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segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

FOTO: Desfile de despedida em Saigon

Desfile final das forças francesas na Indochina, Saigon, 10 de abril de 1956.

O Corpo Expedicionário Francês do Extremo-Oriente (Corps Expéditionnaire Français en Extrême-Orient, CEFEO) marchou pela última vez nas ruas de Saigon em 10 de abril de 1956, acompanhado por seus camaradas vietnamitas Bawouans. Aqui eles estão desfilando lado a lado, fuzis nos ombros e bandeiras à frente. Os paraquedistas vietnamitas e a nouba dos tirailleurs magrebinos que passaram por Duong Tu-Do novamente por alguns momentos voltaram à rue Catinat.

Cinco destacamentos franceses e um destacamento vietnamita com bandeira e estandartes marcharam em frente às autoridades após a cerimônia antes de cruzarem a cidade em direção ao cais. Milhares de espectadores franceses e vietnamitas, cordialmente misturados, reuniram-se em torno da Praça Chiên-Si (antiga Place du Maréchal Joffre) e nas calçadas da rue Duy-Tân, atrás da catedral.

As Associações Patrióticas Francesas, uma delegação de franceses da Índia e muitas personalidades civis e militares, tanto vietnamitas, francesas e estrangeiras, tomaram seus lugares na plataforma onde está localizado o Memorial aos Mortos da Primeira Guerra Mundial.


O último desfile demonstra a heterogeneidade do CEFEO, conforme celebrado por Bernard Fall:

"Em uma tal guerra sem frentes, ninguém estava seguro e ninguém era poupado. Tenentes morriam pelas centenas, e era calculado que para manter linhas de comunicação principais ao longo do Viet-Nã do Norte custa em média três ou quatro homens por dia para cada centena de quilômetro de estrada. Oficiais superiores morriam também. O General Chanson foi assassinado por um terrorista no Viet-Nã do Sul. O General da Força Aérea Hartman foi derrubado sobre Langson; os Coronéis Blankaert, Edon e Érulin foram mortos por minas enquanto lideravam seus grupos móveis através dos pântanos e arrozais. E a guerra não poupou os filhos dos generais, também. O Tenente Bernard de Lattre de Tassigny foi morto na defesa do ponto rochoso que era a chave para o forte de Ninh-Binh. Ele era o único filho do Marechal de Lattre e a sua morte partiu o coração do homem. O Tenente Leclerc, filho do Marechal Leclerc, morreu em um campo de PG comunista; e o Tenente Gambiez, filho do chefe de estado-maior do General Navarre, foi morto em Dien Bien Phu.

Estes homens, e milhares de outros, da Martinica ao Taiti e de Dunquerque ao Congo, de todas as partes da península indochinesa, e legionários estrangeiros de Kiev na Ucrânia a Rochester, Nova Iorque, compuseram as Forces de l'Union Française - sem dúvida o maior, e último, exército francês a lutar na Ásia."

- Bernard Fall, Street Without Joy, pg. 252.

Bibliografia recomendada:

Street Without Joy:
The French Debacle in Indochina.
Bernard B. Fall.

domingo, 29 de novembro de 2020

FOTO: Soldado vietnamita com prisioneiro Viet Minh

Um jovem Bawouan, um pára-quedista vietnamita do 3e BVPN (recrutado na região de Hanói) traz um também muito jovem prisioneiro Viet Minh que foi ferido nos combates pelo posto avançado de Banh-Hine-Siu, no Laos, em 9 de janeiro de 1954.

Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 29 de novembro de 2020.

A foto mostra a juventude das tropas engajadas e também a natureza de guerra civil do conflito na Indochina, em seus 25 anos de duração. Ao mesmo tempo ocorria a épica Batalha de Dien Bien Phu, onde metade da guarnição francesa do camp retranché era indochinesa.

Paraquedistas vietnamitas do 3e BPVN (3ème Bataillon de Parachutistes Viêtnamiens, apelidados "bawouans"), sob o comando do Chef de bataillon Mollo, engajados em pesados combates no Laos, no posto de Banh-Hine-Siu e na vila de Na Pho de 5 a 9 de janeiro de 1954, contra elementos da 325ª Divisão Viet Minh (Daï Doan 325). (Galeria da batalha)

Bibliografia recomendada:



Leitura recomendada:

quinta-feira, 15 de outubro de 2020

FOTO: Sniper vietnamita durante a Operação Mouette

Sniper vietnamita de um dos batalhões paraquedistas da União Francesa durante a Operação Mouette, 4 de outubro de 1953.

Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog15 de outubro de 2020.

Na Indochina Francesa, um paraquedista vietnamita está em posição de observação e tiro na zona de Phu Nho Quan, à beira do Delta do Rio Vermelho, durante a Operação Mouette (Gaivota) em 4 de outubro de 1953. Nesta época, a União Francesa e o Viet Minh se digladiavam pelo controle do fértil Viet Bac na região do Tonquim, o norte do Vietnã.

Ele está armado com um fuzil semiautomático MAS 49 com luneta APX L806, comum aos atiradores de elite franceses da época. Essa luneta seria usado até o fim da Guerra da Argélia e além. O fuzil semiautomático é particularmente bom em ambientes fechados como a selva, permitindo tiros em sequência contra alvos que se expõe por apenas alguns poucos segundos.

Vídeo recomendado:


Bibliografia recomendada:

Out of Nowhere:
A History of the Military Sniper.
Martin Pegler.

Leitura recomendada:

GALERIA: Operação Brochet no Tonquim3 de outubro de 2020.

FOTO: Posto sniper na Chechênia15 de outubro de 2020.

FOTO: Sniper na chuva16 de setembro de 2020.

FOTO: Sniper belga da SIE/ESI, anos 9030 de janeiro de 2020.

FOTO: Snipers irlandeses em manobras1º de fevereiro de 2020.

FOTO: Sniper do FORAD no CENZUB23 de janeiro de 2020.

FOTO: Sniper separatista na Ucrânia16 de maio de 2020.

Snipers chineses agora estão equipados com drones para melhor atingirem seus alvos16 de janeiro de 2020.

GALERIA: Fuzis anti-material Zastava M93 modificados dos curdos peshmerga21 de julho de 2020.

terça-feira, 16 de junho de 2020

GALERIA: Operação Chaumière em Tay Ninh com o 1er BPVN

Paraquedistas do 1er BPVN a bordo do sétimo avião C47 Dakota da primeira vaga. Os paras usam o capacete "Guénau", teoricamente reservado para treinamento, a grande mochila Bergam e a bolsa de perna contendo munição, armas de emprego coletivo, equipamentos médicos ou rádio. Ao fundo, o mestre-de-salto sem camisa aguardando a luz verde.

Por Filipe do A. MonteiroWarfare Blog, 16 de junho de 2020.

A Operação Chaumière ("Cabana de Palha") em Tay Ninh, fotografada em 25 de abril de 1952 por Corcuff Paul para o ECPAD, foi realizada pelo 1er BPVN (1er Bataillon de Parachutistes Viêtnamiens, 1º Batalhão de Paraquedistas Vietnamitas). A reportagem traça o progresso da Operação "Chaumière" em 25 de abril de 1952, iniciando com a fase de lançamento paraquedista do batalhão, a "ratissage" (limpeza) do terreno, a descoberta, busca e destruição das infra-estruturas de uma fábrica de armas clandestina do Viêt Minh, a evacuação por helicóptero dos feridos, a chegada de uma coluna blindada (carros Stuart M5A1 e obuseiros auto-propulsados M8 de 75mm) em reforço e o uso de uma escavadeira.

Lançamento da segunda vaga de paraquedistas do 1º BPVN por aviões C47 Dakota.

No final de fevereiro de 1952, o 1º BPVN reuniu-se em Hanói e entrou para a reserva das TAPN (Troupes Aéroportées NordTropas Aerotransportadas Norte) antes de partir para Saigon em abril. O 1ª BPVN foi então engajado na Cochinchina, em Tay Ninh (Operação "Chaumière"), Ben Suc, Chau Doc, Baria (Operação "Éole") e em Annam, em An Tan (Operação "Cabestan").

Paras do 1er BPVN abrem uma bolsa de perna e retiram as granadas de morteiro 60mm (sem as espoletas, lançadas separadamente) e caixas de munição para as metralhadoras Browning .30.

Morteiro 60mm do 1er BPVN em bateria com o chefe de peça usando um emissor-receptor SCR 536 para se comunicar com as tropas precisando do apoio de fogo.

Perto da forja de uma fábrica clandestina de armas do Viet Minh, um tenente do 1er BPVN transmite suas ordens por meio de uma estação de rádio do tipo SCR 300. À esquerda, seu operador de rádio usando os fones de ouvido do dispositivo em volta do pescoço.

