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terça-feira, 14 de julho de 2020

Corpo de Comandos do Exército Nacional Afegão

Soldado comando do ANA ao lado de um operador especial dos EUA durante a Operação Enduring Freedom.

Por Eric SOF, Spec Ops Magazine.

Tradução Filipe do A. Monteiro, 14 de julho de 2020.

No Exército do Afeganistão, o Corpo de Comandos do Exército Nacional Afegão desempenha o papel principal, mas começar do início. Em 2007, o Exército Nacional Afegão (ANA) formou seu primeiro batalhão de comandos (ANACDO), o qual possui a mesma estrutura e treinamento dos Rangers do Exército dos EUA, que mais tarde se tornaram parte da Brigada de Comandos do ANA. O objetivo geral era melhorar a situação de segurança no país e criar uma certa força capaz de lutar contra o terrorismo e a insurgência.

Um grupo de combate de comandos do Exército Nacional Afegão realiza exercícios de tiro real durante o treinamento em Camp Pamir, província de Kunduz, Afeganistão, 13 de fevereiro de 2018

Mais tarde, a Brigada de Comandos do ANA se tornou o Corpo de Comandos do Exército Nacional Afegão.

História


O projeto foi iniciado sob a supervisão das Forças Armadas dos EUA e incluiu vários treinamentos conjuntos, dirigidos por instrutores americanos (principalmente das Forças Especiais do Exército dos EUA - os Boinas Verdes). O treinamento básico do ANACDO dura 3 meses e inclui habilidades táticas avançadas, habilidades avançadas de infantaria, além de treinamento em primeiros socorros e gerenciamento tático sob fogo, semelhante ao padrão mundial. A missão americana lá foi totalmente usada como treinamento e equipamento, de modo que basicamente eles assumiram a gestão completa da educação e do treinamento.

Soldados afegãs, servindo em apoio às forças especiais afegãs, durante uma visita surpresa da democrata Nancy Pelosi ao país em outubro de 2019. (Reuters)

Os primeiros batalhões dos Comandos do ANA foram equipados pelos padrões militares americanos, que acabaram transformando os comandos do ANA em um componente militar de elite das forças de segurança do Afeganistão, capaz e pronto para aceitar todos em suas fileiras, incluindo mulheres que podem passar por um rigoroso treinamento de seleção.

Nos próximos anos, eles superaram dezenas de operações e tarefas ao lado da ISAF e das forças parceiras americanas e ganharam experiência até 2011, quando o Exército Nacional do Afeganistão decidiu ativar o Comando de Operações Especiais do ANA (ANASOC). A nova sede das forças especiais foi assinada pelo Chefe do Estado-Maior Geral em abril de 2011. O objetivo era que o ANASOC continuasse a desenvolver e implementar seus planos de mão-de-obra, treinamento e equipamento de suas forças, ao mesmo tempo em que alcançava efeitos no campo de batalha.

Kandak de comandos afegãos em 2011.

O desenvolvimento do ANASOC continua sendo um componente crítico da estrutura de força e estratégia gerais para sustentar a transição para a liderança de segurança afegã.

Para a OTAN e a ISAF (forças de coalizão), a criação do ANASOC foi considerada uma grande ajuda para a segurança geral e para a luta contra insurgentes e terroristas, especialmente na guerra nas montanhas e no setor doméstico (para soldados afegãos).

Organização

Após sua criação, o QG do ANASOC em 2011 consistia em 7.809 ANACDO e 646 ANASF (Forças Especiais do ANA). As taxas de graduação para os operadores do ANACDO e do ANASF permaneceram estáveis e estão dentro do cronograma para cumprir as metas de resistência final. De outubro de 2011 a março de 2012, a Escola de Excelência do ANASOC produziu um total de 1.817 novos comandos e 183 novos operadores das forças especiais.

Comandos afegãos se preparam para uma missão de assalto aeromóvel partindo da Forward Operation Base Airborne, Afeganistão, 28 de setembro de 2009.
(Foto do Sgt. Teddy Wade/Exército dos EUA)

O desenvolvimento de questões de segurança com insurgência aumentou a capacidade do ANASOC e direcionou a criação de novos kandaks (batalhões). Até 2015, aproximadamente 10.700 militares estavam sob o comando do ANASOC. O ANASOC estava agrupado em 10 kandaks geograficamente dispersos pelo Afeganistão.

