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sexta-feira, 10 de junho de 2022

Análise soviética sobre visores noturnos alemães capturados


Por Peter Samsonov, Tank Archives, 10 de junho de 2022.

Tradução Filipe do A. Monteiro, 10 de junho de 2022.

O Exército Vermelho encontrou dispositivos de visão noturna e documentos relativos ao seu uso na zona de ocupação alemã. De acordo com os dados encontrados, os alemães planejavam construir 175 unidades por mês até janeiro de 1946.

"Para o Chefe Interino do 4º Departamento da Direção SPG, GBTU, Engenheiro-Major camarada Konev

#4323ss
21 de setembro de 1945

De acordo com suas instruções, familiarizei-me com a visão noturna instalada no tanque de reconhecimento alemão.

Este dispositivo é construído com base no princípio já conhecido de iluminar objetos com raios infravermelhos.

O dispositivo consiste em um holofote infravermelho de 200w, transformador de 12 v CC a 222v CA, transformador de 220v CA a 16kv CC e o próprio dispositivo de visão noturna.

O exame preliminar do dispositivo mostra que ele é consideravelmente superior ao dispositivo produzido pelo NKV GOI e NKEP VEI e testado em 1943, pois possui:
  1. Sensibilidade (resolução) consideravelmente maior, permitindo a observação em um alcance de até 400 metros ou um alcance ainda maior ao entardecer.
  2. Um grande diâmetro da pupila de saída, permitindo a observação com ambos os olhos.
  3. Ampliação variável (presumivelmente 1x e 3x). Uma ampliação maior melhora a visibilidade no centro do campo de visão, o que é especialmente importante para a mira precisa durante o disparo.

Com base nos materiais retirados das fábricas alemãs em 1945, podemos estabelecer que os alemães começaram a introduzir um tipo especial de tanque de reconhecimento equipado com miras de visão noturna. Considerando que o Ministério da Guerra planejava elevar a produção para 175 tanques por mês até janeiro de 1946, pode-se verificar que o uso desses tanques em combate deu bons resultados.

Levando isso em consideração, considero razoável realizar testes completos da visão noturna alemã para resolver a questão do desenvolvimento adicional desse tipo de dispositivo em tanques domésticos.

Peço-lhe que encaminhe esta nota ao chefe do Diretório.

Chefe Adjunto do 4º Departamento da Direção SPG, GBTU, Engenheiro da Guarda-Major Utkin"


quarta-feira, 8 de junho de 2022

Snipers canadenses em trajes ghillie

Dois snipers do do 1º Batalhão de Paraquedistas Canadense, 1944.
(Colorização por David Stroodle / EUA)

Por Filipe do A.Monteiro, Warfare Blog, 8 de junho de 2022.

Dois atiradores não-identificados do 1º Batalhão de Paraquedistas Canadense durante uma inspeção real em Salisbury Plain, no condado de Wiltshire na Inglaterra, em 17 de maio de 1944. Atendendo à inspeção estavam o Rei George VI, a Rainha Elizabeth e a Princesa Elizabeth (a atual monarca). Os franco-atiradores usam trajes “ghillie” e camuflaram seus fuzis Lee-Enfield No. 4 Mk. I (T); o "T" indica fuzis de sniper.

Em 1939, quando a guerra eclodiu, os britânicos ainda eram equipados com os fuzis sniper P1914 Mk. I (T) da Primeira Guerra Mundial. Afortunadamente, por conta de veteranos e militares com visão, os britânicos rapidamente estabeleceram uma escola de atiradores de elite em Bisley, seguida de outras escolas no País de Gales e na Escócia. Em 1942, um novo fuzil foi introduzido para substituir o veterano P14, o Lee-Enfield No. 4 Mk. I (T)Este era um padrão No. 4 selecionado da linha de produção e enviado para a Holland & Holland em Londres, onde foi cuidadosamente reconstruído à mão, garantindo que o cano fosse devidamente assentado e a mira e a alma do cano estivessem perfeitamente alinhadas.

Foi-lhe fornecido um conjunto de blocos de montagem de aço usinado aos quais foi montado um suporte de ferro fundido e uma mira telescópica No. 32 Mk I de 3x potência. Embora criticado pela fragilidade de seu sistema de ajuste de elevação e vento, o No. 32 mostrou-se um escopo muito durável e, em forma modificada, permaneceria em serviço até 1970. Os atiradores de elite britânicos (Reino Unido e Commonwealth) também se destacaram pelo uso de um telescópio de ampliação de 20x, que era excelente para plotar alvos, e fornecido em uma escala de 14 telescópios por batalhão de infantaria.

Sniper britânico em ação na Normandia, França, em 1944.
O esquema de camuflagem e o retículo da luneta são bem ilustrados.
(Ilustração de Peter Dennis / Sniper Rifles, Osprey Publishing)

Leitura recomendada:

Out of Nowhere:
A History of the Military Sniper.
Martin Pegler.

Sniper Rifles:
From the 19th to the21st century.
Martin Pegler.

Leitura recomendada:

Tireurs d'élite na Frente Ocidental31 de março de 2022.

sábado, 4 de junho de 2022

O misterioso Potez 25 dos tailandeses e a aventura de Robert Barbier


Por I am super, Le Souvenir Français Thailande, 5 de março de 2019.

Tradução Filipe do A. Monteiro, 4 de abril de 2022.

O Potez 25 nº 8 da esquadrilha 1/42.
(Museu da RTAF)

Uma guerra não declarada

Se como regra geral, e aliás muito tristemente, há sempre, no final de um conflito armado, um vencedor e um perdedor, não parece ser o caso nesta guerra nunca declarada entre a Tailândia e a Indochina Francesa, que durou de outubro de 1940 até janeiro de 1941.

A luta foi intensa e sangrenta. Inúmeras perdas, embora novamente minimizadas por ambos os lados.

Tudo começou com escaramuças onde provocaram-se de cada margem do Mekong: os tailandeses na margem direita, os franceses na margem esquerda. Note-se também nestas tropas francesas, a presença do Tenente Pierre Boulle, que participou com o seu pelotão de quatro carros blindados sobre rodas, um pouco obsoletos.

Carros blindados de Pierre Boulle em Savannakhet.
(Indochina Hebdomadaire Illustré, nº 30, 27 de março de 1941).