Um sargento do 1er BPVN armado com uma carabina americana M1A1 (de coronha dobrável) em cobertura durante a sabotagem das máquinas-ferramentas da fábrica clandestina de armas do Viet Minh.

Um pára-quedista da 1ª BPVN coloca um cordel de explosivo no eixo de uma máquina-ferramenta na fábrica clandestina de armas do Viet Minh.

Um paraquedista do 1er BPVN armado com uma carabina americana M1A1 (de coronha dobrável) inspeciona cuidadosamente uma fábrica clandestina do Viet Minh para detectar armadilhas, minas ou qualquer presença hostil.

Dois paraquedistas do 1er BPVN usam uma "poêle à frire" ("frigideira", como os franceses chamavam) SCR 625 para detectar um provável esconderijo de armas na fábrica clandestina de armas do Viet Minh. O paraquedista à direita se destacou durante sua primeira estadia na Indochina: quando ele era soldado de 2ª classe no 3e BCCP (3ème Bataillon Colonial de Commandos Parachutistes, 3º Batalhão Colonial de Comandos Paraquedistas), foi feito prisioneiro no desastre da Rota Colonial nº 4 (em 1950), mas conseguiu escapar do cativeiro com um camarada.

Um paraquedista do 1er BPVN foi ferido no abdômen pela explosão duma mina. Ele está sendo enfaixado por um sargento-enfermeiro antes de ser evacuado em uma maca.

O Capitão Vervelle (centro) comandando o 1er BPVN dá suas ordens a dois de seus oficiais enquanto estuda um mapa dos arredores de Tay Ninh durante a Operação Chaumière.

Um paraquedista do 1er BPVN armado com um fuzil MAS 36 LG 48 (lança-granadas de 48 mm) e de suas granadas montando um búfalo, sob o olhar divertido de seus companheiros.

Praças graduados do 1er BPVN agrupam as capas contendo os velames dos paraquedas (após uma dobragem sumária) para seu recondicionamento para a próxima operação aerotransportada.

Bibliografia recomendada:




Leitura recomendada:

GALERIA: Bawouans em combate no Laos28 de março de 2020.

sábado, 28 de março de 2020

GALERIA: Bawouans em combate no Laos

Durante os pesados combates em Banh-Hine-Siu, pára-quedistas do 3º BPVN estão prontos para repelir os ataques dos "bô dôï" (soldados das formações regulares do Viet Minh) de dois regimentos da 325ª Divisão.

Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 28 de março de 2020.

Paraquedistas vietnamitas do 3e BPVN (3ème Bataillon de Parachutistes Viêtnamiens, apelidados "bawouans"), sob o comando do Chef de bataillon Mollo, engajados em pesados combates no Laos, no posto de Banh-Hine-Siu e na vila de Na Pho de 5 a 9 de janeiro de 1954, contra elementos da 325ª Divisão Viet Minh (Daï Doan 325).

As fotos de Ferrari Pierre para o ECPAD mostram o armamento típico dos paraquedistas franceses da fase final da Guerra da Indochina: fuzis e carabinas de coronha dobrável MAS 36 CR 39 e M1A1, submetralhadoras MAT 49, fuzis-metralhadores Châtellerault 24/29.

Em 9 de janeiro, um batalhão de paraquedistas vietnamitas tomou o posto de Banh-Hine-Siu, que ele teimosamente defendeu contra os combatentes do Viet Minh emboscados nas proximidades. Um lançamento de munição, a intervenção da artilharia e bombardeios com napalm os ajudam a contra-atacar os adversários entrincheirados nos arredores.

Ao mesmo tempo, combates de rua aconteceram na vila de Na Pho, onde um batalhão do Viet Minh passou a noite. Além do aspecto militar, o relatório da ação também citou refugiados do Laos que fugiram do avanço do Viet Minh, uma evacuação médica dos feridos por helicóptero e feridos aguardando tratamento.

Distintivo do 3e BPVN, em vietnamita Tien Doan Nhay Du 3 (TDND 3).

Anverso e reverso.

O 3e BPVN foi criado como parte do "amarelamento" ("jaunissement") do General Jean de Lattre de Tassigny - a criação de exércitos nacionais vietnamita, laociano e cambojano. A criação de formações paraquedistas indochineses começou em nível companhia, em 1948. Os quadros do 3e BPVN vieram da 10e CIP (10ème Compagnie Indochinoise Parachutiste), de 195 homens, incorporado ao 10e BPCP (10e Bataillon Parachutiste de Chasseurs à Pied, de tradição alpina e elevado a "groupement" por pouco tempo) de 1950 a 1952; comandada pelo Tenente Louis d'Harcourt, um futuro general, a companhia foi recrutada na região de Hanói, no Tonquim (norte do Vietnã).

