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terça-feira, 29 de setembro de 2020

BOEING B-52H STRATOFORTRESS. O vovô ainda está em forma!

B-52H
FICHA TÉCNICA
Velocidade de cruzeiro: Mach 0,69 (850 km/h)
Velocidade máxima: Mach 0,86 (1061 km/h)
Alcance: 14190 km.
Teto de serviço: 15150 m.
Propulsão: 8 motores turbofan Pratt & Whitney TF33-P-3/103 com 7711 kg de empuxo cada
DIMENSÕES
Comprimento: 48,5 m
Envergadura: 56,4 m
Altura: 12,4 m
Peso: 83250 kg (vazio) e 219600 kg (com máxima carga)
ARMAMENTO
31500 kg em armamento podendo ser as bombas guiadas por GPS GBU-30/31/32/37 JDAM, Bomba nuclear B-61, Bomba AGM-158 JASSM, Bomba de fragmentação CBU 87/89/97/103/104/105 e todas as bombas convencionais da família MK, mísseis de cruzeiro estratégicos AGM-86B  (nuclear), Mísseis anti navio AGM-84 Harpoon, e mísseis AGM-142A Have Nap.

DESCRIÇÃO
Por Carlos Junior
O tenso período da história humana conhecido como “Guerra Fria”, teve alguns protagonistas que acabaram dando um “rosto” para esta fase. Caças F-4 Phanton, MIGs-21, cruzadores da classe Kirov e os bombardeiros Tupolev Tu-95 Bear. Porém, do lado norte americano, nenhum outro sistema de armas leva tão bem a “cara” da guerra fria como o poderoso e imponente bombardeiro estratégico Boeing B-52 Stratofortress. Com suas asas enflechadas com uma envergadura gigantesca (56,4 metros), a maior em um avião de combate do mundo; seus 8 motores fumacentos e seu jeito desengonçado de decolar, o B-52 representou o poderio nuclear dos Estados Unidos durante toda a guerra fria. Mas o que mais chama a atenção é que, com seus 59 anos, ele continua em plena forma.
Mesmo tendo sido projetado para lançar bombas atômicas e mísseis de cruzeiro com ogivas nucleares sobre a União Soviética, a missão que o B-52 mais executou foi o de arrasar alvos sobre o Vietnam, Iraque e Afeganistão com bombas convencionais de queda livre e lançamento de mísseis de cruzeiro com ogivas convencionais.
Muitos modelos de aeronaves que objetivaram substituir o velho “Buff” (Big Ugly Fat Fellow) ou “cara feio grande e gordo” como o B-52 foi, carinhosamente, apelidado pela sua tripulação, foram entrando e saindo de operação, simplesmente por não serem capazes de cumprir, do mesmo jeito, as missões do velho B-52. A atual previsão sobre o futuro deste avião é a de que ele continue em operação até 2045, quando o projeto fará 90 anos. Se isto ocorrer, ele será o mais longevo avião de combate da história.
O protótipo XB-52 fez o primeiro voo em abril de 1952 e o B-52 é, ainda , uma peça fundamental para a capacidade de dissuasão norte americana! 
O modelo do B-52 em uso é a versão “H”, que entrou em serviço em outubro de 1962 e recebeu inúmeras melhorias no decorrer destes anos para adapta-lo aos novos desafios do moderno campo de batalha. Uma destas melhorias em relação aos modelos iniciais foi a troca dos motores fumacentos da família Pratt & Whitney J-57 pelos mais eficientes motores Pratt & Whitney TF-33 que proporcionaram maior autonomia por causa de seu menor consumo de combustível e maior potência, além de produzirem menos fumaça, que dava uma visibilidade indesejada para os B-52. Cada um destes motores (são 8) entrega uma potência de 7600 kgf ao B-52 e seu alcance de translado chega a incríveis 14190 km, ou seja, este bombardeiro pode voar até um alvo a qualquer lugar do planeta.
A versão atual do B-52H recebeu inúmeros aperfeiçoamentos e essas melhorias seguem em uma constante implantação.
A suíte de sensores e de guerra eletrônica instalada no B-52H é uma das mais completas dentre todos os aviões de combate da USAF (Força Aérea dos Estados Unidos). Logo a frente da aeronave, sob a fuselagem na altura da cabine, existe duas protuberâncias abriga o sistema AN/ASQ-151 EVS. O sistema possui um sensor infravermelho (FLIR) AN/ AAQ-6 desenvolvido pela Raytheon e por uma câmera de TV fabricada pela Northrop Grumman AN/ AVQ-22 que é usada para apoio em vôos de baixa altitude, um regime de voo que os B-52 precisaram se adaptar para poderem sobreviver a evolução dos sistemas de defesa antiaérea de alta altitude que os soviéticos haviam desenvolvido nos anos 60. O radar usado pelo B-52 é o Northrop Grumman APQ-166 que deverá ser substituído a partir de 2022 por um novo modelo que está sendo desenvolvido pela Raytheon e que terá varredura eletrônica ativa (AESA), mais capaz. O radar APQ-166 permite o seguimento de terreno para apoiar a navegação em vôos de baixa altitude, capacidade esta que será ampliada com a chegada do novo radar.
No campo da guerra eletrônica, o B-52H está equipado com um sofisticado sistema AN/ALQ-172(V)2 que faz a identificação dos sinais de radar inimigos e executa a interferência ativa para anular a efetividade destes sensores. Outros sistemas de guerra eletrônica instalados no B-52H são os detectores de radar AN/ALR-46 e o gerenciador de interferência (jammer) AN/ALQ-155 multibanda que presta uma cobertura de proteção eletrônica em volta de toda a aeronave. 
Existe um sistema que, eu, particularmente, acho interessante na suíte de guerra eletrônica do B-52H que é um gerador de alvos falsos AN/ALQ-122, desenvolvido pela Motorola, muito conhecido fabricante de celulares e rádios, com o objetivo de criar alerta falsos para os radares inimigos com o fim de ludibria-los. Para completar esta sofisticada capacidade de guerra eletrônica, um sistema de interferência AN/ALT-32 e um sistema de alerta de radar de cauda AN/ALQ-153 foram instalados.
Nesta foto, as setas amarelas apontam para as duas protuberâncias abaixo da parte da frente da fuselagem onde são posicionados os sensores do sistema AN/ASQ-151 EVS.
Durante meu trabalho de pesquisas para a produção das informações contidas no WARFARE, eu nunca tinha visto uma aeronave que não fosse dedicada para a especifica função de guerra eletrônica, ter um sistema de guerra eletrônica tão completo quando o do B-52H. Esta capacidade permitiu, inclusive, que o modelo fosse usado com o objetivo de atrapalhar as redes de radares inimigas em apoio a um ataque de outras aeronaves táticas, embora esta missão não seja sua especialidade.
O B-52 Stratofortress já é uma lenda vina na história da aviação militar mundial.
A capacidade de transporte de armamento do B-52H compreende 31500 kg de bombas e mísseis. As bombas podem ser de queda livre como a MK-82, MK-83 e MK-84, bombas guiadas por satélite como as da família JDAM, WCMD (bombas de fragmentação guiadas) e SDB, que permitem serem lançadas de maiores distancias e com muito melhor precisão que as bombas burras. Os mísseis de cruzeiro correspondem a outra parte do armamento deste poderoso bombardeiro. O míssil de cruzeiro Boeing AGM-86B, com alcance de até 2400 km etem guiagem feita por sistema TERCON que é um computador com dados sobre o relevo do caminho a ser percorrido até o alvo que permite um voo em baixa altitude seguindo o contorno deste relevo e dificultando ao máximo a detecção do míssil pelos radares de defesa aérea. Esta versão é armada com uma ogiva nuclear W-80-1 com cerca de 200 Kt de potencia. Para se ter um parâmetro do que representa esses “200 Kt”, basta observar que a bomba que explodiu a cidade de Hiroshima tinha cerca de 18 Kt de potência.
O míssil ar superfície israelense Popeye, chamado AGM-142 Have Nap, segundo a nomenclatura da USAF, é outra poderosa arma stand off (lançada longe do alcance das defesa inimigas) que o B-52H está qualificado a empregar. O AGM-142 é um grande míssil projetado para destruir alvos reforçados de grande porte. Para conseguir este efeito, o AGM-142 transporta uma pesada ogiva de 340 Kg fragmentada ou uma ogiva penetradora de 360 kg, para destruir bunkers. Seu sistema de guiagem é inercial e com o uso de um sensor infravermelho ou TV, dependendo da versão, na fase terminal do ataque. Seu alcance é de 80 km.
A modernização dos sistemas de armas do B-52H permitindo o emprego de bombas convencionais guiadas por GPS, como a GBU-31 JDAM de 907 sendo lançada nesta foto.
O B-52H pode, ainda, ser armado com bomba a nuclear de queda livre B-61 que, dependendo da versão, pode ter uma potência que varia de 0,3 a 350 Kt. Outra bomba nuclear que ele transporta é a B-83 cuja potência pode chegar até 1,2 megatons.Por ultimo, o B-52H pode ser muito bem usado em missões de interdição naval armado com minas navais ou até 8 mísseis antinavio AGM-84 Harpoon, guiados por radar ativo e com alcance de 130 km.
No segunde semestre de 2020, alguns bombardeiros B-52H estveram se exercitando em voos de longa duração pela Europa e Asia, onde eram escoltados por caças de forças aliadas. Aqui, um B-52H escoltado por dois caças F-15J Eagle da força aérea japonesa.
O dado a respeito dos muitos modelos de aeronaves foram projetadas visando substituir o velho BUFF, e acabaram sendo aposentadas antes dele, e isto, aparentemente, ocorrerá novamente, uma vez que quando o B-52 estiver chegando ao final de sua vida operacional, em 2045, o B-1B Lancer já deverá estar aposentado há mais de 10 anos. O uso de bombardeiros pesados está fadado à extinção graças ao incrível aumento da capacidade dos sistemas de defesa antiaérea, da capacidade dos aviões de interceptação e dos custos altíssimos de se desenvolver um avião desse tipo. O B-52 devera ser um dos últimos aviões convencionais de bombardeiro a estar em serviço.
Com a capacidade de reabastecimento em voo, o B-52H pode permanecer em voo por mais tempo do que as capacidades fisiológicas de sua tripulação.