Depois foi a escalada, com a intervenção das forças aéreas: os aviões tailandeses atacaram os objetivos terrestres de dia, a aviação francesa, cujo equipamento era bastante antigo, bombardeou os aeródromos siameses à noite.

Após três meses dessas operações limitadas, os siameses sacaram suas garras e reagruparam suas forças em um ataque terrestre contra o Camboja, começando em 9 de janeiro de 1941 na região de Poïpet. As tropas francesas resistiram e até lançaram uma contra-ofensiva em 15 de janeiro mais ao norte, perto da aldeia khmer de Yang Dang Kum. As forças tailandesas respondem com um contra-ataque surpresa mais ao sul, em direção a Pum Preav. Apesar da presença das forças aguerridas do 5º REI, as tropas francesas foram batidas e tiveram que recuar para uma linha de defesa mais a leste, na altura de Sisophon, para montar a defesa da estrada que leva a Phnom Penh.

Morte do Tenente de Cros Péronard do 5º REI, enfrentando blindados tailandeses.
(Desenho de Louis Rollet. Gal Marchand, L’Indochine en guerre, pg. 56).

No entanto, o exército tailandês não perseguirá a sua vantagem e ficará satisfeito com esta vitória que custará ao exército francês um total de 98 mortos, 162 feridos e 61 desaparecidos (Hesse d'Alzon, pg.98).

E é exatamente na mesma data, 16 de janeiro, que desta vez a vitória retornará à França, quando a força naval do futuro Almirante Régis Béranger atacará um destacamento da marinha tailandesa fundeado em Koh Chang, e ali afundará entre três e cinco navios, novamente um número difícil de verificar, os interessados ​​e historiadores das duas marinhas, não estando de acordo sobre a realidade das perdas.

A Marinha tailandesa reconhecerá o número de 32 marinheiros mortos, enquanto a frota francesa retornará à sua base em Saigon sem nenhum dano.

Sem qualquer disputa possível, desta vez a vitória é da França.

O local da batalha naval no sul da ilha de Koh Chang.
(Foto do autor).

Derrota e vitória

É, portanto, na sequência destes dois trágicos acontecimentos, ocorridos quase na mesma data, que entrarão em cena os serviços de propaganda dos dois países. Neste momento conturbado, em que era necessário reunir suas populações em torno de sua bandeira, seus valores e um nacionalismo exacerbado, a Tailândia e Indochina atacarão o que hoje chamaríamos de "fake-news", ou como destacar seus sucessos, enquanto minimizando ou escondendo seus próprios revezes.

La Royale (a marinha francesa) terá todo o prazer em mostrar à imprensa internacional e aos militares japoneses, em Saigon, o seu navio-almirante, o Lamotte-Piquet, para mostrar-lhes que ainda estava lá, ao contrário do que pretendia a mídia tailandesa que anunciara-o afundado, e que havia retornado do combate sem nenhuma avaria ou dano.

O Lamotte-Piquet.

Entrega da Cruz de Oficial da Legião de Honra ao Contra-Almirante Béranger pelo Almirante Decoux, na ponte do Lamotte-Piquet após seu retorno de Koh Chang.
(Indochina Hebdomadaire Illustré).

Por sua vez, também os tailandeses, fortes em sua vitória em terra, queriam mostrar ao seu povo e à imprensa internacional a prova de seu sucesso. Reuniram, portanto, na esplanada popular de Suan Amphorn, em Bangkok, os despojos do exército francês apreendidos durante as várias batalhas de janeiro. E é ao lado de muitas armas individuais, que os tailandeses puderam admirar orgulhosamente 5 tanquetes Renault UE, apreendidos na frente cambojana, e um avião francês.


Os tanquetes Renault e o Potez 25 nº 8, butins de guerra tailandeses.
(Museu da RTAF).

O avião, um Potez 25A2, é, portanto, esse misterioso dispositivo, "capturado em circunstâncias desconhecidas" (Ehrengardt, p. 92), que encontramos em fotos de época e cuja origem tentamos traçar. Para os tailandeses, esse dispositivo foi apreendido por suas forças armadas. Em cada lado da fuselagem, estava marcado: "foi apreendido em Songkhla".

A verdadeira história do Potez 25: A aventura de Robert Barbier

Mas essa captura de guerra, na realidade, não era o que parecia; é em seu trabalho magistral que os monsieurs Cony e Ledet, nas páginas 355-356, nos contarão sua verdadeira história.

Tudo começou em setembro de 1939, na Malásia. Os jovens franceses que trabalham nos seringais são mobilizados pelos cuidados do Cônsul de Cingapura. Mas foi só em novembro seguinte que dois dos mais jovens dessa pequena população foram chamados para a Indochina, o ponto de encontro de todos os franceses que residiam no leste da Ásia. Esses dois jovens plantadores são Pierre Boulle e Robert Barbier.

Robert Barbier.
(Museu da RTAF)

Pierre Boulle na Malásia em 1937.
(‘My own River Kwai’, N.Y. 1967)

Se o épico corajoso e pouco crível de Pierre Boulle é bem conhecido por seu livro Aux sources de la Rivière Kwaï (Nas nascentes do rio Kwai), por outro lado, a história de seu companheiro, que não é menos incrível, é muito menos.

Assim que chegam a Saigon, é-lhes dado o conselho de não serem muito zelosos, pois a metrópole e a frente europeia estão muito longe para serem enviadas para lá. Foi no final de dezembro que eles souberam de suas atribuições: Boulle foi designado para o 2º Regimento de Infantaria Colonial. Ele irá para Mytho, depois Annam e finalmente à fronteira tailandesa ao longo do Mekong, próximo a Savannakhet, como vimos acima.

Robert Barbier foi enviado para um regimento de tirailleurs annamites (escaramuçadores anameses) em Thu-Dau-Mot. Ele vai ficar lá por um tempo, depois vai treinar na Força Aérea. Mas ele não esqueceu seu desejo de ir lutar na Europa contra o inimigo de seu país. A evolução política da Indochina Francesa sob o Almirante Decoux não corresponde às suas ideias. Ele é um gaullista e se recusa a se juntar aos vichystas. No entanto, ele sabe que desde setembro de 1940, qualquer francês que sai do território nacional para um território estrangeiro é automaticamente despojado de sua nacionalidade e seus bens são seqüestrados.

