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sábado, 21 de maio de 2022

Franceses com a Medalha Militar no Somme

Soldados franceses após receberem a Medalha Militar no Somme, 1916.
O homem no centro tem os porta-carregadores do FM Chauchat.

Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 21 de maio de 2022.

Soldados franceses ostentando a Medalha Militar (Military Medal, MM) após uma cerimônia na retaguarda durante a Batalha do Somme (21 de junho - 28 de setembro de 1916).

Os militares são de várias unidades diferentes, como se evidencia pelas numerações nos colarinhos e pelos símbolos nos capacetes, com um engenheiro usando o distintivo da armadura e um soldado colonial com a âncora junto à granada flamejante da República Francesa; do lado esquerdo, um dos soldados porta as cornetas dos Chasseurs (caçadores) no colarinho. Muitos militares já possuem condecorações francesas como a Croix de Guerre (Cruz de Guerra), todas com palma, e a Médaille Militaire (Medalha Militar).

Original em preto-e-branco do Imperial War Museum britânico.

O homem em evidência no centro é um municiador de Grupo de Combate (GC) e carrega o porta-carregador especial para o fuzil-metralhador (fusil-mitrailleur, FM) CSRG Chauchat, que usava carregadores em meia-lua semi-abertos. Estes carregadores foram motivo de muita controvérsia e, por serem uma novidade, devem ser o motivo da atenção na foto.

Atiradores de Chauchat e seus municiadores representaram uma inovação no combate de infantaria, com o moderno sistema de armas combinadas e inter-depentes, e sofreram baixas exponenciais assim como foram condecorações desproporcionalmente aos demais integrantes da infantaria.

Anverso e reverso do primeiro tipo da Military Medal (1916–1930).

A Medalha Militar foi uma condecoração militar concedida aos militares do Exército Britânico e outros ramos das forças armadas, estendida aos outros países da Commonwealth (Comunidade Britânica), abaixo do posto de oficial comissionado, por bravura em batalha em terra. O anverso possuía a efígie do Rei George V no uniforme de Marechal-de-Campo (1º tipo de 1916-1930) e o reverso a coroa com a inscrição "Por bravura em campanha". O prêmio foi estabelecido em 25 de março de 1916, com aplicação retroativa a 1914, e foi concedido aos praças por "atos de bravura e devoção ao dever sob fogo"; e foi classificado abaixo da Medalha de Conduta Distinta (Distinguished Conduct MedalDCM).

Prêmios para as forças britânicas e da Commonwealth eram anunciados no London Gazette (Gazeta de Londres), mas não prêmios honorários para as forças aliadas; listas de prêmios para forças aliadas foram publicadas pelos Arquivos Nacionais em 2018 e são mantidas em arquivos específicos do país dentro da WO 388/6. Desde 1918, os destinatários da Medalha Militar têm direito às letras pós-nominais "MM". A elegibilidade foi estendida aos soldados do Exército Indiano em 1944.

O prêmio foi descontinuado em 1993, quando foi substituído pela Cruz Militar (Military Cross), que foi estendida a todos os escalões, enquanto outras nações da Commonwealth instituíram seus próprios sistemas de premiação no período pós-guerra.

Bibliografia recomendada:

British Military Medals:
A Guide for the Collector and Family Historian.
Peter Duckers.

Leitura recomendada:


O Chauchat na Iugoslávia26 de outubro de 2020.

segunda-feira, 26 de outubro de 2020

O Chauchat na Iugoslávia

Homens do Exército Real Sérvio posando em Salônica, 1916-18.
Eles têm coberturas tradicionais sérvias com o FM Chauchat na típica posição de honra (o centro da imagem) com o carregador em meia-lua, calibre 8mm Lebel.

Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 9 de outubro de 2020.

Prelúdio

A epopéia do Chauchat na Iugoslávia começa quando o Exército Real Sérvio foi reequipado por seus aliados franceses de 1916 a 1918, após a Grande Retirada de 25 de novembro de 1915 a 18 de janeiro de 1916. Isso mudou a sua aparência tornando-os semelhantes aos aliados "poilu", geralmente com o única característica sendo a cobertura tipicamente sérvia (šajkača). Eles agora eram armados com fuzis Lebel e Berthier, granadas de fuzil Viven-Bessières (VB), e fuzis-metralhador Chauchat.

