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segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

ARTE MILITAR: O FAL na Batalha de Long Tan no Vietnã


Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 3 de janeiro de 2022.

Cena da famosa Batalha de Long Tan em 1966, de status legendário na História Militar da Austrália, e da sua participação na Guerra do Vietnã. A ilustração de Steve Noon faz parte do livro The FAL Battle Rifle, de Bob Cashner para a série Weapon da Osprey Publishing. O capítulo foi traduzido no blog aqui.

A batalha evidenciou a confiabilidade do FAL em situações adversas, funcionando com água e lama sob pesada chuva de monção. A versão australiana do FAL, fabricada em Lithgow, seguia o padrão britânico de medidas no sistema imperial e era designado Self-Loading Rifle 1A1 - literalmente Fuzil Auto-Carregável L1A1 - com o acrônimo SLR. A versão fuzil-metralhador (FM) do L1A1, de cano pesado para tiro contínuo, foi designada L2A2 e é semelhante ao FAP, mas com um sistema de bipé dobrando como guarda-mão. O fuzil automático L1A1 foi chamado pelo relatório oficial australiano de "arma excepcional da ação".

Descrição da ilustração:

O FAL no Vietnã

Em 18 de agosto de 1966, em Long Tan, no Vietnã do Sul, elementos da Companhia D, 6º Batalhão, O Regimento Real Australiano, fizeram contato com o que viria a ser um regimento vietcongue apoiado por pelo menos um batalhão das forças do exército norte-vietnamita. Os australianos foram logo detidos aferrados ao terreno em uma plantação de borracha, assim que as chuvas de monção começaram a cair. Apesar do mar de lama e água, os fuzis de carregamento automático L1A1 dos australianos deram um desempenho extremamente confiável, o relatório oficial pós-ação chamando o SLR de "arma excepcional da ação".

O soldado mostrado aqui trocando o carregador não poderia fazê-lo tão frequentemente; a carga básica oficial na época era de um carregador de 20 tiros na arma e quatro suplementares, para um total de 100 tiros de munição. Carregadores vazios deveriam ser recarregadas de bandoleiras.

Este sistema, é claro, provou-se inadequado para o combate. Apenas um ousado lançamento de pára-quedas de reabastecimento de um helicóptero em baixa altitude impediu a Companhia D de ficar totalmente sem munição durante o combate. O comandante da companhia recomendou oito carregadores por homem após a batalha.

Embora o Exército Australiano tenha adotado a versão FM L2A2 de cano pesado do FAL e tenha começado a fazer melhorias muito promissoras na arma, a adoção da metralhadora americana M60 em 7,62 mm OTAN, vista aqui, levou ao fim do L2A2.

- Bob Cashner, The FN FAL Battle Rifle, pg. 54.

Recentemente, a batalha foi imortalizada no filme australiano Danger Close: The Battle of Long Tan (2019).

Trailer do filme Danger Close


Bibliografia recomendada:

The FN FAL Battle Rifle.
Bob Cashner.

domingo, 16 de janeiro de 2022

FOTO: Operadores paquistaneses com fuzis FN F2000

Homens da Ala de Serviços Especiais da Força Aérea do Paquistão carregando fuzis FN F2000 durante um treinamento no Fort Lewis, em Washington, nos Estados Unidos, em 23 de julho de 2007.

O funcionamento do FN F2000


Leitura relacionada:

LAPA FA Modelo 03 Brasileiro, 9 de setembro de 2019.

GALERIA: O FAMAS em Vanuatu22 de abril de 2020.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

A Rússia espera resolver o atraso com a FAN e lançar uma fábrica de fuzis em 2022


Por Sofía Nederr, Tal Cual Digital, 29 de dezembro de 2021.

Tradução Filipe do A. Monteiro, 5 de janeiro de 2022.

Resumo: A Rússia aspira resolver o atraso que tem com a Força Armada Nacional (Fuerza Armada NacionalFAN) e lançar a fábrica para a produção de fuzis AK-103 Kalashnikov, na Venezuela, para o próximo ano de 2022. A porta-voz do Serviço Federal de Cooperação Militar e Técnica (Federal Service of Military-Technical CooperationFSMTC) da Rússia, Valeria Reshétnikova, relatou que especialistas russos começaram a preparar o equipamento de processo e as linhas de montagem.

A Rússia aspira a solucionar o atraso que tem com as Forças Armadas Nacionais (FAN) e lançar a fábrica para a produção de fuzis AK-103 Kalashnikov, na Venezuela, para o próximo ano de 2022.

A porta-voz do Serviço Federal de Cooperação Militar e Técnica (FSMTC) da Rússia, Valeria Reshétnikova, informou que “os especialistas russos começaram a preparar os equipamentos de processo e as linhas de montagem. Esperamos lançá-lo em 2022”.