Apesar disso, os acontecimentos de janeiro de 1941, a luta contra as tropas siamesas e as incertezas diante da interferência japonesa nos assuntos da Colônia, o decidirão a tentar um golpe brilhante: apreender um dos antigos Potez 25 que ele aprendeu a pilotar, e escapar da Indochina por via aérea, para juntar-se às forças britânicas nesta Malásia que ele conhece bem.

Infelizmente, o destino estará contra ele. Ventos violentos, navegação difícil acima do Golfo do Sião, o forçarão a pousar provavelmente com falta de combustível em Songkhla, no sul do istmo tailandês. Azar, porque a Malásia estava a menos de cem quilômetros de distância...

Em sua chegada ao aeródromo de Songkhla, ele foi preso por soldados tailandeses e seu avião foi apreendido. Em seguida, ambos serão transportados para Bangkok.

Tal como acontece com nossos outros compatriotas capturados na frente cambojana, os tailandeses não serão gentis com seus prisioneiros. E foi escrito (Ehrengardt, p.23) que Barbier será aprisionado em uma jaula, "trancado nu em uma jaula de bambu, ele é levado de cidade em cidade e exposto aos insultos e projéteis da população", não temos confirmação das condições de seu sequestro.

Para o Almirante Decoux, qualquer soldado que saia do território da Indochina é considerado um traidor; aos seus olhos, é uma traição imperdoável. Barbier foi condenado a 20 anos de prisão à revelia pelos tribunais da Indochina da época. Além disso, o almirante se recusará a pedir aos tailandeses que o enviem de volta à Indochina, enquanto os soldados franceses feitos prisioneiros durante os eventos de fronteira serão libertados e enviados para Saigon.

E é finalmente só graças à intervenção dos ingleses com o governo tailandês que o pobre Barbier será libertado e enviado para Cingapura, de onde finalmente se juntará às fileiras das Forças Francesas Livres em Londres.

Uma carreira caótica

Robert Barbier nasceu em 2 de julho de 1914 em Raffetot (Sena Marítimo). Foi muito difícil para nós tentar encontrar sua história através de arquivos muito raros. Praticamente não existe nada que pudesse nos dar um pouco de sua vida, e só, apesar de sua secura, os Registros de Serviço que remontam sua vida militar nos permitiram encontrar um pouco de sua carreira excepcional.

Da turma de 1934, foi incorporado ao 24º Regimento de Infantaria em 1935. Depois de seu pelotão de cadetes, tornou-se segundo-tenente da reserva em 1936. Dispensado no final de 1937, partiu para a Malásia para se juntar às enormes plantações de seringueiras que cobrem o norte do país e onde jovens engenheiros europeus eram bem-vindos. É aqui que ele conhecerá Pierre Boulle.

A partir de 1939, como vimos, ingressou no depósito dos Tirailleurs Annamites. Em agosto de 1940, foi destacado para a aviação militar em Bien Hoa, onde obteve seu brevê de piloto. Foi então a fuga espetacular da Indochina vichysta para Cingapura. Os ingleses organizarão seu retorno a Londres, onde Barbier se alista em agosto de 1941 nas Forças Francesas Livres (FFL). Depois de dois estágios em bases inglesas, depois no Estado-Maior em Londres, foi ao Oriente Médio e ingressou no grupo Picardie. Ele retomou as aulas de pilotagem e observação nas bases de Mezzeh (Síria) e Rayak (Líbano).

Em 1943, encontramos nosso aviador em um esquadrão de vigilância das costas da África Ocidental Francesa do grupo Artois, em Pointe Noire e Douala.

Após uma passagem pela base de Meknés (Marrocos), em março de 1945 ingressou no Grupo de Caça 2/7 para a campanha francesa na Alsácia e depois na Alemanha ocupada. Ele foi desmobilizado em setembro de 1945 e pôde se casar em Paris em novembro de 1950. No mesmo ano, o encontramos em Madagascar, onde dirigia a filial Potasses d'Alsace.

Infelizmente, devemos acreditar que esta aventura extraordinária não será bem recompensada. Um dossier datado de 1989 apresenta-o como requerente tentando fazer reconhecidos seus direitos como Aviador da França Livre (FAFL). Parece que o governo francês terá dificuldade em reconhecê-lo, considerando seu status apenas como Tirailleur destacado como Aviador.

O certificado de registro de Robert Barbier no registro das FFL.

Ele viveu desde 1963 em Mulhouse, mas é muito triste que não encontremos nada além da data de sua morte, 9 de julho de 1999. Ele tinha 85 anos. Uma existência corajosa que é mal reconhecida!

As fugas dos franceses que deixarão a Indochina de Vichy para se juntar ao General de Gaulle não serão muito numerosas. O obstáculo da distância à Metrópole e a interrupção das ligações marítimas regulares tornavam quase impossível qualquer tentativa. No entanto, alguns tiveram a coragem de tentar.

Em um número futuro, apresentaremos alguns aviadores que, ousando enfrentar todos os perigos de uma aventura muitas vezes desesperada, quiseram salvar sua honra e tentaram "la belle" apesar das ameaças de corte marcial e sentenças de morte do Almirante Decoux.

Nossos agradecimentos ao Marechal-do-Ar Chefe Sakpinit Promthep, diretor do soberbo Museu da Força Aérea Tailandesa em Bangkok, por sua ajuda em nossa pesquisa, e ao Dr. Serge Franzini, incansável genealogista parisiense.

Ilustração dos combates aéreos em 1941.


Alguns aviões e imagem da época das lutas na Indochina no Museu da RTAF.

Bibliografia

– BOULLE Pierre: ‘Aux sources de la Rivière Kwaï’. Paris, Julliard, 1966.
‘ My own River Kwai’. New York,Vanguard Press, 1967.

– Commandement de la Légion Etrangère: ‘5ème Etranger. Historique du régiment du Tonkin.
Tome I: Indochine 1883-1946.Le combat de PhumPreav. Panazol, CharlesLavauzelle, 2000.

– CONY Christophe / LEDET Michel: ‘L’aviation français en Indochine des origines à 1945’. Coll. Histoire de l’Aviation no 21. Outreau, Lela Presse, 2012.

