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domingo, 15 de maio de 2022

VÍDEO: Logística romana no deserto


Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 15 de maio de 2022.

O Exército Romano era a superpotência do seu tempo. Como que esse titã mantinha suas tropas hidratadas no ambiente árido do deserto? Neste vídeo, o canal Histórias Romanas traz uma explicação detalhada sobre a logística romana em relação à hidratação dos seus legionários.

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quarta-feira, 4 de maio de 2022

Como o conflito Rússia-Ucrânia pode influenciar o abastecimento alimentar da África

Trigo de inverno sendo colhido nos campos da fazenda coletiva Tersky Konny Zavod no norte do Cáucaso.
(Foto de Anton Podgaiko\TASS via Getty Images)

Por Wandile Sihlobo, The Conversation, 24 de fevereiro de 2022.

Tradução Filipe do A. Monteiro, 4 de maio de 2022.

"Nenhum homem se qualifica como estadista que ignora inteiramente os problemas do trigo."

As palavras do antigo filósofo grego, Sócrates.

O trigo e outros grãos estão de volta ao centro da geopolítica após a invasão da Ucrânia pela Rússia. Ambos os países desempenham um papel importante no mercado agrícola global. Os líderes africanos devem prestar atenção.

Há um comércio agrícola significativo entre os países do continente e a Rússia e a Ucrânia. Os países africanos importaram produtos agrícolas da Rússia no valor de US$ 4 bilhões em 2020. Cerca de 90% disso era trigo e 6% era óleo de girassol. Os principais países importadores foram o Egito, que respondeu por quase metade das importações, seguido pelo Sudão, Nigéria, Tanzânia, Argélia, Quênia e África do Sul.

Da mesma forma, a Ucrânia exportou US$ 2,9 bilhões em produtos agrícolas para o continente africano em 2020. Cerca de 48% disso foi trigo, 31% milho e o restante incluiu óleo de girassol, cevada e soja.

A Rússia e a Ucrânia são participantes importantes no mercado global de commodities. A Rússia produz cerca de 10% do trigo global, enquanto a Ucrânia responde por 4%. Combinados, isso é quase o tamanho da produção total de trigo da União Europeia. O trigo é para consumo interno e também para os mercados de exportação. Juntos, os dois países respondem por um quarto das exportações globais de trigo. Em 2020, a Rússia representou 18% e a Ucrânia, 8%.

Ambos os países também são atores notáveis no milho, responsáveis por uma produção combinada de milho de 4%. No entanto, a contribuição da Ucrânia e da Rússia é ainda mais significativa nas exportações, representando 14% das exportações globais de milho em 2020. Ambos os países também estão entre os principais produtores e exportadores de óleo de girassol. Em 2020, as exportações de óleo de girassol da Ucrânia representaram 40% das exportações globais, com a Rússia respondendo por 18% das exportações globais de óleo de girassol.

A ação militar da Rússia causou pânico entre alguns analistas. O medo é que a intensificação do conflito possa interromper o comércio com consequências significativas para a estabilidade alimentar global.

Compartilho essas preocupações, principalmente as consequências de grandes aumentos no preço global de grãos e oleaginosas. Eles estão entre os principais impulsionadores do aumento global dos preços dos alimentos desde 2020. Isso se deve principalmente às condições climáticas secas na América do Sul e na Indonésia, que resultaram em colheitas ruins combinadas com o aumento da demanda na China e na Índia.

A interrupção do comércio, devido à invasão, na importante região produtora do Mar Negro, aumentaria os preços globais das commodities agrícolas – com potenciais efeitos colaterais para os preços globais dos alimentos. Um aumento nos preços das commodities já era evidente apenas alguns dias depois do conflito.

Esta é uma preocupação para o continente africano, que é um importador líquido de trigo e óleo de girassol. Além disso, há preocupações com a seca em algumas regiões do continente. A interrupção dos embarques de commodities aumentaria as preocupações gerais da inflação dos preços dos alimentos em uma região que é importadora de trigo.

O que esperar

A escala do potencial aumento nos preços globais de grãos e oleaginosas dependerá da magnitude da interrupção e do período de tempo em que o comércio será afetado.

Por enquanto, isso pode ser visto como um risco de alta para os preços globais das commodities agrícolas, que já estão elevados. Em janeiro de 2022, o Índice de Preços de Alimentos da FAO teve uma média de 136 pontos de alta de 1% em relação a dezembro de 2021 – a maior desde abril de 2011.

Os óleos vegetais e os produtos lácteos sustentaram principalmente os aumentos.

Nos dias que antecederam a ação da Rússia, houve um aumento nos preços internacionais de várias commodities. Estes incluíram milho (21%), trigo (35%), soja (20%) e óleo de girassol (11%) em comparação com o período correspondente de um ano atrás. Isso é digno de nota, pois os preços de 2021 já estavam elevados.

Do ponto de vista da agricultura africana, o impacto da guerra será sentido no curto prazo através do canal global de preços de commodities agrícolas.

Um aumento nos preços será benéfico para os agricultores. Para os produtores de grãos e oleaginosas, a alta nos preços apresenta uma oportunidade de ganhos financeiros. Isso será particularmente bem-vindo devido aos custos mais altos de fertilizantes que sobrecarregaram as finanças dos agricultores.

O conflito Rússia-Ucrânia também ocorre em um momento em que a seca na América do Sul e a crescente demanda por grãos e oleaginosas na Índia e na China pressionam os preços.

Mas o aumento dos preços das commodities é uma má notícia para os consumidores que já experimentaram aumentos nos preços dos alimentos nos últimos dois anos.

O conflito Rússia-Ucrânia significa que a pressão sobre os preços persistirá. Os dois países são os principais contribuintes para o fornecimento global de grãos. O impacto sobre os preços da evolução que afeta a sua produção não pode ser subestimado.

Alguns países do continente, como a África do Sul, se beneficiam com a exportação de frutas para a Rússia. Em 2020, a Rússia respondeu por 7% das exportações cítricas da África do Sul em termos de valor. E respondeu por 12% das exportações de maçãs e peras da África do Sul no mesmo ano – o segundo maior mercado do país.

Mas do ponto de vista da África, as importações agrícolas da Rússia e da Ucrânia do continente são marginais – com média de apenas US$ 1,6 bilhão nos últimos três anos. Os produtos dominantes são frutas, tabaco, café e bebidas em ambos os países.

Efeitos de ondulação

Todos os atores agrícolas estão atentos aos desenvolvimentos na região do Mar Negro. O impacto será sentido em outras regiões, como Oriente Médio e Ásia, que também importam um volume substancial de grãos e oleaginosas da Ucrânia e da Rússia. Eles também serão diretamente afetados pela interrupção do comércio.

Ainda há muito que não se sabe sobre os desafios geopolíticos que estão por vir. Mas para os países africanos há motivos para preocupação dada a sua dependência das importações de grãos. No curto prazo, os países provavelmente verão o impacto por meio de um aumento nos preços, em vez de uma escassez real das commodities. Outros países exportadores de trigo, como Canadá, Austrália e EUA, devem se beneficiar de qualquer potencial aumento de demanda no curto prazo.