Em agosto de 2021, após anos de atraso, a Rússia garantiu que se aproximava a entrega da fábrica de fuzis AK-103 e munições 7,62x39 na Venezuela.

Reshétnikova, em declarações à Spunitk, disse que apesar da situação epidemiológica e das sanções dos Estados Unidos, as obras finais na fábrica estão sendo realizadas em ritmo acelerado em cooperação com a Venezuela.

Foi em 2001 que foi assinado o contrato para a produção de armas e munições Kalashnikov na Venezuela. Em outubro deste ano, o enviado especial da Presidência, Adán Chávez, visitou Moscou e lembrou que o governo de Nicolás Maduro espera que as obras de construção da fábrica de fuzis Kalashnikov sejam concluídas no segundo semestre de 2022.

Em 2005, a Força Armada Nacional (FAN) adquiriu 100.000 fuzis de assalto AK-103 Kalashnikov da estatal russa Rosoboronoexport. Nesse sentido, o contrato incluiu a fábrica dos equipamentos no país que já foi anunciada em diversas ocasiões.


Segundo o portal Russia Beyond, segundo informações do dia 17 de setembro, a entrega da fábrica está cada vez mais próxima. Conforme informado, espera-se que as últimas máquinas para a linha de montagem e os equipamentos para os sistemas de engenharia e suporte sejam fornecidos, em Puerto Cabello, nos próximos meses.

“A fábrica de fuzis começará a operar no final de 2019. Acompanhamos constantemente as obras. Esta indústria é de importância estratégica vital para a independência da Venezuela”, anunciou o ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, em 2018.

O Russia Beyond disse que, em 2015, o chefe da empreiteira, o ex-senador Sergei Popelniujov, foi preso sob a acusação de desviar mais de um bilhão de rublos destinados à construção das fábricas para a Venezuela. Em dezembro de 2016, o oficial Dmitri Rogozin informou que a fábrica estava apenas parcialmente construída, sem janelas, portas ou eletricidade, mas prometia seu funcionamento em 2019.

De acordo com o Instituto Internacional de Pesquisas para a Paz de Estocolmo (SIPRI), 65% das armas compradas pela Venezuela nos últimos 11 anos vêm da Rússia.

O acordo com a Rússia


Os acordos com a Rússia incluíram centros de treinamento para helicópteros, também incluem centros de manutenção para aeronaves de combate Su-30MK2, a instalação de uma fábrica para a fabricação de fuzis AK-103/AK-104 e outra para a fabricação de munição calibre 7,62×39mm. Isso está registrado em um relatório do Control Ciudadano.

Em abril de 2019, chamou a atenção a presença de um grupo significativo de militares russos na Venezuela, mas posteriormente foi dito que se deveram ao cumprimento de parte da dívida técnica com a FAN no âmbito dos acordos de cooperação técnica bilateral iniciados em 2005, com Hugo Chávez. Esses acordos envolvem também o treinamento de pessoal militar.

Na ocasião, a estatal russa Rosoboronoexport anunciou a inauguração do Centro de Instrução e Treinamento Simulado Conjunto “GB Oscar José Martínez Mora”, no estado de Yaracuy. É um centro de treinamento de pilotos no manejo dos helicópteros Mi-17V5, Mi-35M e Mi-26T, adquiridos durante o governo de Hugo Chávez.

A Relação da Venezuela com a Rússia é fortalecida


O embaixador da Rússia na Venezuela, Sergey Melik-Bagdasarov, disse que Moscou e Caracas estão trabalhando para encontrar novos destinos turísticos para os russos que desejam visitar o país.

"Os venezuelanos, em cooperação com os operadores turísticos russos, estão trabalhando ativamente para expandir a geografia das rotas turísticas", disse Mélik-Bagdasarov em entrevista ao Sputnik.

De fato, em maio de 2021, foi estabelecido o serviço aéreo regular e direto entre Moscou e Caracas. De acordo com Mélik-Bagdasarov, o destino mais procurado ainda é a ilha de Margarita, que recebeu cerca de 6.000 turistas russos de setembro a dezembro deste ano.

Em outubro de 2021, Caracas e Moscou assinaram novos acordos sobre cooperação energética, finanças, cultura, esportes, saúde, turismo e comunicação, como parte da XV Comissão Intergovernamental de Alto Nível (CIAN). Esses acordos somam-se aos 264 acordos em 20 áreas estratégicas firmados nos últimos 20 anos.

Leitura recomendada:

Selva de Aço: A História do AK-103 Venezuelano, 13 de fevereiro de 2021.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

Tec Target Schneider: O novo fuzil de precisão bullpup alemão

Modelo Hanna Selena com um fuzil bullpup Tec Target Schneider calibrado em .338 Lapua Magnum.
(@hanna.selena)

Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 30 de dezembro de 2021.