Até 18 de dezembro de 1916, o exército sérvio recebeu 1.962 FMs franceses de 8x50mmR "Šoša" M1915 na forma de ajuda aliada. Na Frente de Salônica, o Exército Sérvio tinha 989 unidades no 1º Exército e 957 Šoša no 2º Exército, um total de 1946 fuzis-metralhadores. Alguns exemplares foram recalibrados em 8mm Mauser, um deles preservados no Museu da Fortaleza de Belgrado - ao lado do Parque Kalemegdan.

Soldados sérvios com o capacete M15 Adrian, usando a águia real sérvia, demonstrando as novas granadas de fuzil VB francesas e o seu bocal (tromblon).

Os sérvios, montenegrinos, gregos, franceses e britânicos vão combater os austro-húngaros e seus aliados búlgaros e alemães na Frente de Salônica até o rompimento atingido na ofensiva final aliada em outubro e setembro de 1918, derrubando a Bulgária e o Império Turco Otomano.

As baixas da Sérvia foram 8% do total de mortes militares aliadas, e 58% do exército regular sérvio (420.000 homens) morreram durante o conflito. De acordo com as fontes sérvias, o número total de vítimas gira em torno de 1.000.000: 25% do tamanho da Sérvia antes da guerra e uma maioria absoluta (57%) de sua população masculina em geral. A maior média da guerra.


Derrotado na Macedônia e no Vittorio Veneto, o Exército Austro-Húngaro saiu da Primeira Guerra Mundial após o Armistício de Villa Giusti assinado com o Reino da Itália em 3 de novembro de 1918, uma semana depois o Império Alemão pediria o armistício. No final de desse ano, uma missão do Exército sérvio liderada por Milan Pribićević, Dušan Simović e Milisav Antonijević chegou a Zagreb para liderar a reorganização do Exército Sérvio e do Exército Nacional de Eslovenos, Croatas e Sérvios em um único novo Exército do Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos (em sérvio croata: Kraljevina Srba, Hrvata i Slovenaca/ Краљевина Срба, Хрвата и Словенаца; esloveno: Kraljevina Srbov, Hrvatov in Slovencev, KSCS). Isto iniciaria o processo da criação do Reino da Iugoslávia.

Soldados búlgaros posando com fuzis-metralhadores Chauchat capturados na Frente de Salônica, 1918.

Modelo do Museu da Fortaleza de Belgrado

Chauchat M1915/26 iugoslavo em 8mm.




A criação do Exército Real Iugoslavo

Exército Real Iugoslavo com modelos belgas em 7,92x57mm.

Em 1º de janeiro de 1919, um total de 134 ex-oficiais austro-húngaros de alta patente haviam sido aposentados ou dispensados de suas funções. Do final de 1918 até 10 de setembro de 1919, o novo exército esteve envolvido em um confronto militar violento com formações irregulares pró-austríacas na região da Caríntia, na fronteira norte do novo Exército Nacional de Eslovenos, Croatas e Sérvios em um único novo Exército do Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos (KSCS). A certa altura, as tropas do KSCS ocuparam brevemente Klagenfurt. Após um plebiscito em outubro de 1920, a fronteira com a Áustria foi fixada e as tensões diminuíram.

O nome oficial do Estado foi alterado para "Reino da Iugoslávia" pelo Rei Alexandre I em 3 de outubro de 1929, com o exército se tornando o Exército Real da Iugoslávia. O termo Iugoslávia significa "Terra dos Eslavos do Sul", mas a proeminência dos sérvios ainda era uma realidade.