– EHRENGARDT Christian-Jacques / SHORES Christopher : ‘L’aviation de Vichy au combat. Tome I : les campagnes oubliées. 3 juillet 1940-27 novembre 1942’.
Paris, Charles-Lavauzelle, 1985.

– EHRENGARDT Christian-Jacques: ‘Ciel de feu en Indochine. 1939-1945’. (artigo).
Aéro-Journal, nº 29, fevereiro-março 2003.

– HESSE d’ALZON Claude: ‘La présence militaire française en Indochine. (1940-1945)’.
Vincennes, S.H.A.T., 1985.

– LEGRAND J.  Col.: ‘L’Indochine à l’heure japonaise’.
Cannes, 1963.

– MARCHAND Jean Général: ‘L’Indochine en Guerre’.
Paris, Les Presses Modernes, 1954.

– POUJADE René: ‘Cours martiales. Indochine 1940-1945. Les évasions de résistants
dans l’Indochine occupée par les Japonais’. Paris, La Bruyère, 1997.

– VERNEY Sébastien: ‘L’Indochine sous Vichy. Entre Révolution nationale, collaboration et identités nationales. 1940-1945’. Paris, Riveneuve, 2012.


A NOUS LE SOUVENIR                A EUX L’IMMORTALITÉ

quarta-feira, 25 de maio de 2022

LIVRO: Uma resenha crítica ao Band of Brothers


Resenha do livro Band of Brothers: E Company, 506th Regiment, 101st Airborne from Normandy to Hitler's Eagle's Nest (Band of Brothers: Companhia E, 506º Regimento, 101ª Divisão Aerotransportada da Normandia ao Ninho da Águia de Hitler), de Stephen E. Ambrose, pelo Tenente-Coronel Dr. Robert Forczyk.

Este é o livro que original a aclamada série Band of Brothers. O Dr. Forczyk mostra uma postura muito negativa com relação ao livro e aos métodos usados por Ambrose. Alguns pontos são particularmente interessantes, especialmente o método de entrevistas com veteranos.

Não mencionado mas uma curiosidade histórica, os alunos brasileiros do curso de estado-maior chegaram a participar de jogos de guerra envolvendo o ataque da 101ª "Screaming Eagles" quando estiveram nos Estados Unidos.

Erros, exageros e calúnias cruéis [1 estrela]


Paraquedistas da famosa Easy Company com soldados da 4ª Divisão de Infantaria em Sainte-Marie-du-Mont, 7 de junho de 1944.
(Colorização por Julius Jääskeläinen)

Para leitores sem muita experiência em história em geral ou militares em particular, Band of Brothers provavelmente parecerá uma saga heróica de camaradagem masculina em combate. No entanto, para aqueles leitores com conhecimento do assunto, este livro pouco pesquisado oferece pouco mais do que o episódio padrão da antiga série de TV COMBAT! O autor Stephen Ambrose, que prefere a história oral à pesquisa meticulosa, usou suas entrevistas com veteranos selecionados da Segunda Guerra Mundial da E Company, 506th PIR, 101st Airborne como base para contar as histórias de uma companhia aerotransportada em combate em 1944-1945. A maior parte do livro se concentra em Richard Winters, que comandou a companhia na Normandia e na Holanda. O soldado David Webster, um intelectual autoproclamado e cínico, também escreveu um livro de suas experiências na E Company, do qual Ambrose emprestou liberalmente [...]. Entrevistas com outros membros da unidade preenchem lacunas, mas Winters e Webster são dois dos principais protagonistas da história. Infelizmente, do ponto de vista da precisão histórica, o livro está irremediavelmente repleto de erros, exageros e calúnias cruéis.

Primeiro, deixe-me abordar os erros, que se devem principalmente à falta de pesquisa por parte do autor. Ambrose afirma que o transporte de tropas para a Inglaterra "carregou 5.000 homens do 506º" e como foi uma viagem apertada. No entanto, o competente Ordem de Batalha do Exército dos EUA na Segunda Guerra Mundial (US Army Order of Battle in World War Two), de Shelby Stanton, afirma que o 506º tinha apenas 2.029 homens. Ambrose tem seus problemas habituais com nomenclatura e nomes; Os alemães usavam morteiros de 81mm e não de "80mm". Um oficial britânico resgatado pela E Company é identificado como "Coronel O. Dobey", quando na verdade era o Tenente-Coronel David Dobie. O oficial alemão que se rendeu à unidade em Berchtesgaden em 1945 é descrito como o "General Theodor Tolsdorf, comandante do LXXXII Corps", de 35 anos, quando na verdade era um Coronel Tolsdorf de 36 anos que comandava a 340ª Divisão VG (340. Volksgrenadier-Division).

Para-quedistas da 101ª Divisão Aerotransportada exibem uma bandeira nazista capturada em uma vila perto da Praia de Utah, em Saint-Marcouf, na França, em junho de 1944

Em Berchtesgaden, Winters supostamente encontra um general alemão "Kastner" que cometeu suicídio, mas não há registro de tal oficial na Wehrmacht ou SS. Nem Ambrose faz muito melhor com identificações de unidades e ele afirma que na Batalha do Bulge, a 101ª Divisão Aerotransportada, "ganhou suas batalhas frente a frente com uma dúzia de divisões blindadas e de infantaria alemãs". Na verdade, os alemães apenas comprometeram elementos de cinco divisões na luta de Bastogne e dificilmente eram tropas de elite. A declaração de Ambrose também ignora o fato de que a 101ª estava lutando com a ajuda considerável das 9ª e 10ª Divisões Blindadas dos EUA em Bastogne. Finalmente, os leitores podem ficar chocados ao saber que a 3ª Divisão de Infantaria dos EUA realmente venceu o 506º PIR na corrida para Berchtesgaden por várias horas. Os leitores devem verificar o livro Paraquedistas de Ridgeway (Ridgeway's Paratroopers) bem pesquisados de Clay Blair. Esses erros podem parecer pequenos para alguns, mas demonstram uma falta de pesquisa que significa que toda a narrativa é suspeita.

Quando se trata de exagero, Ambrose libera todos os freios. Todos os tanques inimigos são chamados de "Tigres", mas apenas 5,3% dos tanques alemães na Normandia em junho de 1944 eram Tigres. Todas as tropas inimigas são chamadas de "elite", como SS ou pára-quedistas, embora os registros alemães indiquem que o 506º combateu principalmente unidades comuns da Wehrmacht.

