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quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

GALERIA: Exercício de cães e renas no Ártico

Soldados da unidade de reconhecimento de uma das brigadas de infantaria mecanizada do Ártico utilizando cães e trenós na área de Murmansky, 1º de fevereiro de 2016.
(Lev Fedosseyev)

Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 30 de dezembro de 2021.

Batedores da unidade de reconhecimento da 80ª Brigada de Infantaria Mecanizada do Ártico, em Alakurtti no Oblast de Murmansk e pertencente à Frota do Norte (FN), conduzem exercícios militares e demonstram a forma correta de andar de trenó puxado por cães - da raça Husky, de olhos azuis e pêlo acinzentado - e com renas, conforme os povos nativos da região. Os batedores de reconhecimento (Razvedchiki / Razvedika) são uma parte importante do sistema militar russo, tendo o mesmo padrão de treinamento das Spetsnaz. Os militares foram fotografados por Lev Fedosseyev em 1º de fevereiro de 2016.

“Os cães de trenó são selecionados quando ainda são muito jovens. Você pode dizer se um cachorrinho husky será um bom cão de trenó logo em um mês e meio”, disse o Sargento Sergei Timonin, chefe do canil da 80ª Brigada.

Insígnia da 80ª Brigada de Infantaria Motorizada.

Os militares russos realizaram seu primeiro exercício de treinamento usando renas e trenós puxados por cães para realizar patrulhas nas duras condições do Ártico. O exercício foi realizado como resultado dum programa especial para preparar os huskies para servir nas forças armadas. O exercício foi gravado e intitulado "No Extremo Norte, os batedores da FN aprendem a usar renas e trenós puxados por cães".

Vídeo do exercício


As aulas foram ministradas em uma fazenda de pastoreio de renas perto da aldeia de Lovozero, na região de Murmansk. Os militares aprenderam a administrar equipes de cães e renas e desenvolveram os elementos táticos para conduzir operações de incursão no ambiente invernal da região. Criadores de renas e condutores contaram aos batedores sobre as peculiaridades para se manter e treinar os animais.

Durante o exercício, os soldados também aprenderam a erguer as moradias tradicionais dos povos nômades do norte chamados chumy, que são tendas de couro cru, para se manterem aquecidos. De acordo com Vadim Serga, chefe do serviço de imprensa da Frota do Norte, pastores de renas experientes podem montar um acampamento de abrigos chumy em apenas 10 ou 15 minutos. Os batedores enfrentaram tempo inclemente, com temperaturas atingindo -30ºC, mas mesmo assim os soldados e cães de trenó da brigada cumpriram sua missão, sendo auxiliados por indígenas locais.







Durante a Segunda Guerra Mundial - chamada de "Grande Guerra Patriótica" na Rússia - renas foram empregadas na região de Kola, no Ártico. Esta renas foram usadas para transportar carga militar, evacuar os feridos, enviar batedores para as linhas inimigas e até mesmo para destruir aeronaves e eliminar suas tripulações.

Através do transporte por renas, mais de 10 mil feridos foram retirados da linha de frente, cerca de 17 mil toneladas de munições e outras cargas militares foram movimentadas para a linha de frente, 160 aeronaves foram evacuadas da tundra, após terem feito pousos de emergência devido a avarias, e cerca de 8 mil militares e guerrilheiros foram transportados para cumprirem missões especiais atrás das linhas inimigas. Entre as operações bem-sucedidas de sabotagem usando o transporte de renas está o ataque ao campo de aviação de Petsamo em 1942.

Durante a guerra, várias brigadas de transporte e batalhões de esqui de renas foram formados, nos quais pastores de renas dentre os habitantes indígenas do Extremo Norte - Sami, Nenets, Komi - serviram com suas renas. Mais de 10 mil renas foram mobilizadas no total. Em Naryan-Mar, na rua Pobeda, foi inaugurado um monumento ao feito dos participantes dos batalhões de transporte de renas durante a Grande Guerra Patriótica.









“Se o filhote quiser ficar ao ar livre a maior parte do tempo, se tiver energia e não puder ficar parado em casa, deve ser enviado para um centro de treinamento de cães.”
- Sargento Sergei Timonin, chefe do canil da 80ª Brigada de Infantaria Motorizada.

Bibliografia recomendada:

Spetsnaz:
Russia's Special Forces.
Mark Galeotti e Johnny Shumate.

Leitura recomendada:

sexta-feira, 20 de agosto de 2021

Salto de grande altitude no Ártico


Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 20 de agosto de 2021.

Em 27 de abril de 2020, ocorreu o salto de uma unidade de reconhecimento da VDV em algum lugar do Ártico de uma altura de 33.000 pés, o que é aproximadamente a marca prática superior de uma inserção HALO/HAHO. Segundo os russos, esta foi a primeira vez em sua história que eles saltaram daquela altura. Uma vez no solo, eles realizaram um assalto simulado contra um "alvo de inteligência".

O vice-ministro da Defesa da Federação Russa, Tenente-General Yunus-bek Yevkurov, um ossétio que se formou na escola do Comando Aerotransportado de Ryazan em 1989, na era soviética, estava na Zona de Lançamento (ZL).




Bibliografia recomendada:

Wings of War:
Airborne Warfare 1918-1945.

Leitura recomendada:











domingo, 23 de maio de 2021

GALERIA: Demonstração da Cia Recon da Divisão Kantemirovskaya


Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 22 de maio de 2021.

Reportagem fotográfica da Companhia de Reconhecimento da 4ª Divisão de Guardas Kantemirovskaya em Naro-Fominsk, no Oblast de Moscou, 2 de novembro de 2011. A manobra foi fotografada por Vitaly Kuzmin para o blog Vitaly Kuzmin Military Blog.

Os conscritos da Companhia de Reconhecimento (Razvedka, significando tanto reconhecimento quanto batedor) demonstraram uma prática de tiro individual e em grupo com lançadores RPG-7 e RPG-26, fuzis de assalto AK-74M, além de metralhadoras e pistolas. Eles também mostraram emprego de uma dupla de atiradores de elite, superando o "caminho do batedor" e uma emboscada; os snipers estão armados com o fuzil SVD Dragunov. A companhia também demonstrou a organização do posto de observação e locais de descanso para os soldados.


Os razvedchiki pertencem à pomposamente intitulada 4ª Divisão de Tanques de Guarda Ordem de Lênin e da Bandeira Vermelha Kantemirovskaya, comumente chamada Kantemirovka; seu lema é "Honra e Glória". Batedores de unidades de elite (como a Kantemirovka) são treinados e equipados em níveis comparados às Spetsnaz (forças especiais).

Disparos com lança-foguetes

Disparo de RPG-7.

Lança-rojão RPG-7.

RPG-26 Aglen descartável.

Disparo com a explosão de retaguarda.

Manobra de fuzileiros

Empunhadura "Escorpião", com a mão no carregador.

Disparo com o fuzil AK-74M.



Demonstração de contra-emboscada.



Contra-ataque com disparo de RPG-26.

Pistola Makarov (Pistolét Makárova, PM).

Disparo com a Makarov.

Snipers

Sniper camuflado e com traje ghillie.

SVD Dragunov.


Disparo contra o alvo, a tinta representa sangue.





Metralhadora Pecheneg

Metralhadora PKP Pecheneg.

Alimentação com a tampa aberta.

Disparo com a Pecheneg.


Incursão de emboscada







Veículo de combate de infantaria BMP-2.









Caminhão KrAZ-255B.




Local de repouso do grupo de batedores



Comandante do grupo de reconhecimento com o rádio 169P-1.

Pista de obstáculos




















Telêmetro de vidro de campo a laser 1D18, também conhecido como dispositivo de reconhecimento a laser LPR-2.

Visão de trás do telêmetro com a marcação "1Д18" (1D18) do lado direito.

Dispositivo de reconhecimento de curto alcance SBR-3.

Painel de controle do SBR-3.

Dispositivo portátil de reconhecimento terrestre PSNR-5.

Dispositivo portátil de reconhecimento terrestre PSNR-5.

Natação Utilitária









Treinamento paraquedista







O Razvedka na cultura russa


Criados em um ambiente de subversão e paranóia, os batedores militares russos (voyennyye razvedchik) modernos possuem uma longa e orgulhosa tradição começando com a polícia política bolchevique da Revolução Russa (1917). Formações de "reconhecimento ativo" (aktivki) operavam atrás das linhas inimigas, regularmente por meios dissimulados, e rapidamente tornaram-se uma marca do Exército Vermelho dos Operários e Camponeses (Рабо́че-крестья́нская Кра́сная армия / Rabóche-krest'yánskaya Krásnaya armiya, RKKA). Este Exército Vermelho, criado em janeiro de 1918, precisou lutar e vencer uma guerra civil multilateral de 1918-1922 contra facções russas e não-russas rivais entre si, e dessa forma precisava manter seus adversários em situação de desequilíbrio. Era necessário saberem quando e onde concentrar suas forças (frequentemente em inferioridade numérica) de forma a derrotar seus adversários em detalhe, isolando pequenas unidades inimigas.

Uma das respostas foi o emprego de unidades de reconhecimento e sabotagem profundos na retaguarda do inimigo, especialmente unidades da Cavalaria Vermelha e do serviço de segurança política (Tcheka, OGPU e depois NKVD); estas últimas formadas e Unidades de Propósitos Especiais (Chasti osobogo naznacheniya, ChON). Da revolta islâmica Basmachi nos anos 1930 à Guerra Civil Espanhola (1936-1939), os soviéticos usaram unidades de cavalaria e polícia política. Na Espanha, foram formadas unidades especiais de tropas "diversionárias" e de sabotagem e assassinatos mirados, e unidades de contra-revolucionária que aterrorizavam e controlavam os próprios aliados espanhóis republicanos, comandadas pela NKVD e pelo GRU (inteligência militar).

Em 1930, durante um exercício de salto de combate das novas Tropas de Assalto Aéreo (Vozdushno-desantnye voiska, VDV), ocorreu a inserção de uma equipe "diversionária" de 12 homens atrás das linhas inimigas para fins de sabotagem e reconhecimento. A manobra foi considerada um sucesso e uma companhia foi formada, com uma brigada completa criada em 1932 - a 3ª Brigada de Assalto Aérea de Propósitos Especiais. Sua missão era aproveitar oportunidades táticas, tomar e destruir objetivos na retaguarda inimiga, e assassinar alvos de alto valor e executar sabotagens de forma a desorganizar as operações inimigas. Quando da invasão nazista em 1941, as VDV tinham 5 divisões ativas chamadas Corpos de Assalto Aéreo (com o objetivo de expansão para 10), e cada uma incluindo ao menos um batalhão de propósito especial (Spetsnaz) reservada para operações de secretas ou de distâncias particularmente longas.


A inteligência, simplesmente definida como conhecimento do inimigo e de suas intenções, raramente é um fator decisivo na guerra. Não altera a força dos exércitos em conflito e os objetivos gerais de guerra dos Estados em conflito, e pode ter pouco efeito no planejamento e na condução das operações. Uma força que carece de boa inteligência ainda pode ter sucesso por causa de sua força, planejamento sólido e eficiência militar. O inverso também é verdadeiro. Inteligência sólida, entretanto, pode afetar a decisão de uma nação de ir à guerra em primeiro lugar; e, uma vez que a nação esteja em guerra, pode revelar as intenções e disposições do inimigo. Ao mesmo tempo que fornece uma base para um planejamento sólido, também constitui uma base para conduzir e verificar os efeitos da dissimulação. Conseqüentemente, a inteligência fornece alavancagem para acentuar os efeitos positivos das ações militares, sejam elas ofensivas ou defensivas. A coleta, análise e exploração de inteligência é um processo difícil, ainda mais pela névoa da guerra e pelo acaso, que torna seus efeitos ainda menos previsíveis.

Poucas nações desenvolveram um respeito mais saudável pela relação entre inteligência e guerra do que a União Soviética. Os quatro anos de guerra na Frente Oriental durante a Segunda Guerra Mundial, conhecida pelos soviéticos como a Grande Guerra Patriótica, foram sem precedentes em escala e intensidade. Desde o início de Barbarossa em 22 de junho de 1941 até o fim da guerra europeia em maio de 1945, a inteligência desempenhou um papel significativo no curso e no resultado das operações: o fracasso da inteligência soviética em junho de 1941 e o aparente sucesso dessa mesma inteligência em Kursk em 1943 são exemplos opostos dessa espada de dois gumes.

Em uma cultura tão enraizada na dissimulação e paranóia, tanto na ex-URSS quanto na atual Federação Russa, os elementos de reconhecimento permanecem como ponto focal dos esforços militares e orçamentários. Putin aumentou exponencialmente as forças de reconhecimento e especiais, inclusive criando unidades spetsnaz para os comandos militares regionais com base nas lições da Guerra da Geórgia em 2008.

Na cultura popular russa, soldados de reconhecimento ou spetsnaz são sempre mostrados em filmes e séries como heróicos combatentes enfrentando forças nazistas, ou grupos terroristas modernos em missões de resgate de reféns. Um personagem especificamente descrito como batedor é o Major Semyon Strogov da trilogia russa baseada na série de sucesso Hitman, sendo o protagonista nos jogos Death to Spies, Death to Spies: Moment of Truth e Alekhine's Gun, servindo em operações militares e de inteligência envolvendo os típicos temas de sabotagem, sequestro e assassinato na retaguarda do inimigo. Death to Spies significa "Morte aos Espiões", o nome literal de uma agência de contra-inteligência soviética criada após a invasão alemã - a SMERSH.

O batedor Semyon Strogov, com o uniforme típico de camuflagem das forças de reconhecimento, infiltrando um castelo nazista na Noruega ocupada.

Geralmente iniciando as missões com o uniforme camuflado das tropas de reconhecimento soviéticas, o razvedchik Semyon geralmente se disfarça com uniformes inimigos de modo a poder se infiltrar até mesmo em plena vista do inimigo, às vezes falando em alemão. De especial interesse é a trajetória do personagem entre ações contra os invasores nazistas sendo intercaladas com espionagem dos próprios aliados ocidentais, que eram aliados dos soviéticos na época. O jogador participa de operações contra diplomatas britânicos, infiltrando na própria embaixada do Reino Unido em Moscou, e até mesmo participando de uma infiltração no projeto atômico americano no laboratório de Los Alamos, no estado do Novo México.

Semyon disfarçado de soldado americano espionando o projeto atômico em Los Alamos, nos Estados Unidos.

Bibliografia recomendada:




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