Além dos combates ao longo da fronteira austríaca em 1919–20, este novo exército lutou algumas escaramuças nas fronteiras ao sul na década de 1920. As primeiras manobras de qualquer tamanho significativo desde a formação do exército em 1919 foram conduzidas entre as tropas de duas divisões durante 29 de setembro a 2 de outubro de 1927, embora o número de tropas engajadas não excedeu 10.000 e algumas reservas tiveram que ser convocadas para atingir esse número. Antes disso, apenas exercícios locais entre guarnições haviam sido realizados.

Em 1928, quatro novos regimentos de infantaria foram estabelecidos em resposta a um aumento italiano ao longo da fronteira. Eles eram vistos como o núcleo de uma nova divisão de infantaria em potencial. Nesse período, o rei-ditador também adquiriu grandes quantidades de armamento tchecoslovaco que supriram de forma marginal a necessidade de armamentos.

Um chetnik sérvio armado com um FM M37, a versão iugoslava do ZB vz. 26 tcheco, dos quais 1.500 foram entregues.

Em um relatório de janeiro de 1920 e 1921, o adido militar francês Ramon Eugène Delta, que defendia táticas ofensivas com o uso de armas automáticas, observou que as recém-formadas Forças Armadas do Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos tinham 1.900 FM Chauchat à disposição, que sobraram do Exército Sérvio.

Em um esforço para usar os recursos existentes e economizar dinheiro no orçamento, o KSCS tomou uma decisão na época de atingir um compromisso. Durante as negociações em Liège sobre a compra de uma licença de fuzil, a delegação iugoslava-eslovena notou os fuzis-metralhadores deixados para trás após a retirada da Força Expedicionária Americana (American Expeditionary Force, AEF), cuja versão americana era calibrada na munição .30-06 (7,62x63mm M1906) no padrão C.S.R.G.A. 1918 Chauchat 30-06 Model; mas também os fuzis-metralhadores belgas adaptados, que acabaram de ser aperfeiçoados como o FM CSRG Mle 915/27 pela FN.

Chauchat com o carregador em meia-lua.


Os belgas adaptaram todos os FM M1915 recebidos da França como durante a guerra com uma bala doméstica 7.65x54mm M89, que trocou o modelo ogival pelo modelo spitzer (pontiagudo). Como naquela época havia na Iugoslávia grandes quantidades disponíveis de munição alemã 7,9x57mm M88 capturadas, decidiu-se que seria mais rápido e rentável adaptar os "Šoša" belgas para esse calibre. Seriam adquiridos da FN 4.000 FM Chauchat M1915 em 7,65mm, e as adaptações serão confiadas ao Instituto Técnico Militar de Kragujevac.

Em fevereiro de 1927, o Instituto entregou 1.700 exemplares adaptados às unidades sob o novo rótulo "7,9mm M.15/26". No final do mesmo ano, a adaptação dos próximos 2.000 estaria concluída e, no início de 1928, todos os 4.000 FM Šoša M1915/1926 estariam finalizados.

Assim, no arsenal do exército havia 4.000 FM 7,9mm Šoša M1915/1926, bem como 1.900 CSRG Chauchat M1915 originais de 8mm.

Chauchat iugoslavo M1915/26.

Chauchat iugoslavo M15/26.



Nota: Para os próprios alemães, o calibre militar foi designado como 7,9mm (e menos frequentemente os comerciais como 8mm). Por alguma razão, tchecoslovacos, poloneses e romenos adicionaram 0,02mm na década de 1920 e acabou ficando 7,92mm. Os franceses e os gregos referiram-se como 7,90mm e 7,92mm; turcos e sérvios como 7,9mm. Depois da Segunda Guerra Mundial, quase todos começaram a chamar de 7,92mm.

Caixas de munição marcando 7,9mm.

Prelúdio da invasão alemã de 1941

Soldados do Regimento de Ferro de Belgrado desfilando, 1940-41.
(Colorização De Memorabilia)

No início de 1933, houve uma ameaça de guerra com a Itália e a Hungria que preocupou muito o Estado-Maior. O adido militar britânico observou que o exército tinha grande autoconfiança, sua infantaria era forte e sua artilharia bem equipada, mas carecia de áreas significativas exigidas por uma força de combate moderna. As principais deficiências permaneceram nas metralhadoras e nas armas de infantaria, e não havia treinamento com armas combinadas.