De acordo com Winters, a Companhia E sempre foi melhor que as outras companhias do 506º e Ambrose garante que “não havia companhia de infantaria leve melhor no Exército”. Que tal os Rangers em Point du Hoc? Como Ambrose não faz nenhum esforço para comparar a Companhia E com qualquer outra unidade semelhante (por exemplo, ela matou mais alemães do que outras unidades?), essa afirmação é estúpida. Mas fica ainda pior. Ambrose afirma que Winters "despreza o exagero", mas o seguinte relato da E Company na Normandia expõe categoricamente isso como uma mentira: Assim era Winters [excelente]. Ele tomou uma decisão certa após a outra... ele pessoalmente matou mais alemães e assumiu mais riscos do que qualquer outra pessoa." Então Winters matou mais alemães do que os metralhadores da companhia? Ele assumiu mais riscos do que os homens na ponta? Curiosamente, Winters nunca foi ferido.

O Capitão Dick Winters ao lado do ator Damian Lewis.

O pior aspecto do livro é a campanha viciosa de calúnias, que é puramente feita pelo Winters. Winters ataca seus superiores, começando com o Major-General Taylor, comandante da 101ª, depois o Coronel Sink que era comandante do 506º PIR, depois o Ten-Cel. Strayer seu comandante de batalhão e o Capitão Sobel, o primeiro comandante da Companhia E. Taylor, que foi um dos melhores generais do Exército dos EUA do século XX e mais tarde presidente da Junta dos Chefes do Estado-Maior do presidente Kennedy, é violentamente atacado por estar em "férias de Natal" durante a Batalha do Bulge e por ordenar um ataque que "tinha o sabor de um delírio egocêntrico". Winters diz a Ambrose que "eu não quero ser justo" sobre Taylor. Logo, ele não quer ser honesto. Sink, que comandou o 506º durante toda a guerra, é ridicularizado como "Bourbon Bob". O Tenente-Coronel Strayer é praticamente omitido deste relato, embora tenha comandado da Normandia ao Dia da Vitória na Europa (VE Day). Ambrose engana o leitor quando afirma que Winters se tornou o comandante do batalhão em 8 de março de 1945 - na verdade, a mudança foi apenas temporária e Strayer retornou.

Winters reserva um ódio especial ao Capitão Sobel, o homem que treinou a Companhia E nos Estados Unidos e que é rotulado de tirano mesquinho. Winters relata um encontro casual com Sobel mais tarde na guerra, quando Winters superou seu ex-comandante, e ele começou a humilhá-lo na frente de praças da Companhia E. Que elegante. A campanha de calúnia também é dirigida a outros oficiais que sucederam Winters como comandantes da Companhia E, a maioria dos tenentes, oficiais do estado-maior, "preguiçosos da Força Aérea na Inglaterra" (que estavam morrendo às centenas sobre a Alemanha em bombardeiros em chamas), os britânicos, etc. É muito enojante depois de algum tempo.

Os paraquedistas americanos da Segunda Guerra Mundial merecem um relato muito mais preciso e honesto de suas realizações, com o justo reconhecimento de todos os participantes merecedores, ao invés de um relato enviesado que distorce o registro.

Paraquedistas do 502ª PIR, 101ª Divisão Aerotransportada "Screaming Eagles" em um VW tipo 82 Kübelwagen alemão caputrado no cruzamento da Rua Holgate e a Rota Nacional no.13, em Carentan, na Normandia, 14 de junho de 1944.

segunda-feira, 23 de maio de 2022

Fuzil de Sniper Long Branch Scout 1943-1944


Por Colin MacGregor Stevens, Captain Stevens, Canadá.

Tradução Filipe do A. Monteiro, 23 de maio de 2022.

O Scout Sniper Rifle foi um fuzil sniper experimental feito em quantidades limitadas. Era muito inovador, mas não foi adotado para produção em massa.

Em 1943-1944, a Small Arms Limited (S.A.L.) em Long Branch em Toronto, Ontário, Canadá e a Research Enterprises Limited (R.E.L.) em Leaside, Toronto, Ontário estavam cooperando no projeto de novos fuzis de precisão a pedido dos britânicos. Vinte desses fuzis foram feitos. Dez eram Fuzis de Sniper Batedor (Scout Sniper’s RiflesSN ASC…) e dez eram Fuzis de Sniper de Pelotão (Section Sniper’s RiflesASE…). A história detalhada destes é bem contada no livro Without Warning ("Sem Aviso") do falecido Clive Law, editora Service Publications.

Destes 20 fuzis de precisão experimentais feitos, 2 foram destruídos em ação e 1 foi capturado pelos alemães. O capturado pelos alemães provavelmente foi destruído. Isso não deixa mais de 18, e provavelmente 17, possíveis sobreviventes. Parece que três ou quatro fuzis intactos sobrevivem em coleções e eu adquiri um em 2017. Ficaria muito feliz em ouvir sobre outros exemplares sobreviventes e gostaria especialmente de ouvir outros proprietários para saber mais sobre esses fuzis raros e lunetas para que eu possa fazer essa restauração o mais precisa possível.

1943 – 1944 Small Arms Limited, Long Branch, “Scout Sniper's Rifle” número de série ASC285 (eu suspeito que seja ASC-85-2) – foto de Al Fraser-Fred Van Sickle mostrada no livro Without Warning, pg.60 (editado ligeiramente). Este fuzil é quase idêntico ao que o meu teria sido durante a Segunda Guerra Mundial.

Scout Sniper's Rifle número de série ASC-85-4 como encontrado - Lado esquerdo. (Foto T.J. Pisani)

Scout Sniper's Rifle ASC-85-4, lado esquerdo, durante a restauração em julho de 2017. Luneta R.E.L. experimental 3.5X EXP.0144 na corrediça ASC-85-3, coronha civil e um guarda-mão antigo ex-Índia nº 4 esculpido grosseiramente para moldar como uma peça de treinamento. Uma "réplica" da base de luneta de fabricação italiana é instalada, mas não é uma cópia precisa e apenas 2 de 4 parafusos se alinham. Uma rara montagem Long Branch original já foi obtida.

3º curso de Snipers - Campo Borden, 12 de janeiro de 1945.
O segundo fuzil da direita é um Scout Sniper's Rifle.

