35.

Então, como um novo sistema de mísseis pode ter chegado à Líbia? Um avião de carga superpesado voou da Rússia para a base aérea de Al Khadim em Al Marj em 3 de agosto. O enorme An-124 Ruslan, o equivalente russo do C-5 Galaxy, fez uma rota tortuosa que contornou a Turquia.

Rob Lee, um estudante de doutorado do King's College London que segue a política de defesa russa, acredita que o An-124 pode ser uma pista importante. “O An-124 é a única aeronave em serviço na Rússia que pode transportar todos os componentes dos S-300 e S-400. Em todos os casos recentes em que foram transportados pela Rússia, por exemplo, o S-400 para a Turquia e a Síria e o S-300 para a Síria, envolveram o An-124”.

Quando a Rússia entregou o sistema de mísseis S-400 à Turquia, usou a aeronave de carga pesada An-124 Ruslan. Aqui, as partes finais da segunda bateria S-400 chegam à base aérea de Murted em Ancara, Turquia, em 15 de setembro de 2019. (Foto do Ministério da Defesa Nacional turco / Agência Anadolu via Getty Images)

Os sistemas de mísseis recém-chegados podem mudar a situação no solo, especialmente se forem manejados por profissionais russos. Stein acha que a Rússia tira vantagem da ambigüidade de quem está tripulando o sistema. “Os russos gostam de jogar para que você nunca saiba quem está operando esses sistemas SAM. Portanto, você nunca se sente bem em matar um SAM se isso significar também matar russos. Especialmente quando eles têm um esquadrão misto que pode superar qualquer coisa que os turcos e seus aliados possam trazer para a festa rapidamente".

É possível, claro, que as fotos mostrem uma isca. A Rússia usa sistemas infláveis para confundir a inteligência militar. Todos os observadores com quem discuti isso concordam que pode ser isso que estamos vendo nas imagens. Mas, mesmo que sejam falsos, provavelmente apontam para a existência de um sistema real. Isso ocorre porque os infláveis são melhores como iscas para proteger um sistema real, não um ardil maior. Portanto, o que quer que estejamos olhando nessas fotos, isso sugere que o S-300 ou o S-400 estão no país.

Leitura recomendada:

Os condutores da estratégia russa16 de julho de 2020.

Dividendos da Diplomacia: Quem realmente controla o Grupo Wagner?22 de março de 2020.

Modernização dos tanques de batalha M60T do exército turco completos com sistema de proteção ativo incluído14 de julho de 2020.

quarta-feira, 16 de setembro de 2020

KBP INSTRUMENT DESIGN BUREAU 9K22 TUNGUSKA. O anjo da guarda das colunas blindadas russas.

Tunguska 9K22

DICHA TÉCNICA
Velocidade máxima: 65 km/h.
Alcance máximo: 500 km.
Motor: Motor a diesel V-46-4 de 12 cilindros com 780 HP de potencia.
Peso: 34 toneladas.
Comprimento: 7,93 m.
Largura: 3,24 m.
Altura: 4,02 m.
Tripulação: 4 homens.
Inclinação frontal: 60º.
Inclinação lateral: 30º.
Obstáculo vertical: 1 m.
Passagem de vau: 1 m.
Trincheira: 3 m.
Armamento: 2 canhões 2A38M de 30 mm com 1904 munições; 8 mísseis antiaéreos 9M311 (SA-19 Grison).

