domingo, 27 de janeiro de 2019

FN HERSTAL FAL - "FUSIL AUTOMATIQUE LÉGER". O velho guerreiro

FICHA TÉCNICA
Tipo: Fuzil de batalha.
Miras: De aço padrão "peep sight" Diversos modelos, miras reflex e ópticas, todas instaladas sobre o trilho picatinny (modelos modernizados)
Peso: 4,5 kg (vazio).
Sistema de operação: Aproveitamento de gases e ferrolho basculante.
Calibre: 7,62 X 51 mm.
Capacidade: 20 munições.
Comprimento: 1,10 m
Comprimento do cano: 21 polegadas (533 mm); 18 Polegadas (458 mm ) Para FAL
Velocidade na Boca do Cano: 838 m/seg
Cadência de tiro: 700 tiros/ min.


DESCRIÇÃO
Por Ironhead
Com mais de um milhão de unidades produzidas o famoso fuzil FAL assinou seu nome nos livros de história militar ao lado de outras lendas como o fuzil AK-47 Kalashnikov, Heckler & Kock G-3 e o Colt AR-15. Usado por mais de 70 países desde o inicio de sua produção em 1953, hoje é usado por poucos como o Brasil (que já deu início a sua substituição em suas forças armadas pelo modelo IA-2, já descrito aqui no WARFARE Blog),  e alguns países sul americanos além de outros poucos no continente africano. O FAL foi projetado pela empresa belga FN Herstal, e foi produzido em 10 países sendo que atualmente somente o Brasil e os Estados Unidos o mantém em linha de produção. No Brasil, a empresa que fabrica o FAL é a Imbel, uma estatal que desenvolve e produz armamentos além de outros produtos destinados ao mercado bélico como sistemas de comunicação, explosivos e componentes de foguetes. O exemplar do FAL produzido pela Imbel é chamado de M-964 e a qualidade é reconhecidas internacionalmente, sendo que durante um bom tempo foi exportada para o faminto mercado de armas norte americano, onde um civil pode adquirir esse tipo de armamento configurado para tiros semi automático, onde era vendido pela conhecida empresa Springfield, que depois acabou se tornando uma fabricante do fuzil M-14 e por isso cancelou a importação das peças do FAL que era montado em território norte americano.
Acima: O protótipo do fuzil FAL usava o cartucho britânico em calibre 7 x 43 mm (280) como munição. Devido a pressões, na decada de 50 para que os belgas e ingleses aderissem ao padrão OTAN, determinado na epoca como sendo o calibre 7,62 x 51 mm, o projeto do FAL evoluiu para este potente calibre.

Acima: Um dos primeiros exemplares do FAL, na época, também chamado de LAR (Light Automatic Rifle). Notem a presença de um bipé no fim do guarda mão  e o guarda mão de metal.

UM PROJETO ANTIGO
O FAL tem qualidades muito apreciadas como a precisão e robustez que o fazem uma arma que deve ser respeitada ainda nos dias de hoje, porém, algumas características inerentes a idade de seu projeto podem atrapalhar o desempenho do soldado no teatro de operações moderno como as áreas urbanas ou ambientes fechados. O FAL básico é uma arma grande, tendo um comprimento de 1,10 m. Para se poder comparar, vamos pegar como exemplo de fuzil moderno o avançado fuzil Scar (já descrito aqui no WARFARE Blog), da mesma empresa que projetou o FAL, a FN Herstal. O Scar, em sua versão básica, tem um comprimento de 89 cm, sendo muito mais flexível para operar no ambiente urbano. Fora isso o FAL é uma arma pesada tendo 4,5 kg. O Scar pesa apenas 3,2 kg. Por tanto não causa cansaço excessivo no soldado.  Essa comparação pode parecer, a primeira vista, inadequada visto se tratar de armamentos de gerações distintas sendo o Scar uma arma desenvolvida  no século 21, mas é necessário apontar essas diferenças porque existe algumas pessoas que ainda insistem que o FAL deveria ter sido mantido como armamento padrão das forças armadas brasileiras.
Outra característica importante é que o FAL usa um sistema de operação a gás baseado em um trancamento basculante do ferrolho que é relativamente suscetível a falhas quando sujo com areia fina ou resíduos carbônicos oriundos de pólvora não queimada durante o tiro. Os fuzis mais modernos usam o sistema de trancamento por ferrolho rotativo onde este se tranca diretamente no cano da arma, sendo muito mais eficiente de operar em condições de pouca manutenção e sujeira, tão comuns no ambiente de combate.
O calibre do FAL é o poderoso 7,62 X 51 mm, uma munição que tem o dobro da potencia da munição 5,56 X 45 mm usada no famoso AR-15/ M-16. Como consequência dessa potencia toda, o FAL apresenta um recuo considerável que quando em regime de fogo totalmente automático se mostra difícil de controlar, espalhando os impactos para longe do ponto visado no alvo, sendo recomendado o uso em regime semi-automático para evitar desperdício de munição. Nesse ponto, alguns podem querer questionar que o regime totalmente automático não é recomendado em nenhum fuzil, nem mesmo no bem mais controlável 5,56 mm do AR-15/ M-16, porém eu respondo que o nível de descontrole do FAL é muito maior exigindo um treino muito intenso por parte do soldado para que este possa controlar o FAL em rajadas.
O cartucho 7,62 mm é relativamente grande sendo que um carregador padrão do FAL tenha 20 tiros de capacidade, ou seja, 10 tiros a menos que os carregadores dos modernos fuzis 5,56 mm. Esses 10 tiros a menos fazem diferença durante um combate. Carregadores de 30 tiros no calibre do FAL são grandes e pesados prejudicando a já comprometida mobilidade deste fuzil, tanto que hoje em dia, somente a versão de cano curto produzido por uma empresa norte americana que descreverei mais a frente, usa um carregador de 30 tiros para o FAL.
Acima: Aqui podemos ver o FAL no modelo mais difundido, conhecido como FN FAL 50.00. Este foi o modelo adotado pelo Exército Brasileiro, como armamento padrão em 1964. Mais recentemente o Exército passou a usar a versão M964 A1, Para FAL, apresentado abaixo que possui a coronha retratil e um cano mais curto, o que facilita seu uso em ambientes mais apertados como em viaturas, aeronaves e mesmo em combate na selva fechada.