1945-01-12 Terceiro Curso de Snipers em Campo Borden, Ontário, Canadá. O fuzil à esquerda é um Sniper Experimental Long Branch “Scout” com luneta C No. 32 MK. 4 (mais tarde chamado de C No. 67 MK. I) e coronha Monte Carlo. O da direita é um No. 4 MK. I* (T) com luneta C No. 32 Mk. 4 (também conhecido como C No. 67 MK.I). No começo eu pensei que este era um fuzil numerado de série 80L8xxx, (Detalhe de uma foto via CheesyCigar em Milsurps.com) mas tendo agora notado que o retém da bandoleira extra de atirador de elite está alguns centímetros na frente do carregador, agora suspeito que era um dos 10 Fuzis de Sniper de Pelotão Experimental Long Branch que tinha um número de série começando com ASE.

DETALHE – 1945-01-12 Terceiro Curso de Snipers em Campo Borden, Ontário, Canadá. Observe a variedade de fuzis No. 4 (T). “Scout” Sniper Experimental Long Branch com luneta C No. 67 MK. I e coronha Monte Carlo; e o último parece ser um No. 4 MK. I* (T) com luneta C No. 67 MK. I.
(Coleção particular de CheesyCigar em Milsurps.com)


Fuzis Scout Sniper sobreviventes
  1. ASC-43-3 – Mostrado em grande detalhe em Milsurps.com.
  2. ASC-43-7 (?) – Coleção Dan Fabok como mostrado no livro The Lee-Enfield por Ian Skennerton, 2007, páginas 317-318.
  3. ASC-84-2 – Ex-Coleção Gorton, Nova Zelândia. Coronha muito rachada ou quebrada no punho da pistola e reparado, mas não perfeitamente. A luneta é supostamente 5X R.E.L. número de série 0143, mas as fotos do leilão mostram o que parece ser uma luneta de fabricação alemã com uma almofada retangular na parte inferior do tubo, onde se alarga no sino traseiro.
  4. ASC-85-2 (?) – Registrado como número de série ASC285 em Without Warning pelo falecido Clive Law, páginas 57 e 60, mas suspeito que seja realmente ASC-85-2.
  5. ASC-85-4 – Com a corrediça do ASC-85-3 e luneta R.E.L. Gimbal de 3,5X.
  6. EXP.0144 – Colin MacGregor Stevens. Em restauração. Agora equipado com uma coronha padrão No. 4 Mk. I* (T).
  7. SN Desconhecido – Equipado com uma luneta R.E.L. experimental de 5x. (Without Warning pelo falecido Clive Law, página 63). Equipado com coronha Monte Carlo como usado em fuzis da série 80L8xxx.

Meu fuzil é o número de série ASC-85-4. Este era o segundo fuzil da direita na foto da classe de franco-atiradores acima, ou idêntico. É um dos 10 fuzis Scout Sniper e desses, apenas três, incluindo este, foram feitos sem encaixe de baioneta. Assim, as chances são de 1 em 3 de que meu fuzil seja o da foto.

Quando encontrado, o ASC-85-4 tinha um retém da bandoleira “sniper” bem na frente do carregador, embora não se saiba quando foi instalado. Estes tornaram-se padrão em fuzis de precisão nº 4 (T) em 1945 e muitos fuzis foram adaptados. Esta é a única evidência que eu vi até agora de tal retém em um Fuzil Scout Sniper. Pode ter sido um exemplo de teste muito cedo em 1944 antes da padronização no início de 1945 ou o fuzil pode ter permanecido em serviço após a Segunda Guerra Mundial e pode ter sido adicionado em algum momento ou possivelmente um proprietário civil adicionou-o. Meu fuzil havia sido modificado como esportivo para caça depois de ter sido vendido como sobra de estoque, mas felizmente é restaurável.

Nove entalhes foram encontrados na parte inferior da extremidade dianteira esportiva, sugerindo que o caçador havia matado nove veados, alces ou ursos. Adquiri uma luneta R.E.L. experimental 3.5X Gimbal, um modelo piloto para a luneta C No. 32 MK. 4 / C No. 67 Mk. I, número de série EXP.0144, na corrediça (montagem superior) # 9 que é numerado para o Scout Sniper Rifle ASC-85-3, o fuzil imediatamente anterior ao meu. Não é um número de série correspondente, mas não é ruim, considerando que apenas 10 fuzis Scout Sniper foram feitos há três quartos de século! Eu tenho uma coronha padrão No. 4 Mk. I* (T) com apoio de bochecha, bem como coronha civil com apoio de bochecha “Monte Carlo” embutido e almofada de borracha. Estou esculpindo uma extremidade dianteira de uma extremidade dianteira No. 4. Eu primeiro cortei um que estava em más condições para aprender as habilidades antes de cortar uma boa extremidade no guarda-mão do Long Branch.

Registro de ajuste da mira de vento para um fuzil Scout Sniper.
Este é o número de série ASC285 (que acredito ser ASC-85-2) - Al Fraser - foto de Frad Van Sickle mostrado no livro Without Warning, pág. 60 (ligeiramente editado).

"Scout Sniper's Rifle" número de série ASC285 na coronha e no guarda-mão.
(Eu suspeito que é o ASC-85-2) - Alf Fraser
 - foto de Frad Van Sickle mostrado no livro Without Warning, pág. 60 (ligeiramente editado).
Este fuzil é quase idêntico ao que o meu teria sido durante a Segunda Guerra Mundial.

Guarda-mão e bumbum. Parecem coronhas de espingardas de caça civis do pós-guerra, mas foram fabricadas em tempo de guerra. A coronha provavelmente tem um número de série da luneta estampada na parte superior na frente (abaixo do cão do fuzil) e pode muito bem ter marcas canadenses Long Branch estampadas na parte inferior do punho e do guarda-mão.

Suporte de telescópio C MK I para telescópio C No 67 MK I. Base de montagem da luneta, padrão Griffin & Howe. Idealmente canadense feito para melhor ajuste.

Comparação entre o fuzil Scout Sniper e o fuzil E.A.L de sobrevivência militar

Scout Sniper's Rifle ASC-85-4 de 1943-1944 (topo) e um Fuzil de Sobrevivência Militar E.A.L. (R.C.A.F.) dos anos 1950 (abaixo).