Em última análise, o objetivo deve ser desescalar o conflito. A Rússia e a Ucrânia estão profundamente inseridas nos mercados agrícolas e alimentares do mundo. Isso não se dá apenas por meio de suprimentos, mas também por meio de insumos agrícolas, como petróleo e fertilizantes.

segunda-feira, 18 de abril de 2022

Por que o declínio industrial tem sido tão gritante no Brasil


Análise da The Economist: The Americas, 5 de março de 2022.

Tradução Filipe do A. Monteiro, 18 de abril de 2022.

Cinturão de ferrugem da América do Sul: Nenhum outro país viu a manufatura como parcela do PIB desaparecer tão rapidamente.

O povo de São Bernardo do Campo, uma cidade próxima a São Paulo, é chamado de batateiros, ou plantadores de batata. No entanto, eles são mais conhecidos pela manufatura. Quase um século atrás, eles faziam móveis. Na década de 1950, eles começaram a fabricar carros. Logo a área que inclui a cidade, conhecida como ABC pelas iniciais de suas maiores cidades, tornou-se a maior zona industrial da América Latina. Um trabalhador de lá, Luiz Inácio Lula da Silva, chegou ao topo do sindicato dos metalúrgicos e, eventualmente, ao topo da política brasileira.


Mas quando a Urban Systems, uma consultoria, elegeu a cidade como o melhor lugar do Brasil para fazer negócios na indústria no ano passado, muita gente se surpreendeu. Em 2013, o ABC tinha 190.000 empregos formais na indústria (que inclui tanto a indústria quanto a transformação). Em 2019, tinha 140.000, ou quase um terço a menos. Placas empoeiradas de “vende-se” marcam algumas das 127 áreas industriais ociosas que Gisele Yamauchi, pesquisadora local, contabilizou em São Bernardo. Em 2019, a Ford, montadora americana, disse que estava deixando São Bernardo depois de quase um século no Brasil. Em 2021, o setor industrial formal da cidade se manteve estável, com quase tantos empregos criados quanto perdidos. Mas a mudança para os serviços é clara.

De fato, São Bernardo faz parte de uma tendência mais ampla no país. Na década de 1980, a manufatura atingiu o pico de 34% do PIB do Brasil. Em 2020 foi de apenas 11% (veja gráfico).


Em outros países, também, a importância relativa da manufatura diminuiu. À medida que as fábricas se tornam mais eficientes, são necessárias menos pessoas para fabricar cada widget, e o emprego na manufatura tende a cair mesmo com o aumento da produção. Mas o que é notável no Brasil é que o crescimento da produção também foi medíocre. Entre 1980 e 2017, o valor agregado da manufatura no Brasil em termos reais cresceu apenas 24%, em comparação com 69% na vizinha Argentina e 204% no mundo.

As indústrias de base científica do Brasil também perderam sua participação no PIB mais rapidamente do que o esperado. Na década de 1980, o Brasil produzia 55% dos insumos farmacêuticos que utilizava. Em 2020, isso caiu para 5%. Quando a pandemia da Covid-19 criou uma enorme demanda por vacinas, o Brasil foi pego de surpresa. A falta de materiais atrasou o lançamento da vacina.

À medida que o comércio global se liberalizou depois de 1990, o Brasil abriu o que havia sido uma economia ferozmente protegida. Mas apenas um pouco. Continuou protegendo grande parte de sua indústria doméstica da concorrência estrangeira, diz Fabiano Colbano, do Banco Mundial. Sucessivos governos se concentraram em alimentar a demanda doméstica, em vez de aumentar a produtividade. As empresas falharam em integrar muito nas cadeias de suprimentos globais. As tarifas foram mantidas altas e os regulamentos incômodos.


O prefeito de São Bernardo tentou tornar a cidade um lugar mais fácil para fazer negócios. Durante a pandemia, ele cortou a burocracia, baixou impostos e construiu mais estradas. Ele garantiu promessas de investimento em logística e outros aspectos da fabricação, no valor de US$ 1,75 bilhão para 2021 e 2022 (o orçamento da cidade para 2022 é de US$ 1,2 bilhão). Mas em outras partes do Brasil, a Covid-19 acelerou a queda da indústria.

O boom das commodities ajudou a criar um superávit comercial recorde para o Brasil. Mas isso mascara um déficit de US$ 53 bilhões (ou 3,3% do PIB) em bens manufaturados. De fato, a dependência de commodities, cujas exportações no Brasil equivalem a 8% do PIB, normalmente tende a acelerar o declínio da manufatura ao fortalecer a moeda local, o que torna as importações mais baratas. A China há muito prefere comprar commodities brutas e processá-las em casa. Em 2009, a China importou produtos alimentícios primários do Brasil no valor de US$ 7 bilhões, em comparação com produtos alimentícios processados no valor de quase US$ 600 milhões. Em 2019, os números foram de US$ 23 bilhões e US$ 5 bilhões, respectivamente.

O Brasil não precisa necessariamente de um grande setor industrial para prosperar. Em São Bernardo, os chãos das fábricas foram transformados em shopping centers e muitos moradores encontraram empregos como operadores de telemarketing. Alguns economistas argumentam que o declínio da manufatura deu ao Brasil uma oportunidade de aproveitar seus pontos fortes na agricultura e no petróleo.

No entanto, outros sentem que esse otimismo é equivocado. “O Brasil é o pior exemplo de desindustrialização prematura do mundo”, argumenta Rafael Cagnin, do IEDI, uma associação do setor. Os trabalhadores mudaram para empregos de serviços de baixa qualificação, em vez de empregos de alta tecnologia e qualificados. Em média, sua produtividade e renda caíram, diz ele. Em São Bernardo, os maiores salários de todos os trabalhadores com carteira assinada permanecem na indústria automobilística. Os salários médios reais em São Bernardo têm diminuído a cada ano desde 2017, inclusive nele.


Uma crise econômica entre 2014 e 2016 deu um choque tão grande no Brasil que qualquer tentativa de separar os efeitos da política industrial é difícil. Mesmo antes da Covid-19, o desemprego estava em seu nível mais alto em 50 anos, segundo o Banco Mundial.

O declínio industrial pode ter consequências políticas. Nos Estados Unidos, a perda de empregos na indústria do Centro-Oeste pode ter levado alguns eleitores a votarem em Donald Trump em 2016. No Brasil, as eleições de 2018 foram dominadas pela corrupção e as consequências da recessão, mas um estudo de dois pesquisadores brasileiros descobriu que as áreas mais afetadas pela liberalização do comércio na década de 1990 eram as mais propensas a votar em Jair Bolsonaro, o presidente populista. Ele até ganhou no antigo reduto de Lula em São Bernardo.

A próxima eleição presidencial, em outubro, pode ser crucial para a indústria. Bolsonaro não fez do estímulo à indústria uma prioridade, embora no final de fevereiro tenha prometido um corte de impostos para produtos industriais. Lula, que provavelmente concorrerá contra ele, disse que, embora as commodities sejam importantes, o Brasil precisa “ser forte na indústria, na ciência e na tecnologia”. Os próximos meses provavelmente envolverão uma corrida para conquistar os corações e votos de lugares como São Bernardo.

