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terça-feira, 23 de novembro de 2021

FOTO: T-54 danificado em An Dien

Soldados sul-vietnamitas posam em cima de um T-54 norte-vietnamita danificado perto da vila de An Dien, 1974.

Hanói recebeu carros de combate principais T-54 da União Soviética, seguindo a doutrina soviética de ofensiva blindada em profundidade. Essa manobra foi usada sem sucesso em 1972 e levou os norte-vietnamitas a Saigon em abril de 1975, depois que os Estados Unidos cessaram o apoio ao regime do Vietnã do Sul.

domingo, 17 de outubro de 2021

FOTO: Desfile do 5e REI em Hanói

Desfile do 5e REI no Dia da Bastilha em Hanói, 14 de julho de 1954.

Ao longo do Pétit lac (Lago Pequeno), os soldados do 5e Régiment Étrangèr d'Infanterie (5e REI), vestindo o quepe branco dos legionários, desfilaram no Dia da Bastilha, em Hanói, Vietnã, em 14 de julho de 1954.

quinta-feira, 14 de outubro de 2021

Visita do Cel. Michel Goya aos jogos de guerra na École de Guerre em Paris

O Coronel Michel Goya com oficiais franceses na École de Guerre.

Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 14 de outubro de 2021.

O estrategista e autor Michel Goya, coronel reformado do Exército Francês, visitou hoje (14/10) a Escola Superior de Guerra (École de Guerre) em Paris, na França. A École de Guerre postou a notícia no seu Twitter oficial dizendo:

"O Coronel Michel Goya visitou os oficiais estagiários [da École de Guerre] durante um Wargame [jogo de guerra] desenvolvido pela [Antoine] Brgll. Esta manobra no mapa permite que os estagiários revejam todos os modos de ação ofensivos ou defensivos da brigada e da divisão."



O Coronel Goya é um ávido "wargamer" e um campeão da importância dos jogos de guerra na educação dos militares, e ele mesmo já criou um jogo de guerra em 1991: La Guerre d'Indochine, Tonkin 1950-1954.

Capa original de 1991.

Este jogo simula combates no Tonquim (norte do Vietnã) de 1950 a 1954. Um jogador controla o Corpo Expedicionário Francês no Extremo Oriente (Corps Expéditionnaire Français en Extrême-Orient, CEFEO), o outro jogador controla as forças Viet-Minh (VM). Cada turno representa 4 meses, com o jogo possuindo 182 contadores.

O período 1950-54 foi a fase mais violenta da Guerra da Indochina, após a vitória comunista na Guerra Civil Chinesa em 1949. A China continental tornou-se então um santuário ativo para o Viet-Minh ser alimentado, suprido e treinado longe do alcance francês. O ataque do General Giap com artilharia em Cao Bang, em 30 de setembro de 1950, iniciou a nova e mais violenta fase da guerra; com a União Francesa e o Viet-Minh disputando o rico Viet Bac e o delta levando à capital Hanói.

O tabuleiro com o mapa do Tonquim, 

As peças representando unidades.

Peças de unidades e veículos.

Ho Chi Minh, o líder do movimento comunista Viet-Minh.

O jogo é bem simples, com um livro de regras de 3 páginas e uma análise de história de uma página; ambos em francês (o único "problema" com o jogo). As peças representam unidades unidades reais, desde batalhões paraquedistas a divisões de elite Viet-Minh. Tonkin 1950-1954 depois recebeu uma nova versão em 2006 pela revista Vae Victis, com o jogo renomeado Tonkin: La Guerre d'Indochine 1950-1954.

Revista de jogos Vae Victis nº 70 com o jogo.

quinta-feira, 7 de outubro de 2021

PERFIL: General Caillaud, o Soldado do Incomum

Por Laurent Lagneau, Zone Militaire OPEX360, 26 de julho de 2021.

Tradução Filipe do A. Monteiro, 7 de outubro de 2021.

“Soldado do Incomum”, o General Robert Caillaud deu seu nome à 207ª turma da ESM Saint-Cyr.

Quer seja para cadetes oficiais como para cadetes suboficiais, o baptismo de promoção é sempre um momento especial, pois constitui um forte sinal de identidade e pertencimento.

Além disso, a escolha do “patrocinador” é decisiva. E aconteceu que foi passível de cautela, pois em novembro de 2018, quando o Chefe do Estado-Maior do Exército, que era o General Jean-Pierre Bosser, decidiu “rebatizar” a promoção “General Loustanau-Lacau” da Escola Militar Especial (École spéciale militaireESM), por causa das simpatias políticas que manifestou na década de 1930.