DESCRIÇÃO
Por Carlos Junior.
A Rússia pode ser considerada como a nação com a mais competente industria militar no segmento de defesa antiaérea do mundo, atualmente. Seus engenheiros produzem sistemas de defesa antiaérea de todos os tipos e alcance, desde mísseis guiados ao calor, lançados do ombro, até complexos sistemas de defesa antiaérea de longo alcance capazes de destruir um míssil balístico a centenas de km, como o S-500, por exemplo.
O sistema que será descrito a partir de agora é um destes sistemas de artilharia antiaérea autopropulsada que, tradicionalmente, os russos fabricam.
Conhecido como Tunguska, ou 9K22, este veículo agrega as capacidades dos armamentos de tubo com dois canhões de fogo rápido e de mísseis de curto alcance.
Poder de fogo e mobilidade são características encontradas no Tunguska 9K22 que lhe garante uma excelente flexibilidade de emprego.
Seu projeto foi pedido em 1970 com o objetivo de substituir o clássico sistema ZSU-23-4 Shilka e o sistema SA-9 Gashkin por um só sistema. Um dos motivos dessa necessidade foi o aparecimento do avião de ataque norte americano A-10 Thunderbolt II, já descrito aqui no WARFARE (Clique no nome da aeronave), que havia sido projetado para resistir aos impactos de granadas de 23 mm do Shilka.
Com os atrasos, o programa de desenvolvimento acabou sendo relativamente longo para esta categoria de armamento, porém, em 1976 foi entregue o primeiro protótipo para testes, sendo que a entrada em serviço se deu em 1984.
O antigo e temido, veículo ZSU23-4 Shilka, embora usado, ainda pelos fuzileiros navais russos e por mais uma infinidade de nações, já não representava um sistema adequado para defender as posições de blindados e de sítios de mísseis SAM russos
O Tunguska usa um motor com a configuração de 12 cilindros em V modelo V-46-4 que produz 780 HP de potencia. A velocidade máxima atingida pelo Tunguska é de 65 km/h e sua autonomia é de 500 km, sendo equivalente à autonomia que costuma ter um MBT. Sua proteção blindada permite resistir a impactos de armas leves como fuzis além de fragmentos de granadas de artilharia.
O desempenho do Tunguska quando em deslocamento é perfeito para acompanhar colunas de tanques.
O armamento usado no Tunguska é composto por dois canhões de tiro rápido 2A38M de 30 mm capazes de uma cadência de 2500 tiros por minuto cada canhão. O alcance é de 3000 metros contra alvos aéreos e de 4000 metros contra alvos de terra. São transportadas 1904 munições para estes canhões o que dão uma considerável capacidade de persistência de combate. O outro armamento que o Tunguska usa são 8 mísseis 9M311 M1, também conhecidos como SA-19 Grison, guiados por comando de radio. Estes mísseis tem um alcance de 10 km e uma probabilidade de acerto de 60%. Uma curiosidade sobre este míssil é que ele pode, também, ser usado contra alvos terrestre, sendo que seu alcance, neste caso se limita a 6000 metros
Cada canhão 2A38M dispara a uma cadência de 2500 tiros por minuto.
O sistema de radar usado no Tunguska para designação de seus alvos é o 1RL144, também conhecido como Hot Shot pela designação da OTAN. Este radar de varredura mecânica tem alcance de 16 km e está integrado a um sistema de identificação amigo/ inimigo IFF para evitar a ocorrência de “fogo amigo”. Outro recurso muito útil é a possibilidade do Tunguska receber dados do alvo de outros veículos, radares avançados ou mesmo uma aeronave AEW amiga através de intercambio de dados. O artilheiro usa uma mira óptica como apoio a o sistema de orientação de armas do Tunguska.
Nessa foto podemos ver a antena de aquisição e alvos 1RL144 que permite ao Tunguska opera de forma autônoma de um radar externo.
Um atacante inimigo, como um jato de ataque A-10 Thunderbolt II ou um helicóptero antitanque tem no Tunguska, um adversário formidável, com grande capacidade de atrapalhar a execução de suas missões. O ocidente não tem um sistema de defesa antiaérea equivalente em capacidade ao Tunguska, fazendo com que se chegue a conclusão de que o pioneirismo da industria russa em sistemas de defesa antiaérea os colocam como destaque nesse segmento de defesa.



sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

SISTEMA ANTI BALÍSTICO ARROW. Um dos mais sofisticados sistemas anti mísseis do mundo

Mockup do míssil Arrow 1
FICHA TÉCNICA ARROW 1
Motor: Propelente sólido de estágio com dois estágio.
Velocidade: 11100 km/h (mach 9)
Alcance: 90 km.
Altitude: 50 km
Comprimento: 11 m (Arrow 1).
Peso: 2800 kg.
Ogiva: 150 Kg de fragmentação direcionada
Lançadores: Contêiner com lançador vertical..
Guiagem: Dual com sistema de radar semi ativo e infravermelho na fase final.

