quinta-feira, 2 de julho de 2020

LIVRO: Um Exército no Alvorecer

An Army at Dawn: The War in North Africa 1942-43.
Rick Atkinson.

Por R. A Forczyk, 26 de dezembro de 2002.

Tradução Filipe do A. Monteiro, 8 de agosto de 2019.

Resenha do livro “An Army at Dawn: The War in North Africa 1942-43”.

O exército que não conseguia atirar direito (4 de 5 estrelas)

Artilharia americana em ação na Tunísia.

Em An Army at Dawn, o autor premiado com o Pulitzer, Rick Atkinson, cobre a campanha norte-africana desde os desembarques da Operação Torch (Tocha) em novembro de 1942 até o colapso final do Eixo na Tunísia em maio de 1943. Atkinson combina pesquisa meticulosa com um bom estilo de escrita para produzir facilmente o relato mais legível sobre esta campanha muitas vezes negligenciada. A principal conclusão do autor é que essa campanha marcou "... uma mudança sutil no equilíbrio de poder dentro da aliança anglo-americana; os Estados Unidos era dominante agora, em virtude do poder e do peso..." No entanto, esta conclusão não é apoiada pela narrativa do autor. Os aliados sofreram mais de 75.000 baixas na campanha da Tunísia, das quais 50% eram da Commonwealth (Comunidade Britânica), 26% eram franceses e 24% eram americanos. Além disso, o desempenho inicial de combate do Exército dos EUA não foi impressionante, e Truscott, um dos melhores comandantes americanos da guerra, classificou a campanha norte-africana de "um desempenho medíocre".

Prisioneiros-de-guerra americanos capturados pelo Afrikakorps na Tunísia, depois do desastre do Passo de Kasserine, 1943.

Atkinson mostra como a campanha do Norte da África emergiu como uma exigência ad hoc, baseada principalmente em considerações políticas e atirada apressadamente em sete semanas. O plano da TORCH previa uma ocupação conjunta anglo-americana da Argélia e do Marrocos da França de Vichy e, esperançosamente, sem resistência. De imediato, a TORCH demonstrou a falta de preparo deste Exército Americano e de seus líderes para a guerra. Os franceses de Vichy resistiram por três dias e mataram 526 americanos. Tentativas de tomar os portos de Oran e de Argel terminaram como desastres; os franceses abriram fogo e praticamente aniquilaram os dois batalhões americanos nessas operações. Felizmente, a vontade de lutar dos franceses de Vichy desmoronou após três dias e o resto da TORCH se tornou uma ocupação sem oposição. Atkinson escreve: "A verdade é que um Exército inexperiente e desajeitado havia chegado ao Norte da África com pouca noção de como agir como uma potência mundial. O equilíbrio da campanha - na verdade, o equilíbrio da guerra - exigiria aprender não apenas como lutar, mas como governar."

Desembarque aliado no Norte da África sob controle da França de Vichy, Operação Torch, 8 de novembro de 1942.

Antes que o exército americano tivesse muita chance de avaliar seu desempenho na Argélia e no Marrocos, Eisenhower ordenou que as forças aliadas ocupassem a Tunísia. No entanto, a resposta alemã à TORCH foi surpreendente; eles apressaram paraquedistas e tanques rapidamente para a Tunísia. Os aliados demoraram para ser mover para a Tunísia e as forças que eles movimentaram foram prejudicadas pelo fato de que "poucas ações foram tomadas após os desembarques iniciais, e apenas trabalho superficial de estado-maio estava disponível no terreno, logística e apoio aéreo na Tunísia." O resultado foi um rastejo tépido na Tunísia, em vez de uma investida ousada e - não pela última vez na guerra - a improvisação brilhante permitiu que os alemães frustrassem o plano dos Aliados. Atkinson coloca grande parte da culpa pelo fracasso em Eisenhower; "Na verdade, ele passou pelo menos três quartos do seu tempo se preocupando com questões políticas, e essa pré-ocupação serviu mal à causa aliada. Se ele tivesse deixado de lado todas as distrações para se concentrar em tomar Túnis com o propósito fixo de um capitão de combate, os próximos meses poderiam ter sido diferentes."

Tropas americanas a bordo de uma embarcação de desembarque em direção às praias de Oran, na Argélia, durante a Operação Torch, novembro de 1942.

Em vez de terminar a campanha cedo, os Aliados tiveram que se contentar com uma batalha de atrito de seis meses. De fato, os alemães foram capazes de ganhar temporariamente a iniciativa e infligiram uma série de surras nas forças anglo-americanas em lugares como Tebourba, Medjez, Longstop Hill, Passo de Faid e Sidi Bou Zid. Os resultados foram chocantes. Os tanques norte-americanos atacaram continuamente em plena luz do dia em campo aberto e foram massacrados por eficientes artilheiros antitanques alemães. Em Sidi Bou Zid, a 2-1 Armor Battalion (2ª Companhia do 1º Batalhão Blindado) atacou com música tocando nos alto-falantes e perdeu todos os 52 tanques. O Exército dos EUA na Tunísia lutou com uma série de desvantagens: sob comando britânico, com unidades engajadas por partes, empregando doutrina defeituosa com armas inadequadas. O Exército dos EUA lutou 13 grandes engajamentos no norte da África e teve apenas uma vitória clara: a Batalha de El Guettar.

O relato de Atkinson não agradará aos leitores que preferem a hagiografia do tipo "Band of Brothers"; havia vilões e heróis na chamada "Greatest Generation" (Mais Grandiosa Geração). Atkinson observa que "atirar em árabes tornou-se um esporte em algumas unidades..." e houve "casos contínuos de estupro nas áreas avançadas contra mulheres árabes". Tropas americanas bêbadas aterrorizaram algumas aldeias e as taxas de DST na Tunísia foram extremamente altas. A liderança americana na Tunísia também estava gravemente em falta, particularmente Fredendall, o primeiro comandante do II Corpo. Embora avaliado por George C. Marshall como "um treinador capaz", Fredendall revelou-se um incompetente e covarde moral. Após o desastre de Kasserine, Patton substituiu Fredendall, que Atkinson vê como uma benção mista. Os fãs de Patton podem ficar desanimados com a avaliação de Atkinson de que "por todo o melodrama de Patton, sua influência no espírito e na disciplina do II Corpo foi marginal". Além disso, o plano tático de Patton no segundo engajamento de El Guettar, no final de abril de 1943, foi "muito falho" e resultou em mais de 3.000 baixas em menos de uma semana.


Houve alguns pontos positivos no estado deplorável do Exército dos EUA na campanha norte-africana. Atkinson observa que a Artilharia de Campanha teve um bom desempenho, assim como os Rangers. Atkinson observa que a incursão dos blindados americanos no aeródromo de Djedeïda, em novembro de 1942, destruiu 37 aviões alemães - provavelmente o único grande sucesso de combate para o diminuto tanque Stuart na Segunda Guerra Mundial. Os americanos também desfrutaram de uma vantagem na inteligência de comunicações.

Atkinson falha em argumentar que a participação dos EUA na campanha tunisiana afetou o equilíbrio relativo de poder na aliança anglo-americana. De fato, sua narrativa demonstra que os americanos eram os parceiros menores na Tunísia, com a maior parte das tropas vindas dos exércitos da Commonwealth e da França. Outros fatores, como o Lend-Lease (Empréstimo e Arrendamento) e a participação americana na Batalha do Atlântico, tiveram muito mais impacto sobre a natureza da aliança do que um desdobramento terrestre simbólico. Será que Atkinson realmente acredita que, se nenhuma tropa americana tivesse lutado na Tunísia, isso teria alterado muito a posição dos EUA no mundo? No entanto, o relato de Atkinson é certamente a narrativa mais completa e interessante disponível sobre a campanha norte-africana de 1942-1943.

O Tenente-Coronel Dr. Robert Forczyk é PhD em Relações Internacionais e Segurança Nacional pela Universidade de Maryland e possui uma sólida experiência na história militar européia e asiática. Ele se aposentou como tenente-coronel das Reservas do Exército dos EUA, tendo servido 18 anos como oficial de blindados nas 2ª e 4ª divisões de infantaria dos EUA e como oficial de inteligência na 29ª Divisão de Infantaria (Leve). O Dr. Forczyk é atualmente consultor em Washington, DC.

Bibliografia recomendada:

Operation Torch 1942: The invasion of French North Africa.

US Soldier versus Afrikakorps Soldier.

Leitura recomendada:



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