Uma foto interessantíssima por mostrar um B-52H ao lado de dois bombardeiros estratégicos russos Tupolev Tu-95H Bear.




ÍNDICE DE AERONAVES MILITARES - WARFARE Blog



sexta-feira, 17 de maio de 2019

B-2A SPIRIT LANÇA BOMBA GBU-57A/B MOP - VÍDEO



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terça-feira, 24 de abril de 2018

BOMBARDEIROS ESTRATÉGICOS DOS ESTADOS UNIDOS

Neste interessante vídeo é explicado como a Força Aérea dos Estados Unidos usa seus bombardeiros estratégicos para vencer qualquer inimigo potencial.


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domingo, 7 de janeiro de 2018

TUPOLEV TU-160M BLACKJACK. Um gigante preparado para novos tempos

FICHA TÉCNICA
Velocidade de cruzeiro: Mach 0,82 (1000 km/h)
Velocidade máxima: Mach 1,89 (2000 km/h em alta altitude)
Alcance: 12300 km (travessia e sem reabastecimento)
Teto de serviço: 15600 m.
Propulsão: 4 turbofans Kuznetosov NK-32, com empuxo “seco” unitário de 13.700 kg e em regime de pós-combustão de 25.000kg
DIMENSÕES
Comprimento: 54,10 m
Envergadura: 55,7 m (asas abertas), 33,6 m (asas enflechadas)
Altura: 13,6 m
Peso: 110.000 kg (vazio) e 275000 kg (com máxima carga)
ARMAMENTO
40000 kg de capacidade de transporte de armas que podem ser na forma de doze misseis nucleares de cruzeiro Raduga Kh-55SM "Kent"ou sua versão convencional Kh-555 “Kent-A”, com o mesmo alcance, mas com ogiva de 400 kg de alto explosivo); 12 mísseis Kh-101/102; 20 bombas convencionais de planeio guiadas UPAB-1500; 12 mísseis nucleares de curto alcance Kh-15 "Kickback"