Em 2020, a Tec Target Schneider (TTS) da Alemanha, e seu parceiro de vendas IEA Mil-Optics GmbH, apresentou o fuzil bullpup TTS Xceed, de longo alcance e ferrolhado. Trata-se de um desenho modular e ergonômico com uma aparência futurista, oferecendo calibre rápido e intercambiabilidade do cano. O fuzil entrou em produção na Tec Target Schneider GmbH em 2021, principalmente visando o mercado civil.

Esse novo fuzil foi projetado por Hubert Schneider, um armeiro de Baden-Württemberg que se especializou no projeto e fabricação de armas de precisão, tendo desenvolvido muitas com suas empresas anteriores, como Mauser, Rheinmetall e DSR-Precision.

O TTS Xceed tem a configuração bullpup (com a ação atrás do gatilho) de forma semelhante à plataforma DSR-1, outra plataforma sniper alemã adotada por unidades especiais européias como o famoso GSG-9 alemão. Por ser modular, existem vários comprimentos de cano, guarda-mão e calibres disponíveis; como por exemplo o 6x47 Lapua, o 6,5 Creedmoor, o .308 Winchester, o .300 Win Mag e o .338 Lapua Magnum (como na versão usada por Hanna na foto do topo).

O Xceed em valise.

O Xceed é considerado "o resultado de muitos anos de experiência no desenvolvimento e produção de fuzis desportivos e de precisão"; ele também é anunciado como um sistema de franco-atirador modular com muitas peças que podem ser trocadas por outros acessórios.

O fuzil também possui um descanso de bochecha ajustável, bem como um bipé que pode ser ajustado para comprimento e altura. O quebra-chama do fuzil é feito de titânio revestido com um carbono semelhante a diamante, enquanto o cano é revestido de aço inoxidável e pode ser alterado em minutos para um calibre diferente. A arma é fabricada em comprimentos padrão e compactos.

Bipé TTS de fábrica.

O bipé dedicado do fuzil TTS Xceed é fortemente baseado no design do bipé emitido pelo DSR-1 e pode ser considerado sua evolução direta. Ele se conecta ao trilho superior, bem na guarda-mão, pode ser reposicionado para mudar o equilíbrio do fuzil dependendo da posição de tiro, pode ser empregado de forma fácil e silenciosa com uma única mão e é facilmente ajustável.

A parte inferior do guarda-mão vem com ranhuras M-LOK, permitindo ao usuário escolher entre o bipé montado na parte superior TTS de fábrica ou outros bipés comerciais.

O Xceed possui ergonomia ajustável que pode ser manipulada sem o uso de ferramentas, com o receptor (caixa da culatra) sendo feito de alumínio. O fuzil possui um gatilho totalmente ajustável que é desenhado para o uso de luvas de inverno; uma trava de segurança ajuda a bloquear o gatilho e a câmara quando o fuzil é colocado em seguro no registro de segurança.

Desmontagem em primeiro escalão.

O comunicado de imprensa da TTS, de 25 de março de 2020, assim descreveu o novo fuzil:

TTS: Novo sistema modular de fuzil de precisão em desenho bullpup

Dietingen / Nagold (ww): A Tec Target Schneider - abreviadamente TTS - e seu parceiro de vendas I-E-A Mil-Optics GmbH recentemente apresentaram um novo sistema modular de fuzil de precisão com desenho bullpup no GPEC.

Existem vários comprimentos de cano e calibres (atualmente 6 x 47 Lapua, 6.5 Creedmoor, .308 Win, .300 Win Mag e .338 Lapua Magnum) e guardas-mão de diferentes comprimentos disponíveis para o fuzil. A arma, que pode ser operada de ambos os lados, e pode ser adaptada individualmente ao atirador. Este possui um dispositivo de segurança de três posições (disparo único, câmara de segurança / bloqueio móvel, câmara de segurança / bloqueio travado), um gatilho de acionamento, um esporão de solo e está suspenso do bipé ajustável sob o centro de gravidade. Os canos e superfícies de aço inoxidável são predominantemente revestidos com DLC. A capacidade do carregador é de cinco cartuchos.

O desenho modular da arma permite que o usuário mude o cano em poucos minutos em vários calibres e comprimentos de cano.

A vantagem do sistema Bullpup é óbvia, especialmente no campo de tiro de precisão. Apesar do comprimento do cano de precisão, a arma mantém dimensões compactas. Isso permite que o atirador de precisão os transporte de forma mais discreta e alcance sua posição de maneira oculta. Também é mais fácil atirar em espaços ou veículos confinados.

O diretor-gerente da TTS, Hubert Schneider, aprendeu sua profissão na antiga fábrica da Mauser em Oberndorf. No berço da tecnologia de armas de fogo alemã na Suábia, ele trabalhou no departamento de desenvolvimento da Rheinmetall Waffen und Munition GmbH até sua aposentadoria.

A IEA Mil-Optics GmbH de Nagold é a parceira de vendas dos inovadores sistemas de armas TTS. Os pedidos podem ser feitos imediatamente.