O adido observou ainda que, junto com a dominação quase completa dos sérvios nas fileiras gerais, o Estado-Maior também era 90 por cento sérvio, e a "servianização" do exército havia continuado, com jovens croatas e eslovenos instruídos agora relutantes em entrar no exército. O adido viu o domínio sérvio do exército como uma possível fraqueza política da nação, mas também como uma fraqueza militar em tempo de guerra. A defesa do reino também contava com milícias étnicas armadas como forças de auto-defesa. Foi anunciado que manobras em nível de exército seriam realizadas em 1935, pela primeira vez desde a formação do exército em 1918.

Exército Real Iugoslavo.

Apesar dos esforços, o Exército Real Iugoslavo foi invadido por três adversários poderosos, a Alemanha Nazista, o Reino da Itália e o Reino da Hungria, sendo derrotado em uma campanha relâmpago de 6 a 18 de abril de 1941, quando o exército real ainda não havia sequer mobilizado propriamente.

Colaboração e resistência

Homens da Divisão Dinarska (Dinara), uma unidade permanente da milícia chetnik, anti-comunista e monarquista.

Close mostrando o Chauchat.

Combatentes chetnik armados com uma Lewis M.20 holandesa de 6,5mm e um FM Chauchat CSRG M1915/26 de 7,92x57mm, uma modificação iugoslava.
(Mihajlo/ Fórum 
Odkrywca)

A ocupação do país pelos alemães, italianos e húngaros gerou resistência inicial, com a formação de unidades colaboracionistas primeiro pelos italianos e depois pelos alemães; como o Corpo de Voluntários Sérvios (SDK) e a Guarda do Estado Sérvio (SDS).

Essas unidades não eram muito confiáveis e muitas vezes contrabandeavam armas para grupos de resistência (especialmente o Exército da Pátria Iugoslava), portanto, os alemães responderam dando a essas forças fantoches armas em calibres que eram muito raros na Sérvia na época: fuzis MAS 36 franceses, submetralhadoras MAS 38, FM Châtellerault 24/29, submetralhadoras Thompsons M1921 e M1928, metralhadoras Lewis holandesas.

Soldado do Exército Alemão (Heer) com um modelo belga capturado le.Maschinengewehr 126(b) em 7,65mm.

A Alemanha nazista apreendeu Chauchats da Polônia, Bélgica, França, Grécia e Iugoslávia; redesignando as armas por país de origem seguindo o sistema comum às beutewaffen capturadas por toda a Europa: os Chauchats franceses foram designados LeMG 156(f), iugoslavos e poloneses LeMG 147(j), gregos LeMG 156(g) e belgas LeMG 126(b). Estas novas armas foram distribuídas para unidades alemãs e aliadas - como Estados e grupos vassalos.


FM Chauchat, segundo à esquerda sentado.

Chetniks sérvios posando com a foto de Ante Pavelic.
Um fuzileiro-metralhador está ajoelhado com um Chauchat à esquerda.

Chetniks do Corpo Timok.


Partisan iugoslavo com um modelo de 8mm.

Chetniks em Valjevo, 1942.

Chetniks da unidade Costa Pecanac perto da cidade de Seinice, 1942.

Bibliografia recomendada:

Honour Bound:
The Chauchat Machine Rifle.
Gérard Demaison e Yves Buffetaut.

Vídeo recomendado:


Leitura recomendada:



Mausers FN e a luta por Israel, 23 de abril de 2020.

Fuzis de treinamento FAL do Brasil5 de janeiro de 2020.

A submetralhadora MAS-38, 5 de julho de 2020.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

A metralhadora leve Chauchat: não é realmente uma das piores armas de todos os tempos


Por Martin K.A. Morgan, American Rifleman, 6 de fevereiro de 2017.

Tradução Filipe do A. Monteiro, 11 de fevereiro de 2020.

 A narrativa popularizada sobre a metralhadora leve francesa Chauchat é aquela que apresenta o fuzil automático* como um fracasso absoluto. Detratores tendem a enfatizar mão de obra precária, carregadores delicados e também repetem regularmente a generalização mais ampla possível de todas - que o Chauchat estava propenso a travar. As origens dessa mitologia são um tópico bem coberto no livro Honor Bound: Chauchat Machine Rifle de Yves Buffetaut e Gerard Demaison, bem como no artigo de Tom Laemlein de 2012 That "Damned, Jammed Chauchat".

*Nota do Tradutor: A classificação do fuzil-metralhador Chauchat como fuzil automático foi apenas o primeiro dos erros de adoção dos americanos, e um que ainda permaneceria assombrando as forças americanas com o Browning Automatic Rifle (Fuzil Automático Browning), um arcaismo desse período que não explicava propriamente a missão de emprego destes dois equipamentos.

Um soldado do Exército dos EUA lutando por de trás de uma barricada feita de sacos de areia e caixas de munição com uma metralhadora leve Fusil Mitrailleur Modéle 1915 CSRG Chauchat na frente ocidental durante a Primeira Guerra Mundial. Este modelo do Chauchat era calibrado no cartucho Lebel 8x50R francês. (National Archives)

 Apesar de sua reputação, o "Fusil Mitrailleur Modéle 1915 CSRG" serviu efetivamente em combate com as forças armadas francesas calibrado no cartucho Lebel 8x50R, as forças belgas em 7,65x53mm e as forças armadas polonesas em Mauser 7,92x57mm. Foi quando o Chauchat foi redesenhado para as forças armadas dos EUA em .30-'06 Sprg. como o modelo 1918, que os problemas reais foram encontrados. Essa modificação do projeto existente exigia um carregador diferente, um retém do carregador modificado e um guarda-mão realocado. Ele manteve o sistema operacional de recolhimento de longo curso do original, que foi amplamente baseado no projeto patenteado por John Browning para o fuzil Remington Modelo 8 de carregamento automático. Mas as câmaras no Chauchat Modelo 1918 .30 não foram alargadas o suficiente, e as armas sofreram falhas como resultado. No entanto, a Força Expedicionária Americana fez uso extensivo dos CSRG do Modelo 1915 em 8mm Lebel durante a Primeira Guerra Mundial. De fato, três soldados do Exército dos EUA ganharam a Medalha de Honra durante a Ofensiva Meuse-Argonne usando o Chauchat - Soldado Frank J. Bart, da Companhia C, 9º Regimento de Infantaria, 2ª Divisão de Infantaria, Soldado Thomas C. Neibaur, da Companhia M, 167º Regimento de Infantaria, 42ª Divisão de Infantaria, e Soldado Nels T. Wold da Companhia I, 138º Regimento de Infantaria, 35ª Divisão de Infantaria. Você pode ler as citações abaixo.

Um casal idoso francês, M. e Mme. Baloux de Brieulles-sur-Bar, França, sob ocupação alemã por quatro anos, cumprimentando soldados dos 308º e 166º Regimentos de Infantaria quando da sua chegada durante o avanço americano. (National Archives)

 Por ter sido produzido em maior número do que qualquer outra arma automática durante a Primeira Guerra Mundial, os Chauchat permaneceram em abundância durante os anos que se seguiram a 1918. Eventualmente, as forças militares de 11 países o usaram - incluindo a Alemanha nazista. Quando o Terceiro Reich invadiu a Polônia, em 1939, a Bélgica e a França, em 1940, e a Grécia, em 1941, milhares de metralhadoras leves Chauchat utilizáveis foram capturadas e colocadas em serviço. O modelo 1915 francês  em 8mm Lebel foi designado LeMG.156(f), o modelo 1915 belga em 7,65mm foi designado LeMG.126(b). Exemplares gregos, iugoslavos e poloneses foram igualmente designados pelos alemães.

Uma fotografia posada de um soldado do Exército dos EUA armado com uma pistola Modelo 1911 .45-ACP. No chão ao lado dele está uma metralhadora leve Fusil Mitrailleur Modéle 1915 CSRG Chauchat em 8x50R Lebel.

