segunda-feira, 30 de março de 2020

O Fuzil FN 49 - Uma Breve Visão Geral

Fuzileiros navais do Brasil armados com fuzis FN49 na República Dominicana, 1965. Óleo sobre tela de Álvaro Martins.

Por Marc Cammack, Ammoland, 13 de janeiro de 2016.
Tradutor Filipe do A. Monteiro, 30 de março de 2020.

Durante o século XX, a Fabrique Nationale (FN) produziu muitas armas lendárias, como a pistola High Power 9mm, a metralhadora MAG 58, e o FN FAL.

Após a Segunda Guerra Mundial, a FN produziu outro fuzil menos conhecido, o fuzil semi-automático FN49. O FN49 não viu o mesmo nível de uso de combate que os fuzis de batalha automáticos similares, como o M1 Garand, o SVT40 ou o G43.



No entanto, a arma ajudou a abrir o caminho para o famoso fuzil de batalha FN FAL de 7,62mm, e o FN49 foi usado em outros conflitos, tais como a Guerra da Coréia. O fuzil também foi adotado por vários* países logo após a Segunda Guerra Mundial, e hoje os fuzis FN49 sobreviventes se tornaram um item de coleção estimado.

*Nota do Tradutor: A autor americano deveria ter usado a palavra "alguns", pois apenas um punhado de países adotou o FN49, a saber:  Argentina, Bélgica, Brasil, Colômbia, Congo Belga (Zaire e República Democrática do Congo), Egito, Indonésia, Luxemburgo, e Venezuela (primeiro utilizador).


O FN FAL foi usado em todo mundo.

O projetista do FN49, foi um belga chamado Dieudonné Saive. Após a morte de John Moses Browning, Saive terminou o projeto da pistola Hi Power de 9mm. Mais tarde, ele também projetou o famoso fuzil FN FAL, que equiparia muitas nações ocidentais durante a Guerra Fria. Saive começou a trabalhar em fuzis semi-automáticos no início dos anos 30. Seus primeiros fuzis de carregamento automático eram operados por recuo, mas ele projetou um fuzil operado a gás em 1936. O desenvolvimento posterior desse fuzil a gás foi interrompido em 1940, quando os nazistas invadiram a Bélgica.


Protótipos de 1927-37.

Saive conseguiu escapar da Bélgica para a Inglaterra no verão de 1941. Na Inglaterra, ele desenvolveu seu projeto para um fuzil semi-automático. Saive foi posteriormente ao Canadá em 1943 para ajudar na produção da pistola Hi Power na empresa John Inglis. O projeto do fuzil em que Saive trabalhou na Inglaterra serviu de base para o fuzil semi-automático FN49* do pós-guerra, adotado pela Bélgica em 1949.


Dieudonné Saive com o desenho do FAL.

*NT: Em 1943, Saive estava de volta ao trabalho em seu fuzil experimental, agora em 7,92×57mm Mauser. No final daquele ano, a Royal Small Arms Factory, Enfield encomendou 50 protótipos designados "EXP-1" e às vezes referidos como "SLEM-1" ou "Self-Loading Experimental Model" (Modelo Experimental de Carregamento Automático). Com base em testes com esses protótipos, a Enfield encomendou 2.000 fuzis para testes de tropa, mas um problema de última hora com a moderação da pressão do gás (bem como o iminente fim da Segunda Guerra Mundial) levou ao cancelamento desta encomenda. Apesar disso, Saive, que havia retornado a Liège logo após sua libertação em setembro de 1944, continuou o trabalho no fuzil, e finalizou o projeto do FN-49 em 1947.


Diorama mostrando soldados luxemburgueses defendendo uma casamata na Coréia, Museu Nacional de História Militar de Luxemburgo.
Voluntários belgas na Coréia. O FN49 é visível no centro da foto.

O exército belga foi o maior usuário do fuzil FN49. Esses fuzis foram marcados como "ABL" para o Exército Belga. Esses modelos belgas foram criadas para facilitar a conversão para seletor de tiro. O Congo Belga também teve um total de 2.795 fuzis FN49 com seletor de tiro e em .30-06. Esses fuzis tinham um brasão de leão na caixa da culatra para distingüi-los dos fuzis do Exército Belga. Em 1960, o FN FAL substituiu o FN49 na Bélgica e no Congo como um fuzil de infantaria padrão.





Fuzileiros navais brasileiros em exercício de montanha e contra-guerrilha na República Dominicana, 1965.


Fuzileiros navais brasileiros, com o FN49, em exercício de guerra de montanha e contra-guerrilha da FIP na República Dominicana, 1965.

A Bélgica não foi o primeiro país a adotar o FN49. A Venezuela encomendou 4.000 fuzis FN49 em 7mm Mauser em 1948. Eles fizeram um segundo pedido de 4.000 em 1951, totalizando 8.000 fuzis. Esses fuzis foram marcados com o brasão venezuelano e possuíam um quebra-chama único. A Marinha do Brasil usou um total de 11.001 fuzis FN49 em .30-06 e um fuzil em 7,62mm OTAN. Esses fuzis foram marcados com o brasão brasileiro na parte superior da caixa da culatra e também foram marcados com uma âncora no lado esquerdo da mesma.


FN49 venezuelano em 7mm.

Soldado venezuelano ajoelhado com um FN49, no centro da foto, durante o golpe militar de 1958.
Brasão venezuelano.


FN49 argentino com carregador destacável.

FN49 com o brasão da Armada da República Argentina (ARA).


Outros países da América do Sul usaram o FN49, como a Argentina. A Marinha Argentina encomendou um total de 5.537 fuzis em 7,65mm Argentino. Muitas dessas armas foram posteriormente convertidas para o 7,62mm OTAN e equipadas com um carregador destacável de tipo cofre de 20 tiros. Os fuzis da Marinha Argentina são marcados com o brasão da Argentina e da ARA na caixa da culatra. 1.000 fuzis em .30-06 foram produzidos para a Colômbia e esses fuzis foram marcados com o brasão colombiano na caixa da culatra.


Armação argentina modificada para carregador destacável, feita pela Metalúrgica Centro (antiga Fábrica de Armas Halcón).

Armação padrão com o carregador fixo servindo de depósito.

O Egito foi o segundo maior usuário do FN49, com cerca de 37.602 fuzis em 8mm Mauser sendo comprados ao longo de dois anos. As armas egípcias costumavam ter um disco de latão no lado direito da coronha. As miras traseiras também foram marcadas em árabe e as caixas da culatra foram marcadas com uma águia ou a coroa egípcia. O Luxemburgo também encomendou o FN49. Estes foram calibrados em .30-06 e marcados AL na caixa da culatra, significando Exército do Luxemburgo. Um total de 6.003 fuzis FN49 foram fabricados para o Luxemburgo. A Indonésia foi outro comprador do FN49 e encomendou cerca de 16.100 em .30-06. Esses fuzis foram marcados com as letras ADRI* na caixa da culatra e uma águia.

*NT: A Marinha Indonésia marcou as letras ALRI.


Brasão indonésio ADRI.


Brasão da Marinha Indonésia.


Brasão luxemburguês.



As variações de atiradores de elite do FN49 foram feitas para a Bélgica, o Egito e o Luxemburgo. A Bélgica tinha um total de 262 fuzis de precisão FN49. O número de fuzis de precisão usados pelo Luxemburgo também foi pequeno. Os fuzis de precisão da Bélgica e Luxemburgo exibiam montagens Echo e lunetas OIP de 4x de potência. O Egito usou um número maior de fuzis de precisão FN49, e essas armas diferiam de suas contrapartes européias. Eles foram equipados com e lunetas MeOpta 2,5x de potência tchecos e montagens de fabricação tcheca.


Brasão real egípcio do tempo do Rei Faruk.

Paras franceses do 2e RPC (Régiment de Parachutistes Coloniaux) que saltaram no Porto Said e enfrentaram snipers egípcios, 1956.
Prisioneiros egípcios feitos pelo 2e RPC no Porto Said, novembro de 1956.




O FN49 foi rapidamente substituído pelo famoso FN FAL 7,62mm em muitos países. Apesar disso, o FN49 viu uso limitado de combate em vários* conflitos. O Batalhão de Voluntários Belga lutou na Guerra da Coréia e foi equipado inicialmente com fuzis britânicos nº 4 Enfield .303, mas seria reequipado com os fuzis FN49 em 1952. Os fuzis FN49 também foram usadas no Congo após a independência do país em 1960. As tropas egípcias usaram a arma durante a crise de Suez de 1956 também. Tropas venezuelanas usaram o FN49, ao lado de fuzis FN Mauser e FAL, durante o golpe-de-estado venezuelano de 1958.




Sentinela fuzileiro naval observando a Av. George Washington em um posto de controle em São Domingos, 1965. Ele tem a baioneta do FN49.

*NT: Novamente, o autor americano devia ter usado a palavra "alguns". Além desses mencionados, os Fuzileiros Navais (FN) brasileiros usaram o FN49 em ação contra os constitucionalistas na República Dominicana. A primeira missão operativa da Cia FN (BRASIL) foi ocupar, no amanhecer de 7 de junho de 1965, o limite leste da ZIS (Zona Internacional de Segurança) fazendo face à zona rebelde, barrando duas vias principais - a Avenida George Washington e a Avenida Independência.


Embarque do Escalão Marítimo do FAIBRÁS no Soares Dutra, porto de Haina, 1966. Dois FN49 são visíveis.

Nos Estados Unidos, os fuzis FN49 sobreviventes estão em alta demanda no mercado de colecionadores. Eles são muito mais incomuns do que outros fuzis contemporâneos como o M1 Garand, devido ao seu baixo número de produção. Os fuzis da Venezuela e do Luxemburgo são muito procurados devido, em parte, ao fato de serem frequentemente encontrados em excelentes condições ou em condições novas.

Os fuzis egípcios são os fuzis FN49 mais comuns nos EUA e são frequentemente encontrados com coronhas substitutas. Os FN49 do exército belga são raros nos Estados Unidos, pois foram configurados para serem facilmente convertidos com seletor de tiro e, portanto, são proibidos de importar.

Original: https://www.ammoland.com/2016/01/fn-49-rifle-a-brief-overview/#axzz6IBksrlsR

Marc Cammack coleciona armas de fogo desde os 14 anos de idade. Seus interesses são principalmente armas de fogo excedentes militares do final do século XIX até os anos 50. Ele os estudou em profundidade e atualmente é voluntário em dois museus locais, fornecendo informações precisas sobre suas armas de fogo. Ele se formou na Universidade do Maine com um diploma de bacharel em história. Ele estuda a história européia e americana moderna desde os 9 anos de idade e pratica o tiro desde os 11 anos. Atualmente, ele mora nos arredores de Bangor, Maine.

Bônus: 

Turma do tradutor na Marambaia, em novembro de 2007, com o FN49 (chamado de FS).

1º Pelotão, 1ª Companhia "Fantasma".


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