O TTS Xceed é o resultado de muitos anos de experiência no desenvolvimento e produção de rifles esportivos e de precisão. Um sistema de sniper com uma ampla gama de recursos técnicos, uma estrutura modular e amplas opções de configuração.

Bibliografia recomendada:

Out of Nowhere:
A history of the Military Sniper,
Martin Pegler.

Leitura recomendada:


FOTO: Sniper com baioneta calada, 9 de dezembro de 2020.



FOTO: Armada & Perigosa, 11 de fevereiro de 2021.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

APS: O Fuzil de Assalto Especial Subaquático soviético

Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 24 de dezembro de 2021.

O APS (Avtomat Podvodny Spetsialnyy, Fuzil de Assalto Especial Subaquático) é uma arma subaquática projetada pela União Soviética no início dos anos 1970 e adotada em 1975; produzido pela fábrica de Tula.

Embaixo d'água, balas comuns são imprecisas e têm um alcance muito curto. O APS dispara um dardo de aço calibre 5,66mm de 120mm de comprimento, especialmente projetado para esta arma. Seu carregador comporta 26 tiros. O cano do APS não é estriado; o projétil disparado é mantido em linha por efeitos hidrodinâmicos. Por conta disso, o APS é um tanto impreciso quando disparado fora d'água. No entanto, em seu habitat sob as ondas, o APS pode disparar impressionantes 500 tiros por minuto.

Fora da água, o APS pode atirar, mas seu alcance efetivo não ultrapassa 50 metros, e a vida útil do fuzil cai para 180 tiros no ar em oposição aos 2.000 tiros debaixo d'água. Portanto, as Spetsnaz navais carregavam principalmente uma pistola SPP-1 (de quatro canos) para autodefesa debaixo d'água e um AK-74 para lutar em terra.

Mergulhador de combate disparando o fuzil APS em um campo de tiro de tiro subaquático.

Demonstração em Kaliningrado


Fuzil APS e dardo de 5,56mm.

O APS tem um alcance maior e mais poder de penetração do que arpões. Isso é útil em situações como atirar em um mergulhador adversário através de uma roupa seca reforçada, um capacete de proteção (com proteção de ar ou não), partes grossas e resistentes de conjuntos de respiração e seus arneses, e os invólucros de plástico e coberturas transparentes de alguns pequenos veículos subaquáticos.

O APS é mais poderoso do que uma pistola, mas é mais volumoso e leva mais tempo para mirar, principalmente manejando seu cano longo e carregador plano e volumoso lateralmente na água. O fuzil logo se tornou a principal arma dos homens-rãs soviéticos e dos homens-rãs da flotilha sérvia. Fabricado pela Fábrica de Armas de Tula, na Rússia, o APS é exportado pela Rosoboronexport, sendo utilizado por países amigos ou ex-integrantes do Pacto de Varsóvia como a Polônia, Vietnã e Cuba.

Desenho do APS.

Visão explodida das peças.

Após a anexação da Criméia em 2014 e a subsequente guerra por procuração na região ucraniana do Donbass, as relações entre a Rússia e o Ocidente deterioraram-se. O aumento da mobilização militar da OTAN nas fronteiras da Rússia levou a uma situação tensa na região estrategicamente vital dos países Bálticos, que abraçam o Mar Báltico. A Rússia tem duas enormes bases navais no Báltico: uma no enclave isolado de Kaliningrado e outra na região de São Petesburgo (ex-Leningrado). Um dos efeitos colaterais foi um renovado interesse pelo fuzil APS, em preparação para a defesa de sua Frota do Báltico contra quaisquer adversários possíveis.

No final da década de 1980, os soviéticos desenvolveram o fuzil anfíbio ASM-DT Morskoi Lev ("Leão do Mar"), que pode disparar munição convencional 5,45mm e dardos; tendo um desempenho comparável ao APS debaixo d'água e à carabina AKS-74U em terra firme. Esse fuzil foi adotado no ano 2000, mas por questões orçamentários ou problemas de projeto, esse fuzil foi emitido muito raramente.





Bibliografia recomendada:

Spetsnaz:
Russia's Special Forces.
Mark Galeotti e Johnny Shumate.

Leitura recomendada:

FOTO: Mergulhadores de combate gregos18 de janeiro de 2020.

sábado, 4 de dezembro de 2021

GALERIA: Tavor georgiano

Desfile das Forças Especiais da Polícia da Geórgia celebrando o Dia da Independência em 26 de maio de 2004.

Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 4 de dezembro de 2021.

O primeiro usuário de exportação do fuzil de assalto bullpup israelense Tavor TAR-21 foram as Forças Especiais da Polícia da Geórgia, com os georgianos encomendando o primeiro lote em 2001, um ano antes da Índia, o primeiro grande operador. Os fuzis georgianos foram recebidos em 2003, e os indianos em 2005. Os fuzis Tavor encomendados tanto para a Geórgia quanto para a Índia foram produzidos pela empresa estatal Israel Military Industries (IMI).

