terça-feira, 4 de maio de 2021

O segredo dos [in]sucessos árabes

Prisioneiros egípcios durante a Guerra dos Seis Dias, 1967.

Do site Strategy Page, 18 de maio de 2008.

Tradução Filipe do A. Monteiro, 18 de maio de 2008.

Por que os árabes perdem guerras contra não-árabes com tanta freqüência? Por que existem tantas atividades terroristas nas últimas décadas perpetradas por árabes? Por que as sociedades árabes são tão corruptas, mal instruídas e carecem de progresso econômico e científico? Apenas levantar essas questões é considerado não-diplomático, provocativo, e racista e por aí vai. Mas existe algo acontecendo.


Pegue, por exemplo, um item recente rolando na web. Parece que no último novembro, sete funcionários da companhia Abu Dabhi Aircraft Technologies (ADAT) estavam inspecionando um novo Airbus 340-600. Este é um avião de 4 motores, custando US$ 240 milhões. Pense nele como um “747 leve”. Ele estava sendo inspecionado antes de ser aceito, e entrega para a Etihad Airways em Abu Dabhi. Através de uma horrenda série de erros pelas pessoas nos controles, o avião taxiou em alta velocidade e bateu em uma barreira. O avião foi perda total e quatro pessoas a bordo se feriram. Nunca houve menção oficial da nacionalidade daqueles responsáveis pela perda do avião. Muitas pessoas presumem que eram árabes, embora a maioria dos empregos técnicos no Golfo Pérsico seja de residentes não-árabes. Este ainda é o caso sessenta anos depois que o dinheiro do petróleo começou a fluir. Com certeza houve tempo suficiente para que uma geração de engenheiros, técnicos e pilotos árabes fosse treinada. Existiram alguns, mas não o suficiente. Além disso, existem sérios problemas culturais entre árabes e tecnologia. Muitos residentes estrangeiros que trabalharam no Oriente Médio foram embora, exasperados com a falta de espírito das atitudes das pessoas que eles estão treinando ou supervisionando.

O Tenente-General Mike Hindmarsh, comandante da Guarda Presidencial emirática, um general do Exército Australiano com 33 anos de serviço.

Tropas americanas no Iraque têm experiências similares quando treinam, ou apenas trabalham junto dos iraquianos. O PR oficial mostra as experiências positivas, mas são as negativas que causam todos os problemas. Se você quiser se livrar de todos os problemas de lá, você precisa entender o que está havendo ou, mais incisivo, o que não está e por que não.

Prisioneiros egípcios capturados pelos franceses no Porto Fouad, novembro de 1956.

Muito foi escrito sobre o por quê dos exércitos árabes terem de forma tão uniforme perdido guerras contra não-árabes. Essas razões também explicam por que os países árabes, e muitos outros países de Terceiro Mundo da mesma forma, também têm problemas para estabelecer governos democráticos e economias prósperas. Muito disto tem a ver com cultura, especialmente cultura influenciada pelo Islã.

Algumas das razões desses fracassos são:

- A maioria dos países árabes são uma colcha de retalhos de diferentes tribos e grupos, e líderes árabes sobrevivem jogando um grupo contra o outro. Lealdade é com um grupo, não à nação. A maioria dos países é dominada por um único grupo que geralmente é a minoria (Beduínos na Jordânia, Alawitas na Síria, Sunitas no Iraque, Nejdis na Arábia Saudita). Tudo isso significa que oficiais são comissionados, não por mérito, mas por lealdade e afiliação tribal.

Escolas islâmicas favorecem a memorização escrita, especialmente de escrituras. A maioria dos acadêmicos islâmicos são hostis à idéia de interpretar o Corão (considerado a palavra de Deus dada ao Seu profeta Maomé). Isso resultou em olhares de desprezo para tropas ocidentais que apontam algo que eles não saibam. Árabes preferem fingir, e fazer de conta de que “está tudo em suas cabeças”. Improvisação e inovação geralmente são desencorajadas. Exércitos árabes seguem o manual, exércitos ocidentais re-escrevem o manual e, portanto, vencem, como de costume.

Prisioneiros egípcios capturados pelos israelenses nas cercanias de El-Arish, no Sinai, 1967.

- Não há corpo de praças de verdade. Oficiais e militares alistados são tratados como duas castas diferentes e não há esforço de diminuir essa brecha usando praças de carreira. Pessoal alistado é tratado com rispidez. Acidentes de treinamento que terminariam com a carreira de oficiais americanos são ocorrências comuns em exércitos árabes, e ninguém liga.

Oficiais são desprezados por suas tropas, e isso não incomoda os oficiais de forma alguma. Muitos oficiais árabes simplesmente não conseguem entender como tratar as tropas decentemente fará deles melhores soldados.

- A paranóia impede o treinamento adequado. Tiranos árabes insistem que suas unidades militares tenham pouco contato entre elas, garantindo dessa forma que nenhum general torne-se poderoso o suficiente para derrubá-lo. Unidades são impedidas, propositalmente, de trabalharem juntas ou treinarem em grande escala. Generais árabes não têm um conhecimento de suas forças tão amplo quanto seus pares ocidentais. Promoções são baseadas mais em confiança política do que profissionalismo em combate. Líderes árabes preferem ser temidos a serem respeitados por seus soldados. Essa abordagem leva a tropas com pouco treinamento e moral baixo. Alguns discursos inflamados sobre “A Irmandade Muçulmana” fazem pouco para consertar o estrago.

Prisioneiros iraquianos tomados pela Divisão Daguet sendo filmados na Arábia Saudita, fevereiro de 1991.


- Oficiais árabes com freqüência não têm confiança entre si. Enquanto um oficial de infantaria americano pode ser razoavelmente confiante que o oficial de artilharia conduzirá o seu bombardeio na hora e no alvo, oficiais de infantaria árabes duvidam seriamente que sua artilharia fará o seu trabalho na hora e no alvo. Esta é uma atitude fatal em combate.

Líderes militares árabes consideram aceitável mentir para subordinados e aliados para estender sua agenda pessoal. Isso teve conseqüências catastróficas durante todas as guerras árabe-israelenses e continua a tornar a paz difícil entre israelenses e palestinos. Quando questionados sobre esse comportamento, árabes dirão que foram “mal-compreendidos”.

Enquanto oficiais e praças americanos estão muito felizes em compartilhar seu conhecimento e habilidade com outros (ensinar é a maior expressão de prestígio), oficiais árabes tentam manter qualquer informação técnica e manuais em segredo. Para os árabes, o valor e prestígio de um indivíduo é baseado não no que ele pode ensinar, mas no que ele sabe que ninguém mais sabe.

Enquanto oficiais americanos prosperam em competições entre eles, oficiais árabes evitam isso, pois o perdedor seria humilhado. Melhor para todos é falhar junto do que permitir a competição, mesmo que isso eventualmente traga benefícios para todos.

Americanos aprendem liderança e tecnologia; oficiais árabes aprendem apenas tecnologia. Liderança recebe pouca atenção, pois se presume que os oficiais o saibam em virtude de seu status social como oficiais.

Um Tipo 69 iraquiano em chamas depois de ser destruído em combate contra a 1ª Divisão Blindada do Reino Unido, 28 de fevereiro de 1991.

- A iniciativa é considerada em traço perigoso. Então, subordinados preferem falhar a fazer uma decisão independente. Batalhas são micro-gerenciadas por generais mais graduados, que preferem sofrer derrotas a perder o controle de seus subordinados. E pior, um oficial árabe não dirá a um aliado americano por que ele não pode tomar a decisão (ou mesmo que ele não pode tomá-la), deixando o oficial americano irritado e frustrado porque os árabes não podem tomar uma decisão. Os oficiais árabes simplesmente não vão admitir que eles não tenham autoridade para fazê-lo.

A falta de iniciativa torna difícil aos exércitos árabes manter armas modernas. Armas modernas complexas necessitam de manutenção no local, e isso significa delegar autoridade, informação, e ferramentas. Exércitos árabes evitam fazer isso e preferem utilizar depósitos centrais de reparos, fáceis de controlar. Isto torna a manutenção rápida das armas difícil.

Carros de combate principais T-62 sírios destruídos e abandonados no Vale das Lágrimas, nas Colinas de Golã, outubro de 1973.

- A segurança é insana. Tudo, até mesmo informação militar vaga é taxada como secreta. Enquanto no Exército dos Estados Unidos listas de promoção são publicados rotineiramente, isso raramente acontece em exércitos árabes. Oficiais são transferidos repentinamente sem aviso para impedi-los de forjar alianças ou redes. Qualquer espírito de equipe entre oficiais é desencorajado.

Todos esses traços foram reforçados, da década de 1950 à de 1990, por conselheiros soviéticos. Para os russos, tudo relacionado às forças armadas era secreto, pessoal alistado era escória, não havia sistema funcional de praças, e todo mundo suspeitava de todo mundo. Esses não eram traços “comunistas”, mas costumes russos que existiram por séculos e foram adotados pelos comunistas para fazer sua ditadura mais segura contra rebeliões. Ditadores árabes avidamente aceitaram esse tipo de conselho, mas ainda estão preocupados com a rapidez com a qual as ditaduras comunistas desmoronaram entre 1989-91.

Multidões de prisioneiros iraquianos na Guerra do Golfo, 1991.

Tal sistema pode produzir exércitos de aparência assustadora, mas não uma força que possa sobreviver a um encontro com soldados bem liderados e treinados. As mesmas técnicas são aplicadas ao governo e na economia, produzindo tirania e atraso que horrorizam os ocidentais, e enraivecem os cidadãos destes, desafortunados, estados. Esse ódio produziu muitos esforços reformistas. Incluindo tal ultraje de horrores quanto a Al Qaeda.

Líderes árabes, especialmente no Golfo Pérsico, costumam ser bem espertos e sabem com o quê estão trabalhando. Então eles contratam vários estrangeiros para trabalhos técnicos chave. Mas você ainda tem um monte de suspeitas, paranóia, pessoas pouco instruídas e inseguras no comando. Mudar tudo isso é, compreensivelmente, difícil.

Agora você sabe.

Fuzileiros navais americanos escoltando filas de prisioneiros iraquianos, 21 de março de 2003.

Bibliografia recomendada:


Leitura recomendada:






Nenhum comentário:

Postar um comentário