Durante o Triunfo 2021 da Academia Militar de Saint-Cyr Coëtquidan, organizado no dia 24 de julho, a 60ª promoção da Escola Militar de Armas Combinadas (École militaire interarmesEMIA) deu-se como padrinho o General Jean-Baptiste Eblé, que se destacou durante as guerras da Revolução e do 1º Império.

Já a 207ª turma da ESM fez uma escolha mais contemporânea, com o General Robert Caillaud. E tendo em vista o registro de serviço deste último, questiona-se por que seu nome não foi escolhido anteriormente...

Saint-cyrien da promoção Charles de Foucauld (1941-42), e quando ele tinha acabado de obter sua "ficelle" como segundo-tenente, Robert Caillaud retornou à sua Auvergne natal e se juntou à Resistência. Assim, dentro de seus maquis, participou das lutas pela Libertação, inclusive da ponte Decize, que culminou com a rendição da coluna do General Botho Elster.

A “Divisão Auvergne” estando integrada no 1º Exército do General de Lattre de Tassigny, o jovem oficial participou nas campanhas da Alsácia e da Alemanha, durante as quais, segundo a Federação das Sociedades de Veteranos da Legião Estrangeira (Fédération des sociétés d’anciens de la Légion étrangèreFSALE) , ele mostrou um "gosto definitivo por soluções originais" que marcariam o resto de sua carreira. Um deles terá sido formar uma seção de reconhecimento em profundidade com Jipes.

A Legião Estrangeira precisamente... Promovido a tenente no final da guerra e contando três citações em sua Croix de Guerre, Robert Caillaud decidiu ingressar em suas fileiras. Depois de um curto período em Sidi Bel Abbès, na Argélia, foi designado para o 2º Regimento Estrangeiro de Infantaria (2e Régiment Étranger d’Infanterie, 2e REI), com o qual desembarcou em Saigon. Durante dois anos, distinguir-se-á pelas qualidades militares mas também pela capacidade de pensar fora da caixa, criando, por exemplo, um pelotão a cavalo. Isso fará com que ele ganhe mais quatro citações e a Legião de Honra, aos 27 anos.

Retornando à Argélia em 1948, o oficial recebeu a missão de formar a 1ª companhia do 2 ° Batalhão Estrangeiro de Paraquedistas (2e Bataillon Étranger de Parachutistes, 2e BEP). Em seguida, ele voltou para a Indochina com sua nova unidade em fevereiro do ano seguinte. Em dezembro de 1949, à frente da 1ª companhia, saltou, à noite e em condições difíceis, sobre a guarnição de Tra Vinh, então cercada por três regimentos Viet-Minh. Ao custo de três mortos entre os legionários, o ataque inimigo será repelido.

Durante esta segunda estadia na Indochina, o Capitão Caillaud foi ferido duas vezes. Em 1954, e depois de ter comandado o 3e BEP, regressou ao Extremo Oriente. Lá, ele se ofereceu para fazer parte da equipe do grupo aerotransportado do Coronel Langlais em Dien Bien Phu. Ao lado do Comandante Marcel Bigeard, ele organizou os contra-ataques. O resto é conhecido: o campo entrincheirado francês acaba caindo. Então começou um longo período de cativeiro nos campos do Viet-Minh. “Sua conduta no cativeiro no Campo nº 1 será exemplar, marcada por seu apoio aos mais fracos e sua recusa em se comprometer com o adversário”, disse Jean-Pierre Simon, seu biógrafo.

Le Général Caillaud: Soldat de l'insolite.
Jean-Pierre Simon.

Depois de libertado, o oficial foi designado para o 2e REP, tendo participado em inúmeras operações na Argélia. Ele ganha três novas citações. Retirado dos eventos de Argel (golpe dos generais em abril de 1961) devido ao seu destacamento para o estado-maior das Tropas Aerotransportadas (Troupes Aéroportées, TAP), foi nomeado oficial de ligação e instrutor paraquedista na Alemanha.

Depois, em maio de 1963, promovido a tenente-coronel, passou a comandante do 2e REP, então instalado em Bou-Sfer, a fim de garantir a segurança da base de Mers-el-Kébir. Começou então a “Revolução Caillaud”, que vai dar a cara que esta unidade tem hoje. “Ele é o principal ator na corrida pela inovação do regimento e pela especialização das seções que permite às companhias cumprirem de imediato as mais diversas missões”, escreve a FSALE.