Bibliografia recomendada:

Introdução à Logística:
Fundamentos, práticas e integração.
Marco Aurélio Dias.


Leitura recomendada:



sábado, 24 de abril de 2021

A busca global de terras raras do Japão traz lições para os EUA e a Europa


Por Mary Hui, Quartz, 23 de abril de 2021.

Tradução Filipe do A. Monteiro, 24 de abril de 2021.

Em 2010, o governo japonês teve um grito de alerta: Pequim cortou abruptamente todas as exportações de terras raras para o Japão por causa de uma disputa com uma traineira de pesca. Tóquio era quase totalmente dependente da China para os metais essenciais, e o embargo expôs essa vulnerabilidade aguda.

O lado positivo desse incidente, que fez com que os preços globais das terras raras disparassem antes de despencarem com o estouro da bolha especulativa, foi que isto forçou o Japão a repensar sua política de matérias-primas críticas. Uma década depois, ele reduziu significativamente sua dependência da China para terras raras e continua a diversificar sua cadeia de suprimentos investindo em projetos em todo o mundo. Seu modelo pode ter lições para os EUA, que querem desesperadamente quebrar o monopólio das terras raras da China. As terras raras são um grupo de 17 metais essenciais na fabricação de produtos de alta tecnologia.

“O Japão experimentou o que os EUA enfrentam agora: um conflito político com a China, no qual a China parece estar disposta a explorar seu domínio no mercado [de terras raras]”, escreveu Marc Schmid, que pesquisa terras raras na Universidade Martin Luther Halle- Wittenberg. “Os EUA parecem estar em uma posição vulnerável semelhante à do Japão há cerca de uma década”.

A Tabela Periódica: Metais de terras raras.

Uma busca global liderada pelo Estado

No centro da estratégia de aquisição de terras raras do Japão está a Japan Oil, Gas and Metals National Corporation, ou Jogmec, uma empresa estatal governada pelo ministério da economia, comércio e indústria. Embora a Jogmec tenha sido criada em 2004 por meio da fusão de duas décadas de entidades de mineração de petróleo e metais, foi somente após o embargo da China que ela voltou sua atenção para as terras raras, disse Nabeel Mancheri, secretário-geral da Associação da Indústria de Terras Raras com sede em Bruxelas: “O foco partiu da crise de 2010”.

Uma das frentes-chave da estratégia da Jogmec era diversificar os suprimentos do Japão. Isso significava investir e fazer parceria com empresas de terras raras em todo o mundo, começando logo após o embargo chinês, incluindo resgatar Lynas da Austrália do colapso, a fim de construir um portfólio mais amplo de fornecedores. Também apóia esforços para reciclar terras raras, bem como pesquisas para desenvolver substitutos de terras raras. Essa estratégia foi amplamente bem-sucedida: o Japão cortou o fornecimento de terras raras da China de mais de 90% das importações para 58% em uma década, de acordo com dados da Comtrade da ONU. O objetivo é reduzir esse valor para menos de 50% até 2025.

Como a mudança global para veículos elétricos e energia renovável deve impulsionar um aumento na demanda de terras raras, o Japão deve aumentar ainda mais o financiamento para a exploração e mineração de terras raras, de acordo com o jornal de economia Nikkei. Uma consideração é levantar o limite atual de 50% no financiamento do Estado para projetos de exploração de recursos, o que poderia aliviar a carga financeira do setor privado em projetos de mineração inerentemente arriscados.

A dependência do Japão das terras raras da China.

Especialistas da indústria dizem que o exemplo do Japão ilustra a importância do investimento dirigido pelo Estado no setor de terras raras. Por meio do Jogmec, o Japão poderia direcionar fundos governamentais substanciais para apoiar diferentes projetos de mineração e garantir os direitos a uma certa quantidade de terras raras no que é conhecido como acordos de offtake (Contrato de Compra Mínima Garantida). Freqüentemente, isso significa que o Japão é capaz de bloquear uma quantidade específica de importações de terras raras durante um período de tempo designado. Isso também estabiliza o volume e o preço dos suprimentos, o que é importante para a sustentabilidade dos fabricantes descendo a cadeia que usam materiais de terras raras para produzir baterias e ímãs que vão para coisas como veículos elétricos e turbinas eólicas.

Por exemplo, a Jogmec e a principal empresa de comércio japonesa Sojitz investiram US$ 250 milhões na Lynas em 2011 em troca de um suprimento constante de terras raras. Os termos do empréstimo foram reestruturados em 2016 para evitar que a doente Lynas quebrasse, e reestruturados novamente em 2019 para garantir que o Japão receba "abastecimento prioritário" de suas terras raras até 2038.

Em outro lugar, a Jogmec recentemente aprofundou seu investimento em uma joint venture com a Namíbia Critical Metals, sediada no Canadá, no projeto de mineração de terras raras Lofdal, na Namíbia. A Jogmec já investiu milhões para financiar a exploração e o desenvolvimento de Lofdal e pode despejar (em pdf) outros US$ 10 milhões. O projeto Lofdal tem um significado especial porque é rico em terras raras pesadas.

Terras raras “leves” e “pesadas” referem-se ao seu número atômico. Lynas está mais focada no primeiro, enquanto a China atualmente domina o fornecimento global do último. O ímã permanente de terras raras mais amplamente usado, neodímio-ferro-boro ou NdFeB, usa o neodímio e paseodímio de terras raras leves. Adicionar uma terra rara pesada como disprósio e às vezes térbio torna o ímã mais estável em temperatura e adequado para uso em turbinas eólicas offshore, onde os custos de manutenção são altos.

Uma razão pela qual os EUA e a Europa não têm sido tão ativos no fornecimento de apoio estatal significativo ao setor de terras raras é que esses governos simplesmente não estão preparados para a tarefa, disse Kotaro Shimizu, analista-chefe da Mitsubishi UFJ Research and Consulting. Embora o US Geological Survey trabalhe em questões de terras raras, é fundamentalmente uma organização de pesquisa e não tem uma função de financiamento, disse ele. Da mesma forma, a Comissão Européia tem um conselho de inovação, mas também está centrado na pesquisa e não no financiamento.

Por enquanto, o financiamento federal americano mais recente para projetos de terras raras veio do departamento de defesa. Enquanto isso, um corpo modelado com base no Jogmec foi realmente proposto pela Comissão Européia em 2015, embora a idéia ainda não tenha tomado forma.

Lições do Japão para os EUA e Europa

Enquanto os EUA e a Europa buscam proteger suas cadeias de abastecimento de terras raras e limitar a dependência da China, o modelo do Japão pode oferecer alguma orientação.

Uma diferença importante é que, embora o Japão seja escasso em recursos minerais, os Estados Unidos e a Europa têm reservas consideráveis de terras raras. O problema, no caso dos EUA, é que eles cederam suas capacidades de mineração e processamento para a China nas últimas décadas e agora devem reconstruir a indústria em um momento em que a China já está profundamente enraizada nas cadeias globais de abastecimento de terras raras.