Os TAR-21 da Geórgia são calibrados em 5,56mm padrão, apesar da possibilidade de serem calibrados no 5,45mm já em estoques herdados da União Soviética.

Operadores georgianos com o TAR-21.

Símbolo da IMI no TAR-21 georgiano, em calibre 5,56mm.

Também conhecida como Ta'as (hebraico: תעש, התעשייה הצבאית), a IMI foi uma fabricante de armas israelense fundada em 1933, antes mesmo da criação do Estado de Israel, e cujas armas portáteis são muito populares em todo o mundo até os dias de hoje. Em 2005, a sua Divisão de Armas Portáteis (Divisão Magen) foi privatizada para a holding privada israelense SK Group e renomeada Israel Weapons Industries (IWI), enquanto o resto da empresa foi rebatizada IMI Systems. A IWI faz parte de um grupo de empresas que desenvolve e fabrica uma grande variedade de armas e fuzis usados por exércitos e agências de segurança pública em todo o mundo.

Em 25 de novembro de 2018, a Elbit Systems concluiu a aquisição da IMI Systems e a renomeou para Elbit Systems Land.

Operadores desfilando com os AK74 da era soviética.

Operadores posando com fuzis AK74, Tavor TAR-21 e Dragunov.

Leitura recomendada:


domingo, 12 de setembro de 2021

As submetralhadoras Hotchkiss

Soldado vietnamita com uma submetralhadora Hotchkiss Universal (Modelo 010), Indochina.

Por Jean HuonSmall Arms Review, junho de 2009.

Tradução Filipe do A. Monteiro, 10 de setembro de 2021.

Após a Segunda Guerra Mundial, o Exército Francês queria adotar uma nova submetralhadora para substituir as várias armas britânicas, alemãs e americanas com as quais suas tropas estavam equipadas. O pedido tinha uma sensação de emergência, pois uma nova guerra estava se formando na Indochina. Tanto as fábricas estatais em Châtellerault, Saint-Étienne, Tulle e o fabricante de armas privado Hotchkiss começaram a trabalhar neste projeto.

A Companhia Hotchkiss, fundada por Benjamin B. Hotchkiss em 1867, foi inicialmente dedicada à produção de munições de invólucro sólido durante a guerra de 1870-71. Mais tarde, ele desenvolveu o Canhão Rotativo Hotchkiss que foi usado por muitos países no final do século XIX. A arma de maior sucesso que a empresa já produziu foi a metralhadora Hotchkiss desenvolvida por Laurence Benét e Henri Mercié na virada do século XX e usada com grande efeito durante a Primeira Guerra Mundial.

Durante a década de 1920-30, a Hotchkiss desenvolveu metralhadoras leves, metralhadoras de infantaria, metralhadoras para aeronaves, armas de grande calibre e armas anti-carro para exércitos em todo o mundo. Depois de 1945, a empresa Hotchkiss produziu submetralhadoras para o Exército Francês e outros.

Informações gerais sobre as submetralhadoras Hotchkiss

A aparência geral e a operação das submetralhadoras Hotchkiss são as mesmas para todos os seus modelos. Elas têm uma estrutura cilíndrica com a alavanca de manejo e a janela de ejeção ambas localizadas no lado direito. Dependendo do modelo, podem ter coronha fixa ou dobrável, em madeira ou metal. Alguns modelos possuem um cano curto telescópico que pode ser empurrado para trás dentro da armação, enquanto outros possuem um cano fixo com uma camisa de resfriamento cilíndrica. O carregador é derivado daquele da MP 40 e está localizado em um porta-carregador dobrável. As armas funcionam com um ferrolho de recuo por gases com um percussor retardado. As armas são relativamente complicadas, por serem feitas com muitas peças. Os dispositivos de disparo são complicados e são feitos de muitas peças, com várias peças sendo feitas de chapa de metal estampada.

Modelo 011

Submetralhadora Hotchkiss Modelo 011.

O Modelo 011 tem uma coronha de madeira rígida, é muito simples na sua fabricação e é tão rudimentar quanto a submetralhadora Sten. A coronha triangular tem uma barra vertical no lado esquerdo para prender uma bandoleira. A coronha é montada com uma tampa que fecha a armação na parte traseira. O mecanismo de trancamento está localizado em uma caixa de formato triangular sob a estrutura do receptor. O compartimento do carregador também é um punho frontal que pode ser dobrado, permitindo que a arma seja carregada com um carregador carregado sob o cano. A janela de ejeção tem uma tampa que pode travar o ferrolho na posição aberta ou fechada e é usada como uma segurança secundária. O cano está localizado em um soquete que pode se mover para trás para o transporte, reduzindo assim o comprimento da arma. A alça de mira está localizada no topo da tampa da coronha e a massa de mira pode ser dobrada.

