domingo, 3 de maio de 2020

As forças armadas canadenses querem atrair recrutas encurtando e apertando suas saias dos uniformes

As Forças Armadas do Canadá estão considerando novas iniciativas de recrutamento, em um esforço para incluir mais mulheres em suas fileiras. (John D. McHugh/Getty)

Por J.D. Simkins, Military Times, 12 de fevereiro de 2020.
Tradução Filipe do A. Monteiro, 3 de maio de 2020.

A falta de mulheres nas Forças Armadas Canadenses levou a novas idéias de recrutamento, que incluem a adição de saias mais curtas e justas, sapatos mais elegantes e campanhas de mídia social dignas de nota com slogans como: "Minhas bijuterias são minhas medalhas".

Já está com ânsia de vômito?

Se não, talvez um conceito de vídeo com uma mulher arremessando uma granada, acompanhado pelo slogan "Claro que jogo como uma garota, mas nunca erro", resolva.

Isto. Foi isto que renderam três anos de trabalho. Uma "Equipe dos Sonhos", cuja única missão de três anos era identificar onde as forças armadas poderiam fazer um trabalho melhor para atrair mulheres a se alistarem, apareceu com a idéia de referir-se às medalhas como "bling" (jargão para bijuteria).

Nós os condenamos por um trabalho nunca realizado, Equipe dos Sonhos.

Hoje, as mulheres representam apenas 16% das forças armadas canadenses, um número de oficiais militares canadenses espera elevar esse número para 25% até 2026, de acordo com documentos de estudo obtidos pelo Ottawa Citizen.

A Capitã Stef Pouliot se prepara para co-pilotar um vôo em um helicóptero CH-146 Griffon na Base das Forças Canadenses de Trenton, Ontário, 16 de junho de 2016. (Luke Hendry / The Intelligencer)

"No entanto, existem barreiras sistêmicas", escreveu a Equipe dos Sonhos, "tornando as forças armadas uma opção menos desejável para a maioria das jovens canadenses".

Causas substanciais para a escassez de mulheres nas fileiras - a prevalência de transtorno de estresse pós-traumático e assédio sexual, bem como a falta de funções técnicas disponíveis - foram mencionadas como tais barreiras, mas essas razões legítimas ainda eram um problema secundário para uma produção com pesada ênfase em moda e produção de vídeo.

"Não é um retrato especialmente lisonjeiro dos valores femininos", escreveu a colunista do National Post Marni Soupcoff em resposta ao estudo. Soupcoff comparou a abordagem "à piada da comediante Elayne Boosler sobre sua crença de que as mulheres são capazes de se envolver em combates mortais: tudo o que o general precisa fazer é ir até as mulheres e dizer: 'Você vê o inimigo ali? Eles disseram que vocês parecem gordas nesses uniformes."

Para abordar suas estranhamente prioritárias preocupações de moda, a Equipe dos Sonhos mirou o Comitê de Vestimenta das Forças Armadas do Canadá, um grupo decididamente de estilo livre "composto por homens de meia idade cuja perspectiva não reflete as tendências atuais entre os grupos demográficos", disse o relatório . A equipe concluiu que a instituição de um estado-maior de tomada de decisão sobre uniformes que incorpore a mesma composição de 25% da meta de recrutamento de mulheres do exército deve corrigir a deficiência de tendências modernizadas.


Outras sugestões, entrementes, incluem campanhas de marketing que retratam uma qualidade saudável do equilíbrio entre vida e trabalho, o qual aproximadamente 14 indivíduos na história militar jamais alcançaram.

Para demonstrar, a Equipe dos Sonhos discutiu um conceito de vídeo que começa com uma mulher removendo seu capacete militar. Em uma reviravolta chocante, ela se vê em um evento no qual "colegas de trabalho homens e mulheres se reúnem e concordam em fazer uma fogueira em uma praia", diz o relatório.

Incapaz de resistir àquelas vibrações de praias canadenses aclamadas internacionalmente, o grupo faz a transição para grelhar “marshmallows, rindo e relaxando” - como invariavelmente fazemos quando os marshmallows estão presentes.

"Eles podem estar superestimando o apetite feminino por reuniões pós-trabalho que se assemelham a um acampamento de verão", argumentou Soupcoff. "Mas isso é realmente o que os recrutas encontrariam quando se tornassem membros das forças armadas?"

Estudos sugerem que essa é, de fato, a experiência exata que os membros do serviço têm nas forças armadas - especialmente no Canadá, onde os soldados não podem se virar sem serem surpreendidos por um cenário tropical.

Na conclusão de seu próprio comercial da cerveja Corona, um colega de trabalho leva uma de suas colegas para casa, onde espera do lado de fora até que ela feche a porta com segurança. Isso, sugere a Equipe dos Sonhos, demonstraria "confiança nos colegas de trabalho".

O que a Equipe dos Sonhos não sabe, no entanto, é que esses cenários lembram surpreendentemente alguns dos piores programas comerciais da Rede das Forças Armadas que alguém que já foi mobilizado no exterior teve o desprazer de ver.

De volta à prancheta de desenhos, Equipe dos Sonhos.

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