DESCRIÇÃO
Por Carlos Junior
O Estado de Israel tem uma história curta, mas bastante tumultuada, com inúmeras guerras com seus vizinhos árabes que não reconheceram a existência do Estado Judeu e o atacaram. Com uma história altamente beligerante, é natural de se esperar que o governo de Israel, sempre tivesse o assunto "defesa" entre as principais pautas para se preocupar.
Com uma industria militar bastante criativa e com engenheiros extremamente competentes, a industria militar de Israel, mas especificamente a  Israel Aerospace Industries, mais conhecida apenas pela sigla IAI, dentre seus muitos produtos bélicos, desenvolveu um projeto de um míssil anti balístico no começo dos anos 80 do século passado com a ajuda dos Estados Unidos, que além de financiarem o promissor projeto, também participaram, com sua industria, neste caso, a Boeing para amadurecer e levar este sistema para o serviço operacional pleno.
O Arrow de primeira geração foi, na prática, um míssil de demonstração de tecnologia e desenvolvimento. Ele não chegou a entrar em serviço. Mesmo tendo um bom desempenho nos testes, com apenas uma falha, relacionada a um problema no computador de solo, o Arrow teve encerrado os trabalho nele e passaram a focar no modelo Arrow 2, este com dimensões menores e diversas melhorias que foram identificadas como viáveis no projeto inicial e que elevariam ainda mais o nível deste avançado sistema de defesa anti mísseis.

Lançamento do Arrow 2
FICHA TÉCNICA ARROW 2
Motor: Propelente sólido de estágio com dois estágio.
Velocidade: 11100 km/h (mach 9)
Alcance: 100 km.
Altitude: 50 km
Comprimento: 6,8 m.
Peso: 1300 kg.
Ogiva: 150 Kg de fragmentação direcionada
Lançadores: Contêiner com lançador vertical..
Guiagem: Dual com sistema de radar semi ativo e infravermelho na fase final.

O Arrow 2, como o míssil original, possui motorização com propelente sólido e com dois estágios que levam o míssil a desenvolver velocidade hipersônica de mach 9 (11115 km/h aproximadamente, pois isso é relativo à altitude), podendo atingir um míssil inimigo a uma altitude máxima de 50 km a uma distancia que pode chegar a 90 km.
O sistema de guiagem empregado no Arrow 2 funciona da seguinte forma: Primeiramente, um radar de terra, que faz parte da bateria do sistema, detecta, e trava o míssil inimigo que está se aproximando. Este radar é o Elta EN/M-2080 Green Pine, um radar multimodo de estado solido com varredura eletrônica ativa, cujo alcance pode chegar a 500 km. Este radar, pode rastrear e atacar  até 14 alvos simultaneamente, o que lhe garante capacidade de lidar com ataques de saturação. Os dados do alvo são alimentados no míssil Arrow 2 que é lançado para se aproximar a uma distancia de até  4 metros do míssil inimigo e nesse ponto, detonar sua ogiva de fragmentação direcionável de 150 kg. Como se pode ver, diferentemente do sistema anti míssil balístico norte americano THAAD, já apresentado aqui no WARFARE, que não tem ogiva e faz a destruição dos mísseis inimigos por impacto direto, o Arrow usa uma cabeça de guerra que detona próximo ao alvo.  A fase terminal do engajamento é feito por um buscador infravermelho produzido com antimoneto de índio (InSb). Esse sistema, também faz parte da contribuição norte americana, desta vez, sob responsabilidade da Raytheon.
Antena do radar de controle de tiro Elta N/M-2080 Green Pine.
Uma bateria do sistema Arrow 2 possui de 4 a 8 trailers laçadores verticais com 6 tubos de mísseis cada um. Os lançadores podem ser recarregados em cerca de uma hora e o sistema permite uma boa mobilidade através do reboque por caminhões. Outro ponto muito positivo que caracteriza a operação do sistema de defesa anti balístico Arrow 2, é que os lançadores, o centro de comando e o radar  Green Pine fazem o intercambio de dados e vós  através de um sistema de comunicação baseado em microondas que permite com que a comunicação ocorra distancias de até 300 km entre cada equipamento.
O centro de gerenciamento de batalham Citron Tree, desenvolvido pela Tardiran Electronics, é montado em um trailer  de onde recebe os dados do radar e dados de outras fontes para processar todas essas informações e monitorar as ameaças e gerenciar as interceptações automaticamente. Porém, é importante observar que o sistema pede autorização para um operador humano em todas as etapas da operação para evitar acidentes.
Pelo menos  3 baterias do sistema Arrow 2 estão em operação em Israel para proteger os centros urbanos de eventuais ataques de mísseis balísticos.