Este modelo foi desenvolvido em 1948 e foi usado por unidades locais na Indochina, como a Guarda de Supletivos do Bispo Phat-Diem.

Modelo 010 ou “Tipo Universal”

Submetralhadora Hotchkiss Modelo 010.

O Modelo 010 é provavelmente uma das submetralhadoras mais curiosas já feitas. A maioria dos componentes pode ser movida para reduzir o volume da arma para transportar:
  • A coronha tubular metálica pode ser dobrada sob a estrutura,
  • O punho da pistola pode ser dobrado para a frente, envolvendo o guarda-mato,
  • O compartimento do carregador pode ser dobrado para a frente sob o cano,
  • O cano também pode ser movido para trás.
A estrutura do receptor é tubular com uma aba para cobrir a janela de ejeção que está localizada no lado direito. A alavanca de manejo é esférica e também está localizada no lado direito. Ele segura uma tira de chapa para cobrir a ranhura sobre a qual se move. O ferrolho tem um percussor separado e a mola de recuo é helicoidal. A ignição da espoleta é retardada até o momento imediato após o ferrolho ser fechado e é acionada por uma alavanca. O alojamento do gatilho é uma caixa triangular localizada sob o receptor e contém um seletor de botão de pressão. O carregador está localizado em um alojamento dobrável para a frente. A coronha é feita de um conjunto de tubos com descanso de ombro em madeira. O punho da pistola é equipado com cabos de plástico marrom. A alça de mira dobrável tem duas aberturas e a massa de mira é protegida por um toldo.

A submetralhadora Hotchkiss Modelo 010 dobrada (acima) e desmontada.

A desmontagem da Hotchkiss Modelo 010 é simples:
  • Remova o carregador e limpe a arma,
  • dobre a coronha,
  • remova o plugue traseiro,
  • extraia a mola de recuo e o ferrolho.
  • Remonte na ordem inversa.
O Modelo 010 é uma arma muito complicada e não é fácil de usar; particularmente durante o manuseio, pois é fácil para os dedos ficarem presos e / ou prensados em qualquer uma das muitas partes dobráveis.

A arma foi fabricada entre 1949 e 1952. Foi testada pelo Exército Francês na Indochina por paraquedistas e pela Legião Estrangeira. Alguns países compraram algumas dessas armas, como Venezuela e Marrocos. O último Hotchkiss Modelo 010 em guerra foi encontrado no Afeganistão na década de 1980.

Paraquedistas venezuelanos marchando no desfile do Dia da Independência em Caracas, capital da Venezuela, em 5 de julho de 1955. (FAV-Club)

Modelo 017

Submetralhadora Modelo 017, provavelmente feita para a polícia.
Abaixo, com o carregador dobrado e com o número de série 401.

O Modelo 017 foi projetado como o Modelo 010, exceto por ter uma coronha fixa de madeira, um cano mais longo, uma camisa de resfriamento perfurada e o cabo da pistola não pode ser dobrado. Um dispositivo de segurança adicional é instalado próximo ao gatilho e quando ele está no lugar, o uso do gatilho não é possível. O Modelo 017 foi projetado para uso policial e foi testado pela polícia francesa; mas o MAT 49-54 foi escolhido em seu lugar. O modelo Hotchkiss 017 também foi testado pelo Marrocos.

Modelo 304

Submetralhadora Modelo 304 cano curto
Abaixo, cano curto e baioneta.

O Modelo 304 é uma evolução dos modelos anteriores. Possui coronha fixa de madeira e existem diversas variações:
  • Armação tubular do receptor, cano curto que pode ser retraído na armação e um mecanismo de caixa de gatilho retangular;
  • armação tubular do receptor, cano longo com uma camisa de resfriamento perfurada, mecanismo de gatilho de caixa retangular e uma baioneta pontiaguda reversível como no fuzil MAS 36;
  • armação em chapa de metal com tampa protetora contra poeira na janela de ejeção, cano longo com camisa de resfriamento perfurada, mecanismo de caixa de gatilho triangular e baioneta pontiaguda reversível como no fuzil MAS 36.

Submetralhadora Modelo 304 cano longo e baioneta.
Abaixo, com a baioneta e o carregador dobrados.