DESCRIÇÃO
Por Sérgio Santana
Curiosamente, a aeronave identificada como Tupolev Tu-160 “Blackjack” é o aperfeiçoamento dos projetos T-4MS e M-18/20, elaborados pelos escritórios rivais OKB-51 e OKB-23, liderados respectivamente por Pavel O. Sukhoi e Vladimir M. Myasishchev.
Em 28 de novembro de 1967 o governo soviético emitiu a ordem 1098-378, estabelecendo as especificações técnicas de um bombardeiro tripulado supersônico de alcance intercontinental armado com até quatro mísseis Kh-45 ou vinte Kh-22; velocidade máxima entre 3200-3500 km/h, na qual devia cobrir uma distância de 11.000-13.000 km voando a 18.000 metros. Estas e outras características deviam ser superiores à ameaça colocada pelo projeto norte-americano AMSA, cujo resultado final é o B-1B Lancer (já descrito no WARFARE).
Todavia, em fins de 1972, após os dois competidores terem analisado diversas configurações aerodinâmicas, o Alto Comando da Força Aérea decidiu que a nenhum deles seria autorizado o desenvolvimento: No que dizia respeito à Myasishchev isto se devia a que suas instalações, resumidas a um conjunto de prédios nos arredores de Moscou foram considerados incapazes de produzir uma aeronave com aquela complexidade, mesmo já tendo concebido o primeiro bombardeiro a jato soviético, o M-4, codificado pela OTAN como “Bison”; enquanto que relativamente à Sukhoi, o impedimento se baseava na crença de que o novo projeto ultrapassava a sua capacidade, já comprometida com variantes do Su-17 “Fitter-C” e o refinamento de projetos que se tornaram o Su-27 “Flanker” e Su-24 ”Fencer”. Assim, todos os resultados da pesquisa para o novo bombardeiro foram repassados ao OKB Tupolev, que embora ocupado com o desenvolvimento de aeronaves civis – o trijato Tu-154 e o supersônico Tu-144 – e militares, como o Tu-142 e Tu-22M, viu prevalecida a sua experiência no tipo de plataforma que o governo buscava, mesmo tendo frequentado as reuniões sobre tal assunto apenas como “ouvinte”.
Acima: Uma das poucas fotos do protótipo do Sukhoi T-4M Sotka, que visava dar a Força Aérea Soviética (VVS) um bombardeiro estratégico de alta velocidade (3000 km/h) para fazer frente ao programa norte americano XB-70. A complexidade e a mudança de prioridades da VVS naquela época, motivou o cancelamento do projeto.

NASCE O TU-160
Inicialmente denominado “Produto K” ou Tu-156 (identificação utilizada por um modelo quadrimotor especializado em funções AEW), o TU-160 se beneficiou especialmente do projeto M-18, do qual as ambiciosas especificações foram reduzidas ao considerado minimamente útil: a obtenção do desempenho resultante combinou asas de enflechamento variável, para se adaptar a cruzeiros subsônicos de longo alcance bem como às bruscas acelerações supersônicas; motores turbofans de baixo consumo – mesmo com a pós-combustão acionada – e elevada potência, testados sob um Tu-142LL. Ainda que a mobilidade das entradas de ar a princípio aumentasse o índice de reflexão-radar (uma das maiores preocupações devido às dimensões do modelo) esta foi atenuada pelo revestimento absorvente de radiação composto por grafite negro. Com o mesmo objetivo, a seção frontal dos propulsores foi protegida por telas especiais.
A suave interação das asas com a fuselagem também servia a este propósito, além de aumentar a sustentação e a eficácia aerodinâmica do conjunto cuja estrutura é formada principalmente por ligas de alumínio, na proporção de 58%, com ligas de titânio, aço de alta resistência e materiais compostos também integrando o Tu-160.
Como no bombardeiro experimental Sukhoi Su-100, as superfícies de controle do “Blackjack” são acionadas por impulsos elétricos (sistema FBW), organizados em uma rede capaz de resistir a três falhas totais (triplamente redundante), com o comando da aeronave final sendo exercido mecanicamente como último recurso. O enflechamento das asas também é automático, de acordo com os perfis de voo.
Durante os voos longos, a instalação de um pequeno forno e de um toalete visou ao conforto da tripulação, composta por comandante, co-piloto e os dois operadores, um para sistema ofensivo e outro para o defensivo, acomodados em assentos K-36OL (equipados com kits de sobrevivência NAZ-7), capazes de ejeção individual ou em sequencia, acionada por qualquer tripulante. Caso a ejeção ocorra sobre a água, há um bote inflável LAS-5M. Em missões a grande altitude, o traje anti-G e o capacete ZSh-7B, ambos equipamentos padrões, são substituídos por uniformes de pressão total Baklan”, similares aos dos cosmonautas.
Além do controle da aeronave, a tripulação tem de supervisionar mais de 100 computadores digitais, dos diversos complexos eletrônicos, oito dos quais destinados à navegação. Tais máquinas integram o sistema duplo de navegação inercial K-042K; a navegação estelar e por satélite (Glonass); a suíte de comunicações multicanal, com antenas acima e abaixo do convés de voo; o radar de seguimento de terreno “Sopka”, para voos a baixíssima altura; o radar de navegação/ataque “Obzor-K”, capaz de fornecer guiagem de meio curso a mísseis ar-superfície e, finalmente, a instrumentação de voo, que inclui itens do Tu-22M3 “Backfire-C”.
Foi esta aeronave, identificada como “Produto 70-00” que decolou em 18 de dezembro de 1981 sob o comando de Boris I. Veremey, acompanhado de Sergey T. Agapov, além dos navegadores Mikhail M. Kazel e Anatoliy Yeriomenko, para um voo de 27 minutos, no qual atingiu a altitude de 2.000 metros. Por essa mesma época a aeronave foi casualmente fotografada por um turista ao lado de dois Tu-144, resultando em uma foto de má qualidade durante muito tempo atribuída a satélites norte-americanos. Logo depois disso, o Tu-160 recebeu da OTAN o código “Blackjack”. A introdução do tipo em serviço ocorreu em abril de 1987, quando começou a ser distribuído ao 184º Regimento de Bombardeiros Pesados da base aérea de Priluki, na então república soviética da Ucrânia de onde foram deslocados para território russo em 1999 após demorada negociação.
Acima: O Tu-160 tem um layout aerodinâmico que lembra o bombardeiro norte americano B-1B, cujo desempenho é bastante inferior ao do modelo russo. Embora isso possa alimentar a "fértil imaginação" de quem acredita que o russo é uma copia do modelo americano, a verdade é que o projeto do Blackjack tem objetivos um pouco diferentes e mais exigentes que os do B-1B.