Teste de fogo do míssil Arrow 3
FICHA TÉCNICA ARROW 3
Motor: Propelente sólido de estágio com dois estágio.
Velocidade: 11100 km/h (mach 9)
Alcance: 2400 km.
Altitude: 100 km
Comprimento: Não informado.
Peso: Não informado.
Ogiva: Sem ogiva - Sistema hit to Kill.
Lançadores: Contêiner com lançador vertical..
Guiagem: Sensor Eletro-Óptico de alta resolução.

O próximo passo foi o Arrow 3, uma evolução do sistema que difere, principalmente, no perfil de interceptação, onde seu alcance é muito maior, operando interceptações fora da atmosfera, ou seja, no espaço, justamente na fase de maior velocidade do ataque inimigo a uma distancia máxima de 2400 km. O Arrow 3 não possui cabeça de guerra explosiva, de forma que a sua forma de destruir um míssil inimigo é a do impacto direto (hit to kill), sendo, similar ao sistema norte americano THAAD na forma de lidar com os mísseis inimigos.
Embora o Arrow 3 tenha um sistema de guiagem diferente, além de seus sistemas de comunicação e detecção, ele ainda foi projetado para operar de forma integrada ao Arrow 2, o que lhe garante um multiplicador de força dentro do contexto de defesa anti mísseis de Israel.
O sistema de guiagem do Arrow 3 usa um sensor Eletro-Óptico de alta resolução (EO) que  proporciona uma taxa de acerto (kill Ratio) de 99%. A aquisição do alvo, por sua vez, é feito por uma versão aprimorada do radar Green Pine chamado de Elta EL/M-2084 Super Green Pine, que aumenta, radicalmente, a quantidade de alvos que podem ser rastreados simultaneamente para 200!
A esquerda um míssil Arrow 2 e a direita o mais moderno Arrow 3. O controle de voo do Arrow 3 depende de suas aletas montadas na parte de baixo do corpo do míssil.
Israel é o único operador do sistema Arrow. Motivos políticos e lobby são explicações para isso. O sistema fornece uma cobertura total de todo o território de israel e parte do território dos países vizinho, dando uma boa capacidade de defesa contra mísseis balísticos. Isso é muito importante na medida em que um dos inimigos mais agressivos de israel, o Irã, usa mísseis balísticos como sua arma de dissuasão e faz ameaças Israel com uma frequência incomoda.
O Arrow 3 não possui ogiva. Nesta foto podemos ver o momento exato em que o míssil Arrow 3 impacta, diretamente, contra o míssil alvo. A destruição do alvo se dá por energia cinética (impacto direto).


domingo, 19 de janeiro de 2020

PERFIL: Khalid Bin Sultan Bin Abdulaziz Al Saud, príncipe Khalid bin Sultan, Arábia Saudita

Tenente-General Khalid Bin Sultan Bin Abdulaziz Al Saud, comandante das Forças Conjuntas na Arábia Saudita, discute as condições para um cessar-fogo com os generais iraquianos durante a Operação Tempestade do Deserto, em 1991. Atrás do General Khaled está o General H. Norman Schwarzkopf, comandante-em-chefe do Comando Central dos Estados Unidos.

Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 19 de janeiro de 2020.