Tropas alemãs da SS armadas com um fuzil-metralhador francês Fusil Mitrailleur Modéle 1915 CSRG Chauchat capturado em 8x50R Lebel.

 Após o seu serviço militar, o Chauchat passou para uma segunda carreira como arma de fogo colecionável nos Estados Unidos. Milhares de Chauchats entraram no país em frenesi no final da década de 1950 como DEWATs - troféus de guerra desativados - muitos dos quais foram posteriormente reativados e adicionados ao registro da Lei Nacional de Armas de Fogo. Quase nenhuma dessas armas registradas/transferíveis são do modelo 1918 em .30-06, mas sim do modelo 1915 produzido pela SIDARME em 8mm Lebel. Um deles fez uma aparição recente no set durante as filmagens para a próxima temporada do American Rifleman TV. Observando o centenário da intervenção dos EUA na Primeira Guerra Mundial, o programa transmitirá uma série de episódios com as armas que lutaram nas trincheiras da Frente Ocidental, e o Chauchat é definitivamente uma arma que não deve ser esquecida. Apesar de sua reputação, a arma que tínhamos no set naquele dia funcionava surpreendentemente bem com a munição Prvi Partizan 200-gr. FMJ BT 8x50R. O Chauchat de fato teve incidentes de tiro, mas em uma reviravolta inesperada, menos que a metralhadora Lewis .30 que estava no set ao mesmo tempo. O municiamento do carregador é uma operação delicada com o Chauchat porque os cartuchos devem estar perfeitamente alinhados para que a arma seja alimentada com segurança. Considerando que os carregadores Chauchat foram originalmente concebidos como itens descartáveis, é surpreendente que ainda funcionem 100 anos depois. Como pode ser visto no vídeo, uma seqüência de cartuchos expelidos caindo perto da culatra durante a ejeção foi seguida por um stovepipe* aos um minuto e doze segundos. Esse tipo de parada ocorreu algumas vezes durante o dia, mas após alguns ajustes a ejeção fraca foi resolvida simplesmente apertando o bouchon d'appui (tampa de apoio da caixa da culatra) e o conjunto bague d'appui (anel de apoio) da arma. Feito isso e os carregadores municiados corretamente, esse Chauchat funcionou de maneira confiável.

*NT: Falha de extração quando o cartucho é prensado na janela ejetora da câmara no meio do movimento de avanço do ferrolho, ficando preso.


O fuzil-metralhador Fusil Mitrailleur Modéle Modemle 1915 CSRG Chauchat em 8x50R Lebel e o carregador redondo destacável de 20 tiros para o Chauchat que foi usado em uma gravação recente da próxima temporada do American Rifleman TV.

 Apesar de ter servido efetivamente durante duas Guerras Mundiais e cinco outros conflitos, o Chauchat continua sendo uma arma de fogo militar profundamente incompreendida. Frequentemente, ocupa o primeiro lugar em quase todas as listas das "piores armas de todos os tempos" da Internet, mas criticá-la dessa maneira é não entendê-la fundamentalmente. Referir-se ao Chauchat como "a pior arma de todos os tempos" seria o mesmo que referir-se ao Ford Modelo T como o pior carro de todos os tempos ou ao Wright 1903 Flyer como o pior avião de todos os tempos. Quando o Chauchat foi introduzido em 1915, não havia nada parecido no mundo. Dessa forma, ocupa um lugar único e importante na história das armas portáteis. Numa época em que o Fuzil Automático Browning ainda não estava em produção* em grande escala e a metralhadora Lewis era muito mais cara e quase 10 libras (4,5kg) mais pesada, o Chauchat forneceu uma metralhadora leve que poderia avançar no campo de batalha com um escalão de ataque. Seu projeto inspirou-se em uma patente de John Browning e estava em produção em larga escala numa época em que nada mais era. Embora possa ser fácil criticar o Chauchat aqui no século XXI, há 100 anos, durante o século XX, as exigências da necessidade de guerra tornaram-no a arma certa no lugar certo e na hora certa. Ainda há vozes apontando suas deficiências, embora, depois de mais de um século, a arma ainda possa entregar um bom dia de serviço. Essa foi certamente a nossa experiência no set do American Rifleman TV.

*NT: O BAR não existia sequer como projeto em 1915, nascendo justamente da experiência do Chauchat e iniciando estudos apenas em 1917. A produção começou em fevereiro de 1918. O BAR viu apenas menos de dois meses de combate na França com meros 9 mil FMs BAR produzidos até 11 de novembro de 1918 - data do armistício. Em comparação, foram produzidos 262.300 Chauchats de 1916 a 1918, mesmo sob forte pressão em cima da indústria francesa de tempo de guerra.

Um exemplar raro da metralhadora leve Fusil Mitrailleur Modéle 1918 CSRG Chauchat calibre .30. (Cortesia da fotografia da James D. Julia Auctioneers)

Medalhas de Honra com o Chauchat

Soldado Frank J. Bart
Companhia C, 9º Regimento de Infantaria, 2ª Divisão de Infantaria.
O Soldado Bart, de serviço como corredor da companhia, quando o avanço foi detido por tiros de metralhadora, pegou voluntariamente um fuzil automático, correu à frente da linha e silenciou um ninho de metralhadora hostil, matando os atiradores alemães. O avanço continuou e, quando foi novamente detido pouco depois por outro ninho de metralhadora, esse corajoso soldado repetiu sua ousada façanha colocando a segunda metralhadora fora de ação.












Soldado Thomas C. Neibaur
Companhia M, 167º Regimento de Infantaria, 42ª Divisão de Infantaria.
Na tarde de 16 de outubro de 1918, quando o Côte-de-Châtillon havia acabado de ser conquistado após uma dura luta e o cume daquele forte baluarte no Kriemhilde Stellung estava sendo organizado, o Soldado Neibaur foi enviado em patrulha com seu grupo de combate de fuzil automático para bater tiros amarrados sobre ninhos de metralhadora inimigos. Ao subir a crista, ele montou o fuzil automático e foi diretamente ferido nas duas pernas pelo fogo por uma metralhadora hostil em seu flanco. A onda de avanço das tropas inimigas, contra-atacando, tinha quase atingido a crista e, embora praticamente isolado e cercado, o restante de seu destacamento sendo morto ou ferido, esse galante soldado manteve seu fuzil automático em operação para tal efeito que por conta dos seus próprios esforços e pelo fogo da linha de atiradores da sua companhia, a pelo menos 100 jardas em sua retaguarda, o ataque foi controlado. A onda inimiga sendo parada e aferrada, quatro dos inimigos atacaram Soldado Neibaur em combate aproximado. Estes ele matou. Ele então se moveu sozinho entre o inimigo deitado no chão ao seu redor, no meio do fogo de suas próprias linhas, e com frieza e galanteria capturou 11 prisioneiros na ponto de sua pistola e, embora dolorosamente ferido, os trouxe de volta para nossa linhas

Soldado Nels T. Wold
Companhia I, 138º Regimento de Infantaria, 35ª Divisão de Infantaria.
Ele prestou um serviço mais galante ao ajudar o avanço de sua companhia, que havia sido detido por ninhos de metralhadoras, avançando com um outro soldado e silenciando as armas, trazendo consigo, ao retornar, 11 prisioneiros. Mais tarde, no mesmo dia, ele pulou de uma trincheira e resgatou um camarada que estava prestes a ser baleado por um oficial alemão, matando-o durante a façanha. Suas ações foram totalmente voluntárias e foi ao tentar assaltar um quinto ninho de metralhadoras que ele foi morto. O avanço da sua companhia deveu-se principalmente à sua grande coragem e dedicação ao dever.


Túmulo de Nels T. Wold.

Bibliografia recomendada:

Honour Bound:
The Chauchat Machine Rifle.
Gérard Demaison e Yves Buffetaut.

Leitura recomendada:




Garands a Serviço do Rei18 de abril de 2020.

Mausers FN e a luta por Israel23 de abril de 2020.