APARECENDO AO MUNDO
Curiosamente, as primeiras pessoas, fora da União Soviética, a verem um Tu-160 de perto eram parte de uma delegação norte-americana chefiada pelo então Secretário de Defesa Frank Carlucci, que chegou a entrar no “Blackjack”  codificado “Vermelho 12”, estacionado na base aérea de Kubinka em 2 de agosto de 1988. Anos depois, este exemplar foi batizado “ Aleksandr Novikov”, em uma tradição dos tempos soviéticos de dar nome de personalidades às suas aeronaves.
Por sua vez, o público civil tomou conhecimento amplo do tipo em 20 de agosto do ano seguinte, quando um exemplar de desenvolvimento executou um voo rasante sobre a multidão reunida em Tushino para o Dia da Aviação, mas ainda naquele ano um dos Tu-160 se aproximou do litoral canadense após um voo de 12 horas. E entre 24 e 28 de maio de 1990, um Tu-160 comandado em rodízio por Vladimir Pavlov e Sergey Ossipov estabeleceu 18 recordes ainda em vigor para a sua classe (C-1r, Grupo 3, “aeronave a jato com peso máximo de decolagem entre 200.000 e 250.000 kg”), inclusive o de velocidade máxima, 1.017 km/h com 30.000 kg de carga num circuito fechado de 5.000 km, na localidade de Podmoskovnoe.
Em 1991, outro “Blackjack”, identificado “Vermelho 17”, foi interceptado por um elemento de F-16A da Real Força Aérea Norueguesa, orgânicos do 331º Esquadrão baseado em Bødo, assim inaugurando uma prática que obteve grande destaque na mídia mundial em 2007, quando exercícios de larga escala provocaram a reação não só de interceptadores noruegueses, mas igualmente dos seus pares norte-americanos, canadenses e britânicos em um intervalo de poucos dias. Uma interessante  aparição do Tu-160 se deu em 10 de setembro de 2008, quando dois exemplares, “Aleksandr Molodchii” e “Vladimir Sen’ko” pousaram na base aérea venezuelana de El Libertador. Depois desta visita América do Sul, os grandes bombardeiros russos Blackjack voltariam a dar as caras por aqui, em 29 de outubro de 2013, quando pousaram, novamente no país país sul americano. É digno de nota que os caças IAI Kfir da Força Aérea Colombiana tiveram certa dificuldade em acompanhar o Blackjack em sua rota para a Venezuela.
Acima: Um dos primeiros encontros entre o Ocidente e o Tu-160 Blackjack foi protagonizado por dois caças F-16A noruegueses em 1991.
O Tu-160 tem um peso máximo de decolagem de 275.000 kg, o que inclui 148.000 kg de combustível T-8 em 13 tanques de combustível internamente, que dependendo da carga de armas a ser empregada na missão, não são preenchidos completamente, para permitir a aeronave decolar, e serem reabastecidos em voo até o máximo, por uma aeronave tanque. O alcance máximo do Tu-160 é de 12300 km, sendo assim, capaz de atingir, praticamente, qualquer ponto do planeta sem precisar de reabastecimento em voo, recurso este, disponível nesta impressionante plataforma de combate.
A velocidade máxima em grande altitude (acima de 11000 metros) chega a incríveis mach 1,89, o que representa 2000 km/ h, segundo informação passada pelo site da Tupolev. Este desempenho é possível graças a 4 poderosos motores Kuznetosov NK-32 fornecem um empuxo máximo de 25000 kg cada um! Por isso, o Tu-160 é, efetivamente, o mais rápido bombardeiro estratégico do mundo atualmente, e deve se manter nesta posição por décadas a frente.
Acima: O bombardeiro Tu-160 Blackjack é propulsado por 4 motores Kuznetosov NK-32 fornecem um empuxo máximo de 25000 kg cada.

O BLACKJACK NO SÉCULO XXI
Em fins de novembro de 2017 o “Valentin Blyzniuk”, primeiro exemplar resultado do programa de modernização do Tupolev Tu-160 “Blackjack”, designado Tu-160M, teve o seu roll-out, ou seja, foi removido para fora das instalações da Gorbunov Aircraft Works, na cidade de Kazan, onde esteve sendo submetido às modificações previstas.
Também conhecida como “Produto 70M” (Izdeliye 70M), a nova aeronave concretiza uma modernização de meia-vida do “Blackjack”, na qual todos os sistemas de missão do modelo original foram substituídos. Os primeiros trabalhos de design técnico do Tu-160M foram completados em outubro de 2014 e envolveram as seguintes modificações: a incorporação do radar Novella NVI.70 (no lugar do Obzor-K); o sistema de navegação K-042KM (que abrange o navegador inercial BINS-SP-1, o dispositivo de navegação astronômica ANS-2009M e um computador de navegação); o radar de navegação DISS-021-70, o receptor de navegação por satélite A737DP, o piloto automático ABSU-200MT e a suíte de comunicação S-505-70. Os dados de voo serão exibidos em um novo sistema de displays digitais, que substituirão os mostradores analógicos. Um novo dispositivo que deve ser incorporado é casulo Raduga APK-9E Tekon para uso com as bombas UPAB-1500.
Acima: Os 16 exemplares do Tu-160 construídos, serão modernizados para o padrão M2. Nesta foto podemos ver o processo de modernização em pleno funcionamento na fábrica da Tupolev.
Entretanto, é provável que outros sistemas do “Blackjack” original permaneçam no Tu-160M, a exemplo do ADF ARK-22, Radar Doppler DISS-7, do Sistema de Pouso por Instrumentos Kvitok e do Sistema de Dados Aéreos SVS-2ts-4; Complexo de Navegação e Pontaria Buk-K (controlado por oito computadores Orbita-20, responsável pelo voo semiautomático para a área de lançamento dos misseis, sua preparação e lançamento e retorno à base); radar de seguimento de terreno Sopka; o sistema Sprut-SM para inicialização e lançamento de misseis Kh-55SM; e, finalmente, o sistema de gerenciamento de dados pré-voo SVVI-70, parte do Sistema de Planejamento de Missão Sigma, da aviação estratégica russa. O mesmo se aplica ao sistema de auto defesa I232 Baikal-M, que abrange o sensor de infravermelho Ogonyok e o sensor de alerta radar Kiparis, os interferidores SPS-171/SPS-172 Geran-IDU/-2DU, AG-56 Sevan e os lançadores de chaff e flare APP-50 (24 lançadores com três cartuchos cada), localizados na parte inferior do cone de cauda da aeronave.
Antes de incorporar as modificações do “M” o “Valentin Blyzniuk” (nome do projetista-chefe da aeronave) e outros Tu-160, igualmente batizados com o nome de personalidades da história soviético-russa, tais como o “Andrei Tupolev” (o fundador do escritório de projetos fabricante do “Blackjack”), o “Vasiliy Reshetnikov” (piloto de bombardeiros estratégicos) e “Vasiliy Senko” (navegador de bombardeiros estratégicos, também da Segunda Guerra Mundial), passaram pelo estágio preliminar de modificações, conhecido como “Tu-160M1”, no qual receberam alguns dispositivos do Tu-160M.
Acima: O cockpit do Tu-160 é relativamente simples para os padrões atuais, porém, depois de sua modernização para o padrão M2, ele estará dentro dos atuais padrões de configuração onde muitos de seus instrumentos analógicos serão substituídos por sistemas digitais representados por telas MFDs.

EMPREGO EM COMBATE
Antes que o novo Blackjack seja oficialmente declarado operacional, entretanto, a sua versão padrão obteve o batismo de fogo em missões reais, sobre a Síria em 17 de novembro de 2015. Naquela data os Tu-160 “Vitaliy Kopylov” e “Vladimir Sudets” atacaram alvos do grupo terrorista Estado Islâmico com 16 mísseis Kh-101 lançados a partir do território iraniano. Nos dias seguintes o Tu-160 voltou àquele teatro de operações, lançando também misseis Kh-555. Para estas missões o Blackjack decolou da sua base em Engels, voando sobre o Mar Cáspio em direção aos seus alvos; contudo, para uma daquelas missões, em 20 de novembro, dois Tu-160 decolaram da Base Aérea de Olenyogorsk, contornou a Noruega e as Ilhas Britânicas, entrou no Estreito de Gibraltar e percorreu toda a extensão do Mar Mediterrâneo para disparar oito misseis Kh-555 em alvos na Síria. A rota de retorno envolveu sobrevoar Síria (quando foram escoltados por caças Su-30SM), Iraque, Irã e o Mar Cáspio, e após tudo esse percurso, pousaram em Engels. Todo o voo cobriu mais de 13000km.
Acima: Aqui um Tu-160 lança um míssil de cruzeiro (provavelmente um Kh-55) contra um alvo do Estado Islâmico em território sírio. A foto foi feita a partir de um caça Su-30SM. Observe que um segundo caça Su-30SM aparece nesta foto embaixo e um pouco atrás do Blackjack.

AS GARRA DO URSO
No que se refere a armamentos, o Tu-160M tem a mesma capacidade do “Blackjack” original, ou seja, 40.000kg de mísseis e bombas transportados exclusivamente em dois compartimentos internos na fuselagem, que medem 11.28m de comprimento, 1.92m de largura e 2.4m de profundidade.
As opções de cargas incluem: Até doze misseis nucleares de cruzeiro Raduga Kh-55SM (AS-15 “Kent”, com 3500km de alcance e ogiva de 200 Kt (quilotons), ou sua versão convencional Kh-555, AS-15 “Kent-A”, com o mesmo alcance, mas com ogiva de 400 kg de alto explosivo) em dois lançadores giratórios sêxtuplos; a mesma quantidade de misseis Kh-101/102 (ambos com alcance de até 5000km, mas com ogiva nuclear de 250 kt no primeiro modelo e convencional de 400 kg no segundo); mais de 20 bombas convencionais de planeio guiadas a por sensor eletro-optico (EO) de 1500kg UPAB-1500, com alcance de 70 km.
Acima: Aqui podemos ver com mais detalhe o sistema MKU-6-5U de lançamento rotativo de mísseis usado no TU-160.
A Russia herdou 16 exemplares do Tu-160 Blackjack e que estão sendo modernizados. Porém, foi reaberto a linha de montagem para que sejam construídos mais 34 unidades que já sairão da linha de montagem na versão Tu-160M2, versão definitiva, à proporção de três exemplares por ano, que servirão à aviação estratégica russa por pelo menos quatro décadas, com entrada em serviço planejada para 2021. Estas poderosas aeronaves continuarão a serem empregadas ao lado do futuro bombardeiro estratégico russo PAK DA, atualmente em fase de projeto.
Acima: O Tu-160 faz uso de um sistema de asas de geometria variável, como um T-22M3 e o bombardeiro norte americano B-1B, o que lhe permite otimizar a navegação em velocidades altas ou baixas.

VÍDEO


VÍDEO MOSTRANDO O TU-160 EM AÇÃO NA SÍRIA.

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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

XI’AN HONGZHAJI H-6H/H-6K. O longo braço do dragão chinês.

FICHA TÉCNICA
Velocidade de cruzeiro: Mach 0,75 (918 km/h)
Velocidade máxima: Mach 0,80 (992 km/h)
Alcance: 4300 km.
Teto de serviço: 12800 m.
Propulsão: Dois turbojatos Xi’an WP-8 (nos H-6E, H-6H e H-6M), com potência de 9.310 kg cada; dois turbojatos Soloviev D-30KP-2 redesignados como Xi’an WP-18 (nos H-6K), com potência de 12.000 kg cada.
DIMENSÕES
Comprimento: 36,25 m
Envergadura: 34,19 m.
Altura: 10,36 m
Peso: 36600 kg (vazio) e 75800 kg (máximo na decolagem)
ARMAMENTO
9000 kg no compartimento interno (versão H-6E) em bombas de queda livre ou mesmo guiadas. Já na versão H-6K , 5500 kg transportados exclusivamente nos 6 pontos fixos subalares e que são compostos por mísseis de cruzeiros como o CJ-10K e o YJ-63/KD-63, Mísseis anti navio YJ-12 e CM-802.

DESCRIÇÃO
Por Sérgio Santana
Nos últimos tempos manchetes acerca da escalada de tensão entre Estados Unidos e China por conta das disputas de hegemonia motivadas pela situação de Taiwan (considerada pelo governo chinês como uma “província rebelde” e uma nação autônoma pelo Ocidente) e da soberania das águas territoriais do Mar do Sul da China (envolvendo Vietnã e Filipinas, dentre outros países) tem ocupado os noticiários internacionais, inclusive com a liderança militar em Pequim tendo anunciado que “tecnicamente já está em guerra contra os EUA”.
Isto naturalmente aumenta o interesse dos estudiosos e aficionados em temas militares, muitos dos quais já conhecem os bombardeiros estratégicos norte-americanos que provavelmente seriam empregados caso um conflito entre as duas potências seja realmente deflagrado, os Rockwell B-1B Lancer, Northrop B-2 Spirit e B-52H Stratofortress.
Entretanto, para uma boa parte dos interessados em tecnologia militar e ainda mais para o grande público, o Xi’an Hongzhaji H-6 (pronunciado “Rongjaji”, bombardeiro no idioma mandarim), a contra-parte chinesa daquelas aeronaves, permanece envolto em segredo.
Acima: Nessa foto podemos ver um bombardeiro russo Tupolev Tu-16 Badger sendo escoltado por um caça F-14ATomcat da marinha dos Estados Unidos. O Tu-16 foi a base do desenvolvimento dos bombardeiros chineses Xi'an Hongzhaji H-6.
A sua história remonta a 1956, quando a liderança soviética propôs uma força nuclear conjunta entre a China e a União Soviética, o que foi recusado pelos lideres chineses. Em lugar da proposta, em setembro de 1957, os soviéticos concordaram em estabelecer uma linha de montagem do bombardeiro médio Tupolev Tu-16 (“Badger” para a OTAN) na cidade chinesa de Harbin. Três exemplares da aeronave chegaram à China entre janeiro e maio de 1959.
Embora o primeiro exemplar do Tu-16 fabricado na China só tenha voado oficialmente pela primeira vez em 24 de janeiro de 1968, devido a contratempos políticos e à decisão de mover a linha de montagem para Xi’an, dois deles foram montados ainda em 1959 e em meio aos tradicionais testes de aceitação de fábrica, que precediam às avaliações operacionais, um daqueles bombardeiros foi equipado com um compartimento de bombas refrigerado para armas nucleares. Assim, no que foi o primeiro passo na direção do emprego do H-6 como o único vetor estratégico chinês para armas nucleares até o momento, o tipo lançou no campo de testes de Lop Nor a primeira bomba nuclear aerotransportada chinesa, designada A29-23, com potência de 22 quilotons, em 14 de maio de 1965, bem como o primeiro artefato termonuclear chinês, conhecido como H639-23, com a potência de 3.3 megatons, em 17 de junho de 1967.
Acima: O Bombardeiro H-6 foi o primeiro bombardeiro com capacidade estratégica da China. Assim foi a aeronave que participou do desenvolvimento e testes das primeiras bombas atômicas da potência asiática.

As versões nucleares do H-6
A primeira variante do H-6 destinada ao emprego de armamento nuclear foi a H-6E, equipada com navegação inercial/GPS, contramedidas eletrônicas e de apoio aperfeiçoadas, cockpit remodelado e motores mais potentes, entrando em serviço no final da década de 1980.
A década seguinte presenciou a introdução do H-6H, capaz de levar dois misseis sob as asas, mas sem armamento no compartimento de bombas ou armamento defensivo, originalmente composto por sete torretas com canhões AM-23 de 23mm.
Das versões estratégicas do H-6 a mais recente é a “K”, grandemente remodelada: o seu cockpit para três tripulantes possui seis mostradores multifuncionais, radome maior e a aeronave é propulsada por dois motores D-30KP-2, os mesmos do Ilyushin Il-76 que produzem 12000 kgf de empuxo máximo. O H-6, em qualquer uma de suas versões, não possui um alcance muito longo, como os bombardeiros estratégicos russos e norte americanos. São 4300 km de alcance de travessia. Desempenho similar a de um caça bombardeiro da família Flanker e muito menor que o de um B-52, por exemplo, que pode chegar a mais de 16000 km.
Acima: Aqui podemos ver o H-6K, a versão mais avançada do bombardeiro chinês. As entradas de ar com maiores dimensões e os seis cabides externos para mísseis caracterizam o modelo.

Aviônicos e Armamento
O H-6K possui TV/FLIR, SATCOM e datalink, MAWS e RWR. No que concerne ao armamento, o H-6E era armado com bombas nucleares de queda livre apenas, derivadas dos já mencionados artefatos lançados em testes.
O H-6H pode ser armado com dois misseis CHETA YJ-63/KD-63, considerados os primeiros misseis de cruzeiro de longo alcance chineses. A arma, que entrou em operação em 2004/2005, mede sete metros, possui altitude de lançamento entre 200 e 500 m, alcance entre 20 e 185 km, velocidade de 900 km/h, altitude de voo entre 7 e 1.000 m, com múltiplos sistemas de direcionamento conforme a fase do voo (inicialmente inercial, depois datalink de comando, seguido de GPS e por fim TV). A ogiva pesa 500kg.
O H-6K, que é a versão mais recente do H-6 não transporta armas internamente e recebeu seis pontos fixos externos subalares para misseis YJ-63/KD-63 ou CASIC CJ-10K. Este míssil, baseado no russo Kh-55, entrou em serviço em 2013 e usa navegação inercial, comparação de relevo e correlação digital de cena e mapeamento na ultima fase do voo. Mede 6.30 m, possui alcance de 2.500 km, velocidade de Mach 0.8 e ogiva de 500 kg ou nuclear de potência desconhecida, mas estimada em 200-300 quilotons. A precisão é citada como sendo dez metros.
Acima: O H-6K transporta suas armas exclusivamente em seus cabides externos, não tendo capacidade de transporte de armas internamente como nas versões inicias do H-6.

Produção
Estima-se que tenham sido produzidos pouco mais de 200 H-6 de todos os modelos, incluindo versões de guerra eletrônica e reabastecimento em voo. O único que permanece em produção é o H-6K, que foi introduzido em 2012 para uma vida operacional além do ano de 2020.
A China tem apresentado um desenvolvimento robusto e rápido de suas forças armadas e já anunciou estar desenvolvendo um novo bombardeiro estratégico que, muito provavelmente acabará por aposentar os H-6K até o final da próxima década. Contudo, vale observar que com uso de armas de longo alcance, a capacidade stand off, que é conceituada como a capacidade de um ataque ser feito longe do raio de ação das defesas inimigas, o H-6 é um vetor a ser respeitado e considerado dentro das estratégias de qualquer oponente que for enfrentar os chineses.
Acima: Aqui podemos ver um caça Su-30MKK escoltando um bombardeiro H-6. Dado a vulnerabilidade do H-6, o uso de escoltas deverá ser frequente em caso de guerra.

VÍDEO


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segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

ROCKWELL B-1B LANCER. O longo braço estratégico da América

FICHA TÉCNICA
Velocidade de cruzeiro: Mach 0,90 (1150 km/h)
Velocidade máxima: Mach 1,25 (1335 km/h)
Alcance: 9400 km.
Teto de serviço: 18000 m.
Propulsão: 4 motores General Electric F-101-GE-102 com 13692 kg de empuxo cada.
DIMENSÕES
Comprimento: 44,5 m
Envergadura: 41,8 m (asas abertas), 24,1 m (asas enflechadas)
Altura: 10,4 m
Peso: 87100 kg (vazio) e 216400 kg (com máxima carga)
ARMAMENTO
23000 kg em armamento externo, mais 34000 kg de armas em 3 compartimentos internos. As armas integradas são as bombas guiadas por GPS GBU-30/31/32/37 JDAM, Bomba AGM-154 JSOW, Bomba nuclear B-61, Bomba AGM-158 JASSM, Bomba de fragmentação CBU 87/89/97/103/104/105 e todas as bombas convencionais da família MK.