Há muitas semelhanças entre o fuzil Scout Sniper de 1943-1944 e o modelo do fuzil de sobrevivência Essential Agencies Limited (E.A.L.) Military (R.C.A.F. e  Rangers Canadenses) da década de 1950. Ambos têm remoção extensiva semelhante de metal no corpo e armação de estilo esportivo. Os dois fuzis são muito parecidos na aparência, mas ao pegá-los mostra que o Scout Sniper's Rifle é muito mais pesado, apesar dos cortes de diminuição de peso no lado esquerdo do corpo, os quais estão presentes no ASC-85-4, mas não em todos os fuzis Scout Sniper.

AVISO: Os colecionadores devem estar cientes de que alguém pode tentar falsificar um fuzil Scout Sniper algum dia usando o corpo de um fuzil E.A.L. Military ou um No. 4 Mk. I*, então observe os detalhes com cuidado.

Scout Sniper's Rifle ASC-85-4 de 1943-1944 (topo) e um Fuzil de Sobrevivência Militar E.A.L. (R.C.A.F.) dos anos 1950 (abaixo).

Fuzil de Sobrevivência Militar E.A.L. (R.C.A.F.) dos anos 1950 (acima) e um Scout Sniper's Rifle ASC-85-4 de 1943-1944 (abaixo).

Leitura recomendada:

Out of Nowhere:
A History of the Military Sniper.
Martin Pegler.

Leitura recomendada:

O Escudo da Sardenha da 90ª Divisão Panzergrenadier

Sardinienschild da 90ª Divisão Panzergrenadier (90 PzGrenDiv)
ao lado da caderneta registo.

Por Filipe do A.Monteiro, Warfare Blog, 23 de maio de 2022.

O Escudo da Sardenha (Sardinienshild) foi adotado pela 90ª Divisão após a sua reconstrução na ilha da Sardenha, criando assim o primeiro distintivo da 90ª Afrika. Ela era usada no quepe, no gorro com pala e no casquete. O distintivo era feito no formato da Sardenha, uma ilha italiana no Mediterrâneo, em alto relevo com uma espada cruzado por cima e a localização dos portos de Olbia e Cagliari. O reverso da insígnia era oco com um broche de fixação.

A 90ª Divisão Alemã teve muitas designações, começando como Divisão Africana de "Serviços Especiais" (Division z.b.V. Afrika, a abreviatura z.b.V. significa zur besonderen Verwendung, que se traduz como "para uso especial"), sendo imediatamente renomeada 90ª Divisão Leve África (90 .leichte Afrika Division) e lutando com o Afrikakorps até a rendição da Tunísia.

Um Kubelwagen com a insígnia da divisão.

Reverso do distintivo com grampo de fixação.

Durante sua existência na África, a 90ª teve algumas unidades exóticas como a Sonderverband 88 de infiltração de longa distância no deserto e um regimento formado por alemães da Legião Estrangeira Francesa. Os alemães vasculharam a Legião Estrangeira no norte da África francesa e recrutaram à força cerca de 2.000 legionários alemães para a Wehrmacht. A maior parte desses legionários seria arregimentada no Infanterie-Regiment Afrika (mot) 361, também conhecido como Verstärktes Afrika-Regiment 361 (361º Regimento Reforçado da África), como parte da 90ª Divisão Afrika.

Destruída na Tunísia, com a maioria dos seus veteranos feitos prisioneiros na rendição de Túnis, os quadros remanescentes da divisão foram reformados na Sardenha com a incorporação dos homens da recém-criada Divisão Sardenha (Division SardinienGeneralleutnant Carl Hans Lungershausen). Esta fora criada em 12 de maio de 1943 na Sardenha a partir do estado-maior da XI Brigada de Assalto (Sturmbrigade XI). Com a ordem de 6 de julho de 1943 do chefe do OKH H Rüst e BdE AHA Ia(I) No. 3273/43 g.Kdos, a divisão foi incorporada à 90ª Divisão Panzergrenadier em 6 de julho de 1943. No entanto, o estado-maior continuou a usar o nome "Comando da Sardenha" (Kommando Sardinien) até 16 de setembro de 1943. A ordem de criação da nova divisão diz:

"Para preservar a tradição da 90ª Divisão de Infantaria, que permaneceu na África após uma luta corajosa, a Divisão da Sardenha será renomeada para 90ª Divisão Panzergrenadier".

Ordem de batalha da Divisão Sardenha:
  • Panzergrenadier-Regiment 1 Sardinien
  • Panzergrenadier-Regiment 2 Sardinien
  • Panzer-Abteilung Sardinien
  • Panzerjäger-Kompanie Sardinien
  • Artillerie-Regiment Sardinien
  • Nachrichten-Regiment Sardinien
  • Pionier-Bataillon Sardinien

Para evitar confusão ao lidar com unidades da 90ª Divisão de Infantaria Leve que ainda existiam até sua dissolução, as unidades da 90ª Divisão Panzergrenadier carregavam a designação "neu" ("nova") após a designação de tropa até 31 de dezembro de 1943. Os convalescentes da 90ª Divisão de Infantaria Leve, que ainda estavam com as tropas de substituição, seriam transferidos para a nova divisão depois de recuperarem a capacidade de serem usados ​em campanha.

Em 3 de setembro de 1943, os alemães foram pegos de surpresa pelo armistício italiano de Cassibile, e as tropas alemãs na Sardenha de súbito se viram superadas em número pelas unidades do Exército Real Italiano; então foi decidido retirar o contingente alemão. Um acordo entre o comandante divisional Generalleutnant Lungershausen e o general italiano Antonio Basso possibilitou a retirada quase sem luta entre 8 e 16 de setembro de 1943.

Panzer IV da 90ª Divisão Panzergrenadier na marina de Palau em sua retirada da Sardenha, setembro de 1943.

O escudo sobre a caderneta registro.

A 90ª Divisão Panzergrenadier foi enviada de Palau, no nordeste da Sardenha, para Bonifácio, na Córsega; e então absorveu a organização terrestre do comando da Luftwaffe na Córsega e acrescentou regulares vindos de recrutas Volksdeutsche (alemães não-cidadãos). Depois que a revolta contra os ocupantes italianos e alemães foi declarada em 9 de setembro de 1943 na Córsega, a divisão foi retirada ao longo da estrada costeira oriental de Bonifácio a Bastia. A divisão fez parte das 12.000 tropas alemãs enviadas para a ilha após o armistício italiano de 1943, lutando junto com a Sturmbrigade Reichsführer SS e 12º Batalhão de Paraquedistas do 184º Regimento FallschirmjägerA divisão foi evacuada para o continente italiano com perdas no início de outubro através da contestada cabeça-de-ponte de Bastia, enfrentando guerrilheiros do Maquis francês e tropas francesas livres desembarcadas, além de soldados italianos leais ao Reino da Itália (44ª Divisão de Infantaria Cremona e 20ª Divisão de Infantaria Friuli).

Aqui a divisão foi reorganizada para se tornar uma Divisão Panzergrenadier 43, ou seja, segundo a nova reorganização de 1943 que previa menos mão-de-obra e aumento do poder de fogo. Tendo sido transferida para o continente italiano da cabeça-de-ponte de Bastia em 3 de outubro de 1943, a divisão foi atribuída ao LXXXVII Corpo do Grupo de Exércitos C, sob o General der Infanterie Gustav-Adolf von Zangen.

Escudo da Sardenha visível no gorro de campanha do soldado à direita.
(Coleção de Antonio Scapini)


O Sardinienschild com a caixa.

A divisão foi então estacionada primeiro na Toscana perto de Pisa e depois na costa do Adriático em Gatteo a Mare. Em meados de novembro de 1943 foi transferido para a região de Abruzzo atrás da Linha Gustav. No início de dezembro, ela estava envolvida em pesados ​​combates defensivos ao sul de Ortona contra a 1ª Divisão de Infantaria Canadense do 8º Exército Britânico. Após a luta em Ortona, "Stalingrado da Itália", a 90ª foi recuada ao sul de Roma para descansar. Em janeiro de 1944, a divisão estava novamente na Linha Gustav entre Cassino e a costa do Tirreno. Desde o início de fevereiro ela lutou na Primeira e Segunda Batalhas de Monte Cassino em Monte Maiola e Monte Castellone. Após o fim da batalha, a 90ª foi transferida para a área de Roma-Ostia como reserva do grupo de exército no início de março. Em meados de maio, ela estava ao sul de Cassino, no Vale do Liri, perto de Pignataro-Pontecorvo, e participou da Quarta Batalha do Monte Cassino. Após o avanço dos Aliados, a divisão retirou-se para a Umbria antes de ser transferida para a área de Grosseto, na Toscana. Na Toscana, unidades da divisão foram usadas para combater guerrilheiros e estiveram envolvidas em batalhas defensivas contra o avanço das tropas do 5º Exército americano em Monte Amiata e perto de Volterra, entre outros lugares, antes da divisão se retirar para o Vale do Arno entre Pisa e Florença.

No final de julho de 1944, a divisão foi primeiro transferida para o Vale do Pó entre Módena e Parma e depois para a Ligúria ao norte de Gênova para descanso. Em meados de agosto, depois que os Aliados desembarcaram no sul da França, foi transferida para o Piemonte para garantir as travessias dos Alpes. A partir do final de setembro de 1944, ela estava novamente na Emilia-Romagna.

Oficial altamente condecorado da 90ª.
O Escudo da Sardenha é visível no lado esquerdo do quepe.

Outro oficial da divisão, um portador da Cruz de Cavaleiro, com o escudo claramente visível na lateral esquerda do quepe.

Em meados de dezembro de 1944, a divisão, inicialmente retida como reserva do exército, defendeu Faenza do ataque V britânico e II Corpo polonês, sofrendo pesadas perdas, mas finalmente teve que evacuar a cidade. Durante a ofensiva de primavera dos Aliados em abril de 1945, a 90ª Divisão Panzergrenadier foi novamente desdobrada como unidade de reserva. Unidades da divisão foram usadas para afastar as formações americanas da costa do Tirreno, perto de Massa, até os Apeninos Toscano-Emilianos. Após o colapso da frente alemã, os remanescentes da divisão capitularam aos Aliados ao sul do Lago de Garda no final de abril de 1945.

A divisão fora destruída próximo a Bolonha, mas alguns remanescentes dela se uniram à a 148. Infanterie-Division do Generalleutnant Otto-Fretter Pico. Blindados da 90ª em missão de reconhecimento trocaram tiros com tropas avançadas de reconhecimento da Força Expedicionária Brasileira (FEB) na região de Collecchio-Fornovo di Taro, sendo capturados pela divisão brasileira na rendição de 29 de abril de 1945.

O Generalmajor Ernst-Günther Baade (esquerda), então comandante da 90ª, com um capitão em Rimini-Ancona, na Itália.
O capitão mostra o Sardinienchild no seu quepe.

Generalmajor Ernst-Günther Baade era popular entre as tropas, sendo notoriamente corajoso sob fogo e trabalhar com um estado-maior pequeno, focando os esforços na linha de frente. Ele era portador da Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro com Folhas de Carvalho e Espadas, e também foi premiado com um Distintivo de Destruição de Tanques (Panzervernichtungsabzeichen) pela destruição de um tanque inimigo com uma arma de infantaria (incomum para um oficial-general). Baade foi ferido em 24 de abril de 1945, quando seu carro da equipe foi metralhado por um caça britânico perto de Neverstaven, em Holstein. Ele morreu de gangrena em um hospital em Bad Segeberg em 8 de maio de 1945, o dia da rendição incondicional alemã.

O comandante da 90ª (de dezembro de 1943 a dezembro de 1944) ter o Panzervernichtungsabzeichen é bastante revelador do tipo de liderança e ethos da unidade. Ele era conhecido por sua bravura e era apreciado pelos soldados. Ele ganhou sua Cruz de Cavaleiro em Bir Hakeim (1942) contra a 1ª Brigada Francesa Livre na África. O general Sir William Jackson, o historiador governamental  responsável por documentar a história oficial britânica da guerra na Itália e autor do livro The Battle for Italy (1967), considerou a 90ª Divisão Panzergrenadier um "adversário digno".

Bibliografia recomendada:

Orders, Decorations and Badges of the Third Reich
(Including the Free City of Danzig).
David Littlejohn e Coronel C. M. Dodkins.

Leitura recomendada: