sexta-feira, 1 de maio de 2020

AMX INTERNATIONAL AMX/ A-1. Uma boa surpresa na guerra de Kosovo.

FICHA TÉCNICA
Velocidade máxima: Mach 0,84 (1037 km/h).
Velocidade de cruzeiro: Mach 0,77 (950 km/h).
Razão de subida: 3120 m/min.
Potência: 0,52
Carga de asa: 90,10 lb/ft².
Fator de carga: +7,33, -3,5 Gs.
Taxa de giro instantânea: 15º/s.
Razão de rolamento: 220º/s.
Teto de serviço: 13000 m.
Alcance: 3600 km.
Alcance do radar: SCP-01 Scipio - 55,6 Km.
Empuxo: Um motor motor Rolls Royce RB 168-MK-807 com 4907 kgf de empuxo .
DIMENSÕES
Comprimento: 13,55 m.
Envergadura: 9,97 m.
Altura: 4,55 m.
Peso: 6700 kg (vazio).
Combustível Interno: 5952 lb.
ARMAMENTO
Capacidade total: 3800 kg de carga externa divididos por 7 pontos fixos entre asas e fuselagem.
Ar Ar: Míssil MAA-1 piranha.
Ar Terra: Mísseis AGM-65 maverick, Bombas Mk82/83/84, e lançadores de foguetes, Bombas guiadas IR Opher, GBU-12/16/24 guiadas a laser, Mísseis antinavio Harpoon, AM-39 Exocet, e RBS-15.
Interno: (Italiano) 1 canhão M61 de seis canos calibre 20 mm; (brasileiro) 2 canhões Bernardini/ DEFA MK-163 de 30 mm.
DESCRIÇÃO
Por Carlos Junior
O AMX foi desenvolvido em 1982 como um avião de ataque e bombardeiro que substituísse na força aérea italiana os velhos Fiat G-91 nas funções de ataque e de reconhecimento. O Brasil, que já estava precisando de um avião de ataque para ocupar o lugar dos ineficientes Xavantes, acabou por aproveitar a oportunidade de participar do desenvolvimento com as empresas italianas, Alenia e Aermacchi, como o parceiro estrangeiro e assim, adquirir um sucessor para o Xavante com maior eficiência nas missões de combate e que permitiria ao Brasil absorver a tecnologia e o know how na construção de aviões de combate modernos. Obviamente, a empresa brasileira que entrou no programa foi a Embraer, que aproveitou os conhecimentos vindos desse programa de desenvolvimento, para melhorar sua capacidade de gerir projetos e de produção de sistemas de voo que foram usados no avião comercial EMB-145, o maior sucesso comercial da empresa e o mais vendido avião de transporte regional, na categoria de 50 passageiros. O AMX foi designado A-1 na FAB (Força Aérea Brasileira) e por isso, passarei a me referir a ele desta forma.
O protótipo do AMX
Existe um mal entendido sobre o A-1, que acaba por levar a um preconceito sobre ele. Esse mal entendido, é chamá-lo de “caça”. Podem acreditar... o A-1 não é um caça. Ele é um avião de ataque especializado. Ele poderia até participar de um combate aéreo sim, mas somente para auto defesa. O A-1 não vai atrás de outros aviões de combate para abatê-los. E uma coisa interessante sobre isso, me veio a lembrança de que o coronel da USAF  Neil R Anderson, o primeiro homem a pilotar um F-16, fez um voo de teste no A-1, e teceu um comentário que considero relevante. Ele disse que o A-1 acelera bem e que a baixa altitude, o A-1 é mais manobrável que um F-5E. E junte-se a isso, o fato de que em treinamentos ocorridos no Brasil entre a FAB e a USAF (Força Aérea dos Estados Unidos), caças F-16 foram abatidos, em algumas ocasiões, por jatos A-1 nessas condições de baixa altitude. Houve um estudo, na Itália, de uma proposta para se substituir o motor Rolls Royce Spey MK 807 que produz pouco mais de 4900 kg de empuxo (esse motor não tem pós combustor), pelo mais potente motor EJ-200 que equipa o Typhoon e mesmo do General Electric F-404 e assim melhorar a performance de voo da aeronave, mas esses estudos não chegaram a concretizar, nem mesmo, um protótipo. Se houvesse sido levado a cabo essa mudança, os AMX , teria se tornado mais rápido, potente, e mais eficazes em situações de combate aéreo, podendo aí, serem promovidos para a classe de“caças”.
Embora o A-1 AMX seja uma aeronave de ataque ao solo, a FAB havia escolhido um esquema de pintura em tons de cinza que eram mais adequados a uma aeronave de combate ar ar.
Para a FAB, a incorporação do A-1 ao seu inventário permitiu uma revolução na sua capacidade de combate, uma vez que a força já tinha problemas orçamentários relacionado a verba para investimento em aquisição de material modernizações e mesmo, treinamento, naquela época. Alguns aviônicos modernos, estavam sendo usados pela primeira vez na FAB, como o HUD (visor acima da cabeça). Esse equipamento foi instalado nos F-5M, na sua modernização. Um sistema CCIP/ CCRP, calcula, continuamente o ponto inicial e o ponto de lançamento de armas, fazendo com que o A-1 atingisse as melhores marcas de precisão entre os jatos de combate da FAB. Este sistema, também, estava sendo usado na  FAB pela primeira vez. Embora os AMX italianos usem um radar de telemetria EL/M 20001 B, os modelos destinados ao Brasil não contavam com este equipamento. Na verdade, alguns itens que foram montados nos AMX italianos, tornaram a versão deles mais capaz. O Brasil, sentiu a defasagem dos sistemas do A-1, e preparou um programa de modernização bem amplo que usou alguns dos sistemas empregados na modernização dos F-5M.
