segunda-feira, 13 de agosto de 2018

CLASSE INDEPENDENCE. O avançado e controverso navio de combate litorâneo dos Estados Unidos.

FICHA TÉCNICA
Tipo: Navio de combate litorâneo/ Corveta.
Tripulação: 76 tripulantes..
Data do comissionamento: Janeiro de 2010
Deslocamento: 3300 toneladas.
Comprimento: 127,1 m.
Boca: 31,4 m.
Propulsão: CODAG (combinação de motores a diesel com turbinas a gás) com 2 turbinas a gás GE LM-2500  que produzem 96550 hp de potência, 2 motores a diesel MTU Friedrichshafen 20V8000 que produzem 17160 hp.
Velocidade máxima: 44 nós (81 km/h).
Alcance: 6482 Km em velocidade econômica
Sensores: 1 radar tridimensional AN/SPS-77(V)1 Sea GIRAFFE 3D com 180 km de alcance máximo, Radar de navegação BridgeMaster E , Sistema eletro-óptico AN/KAX-2 composto por sistemas FLIR (sensor de infravermelho) e de TV ,Sonar de detecção de minas AN/AQS-20A.
Armamento: Um canhão BAE Systems MK-110 de  57 mm MK3, um lançador Mk-15 Mod.31 SeaRAM CIWS para 11 mísseis antiaéreos RIM-116, Sistema Modular de Missão SUW que pode receber 24 mísseis AGM-114 L Hellfire ou 32 mísseis RIM-116 ESSM, Também existe a previsão de instalação de 2 lançadores duplos para 4 misseis RGM-84 Harpoon C ou outros armamentos que vierem a ser integrados ao sistema, dois sistemas MK-46 com canhões automáticos Bushmaster MK-44 em calibre 30 mm, 4 metralhadoras pesadas M-2HB calibre 12,7 mm.
Aeronaves: dois helicópteros MH-60R Seahawk; Uma composição de um MH-60R Seahawk e três UAVs MQ-8 Fire Scout, ou ainda um helicoptero pesa CH-53 Sea Stallion.

