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quinta-feira, 17 de março de 2022

GALERIA: Forças especiais chinesas e sauditas no exercício Espada Azul

Comandos fuzileiros navais da China (azul) e Arábia Saudita durante um exercício em 2019.

Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 17 de março de 2022.

Comandos fuzileiros navais da China, Jiaolong ("Dragões do Mar"), com o famoso uniforme azul, e da Arábia Saudita durante um exercício conjunto em 17 de novembro de 2019, na Arábia Saudita.

O exercício Espada Azul 2019 visou “desenvolver competências na luta contra o terrorismo marítimo e a pirataria”. O exercício marítimo ocorreu na base naval do Rei Faisal, em Jeddah, localizada no Mar Vermelho, durando três semanas.

Os chineses estão portando o novo fuzil QBZ-191, que substituirá o QBZ-95, e abandonará o desenho bullpup em prol de um formato tradicional.

As forças navais sauditas, representadas pelas Forças Especiais da Frota Ocidental com sede em Jeddah, participaram do exercício junto com suas contrapartes das Forças Especiais da Marinha Chinesa.

A Marinha Real Saudita mantém duas brigadas de fuzileiros navais de 1.500 homens, compostas por três batalhões cada. As brigadas são designadas para a Frota Ocidental com sede em Jeddah e a Frota Oriental com sede em Jubail. As brigadas estão levemente equipadas com veículos blindados 200 Pegaso BMR e Humvees. Os fuzileiros sauditas possuem uma unidade especial.




sexta-feira, 28 de maio de 2021

GALERIA: A Divisão Daguet no Golfo

A praça d'armas do PC da divisão Daguet em Miramar. Um merlon circunda o acampamento Miramar, na Arábia Saudita, dezembro de 1990.
(Yann Le Jamtel / ECPAD)

Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 25 de maio de 2021.

A partir de 2 de agosto de 1990, a França condenou o Estado iraquiano contra sua agressão ao Kuwait e envolveu-se em um conflito que se desenrolaria no coração da Península Arábica.

A ação francesa resultou na criação da Divisão Daguet, composta por 14.500 soldados deslocados no terreno. A partir de setembro de 1990, a divisão Daguet teve que desdobrar meios técnicos colossais para garantir as posições francesas no coração do deserto saudita, nos campos de Miramar ou do Rei Khaled e, assim, preparar seus contingentes para a ofensiva direta dos meses de janeiro e Fevereiro de 1991.

Soldados do 1er REC (1er Régiment Étranger de Cavalerie / 1º Regimento Estrangeiro de Cavalaria) aguardando embarque em Toulon, no sul da França, em setembro de 1990.
(Christian Fritsch / ECPAD)

O TCD "Foudre" ("Relâmpago") no mar carregado de helicópteros Gazelle e atracado em Yanbu, na Arábia Saudita, fevereiro de 1991.
(Didier Charre / ECPAD)

Desembarque dos tanques de combate pesados ​​AMX 30 B2 do 4e Régiment de Dragons (4º Regimento de Dragões), à partir do "Saint Romain" em Yanbu, na Arábia Saudita, fevereiro de 1991.
(Didier Charre / ECPAD)

A Operação "Tempestade do Deserto", lançada em 16 de janeiro de 1991, consiste sobretudo em um ataque aéreo de 43 dias contra o exército iraquiano, seguido de uma ofensiva terrestre de 24 a 26 de fevereiro, durante a qual os soldados franceses avançam em direção à cidade de As-Salman (ou Al-Salman) a fim de assumir o controle do eixo do Texas. Objetivo alcançado em 48 horas, menos tempo que o previsto no cronograma do planejamento do estado-maior. O aeroporto de As-Salman foi tomado após um avanço rápido de 150km em apenas dois dias, perdendo apenas 2 homens mortos e 35 feridos.

As imagens produzidas pelos repórteres do ECPA (Établissement cinématographique et photographique des arméesEstabelecimento Cinematográfico e Fotográfico das Forças Armadas) tendem a mostrar a eficiência estratégica e logística do exército francês, em um terreno desértico localizado a mais de 7.000 quilômetros da França e dentro de uma coalizão internacional.