“Nunca, talvez, Robert Caillaud tenha sentido a que ponto semeou tão abundantemente. Nunca, sem dúvida, ele foi capaz de testar, inventar, criar, exigir e receber tanto desta valiosa tropa, que soube fazer vibrar. Sempre carregou consigo esta pedra que queria cortar e esculpir à medida do que era, pedra angular de toda uma vida, obra magistral que deixamos em vestígios indeléveis”, abunda Jean-Pierre Simon.

Depois de uma (breve) passagem no estado-maior das Forças Aliadas na Europa Central e, em seguida, no Gabinete de Tropas Aerotransportadas e Anfíbias do Departamento Técnico de Armas, o Coronel Caillaud assumiu o comando da Escola de Tropas Aerotransportadas (ETAP) em 1972. Lá, ele passou seu brevê de salto operacional de alta altitude. Ele tinha então 52 anos (o que o tornará o mais velho dos saltadores operacionais). Promovido a general três anos depois, assumiu as rédeas da 1ª Brigada de Paraquedistas (1ere Brigade parachutiste, 1ere BP), antes de encerrar a carreira militar no estado-maior da 11ª Divisão Paraquedista (11e Division Parachutiste, 11e DP) em 1978.

O General Caillaud faleceu em 1995. Foi Grande Oficial da Legião de Honra, titular da Croix de Guerre 1939-1945 com três citações, da Croix de Guerre des T.O.E. com oito citações incluindo três na ordem do exército, a Cruz Militar do Valor com três citações incluindo duas para a ordem do exército.

domingo, 3 de outubro de 2021

FOTO: Centurion australiano no Vietnã

Centurion australiano em Phuoc Tuy, c. 1969.

Província de Phuoc Tuy: Crianças locais dão uma mão limpando o cano de um tanque Centurion Mk V/1 do 1º Regimento Blindado (1st Armoured Regiment, 1AR), Real Corpo Blindado Australiano (Royal Australian Armoured Corps, RAAC).

Os australianos fizeram bom uso de blindados na Guerra do Vietnã. Transportadores M113 providenciavam mobilidade tática sobe fogo e transporte de longa distância na área de operações. Já os Centurions eram ótimos destruidores de bunkers.

domingo, 12 de setembro de 2021

FOTO: O Comando Lassere na Indochina

Demonstração do Comando Lasserre em Ha Dong, em Hanói, fevereiro de 1954.
Em primeiro plano, o Adjudant Laserre, o comandante da unidade.

Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 12 de setembro de 2021.

O Comando Lasserre, com cerca de uma centena de homens, era especialista na procura de informação (a qual explorava diretamente), na detecção e procura de caches e túneis. Recrutados entre os soldados ou apoiadores do Viet-Minh capturados, os membros do comando eram agrupados em células especializadas de 4 ou 5 homens: choque, sapador-desminador, propagandista, equipe canina etc.

A demonstração ocorreu no distrito de Ha Dong, na capital Hanói, em fevereiro de 1954. A reportagem foi fotografada por Camus Daniel, com o exercício de demonstração ocorrendo na presença de autoridades civis e militares - o Presidente Pleven, Monsieur de Chevigne, General Cogny e Coronel de Clerk - durante uma viagem de inspeção.

Como parte da demonstração, um membro da unidade desce para inspecionar um cache (esconderijos de armamento e víveres) que acaba de ser detectado. Soldados Viet-Minh (comandos atuando como FINGIM) são extraídos do subsolo e se rendem. A reportagem termina com um retrato do Adjudant Lasserre, o comandante do comando que leva seu nome.

O soldado de costas na primeira foto está armado com uma submetralhadora MAT 49, e muniu-se do cinto com uma baioneta Karabiner 98K alemã (Kurtz), granadas ofensivas OF 37 e granadas defensivas DF 37 (presas em porta-granadas de couro, de fabricação local) e dois porta-carregadores britânicas.

Armas do cache "Viet-Minh" (um morteiro japonês e um fuzil-metralhador 24/29) que um soldado desce até o fundo para inspecionar. Armado com uma submetralhadora M3 "Grease Gun" (de uso raro na Indochina), um comando tomou posição para cobrir seus companheiros.

Modo de Operação:

Quando o comando obtém inteligência sobre uma aldeia, explora-a em uma operação, entrando no assentamento seguindo as unidades do setor que a apreenderam. Metodicamente, a aldeia é revistada por equipes de cães e o solo cuidadosamente sondado com agulhas de aço. Uma vez localizados, os esconderijos são cuidadosamente inspecionados e esvaziados de armas, munições, drogas ou material de propaganda que contêm. Da mesma forma, os túneis são explorados e toda a resistência inimiga neutralizada pelo uso de fumaça, gás lacrimogêneo ou cargas explosivas.

