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sábado, 8 de janeiro de 2022

FOTO: Caveira emergindo da fumaça

Um caveira do BOPE engolfado em fumígena laranja, 2019.
(Guto Ambar)

Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 8 de janeiro de 2022.

Foto de um Caveira, um operador do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE), durante um exercício. A foto, tirada por Guto Ambar, foi parte de uma coleção para um livro fotográfico sobre o famoso batalho especial carioca em comemoração aos seus 42 anos. O livro foi lançado em janeiro de 2020.

 O livro foi apresentado no Centro Cultural Banco do Brasil no Rio de Janeiro. O livro tem a capa preta com o símbolo do BOPE - a famosa CAVEIRA - e a capa dura tem as letras e logotipo em alto relevo, ambos em boa qualidade.



Parabéns ao BOPE por seus 42 anos de serviço.

Si vis pacem, para bellum!

quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

MODELISMO: SAS australiano no Vietnã

SAS australiano no Vietnã, 1970.
(Tony Dawe)

Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 5 de janeiro de 2022.

Busto de um soldado australiano do Special Air Service Regiment (SASR), o SAS australiano, pintado pelo modelista Tony Dawe. O trooper - designação dos operadores do SAS - está usando a configuração típica das tropas no Vietnã, com uma faixa na cabeça, camuflagem facial, mosquiteiro como echarpe e o confiável fuzil FAL (chamado SLR L1A1), neste caso usando o carregador de 30 tiros.

O mosquiteiro e a bandana servem para absorver o constante suor produzido no ambiente tropical da selva. O FAL tem armação de madeira e uma banda na coronha com kit de primeiros socorros. O carregador mais longo permite o "despejo" de alto volume de fogo para suprimir o adversário e forçá-lo a abaixar a cabeça e ficar na defensiva. Dessa forma, o SAS poderia manobrar e destruir o inimigo, ou simplesmente romper contato e ir embora conforme a necessidade.

Durante seu tempo no Vietnã, o SAS australiano e neo-zelandês (NZ SAS) realizou diversas modificações no fuzil FAL, usualmente apelidando-o de "The Bitch" ("A Megera") ou "The Beast" ("A Besta"). O blog tratou desse assunto aqui.

Comando SASR com um FAL encurtado conhecido como "The Bitch".
(Kevin Lyles/ Vietnam ANZACs Elite 103 da Osprey Publishing).

SASR com fuzis FAL modificados.
(Vietnam ANZACs)

Durante o período de pouco mais de cinco anos, cerca de 580 soldados do SAS serviram no Vietnã. Eles conduziram 1175 patrulhas (não incluindo 130 do NZ SAS), a maioria sendo patrulhas de reconhecimento, emboscada de reconhecimento e emboscada. Seu serviço no Vietnã reforçou sua reputação como uma unidade de elite do Exército australiano.

O SAS australiano infligiu pesadas baixas ao vietcongue, incluindo 492 mortos, 106 possivelmente mortos, 47 feridos, 10 possivelmente feridos e 11 prisioneiros capturados. Suas próprias perdas totalizaram um morto em combate, um morreu de ferimentos, três mortos acidentalmente, um desaparecido e uma morte por doença. Vinte e oito homens ficaram feridos. Os restos mortais do último soldado australiano que desapareceu em combate em 1969, após cair na selva durante uma extração de corda suspensa, foram encontrados em agosto de 2008.

Trooper do 1º Squadrão (1SAS) com um SLR L1A1 e o carregador de 30 tiros em Bien Hoa, fevereiro de 1968.

Com base em Nui Dat, que ficou conhecida como "SAS Hill" ("Colina SAS"), o SASR foi responsável por fornecer inteligência para a 1ª Força Tarefa Australiana (1 ATF) e as forças americanas, operando em toda a província de Phuoc Tuy, bem como nas províncias de Bien Hoa, Long Khanh e Binh Tuy. A partir de 1966, os esquadrões SASR rotacionaram pelo Vietnã em desdobramentos de um ano, com cada um dos três esquadrões Sabre completando duas turnês antes que o último esquadrão fosse retirado em 1971. As missões incluíram patrulhas de reconhecimento de médio alcance, observação de movimentos de tropas inimigas e operações ofensivas de longo alcance e emboscada em território dominado pelo inimigo.