Foto aérea do campo do Rei Khaled (camp du roi Khaled, CRK) na Arábia Saudita, novembro de 1990.
(Yann Le Jamtel / ECPAD)

Os marsouins do 2e RIMa (2e Régiment d'Infanterie de Marine / 2º Regimento de Infantaria Naval) praticam a condução de prisioneiros no campo de passagem de Clémence, na Arábia Saudita, em fevereiro de 1991. Falsos prisioneiros jazem no chão sob a vigilância dos marsouins armados com fuzis FAMAS, baionetas caladas.
(Christian Fritsch / ECPAD)

Um soldado do 1er RI (1er Régiment d'Infanterie / 1º Regimento de Infantaria) descansa à sombra de seu veículo Peugeot P4 no campo de Miramar, na Arábia Saudita, em janeiro de 1991.
(Didier Charre / ECPAD)

Manutenção em Jaguars pelos mecânicos de pista de Al Ahsa, Arábia Saudita, dezembro de 1990.
(Yann Le Jamtel / ECPAD)

Em Olive, na Arábia Saudita, uma estrada cortada com Hummers e caminhões americanos e transformada em um aeroporto. Ao fundo, um avião de transporte americano Hercules C-130, fevereiro de 1991.
(Didier Charre / ECPAD)

Quatro Mirage 2000 da Força Aérea Francesa armados com mísseis Matra R 550 Magic II estão prestes a decolar na pista da base aérea de Al Ahsa, na Arábia Saudita, dezembro de 1990.
(Yann Le Jamtel / ECPAD)

Um caça a jato Mirage F1-CR da Força Aérea Francesa, armado com mísseis Matra R-550 Magic II na ponta das asas e bombas, avança pela pista da Base Aérea de Al Ahsa, Arábia Saudita, outubro de 1990.
(Christian Fritsch / ECPAD)

Na base aérea de Al Ahsa, no retorno de uma missão, são verificados os armamentos dos aparelhos da Força Aérea Francesa: canhão de 30mm em um Jaguar, outubro de 1990.
(Christian Fritsch / ECPAD)

Um avião de combate francês Jaguar da base aérea de Al Ahsa em patrulha é reabastecido em vôo por um avião de reabastecimento KC-135, outubro-dezembro de 1990.
(Yann Le Jamtel / ECPAD)

Sistema de radar de baixa altitude Aladdin (autônomo leve de desdobramento instantâneo) da Força Aérea Francesa, próximo à base aérea de Al Ahsa, Arábia Saudita, dezembro de 1990. (Yann Le Jamtel / ECPAD)

Jaguar da Força Aérea Francesa pousando na frente de um avião de transporte Hercules C-130 na pista de taxiamento da base aérea de Al Ahsa, Arábia Saudita, dezembro de 1990. (Yann Le Jamtel / ECPAD)

No centro operacional da Divisão Daguet, em Olive, na Arábia Saudita, tendas camufladas e VAB posto-de-comando (PC) cobertos por antenas. Um helicóptero Puma sobrevoa o acampamento, janeiro de 1991.
(Christian Frisch / ECPAD)

Vista aérea das posições fortificadas iraquianas e dos tanques T-55 destruídos em Rochambeau, na Arábia Saudita, fevereiro de 1991.
(Michel Riehl / ECPAD)

Pouco antes da ofensiva terrestre, um soldado do RICM (Régiment d'Infanterie de Char de Marine / Regimento de Infantaria de Blindados Navais) é iluminado em contraste ao pôr do sol, em observação em frente à sua toca de combate no Camp Olive, zona de desdobramento operacional em Rahfa, na Arábia Saudita, fevereiro de 1991.
(Michel Riehl / ECPAD)

Os AMX-10 RC do 1er REC na posição de tiro em Hafar El Batin, outubro-novembro de 1990. Um veículo blindado acaba de disparar: a partida do projétil causa um deslocamento de ar.
(Yann Le Jamtel / ECPAD)

Os marsouins do 3e RIMa (3e Régiment d'Infanterie de Marine / 3º Regimento de Infantaria Naval) investem a cidade de Al-Salman, no Iraque, fevereiro de 1991: alguns estão deitados, armados com FAMAS, outros avançam e cruzam uma cerca.
(Michel Riehl e Yann Le Jamtel / ECPAD)

Marsouins do 3e RIMa sondam setor por setor a vila de Al-Salman. Atrás deles, um retrato de Saddam Hussein está pintado na parede. Os homens vestem o traje S-3P, o ​​capacete e o colete à prova de balas. Eles se comunicam pelo rádio TRPP-13, fevereiro de 1991.
(Michel Riehl / ECPAD)