Objetivos e tipos de missões

Os comandos do ANA (ANACDO) são treinados para realizar todos os tipos de missões e operações especiais contra forças hostis em todos os ambientes. Eles são treinados para guerra urbana e guerrilha, busca de combate e reconhecimento. Os comandos do ANA também são capazes de lidar com situações de tomada de reféns, mas seu principal objetivo é gastar todo tempo possível para ajudar o povo afegão; portanto, não é incomum ver os comandos do ANA escoltando comboios de ajuda humanitária ou vê-los distribuindo ajuda humanitária diretamente.

Grupo de Forças Especiais dos EUA e Comandos do ANA durante a Operação Enduring Freedom.

Eles alcançaram a capacidade de conduzir operações independentes em todo o Afeganistão e, quando engajados, o ANACDO vence decisivamente. Quase todos os kandaks de operações especiais, incluindo membros do ANACDO, estavam conduzindo operações independentes em nível de companhia, e vários realizaram missões unilaterais conduzidas pela inteligência afegã reunidas sem o envolvimento de forças de operações especiais da coalizão. Unidades comando rotineiramente realizavam ataques noturnos de forma independente, usando sua própria inteligência para conduzir suas operações.

Equipamento


Como já mencionado, o equipamento e atende aos padrões militares dos EUA; portanto, os comandos do ANA costumam usar armas padrão de nível militar dos EUA, incluindo:
  • Fuzil de assalto M16;
  • Carabina M4;
  • Metralhadora leve M249;
  • Metralhadora M240;
  • Lança-granadas M203;
  • Além de outras armas principalmente produzidas no ocidente.
Os comandos do ANA geralmente usam o Humvee americano como seu veículo principal. O Humvee é conhecido por sua grande mobilidade e proteção sólida contra armas pessoais. Eles distinguem entre outras unidades do ANA por suas Boinas Vermelhas.


Hoje, o quartel-general do Corpo de Comandos do Exército Nacional Afegão está localizada em Camp Morehead, província de Wardak, Afeganistão e possui cerca de 21.000 comandos (2017). Os comandos compreendem 7% das forças de segurança nacional afegãs, mas conduzem de 70% a 80% dos combates.

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quinta-feira, 14 de maio de 2020

FOTO: Curso de Navegação Terrestre do ANASOC

Alunos comandos lendo mapas.

Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 14 de maio de 2020.

Comandos do Comando de Operações Especiais do Exército Nacional Afegão (Afghan National Army Special Operations CommandANASOC), com policiais do Comando Geral de Unidades Especiais de Polícia (General Command of Police Special UnitsGCPSU) aprendendo técnicas de Apoio Aéreo Aproximado (Close Air Support, CAS), como parte do Curso de Navegação Terrestre do ANASOC de 6 semanas na Escola de Excelência das Forças de Operações Especiais do Exército Nacional Afegão (Afghan National Army Special Operations School of ExcellenceSOE), perto de Cabul, Afeganistão, agosto de 2018

O curso de Navegação Terrestre começa com duas semanas de leitura de mapas e treinamento em navegação terrestre, seguidas de uma semana aprimorando as habilidades de rádio e GPS. O treinamento de navegação terrestre termina com duas semanas de treinamento de CAS.

As Forças de Segurança e de Defesa Nacionais Afegãs (Afghan National Defense and Security ForcesANDSF) iniciaram um programa agressivo para dobrar o tamanho das Forças Especiais de Segurança Afegãs (Afghan Special Security ForcesASSF). As ASSF são compostas por forças de operações especiais do Exército Nacional Afegão, do Ministério da Defesa (MoD) e do Comando Geral de Unidades Especiais de Polícia (General Command of Police Special UnitsGCPSU), do Ministério do Interior (MoI).

Comandos afegãos plotando as coordenadas de um Ataque Aéreo Aproximado (Close Air Attack, CCA) como parte do Curso de Navegação Terrestre do ANASOC.

Nos últimos anos, as ASSF conduziram 70% das operações ofensivas contra insurgentes em todo o país. Aconselhadas e assistidas pelas forças de operações especiais da OTAN, incluindo conselheiros militares operando o CAS, MEDEVAC, ISR e apoio de fogo no nível tático. As ASSF têm fornecido as unidades terrestres mais eficazes em combate das ANDSF. Eles são apoiados pela Ala de Missões Especiais (Special Mission WingSMW) da Força Aérea Afegã.


Os comandos afegãos passam por um curso de qualificação comando de 14 semanas. Após a conclusão, muitos dos graduados são enviados para um dos dez Kandaks (batalhões) de Operações Especiais (Special Operations KandakSOK). No entanto, alguns são enviados para treinamento especializado avançado - participando de cursos de reparo e manutenção de armamento, Coordenador Tático Aéreo (Tactical Air CoordinatorATAC), treinamento médico e morteiro. 

A fase de pedido de apoio de fogo e a prática do simulador são importantes para fornecer fogos de apoio aéreo para as forças de operações especiais no solo. A fase de uma semana é seguida pelos procedimentos do espaço aéreo, onde os Comandos aprendem a desconfigurar o movimento da plataforma aérea, a solicitação de evacuação de baixas e a plotagem de quedas de suprimentos.


Durante o treinamento CAS, os alunos aprendem técnicas de plotagem usando um simulador de pedido de fogos. Existem três aeronaves de asas rotativas usadas pela Força Aérea Afegã (Afghan Air Force, AAF) para o apoio aéreo aproximado: o Mi-35 Hind D, o Mi-17 e o MD-530D Cayuse Warrior.

O Mi-35 e o MD-530 são usados para reconhecimento armado, escolta e CAA. Alguns dos Mi-17 afegãos foram equipados com armas e foguetes; mas ele é principalmente um helicóptero de transporte. Existem apenas alguns Mi-35 que voam (se houver). Os Mi-17 estão sendo gradativamente substituídos pelo UH-60 Black Hawk, fabricado nos EUA. O MD-530F é um helicóptero de observação menor fabricado nos EUA que também é armado.

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quinta-feira, 30 de abril de 2020

FOTO: Visita surpresa no Afeganistão

A democrata Nancy Pelosi apertando as mãos de soldados afegãs, servindo em apoio às forças especiais afegãs, durante uma visita surpresa ao país em outubro de 2019.

A atual presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, Nancy Pelosi fez uma visita surpresa ao Afeganistão na segunda metade de outubro de 2019. A democrata ganhou fama (ou infâmia) internacional por iniciar um processo de impeachment contra o presidente Trump em 24 de setembro de 2019, e por rasgar o discurso do presidente Trump em 5 de fevereiro de 2020, quando Trump foi absolvido no processo de impeachment.

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sábado, 15 de fevereiro de 2020

Aliados, inimigos, ou apenas inúteis? Um operador das forças especiais sobre trabalhar com as SOF afegãs

Operadores do 6º Kandak de Operações Especiais.

Por John Black, SOFREP, 11 de fevereiro de 2020.

Tradução Filipe do A. Monteiro, 12 de fevereiro de 2020.

Fato: As Forças Especiais do Exército Nacional do Afeganistão (ANASF) são a força mais excessivamente empregada no Afeganistão.

Eu trabalhei pessoalmente com vários Kandaks (unidades), e seu treinamento, motivação e programação de operações variam muito. Um capitão das forças especiais estará visitando, construindo relações e convencendo o comandante da unidade a realizar mais operações.

Esses comandantes de Kandak lutam para realizar mais operações. Eles são usados em excesso e a motivação é geralmente baixa. As Forças Especiais dos EUA não podem operar sem eles e precisam que eles liderem da frente; no entanto, ainda tenho que ver ou ouvir sobre isso acontecer. Depois de estar no país trabalhando com eles por quase duas décadas, eles ainda não podem realizar operações por conta própria e contam com o exército dos EUA para apoio aéreo e poder de fogo superior.


O sigilo e as ameaças internas são uma preocupação genuína das Forças dos EUA. Dois soldados do 7º SFG (A) foram mortos na semana passada e muitos outros foram feridos por forças parceiras em um ataque verde-azul. Por esse motivo, freqüentemente, apenas o comandante da ANASF sabe de antemão onde a ANASF irá operar. Isso leva a um planejamento muito vago da ANASF, enquanto as equipes de SF dos EUA passam por um processo de planejamento muito detalhado e deliberado.

Durante uma operação que eu conduzi com a ANASF, no meio de um tiroteio, muito em menor número que os combatentes do Taliban, a ANASF entrou em um complexo, tirou todo o equipamento e começou a almoçar. Eu rapidamente me aproximei do tenente para perguntar o que estava acontecendo, e a resposta dele para mim foi: não se preocupe, os americanos cuidarão disso. Não tinha tempo no momento para debater isso com ele; no entanto, mais tarde me forçou a pensar no que ele disse e no que o levou a dizer uma coisa dessas.


O ponto principal é que os EUA são a espinha dorsal das operações há tanto tempo que os afegãos confiam em nós. E por que não? Eu nunca vi um jato afegão voando por aí, fornecendo suporte aéreo. Aparentemente, toda vez que levamos seus pilotos para a América para treinar, eles desaparecem e nunca mais são encontrados. Não posso dizer que os culpo.