3e Bawouan foi criado em 1º de setembro de 1952 com uma companhia de comando (compagnie de commandement de bataillon, CCB), e três companhias de combate (com a posterior adição de uma quarta), ele tinha um efetivo de cerca de 1.000 homens. O 3e Bawouan foi um dos cinco batalhões paraquedistas vietnamitas - 1º, 5º (que lutou em Dien Bien Phu), 6º e 7º BPVN - criados entre 1951 e 1954, e pertencendo ao Exército Nacional Vietnamita (Armée Nationale Vietnamienne, ANV); além do 1er Bataillon de Parachutistes Laotiens (1er BPL), do Laos, e o 1er Bataillon de Parachutistes Khmers (1er BPK), do Camboja.

O 3e BPVN participou das operações Mimosa (maio de 1953), Camargue (julho de 1953), Concarneau, Lamballe e Mont St Michel (agosto de 1953), Flandre (setembro de 1953) a operação no posto de Ban-Hine-Siu (janeiro de 1954) e Églantine (junho de 1954).

Os paras do 3e Bawouan mantêm o posto de Banh-Hine-Siu contra elementos da 325ª Divisão Viet Minh.

Bawouans carregam o cadáver de um camarada com um poncho usado de mortalha.

O soldado está usando um capacete de origem americana coberto com uma bandeira de sinalização para a aviação.

Durante um contra-ataque do 3º BPVN nos ferozes combates de rua de Na Pho, um paraquedista armado com um fuzil de coronha dobrável MAS 36 CR 39 capturou um fuzil alemão Mauser Karabiner 98K, equipado com sua baioneta, equipando os "bô dôï" (soldado das tropas regulares vietnamitas, um deles morto no canto direito) da 325ª Divisão VM (Daï Doan 325). À esquerda, um paraquedista e seu FM 24/29.

Elementos da 325ª Divisão do Viêt-minh se infiltraram dentro do posto de Banh-Hine-Siu, e os paraquedistas do 3º BPVN lançarm um contra-ataque para desalojá-los.

Um "bô dôi" que operava uma metralhadora Browning .30 (recalibrada em 7.62×54mmR) foi morto, com um paraquedista vietnamita trazendo a arma de emprego coletivo de volta para o posto de Banh-Hine-Siu, enquanto seus companheiros continuam a repelir uma infiltração inimiga.

Protegidos em uma trincheira, os paraquedistas de uma equipe de morteiro lutam contra a 325ª Divisão Viet Minh, ao redor do posto de Banh-Hine-Siu.

Os paraquedistas do 3º BPVN defendem o posto de Banh-Hine-Siu. À esquerda, o soldado está armado com um fuzil-metralhador M 24/29 de 7,5mm.

Um paraquedista ferido é confortado por um camarada. No fundo, outro paraquedista vietnamita ferido, com um fuzil MAS 36 CR 39 em bandoleira.

Paraquedistas aproveitam uma pausa para relaxar e saciar a sede. O paraquedista no centro segura uma baioneta alemã do Mauser Karabiner 98K, capturada do inimigo.

Um paraquedista, o cinto contendo granadas defensivas MK 2 e DF 37, traz para cobertura um companheiro de combate ferido no rosto.

Um pára-quedista, armado com um fuzil MAS 36 CR 39, ferido no pescoço durante fortes combates no posto de Banh-Hine-Siu. 

Paraquedistas feridos durante a defesa do posto de Banh-Hine-Siu. O paraquedista à direita está usando um capacete francês modelo 51, enquanto seu camarada é protegido pelo capacete de paraquedista de origem americana, mais comum na época na Indochina.

Em Banh-Hine-Siu, um paraquedista do 3º BPVN depena galinhas compradas na aldeia para melhorar a ração individual da base, uma das quais é cozida em fogo de bambu.

Um oficial da 3ª BPVN conversa com uma laociana de Banh-Hine-Siu.

Retrato de um Viêt-Minh ferido durante os combates em Banh-Hine-Siu.

Bônus:


Foto do autor com um bawouan veterano da Indochina e da Argélia.

Pôster de alistamento nas forças paraquedistas vietnamitas.