Os comandos vasculham cuidadosamente o terreno e então, tendo detectado a entrada camuflada de um cache, um dispositivo é montado: uma equipe se posiciona em cobertura, outra inspeciona cuidadosamente a abertura que leva ao cache para detectar toda peça de armadilha, depois um comando entra furtivamente e entrega aos seus camaradas na superfície as armas apreendidas no subsolo.

Ajudante Lasserre, comandante do comando que leva seu nome, durante demonstração realizada por sua unidade. Ele usa o boné específico para seu comando e usa no cinto uma adaga britânica "Fairbairn Sykes", colocada em uma bainha americana M8 (originalmente destinada para a adaga M3), bem como uma pistola alemã Luger P08 (Pistole 08) calibre 9mm, no quadril esquerdo.

Bibliografia recomendada:

Street Without Joy:
The French Debacle in Indochina.
Bernard B. Fall.

Leitura recomendada:

O que um romance de 1963 nos diz sobre o Exército Francês, Comando da Missão, e o romance da Guerra da Indochina12 de janeiro de 2020.

PERFIL: O filho do general, 27 de julho de 2021.

VÍDEO: Lugers da ocupação francesa em 1945, 7 de abril de 2021.

GALERIA: Operação Brochet no Tonquim3 de outubro de 2020.

GALERIA: Atividades cotidianas do 6e BPC nos postos de Pak-Hou e de Muong-Sai, 4 de fevereiro de 2021.

GALERIA: Construção de um posto no Camboja16 de outubro de 2020.

GALERIA: Atividades militares dos Cuirassiers na Planície dos Jarros, 20 de agosto de 2021.

GALERIA: Com os Tirailleurs Marroquinos na Operação Aspic na região de Phu My14 de outubro de 2020.

As submetralhadoras Hotchkiss

Soldado vietnamita com uma submetralhadora Hotchkiss Universal (Modelo 010), Indochina.

Por Jean HuonSmall Arms Review, junho de 2009.

Tradução Filipe do A. Monteiro, 10 de setembro de 2021.

Após a Segunda Guerra Mundial, o Exército Francês queria adotar uma nova submetralhadora para substituir as várias armas britânicas, alemãs e americanas com as quais suas tropas estavam equipadas. O pedido tinha uma sensação de emergência, pois uma nova guerra estava se formando na Indochina. Tanto as fábricas estatais em Châtellerault, Saint-Étienne, Tulle e o fabricante de armas privado Hotchkiss começaram a trabalhar neste projeto.

A Companhia Hotchkiss, fundada por Benjamin B. Hotchkiss em 1867, foi inicialmente dedicada à produção de munições de invólucro sólido durante a guerra de 1870-71. Mais tarde, ele desenvolveu o Canhão Rotativo Hotchkiss que foi usado por muitos países no final do século XIX. A arma de maior sucesso que a empresa já produziu foi a metralhadora Hotchkiss desenvolvida por Laurence Benét e Henri Mercié na virada do século XX e usada com grande efeito durante a Primeira Guerra Mundial.

Durante a década de 1920-30, a Hotchkiss desenvolveu metralhadoras leves, metralhadoras de infantaria, metralhadoras para aeronaves, armas de grande calibre e armas anti-carro para exércitos em todo o mundo. Depois de 1945, a empresa Hotchkiss produziu submetralhadoras para o Exército Francês e outros.

Informações gerais sobre as submetralhadoras Hotchkiss

A aparência geral e a operação das submetralhadoras Hotchkiss são as mesmas para todos os seus modelos. Elas têm uma estrutura cilíndrica com a alavanca de manejo e a janela de ejeção ambas localizadas no lado direito. Dependendo do modelo, podem ter coronha fixa ou dobrável, em madeira ou metal. Alguns modelos possuem um cano curto telescópico que pode ser empurrado para trás dentro da armação, enquanto outros possuem um cano fixo com uma camisa de resfriamento cilíndrica. O carregador é derivado daquele da MP 40 e está localizado em um porta-carregador dobrável. As armas funcionam com um ferrolho de recuo por gases com um percussor retardado. As armas são relativamente complicadas, por serem feitas com muitas peças. Os dispositivos de disparo são complicados e são feitos de muitas peças, com várias peças sendo feitas de chapa de metal estampada.

Modelo 011

Submetralhadora Hotchkiss Modelo 011.