“O Japão e a Austrália definitivamente lideraram o caminho em termos de como o governo dos EUA deve abordar [garantir o fornecimento de terras raras]”, mas “não é necessariamente um trabalho de cortar e colar” para Washington em termos de emulação de políticas específicas, disse Pini Althaus, CEO da USA Rare Earth, que está desenvolvendo uma mina no Texas e estabelecendo uma unidade de processamento doméstico no Colorado. Espera ir a público em uma listagem de Nova York este ano.

Reserva de terras raras por país.

Por exemplo, os EUA poderiam usar a legislação federal existente para aumentar seu estoque de defesa nacional de terras raras, comprometendo-se a comprar terras raras de produtores domésticos durante um certo número de anos e dentro de uma certa faixa de preço, explicou Dan McGroarty, membro do conselho consultivo dos EUA Rare Earth.

Isso seria, na verdade, um acordo de venda muito parecido com os da Jogmec com vários produtores de terras raras. E o governo americano, ao se comprometer a comprar de um determinado produtor doméstico, enviaria um forte sinal aos mercados de capitais, disse McGroarty. Isso também evitaria “escolher vencedores e perdedores”, o que implicaria em subvenções federais diretas a empresas específicas, possivelmente às custas de afastar o capital privado de outras empresas.

Os especialistas também alertam que as minas de terras raras representam apenas a parte a montante da cadeia de abastecimento preocupada em extrair os minérios do solo. Processar esses minérios em metais de terras raras de alta pureza e, em seguida, usá-los para fabricar ímãs e baterias é igualmente crucial.

“Cem novas minas podem ser abertas ao redor do mundo com generoso apoio público, mas sem investir em processamento e fabricação de valor agregado, o resto do mundo continuará a depender da China para terras raras refinadas e tecnologias de manufatura de terras raras”, disse Julie Klinger, professora assistente de geografia na Universidade de Delaware.

Deixando de lado os detalhes das políticas de aquisição de terras raras, há uma conclusão importante do sucesso relativo do Japão, disse Mancheri da Rare Earth Industry Association: “É que agora, para ter sua própria cadeia de valor, o apoio do governo é necessário. O mercado não pode trazer de volta a indústria que você perdeu.”

Mary Hui é uma repórter que mora em Hong Kong, onde cobre geopolítica, tecnologia e negócios. Anteriormente, ela trabalhou como jornalista freelancer, cobrindo questões políticas, socioeconômicas, culturais e urbanas.

Bibliografia recomendada:


Leitura recomendada:

domingo, 21 de fevereiro de 2021

PINTURA: A Via Sacra de Verdun

"La Voie Sacrée".
(Musée de l'Armée - Invalides)

Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 21 de fevereiro de 2021.

No dia 21 de fevereiro de 1916, a artilharia alemã abriu fogo contra as fortificações de Verdun, iniciando a batalha mais longa e uma das mais sangrentas da Primeira Guerra Mundial. Durando 9 meses, 3 semanas e 6 dias, o duelo titânico de resistência entre ambos os combatentes terminaria em 18 de dezembro de 1916 com a vitória francesa, seu exército não recuando de Verdun e nem sendo sangrado branco ou destruído.

A sua estratégia de rotação de tropas, apoiadas pelo fluxo ininterrupto de caminhões de abastecimento de homens e material pela Voie Sacrée (Via Sacra) garantiram a vitória.

Mapa do Teatro de Operações.

Os bombardeamentos massivos, seguidos de ataques e contra-ataques pela posse do complexo de fortalezas custaram cerca de 800 mil baixas em ambos os lados, com estimativas de 336.000–355.000 baixas alemãs (cerca de 143 mil mortos) e 379,000–400,000 baixas francesas (163,000 mortos e 216,000 feridos). O épico de Verdun representou a determinação francesa e o microcosmo da destruição e morticínio industrial da Primeira Guerra Mundial.

Verdun: On ne passe pas


Bibliografia recomendada:

The Fortifications of Verdun 1874-1917.
Clayton Donnel e Brian Delf.

Leitura recomendada:

domingo, 8 de novembro de 2020

GALERIA: O T-72 polonês em direção à Lituânia

Tanques T-72 poloneses sendo transportados por via férrea para a Lituânia em 28 de outubro de 2020.

Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 8 de novembro de 2020.

De 28 de outubro até 6 de novembro, as tropas do 21BSP (21 Brygada Strzelców Podhalańskich/ 21ª Brigada de Fuzileiros Podhale) treinaram como parte da segunda fase do exercício Brilliant Jump 20, um exercício organizado pelo Comando de Operações Conjuntas da OTAN em Brunssum, na Lituânia.

O exercício Brilliant Jump 20 testou a logística da OTAN e sua capacidade de responder e movimentar a Força-Tarefa Conjunta de Prontidão Muito Alta (Very High Readiness Joint Task Force, VJTF) rapidamente em caso de crise. A Matriz do Corpo Multinacional Nordeste (HQ MNC NE) era responsável por realizar a Recepção, Colocação e Movimento Adiante (Reception, Staging and Onward MovementRSOM) das unidades que chegavam.

O planejamento do exercício, que entrou em sua fase final em 28 de outubro, teve início em meados de 2019. Realizado sob a égide do Comando da Força Conjunta Aliada Brunssum, o exercício Brilliant Jump foi projetado para demonstrar a prontidão e mobilidade da VJTF. Foram enviados para a Lituânia 2.500 soldados e 600 veículos usando recursos aéreos, terrestres e marítimos enviados da República Tcheca, Polônia e Espanha. 

O modal ferroviário é o melhor sistema de transporte terrestre que existe. Isto é particularmente verdadeiro em relação ao transporte de blindados.

O exercício Brilliant Jump 20 consiste em duas partes: uma fase marítima conduzida de 28 de setembro a 2 de outubro na costa do Reino Unido; seguida por uma fase de desdobramento terrestre de 28 de outubro a 6 de novembro na Lituânia.

"Nossos exercícios aproveitam as oportunidades para a OTAN e as nações aliadas aprimorarem suas habilidades de combate, concentrando-se em capacidades de ponta", disse o Vice-Almirante Keith Blount, comandante do Comando Marítimo da OTAN. "O exercício Brilliant Jump 20 mostra que continuamos preparados para operações em paz , crise e conflito e que estamos sempre prontos para desdobrar nossas forças onde for necessário, de forma rápida e eficaz.”

Transferir milhares de soldados de um lugar para outro é uma tarefa imensa e complicada. "Todo o processo RSOM é subdividido em várias atividades", indica o Ten-Cel Rene Srock da Divisão MNC NE J4. A coordenação de todos os esforços foi assegurada pelas Unidades de Integração de Forças da OTAN localizadas na Polônia e na Lituânia. Eles forneceram a ligação para seus respectivos ambientes militares e civis. Desta forma, o Comando RSOM em Szczecin teve a tão necessária Consciência Situacional para focar o apoio das Nações Receptoras Anfitriãs (Host Receiving Nations), ajustar os Planos de Movimento e apoiar a segurança para as diferentes fases e locais do RSOM.

"O maior desafio é mover as forças de acordo com os regulamentos de tempo de paz entre o tráfego civil normal. Todos os movimentos devem ser meticulosamente coordenados em tempo hábil", disse COL Miroslav Heger, Chefe RSOM MNC NE.