DESCRIÇÃO
Por Carlos E.S. Junior
A história sobre o bombardeiro B-1 é bem complicada e pode-se dizer que o modelo é um verdadeiro sobrevivente de diversos fatores que quase cancelaram o seu desenvolvimento. O B-1 foi pensado para ser um bombardeiro supersônico capaz de atingir a velocidade de mach 2 em altas altitudes e que fosse capaz de penetrar em território soviético que era pesadamente bem defendido que já havia demonstrado, na pratica, a sua eficiência de seus sistemas antiaéreos derrubando um jato de espionagem U-2 do famoso piloto Francis Gary Powers. Antes do B-1, na década de 50, os Estados Unidos estavam desenvolvendo o incrível bombardeiro North American XB-70 Valkyrie, capaz de voar a mach 3.1 (3309 km/h) em altas altitudes, porém com o evidente avanço dos mísseis anti aéreos (SAM) soviéticos esse avião não poderia sobreviver em uma missão de ataque de penetração sobre o território soviético e em 1961 o programa foi cancelado, porém existia a necessidade de um bombardeiro que conseguisse executar a incursão em território soviético sem ser abatido e a partir daí, surgiu, em 1965, o programa AMSA (aeronave estratégica avançada) que a partir de 1969 acabou sendo renomeado de B-1. A empresa Rockwell ganhou o contrato para seu desenvolvimento.
O B-1 apresentou uma aparência bastante marcante, com asas com enflechamento variável que se fechavam em velocidades supersônicas para diminuir sua resistência aerodinâmica, além de seus motores estarem montados abaixo na fuselagem ao estilo concorde. Era claro que se tratava de uma aeronave complexa demais além de cara. Mesmo assim, com os elevadíssimos custos deste programa e a possibilidade de se desenvolver um bombardeiro furtivo, usando a nova tecnologia que estava em testes no jato Have Blue, que resultaria no avião de ataque F-117 Nighthawk, e que geraria o bombardeiro B-2 Spirit mais tarde, o projeto do B-1 foi cancelado pelo governo norte americano em 1977. A USAF (força aérea dos Estados Unidos) manteve os testes e avaliações do B-1, mesmo com o programa, oficialmente, engavetado.
Acima: O complexo protótipo do bombardeiro XB-70 Valkyrie foi cancelado quando os soviéticos demonstraram sua capacidade de destruir aeronaves rápidas em voo em altas altitudes, abrindo caminho para a concepção do bombardeiro B-1.
Em 1981 o presidente Ronald Reagan reabriu o desenvolvimento do B-1 porém foi exigido que o avião fosse extensivamente modificado para atingir novos requisitos que culminaram com uma nova versão do avião chamada B-1B, entrando em serviço em setembro de 1986. Um dos requisitos era que o avião fosse muito difícil de ser detectado pelos radares inimigos, sendo que o resultado desse desenvolvimento foi que o B-1B tem apenas 10% do RCS (sessão cruzada de radar) do seu antecessor, o B-52. As modificações nas entradas de ar do avião assim como outras fizeram que a velocidade máxima caísse de 2300 km/h para 1335 km/h em altas altitudes, e a velocidade máxima em baixa altitude aumentou de 960 km/h para 1040 km/h, mostrando que o avião foi otimizado para penetração a baixa altitude, já que a grandes, ele se tornaria um alvo fácil para a poderosa defesa aérea soviética. A propulsão do B-1B é fornecido por 4 poderosos motores General Electric F-101-GE-102 com 13692 kg de empuxo cada. O alcance do B-1B, chega a 9400 km, dando capacidade de infringir ataques contra alvos em qualquer parte do mundo.
Acima: Propulsado por 4 potentes motores turbofans General Electric F-101-GE-102 que fornecem 13692 kg de empuxo, com pós combustores ligados, cada um.
Após a guerra fria, o B-1B passou por uma nova modernização que o transformou de um bombardeiro nuclear especializado, para um bombardeiro capaz de executar ataques convencionais, tornando seu uso mais flexível e útil para a USAF, que não tinha mais um inimigo que justificasse um bombardeiro exclusivamente para ataques nucleares. Já nesse ponto a Rockwell, fabricante do B-1, vinha tendo diversos problemas financeiros e acabou sendo vendida para a Boeing em dezembro de 1996, passando a responsabilidade das futuras modernizações e desenvolvimentos para o famoso fabricante do B-52.
O B-1B é uma aeronave difícil e cara de manter, só sendo possível seu uso pela força aérea dos Estados Unidos que é generosamente contemplada com altos orçamentos anuais. Mesmo assim, deve-se observar que o B-1B é o avião com maior capacidade de carga bélica do arsenal norte americano, podendo transportar até 34000 kg de bombas ou mísseis internamente mais 23000 kg de armas externamente, o que lhe capacita a causar um sério estrago no inimigo. O B-1B pode transportar, atualmente, praticamente todas os modelos e tipos de bombas do arsenal norte americano, sendo que as ultimas armas guiadas por GPS como as bombas da família JDAM e JSOW permitiram um aumento radical da letalidade e eficácia do B-1B. Com essas armas, o B-1B faz, sozinho, o serviço de um esquadrão de caças F-16. Também fazem parte do arsenal do B-1B, bombas de fragmentação como as CBU 87/ 89 e 97 capazes de, individualmente, espalhar centenas de pequenas granadas ou minas em uma extensa área, saturando o campo de batalha.
Além dessas armas convencionais, o B-1B pode, tecnicamente, transportar a bomba nuclear B-61 com rendimento de até 340 kt, em sua mais recente versão, a Mod-7. Ao todo podem ser transportadas 16 bombas nucleares desse tipo, porém, devido a um tratado de limitação de armas nucleares assinado com os russos.
Acima: Nesta foto, o poder de fogo do B-1B mostra a 'semeadura" de dezenas de bombas MK-82 Snakeye, de alto arrasto e com 227 kg.
O radar do B-1B é um Northrop Grumman APQ-164 com capacidade multímodo de varredura eletrônica que fornece mapeamento do terreno com alta resolução e permite, modo de seguimento do terreno, dados de velocidade e posicionamento além de informações meteorológicas.
Um fato interessante sobre o B-1B é que ele possui uma suíte de guerra eletrônica extremamente avançada que lhe permite uma alta imunidade contra sistemas de defesa antiaérea. Essa suíte é o sistema EDO Corporation AN/ ALQ-161, que produz interferências contra os radares inimigos e atua de forma integrada ao lançador de iscas infravermelhas (IR) AN/ALE-49 que representa o maior sistema de lançamento de iscas IR instalados num avião, atualmente. Para despistar mísseis guiados por radar, o B-1B usa o sistema AN/ALE-50 Towed Decoy System que lança iscas magnéticas shaff que embaralham o radar do míssil impossibilitando a ele distinguir o que é o avião alvo dos outros ecos radar produzido pelas iscas. O sistema de alerta de radar (RWR) AN/ALR-56 alerta ao piloto quando o B-1B foi rastreado por algum radar hostil permitindo que o piloto e o navegador tomem as medidas necessárias para se evadir de um ataque. Depois de uma modernização efetuada em 2009, o B-1B recebeu a integração do pod designador de alvos Sniper que integra um sistema FLIR e um iluminador a laser que fornece a capacidade de atacar com precisão alvos em movimento. Esse recurso permite ao B-1B operar como uma plataforma de apoio aéreo sobre o campo de batalha, flexibilizado seu emprego.
Acima: Atualizado, o atual cockpit do B-1B recebeu 4 telas multifuncionais que substituíram muitos os instrumentos analógicos originalmente instalados na aeronave. A tripulação de um B-1B é composta por piloto, copiloto, operador de sistemas defensivos e operador de sistemas ofensivos.
Hoje com 62 unidades em serviço, de 100 produzidas o B-1B responde por uma importante parcela na responsabilidade da dissuasão estratégia norte americana. O programa de desenvolvimento de um novo bombardeiro chamado de LRSP (Long Range Strike Plataform), em que diversas propostas foram estudadas, a Boeing ofereceu uma versão muito modernizado do B-1, chamada de B-1R que possui sistemas aviônicos muito mais avançados, incluindo um novo radar e até capacidade de lançar misseis ar ar para auto defesa, além de ter a velocidade máxima aumentada para mach 2.2. Porém essa proposta nunca saiu do papel pois os requisitos deste novo bombardeiro mudaram e hoje teve escolhida uma aeronave subsônica stealth batizada de B-21 Raider que será fabricado pela Northrop Grumman e deverá entrar em serviço em meados da década de 20.
Acima: As asas de enflechamento variável são uma das características que chamam a atenção no projeto do B-1B.

Acima: Os pilotos do B-1B entram na aeronave por uma escada retrátil abaixo da fuselagem, logo atrás do trem de aterrissagem frontal.


VÍDEO


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