sábado, 4 de janeiro de 2020

É por isso que as Forças Especiais do Irã ainda usam boinas verdes


Por Eric SOF, Spec Ops Magazine, 9 de setembro de 2018.
Tradução Filipe do A. Monteiro, 3 de janeiro de 2020.

Ao olhar para a 65ª Brigada de Forças Especiais Aerotransportadas do Irã, você pode notar algumas semelhanças impressionantes - as divisas amarelas dos graduados parecem muito com as divisas amarelas do antigo uniforme verde do Exército, por exemplo. Antes da Revolução Iraniana, as insígnias de suas unidades pareciam muito com o brasão De Oppresso Liber, que simboliza as Forças Especiais do Exército dos Estados Unidos.

A boina verde distintiva usada pelos iranianos pode não ter a mesma tonalidade de verde usada pelas Forças Especiais do Exército dos EUA de hoje, mas os operadores especiais iranianos vestem verde por um motivo - eles foram treinados pelos americanos.


Na década de 1960, os Estados Unidos enviaram ao Irã quatro destacamentos operacionais de operadores das Forças Especiais do Exército para treinar as forças militares imperiais do Xá. As Equipes de Treinamento Móvel (Mobile Training Teams) passaram dois anos como Grupo Consultivo de Assistência Militar no Irã (Military Assistance Advisory Group Iran). Antes que eles pudessem chegar ao Irã, os soldados tiveram que passar no curso de Oficial de Forças Especiais (Special Forces Officer) em Fort Bragg, e então aprenderem farsi no Instituto de Idiomas de Defesa (Defense Language Institute) de Monterey, na Califórnia. Só então eles seriam enviados ao Irã para treinar as Forças Especiais Iranianas.

Faz muito tempo que a 65ª foi parte das Forças Especiais Imperiais Iranianas. Agora chamada 65ª Brigada NOHED (que é apenas um acrônimo farsi para "forças especiais aerotransportadas"), a missão da unidade é muito semelhante àquelas para as quais as Forças Especiais dos EUA os treinaram na década de 1960. Eles realizam resgate de reféns, operações psicológicas, guerra irregular e treinam para missões de combate ao terrorismo dentro e fora da República Islâmica.


Dentro das forças armadas iranianas, a unidade é conhecida como "fantasmas poderosos". O apelido deriva de uma missão dada à 65ª em meados dos anos 90. Eles foram encarregados de tomar edifícios em torno de Teerã das forças armadas regulares - e conseguiram fazê-lo em menos de duas horas.

Desde o seu confronto inicial com as Forças Especiais dos EUA, a 65ª Brigada de Forças Especiais Aerotransportadas do Irã sobreviveu à Revolução Iraniana de 1979, então eles sobreviveram à brutal Guerra Irã-Iraque na década de 1980, e agora aconselham o Corpo da Guarda Revolucionária Iraniana enquanto lutam pelo regime de Assad dominado pelo Irã na Síria contra uma rebelião fraturada.

Membros do NOHED operando uma metralhadora nas terras altas do Curdistão iraniano durante a Guerra Irã-Iraque dos anos 80. (Foto: Wiki)

O legado do treinamento duro, mas completo, com os boinas verdes americanos continua no Irã. O treinamento atual inclui resistência e sobrevivência em guerra no deserto, na selva e nas montanhas, entre outras escolas, como o treinamento de pára-quedas e queda livre, assim como seus antigos aliados americanos ensinaram há muito tempo.

Original: https://special-ops.org/44699/this-is-why-irans-special-forces-still-wear-us-green-berets/?fbclid=IwAR1NZbnVqHVcvTKPaYBR68zcr6Wm7ROEb1_ZLgcybEGvgiZ6YB3dZdjaQoQ

Nota do Tradutor: Em 1953, 10 oficiais do Exército Imperial Iraniano foram enviados à França para treinamento paraquedista. Retornando ao Irã, eles estabeleceram a Unidade Paraquedista (واحد چتربازی) em 1955, que evoluiu para o Batalhão Paraquedista (گردان چتربازی) em 1959. Por essa razão, a boina iraniana é usada “à francesa”, tal qual no Brasil, com o distintivo no lado direito.





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