O treinamento é inexistente. As forças dos EUA não estão contribuindo com munição de treinamento para treiná-las ainda mais. E toda a sua munição está indo para operações. Enquanto eles passam por seu processo de seleção e são melhores que seus irmãos regulares do exército, qualquer coisa acima do que simples táticas de infantaria é inexistente. O ciclo vermelho-âmbar-verde foi estabelecido para alcançar e manter a competência técnica e tática e manter a proficiência em treinamento em um nível aceitável. Vermelho sendo descanso e licença, âmbar sendo treinamento e verde sendo operações. Embora pareça um ciclo razoavelmente simples, muitas vezes fica muito sombrio. Em teoria, três companhias poderiam alternar ao longo de um período de tempo. No entanto, nunca vi isso realizado. Com atrito, licenças, escolas, e mortes, muitas vezes, as companhias são misturadas emergencialmente com os ainda alunos e os favoritos das equipes SF afegãs.


Depois de quase duas décadas de luta no Afeganistão, não parece que haja algum progresso real. O Washington Post revelou que oficiais superiores dos EUA falharam em dizer a verdade sobre a guerra no Afeganistão durante a campanha de 18 anos, fazendo pronunciamentos positivos que sabiam serem falsos e escondendo evidências inconfundíveis de que a guerra havia se tornado impossível de ser vencida. Desde 2001, mais de 775.000 soldados dos EUA foram enviados para o Afeganistão, muitos repetidamente. Desses, mais de 2.400 morreram lá e mais de 20.000 foram feridos em ação, segundo dados do Departamento de Defesa.

John Black é um "Boina Verde" das Forças Especiais aposentado, com mais de 20 anos de experiência nas Forças Armadas no 5th SFG (A) e no 3º SFG (A). Além disso, ele tem dez missões de combate em lugares como Iraque, Curdistão, Afeganistão e países da África. Ele é formado em Estudos Estratégicos e Análise de Defesa e atualmente está trabalhando em seu Mestrado.

Forças Especiais de Segurança Afegãs (ASSF)
Comando de Operações Especiais do Exército Nacional Afegão (ANASOC)

As Forças Especiais de Segurança Afegãs (ASSF) são uma tropa de elite bem treinada e operacional, aconselhada por militares da OTAN. Em 2016, após a diminuição das forças dos EUA e da Coalizão, a ASSF se defendeu com sucesso contra oito ataques a capitais provinciais ao longo da temporada de combates. A ASSF vai além da formação de operações e conduz 70% das operações ofensivas do Exército Nacional Afegão (ANA), mesmo contendo apenas 7% das forças, sendo frequentemente a “força de escolha” ofensiva dos comandantes de Corpo do ANA e altos funcionários do Ministério da Defesa; o que acaba tornando o ANASOC mais em uma unidade de choque convencional do que uma de operações especiais.

O ANASOC possui um efetivo autorizado de 21 mil homens, organizados em quatro Brigadas de Operações Especiais (SOB) e uma Brigada de Missões Nacional (NMB). A NMB difere dos SOBs por possuir um pacote de comando de missão mobilizável, incluindo o 6º Kandak (Batalhão) de Operações Especiais (SOK), Ktah Khas (KKA) e dois Kandaks das Forças Especiais (cada SFK inclui cinco AOBs com oito equipes das Forças Especiais do ANA por unidade AOB). Os SOKs, os principais elementos táticos do ANASOC, realizam tarefas essenciais de operações especiais contra redes de ameaças para apoiar as operações COIN dos corpos regionais e fornecer uma capacidade de resposta estratégica contra ameaças selecionadas. Nove dos dez SOKs estão alinhados com SOBs regionais com a capacidade de trabalhar com um corpo específico do ANA, caso solicitado. O 6º SOK (atribuída ao NMB), localizada na área de Cabul, funciona como a unidade de missão nacional do ANA.


As lacunas de capacidade do ANASOC incluem uma falta de ativos de coleta de inteligência orgânica e recursos insuficientes de logística e manutenção devido à dependência dos corpos de exército do ANA para suporte. As prioridades adicionais do ANASOC incluem melhorar a proficiência de soldados por meio da Escola de Excelência do ANASOC, aprimorar as habilidades de comando da missão, operações de logística durante operações de combate e melhorar ainda mais a rede de direcionamento e guiagem de ataque a alvos.