Independentemente de onde o RSOM é conduzido, os principais provedores de serviços são as Nações Receptoras Anfitriãs com suas capacidades militares e civis. Portanto, a execução bem-sucedida do processo RSOM é uma boa ilustração da coesão, interoperabilidade e prontidão da OTAN para reagir rapidamente em uma emergência.

Os T-72 poloneses estão sendo modernizados atualmente com visão noturna e térmica passiva, e sistemas de comunicação digital. Uma boa direção antes de substituí-los por MBTs modernos.

Os trens fornecem a maior capacidade de carga em todos os modais terrestres.

Este ano, o núcleo da "ponta de lança" da OTAN foi formado pela 21ª Brigada de Fuzileiros Podhale polonesa, com as unidades terrestres participantes incluindo um quartel-general de brigada, um batalhão de ponta-de-lança, forças especiais e o quartel-general da força-tarefa QBN da Polônia, um batalhão mecanizado da República Tcheca, uma companhia mecanizada da Lituânia e um batalhão de infantaria da Espanha.

Após a conclusão do Brilliant Jump 20, as unidades VJTF participarão do exercício liderado pela Lituânia, Iron Wolf (Lobo de Ferro), antes de serem transferidas de volta para suas bases.

Bibliografia recomendada:


Leitura recomendada:

quarta-feira, 1 de julho de 2020

“O Brasil não tem planejamento em infraestrutura de transporte”, afirma professor da FDC


Por Rosalvo Streit, Agência CNT de Notícias, 2 de julho de 2014.

Rodovias e ferrovias em estado precário, mal conservadas. Aeroportos com pequena capacidade para transporte de cargas, além de terminais portuários ineficientes e operando com excesso de burocracia. Segundo o coordenador do Núcleo de Logística, Supply Chain e Infraestrutura da Fundação Dom Cabral, Paulo Resende, este é, infelizmente, o atual cenário dos setores de infraestrutura e transporte no país, atualmente.

Em entrevista à Agência CNT de Notícias, Resende comenta os principais problemas que dificultam o desenvolvimento do transporte no Brasil. Apresenta dados e mostra como o governo brasileiro investe pouco na área e peca pela falta de planejamento dos projetos. A situação, destaca, é contrária aos procedimentos adotados em potências como a China.

Quais os principais problemas que o Brasil enfrenta na área de infraestrutura?

Começando pelas rodovias, há um problema que é a alta dependência deste modal. O Brasil tem quase 1 milhão e 700 mil km de rodovias, envolvendo as esferas federal, municipal e estadual, e menos de 14% são asfaltadas. A administração está nas mãos do poder público, que faz poucos investimentos. A maioria das cargas é transportada pelo modal rodoviário, o que provoca um grande desgaste nas estradas e reduz a qualidade delas.

Em relação às ferrovias, a questão fundamental é a baixa densidade ferroviária ou a ausência de corredores ferroviários. Existe um vazio ferroviário no Brasil, principalmente nas fronteiras agrícolas do Centro-Oeste, Norte e Nordeste. A participação das ferrovias em nossa matriz de transporte deveria ser, no mínimo, de 38%. Outra questão é o fato de a maioria dos trilhos transportarem minério de ferro. É preciso transportar cargas com maior valor agregado.


E como está a situação dos portos e aeroportos?

Nos portos, encontramos um nível de ineficiência muito grande. O porto brasileiro é ineficiente, quando comparado com referências mundiais, como Cingapura e Roterdã, na Holanda, por exemplo. Nossos portos são ineficientes por falta de investimentos históricos. Além da falta de modernização, existe a influência política, que é muito grande, e a questão da burocracia. Esses três elementos se associam à concentração portuária, ou seja, poucos portos com muito volume movimentado, como Santos (SP) e Paranaguá (PR).

Nos aeroportos, o transporte de cargas é quase inexistente. Ele representa menos de 1% da matriz de transporte do Brasil, com grande concentração nos terminais de Guarulhos (SP) e Viracopos (SP). Temos uma baixíssima qualidade nos serviços. De um modo geral, os quatro modais precisam de muito investimento.

O Brasil está investindo menos que o esperado em infraestrutura?

Países emergentes e desenvolvidos chegam a investir até 8% do seu Produto Interno Bruto (PIB) em logística de transportes. O Brasil jamais passou dos 2%, mesmo nos períodos de pico. A média dos últimos 30 anos é de apenas 0,8% do PIB. Isso coloca o Brasil na última posição entre os BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).
Se fôssemos considerar os investimentos necessários para os próximos dez anos, o Brasil deveria investir, segundo os nossos levantamentos, US$ 80 bilhões por ano, durante dez anos. Mas se pegarmos a média da última década, o valor total não chega a US$ 200 bilhões. Significa que o Brasil investiu menos de 25% que o necessário.


Isso quer dizer que os investimentos não estão acompanhando o crescimento da economia...

Não, não estão. O resultado dessa falta de investimentos é a queda de competitividade. O Brasil é um país cada vez menos competitivo, tanto no cenário global, como no nacional. Isso significa que o brasileiro está pagando mais caro pelo que consome.

A China, por exemplo, investe um percentual maior do PIB em infraestrutura, existe mais planejamento...

O Brasil não tem planejamento em infraestrutura de transporte e, na China, existe um conceito que poderia ser adotado aqui – a elaboração do projeto executivo antes da licitação. Essa mudança resolveria uma das nossas grandes mazelas ligadas à corrupção. O Brasil é o país dos aditivos, ninguém quer saber o detalhamento do projeto. Os brasileiros entram às cegas na concorrência ou licitação e, depois, quando vão desenvolver o projeto executivo, enfrentam dificuldades e precisam ficar aditivando os orçamentos.

Essa é uma prática brasileira que precisa acabar. Na China, os projetos não são executados antes que se conheçam as suas dificuldades ou variáveis técnicas.

A Iniciativa do Cinturão e Rota da China


Existe algum outro exemplo que mostre como os chineses são mais eficientes nesse sentido?

Podemos traçar uma comparação com as ferrovias. Os chineses, do pré-projeto ao início da operação de um sistema sobre trilhos, gastam 60% do tempo planejando e 40% realizando a obra. No Brasil, apenas 20% do prazo é dedicado ao planejamento e os 80% restantes são para a execução do projeto. Os brasileiros não planejam, vivem de surpresa. Os chineses evitam enfrentar estes problemas no decorrer do empreendimento.

O Programa de Investimentos em Logística (PIL) do governo federal é um avanço para melhorar o setor de infraestrutura no país?

Sim. Antigamente, existia um pensamento no Brasil de que o orçamento público seria suficiente para arcar com as demandas de infraestrutura e logística do país. Isso foi um erro histórico. O Plano de Logística traz o investidor privado para o papel de ator principal nesse novo movimento. A gente só espera que o governo não decepcione os investidores, quebrando contratos ou mudando regras a todo o tempo. O governo precisa entender que o investidor estrangeiro joga com regras sólidas de mercado, sinais de instabilidade não vão trazer investimentos privados para o país.

Bibliografia recomendada:

Introdução à Logística:
Fundamentos, práticas e integração.
Marco Aurélio Dias.