DESCRIÇÃO
Por Carlos Junior
A Marinha dos Estados Unidos (US Navy), no início do seculo XXI solicitou uma nova classe de navio com o porte de uma corveta que serviria a missão de combate litorâneo com vistas ao aumento da guerra assimétrica para os conflitos que estavam sendo delineados no horizonte previsível. Assim, um programa chamado LCS (Littoral Combat Ship) ou navio de combate litorâneo foi iniciado e dois concorrentes, a Lockheed Martin e a General Dynamics, ficaram responsabilizados para apresentar suas propostas e um protótipo  para avaliação onde, inicialmente, apenas uma delas seria escolhida e encomendada, nos mesmos moldes que vemos na Força Aérea dos Estados Unidos (USAF), onde esse tipo de concorrência é corriqueira. Porém, diferentemente do que vemos nessas concorrências da Força Aérea, a Marinha dos Estados Unidos decidiu dar o contrato de produção aos dois concorrentes. O navio da Lockheed Martin, cuja classe foi batizada de "Freedon" já foi foco de matéria neste blog (clique no nome do navio). Agora vou tratar da segunda classe deste projeto, o General Dynamics/ Austal classe Independence.
Acima: Em primeiro plano temos o navio Independence e lá no fundo o outro navio de combate litorâneo da classe Freedon já descrito aqui no WARFARE Blog. É interessante o caso deste programa que acabou dando um contrato  de fabricação aos dois grupos ao invés de escolher apenas um dos modelos.
 O Independence chama fortemente a atenção pelo sua configuração hidrodinâmica incomum em navios de guerra, designada "trimaram". Nessa configuração o navio possui um casco principal e dois semi-cascos laterais que proporcionam uma maior estabilidade marinheira, além, de contribuir para a resistência do navio em caso de impacto de armas inimigas.
O Independence possui um sistema de propulsão CODAG onde  uma combinação de motores a diesel e turbinas a gás fornecem a excelente mobilidade deste navio. A parte a gás é composta pelas duas turbinas General Electric LM-2500, muito usada na maioria dos navios de guerra dos Estados Unidos e seus aliados. Elas produzem 96550 HPs de potência. Já, a parte a diesel é composta por dois  motores a diesel MTU Friedrichshafen 20V8000 que produzem 17160 hp. Esses propulsores são conectados a dois sistemas de jatos de água que permitem uma redução do ruído para os sonares inimigos, além de serem mais eficientes para altas velocidades e navegação em águas rasas.
Este sistema de propulsão leva a Independence a velocidade máxima de 44 nós (81 km/h), valor este, que pode ser classificado como sensacional para um navio que desloca 3300 toneladas. Seu alcance de 6482 km permite ao navio operar em missões em litorais estrangeiros dando apoio a missões internacionais..
Acima: Neste desenho podemos ver de forma bastante clara a configuração trimaram adotada pela General Dynamics e Austal no projeto da Independence.
Abaixo: Visto de frente, a configuração trimaram mostra um navio com uma boca bastante larga, pelo menos duas vezes maior que um navio mono-casco comum, 
A suíte eletrônica do Independence difere de modelo da do seu irmão da classe Freedon, porém, tem desempenho comparável. Aqui, na Independence, o principal sensor é o radar tridimensional AN/SPS-77(V)1 Sea GIRAFFE 3D com 180 km de alcance, que é um sistema desenvolvido pela empresa sueca Saab, bastante conhecida por nós, brasileiros por ser a fabricante do caça JAS-39E Gripen que deverá começar a equipar a Força Aérea Brasileira no começo da próxima década.
Um sistema passivo de detecção eletro-óptico AN/KAX-2 composto por sistemas FLIR (sensor de infravermelho) e de TV auxilia na busca e designação de alvos.
Como no navio de combate litorâneo da classe Freedon, a Independence usa um sistema de sonar especializado em lidar com minas navais AN/AQS-20A, que permite com que o navio seja empregado como um navio anti minas para que uma frota aliada posa operar em segurança em águas territoriais inimiga.
Acima: A suíte eletrônica dos navios da classe Independence é relativamente simples, porém está de acordo com o que se espera de um navio de seu tipo. que é a defesa litorânea e guerra assimétrica.
A maior critica sobre os dois navios de combate litorâneo recai sobre seu fraco armamento. As dimensões dos dois navios de combate litorâneo da Marinha dos Estado Unidos permite, tranquilamente, que eles fossem armados de forma mais robusta. Essa fraqueza, somado ao custo elevado do navio gerou criticas pesadas do congresso norte americano. A Independence tem a capacidade de receber módulos de armamentos e sistemas que lhe permitem ser otimizada, rapidamente, para missões específicas. Alguns  módulos permitem uma pequena melhoria na capacidade de armas, porém, ainda é considerado um navio limitado nesse aspecto.
O armamento básico da Independence , isto é, independentemente do módulo, o armamento sempre estará lá,  é composto por um canhão de fogo rápido BAE MK-110 em calibre 57 mm. Este canhão é capaz de disparar 220 tiros por minuto contra alvos distantes até 14 km. Outro armamento básico em todas as configurações do Independence é o lançador de mísseis antiaéreos Mk-15 Mod.31 SeaRAM CIWS com seus 11 mísseis RIM-116 que são usados contra ameaças aéreas de curto alcance, principalmente mísseis anti navio de cruzeiro que ataquem o navio. O míssil RIM-116 pode ser guiado por infravermelho, ou ainda uma combinação de infravermelho e comando por radio e o seu alcance é de 9 km.
Há dois sistemas de canhões MK-46 que possuem um canhão Bushmaster MK-44 em calibre 30 mm que dispara a uma cadência de 200 tiros por minuto, podendo ser efetivo contra alvos aéreos ou de superfície a 2 km.
Acima: O armamento do Independence é modular e pode receber, como mostrado nessa foto, mísseis anti-navio RGM-84C Harpoon, que fornece uma capacidade crível de combate.
O recurso de se instalar módulos de armamentos é um ponto importante onde cada fabricante passou a melhorar a capacidade de armas destes navios. O Independence, por exemplo, pode receber um lançador vertical para 32 mísseis antiaéreos RIM-162 ESSM com alcance de 50 km e guiagem semi-ativa. Outra opção que pode ser empregada no Independence via modulo de armas é um lançador vertical para 24 mísseis AGM-114L Hellfire. Este míssil é muito conhecido pelo seu uso nos helicópteros de combate AH-64 Apache, já descrito no WARFARE Blog e que é um dos mais destrutivos mísseis anti tanque do mundo. Logicamente o Hellfire lançado pelo navio Independence não terá como alvo um tanque de guerra, porém já foi demonstrado em testes a excelente capacidade deste míssil em destruir embarcações de pequeno porte e causar danos importantes em barcos pouco maiores como um barco patrulha, por exemplo. O Hellfire L é guiado por radar de ondas milimétricas  ou, ainda, pela emissão de radar do inimigo e seu alcance é de 8 km.
Para guerra anti navio pode ser instalado 2 lançadores duplos para mísseis anti navio RGM-84 Harpoon, guiado por radar ativo e com alcance de 140 km, este já sendo capaz de afundar um navio do tamanho de um destróier.
A Independence tem um grande heliporto que permite operar dois helicópteros médios SH-60 Seahawk, ou um helicóptero pesado CH-53 Sea Stallion. Uma combinação de helicóptero SH-60 e aeronaves sem piloto UAV/ UCAVs também fazem parte das configurações possíveis para a ala aérea do navio.
Acima: O heliporto do Independence é grande suficiente para operar um helicóptero pesado CH-53 Sea Stallion ou dois helicópteros médios SH-60 Seahawk, ou ainda, uma combinação de helicópteros SH-60 Sea Hawk e aeronaves remotamente MQ-8B Fire Scout.
A Independence, assim como seu irmão Freedon, foram concebidos com foco no desempenho de velocidade e furtividade, porém, os navios chegaram com armamento muito limitado. Modificações permitindo a instalação de módulos de armamento, reduziu essa deficiência, porém, a Marinha dos Estados Unidos deu início a uma concorrência chamada de FFG (X) para equipar a marinha com uma fragata que poderá ser baseada em um dos navios do projeto LCS, porém, será um navio mais pesadamente armado e com deslocamento maior e consequentemente de maior flexibilidade de emprego que as LCS atuais.
Acima: Neste desenho podemos ver os 4 sistemas de jatos de água que são usadas no lugar das hélices comuns na Independence e que permitem a este navio ser rápido e mais silenciosos que os navios convencionais.



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