Características

Modelo 011
Munição: 9mm Luger
Comprimento total: 76cm
Comprimento do cano: 21cm
Comprimento: 67cm com o cano retraído
Peso: 3,3kg
Capacidade do carregador: 32 tiros

Modelo 010
Munição: 9mm Luger
Comprimento total: 780mm
Comprimento total: 53,8cm com a coronha dobrada
Comprimento do cano: 27cm
Comprimento: 67cm com o cano retraído
Peso: 3,43kg
Capacidade do carregador: 32 tiros

Modelo 017
Munição: 9mm Luger
Comprimento total: 94,5cm
Comprimento do cano: 40,5cm
Peso: 3,8kg
Capacidade do carregador: 32 tiros

Modelo 304 cano curto
Munição: 9mm Luger
Comprimento total: 86cm
Comprimento do cano: 27cm
Comprimento: 67cm com o cano retraído
Peso: 3,2kg
Capacidade do carregador: 32 tiros

Modelo 304 cano longo
Munição: 9mm Luger
Comprimento total: 92cm
Comprimento do cano: 30cm
Peso: 3,7kg
Capacidade do carregador: 32 tiros

Small Arms Review V12N9, junho de 2009.

Bibliografia recomendada:

Les Pistolets-mitrailleurs français.
Jean Huon.

Leitura recomendada:

Armas vietnamitas para a Argélia14 de dezembro de 2020.

Resultados dos testes do MAS 62, 1º de fevereiro de 2021.

A submetralhadora MAS-38, 5 de julho de 2020.


quarta-feira, 1 de setembro de 2021

COMENTÁRIO: A morte confirmada da indústria de armas francesa


Comentário do Grupo VaubanLa Tribune, 31 de agosto de 2021.

Tradução Filipe do A. Monteiro, 1º de setembro de 2021.

O Grupo Vauban reúne cerca de vinte especialistas em questões de defesa.

Já há um ano, a tribuna do Grupo Vauban, intitulada a "morte programada da indústria armamentista francesa", desencadeou uma polêmica muito francesa: "estéril e puramente ideológica, no contexto de uma agradável caça às bruxas", segundo o Grupo Vauban. “E, no entanto, um ano depois, quem se atreve, com sinceridade e honestidade, a considerar infundadas nossas críticas, especialmente à Europa e à Alemanha, pois os acontecimentos nos provaram que estamos certos?”, Questionam os cerca de vinte especialistas em defesa.

“Obviamente culpada de corrupção, inevitavelmente auxiliar de ditadores e outros genocidas, inevitavelmente danosa a qualquer sociedade, a indústria de armamentos não deve mais ser financiada, nem para P&D nem para produção e a fortiori para exportação” (Grupo Vauban).

Primeiro, a Europa. Burocrática como de costume, Bruxelas teve o cuidado particular de acumular, em meio à crise sanitária, projetos que, juntos, desfazem, em um belo ímpeto esquizofrênico, os sistemas de defesa dos países membros: em primeiro lugar, essa pantalunata - ai de mim! sério - do tempo de trabalho dos militares. Por um acórdão no início de julho, o Tribunal de Justiça Europeu pura e simplesmente derrubou as forças armadas europeias: ao separar as atividades "normais" dos militares às quais o direito do trabalho europeu deve ser aplicável e as atividades excecionais (operações), como a Comissão e a Alemanha já havia endossado em outro lugar, que ela quebra a singularidade do regime militar cuja nobreza da profissão (e não a singularidade, uma palavra estranha que menospreza a vocação) é servir em todo tempo e em todas as circunstâncias seu país.

O Tribunal, ao inviabilizar assim o trabalho da gendarmaria, dos bombeiros, do serviço médico das forças armadas, etc., tem êxito onde a URSS não teve êxito: derrubar todo o sistema de defesa das nações europeias sem disparar um tiro.

Os fabricantes de armamento na mira


Depois do horário de trabalho, outro golpe violento de Bruxelas - o chamado projeto “Corporate Sustainability Reporting Directive” (Diretriz de Relatórios de Sustentabilidade Corporativa) - ameaça o braço armado das forças: a indústria de armamentos, sem a qual um aparato de defesa não pode sonhar com independência e eficiência. A transparência que se aplicava à área financeira e depois comercial (Lei Sapin-II) das empresas, passa a abordar as áreas do ambiente, questões sociais e de governança: é assim depois de ter submetido o comércio e a governança das empresas ao seu tirânico opaco e definitivo apelo mas nunca desinteressado, os mesmos atores (ONGs, advogados, fundos éticos, agências de classificação, etc.) agora desejam destruir o próprio cerne de sua existência: o financiamento de atividades industriais e comerciais de defesa.

Necessariamente culpada de corrupção, necessariamente auxiliar de ditadores e outros genocidas, necessariamente danosa a qualquer sociedade, a indústria armamentista não deve mais ser financiada, nem para P&D, nem para produção e, a fortiori, para exportação. Bancos, seguradoras, bolsas de valores: todas essas instituições financeiras agora tremem diante da ONG; pouco importa que seu financiamento seja opaco, que suas campanhas sejam orquestradas apenas nos países onde são toleradas e não nos países que mais precisam delas (China, Coréia do Sul, Turquia, Rússia, Bielo-Rússia, Ucrânia, Sérvia e Israel) e que suas análises e informações são falsas e infundadas quase SISTEMÁTICAMENTE, apenas a imagem conta.