Khalid bin Sultan foi cadete na Academia Militar de Sandhurst, na Inglaterra, de 1967 a 1968, "cumprindo assim um sonho de adolescente". Ele
 se voluntariou para servir nas forças especiais mas foi colocado no comando de um pelotão de artilharia na província de Tabuk, com a perspectiva de ser destacado na função de compras e aquisições militares, para onde foi remanejado tempos depois. Essa posição de importância é conhecida pelos "favorecimentos" com relação às compras de material militar. 

Pensando na defesa antiaérea saudita, o príncipe Khalid criou as Forças de Defesa Aérea independente do Exército em 1981; sendo o seu primeiro comandante. A Força conta atualmente com cerca de 16 mil homens.

Ele também é formado na Escola de Comando e Estado-Maior do Fort Leavenworth (Command and General Staff College, CGSC), e na Escola de Guerra Aérea (Air War College, AWC), ambas nos Estados Unidos.


Emblema das Forças de Defesa Aérea sauditas.

Na década de 1980, o príncipe Khalid bin Sultan, então comandante da Força de Defesa Aérea, foi à China comprar mísseis DF-3 (Dong Feng 3, Vento Oriental 3), o primeiro míssil guiado saudita, criando assim a Força de Mísseis Estratégicos - hoje com 2.500 homens. Por seu papel na criação da Força de Mísseis Estratégicos, Khalid bin Sultan recebeu o apelido de "O Pai dos Mísseis da Arábia Saudita".

Quando o Iraque invadiu o Kuwait, em 1990, o príncipe Khalid foi nomeado comandante das forças conjuntas árabes da Coalização, sua posição mais conhecida, e destacado com uma responsabilidade fictícia equivalente àquela do General Schwarzkopf. Esta sinecura foi narrada pelo General Khalid escreveu um livro em 1995 sobre a sua atuação na Guerra do Golfo, Desert Warrior: A Personal View of the Gulf War by the Joint Forces Commander (Guerreiro do Deserto: A visão pessoal da Guerra do Golfo pelo Comandante das Forças Conjuntas); o primeiro livro escrito por um membro da família real saudita.


Desert Warrior é um relato interessante do universo saudita. Logo de cara percebemos que a visão do príncipe Khalid sobre o que é um "Guerreiro" é bem diferente da visão ocidental: ele se vangloria da sua ilusória importância na Coalizão, de vestir um uniforme militar e viajar dentro de uma Mercedes com ar condicionado, como um playboy, sendo acompanhado por uma equipe de filmagem para auto-promoção enquanto suas tropas suavam em trincheiras no deserto. O Príncipe também fala orgulhosamente sobre a importância de ter nascido na família Saud e dos méritos do nepotismo saudita na escolha de membros da família real para posições importantes independente do mérito profissional. Khalid jamais visitou as linhas de frente, pois ele era "importante demais para se arriscar". 

Ele também tenta pintar uma paridade de importância decisória com Schwarzkopf, com quem teve uma relação tempestuosa, e qualifica a contribuição saudita como "massiva". Em uma das muitas gritarias entre ele e "Storming Norman", o general americano gritou "Devo tratá-lo como general ou como príncipe?", "Ambos!" respondeu Khalid no mesmo tom. Orgulhoso e egocêntrico, o príncipe-general evitou todo tipo de demonstração de subordinação aos americanos, assegurando, por exemplo, que ele sempre tivesse o mesmo número de guarda-costas que Schwarzkopf.

Avibras ASTROS-II SS-30 do Exército Saudito em demonstração durante a Operação Escudo no Deserto, 1990.

Khaled tem muito a dizer sobre a natureza da coalizão contra Saddam Hussein e as peculiaridades de vários contingentes (por exemplo, a atitude de superioridade das tropas francesas) e reclama que o acordo de paz era fraco, sem um documento formal de rendição "que [...] poderia ter ajudado a remover Saddam". A narrativa de um garoto mimado de humor sardônico dá uma visão inédita sobre o universo real saudita. 