O Modelo 011 tem uma coronha de madeira rígida, é muito simples na sua fabricação e é tão rudimentar quanto a submetralhadora Sten. A coronha triangular tem uma barra vertical no lado esquerdo para prender uma bandoleira. A coronha é montada com uma tampa que fecha a armação na parte traseira. O mecanismo de trancamento está localizado em uma caixa de formato triangular sob a estrutura do receptor. O compartimento do carregador também é um punho frontal que pode ser dobrado, permitindo que a arma seja carregada com um carregador carregado sob o cano. A janela de ejeção tem uma tampa que pode travar o ferrolho na posição aberta ou fechada e é usada como uma segurança secundária. O cano está localizado em um soquete que pode se mover para trás para o transporte, reduzindo assim o comprimento da arma. A alça de mira está localizada no topo da tampa da coronha e a massa de mira pode ser dobrada.

Este modelo foi desenvolvido em 1948 e foi usado por unidades locais na Indochina, como a Guarda de Supletivos do Bispo Phat-Diem.

Modelo 010 ou “Tipo Universal”

Submetralhadora Hotchkiss Modelo 010.

O Modelo 010 é provavelmente uma das submetralhadoras mais curiosas já feitas. A maioria dos componentes pode ser movida para reduzir o volume da arma para transportar:
  • A coronha tubular metálica pode ser dobrada sob a estrutura,
  • O punho da pistola pode ser dobrado para a frente, envolvendo o guarda-mato,
  • O compartimento do carregador pode ser dobrado para a frente sob o cano,
  • O cano também pode ser movido para trás.
A estrutura do receptor é tubular com uma aba para cobrir a janela de ejeção que está localizada no lado direito. A alavanca de manejo é esférica e também está localizada no lado direito. Ele segura uma tira de chapa para cobrir a ranhura sobre a qual se move. O ferrolho tem um percussor separado e a mola de recuo é helicoidal. A ignição da espoleta é retardada até o momento imediato após o ferrolho ser fechado e é acionada por uma alavanca. O alojamento do gatilho é uma caixa triangular localizada sob o receptor e contém um seletor de botão de pressão. O carregador está localizado em um alojamento dobrável para a frente. A coronha é feita de um conjunto de tubos com descanso de ombro em madeira. O punho da pistola é equipado com cabos de plástico marrom. A alça de mira dobrável tem duas aberturas e a massa de mira é protegida por um toldo.

A submetralhadora Hotchkiss Modelo 010 dobrada (acima) e desmontada.

A desmontagem da Hotchkiss Modelo 010 é simples:
  • Remova o carregador e limpe a arma,
  • dobre a coronha,
  • remova o plugue traseiro,
  • extraia a mola de recuo e o ferrolho.
  • Remonte na ordem inversa.
O Modelo 010 é uma arma muito complicada e não é fácil de usar; particularmente durante o manuseio, pois é fácil para os dedos ficarem presos e / ou prensados em qualquer uma das muitas partes dobráveis.

A arma foi fabricada entre 1949 e 1952. Foi testada pelo Exército Francês na Indochina por paraquedistas e pela Legião Estrangeira. Alguns países compraram algumas dessas armas, como Venezuela e Marrocos. O último Hotchkiss Modelo 010 em guerra foi encontrado no Afeganistão na década de 1980.

Paraquedistas venezuelanos marchando no desfile do Dia da Independência em Caracas, capital da Venezuela, em 5 de julho de 1955.
(MilitaryImages.net)

Modelo 017

Submetralhadora Modelo 017, provavelmente feita para a polícia.
Abaixo, com o carregador dobrado e com o número de série 401.

O Modelo 017 foi projetado como o Modelo 010, exceto por ter uma coronha fixa de madeira, um cano mais longo, uma camisa de resfriamento perfurada e o cabo da pistola não pode ser dobrado. Um dispositivo de segurança adicional é instalado próximo ao gatilho e quando ele está no lugar, o uso do gatilho não é possível. O Modelo 017 foi projetado para uso policial e foi testado pela polícia francesa; mas o MAT 49-54 foi escolhido em seu lugar. O modelo Hotchkiss 017 também foi testado pelo Marrocos.

Modelo 304

Submetralhadora Modelo 304 cano curto
Abaixo, cano curto e baioneta.

O Modelo 304 é uma evolução dos modelos anteriores. Possui coronha fixa de madeira e existem diversas variações:
  • Armação tubular do receptor, cano curto que pode ser retraído na armação e um mecanismo de caixa de gatilho retangular;
  • armação tubular do receptor, cano longo com uma camisa de resfriamento perfurada, mecanismo de gatilho de caixa retangular e uma baioneta pontiaguda reversível como no fuzil MAS 36;
  • armação em chapa de metal com tampa protetora contra poeira na janela de ejeção, cano longo com camisa de resfriamento perfurada, mecanismo de caixa de gatilho triangular e baioneta pontiaguda reversível como no fuzil MAS 36.