Operando em pequenos grupos de quatro a seis homens, eles se moviam mais lentamente do que a infantaria convencional pela selva ou mato e estavam fortemente armados, empregando uma alta taxa de fogo para simular uma força maior em contato e para apoiar sua retirada. O principal método de inserção foi por helicóptero, com o SASR trabalhando em estreita colaboração com o Esquadrão No. 9 RAAF, que regularmente fornecia inserção e extração rápidas e precisas de patrulhas em zonas de pouso na selva na altura do topo das árvores. Ocasionalmente, patrulhas SASR também foram inseridas por transportes blindados M-113 com um método desenvolvido para enganar os vietcongues quanto à sua inserção e localização de seu ponto de desembarque, apesar do barulho que os veículos faziam ao se moverem pela selva. Um salto operacional de paraquedas também foi realizado: O 3º Esquadrão (3 Squadron) realizou um salto operacional de paraquedas 5 quilômetros a noroeste de Xuyen Moc na noite de 15 para 16 de dezembro de 1969, com o codinome Operação Stirling.

Troopers do SASR no Vietnã.

Um quarto esquadrão foi criado em meados de 1966, mas foi posteriormente dissolvido em abril de 1967. Concluindo sua turnê final em outubro de 1971, o 2º Esquadrão foi dissolvido no retorno à Austrália, com o Esquadrão de Treinamento criado em seu lugar. O SASR operou em estreita colaboração com o SAS da Nova Zelândia, com um pelotão (troop) sendo anexado a cada esquadrão australiano a partir do final de 1968. Quando em modo tático, os dois SAS eram idênticos, com a única diferença visível sendo a boina vermelha bordô usada pelos neo-zelandeses em uniforme de passeio, seguindo o padrão da Segunda Guerra Mundial, em oposição à boina cor de areia dos australianos.

Durante seu tempo no Vietnã, o SASR provou ser muito bem-sucedido, com os militares do regimento sendo conhecidos pelos vietcongues como Ma Rung ou "fantasmas da selva" devido à sua discrição e furtividade.

Bibliografia recomendada:

On Patrol with the SAS: Sleeping with your ears open,
Gary McKay.

The FN FAL Battle Rifle.
Bob Cashner.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

GALERIA: Exercício de cães e renas no Ártico

Soldados da unidade de reconhecimento de uma das brigadas de infantaria mecanizada do Ártico utilizando cães e trenós na área de Murmansky, 1º de fevereiro de 2016.
(Lev Fedosseyev)

Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 30 de dezembro de 2021.

Batedores da unidade de reconhecimento da 80ª Brigada de Infantaria Mecanizada do Ártico, em Alakurtti no Oblast de Murmansk e pertencente à Frota do Norte (FN), conduzem exercícios militares e demonstram a forma correta de andar de trenó puxado por cães - da raça Husky, de olhos azuis e pêlo acinzentado - e com renas, conforme os povos nativos da região. Os batedores de reconhecimento (Razvedchiki / Razvedika) são uma parte importante do sistema militar russo, tendo o mesmo padrão de treinamento das Spetsnaz. Os militares foram fotografados por Lev Fedosseyev em 1º de fevereiro de 2016.

“Os cães de trenó são selecionados quando ainda são muito jovens. Você pode dizer se um cachorrinho husky será um bom cão de trenó logo em um mês e meio”, disse o Sargento Sergei Timonin, chefe do canil da 80ª Brigada.

Insígnia da 80ª Brigada de Infantaria Motorizada.

Os militares russos realizaram seu primeiro exercício de treinamento usando renas e trenós puxados por cães para realizar patrulhas nas duras condições do Ártico. O exercício foi realizado como resultado dum programa especial para preparar os huskies para servir nas forças armadas. O exercício foi gravado e intitulado "No Extremo Norte, os batedores da FN aprendem a usar renas e trenós puxados por cães".

Vídeo do exercício


As aulas foram ministradas em uma fazenda de pastoreio de renas perto da aldeia de Lovozero, na região de Murmansk. Os militares aprenderam a administrar equipes de cães e renas e desenvolveram os elementos táticos para conduzir operações de incursão no ambiente invernal da região. Criadores de renas e condutores contaram aos batedores sobre as peculiaridades para se manter e treinar os animais.