Em Rochambeau, na Arábia Saudita, uma equipe de filmagem do ECPA filma prisioneiros iraquianos rendidos, fevereiro de 1991.
(Yann le Jamtel / ECPAD)

No eixo Texas, no Iraque, um caminhão americano rebocando um obus M-198 de 155mm cruza com soldados iraquianos se rendendo, fevereiro de 1991.
(Michel Riehl / ECPAD)

Evacuação de feridos da Divisão Daguet para a metrópole em Orly, na França, fevereiro-março de 1991. Pessoal do Serviço de Saúde, incluindo um capitão-médico, cuidam dos feridos em Fort Al-Salman dentro de um Boeing C-135-FR em versão de evacuação médica. A fotografia foi tirada sob luz artificial.
(Fabienne Seynat / ECPAD)

A bandeira tricolor foi içada novamente na Embaixada da França na Cidade do Kuwait, capital do Kuwait, em 28 de fevereiro de 1991.
(Claude Savriacouty / ECPAD)

Vídeo recomendado:


Bibliografia recomendada:

BATTLEGROUND:
The Greatest Tank Duels in History.
Steven J. Zaloga.

Leitura recomendada:







segunda-feira, 19 de abril de 2021

Grupo russo Kalashnikov assinou acordo para fabricação do fuzil AK-103 na Arábia Saudita


Por Laurent Lagneau, Zone Militaire Opex360, 20 de fevereiro de 2021.

Tradução Filipe do A. Monteiro, 19 de abril de 2021.

Ao assinar o Pacto de Quincy em 1945, os Estados Unidos se comprometeram a garantir a proteção da Arábia Saudita em troca de petróleo. No entanto, durante os anos de Obama, às vezes Washington parecia se distanciar desse acordo, adotando uma atitude mais flexível em relação ao Irã, inimigo jurado de Riad. Na época, o objetivo era chegar a um acordo sobre o programa nuclear iraniano.

Ao mesmo tempo, a Arábia Saudita se aproximou da Rússia, notavelmente assinando ordens de equipamento militar, incluindo sistemas de artilharia TOS-1A “Solntsepek”, um lançador de foguetes múltiplo montado em um chassi de tanque T-72 e usando munição termobárica e incendiária.


Em seguida, com a chegada de Donald Trump à Casa Branca, os Estados Unidos voltaram aos fundamentos de sua política externa, com a assinatura de vários contratos importantes de armas, uma linha mais dura em relação ao Irã. E o envio de tropas para solo saudita durante as tensões de 2019.

No entanto, as relações entre Washington e Riad mudarão novamente. Durante a campanha eleitoral, o novo presidente americano, Joe Biden, prometeu fazer da Arábia Saudita um "Estado pária".

Mas desde que entrou na Casa Branca, Biden teve que revisar seu discurso. Agora se fala em "recalibrar" as relações com o reino saudita, que recebeu apoio de Washington depois dos recentes ataques reivindicados pelos rebeldes Houthi (apoiados por Teerã).

Apesar de suas relações com os Estados Unidos serem complicadas, a Arábia Saudita pretende melhorar suas relações com a Rússia, especialmente no campo da indústria de armamentos. E isso se materializará com o estabelecimento de uma fábrica de fuzis de assalto AK-103 pelo grupo Kalashnikov no reino. O anúncio foi confirmado ao jornal Kommersant por Denis Manturov, Ministro da Indústria e Comércio da Rússia.

“Quanto ao contrato para a execução da primeira fase do estabelecimento de uma produção conjunta de fuzis Kalashnikov, foi assinado pelas partes e está sujeito a procedimentos de homologação interestadual, após o que entrará em vigor”, declarou o Ministro russo, às vésperas da abertura da feira de armas IDEX-2021, em Abu Dhabi.

Forças especiais sauditas no Iêmen armadas com fuzis AK-103.

Essa produção na Arábia Saudita de fuzis de assalto AK-103 foi objeto de um memorando de entendimento assinado em 2017. E segundo o diretor-geral da Kalashnokov, Dmitri Tarasov, a negociação poderia ter sido concluída muito antes não fosse a pandemia da Covid-19. E garante que seu grupo está "absolutamente pronto" para trabalhar com os sauditas.