Leitura recomendada:





sexta-feira, 27 de março de 2020

O Legionário romano, este atleta desconhecido

Centurião Lucius Vorenus, série Roma.

Do site Theatrum Belli, 25 de abril de 2019.

Tradução Filipe do A. Monteiro, 22 de julho de 2019.

Pela força de seus exércitos, Roma havia conquistado um vasto império cujos limites se estendiam por toda a bacia mediterrânea. Neste período da história, onde o destino das batalhas era decidido por meio do combate corpo-a-corpo, o soldado romano pôde mostrar sua superioridade sobre seus oponentes graças a uma preparação intensiva com o objetivo de desenvolver suas qualidades físicas, táticas e psicológicas. A preparação de atletas modernos parece pouco diferente em princípio daquele dos lutadores da antiguidade (1), e os dados atuais da fisiologia podem explicar as regras empíricas que foram estabelecidas naquela época para guiar a vida cotidiana do legionário romano.

(1) A palavra atleta vem do grego athlon (atleta, aquele que combate).

O retrato típico do legionário romano

Após a reforma de Marius (107 a.C.), o sistema de serviço obrigatório foi substituído pelo alistamento voluntário. O exército havia se tornado uma profissão paga por um soldo, amputado é verdade pelo custo da comida, roupas e equipamentos fornecidos pelo Estado, mas aumentada pelo butim tirado do inimigo. O engajamento foi aberto a cidadãos de 18 a 21 anos, excepcionalmente 30 anos em tempos de crise (2), na condição de que não se tenha observado uma vida muito descontrolada sobre o plano moral e físico, de apresentar uma boa conformação geral, uma boa saúde, uma boa visão e se aproximar do tamanho ideal de 1,78 metros (3). De fato, uma altura elevada não era uma necessidade absoluta (4). Cumpridos estes critérios, o jovem engajado, tendo pronunciado o “sacramentum” que o ligava aos seus líderes e a Roma, pôde entrar no exército para uma carreira de vinte anos.

(2) LE BOHEC Y. – L’armée romaine, Picard, Paris, 1989.
(3) CONNOLY P. – Vingt ans dans la légion, Historia, 1987, 489, 49-52.
(4) CÉSAR. – De bello gallico, II, 30 (Os gauleses ironizavam o pequeno tamanho dos soldados romanos).

Com um armamento defensivo que consistia em armadura, capacete e escudo e de um armamento ofensivo compreendendo espada, adaga e lança, o legionário também carregava sua bagagem (sarcinae) representado por suas provisões de boca – do trigo em particular – utensílios de cozinha, tais como a panela-marmita, o espeto, do material de abate e equipamentos de terraplenagem:machado, serra, pá, todo o conjunto pesando junto com o armamento, segundo os autores, entre 35 e 45kg (5). Daí o nome de mula de Mário que havia sido dado a esses soldados durante a campanha contra os cimbros e os teutões na Provença (102 a.C.). Para conseguir andar com tal fardo, ficou claro que os candidatos tinham um treinamento rigoroso que desenvolvia não apenas a destreza, mas também a resistência e o vigor. César aumentou a velocidade de suas tropas reduzindo a carga transportada para vinte quilos, o que lhe permitiu escolher com mais frequência os campos de confrontação (6-7).

(5) HARMAND J. – L’armée et le soldat à Rome de 107 à 50 avant notre ère, Picard, Paris, 1967, 162.
(6) PLUTARCO. – Caius Marius, XXII.
(7) CLERC M. – La bataille d’Aix. Etudes critiques sur la campagne de Caius Marius en Provence, Fontemoine, Paris, 1906, 28.

As atividades do legionário


O legionário primeiro aprendia a marchar longas distâncias. A cada dez dias ele efetuava um teste de marcha de trinta quilômetros com equipamentos de campanha. Ele também praticava exercícios atléticos como correr, saltar, arremessar dardos ou simplesmente pedras, além de outras atividades como a luta, a natação e até equitação (8). Para a preparação de combate, o recém engajado se dedicava duas vezes por dia ao manejo das armas com um escudo de vime e uma espada de madeira. Ele também arremessava dardos pesados. Finalmente integrado em um grupo de combate, ele se exercitava para lutar com armas estampadas. Mais tarde, ele aprendia o uso de máquinas de guerra e as manobras táticas da legião.

(8) O estribo seria usado apenas a partir do século VII.

Com ou sem bagagem, o legionário percorria distâncias consideráveis para monitorar o território e as fronteiras do Império. Dois passos de marcha foram adotados: o passo curto e o passo longo, mais rápido, destinados aos percursos feitos nas estradas. O legionário normalmente viajaria cerca de 25km por dia, mas ele poderia percorrer, durante as marchas forçadas, distâncias notavelmente superiores. Podemos notar as 25 milhas, sendo 37km, constantemente cruzadas pelas legiões de Crasso, os 45km que faria o exército de César na terra dos suessiões ou ainda a grande marche de 74 km, realizada sem bagagem em 24 horas, com um descanso de 3 horas (9-10). No final do percurso, restava ainda aos legionários estabelecer o entrincheiramento do acampamento provisório ou acampamento de marcha, para passar a noite, com a escavação de valas e construção de paliçadas, trabalho para o qual devem ser adicionadas as várias tarefas (água, madeira, cozinha etc.) específica para qualquer exército em campanha.

(9) CÉSAR. – op. cit., V, 46-47.
(10) CÉSAR. – op. cit., VII, 39-41.

A guerra, função principal do legionário para "garantir a proteção dos cidadãos romanos, terras aráveis e, o que não é o menos importante para a mentalidade dos antigos, o templo"(11). Se ele está sitiando ou lutando em campo aberto, a força física do legionário era constantemente solicitada.

(11) LE BOHEC Y. – op. cit., 14-15.

Desde o início do cerco, o exército isolaria o inimigo com uma parede dobrada por uma vala (circunvalação) para evitar qualquer contra-ataque eficaz. Então o exército preparava o ataque construindo uma torre de madeira (turris), mais alta que a muralha da cidade sitiada (12), equipada com engenhos balísticos. Esta torre era então levada para perto do cercado graças à construção de um terraço (agger). Outras manobras eram planejadas no momento do assalto, manobras das catapultas, balistas, do aríete (aries), da tartaruga, etc. Quando a cidade sitiada era forçada, começavam então combates corpo-a-corpo.

(12) CÉSAR. – op. cit. Il, 3.

Estando fora da guerra, os legionários construíam estradas, pontes e até cidades (Timgad). Essas atividades não eram apenas de interesse econômico, elas tinham a vantagem de melhorar as condições físicas e, em particular, de aumentar a força muscular "em virtude do princípio de que o manejo da pedra fortalece o corpo" (13). O canal Fos foi escavado pelas tropas de Marius, provavelmente para facilitar o acesso do porto de Arles ao mar, mas especialmente para manter os legionários em boa forma, aguardando, por vários meses, a chegada dos cimbros e teutões.

(13) LE BOHEC Y. – op. cit.116.

Ilustração de Angus McBride no livro Roman Legionary 58 BC–AD 69, da Osprey Publishing.

A avaliação dos gastos energéticos do legionário

Os dados atuais de ergonomia podem ser usados para avaliar a energia gasta por um soldado.