Após a guerra, Khalid foi promovido a Marechal-de-Campo pelo Rei Fahd, seu tio, e foi para a reserva em 1991 - dedicando-se a negócios pessoais. Apenas quatro anos depois, o Rei Fahd sofreu um derrame, deixando seu meio-irmão Adbullah como o governante de fato; com sua idade avançada (70 anos) a questão da sucessão real em uma monarquia de 5 mil príncipes afetou a eterna briga por trás das cortinas na corte saudita. De um lado, Abdullah comandando a prestigiosa Guarda Nacional, cuja missão é defender a Casa Real como uma guarda pretoriana e recrutada majoritariamente nas leais tribos beduínas. Do outro, Sultan bin Abdulaziz, Ministro da Defesa, comandando o exército, majoritariamente composto por homens de origem urbana. Sultan reconvocou Khalid, seu filho, para a função de Vice-Ministro da Defesa, em janeiro de 2001, de modo a garantir que as forças armadas permanecessem do lado da família do príncipe Sultan.

Khalid bin Sultan é filho do ex-Ministro da Defesa saudita príncipe Sultan bin Abdulaziz Al Saud, ambos da família real saudita.

Em 2007, os sauditas compraram o míssil de alcance médio Dong-Feng 21 (DF-21) secretamente da China vermelha. O DF-21 foi projetado para carregar armas nucleares, sendo impreciso como arma convencional (o que tornou os DF-3 sauditas inúteis contra os Scuds iraquianos em 1991). Em abril de 2013, Khalid visitou a China novamente e encontrou com o Presidente Xi Jinping e o Ministro da Defesa Chang Wanquan. A aquisição dos mísseis DF-21 só veio a público em janeiro de 2014, por meio de uma matéria da Newsweek dizendo que a CIA aprovou a compra contanto que os mísseis fossem modificados para não serem capazes de carregar cargas nucleares. Em setembro de 2014, Riad anunciou a compra de mísseis balísticos DF-21A chineses (chamados CSS-5 pela OTAN) para a defesa de Meca e Medina contra o Irã.

Em novembro de 2009, Khalid bin Sultan liderou uma intervenção militar saudita no Iêmen, depois que uma patrulha de fronteira saudita foi emboscada por rebeldes houthis, do lado saudita da fronteira, em 3 de novembro, com a morte de 1 soldado e ferindo outros 11 - com um segundo soldado morrendo depois. Os sauditas responderam com ataques aéreos ao território iemenita e mobilização de tropas na fronteira.

Em 8 de novembro, a Arábia Saudita confirmou que havia entrado na briga, alegando ter "recuperado o controle" da montanha Jabal al-Dukhan dos rebeldes. Por volta dessa época, comandos jordanianos, que haviam chegado aos campos sauditas alguns dias antes, apoiaram as forças sauditas nos esforços para tomar a montanha Al-Dukhan; com baixas em ambos os lados. A Arábia Saudita formou uma coalizão árabe e ocupou o Iêmen com quase 200 mil homens, além de um forte contingente dos Emirados Árabes Unidos a partir de 2015.

Tropas sauditas no Iêmen, 2016.

A campanha foi conduzida de forma desajeitada, trazendo fortes críticas a Khalid. O Rei Abdullah não ficou nada satisfeito com a sua liderança, quando as tropas sauditas se mostraram incapazes de rapidamente desalojarem os rebeldes houthis iemenitas de território saudita ocupado por eles no final de 2009. O Rei Abdullah expressou especificamente suas preocupações com a longa duração do conflito, grande número de baixas e incompetência saudita. 

Khalid era cotado para a sucessão de seu pai, falecido em 2011, como Ministro da Defesa. Mas dada sua ineficiência na operação no Iêmen, uma nova viagem à China com mais compras militares vultosas, e a decisão de firmar um acordo multi-bilionário de 84 Boeing F-15 que a Arábia Saudita comprou em 2010, fizeram com que Khalid fosse apontado como Vice-Ministro da Defesa em novembro de 2011. Seu mandato durou até 20 de abril de 2013, quando foi substituído por Fahd bin Abdullah, outro membro da família real. Tradicionalmente, a decisão de dispensa segue "com base em seu pedido", mas a ordem real emitida dispensando Khalid bin Sultan do cargo não incluía esta frase.

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