De forma mais ampla, em termos de indústria militar, Riad tem grandes ambições, com um plano de investimentos de mais de US$ 20 bilhões nos próximos dez anos, com o objetivo de poder cobrir 50% das necessidades das forças armadas locais.

"O governo colocou em prática um plano pelo qual investiremos mais de US$ 10 bilhões na indústria militar na Arábia Saudita na próxima década e montantes iguais em pesquisa e desenvolvimento", disse Ahmed bin Abdulaziz Al-Ohali, o governador da Autoridade Geral para Indústrias Militares (GAMI), de acordo com a Reuters.

De calibre 7,62x39mm e com desenho agora antigo, o fuzil AK-103 já está em uso, a priori, pelas forças especiais sauditas.

Bibliografia recomendada:

The AK-47: Kalashnikov-series assault rifles.
Gordon L. Rottman.

Leitura recomendada:



quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

LIVRO: Como a Arábia Saudita destruiu sua rica história cultural

Uma vista aérea mostra a Grande Mesquita e a Torre de Meca em 24 de abril de 2020. (AFP)

Por Rosie Bsheer, Middle East Eye, 20 de outubro de 2020.

Tradução Filipe do A. Monteiro, 31 de dezembro de 2020.

Novo livro, Archive Wars: The Politics of History in Saudi Arabia (Guerras de Arquivos: a política da história na Arábia Saudita), lança luz sobre como o Estado tem trabalhado para lançar as múltiplas histórias que não se conformam com sua auto-representação nacional.

No final de 2009, comecei a viajar regularmente de Riad para Meca. Eu estava na Arábia Saudita para conduzir pesquisas de arquivo, etnografia e história oral sobre a produção da história da Arábia Saudita e espaços memoriais no século XX.

Paralelamente à minha pesquisa, eu estava documentando visualmente as transformações espaciais que o distrito central de Meca estava experimentando na época. Com a câmera na mão, mudei-me de um bairro para o outro, começando com as áreas imediatamente circundando a Grande Mesquita de Meca (Masjid al-Haram) e, finalmente, alcançando vários quilômetros de lá. Nos três anos seguintes, à medida que eu conhecia melhor a agitada cidade, fiquei encantada com a história de seus diversos bairros, residentes multilíngues e arquitetura distinta.

Soldados do Exército Xarifiano (Exército Árabe) durante a Revolta Árabe de 1916-1918, carregando a bandeira da revolta, ao norte de Yanbu, Reino de Hejaz (atual reino da Arábia Saudita).

Durante uma de minhas primeiras viagens de filmagem, encontrei uma placa de uma escola que havia encontrado anos antes, e apenas de passagem: al-Sawlatiyya. Na época, pouco se escreveu sobre a escola, principalmente na imprensa árabe. Logo descobri que foi fundado pelo proeminente religioso indiano e estudioso anticolonial Rahmatullah Kairanawi. Depois de convocar a luta armada contra o domínio britânico na Índia em 1857, Kairanawi posteriormente buscou refúgio em Meca, onde socializou e politizou uma geração de residentes e transeuntes.

Pesquisas posteriores indexaram histórias esquecidas - ou melhor, silenciadas - que centraram o sul da Ásia, a Indonésia e outros ativistas e intelectuais não árabes no cerne da vida social, cultural, intelectual e urbana no final da era otomana e da era saudita. Os graduados de Sawlatiyya e outras escolas fundadas por intelectuais asiáticos e africanos na cidade contribuíram para a vida intelectual, cultural, social e política na Península Arábica e em outras partes do mundo. Como economistas e críticos literários, alguns graduados se envolveram e debateram estudiosos da Renascença Árabe, ou Nahda, e mais tarde se envolveram no negócio de construção do Estado após a Primeira Guerra Mundial. Vindos de diferentes partes do mundo, eles até moldaram o próprio wahabismo com o qual estamos familiarizados hoje.

Xarife Hussein bin Ali.

Outros fundaram algumas das escolas, jornais e partidos políticos mais renomados da península no início do século XX e participaram da vida sociopolítica nas décadas seguintes. Kairanawi até contou entre seus discípulos Xarife Hussein bin Ali e o mufti Hanafi de Meca, Sheikh Abdullah Siraj, os principais orquestradores da Revolta Árabe de 1916 contra os Otomanos. Embora essas histórias variadas tenham surgido ultimamente, elas estão longe de causar impacto nas narrativas históricas convencionais (nação-cêntricas) da península, muito menos no Oriente Médio moderno.

Futuros possíveis


Meu livro Archive Wars: The Politics of History in Saudi Arabia (Guerras de Arquivos: a política da história na Arábia Saudita) Guerras começa por historicizar um fragmento dessa vida sociopolítica e cultural na Meca otomana tardia, a fim de recontar um dos muitos futuros possíveis que poderiam ter sido, mas nunca foram. Essa história, no entanto, informou muitos aspectos da nossa vida moderna.

Caminhando em Meca no final dos anos 2000, ainda se viam tênues traços desse “passado futuro”. Hoje, eles foram praticamente destruídos. Archive Wars mostra as maneiras sistemáticas em que o estado da Arábia Saudita, formado em 1932, bloqueou histórias não-sancionadas pelo estado em currículos escolares, museus e arquivos.

Em seguida, mostra como, na década de 1990, essa oclusão adquiriu um novo significado político e material. Após a Guerra do Golfo de 1990-91, a história se tornou um campo de batalha para reivindicações culturais, políticas e econômicas, tanto entre as elites governantes quanto entre elas e outros sauditas. Depois da guerra, aqueles nos escalões mais altos do poder, apesar de suas diferenças, fizeram um grande esforço para produzir, arquivar, comemorar e comercializar uma narrativa revisada e mais secular da história dos Al Saud.

Tenente-General Khalid Bin Sultan Bin Abdulaziz Al Saud, comandante das Forças Conjuntas na Arábia Saudita, discute as condições para um cessar-fogo com os generais iraquianos durante a Operação Tempestade do Deserto, em 1991. Atrás do General Khaled está o General H. Norman Schwarzkopf, comandante-em-chefe do Comando Central dos Estados Unidos.

Isso foi mais visível em Riad, onde uma indústria de patrimônio multibilionário que incluía museus, arquivos e locais históricos estava em pleno andamento na primeira década do século XXI.

O plano do pós-guerra também se centrava na destruição ativa, bem como na negligência, de locais e espaços históricos específicos que se opunham à história oficial da Arábia Saudita. A maior parte deles ocorria fora da capital - principalmente, mas não exclusivamente, em Meca. O apagamento de realidades históricas diversas e conectadas na Península Arábica estava intimamente ligada à gestão cultural do espaço urbano; durante minhas visitas, documentei visualmente parte da destruição em massa do distrito central de Meca.

Demolição acelerada

Uma rua que leva à Grande Mesquita é vista na cidade sagrada de Meca durante a peregrinação anual Hajj muçulmana em meio à pandemia de Covid-19, em 30 de julho. (AFP)

O início dos anos 2000 apresentou a demolição acelerada de locais sagrados e históricos no centro de Meca e a substituição de sua topografia milenar por imponentes arranha-céus de aço e vidro. No final da década, o distrito central parecia um canteiro de obras contíguo. Dezenas de empreendimentos de uso misto estavam em construção ao redor da mesquita. O caos urbano e ambiental prevaleceu. Guindastes pontilhavam os céus do local de nascimento do Islã, enquanto a poluição sufocava sua Grande Mesquita e os milhões de peregrinos que visitavam a cada ano.

Canteiros de obras e equipamentos pesados de terraplenagem tornaram-se parte da paisagem da cidade. Eles marcavam o movimento dos peregrinos por estradas densas que mais pareciam quebra-cabeças, apinhadas de pedestres, automóveis e ônibus. O tráfego era uma prova de nervosismo (e boas maneiras), era quase impossível encontrar vagas para estacionar e a poluição do ar e do barulho era insuportável.

Renovação ocorrendo em 2010 em parte de uma estrutura pensada para ser o Palácio de Salwa, adjacente ao distrito de al-Bujairi. (Rosie Bsheer/ MEE)

O projeto multibilionário de Desenvolvimento do Projeto de Dotação do Rei Abdulaziz, ainda em construção na época, dava para a Grande Mesquita. Abrigando uma torre do relógio, o projeto bloqueou o acesso ao sol ao sudoeste da mesquita. No lado norte ficava uma magnífica cratera com quilômetros de profundidade, estendendo-se por três quilômetros quadrados, que se tornaria o projeto de desenvolvimento Al-Shamiyya. É aqui que a escola original de Sawlatiyya foi construída pela primeira vez.

Junto com o projeto de desenvolvimento Jabal Omar, que estava bem encaminhado a oeste da mesquita, os megaprojetos foram nomeados em homenagem aos bairros históricos que substituíram - os quais, desde os tempos otomanos, abrigavam algumas das escolas proeminentes da região e marcos culturais e políticos.

O Desenvolvimento do Projeto de Dotação do Rei Abdul Aziz fotografado em Meca em 2010. (Rosie Bsheer/ MEE)

Deslocamento forçado

Esses bairros com mega-desenvolvimentos também incluíam casas e empresas de pessoas. O desenvolvimento de Meca no pós-guerra forçou dezenas de milhares de residentes de diferentes classes sócio-econômicas a deixarem suas casas. Os ex-residentes receberam uma indenização insuficiente em troca e ficaram sem recursos legais.

Alguns foram realocados para novos assentamentos mais distantes nos limites da cidade, de onde era difícil visitar regularmente o centro de Meca. Muitos acabaram em favelas a pouco mais de um quilômetro da Grande Mesquita, escondidas pelos arranha-céus ao redor. Por trás da fachada e da promessa de brilho estava uma cidade movimentada e diversificada, cujo tecido social e urbano estava sendo desarraigado e desmontado.

Não foi à toa que em 2010 - depois que grande parte dos bairros do distrito central já haviam sido arrasados - o governador de Meca, Príncipe Khalid bin Faisal, submeteu a cidade a um processo de arabização, pelo qual todas as ruas e edifícios perderiam seus nomes não-árabes.

A não-arabidade de Meca (junto com sua não-sauditude) ameaçava seus governantes sauditas. Isso funcionou em conjunto com a destruição da vida material da cidade e a evidência de sua diversidade passada e história cosmopolita, tanto religiosa quanto secular. Juntos, eles se opuseram às reivindicações históricas dos Al Saud, as quais pressupunham a conquista de grandes partes da Arábia pela família governante após o fracasso dos otomanos e das forças locais em modernizarem a península e resgatá-la da "era da ignorância" (jahiliyyah) na qual ela supostamente estava.

Pilares da política moderna

Esses esforços para demolir as múltiplas histórias da Arábia contrastam fortemente com a produção e preservação meticulosa da história e herança dos Al Saud em Riad. No entanto, essas formas burocratizadas e cotidianas de violência são os pilares da política moderna e da soberania, como argumento em meu livro.

Isso nos permite colher as alianças inconstantes e o antagonismo entre os principais membros da elite governante, as inúmeras batalhas que travaram e as maneiras pelas quais os sauditas comuns resistiram ou foram apanhados nessas lutas, com grande custo.

Soldados sauditas lutando para entrar no subterrâneo de Qaboo sob a Grande Mesquita de Meca, durante a crise de 1979.

Como todos os estados modernos, a Arábia Saudita trabalhou para se livrar das múltiplas histórias que não se conformavam com sua auto-representação nacional e para colocar em primeiro plano aquelas que o faziam. Contextualizar essas práticas lança luz sobre a formação do Estado e as múltiplas rivalidades embutidas.

Não podemos compreender totalmente a formação da história e do estado na Arábia Saudita - muito menos a vida social, cultural e política na península - sem atentar para as muitas maneiras pelas quais essas histórias foram apagadas, materializadas e re-embaladas a serviço do estado moderno.

Rosie Bsheer é uma historiadora do Oriente Médio moderno. Os seus interesses de ensino e investigação centram-se nos movimentos intelectuais e sociais árabes, no petro-capitalismo e na formação do Estado, e na produção de conhecimento histórico e espaços comemorativos. Ela é autora do livro Archive Wars: The Politics of History in Saudi Arabia (Stanford University Press, agosto de 2020).

Bibliografia recomendada:



Leitura recomendada:

domingo, 15 de novembro de 2020

GALERIA: Forças Especiais Sauditas no Iêmen

 

Forças especiais sauditas no Iêmen. Eles vêm participando da problemática intervenção da Arábia Saudita conduzindo raides e controle de apoio aéreo, além de trabalharem com milícias iemenitas leais.






Operador passando por um muro pichado com o acrônimo "UAE", dos Emirados Árabes Unidos (EAU). Os emiráticos foram o principal aliado saudita no conflito.

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