segunda-feira, 22 de junho de 2020

Exército indiano revisa seleção e treinamento de Operações Especiais


Por Steve Balestrieri, SOFREP, 21 de junho de 2020.
Tradução Filipe de A. Monteiro, 22 de junho de 2020.

O Exército Indiano está tentando reestruturar o processo de seleção de seu pessoal voluntário para as Forças Especiais e batalhões aeroterrestres. Também visa expandir seu papel em vários teatros operacionais.

A índia, apesar de possuir grandes números unidades e tropas de Forças Especiais, não possui uma estratégia nacional sobre como suas tropas FE/SF devem ser empregadas. Isso afeta a eficácia final da força e aumenta a possibilidade de que a força seja mal utilizada pelo governo.

Em resposta a isso, em 2012, um comitê de segurança nacional viu a necessidade de um Comando de Operações Especiais dedicado, semelhante ao USSOCOM; no entanto, isso ainda não foi concretizado: A Seleção e Avaliação, bem como o treinamento para as Forças Especiais da Índia e unidades aeroterrestres, não são realizadas em um local centralizado, nem possuem um núcleo de instrução padronizado.


Uma proposta, vinda de vários oficiais de alta patente da defesa, recomenda que o processo de seleção seja centralizado e conduzido a partir de um único local.

Atualmente, cada uma das unidades conduz seu próprio processo de seleção e avaliação chamado "Estágio", enquanto sob o guarda-chuva do Regimento Paraquedista. O Regimento Paraquedista, o qual fornece mão-de-obra para as Forças Especiais e batalhões aeroterrestres, possui pessoal especialmente treinado que é voluntário de todas as armas e serviços do Exército. Oficiais e todas as outras graduações podem se voluntariar para se juntar ao regimento e às Forças Especiais.

Os candidatos devem completar um período probatório difícil de três meses. Após a conclusão bem-sucedida do período, eles são iniciados no regimento aeroterrestre ou nas unidades das Forças Especiais. As unidades individuais têm parâmetros de missão muito rígidos e sua Seleção/Avaliação e treinamento são voltados para a missão da unidade específica. O treinamento cruzado é praticamente inexistente.

"Cada unidade de forças especiais se orgulha de certas tradições e etos ... o estágio existe para garantir que o soldado esteja mentalmente adaptado a elas e disposto a aceitá-las," disse uma fonte dentro das forças armadas.


No esforço para levar as unidades FE/SF a um estado mais alto de prontidão e versatilidade, isso está prestes a mudar. Qualquer pessoa pode se voluntariar para as FE/SF, independentemente da Arma ou Serviço aos quais são designados. No entanto, sob o sistema atual, os oficiais que se voluntariam, primeiro vão ao Centro de Treinamento Regimental de Paraquedistas (Parachute Regimental Training CentrePRTC) em Bengaluru e são posteriormente enviados às unidades do Regimento Paraquedista para seu estágio individual. No entanto, os alistados e os suboficiais se apresentam diretamente às unidades para o seu período de estágio.

O Exército propôs um sistema que altera o programa inicial de Seleção e Avaliação para voluntários das Forças Especiais e do Regimento  Paraquedista. Os candidatos serão notificados com dois meses de antecedência antes do início do processo de seleção, após o qual ocorrerá uma fase preparatória de orientação de uma semana.

Paraquedistas indianos recebendo as asas de prata americanas após um salto com os Rangers.

Uma vez concluída a orientação, a Fase I do treinamento incluirá um processo de seleção e avaliação de quatro semanas na Escola de Treinamento das Forças Especiais.

Após o curso de seleção inicial, os candidatos serão designados para batalhões paraquedistas ou de forças especiais através de uma comissão de oficiais.

Uma vez designados para um batalhão, os voluntários serão submetidos à Fase II do estágio: três meses de treinamento em habilidades básicas. Este curso de treinamento será diferente para voluntários das forças especiais e aeroterrestres.

Finalmente, o grupo selecionado passará pela Fase III do treinamento, o qual incluirá quatro semanas do curso básico de paraquedismo na Escola de Treinamento Paraquedista de Agra.

A proposta do Exército exige que quatro cursos sejam realizados a cada ano - em março, junho, setembro e dezembro - com um máximo de 500 candidatos por curso, incluindo oficiais.


Com a possibilidade de conflito com o Paquistão e a China, as FE/SF indianas precisam melhorar sua prontidão geral. Isso deve incluir treinamento cruzado para todas as tropas e preparação para todos os ambientes. Uma fraqueza patente que o Tenente-General Prakash Katoch, um oficial de operações especiais do exército indiano, apontou foi:

"A falta de uma célula de inteligência, recursos de inserção e extração 'dedicados' (helicópteros, aeronaves, etc.), grupo de apoio, grupo de logística, célula cibernética, célula de treinamento, grupo de pesquisa e desenvolvimento, interface com R&AW, NTRO, IB, com a Escola de Treinamento das Forças Especiais (Special Forces Training School, SFTS) e similares. Podemos propagar que a Índia está erguendo o AFSOD nas linhas do Comando de Operações Especiais dos Estados Unidos (United States Special Operations CommandUSSOCOM), mas há pouco entendimento de que aeronaves e helicópteros integrados ao SOCOM sejam especialmente modificados para forças de operações especiais."

Finalmente, as forças armadas indianas têm uma mentalidade reativa defensiva que também precisa mudar para que as unidades FE/SF operem com eficiência máxima.

Steve Balestrieri atuou como graduado, sargento e Warrant Officer (sem equivalente no Brasil) das forças especiais antes que ferimentos forçassem sua reforma precoce.

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