Submetralhadora Modelo 304 cano longo e baioneta.
Abaixo, com a baioneta e o carregador dobrados.

Características

Modelo 011
Munição: 9mm Luger
Comprimento total: 76cm
Comprimento do cano: 21cm
Comprimento: 67cm com o cano retraído
Peso: 3,3kg
Capacidade do carregador: 32 tiros

Modelo 010
Munição: 9mm Luger
Comprimento total: 780mm
Comprimento total: 53,8cm com a coronha dobrada
Comprimento do cano: 27cm
Comprimento: 67cm com o cano retraído
Peso: 3,43kg
Capacidade do carregador: 32 tiros

Modelo 017
Munição: 9mm Luger
Comprimento total: 94,5cm
Comprimento do cano: 40,5cm
Peso: 3,8kg
Capacidade do carregador: 32 tiros

Modelo 304 cano curto
Munição: 9mm Luger
Comprimento total: 86cm
Comprimento do cano: 27cm
Comprimento: 67cm com o cano retraído
Peso: 3,2kg
Capacidade do carregador: 32 tiros

Modelo 304 cano longo
Munição: 9mm Luger
Comprimento total: 92cm
Comprimento do cano: 30cm
Peso: 3,7kg
Capacidade do carregador: 32 tiros

Small Arms Review V12N9, junho de 2009.

Bibliografia recomendada:

Les Pistolets-mitrailleurs français.
Jean Huon.

Leitura recomendada:

Armas vietnamitas para a Argélia14 de dezembro de 2020.

Resultados dos testes do MAS 62, 1º de fevereiro de 2021.

A submetralhadora MAS-38, 5 de julho de 2020.


terça-feira, 7 de setembro de 2021

FOTO: Armadilha Punji na Indochina

Um soldado francês mostra o as estacas Punji, armadilha vietnamita feita de bambu partido, sobre as quais um de seus colegas soldados foi vítima durante uma patrulha em dezembro de 1953.

Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 7 de setembro de 2021.

Durante a Guerra da Indochina, o Viet-Minh lançou mão desde armadilhas arcaicas - como as estacas punji - até armadilhas mais sofisticadas, envolvendo explosivos. Os Viet-Minh até mesmo improvisaram armas de fogo em oficinas subterrâneas. Era comum que as estacas punji fossem revestidas com fezes humanas para infeccionarem os pés da vítima, que teria de ser evacuada por meio de marchas longas e árduas pela selva até atingir qualquer tipo de transporte (caminhão, navio ou avião) que o levasse para um hospital.

O General Giap descreveu o Exército Francês como um poderoso tigre que seria sangrado lentamente por incontáveis mosquitos sugando seu sangue, até que o grande tigre caísse de exaustão.

Pistola improvisada e capacete Viet-Minh no Museu da Legião Estrangeira em Aubagne, França.
(Foto do Autor)

Estacas punji preservadas no Museu da Legião Estrangeira em Aubagne, França.
(Foto do Autor)

Bibliografia recomendada:

Street Without Joy:
The French Debacle in Indochina.
Bernard B. Fall.

Leitura recomendada:

sexta-feira, 20 de agosto de 2021

GALERIA: Atividades militares dos Cuirassiers na Planície dos Jarros

Soldados do 5º RC preparam um jipe ​​armado antes da missão na Planície dos Jarros.

Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 20 de agosto de 2021.

Equipado com jipes armados, um esquadrão do 5º RC (Régiment de Cuirassiers/Regimento Cuirassier) patrulha vários pontos de apoio na Planície dos Jarros, no Laos, em abril de 1953. O esquadrão foi fotogrado por Paul Corcuff para o SCA-ECPAD.

Os jipes estão armados com metralhadoras Chatellerault Mdle 24/29 e Reibel MAC 31/MAC 34 no estilo SAS, trazido pelos veteranos da África e Europa para a Indochina. A designação MAC significa Manufacture de Châtellerault (Fabricação da Châtellerault), denotando um projeto da fabricante estatal de Châtellerault, com as outras duas de Tulle (MAT) e Saint-Étienne (MAS) também fabricando tais armamentos. Ambas as metralhadoras eram calibradas em 7,5x54mm francês.

Pausa para almoço. À esquerda, de camiseta, o Tenente Franz Adam, comandando um dos pelotões de jipes armados do 5º RC.