No caso de um legionário: marchar por 5 horas com uma carga de vinte quilogramas: 3000kcal; instalação de acampamento com uma hora de terraplenagem ou derrubada de árvores: 400kcal; tarefas diversas: 250kcal. Além desses diferentes gastos de energia, devemos adicionar o gasto incompressível representado pelo metabolismo basal, sendo 1600 Kcal. Adicionando esses valores diferentes chegamos a um total de 5250kcal.

Outra estimativa: a marcha forçada de 74km, realizada pelos legionários de César, em 24 horas, sem bagagem, com um descanso de 3 horas, corresponde a uma despesa individual de mais de 6000kcal.

Quanto aos trabalhos de interesse coletivo, na ausência de dados quantitativos, podemos estimar que eles devem corresponder ao trabalho realizado pelos escavadores ou pedreiros no início do nosso século antes de qualquer mecanização, trabalho cujo gasto energético foi avaliado entre 4000 e 5000kcal por dia (27).

(27) SCHERRER J. – Précis de Physiologie du Travail, Masson, Paris, 1981.

Hoje em dia, apenas atletas, recrutas militares e alguns trabalhadores manuais podem reivindicar um gasto energético superior à 4000kcal por dia.

A alimentação do legionário

O trigo constituía o alimento básico do mundo romano e, devido à sua importância, uma lei frumentária que regulamentava a distribuição gratuita, ou barata, que era feita ao povo. As colheitas, colocadas sob a proteção de Robigus (14), teria sido insuficiente se os territórios conquistados, e em particular a Gália e o Egito, não tivessem contribuído para abastecer os celeiros de Roma. A intendência proporcionou aos soldados trigo em grão, às vezes moído ou assado, carne fresca, salgada ou seca, azeite de oliva, sal e vinho de baixa qualidade que misturado com água formava uma bebida chamada posca, bebida ácida, sialagogo, que poderia melhorar o mau gosto eventual da água potável. Na primeira metade do século 1 aC J.-C, o legionário romano consumia entre 1000 e 1500 g por dia de alimento feito à base de trigo (15) na forma de papas grossas (puls) (16), de torta, pão ou biscoito. A importância do consumo frumentário foi da mesma ordem um século depois, uma vez que cada soldado absorvia ainda no ano um terço de tonelada de trigo, isto é, entre 900 e 1000g de trigo por dia ou ainda, do ponto de vista energético, entre 3000 e 3300kcal por dia. Davies fixou para o mesmo período o consumo diário de pão em 1350g (2 libras) sendo ainda o equivalente de 3240kcal (17).

(14) ROBIGUS foi a divindade protetora das colheitas contra bolor e seca, ele era homenageado nos festivais de Robiglia (25 de abril).
(15) HARMAND S. – op. cit. 183-184 t nota 265.
(16) De acordo com Plínio, os romanos eram chamados de comedores de mingau.
(17) DAVIES R.W. – The roman military diet. Britannia, II, 1971, 122-123.


Dautry e Maisani (18) especificam que a ração matinal (prandium) para o soldado, sob a República, compreendia 850g de trigo, 100g de bacon, 30g de queijo e 1/2 litros de vinho, o que corresponde a quase 3500kcal ao qual serão adicionados àqueles da ração da noite (cenà).

(18) DAUTRY J., MAISANI O. – Guide romain antique (apresentado por G. HACQUARD), Hachette, Paris, p. 66.

Davies acrescenta aos 1350g de pão, 900g de carne, o que parece excessivo, 70ml de óleo e 1 litro de vinho, sendo uma contribuição global de mais de 5000Kcal para o dia.

Em termos de qualidade, essa ração correspondeu a 78% de carboidratos, 14% de proteínas e 10% de lipídios. Ela estava desequilibrada com os dados dietéticos atuais, que estimam que observa 55% de carboidratos, 15% de proteína e 30% de gordura (19). Deve-se acrescentar que essa ração alimentar, caracterizada por uma alta proporção de carboidratos (78%) de origem frumentária, apresentava as seguintes vantagens: a presença de açúcares lentos; muito energéticos; digeríveis; assegurando o lastro intestinal; restaurando as reservas de glicogênio do organismo (20-21).

(19) CREFF A. et BÉRARD L. – Manuel pratique de l’alimentation du sportif, Masson, Paris, 1980.
(20) "Quando se quiser construir um exército, você tem que começar pela sua barriga..., o pão faz o soldado", Frederico II da Prússia (1712-1785).
(21) Bem antes do trabalho de Appert (1749-1841), o problema da conservação dos alimentos se apresentava o tempo todo. Para os romanos, diferentes processos eram utilizados:
- frutas e legumes foram preservados por secagem ao sol (figos, uvas, ameixas, peras), por maceração em vinhos cozidos, ou em vinagre ou na salmoura (repolho, azeitona).
- a carne, especialmente carne de porco, era salgada ou defumada, e aves cozidas mantidas em banha.
- peixe, atum, cavalinha, sardinha e anchova eram comidos em salga (ver RODOCANACHI E., “Les romains en voyage” , Historia, 1979, 332, 26-37) ou ainda na forma de garo comparável hoje em dia a nuoc-mâm.

Além disso, o legionário poderia acrescentar a esta ração básica suplementos na forma de produtos conservados, tais como frutas secas ou carnes curadas, e na forma de produtos frescos: vegetais, frutas ou mesmo carne, onde a análise dos ossos encontrados nos depósitos dos acampamentos estabelecidos na Inglaterra ou na Alemanha (22) revela a variedade. Contando não apenas animais de criação (porco, vaca, carneiro, cabra), mas também animais selvagens (javalis, veados, gamos, alces, ursos e até mesmo lobo, raposa, castor, lontra). Estes suplementos podem, por um lado, tender a reequilibrar os lipídios, que desempenham um papel fundamental no exercício muscular de longa duração e no transporte de vitaminas lipossolúveis e, por outro lado, fornecem as vitaminas do complexo B envolvidas na eficiência do trabalho muscular.

(22) DAVIES R.W. – op. cit., 126-127.

Deve-ser notar finalmente que os legionários beberam a água que havia sido usada para temperar as armas, a fim de atrair a força e o vigor atribuídos ao Deus Marte (23). Embora seja mais uma crença do que dietética, deve ser lembrado que os corredores de fundo de hoje podem apresentar anemia por deficiência de ferro (24) corrigido pela ingestão de ferro hemínico de origem animal, melhor absorvido (15 à 20%) que o ferro de origem vegetal (1 à 9%).

(23) DIETECOM 90. – «“Une santé de fer”, CIV, 11, rue Lafayette, 75009 Paris.
(24) CREFF A., WAYSFELD B., D’ACREMONT MF., CLAPIN A., LE LEUC’H C. – Approche nutritionnelle de l’anémie du sportif, Médecine du Sport, 1988, 5, 269-274.