Um dos jatos A-M taxiando para um exercício.
A aeronave modernizada foi batizada de A-1M e entre os itens mais importantes foi o radar Mectron SCP-1 Scipio (homenagem ao general romano Publius Cornelius Scipio), que é o primeiro radar multímodo embarcado, fabricado no Brasil, e que dará ao A-1M, uma maior capacidade de ataque e de combate aéreo, em caso de ele ter que se defender. O alcance do radar Scipio contra um alvo aéreo de 5 m2, é de 32 Km e contra um alvo de superfície com 100 m2 de RCS é de 80 Km. Esse radar opera em 6 modos, sendo eles: mapeamento do terreno; indicador de alvos terrestres; evitamento de terreno; telemetria ar-solo e ar ar; busca marítima; e modo look down/ look up. O HUD do avião original foi substituído no A-1M por um mais moderno. O A-1M recebeu um sistema de sistema orgânico (fica montado na própria fuselagem da aeronave) de navegação infravermelho que pode ser percebido no lado direito do nariz, logo a frente do cockpit.
O painel de instrumentos foi bastante melhorado com a instalação de um layout igual ao empregado no F-5M e nos aviões de ataque AT-29 Super Tucano com três telas coloridas multifuncionais que melhoram muito a capacidade do piloto em acessar as informações mais importantes e poder focar na missão.
O cockpit do A-1M com seus 3 painéis multifunção no mesmo layout encontrado no A-29 Super Tucano e no F-5EM Tiger II da FAB.
Outro item importante que foi incorporado ao A-1M foi do capacete com display integrado na viseira com HMD israelense DASH 4, que trará o A-1M para a atual geração em termos de táticas de combate modernas. Pelo capacete, o piloto controlará os sensores dos mísseis e terá dados de navegação, similares ao que se tem normalmente pelo HUD, porém com a flexibilidade de se poder tirar a visão do quadrante frontal sem perder essas informações. Também, deve, se instalar o mesmo radio Rohde & Schwarz M3AR (Serie 6000), adquiridos para o F-5M e para o AT-29, dando ao A-1M, capacidade de transmissão e recepção de dados via data link.
Outro importante incremento na suite eletrônica do A-1M foi a instalação do sistema de alerta de aproximação de mísseis PAWS-2, desenvolvido pela empresa israelense Elisra. este sistema trabalha integrado ao lançador de iscas chaffs e flares e permite que seja efetuado o lançamento automático assim que uma ameaça que se aproxime seja detectada.
Nesta foto em detalhamento podemos ver um dos sensores do moderno sistema de alerta de aproximação de mísseis Elisra PAWS-2.
No que se refere ao armamento, voltamos a mencionar aqui, o AMX italiano, que, além de homologado para uso de armas inteligentes como bombas GBU-16 guiadas a laser e bombas guiadas a IR Opher israelenses, é também equipado com mísseis ar ar AIM-9L Sidewinder nas pontas das asas. Mais recentemente, um programa de atualização do AMX italiano, está integrando as bombas JDAM guiadas por GPS, aos aviões deles. Muitos de vocês podem pensar: “Mas o A-1 da FAB também usa mísseis ar ar.” Por incrível que pareça, isso é um engano. Os trilhos estão lá, mas não são preparados para o lançamento de mísseis. As vezes, podemos ver, mísseis montados nas asas de um A-1 da FAB, mas não são armas reais. Por tanto, conclui-se que os A-1 da FAB, eram equipados, apenas, com bombas burras e lançadores de foguetes. Depois da modernização, o A-1M, recebeu, finalmente, os lançadores de mísseis nas pontas das asas que permite o emprego do míssil MAA-1 Piranha. de fabricação nacional, e possui um sistema de guiagem infravermelha e alcance máximo de 12 km.  
Na FAB, os A-1, são equipados, também, com 2 canhões fabricados pela Bernardini sob licença da GIAT Francesa (os canos são israelense)  modelo DEFA MK-163 em calibre 30 mm, com seletor de cadência de tiro para 1800 ou 1100 tiros por minuto, controlado eletricamente. que podem ser usados para destruir blindados leves e e combates aéreos a distancia de até 1000 m com precisão. Já o Italiano foi equipado com um canhão GE M-61 A1 de 20 mm com 6 canos giratórios. Na época da montagem do AMX esse equipamento foi vetado pelo governo americano, para ser fornecido ao Brasil na época da encomenda.
Os dois potentes canhões Bernardini/ DEFA MK-163 em calibre 30 mm foram mantidos no A-1M.
A bomba guiada Lizard II guiada a laser foi a arma escolhida e já em serviço na FAB, para dar capacidade de ataque de precisão para o A-1M. As bombas de queda livre MK-82 e MK-83 são, naturalmente, usadas pelo A-1M, porém, cabe observar que o sistema de kit de guiagem SMKB está disponível e dá, a estas bombas "burras" capacidade de guiagem e ampliação do alcance da arma.
O míssil anti-radar MAR-1 que estava em desenvolvimento, seria também integrado ao A-1M, porém, o programa deste armamento foi suspenso, criando uma lacuna na capacidade de combate da FAB que não tem uma arma que possa ser empregada de forma eficaz para supressão de defesas antiaéreas. 
Uma outra melhoria, conseqüente da instalação do radar multímodo Scipio, é a possibilidade ser integrado um míssil anti-navio como o AGM-84 Harpoon, já empregado na FAB. Essa melhoria, seriá sem dúvidas, muito significativa, para a capacidade da FAB, caso ela faça a opção pela integração desta arma.
A bomba guiada Lizard II guiada a laser, desenvolvida pela Elbit de Israel é um dos incrementos no arsenal do A-1M.
O desempenho do A-1M é típico de aeronaves de ataque leve, sendo sua velocidade 1037 km/h, e sua velocidade de cruzeiro, 950 km/h. Essas velocidades são atingidas com o uso do motor Rolls Royce RB 168-MK-807, que rende 4907 Kg de empuxo seco, já que esse motor não usa a pós-combustão, para evitar um alto consumo de combustível.  A manobrabilidade do AMX é boa, principalmente em baixa altitude, e ele é capaz de puxar até 7,33 Gs positivos, em manobra  equivalendo-se ao F-5EM, porém, devido a melhor sustentação de suas superfícies de voo, o A-1M é mais ágil que o F-5 em baixas altitudes. De qualquer forma, é importante observar que, mesmo tendo essa característica, a aeronave não foi projetada como um caça e por isso ele não deve ser considerado como uma boa alternativa para combates ar ar.
Com vários dispositivos de sustentação o A-1 AMX é uma aeronave ágil a baixa altitude. nesta foto um AMX da Força Aérea Italiana.
Para um país como o Brasil, o desenvolvimento do AMX, embora caro, permitiu muitas vantagens em termos de qualificação da mão de obra das empresas nacionais envolvidas, direta e indiretamente, para esse segmento de produção de aviões de combate a jato, além de uma importante melhoria na capacidade de ataque estratégico no teatro de operações da América Do Sul. A substituição definitiva do A-1M não está num horizonte visível. Além disso, a crise econômica decorrente da pandemia do coronavirus vai atrasar, e muito, os planos de reequipamento das forças armadas brasileiras de uma forma geral. E nesse cenário, eu me arrisco a dar o meu "pitaco" pessoal. Eu considero que o novo caça F-39 Gripen E que a FAB comprou, poderia ser, com boa margem de superioridade, um bom sucessor para o A-1M. Nessa hipótese que conjecturei, a FAB compraria mais lotes do F-39 para cobrir os esquadrões de combate e usaria este modelo como único vetor para missões de combate. Observem que o Gripen é muito mais capaz que o F-5EM na arena ar ar. E mais capaz, também que o A-1M na arena ar superfície. Ainda tem a vantagem de que, durante uma missão de bombardeio, se for necessário engajar aeronaves de defesa aérea inimigas, o Gripen tem total capacidade de executar. A FAB decidiu que dos seus 59 jatos A-1, apenas 14 seriam modernizados, dando a entender que a FAB pretende economizar receita para investir em seu substituto e mesmo assim, há informações não oficiais, de que esse programa nem será levado em diante. Hoje, estima-se que apenas 6 aeronaves modernizadas estejam com a FAB.
A-1 AMX - 3 vistas.
A-1 AMX - Vista em corte.


O vídeo abaixo é de um AMX da Força Aérea Italiana em demonstração de voo. Escolhi um vídeo do modelo italiano porque não encontrei um do A-1 que apresentasse suas qualidades de voo tão bem quanto este. espero que gostem.

3 comentários:

  1. Consta que devido aos inúmeros cortes orçamentários, os A-1 entraram em serviço incompletos, faltando a cablagem necessária para os mísseis na ponta das asas e até mesmo o radar, com um lastro sendo instalado no lugar.

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  2. De fato isso é verdade. O texto comenta sobre a ausência dos sistemas para operar os mísseis das pontas das asas de forma que só os trilhos estavam instalados. Sobre o radar, a modernização brasileira finalmente colocou um radar na aeronave como mencionado no artigo.

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  3. Já são mais de 6 aeronaves modernizadas em operação.

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