A coluna de jipes durante uma parada em uma aldeia laociana. Um supletivo indochinês está sentado no banco de trás do jipe.

O FM MAC 24/29 foi a metralhadora leve de uso padrão dos franceses por décadas, vendo serviço quase ininterrupto por 50 anos, enquanto a Reibel foi desenvolvida para guarnecer a Linha Maginot; sendo readaptada para uso como fuzil-metralhador (arma portátil para grupos de combate e esquadras-de-tiro), com resultados mistos e um tanto insatisfatórios por conta do peso (mais de 11kg) e de problemas de alimentação na humidade da Indochina, apresentando algumas engripagens durante o uso. Nenhum desses problemas era presente na adaptação em jipes.

A Reibel, tendo sido criada para tiro sustentado em defesa fixa de bunkers, foi projetada com um carregador de tambor circular. Ela era colocada em montagens duplas (Jumelage de mitrailleuses Reibel, JM Reibel) nas cúpulas cloche nas fortificações da Linha Maginot; estas montagens gêmeas JM eram a colocação padrão em casamatas fixas, enquanto tanques e outros veículos usavam metralhadoras únicas. Na Indochina, o sistema logístico francês teve que se virar com o que tinha, e isso incluía uma mistura de armamento obsoleto dos arsenais coloniais franceses, armamento japonês capturado, armamento alemão capturado e trazido da Europa, armamento americano e britânico suprido aos franceses livres durante a guerra contra o Eixo, armamento francês em estoque pré-1940 e armamento novo fabricado no pós-1945 (como pistolas Luger e submetralhadoras MAT-49). Dessa forma, a adaptação de metralhadoras disponíveis na Linha Maginot, agora uma linha de defesa secundária atrás das Forças Francesas na Alemanha (Forces Françaises en Allemagne, FFA), foi uma solução natural - apesar dos problemas. A adoção da Reibel como FM foi visada desde o princípio como apenas temporária.


O Coronel Guillard, comandante das tropas engajadas no Laos, passa em revista um esquadrão do 5º RC e seus jipes armados. À esquerda, o Tenente-Coronel Le Hagre.

O Coronel Guillard inspeciona os jipes armados. Atrás dele, em camisa de manga curta, o Tenente Franz Adam, comandando um dos pelotões de jipes.

A ideia partiu dos veteranos da Meia-Brigada SAS (Demi-Brigade SAS) e a ação desses jipes armados atuando como colunas voadoras provou-se uma ação eficiente em operações de busca e em escolta a comboios.

Incursão do SAS contra o Aeródromo de Sidi-Haneish

Bibliografia recomendada:

Street Without Joy:
The french Debacle in Indochina.
Bernard B. Fall.

Leitura recomendada:

Armas vietnamitas para a Argélia, 14 de dezembro de 2020.

O que um romance de 1963 nos diz sobre o Exército Francês, Comando da Missão, e o romance da Guerra da Indochina12 de janeiro de 2020.


PERFIL: O filho do general, 27 de julho de 2021.

GALERIA: Caçadores à Cavalo em reconhecimento na Indochina, 3 de março de 2021.

GALERIA: Blindados Anfíbios do 1er REC na Indochina2 de outubro de 2020.

GALERIA: Operações na região de Nghia Lo, com o 8e BPC e o 2e BEP, 5 de junho de 2021.

GALERIA: Operação Brochet no Tonquim, 3 de outubro de 2020.

FOTO: Couraceiros modernos, 14 de outubro de 2020.

FOTO: Um M24 Chaffee no Tonquim9 de julho de 2020.

FOTO: Crianças guerrilheiras no Tonquim, 13 de junho de 2021.

sexta-feira, 30 de julho de 2021

GALERIA: Renovação do posto de Ninh-Binh pela 5ª Companhia do 2e BM/1er RTA

tirailleur de 1ª classe Lakdar, da 5ª Companhia do 2e BM/1er RTA, que participou na retomada dos postos de Ninh-Binh. Ele enfeitou seu chapéu de selva com o emblema de sua unidade, com o lema árabe "sempre o primeiro", pregado em um quadrado de pano vermelho (a cor que designa o 2º Batalhão de Marcha).

Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 30 de julho de 2021.

Coleção de fotos da ECPAD, tiradas por Defives Guy, sobre a reforma do posto de Ninh-Binh, recapturado pelos tirailleurs argelinos na Batalha do Rio Day, na Indochina Francesa em junho de 1951.