O saldo energético

É claro que existe um equilíbrio energético entre as ingestões dietéticas e os esforços físicos do legionário. Mas os caprichos da guerra nem sempre garantiam esse equilíbrio. Assim, Júlio César declara que o exército, no cerco de Avaricum (25), sofria de uma grande escassez por falta de trigo e não escapou da fome apenas pela graça de algum gado. O papel da intendência era, portanto, primordial para os legionários em campanha e a distribuição individual de vários dias de víveres apresentava vantagens a esse respeito, mas acrescentava uma carga suplementar aos soldados já pesadamente equipados.

(25) CÉSAR. – op. cit., VII, 17.

Stolle (26) estima que os soldados podiam transportar 16 dias de víveres, sendo uma carga de 14,369kg, com 6,254kg de biscoito, 3,411kg de pão, 1,704kg de trigo, 1,910kg de carne, 0,436kg de queijo, 0,327kg de sal e 0,327kg de vinho. De fato, esta carga, que pode parecer excessiva do ponto de vista do peso, representa apenas 2650kcal aproximadamente por dia, portanto insuficiente para cobrir os gastos diários. Duas observações seriam feitas sobre este assunto:

1. Experimentos em meio militar mostraram que uma sub-alimentação transitória com 1900kcal por dia durante 15 dias não afeta o desempenho das tropas (27). O legionário romano poderia muito bem conservar seu valor combativo depois de haver recebido uma alimentação hipocalórica por alguns dias, e sem entrar nas discussões que a hipótese de Stolle levantou, não há objeção importante a refutar, se considerarmos apenas trocas de energia.

2. Se, por outro lado, calculamos o peso do alimento transportado para permitir um fornecimento energético suficiente, a carga deve, durante 15 dias, atingir um peso entre 22 e 27kg, antes de diminuir de 1,5 para 1,8kg por dia, dependendo do tamanho da ração cotidiana.

(26) HARMAND J. – op. cit., 191.
(27) SCHERRER J. – Précis de Physiologie du Travail, Masson, Paris, 1981.

Os dados da medicina militar

O esporte nos exércitos permite na maioria dos casos melhorar o consumo máximo de oxigênio, que é de 46ml/min/kg em média para jovens de 20 anos, e de atingir 50ml/min/kg, o que corresponde à aptidão de combate (28-29-30).

(28) Chamamos "consumo máximo de oxigênio ou ainda V02 max", a quantidade de oxigênio consumida por unidade de tempo durante o esforço máximo. É expresso em litros por minuto ou reduzido ao peso do sujeito em mililitros de oxigênio consumido por minuto e por quilograma de peso corporal.
(29) JONES L. N., MARKRIDES L., HITCHCOCK C , CHYPCHART T., M e CARTNEY N. – “Normal standard for an incrémental progressive cycle ergometer test”. Am. Rev. Respir. Dis., 1985, 131, 700-708.
(30) DUGUET J., MOLINIE J. – “Organisation des activités physiques et du sport dans les armées”, Médecine du Sport, 1989, 4, 183-188.


Deve-se enfatizar que os esforços necessários para alcançar essa melhoria, que em última análise é modesta, devem ser considerados excessivos para alguns, uma vez que se registra um grande número de fraturas por fadiga, o que é usualmente observado em atletas com patologia de sobre-treino.

Por outro lado, para outros, os resultados obtidos podem ser excelentes. Após um treinamento para-comando de 3 meses, a V02 max (p<0,01) de 26 recrutas escolhidos aleatoriamente, que eram de 3,750 ± 0,580 1/min, durante a incorporação, aumentou para 4,200 ± 0,580 1/min, sendo um ganho de 12%, o qual reduziu o peso dos indivíduos corresponde aos valores da ordem de 63ml/min/kg, trazendo estes recrutas nas categorias de atletas de bom nível (31).

(31) PIRNAY F., DEROANNE R., MARÉCHAL R., SANABRIA S., TANCRE F., PETIT J.M. – Influence de trois mois d’instruction para-commando sur la tolérance à l’exercice musculaire, Médecine du Sport, 1976.1 : 4-10.

Em uma outra prova de 5 semanas, um treinamento do tipo comando foi realizado por 195 soldados voluntários altamente motivados. Durante uma semana excepcional incluindo todos os dias 1 hora de ginástica, 10km de corrida, 3km de natação, uma pista de obstáculos e uma corrida de remo (não especificada), a ração alimentar devia ser aumentada para 5.830kcal por dia (32).

(32) SMOAK B.L., JAMES P.N., FERGUSSON E.W., FACN P.D. – Changes in lipoprotein profiter during intensive military training. J Am. Coll. Nutr., 1990, 6 : 567-572.

Os dados da medicina esportiva

Os gastos de energia entre 4000 e 5000kcal por dia são comuns entre os atletas de alto nível. Nas corridas de ciclismo de 140 a 160km, o gasto energético diário é avaliado entre 4200 e 4700kcal (33).

(33) JUDE H., PORTE G. – Médecin du Cyclisme, Masson, Paris, 1983.

Um jogador de futebol profissional, jogando a 70% da sua capacidade máxima de trabalho (34), gasta, para uma V02 máxima de 70ml/min/kg, cerca de 4000kcal por dia.
Resultados comparáveis são observados nos principais esportes de equipe, como basquete, handball e rugby. Enfim, um maratonista, durante as 2h30 de corrida, fornece um trabalho equivalente a 2700kcal, o que corresponde a uma despesa diária de 5000kcal.

(34) FORNARIS E., WANKERSSCHAVER J., VANUXE M D., ZAKARIAN H., COMMANDR E F., VANUXEM P. – Football. Aspects énergétiques, Médecine du Sport, 1988,1: 32-36.


Pode-se estimar, com uma margem de erro aceitável, que um atleta de alto nível, treinando duas vezes por duas horas ao dia, consegue um gasto energético superior à 4000kcal.

Altas perdas calóricas são comuns em natação, mergulho, montanhismo ou em disciplinas muito exigentes, como remo ou triatlo, sem esquecer de corridas extremas, especialmente o Bordeaux-Paris no ciclismo, o Paris-Estrasburgo de caminhada ou ainda a Vassaloppet em esqui de fundo.

Conclusão

Enquanto um gasto energético de mais de 4.000kcal por dia era comum entre os legionários romanos, hoje em dia apenas atletas de alto nível, recrutas em treinamento e alguns trabalhadores manuais podem afirmar atingir esse nível. Com quase 2000 anos de diferença, além desse gasto calórico elevado, existem diferentes pontos de comparação entre o atleta moderno e o legionário.

- Ambos seguem uma intensa preparação para alcançar o objetivo final, isto é, a vitória, para alguns nos eventos esportivos, para os outros contra os inimigos de Roma;
- Ambos se envolvem em atividades destinadas a melhorar a força muscular, para os atletas com os exercícios de musculação, para os legionários com os trabalhos de força como o manuseio de materiais pesados.
- Enfim, ambos seguem dietas hipercalóricas com predominância de açúcares lentos para compensar o alto nível de gasto físico.

No entanto, neste último ponto, se a ingestão de energia é comparável, a dieta do legionário apresentou desequilíbrios em termos de qualidade, o expositor, mais ou menos a longo prazo, aos riscos de deficiência.

Émile FORNARIS e Marc AUBERT, HISTOIRE DES SCIENCES MÉDICALES – TOME XXXII – Nº 2 – 1998.