sábado, 1 de fevereiro de 2020

GALERIA: Comandos femininas na Guarda Presidencial Palestina


Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 1º de Fevereiro de 2020.

Em 2014, a Autoridade Nacional Palestina governada por Mahmoud Abbas decidiu incorporar 22 mulheres comandos na Guarda Presidencial Palestina, uma força de elite da Polícia Nacional Palestina composta então de 2.600 homens (depois expandida para cerca de 3 mil). 

Sua inclusão é o resultado de mudanças graduais na Cisjordânia nos últimos anos. Algumas barreiras de gênero caíram, com algumas mulheres assumindo cargos como prefeitas, juízes e ministras do Gabinete Governamental ou iniciando seus próprios negócios. Ao mesmo tempo, o desemprego está aumentando e as famílias estão mais abertas para as mulheres entrarem em empregos não tradicionais, se isso significar outro salário.

As mulheres representam apenas 3% dos 30.000 membros da polícia palestina e de outras agências de segurança na Cisjordânia, mas anunciaram na época que havia um esforço para recrutar mais mulheres, segundo o Brigadeiro Rashideh Mughrabi, então responsável pelas questões de gênero nas Forças de Segurança Nacional palestinas.


Emblema da Guarda Presidencial Palestina.

As recrutas dessa primeira turma da Guarda Presidencial foram escolhidas na turma de formandos da Universidade da Independência do ano de 2013, uma academia de polícia com duração de quatro anos em Jericó.

A graduada Kurum Saad, respondendo a um repórter do Haaretz na época, disse que o apelo foi imediato. Como policial feminina, seu papel tradicional teria sido na administração, mas ela queria aventura. "Eu não queria sentar em um escritório", disse o jovem de 23 anos. "Desde pequena, adorava o tiro e praticar esportes."

Seis mulheres, incluindo Saad, desceram de rapel a torre de seis andares em pares na apresentação da criação da unidade, no domingo dia 6 de abril de 2014. Saad disse destacar-se no tiro ao alvo, mas que há meses tinha medo de altura; superando esse medo durante o treinamento na Jordânia com os comandos locais. Na apresentação, ela rapidamente desceu, sorrindo enquanto tocava o chão.

Saad e os outros membros de seu grupo vestiram botas de combate pretas, uniformes de camuflagem e vestiram lenços pretos como máscaras para mostrar aos jornalistas o que elas aprenderam em seu treinamento especial. Várias mulheres, incluindo não-nadadoras, foram convidadas a saltar em uma piscina como uma demonstração de coragem. Elas mergulharam em uniforme completo, incluindo botas, e uma teve de ser retirada por um salva-vidas.

Saad disse que gosta de seu papel de abrir portas para outras mulheres. Seu pai tem orgulho dela e sua irmã mais nova está ansiosa para se juntar aos guardas, disse ela.

Todas, exceto duas mulheres, incluindo Saad, usavam lenços pretos, refletindo uma tendência crescente entre as mulheres palestinas de cobrirem os cabelos por causa da tradição, observância religiosa muçulmana ou pressão social.

Elas responderam a anúncios anunciando que os guardas queriam recrutas mulheres, mas enfrentaram um processo de seleção difícil, com apenas algumas dúzias das mais altas e mais fisicamente aptas sendo escolhidas.

Um dos grandes atrativos paras as novas guardas era a atração de viagens e aventuras. Pouco depois da sua formação, elas preencheram os pedidos de visto europeu para uma sessão de treinamento na Itália. Enquanto isso, treinadores italianos e franceses vieram para o Centro de Treinamento Geral, em Jericó, para ensiná-las direção defensiva e ofensiva, e mais habilidades de proteção pessoal.

A Guarda Presidencial tem por função principal de proteção pessoal, inclusive de dignitários visitantes, mas também é treinada para missões contra-terroristas. As guardas são recrutadas apenas na Cisjordânia. Na Faixa de Gaza, que não está sob o controle de Abbas e é governada pelo grupo militante islâmico Hamas, cerca de 400 mulheres servem nas forças de segurança, que contam com 16 mil homens. Elas passam por algum treinamento, inclusive em artes marciais, mas trabalham principalmente em trabalhos administrativos, inclusive como policiais de controle de fronteiras e uma unidade anti-drogas.




A Batalha de Gaza

Durante o ano de 2007, o Fatah e o Hamas, dois dos principais partidos políticos da Palestina, entraram em confronto pelo controle de Gaza. O Fatah com as Forças de Segurança Palestinas enfrentando as forças paramilitares do Hamas, a "Força Executiva", no norte de Gaza. 

Durante a Batalha de Gaza, no dia 10 de junho de 2007, militantes do Hamas apreenderam vários membros do Fatah e jogaram um deles, Mohammed Sweirki, um oficial da Guarda Presidencial Palestina, do alto do edifício mais alto de Gaza - um prédio de 15 andares. Em retaliação, militantes do Fatah atacaram e mataram o imã da Grande Mesquita de Gaza, Mohammed al-Rifati. Pouco antes da meia-noite, um militante do Hamas foi jogado de um prédio de 12 andares.

Em 11 de junho, as residências de Mahmoud Abbas, líder do Fatah e presidente da Autoridade Nacional Palestina, e do então primeiro-ministro Ismail Haniya, do Hamas, foram atingidas por armas de fogo e morteiros. 

As hostilidades continuaram até 15 de junho, com 120 militantes mortos em ambos os lados, 2 funcionários da ONU e 39 civis. O confronto levou ao colapso da sede das Forças de Segurança Preventivas. A surpreendente vitória do Hamas levou à retirada das forças do Fatah de Gaza.

Com a dissolução do governo de unidade liderado pelo Hamas, o território controlado pela Autoridade Palestina foi de fato dividido em duas entidades: o governo da Faixa de Gaza, controlado pelo Hamas, e a Cisjordânia, governada pela Autoridade Nacional Palestina de Abbas.

Instrutores Estrangeiros

A inclusão de mulheres na Guarda Presidencial e a contratação de instrutores estrangeiros da Itália fez parte do esforço da Autoridade Nacional Palestina de fortalecer suas forças de segurança. Desde 19 de março de 2014, há uma missão de treinamento dos Carabinieri italianos junto à Polícia Nacional Palestina, se comunicando em inglês.







Galeria das mulheres comandos



















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