Durante o exercício, os soldados também aprenderam a erguer as moradias tradicionais dos povos nômades do norte chamados chumy, que são tendas de couro cru, para se manterem aquecidos. De acordo com Vadim Serga, chefe do serviço de imprensa da Frota do Norte, pastores de renas experientes podem montar um acampamento de abrigos chumy em apenas 10 ou 15 minutos. Os batedores enfrentaram tempo inclemente, com temperaturas atingindo -30ºC, mas mesmo assim os soldados e cães de trenó da brigada cumpriram sua missão, sendo auxiliados por indígenas locais.







Durante a Segunda Guerra Mundial - chamada de "Grande Guerra Patriótica" na Rússia - renas foram empregadas na região de Kola, no Ártico. Esta renas foram usadas para transportar carga militar, evacuar os feridos, enviar batedores para as linhas inimigas e até mesmo para destruir aeronaves e eliminar suas tripulações.

Através do transporte por renas, mais de 10 mil feridos foram retirados da linha de frente, cerca de 17 mil toneladas de munições e outras cargas militares foram movimentadas para a linha de frente, 160 aeronaves foram evacuadas da tundra, após terem feito pousos de emergência devido a avarias, e cerca de 8 mil militares e guerrilheiros foram transportados para cumprirem missões especiais atrás das linhas inimigas. Entre as operações bem-sucedidas de sabotagem usando o transporte de renas está o ataque ao campo de aviação de Petsamo em 1942.

Durante a guerra, várias brigadas de transporte e batalhões de esqui de renas foram formados, nos quais pastores de renas dentre os habitantes indígenas do Extremo Norte - Sami, Nenets, Komi - serviram com suas renas. Mais de 10 mil renas foram mobilizadas no total. Em Naryan-Mar, na rua Pobeda, foi inaugurado um monumento ao feito dos participantes dos batalhões de transporte de renas durante a Grande Guerra Patriótica.









“Se o filhote quiser ficar ao ar livre a maior parte do tempo, se tiver energia e não puder ficar parado em casa, deve ser enviado para um centro de treinamento de cães.”
- Sargento Sergei Timonin, chefe do canil da 80ª Brigada de Infantaria Motorizada.

Bibliografia recomendada:

Spetsnaz:
Russia's Special Forces.
Mark Galeotti e Johnny Shumate.

Leitura recomendada:

terça-feira, 7 de dezembro de 2021

FOTO: Boinas Verdes com uniforme preto no Iraque

Boinas Verdes vestindo uniformes pretos ISOF enquanto destacados como uma CRF no Iraque, 2021.

Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 7 de dezembro de 2021.

Boinas Verdes vestindo uniformes pretos das forças especiais iraquianas - ISOF - enquanto destacados como uma Força de Resposta à Crise (Crisis Response ForceCRF) no Iraque, 2021.

Foto postada no perfil Gunslinger Central (@gunslinger_central) do Instagram, uma página especializadas em fotos táticas, geralmente de forças especiais. A palavra Gunslinger é o equivalente em inglês de "pistoleiro".

Também apelidado como Força In-extremis do Comandante (Commander’s In-extremis ForceCIF), esses elementos boinas verdes foram projetados para "fornecer opções para resgatar pessoas sob ameaça, para recuperar materiais sensíveis, como armas de componentes de destruição em massa, para fornecer ajuda humanitária ou para lidar com outros requisitos sem aviso prévio". Apesar do portfolio glamoroso, as companhias CRF foram dissolvidas por serem caras e subutilizadas, não justificando o investimento em dinheiro e pessoal (que era necessário em outras funções).

As CRF eram um quadro de elite de boinas verdes que se especializavam em missões de Ação Direta (DA), Contraterrorismo (CT) e Resgate de Reféns (HR). Cada Grupo de Forças Especiais (1º, 3º, 5º, 7º e 10º) possuía uma companhia CRF, sendo estas consideradas reservas estratégicas de cada comando combatente em caso de emergência em todo o mundo. Após a redução, as forças especiais americanas mantiveram apenas uma pequena capacidade CRF.

Os boinas verdes do fiasco na Venezuela vinham de uma CRF, e o Warfare Blog tratou deste assunto aqui.

As operações especiais no Iraque são atualmente conduzidas por tropas montadas em Humvees blindados, possuindo cúpolas improvisadas, atuando como colunas móveis ao invés do sistema de incursões helitransportadas de antigamente; mais caras e não mais eficientes. Entre os operadores está um TERP, um intérprete iraquiano, facilmente identificável por ser barrigudo e não carregar um fuzil.

O terceiro homem à esquerda, visivelmente fora de forma, é um intérprete e carrega apenas uma pistola para sua proteção em caso de emergência.