Preferimos a turbina eólica às aeronaves de combate. Nenhum banqueiro, nenhuma seguradora, nenhuma pessoa encarregada dos fundos vai querer se comprometer com os traficantes de armas de que todos querem a pele. Este movimento, já em curso há anos, é agora legitimado pela Comissão com esta proposta de diretiva. Tal como acontece com o tempo de trabalho, a Europa ataca assim uma instituição cuja vocação não é a guerra, mas a paz. Os militares e os fabricantes de armas são os instrumentos desse ditado romano, pilar das nações civilizadas: si vis pacem, para bellum.

Tal realidade, tanto histórica como social, não é decentemente negável, que as autoridades europeias, portanto, realmente têm em mente, torpedeando assim em rápida sucessão os fundamentos humanos e financeiros de um sistema de defesa que “ao mesmo tempo" pretendem construir (bússola estratégica, Fundo de Defesa, DG Defesa, etc.)? “Como alguém pode ser europeu”, perguntava-se um Montesquieu moderno, debruçado sobre o nada inspirador caldeirão bruxelês?

Cooperação e exportação: sob o controle de Berlim


Então, a Alemanha, que sem dúvida será o GRANDE assunto nos próximos anos. É claro que as análises desenvolvidas há um ano foram todas verificadas, como as de Bainville que citamos; o divórcio estratégico fundamental entre Paris e Berlim? Salientou, em particular a dissuasão nuclear e o papel da NATO, dois obstáculos fundamentais que irão sempre destruir as esperanças ingénuas dos dirigentes franceses que SEMPRE não compreenderam que nunca se juntarão à Alemanha nestas duas posições.

Cooperação em armamentos? Também aí uma doutrina atlantista e pacifista só pode produzir desilusões, cuja melhor ilustração continua a ser a bofetada alemã que Paris recebeu sem vacilar no avião da patrulha marítima. É menos aqui a substância do que o método alemão que deveria ter chocado Paris, uma vez que, pela segunda vez (e não a última), Berlim não tirou as luvas para infligir isso a seus interlocutores franceses. Já tinha havido, recorde-se, o debate sobre a autonomia estratégica europeia, em que o Ministro da Defesa, embora desacreditado pela incompetência na própria Alemanha, levara o partido a criticar publicamente e por três vezes o Presidente francês com apoio vergonhoso mas apoio real da Chanceler... As dificuldades inerentes aos outros programas - aviões e tanques de combate - mostram bastante que a Alemanha não concebe a cooperação, mas apenas o domínio humano e tecnológico dos grupos europeus. Abandonada porque desprezada, a indústria francesa de armamentos terrestres vive no horário alemão todos os dias.

A exportação de armamento? Com o peso fundamental porque central que os Verdes estão em processo de ganhar na futura coalizão (seja liderada pela CDU ou pelo SPD), exportando armas para a Alemanha, então para o franco-alemão serão os piores. Esta oposição dos Verdes, dos Socialistas e da extrema-esquerda a qualquer exportação de armas não só convenceu a Alemanha, mas seduziu Bruxelas, o que é igualmente pior. O relatório da senhora deputada Neumann (setembro de 2020) já o anunciava: a exportação de armas deixará de ser autorizada a não ser no interior da União Europeia ou da OTAN e, mais uma vez, será preferida a cooperação sob controle estreito da Comissão Europeia. Basta dizer que a indústria armamentista francesa está condenada para a grande alegria de outros países.

Paris resignada


E a França? Apesar das decepções europeias e alemãs, o governo mantém o curso, ou seja, aceita sem pestanejar o curso das coisas como estão planejadas em Bruxelas e Berlim; nenhuma crítica é permitida; nenhuma ordem de resistência ao Tribunal de Justiça; nenhuma isenção pela defesa sob a diretriz da ESG; sem questionar os próprios termos de cooperação com a Alemanha.

Tudo se passa como se a realidade já não tivesse sustentação e, sobretudo, como se a Sra. Goulard, ainda efêmera Ministra da Defesa, tivesse feito triunfar definitivamente a sua doutrina ao anunciar profeticamente no dia 8 de junho de 2017: “Se quisermos fazer a Europe de la Défense (Europa da Defesa), haverá reestruturações para operar, escolhas de compatibilidade e, em última instância, escolhas que poderiam passar inicialmente a acabar em favor de consórcios nos quais os franceses nem sempre são líderes”.

Tudo foi dito há quatro anos: os partidários ferrenhos da Europa da Defesa, tal como está a ser construída perante os nossos olhos, apenas podem apoiar ou manter o silêncio. Mas, e esse é o interesse do período atual, nem tudo se esgota: um sobressalto é possível, e é nisso que se concentrarão nossas próximas tribunas.

Bibliografia recomendada:

L'emergence d'une Europe de la défense:
Difficultés et perspectives.
Dejana Vukcevic.

Leitura recomendada: