segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Análise do .300 Blackout

As três munições da esquerda para a direita, são versões do 300 Blackout, seguidos pelo 5,56 mm NATO e o 7,62x39 mm usado no AK-47
Pelo especialista em armas de fogo Mark Simmons, última atualização em 14 de junho de 2019.
Tradução Filipe A. Monteiro, 07 de outubro de 2019.

Todo mundo sabe que o rei dos cartuchos intermediários é a munição 5,56x45mm OTAN. Existe um número enorme de armas calibradas nele, e todos os principais fabricantes de munições o adoram. No entanto, há um candidato ao seu trono nos dias de hoje. Estamos falando da munição .300 Blackout.
O Blackout foi feito para resolver alguns dos problemas da munição OTAN. O principal deles era que o calibre 5,56 mm OTAN é muita barulhento para a quantidade de energia que ele carrega. É por isso que diferentes fabricantes ofereceram munições diferentes para substituí-lo ao longo dos anos. Havia a munição 6,8 Rem Special, 6,5 mm Grendel, a Wilson Combat 6,8 mm e outras.
Todos esses são produtos bons, mas todos têm uma falha ou outra que impossibilitou sua ampla aceitação. No entanto, o calibre .300 Blackout é outra questão. Funciona com todas os carregadores AR atuais, ferrolhos, conjuntos de ferrolhos, e melhora o recorde da munição OTAN em distâncias curtas e uso em cano curto, ao mesmo tempo em que é muita silencioso.
Nesta análise, examinaremos o histórico desta munição, bem como todas as suas características de destaque. Embora não seja o objetivo desta análise comparar a .300 com a munição OTAN, essas comparações são inevitáveis; portanto, faremos referência à munição OTAN com frequência. Com tudo isso em mente, vamos começar.

PANO DE FUNDO
A munição 5,56 mm OTAN foi desenvolvida na década de 1960 desde que balas muito leves e velozes eram a moda naquela época. Ela tentou derrotar a 7,62×39 mm soviética e obteve sucesso em termos de alcance útil e características penetrantes. No entanto, ela tinha alguns problemas próprios.
Ou seja, é muito difícil criar uma munição que seja boa para tudo, e a 5,56 mm OTAN falha em alguns pontos. Por exemplo, não era tão precisa quanto as munições mais pesadas ao praticar tiro ao alvo. Ela também tem problemas com canos curtos, uma vez que a maior parte de sua potência deriva da velocidade em que viaja. Também é notoriamente difícil de suprimir o som do disparo, pois isso pode diminuir drasticamente sua velocidade, tornando-a ineficaz.
A ideia por trás do calibre .300 Blackout era tentar corrigir todos esses problemas, mantendo o formato. O .300 Blackout começou como uma munição militar. Aparentemente, a história diz que uma unidade de missões especiais não-identificada no Exército dos EUA pediu uma munição que pudesse caber dentro de um fuzil calibre .30, e seria utilizável com qualquer arma AR.
Como costuma acontecer com o Exército dos EUA, eles conseguiram o que queriam. A Advanced Armament Corporation (AAC, Corporação de Armamentos Avançados) e Remington tiveram um trabalho difícil. Além desses pedidos, eles também tiveram que adaptar a munição a dois usos diferentes. Ela precisava funcionar tanto em uso subsônico, suprimido, quanto para uso supersônico.
Funcionou, e o .300 ganhou popularidade em um período muito curto de tempo. De fato, hoje em dia você pode encontrá-lo em qualquer lugar. O Instituto de Fabricantes de Armas e Munições Esportivas (Sporting Arms and Ammunition Manufacturers’ Institute) o considera um cartucho padrão. Você pode até encontrá-lo no Walmart (nos Estados Unidos) hoje em dia!

PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS
Como dissemos na seção anterior, eles fizeram o .300 Blackout para se ajustar a determinadas características. Havia cinco critérios principais. Primeiro, sua energia inicial tinha que ser igual ou superior ao AK-47. Em segundo lugar, tinha que ser um projétil calibre .30. Em terceiro lugar, ele tinha que usar carregadores .30 e ferrolhos AR-15 não modificados. Tinha que usar um sistema de impingimento de gás, e ser capaz de disparar tanto em subsônico quanto em supersônico.
É muito terreno para se cobrir para qualquer munição. Ainda assim, a AAC conseguiu e entrou pra história. Naturalmente, essas também são as principais características da munição e o principal ponto de venda. A maior força do .300 Blackout é sua adaptabilidade. Como vimos, você pode usá-lo com um AR-15 padrão, enquanto ganha mais poder de fogo pelo seu dinheiro (literalmente).
A segunda característica que surge dessas características é seu uso em situações táticas. Na seção anterior, mencionamos que a munição 5,56 mm OTAN teve dificuldades com o uso à curta distância e em cano curto. Você pode usar o .300 Blackout para ambos.
No entanto, ele também melhora à partir do 5.56 mm OTAN em termos de precisão. Enquanto a munição OTAN teve dificuldades com a prática de tiro ao alvo, especialmente quando silenciada, o .300 Blackout se sai muito melhor.
Devido ao seu peso mais considerável, o .300 Blackout possui uma trajetória de voo mais estável. Isso contribui para uma maior precisão em condições subsônicas. No entanto, o peso também garante que os acertos subsônicos realmente batam com força. Este é um afastamento da munição OTAN, que precisava ser leve e rápida, e por isso fracassa quando é silenciada.

ESPECIFICAÇÕES TÉCNICAS
Se quisermos entender completamente essa munição, precisamos dar uma olhada também no aspecto técnico. Nesta seção, abordaremos as especificações mais importantes que contribuem para a reputação desta munição em várias subseções da comunidade de armas.
Obviamente, o calibre desta munição é .300 e o diâmetro da bala é 308”ou 7,8mm. O invólucro é de 1,368″ ou 34,7 mm de comprimento. Existem vários pesos disponíveis para a bala, dependendo do tamanho do cano. Para uma de 20", é um 78 grãos disparado a 2,880 fps e para um cano de 16", é de 125 grãos a 2,215 fps. Existe até uma versão de 220 grãos acionada a 1,010fps.
Em termos de precisão, dependendo do que você usa (e com o quê), o .300 Blackout deve ser preciso até 500 jardas. Embora seu uso principal seja com o AR-15, as pessoas o colocaram em todos os tipos de outras armas também. Isso inclui a carabina M-4, mas também algumas pistolas de 9”.
Neste ponto, temos que colocar uma nota de cautela. Ou seja, esta munição pode caber em um cano projetado para um .223 Remington. Disparar o .300 Blackout deste cano causaria consequências catastróficas. De fato, a arma pode até explodir. Verifique se a sua arma foi projetada para lidar especificamente com o .300 Blackout antes de usá-lo!

QUEM USA ESSA MUNIÇÃO
Pode ser interessante para o leitor saber como esta munição está sendo usada e quem a está usando. Como já dissemos, a projetaram para uso militar, para atender às necessidades de um segmento específico do Exército dos EUA.
No entanto, à medida que cresce em popularidade, vários outros grupos começaram a usá-lo. É um favorito particular de forças especiais europeias, devido à sua proeza em situações táticas. É por isso que esta munição é padrão nas unidades de forças especiais do Reino Unido, Holanda e Alemanha, além dos EUA.
Este não é um pônei de um único truque, não é reservado apenas para uso em combate. Os caçadores também usam essa munição com grande efeito, embora não para tiros de longo alcance. Em situações de curta distância, esta munição pode substituir uma espingarda devido ao seu peso. As pessoas que a utilizaram para caçar recomendam atirar apenas se o animal estiver a cerca de 100 jardas. Se estiver mais longe, você pode apenas ferir o animal, o que é considerado desumano.

EM CONCLUSÃO
O .300 Blackout é uma munição notável, devido às suas muitas propriedades técnicas. Foi um verdadeiro avanço em termos de solução dos problemas com seu ilustre predecessor. Embora os principais usuários desta munição sejam as forças especiais, os caçadores também podem usá-la bem, se forem inteligentes, e foi isso que levou essa munição ao grande público.

Original: https://www.gunadvice.com/300-blackout-review/

Mark Simmons
Editor-em-Chefe
Nascido e criado no Missouri, Mark agora vive em Murray com sua esposa e dois filhos. Como proprietário de armas e entusiasta da caça, ele frequentemente participa de debates em torno da Segunda Emenda. Ele é o Editor-em-Chefe da GunAdvice.




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