NOVO FOLEGO PARA O VELHO GUERREIRO
Como dito anteriormente o FAL tem algumas qualidades que o tornam uma arma apreciada, principalmente para civis de nações onde o cidadão tem o direito de adquirir esse tipo de armamento. Nos Estados Unidos existe uma empresa chamada DSArms que produz versões atualizadas do FAL sob o nome de SA-58 e que tem tido sucesso comercial tanto entre os civis como entre alguns departamentos de polícia norte americanos. Embora as versões originais do FAL sejam produzidas por essa empresa, as versões customizadas com trilhos de acessórios picatinny  para fácil instalação de miras e de acessórios laterais na telha do fuzil e coronhas telescópicas são os modelos que mais chamam a atenção. Há versões modificadas para CQC (Close Quarter Combat) ou combate a curtíssimas distancia em ambientes fechados, conhecido como SA-58 OSW, com cano curto e equipada com grip de apoio sob a telha, lanterna, trilho picatinny integral na parte superior da arma, empunhadura do modelo usado nas metralhadoras M-249 Minimi da FN, que possui melhor ergonomia e um carregador de maior capacidade (30 tiros) que o FAL original (20 tiros). Outra versão que se destaca entre as muitas produzidas pela DSArms é a de tiro de precisão chamada de SA-58 SPR (Special Purpose Rifle), que se destaca por ter um cano mais longo, coronha totalmente regulável, bipé retrátil, gatilho “amaciado”, além dos trilhos picatinny integrais na parte de cima da arma e nas laterais da telha. Essa versão foi testada no programa SASS do Exercito dos Estados Unidos (US Army), que visava o fornecimento de um fuzil semi-automático de elevada precisão que acabou sendo vencido pelo modelo M-110 da Knight's Armament Company.

Acima: A empresa DSArms, dos Estados Unidos, produz o SA-58 SPR (Special Purpose Rifle) que competiu para fornecer um fuzil semi automático de precisão para o US Army (Exército dos Estados Unidos.

CONCLUSÃO
Embora possa parecer que eu tenha “pegado pesado” contra o FAL, não quero que pensem que não tenho respeito por este importante armamento que foi tão difundido no mundo. As criticas são validas por se tratar de um armamento cuja tecnologia, atualmente é algo ultrapassada sendo que novas armas, tanto no calibre 7,62X51 como em calibres menores são capazes de proporcionar significativas vantagens táticas para o combatente, seja ele um soldado ou um policial combatendo a marginalidade cada vez mais bem armada nos grandes centros urbanos. Porém, o FAL, devidamente atualizado, ainda prestará bons serviços para uso militar e policial por muitos anos, além de ser uma interessante aquisição para uso em tiro esportivo ou recreação nos mercados que armas não são um tabu como é no Brasil.
Acima: Aqui, temos um FAL 50.61 que tem as mesmas características do FAL 50.00, porém com coronha rebativel. este modelo também é usado no Exército Brasileiro.
Acima: O Exército da Inglaterra foi um usuário do FAL. A versão usada por eles é o L-1A1 que possui algumas diferenças do FAL padrão, como a tecla do carregador e o quebra chamas de maiores dimensões, e um guarda mão com apenas duas entradas de ar para refrigeração ao invés de 3 como no FAL padrão e a existência de fendas para escoar areia e água. É interessante notar que as peças, incluindo o carregador desta versão n]ao é intercambiável com o FAL padrão.

Acima: A foto acima apresenta Lucas Silveira, presidente do Instituto Defesa, que luta pela defesa do direito a o uso de armas de fogo para fins de defesa, esportivo e recreativos pelos civis brasileiros, em um teste que fez na fábrica de Itajubá com o modelo Para FAL M-964 MD1 para o canal do seu instituto.
Acima: Aqui temos uma versão bastante modernizada do FAL fabricada pela DSArms chamada de SA-58 OSW  (Operations Specialist Weapon).Notem o carregador para 30 munições, muito maior que a do FAL comum que usa 20 munições.



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