5ª companhia do 2e BM/1er RTA (2e Bataillon de Marche du 1er Régiment de Tirailleurs Algériens2º Batalhão de Marcha do 1º Regimento de Tirailleurs Argelinos) participou da retomada do rochedo na fase final de contra-ataque francesa e recuperou o corpo do Tenente Bernard de Lattre, filho do General Jean de Lattre de Tassigny, o comandante-em-chefe na Indochina. O lema do 2e BM/1er RTA era "toujours le premier" ("sempre o primeiro").

Do alto de um dos postos Ninh-Binh, apesar de uma grande bandagem na cabeça, o tirailleur Mazeni, da 5ª companhia do 2e BM/1er RTA monta guarda com uma metralhadora Reibel modelo 1931 calibre 7,5mm.
De sua posição, é visível o trecho de uma das pontes sobre o rio Day, sabotada em 1947 pelo Viet-Minh em plena retirada.

Um tirailleur da 5ª companhia do 2e BM/1er RTA observa o delta do rio Day de um dos rochedos de Ninh-Binh, rebatizado de rochedo "Bernard de Lattre" durante uma missa em memória do filho do general de Lattre, o tenente do BM/1º RCC (Batalhão de Marcha do 1º Regimento de Chasseurs à Cheval), que ali tombou à frente de seu esquadrão.

A matéria original descreveu a situação nas seguintes palavras:

"Após a reconquista do posto de Ninh-Binh, a 5ª companhia do 2e BM/1er RTA atua no sentido de restaurar o sistema defensivo deste reduto assediado pelo inimigo. O posto está de fato completamente destruído pela luta. O bivaque da unidade é incompleto e as condições de vida visivelmente rústicas, a infraestrutura tendo sido fortemente danificada pelo fogo de morteiro do Viet-Minh, seguido pelos tiros de uma bateria do 64e RAA (Régiment d'Artillerie d'Afrique / Regimento de Artilharia da África), de três embarcações da 3e Dinassaut (Divisão Naval de Assalto) e os passes de “Straffing” dos caças.

Enquanto permanecem vigilantes, os escaramuçadores estão trabalhando para limpar o posto de entulho que se acumulou lá e para restaurar as trincheiras parcialmente entulhadas. Da postagem, você pode ver a fumaça liberada pelo bombardeio de Phong Du (4,5km de Ninh-Binh), com os combates continuando na área."

Tirailleurs da 5ª companhia do 2e BM/1er RTA inspecionam a igreja de Ninh-Binh, destruída por morteiros e canhões sem recuo dos sitiantes Viet-Minh que assediaram 73 homens do comando naval "François" entrincheirados no edifício. Submergidos por 3.000 Bô Doï (soldados regulares) da 308ª Divisão que varreram a posição e engajaram os comandos fuzileiros navais em uma furiosa luta corpo-a-corpo, os sobreviventes tentando uma saída forçada.

Bivaque improvisado da 5ª companhia do 2e BM/1er RTA erguido nos escombros do posto de Ninh-Binh, devastado pelo ataque Viet-Minh e depois pelo contra-ataque vitorioso das tropas francesas. O rochedo "Bernard de Lattre" foi arrasado e substituído por um monumento à glória do APV (Exército Popular Vietnamita).

Um tirailleur da 5ª compahia instalou-se provisoriamente nas ruínas do posto de Ninh-Binh após a sua reconquista por esta unidade, pertencente ao GMNA (Groupement Mobile Nord-Africain / Grupamento Móvel Norte-Africano).

Tirailleurs limpando o entulho do posto, resultado do pesado bombardeiro de morteiros e canhões sem recuo do Viet-Minh, e depois pela própria artilharia francesa na sua retomada.

Os tirailleurs da 5ª Companhia comprometeram-se a limpar o posto de Ninh-Binh dos destroços que aí se acumulavam, atestando a dureza do combate mas sobretudo a densidade do fogo dos morteiros Viet-Minh, além dos tiros diretos dos canhões sem recuo "SKZ" (Sung Khong Zat: canhão sem recuo chinês); e depois dos tiros de saturação realizados para apoiar o assalto dos "Turcos" (apelido herdado pelos tirailleurs argelinos após a campanha da Crimeia de 1854) que o tomaram.

A unidade manteve, assim, o posto por um mês e meio, repelindo vários encontros ofensivos noturnos das tropas Viet-Minh regulares (Bô Doï), e realizando várias incursões nos territórios controlados pelo inimigo.

Bibliografia recomendada:

Street Without Joy:
The French Debacle in Indochina.
Bernard B. Fall.

Leitura recomendada:

PERFIL: O filho do general,  27 de julho de 2021.

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