Os vários fuzis AR-15 possuem variações personalizadas com guarda-mão e sistemas ópticos de gosto pessoal dos operadores.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

FOTO: Operadores especiais da Força-Tarefa Takuba no Dia da Bastilha

Desfile de elementos da Força-Tarefa Takuba no Champs Élysées, em Paris, 14 de julho de 2021.

Forças especiais européias marchando no desfile do Dia da Bastilha de 2021. Os 80 operadores especiais suecos, estonianos, tchecos, italianos, portugueses, holandeses, belgas e franceses desfilaram com seus uniformes e boinas distintivas, e usando coberturas de face para manter a anonimidade.

domingo, 7 de novembro de 2021

FOTO: Operadores do Comando Georges na Argélia

O Coronel Marcel Bigeard com homens do famoso Comando Georges na Argélia.

Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 7 de novembro de 2021.

O mais famoso comandante paraquedistas francês, Marcel Bigeard, posa ao lado dos comandos argelinos do Comando Georges, o mais famoso dos commandos de chasse (comando de caça, uma força contra-guerrilha da Guerra da Argélia).

O Comando Georges foi formado pelo Tenente Georges Grillot em 1959, durante a Guerra da Argélia; sendo composto principalmente por ex-membros da Frente de Libertação Nacional (FLN) e do Exército de Libertação Nacional (ALN) reunidos na França. O mais famoso e um dos mais eficientes comandos de caça, o Comando Georges foi dissolvido em abril de 1962 com o fim da guerra após a assinatura dos Acordos de Évian.

Os comandos de caça tinham por missão detectar e rastrear as katibas da ALN usando táticas de guerrilha análogas às forças irregulares da FLN. Katibas podem ser batalhões ou companhias, e na Guerra da Argélia eram a unidade da ALN (em valor companhia, com cerca de 30 homens) subordinadas a wilayas (comandos regionais) e que operavam em ações de guerrilha contra os militares  e de terrorismo contra a população civil. Cada wilaya era sucessivamente subdividido em mintaqas, depois em nahias, depois em kasmas e depois em douarsO objetivo principal dos comandos de caça era impedir a penetração da FLN nas vilas, e o adversário do Comando Georges, em particular, eram os bandos armados da Mintaka 56 (subdivisão de uma Wilaya).

Fanion (guião) e écusson (distintivo) do Commando Georges.
Seus lemas eram "Chasser la misère" (caçar/afugentar a miséria) e "Croire et oser" (crer e ousar).

O Tenente Georges Grillot era assistido pelos Tenentes Armand Bénésis de Rotrou e Youssef Ben Brahim. O comando é organizado de acordo com as mesmas estruturas do ALN. Quando foi criado em 1959, incluía quatro katibas, cada uma composta por três sticks (esquadrões autônomos) de 10 homens. Em 1961, sua força chegou a 240 homens, organizados em 11 sticks, cada um compreendendo dois grupos de combate de 11 harkis (argelinos leais) com uma metralhadora AA52. Os membros do comando eram todos "franceses de origem norte-africana" (Français de souche nord-africaineFSNA).

Em 10 meses, o Coronel Bigeard, graças à ação do comando, eliminou 80% da OPA (Organização Político-Administrativa) da FLN e obteve resultados excepcionais em combate. No dia 27 de agosto de 1959, a visita do General de Gaulle a Saida confirmou esse sucesso, que declarou a Youssef Ben Brahim:

"Terminada a pacificação, uma nova era se abrirá para a Argélia".

O comando colocou fora de ação cerca de 1.000 rebeldes, cerca de 30 oficiais, incluindo 7 líderes sucessivos da zona VI nos setores de Saida, Ain Sefra, Frenda, Sebdou, Géryville e Inkermann (Ouarsenis). O comando foi premiado com 26 medalhas militares e 398 citações.

Após o cessar-fogo, tendo as autoridades recusado o seu repatriamento na França metropolitana, cerca de 60 a 70 dos membros do comando são assassinados durante as represálias bárbaras da FLN. Outros desapareceram nos campos do ALN e um pequeno número foi repatriado para a França graças à intervenção da Cruz Vermelha. O Tenente Youssef Ben Brahim, nascido em 1927, repatriado para a Dordonha, foi assassinado em 27 de julho de 1968 por um de seus ex-fiéis que o acusou de um caso com sua esposa.

sábado, 6 de novembro de 2021

FOTO: Soldados da Hermann Göring inspecionam um JS-2 polonês

Soldados alemães da 1ª Divisão Fallschirm-Panzer Hermann Göring inspecionam um tanque polonês JS-2 capturado na Batalha de Bautzen, abril de 1945.

Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 6 de novembro de 2021.

Soldados alemães da 1ª Divisão Fallschirm-Panzer Hermann Göring (Fallschirm-Panzer Division 1 "Hermann Göring", da Luftwaffe) inspecionam um tanque pesado JS-2 de fabricação soviética do 1º Corpo de Tanques Polonês (veículo blindado nº 5100, nome próprio Tadeusz), capturado em uma batalha no subúrbio de Kleinvelka, na Alemanha cidade de Bautzen em abril de 1945.

À esquerda está um Universal Light Carrier britânico, conhecido como Bren Carrier, fornecido sob a Lei de Empréstimo-e-Arrendamento (Lend-Lease Act, LLA). A águia polonesa foi aplicada tanto ao Universal Carrier quanto ao tanque JS-2.

A Batalha de Bautzen, ocorrida de 21 a 30 de abril de 1945, foi uma das últimas batalhas da Frente Oriental durante a Segunda Guerra Mundial. Foi travada no flanco extremo sul da Ofensiva Spremberg-Torgau, tendo dias de luta campal de rua entre as forças do Segundo Exército polonês sob elementos do 52º Exército e do 5º Exército de Guardas soviéticos de um lado e elementos do Grupo de Exércitos Centro alemão na forma dos restos dos 4º Exército Panzer e do 17º Exército do outro. Foi a última grande vitória alemã da guerra, que infligiu pesadas baixas aos poloneses e soviéticos; apesar de não romper a linha soviética. Os alemães recapturaram Bautzen e a mantiveram até a rendição final em 8 de maio de 1945.

Leitura recomendada:

domingo, 10 de outubro de 2021

FOTO: Jägers com armamento americano capturado na Itália

Dois Jägers (caçadores) alemães da Divisão Blindada Hermann Göring (Panzer-Division Hermann Göring) recolhendo armamento americano capturado em Anzio, na Itália, em fevereiro de 1944. (ECPAD)

Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 27 de junho de 2020

Estes Jägers estão vestidos com uniformes camuflados italianos e têm nas mãos submetralhadoras Thompson e fuzis semi-automáticos M1 Garand, capturadas após os contra-ataques realizados em fevereiro de 1944. Eles pertencem especificamente ao batalhão de reconhecimento divisional da Divisão Panzer Hermann Göring, o Panzer-Aufklärungs-Abteilung, comandado pelo Hauptmann Rebholz.

Essa foto foi tirada por Gerhard Rauchwetter, fotógrafo militar da Luftflotte 2, e hoje consta dos arquivos da ECPAD, na França.

A Hermann Göring posteriormente foi renomeada Fallschirm-Panzer-Division de forma honorífica (seus homens não eram paraquedistas). Göring era o comandante da aeronáutica alemã (a Luftwaffe) e criou a unidade como uma guarda pretoriana, sendo ela um produto das disputas internas do sistema de comando na Alemanha Nazista. A divisão continuou servindo na Itália durante a defesa da Linha Gustav, sendo enviada para a Prússia Oriental após a queda de Roma.

No decorrer da sua existência, a unidade teve várias denominações, iniciando a vida como um batalhão de polícia especial e crescendo até um corpo de exército com duas divisões na Prússia Oriental. Suas diferentes denominações foram:
  • Polizeiabteilung z. b. V. Wecke – fevereiro de 1933 a junho de 1933;
  • Landespolizeigruppe Wecke z. b. V. – junho de 1933 a janeiro de 1934;
  • Landespolizeigruppe General Göring – janeiro de 1934 a setembro de 1935;
  • Regiment General Göring – setembro de 1935 a janeiro de 1941;
  • Regiment (mot.) Hermann Göring – janeiro de 1941 a julho de 1942;
  • Brigade Hermann Göring – julho de 1942 a outubro de 1942;
  • Division Hermann Göring – outubro de 1942 a junho de 1943;
  • Panzer-Division Hermann Göring – junho de 1943 a abril de 1944;
  • Fallschirm-Panzer-Division 1 Hermann Göring – abril de 1944 a outubro de 1944;
  • Fallschirm-Panzerkorps Hermann Göring – outubro de 1944 a maio de 1945.

quinta-feira, 7 de outubro de 2021

ENTREVISTA: Um "nível diferente" de sniper militar


Por Adnan R. Khan, Mclean's, 22 de junho de 2017.

Tradução Filipe do A. Monteiro, 7 de outubro de 2021.

As distâncias são alucinantes: em 2002, Master Cpl. Arron Perry, da Infantaria Ligeira Canadense da Princesa Patrícia, mirou em um insurgente afegão a uma distância de 2.300 metros e acertou seu alvo, estabelecendo o recorde mundial para o mais longo tiro de abate confirmado da história militar. Não muito depois, Cpl. Rob Furlong, na mesma operação, ultrapassou seu irmão de armas com uma morte confirmada a 2.430 metros. Seu recorde duraria mais, até 2009, quando um atirador britânico, Craig Harrison, deu um tiro de 2.475 metros.

Em 21 de junho, o recorde de Harrison foi quebrado por outro canadense, um atirador de elite das forças especiais que, de acordo com os militares canadenses, matou um combatente do ISIS em Mosul a uma incrível distância de 3.540 metros.

Atiradores de elite canadenses, incluindo Rob Furlong, no Afeganistão em 2002.
(Stephen Thorne / CP)

Vamos colocar isso em perspectiva: se alguém empilhasse seis CN Towers de ponta a ponta, ainda teria mais de 200 metros faltando. A bala, de acordo com especialistas militares, teria viajado por quase 10 segundos antes de atingir o alvo. O atirador não só teria que levar em consideração as condições do vento, mas, àquela distância, também a curvatura da Terra (Efeito Coriolis).

Mais surpreendente, talvez, é o fato de que, nos últimos 15 anos, o recorde de franco-atiradores de combate ativo foi quebrado quatro vezes, e três delas foram por canadenses.

Isso não é coincidência, diz Furlong, que agora dirige uma academia de tiro ao alvo em Edmonton.

Efeito Coriolis foi popularizado pelo jogo Call of Duty  4: Modern Warfare na missão "All Ghillied Up"


“Venho dizendo isso há muito tempo”, diz ele ao Maclean's por telefone. “Os snipers canadenses são os melhores do mundo. O programa de treinamento sniper já existe há muito tempo. É a base e foi reformulada a partir das lições aprendidas no Afeganistão. Nós o construímos para ser o melhor.”

Este último registro, Furlong acrescenta, levou o sniping “a um nível diferente”. Os snipers canadenses são considerados dentro os melhores do mundo, em parte porque não são ensinados simplesmente a acertarem seus alvos. Como grande parte dos militares canadenses, muitos são treinados com habilidades acima de seu posto existente, no caso do atirador de elite como Mestre de Unidade de Snipers, o que significa que eles têm as habilidades para projetar e executar operações complexas se for necessário. Isso por si só pode não torná-los melhores atiradores, mas a gestalt (forma) de treinamento-sniper e pensamento-de-comando combinados poderia explicar sua habilidade.

A prática de equipar soldados com mais do que as habilidades de que precisam no campo de batalha tem servido bem aos militares canadenses. No Afeganistão, os resultados foram claros. O Maclean testemunhou em primeira mão como os soldados em patrulha, às vezes por dias em território inimigo, operavam como equipes unidas. As decisões de comando foram feitas com a entrada de diferentes patentes, oferecendo várias perspectivas aos comandantes de patrulha.

Atirador e observador canadenses no Afeganistão.
Ambos são snipers treinados, geralmente o observador sendo o mais experiente.

O nível de treinamento que o Canadá oferece a seus soldados, especialmente seus comandos de elite JTF2, é a força motriz por trás da reputação do Canadá de colocar em campo um exército altamente qualificado e intelectualmente capaz.

“Este é um ponto muito importante”, diz Chris Kilford, um oficial de artilharia canadense aposentado e agora membro do Centro de Política Internacional e de Defesa da Queen’s University. “Fiquei muito impressionado com os jovens de nossas forças especiais com os quais interagi no exterior. Cabos e cabos mestres: brilhantes e articulados. Também acho que, em geral, nosso pessoal muitas vezes é capaz de trabalhar em um nível mais alto do que o galão em seu ombro.”

Furlong concorda, acrescentando que os soldados canadenses possuem mais "treinamento cruzado" do que muitos outros soldados no mundo, e os atiradores de elite canadenses especificamente têm todas as oportunidades de buscar um treinamento de liderança que refine suas capacidades mentais, um componente-chave para o trabalho psicologicamente exigente que fazem.


Ainda assim, existem os pessimistas. O suboficial (Warrant Officer) Oliver Cromwell, instrutor da escola de infantaria do CFB Gagetown em New Brunswick, que ministrou cursos de atirador de elite, adverte que são necessárias mais informações antes que a distância de 3.450 metros seja confirmada.

“Há uma diferença entre a faixa de ângulo de inclinação e a faixa real”, diz ele. “O alcance do ângulo inclinado - se o atirador estiver em uma posição elevada em relação ao alvo - pode parecer maior que o alcance real, às vezes duas vezes a distância real. Eu não quero ser um contrariador, mas esses são apenas os fatos.”

Alguns fóruns online também questionaram a validade do novo registro. Em um caso, um colaborador de uma discussão militar sugeriu que o sniper provavelmente atirou contra uma multidão de combatentes do ISIS e acertou um deles.

Mas Furlong aponta que esses tipos de distâncias, 3.000 metros em diante, são regularmente alcançados no campo de tiro.

“Não é uma distância impossível”, diz ele. “A diferença é entre um campo de tiro e um campo de batalha. Eles são dois ambientes completamente diferentes. A pressão que esses caras estão sofrendo é enorme. Então, para os contrariadores, eu diria apenas, isso pode ser feito.”

Quanto aos homens que conseguiram isso - atiradores trabalham em pares, incluindo um observador (spotter) - Furlong diz que provavelmente não perceberam o que fizeram até mais tarde. “Quando quebramos o recorde, não sabíamos até voltar à base”, diz ele. “Para ser honesto, eu realmente não me importei, nem quando o quebrei ou quando o meu foi quebrado. Os recordes são feitos para serem quebrados.”

Ainda assim, a menos que haja grandes avanços em equipamentos, Furlong acrescenta, este deve permanecer por muito tempo.

Sugestão de Leitura do Warfare: The Longest Kill

The Longest Kill.
Sargento Craig Harrison.

Escrito pelo sargento de cavalaria (Corporal of Horse) britânico Craig Harrison, o penúltimo sniper detentor do recorde de mais longo abate, é um dos melhores livros sobre sniping em existência. O Sargento Harrison superou uma infância difícil e as barreiras do Exército Britânica (cavalarianos não podiam ser snipers) e serviu tanto nos Bálcãs nos anos 1990 quanto no Iraque e Afeganistão na Guerra Global ao Terror.

O título completo do livro é The Longest Kill: The story of Maverick 41, one of the world's greatest snipers. Maverick 41 foi o codinome de Harrison durante sua ação como sniper no Afeganistão, incluindo aquela onde quebrou o recorde: uma patrulha com os paraquedistas britânicos em Helmand.

Craig sempre detalha minuciosamente as técnicas e os termos utilizados durante a narrativa do livro. Leitura mais que recomendada.

sexta-feira, 20 de agosto de 2021

FOTO: Fuzileiro naval no Ártico

Fuzileiro naval americano com um M16A2, lança-granadas M203, camuflado de nove e óculos escuros.

Legenda original:

"Um fuzileiro naval fixa seus olhos em um alvo durante seu treinamento em clima frio, 1989."

Bibliografia recomendada:

Homens ou fogo?
S.L.A. Marshall.

Leitura recomendada:



FOTO: Comandos camuflados no inverno, 21 de setembro de 2020.




Salto de grande altitude no Ártico


Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 20 de agosto de 2021.

Em 27 de abril de 2020, ocorreu o salto de uma unidade de reconhecimento da VDV em algum lugar do Ártico de uma altura de 33.000 pés, o que é aproximadamente a marca prática superior de uma inserção HALO/HAHO. Segundo os russos, esta foi a primeira vez em sua história que eles saltaram daquela altura. Uma vez no solo, eles realizaram um assalto simulado contra um "alvo de inteligência".

O vice-ministro da Defesa da Federação Russa, Tenente-General Yunus-bek Yevkurov, um ossétio que se formou na escola do Comando Aerotransportado de Ryazan em 1989, na era soviética, estava na Zona de Lançamento (ZL).




Bibliografia recomendada:

Wings of War:
Airborne Warfare 1918-1945.

Leitura recomendada: