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sábado, 7 de novembro de 2020

FOTO: Iraquianos se rendendo a sauditas no Kuwait

Tropas iraquianas emergem de um bunker fortemente protegido para se renderem a soldados sauditas, armados com fuzis HK G3, durante a Operação Tempestade no Deserto no sudeste do Kuwait, 1991. (Laurent Rebours/AP)

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FOTO: Um burro na Tempestade do Deserto

Um sentinela francês da Divisão Daguet acompanha um beduíno, que cavalga em um burro, através do posto de comando divisionário no Iraque, março de 1991.
(Yann Le-Jamtel/ECPAD)

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domingo, 27 de setembro de 2020

sábado, 9 de maio de 2020

Revelado: como as forças especiais sauditas capturaram o chefe do Daesh no Iêmen em uma ousada operação de 10 minutos

Dez minutos foram o suficiente para que as forças especiais sauditas capturassem o líder do Daesh no Iêmen, Abu Osama Al-Muhajir, e outros terroristas importantes em 3 de junho, mas levaram semanas para se preparar para a operação bem-sucedida. (Foto fornecida)

Por Mohammed Al-Sulami, Arab News, 27 de julho de 2019.

Tradução Filipe do A. Monteiro, 9 de maio de 2020.

JEDDAH: O ousado ataque que capturou o líder do Daesh no Iêmen foi meticulosamente planejado por quase um mês e executado em uma blitz de 10 minutos no início da manhã em sua casa pelas forças especiais sauditas, disseram fontes de segurança ao Arab News.

Abu Osama Al-Muhajir - conhecido durante a operação como "a captura especial" - foi preso em 3 de junho, junto com o oficial financeiro do grupo terrorista e vários outros combatentes do Daesh. Sua captura foi mantida em segredo por 22 dias, para que os investigadores pudessem concluir as investigações e confirmar suas identidades.

A operação começou, como operações sensíveis de segurança geralmente começam, com inteligência. Fontes informaram que Al-Muhajir estava morando em uma casa na vila iemenita, com outros terroristas, suas esposas e filhos. A casa foi colocada sob vigilância e a presença do Daesh confirmada.

“O comandante da missão foi escolhido, um dos oficiais mais importantes das Forças Especiais de Segurança, que por sua vez escolheu os indivíduos que participariam da missão. Todos tiveram treinamento avançado nesse tipo de operação perigosa”, disse uma fonte ao Arab News.

“Eles elaboraram um plano em três etapas para garantir a veracidade da inteligência, a conclusão da tarefa da maneira mais rápida possível, sem causar danos às pessoas que moram nas proximidades ou expor os membros da força a qualquer dano, e sair do local levando os capturados para uma área segura."

A primeira fase da operação envolveu o monitoramento constante da casa para verificar as idas e vindas das pessoas, e a quantidade e a qualidade das armas que elas provavelmente possuíam, incluindo bombas.

Concluída a etapa de monitoramento, o comandante da missão definiu a operação para as 9h30 da manhã de 3 de junho, o último dia do Ramadã. "O horário foi escolhido por várias razões, principalmente porque durante o Ramadã, as pessoas comem a refeição suhoor antes do amanhecer e voltam a dormir depois, e o horário de sono das pessoas dentro de casa foi cuidadosamente estudado", disse uma fonte.


“O plano operacional foi ajustado com precisão para minimizar os danos colaterais do raide, e prender os terroristas, garantindo a segurança das mulheres e crianças dentro de casa. Aprovação foi dada à execução."

“O comandante da força informou seus colegas sobre o método de ataque e execução e o método de retirada após a execução ou no caso de qualquer emergência."

“Quando chegou a hora, a execução da segunda fase do plano ocorreu, atacando e invadindo a casa exatamente às 9:20 da manhã. A operação não encontrou resistência e as forças especiais prenderam todos os que estavam na casa. Dentro de 10 minutos do ataque, toda a missão estava completa, o que incluía capturar pessoas, confiscar qualquer arma em casa e sair.”

O terceiro estágio foi transportar a “captura preciosa” para uma área segura, longe de qualquer perigo, seja por agentes do Daesh ou outras organizações terroristas, incluindo as milícias houthis apoiadas pelo Irã. Isso também correu perfeitamente conforme planejado.

As forças especiais sauditas são treinadas, por líderes em campo em todo o mundo, em como planejar e executar tarefas sensíveis tais com rapidez, precisão e com segurança. O sucesso dessa operação não surpreendeu o analista político iemenita Abdullah Ismail.

“Ela demonstra as extraordinárias capacidades das forças sauditas em particular e das forças da coalizão árabe em geral, realizando operações delicadas, o resultado do trabalho de inteligência e o sucesso da vigilância, que levou à prisão de uma pessoa em 10 minutos sem causar danos a civis ou às forças participantes”, disse ele ao Arab News.

"Esta operação é um duro golpe para o Daesh, que se tornou ativo até certo ponto após a derrubada do estado iemenita pelo golpe houthi."

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sábado, 11 de abril de 2020

A Arábia Saudita tem o melhor equipamento militar que o dinheiro pode comprar - mas ainda não é uma ameaça para o Irã

Soldados das forças especiais sauditas com fuzis de assalto G36C.
(Agência de Imprensa Saudita)

Por Ben Brimelow, Business Insider US, 16 de dezembro de 2017.

Tradução Filipe do A. Monteiro, 11 de abril de 2020.
  • A Arábia Saudita tem alguns dos melhores equipamentos militares que o dinheiro pode comprar, mas suas forças armadas ainda não são vistas como uma ameaça ao seu rival de longa data, o Irã.
  • As forças armadas da Arábia Saudita não se mostraram capazes de combater efetivamente os rebeldes houthis apoiados pelo Irã no Iêmen.
  • Seu arsenal é projetado para uma grande guerra convencional - não para a guerra terceirizada.
Nos últimos anos, a Arábia Saudita liderou uma intervenção na guerra civil do Iêmen, foi a força motriz por trás de uma crise diplomática entre o Catar e seus vizinhos e se envolveu na política do Líbano.

Todas essas coisas parecem ter um objetivo comum: empurrar a influência do Irã.

Mas especialistas dizem que as ambições da Arábia Saudita são limitadas por suas forças armadas, as quais são consideradas uma força ineficaz, embora o reino seja um dos maiores gastadores do mundo em defesa.

"O fato é que o Irã é melhor nesse processo", disse Michael Knights, pesquisador da Lafer no Instituto Washington, especializado em assuntos militares e de segurança no Iraque, Irã e Golfo Pérsico.

"Não há no Estado-Maior iraniano ninguém que tenha medo da Arábia Saudita", disse Knights.

O esforço da Arábia Saudita no Iêmen - onde seu conflito de anos com os rebeldes houthis não tem fim - revela suas deficiências contra um adversário como o Irã.

"O que realmente estamos falando é como eles se comparam em uma guerra terceirizada", disse Knights. "É o que eles estão fazendo na região hoje em dia."

Soldados iranianos marchando em um desfile de 2011 em Teerã para comemorar o aniversário da guerra Irã-Iraque. (Reuters)

Um dos maiores gastadores em defesa

As forças armadas da Arábia Saudita enfrentam dois problemas principais. Elas são muito grandes, tornando-as mais suscetíveis a problemas organizacionais e de qualidade, e seu arsenal é projetado para uma grande guerra convencional e não para as guerras terceirizadas do século XXI.

Por toda a ineficácia militar da Arábia Saudita, é difícil culpar os equipamentos do reino. No ano passado, a Arábia Saudita foi o quarto maior gastador em produtos de defesa do mundo, logo atrás da Rússia.

De acordo com a IHS Jane's, uma editora britânica especializada em tópicos militares, aeroespaciais e de transporte, a Arábia Saudita foi o maior importador mundial de armas em 2014.

Dados do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo mostram que a Arábia Saudita foi o segundo maior importador de armas em 2015 e 2016. As importações de armas para o reino aumentaram mais de 200% desde 2012, segundo o instituto.

O armamento que está sendo comprado também não é de baixa qualidade. A maioria do hardware militar da Arábia Saudita é comprada de empresas americanas. De fato, 13% de todas as exportações de armas dos EUA em 2016 foram destinadas ao reino. As empresas do Reino Unido e da Espanha foram os segundo e terceiro maiores vendedores.

Um Eurofighter Typhoon da Força Aérea Real Saudita.
(Wikimedia Commons)

O arsenal da Força Aérea Real Saudita inclui os Eurofighter Typhoon, talvez o jato de caça mais avançado em serviço pelas forças armadas europeias, e os americanos F-15 Eagle, o indiscutível rei dos céus por três décadas e ainda formidável. Os sauditas ainda têm seu próprio modelo do Eagle - o F-15SA (Saudi Advanced), que começou a ser entregue este ano.

As Forças Terrestres Reais da Arábia Saudita, o exército saudita, têm tudo, desde tanques M1A2 Abrams e veículos de combate M2 Bradley até helicópteros AH-64D Apache Longbow e UH-60 Black Hawk.

Praticamente todos os navios da Marinha Real Saudita foram construídos em estaleiros americanos, especificamente para a Arábia Saudita. Suas fragatas mais recentes, a classe Al Riyadh, são versões modificadas da fragata francesa da classe La Fayette.

A Arábia Saudita é uma das nações mais bem equipadas do mundo. No entanto, as forças armadas sauditas não colocam medo no coração de seus adversários, ou potenciais inimigos.

Tropas das forças especiais sauditas durante uma operação de reféns.
(Vice / YouTube)

A guerra terceirizada no Iêmen

Evidências das deficiências das forças armadas sauditas podem ser vistas ao sul da fronteira saudita no Iêmen.

Quase três anos depois que a Arábia Saudita, apoiada por outros países árabes e do Golfo, lançou uma intervenção militar para apoiar o presidente deposto do Iêmen, Abdrabbuh Mansur Hadi, rebeldes houthis apoiados pelo Irã ainda estão ativos e continuam a deter a maior cidade e capital do Iêmen, Sana'a .

Além disso, os houthis se mostraram capazes de lançar ataques de alto perfil contra os sauditas. Isso inclui várias incursões transfronteiriças à Arábia Saudita, ataques bem-sucedidos a navios das marinhas emirati e saudita, e o lançamento de mísseis balísticos no coração do reino.

Em uma vergonha mais recente, um relatório do The New York Times sugeriu que um míssil balístico disparado pelos houthis que explodiu em um aeroporto na capital saudita de Riad não foi realmente abatido como anteriormente reivindicado pelas forças armadas sauditas.

O estado da Guerra no Iêmen no início deste mês. O vermelho representa o território do governo iemenita, apoiado pela coalizão liderada pela Arábia Saudita, o branco para os afiliados da Al-Qaeda, o preto para o ISIS e o verde para os rebeldes houthis apoiados pelo Irã.
(Wikimedia Commons)

Por que não houve vitória no Iêmen

Os sauditas tiveram uma tarefa difícil no Iêmen. Eles têm que operar no coração do território houthi contra uma força de combate bem treinada, bem financiada e bem suprida.

A Arábia Saudita, no entanto, não enviou forças terrestres significativas para o Iêmen que seriam necessárias para vencer no campo de batalha.

"Não sabemos se as forças armadas sauditas podem ter um impacto significativo na guerra iemenita, porque só vimos o desdobramento do poder aéreo saudita", disse Knights ao Business Insider.

"Geralmente, uma campanha apenas de poder aéreo não terá um grande impacto - particularmente nesse tipo de terreno complexo com um inimigo que é muito hábil em se esconder do poder aéreo e geralmente se parece com civis", disse ele.

Tropas sauditas em sua base na cidade portuária de Aden, no sul do Iêmen, em 2015.
(Reuters)

Knights estima que 10.000 a 20.000 soldados seriam necessários para ter o efeito desejado. No entanto, as forças armadas sauditas não mobilizaram suas forças terrestres* - provavelmente porque a liderança saudita sabe que, como diz Knights, eles "sofrem de fraquezas significativas".

*Nota do Tradutor: Os sauditas eventualmente comprometeram 150 mil homens no Iêmen mas sem, no entanto, conseguirem alterar o impasse.

Essas fraquezas incluem a falta de equipamento logístico e a experiência necessária para realizar uma tal campanha.

"Eles não têm experiência em uma operação expedicionária", disse ele, observando que a campanha da Tempestade no Deserto contra o Iraque - para a qual a Arábia Saudita contribuiu - foi em grande parte um esforço americano.

Além disso, as forças terrestres da Arábia Saudita como um todo não são treinadas o suficiente para poderem ter sucesso em operações de larga escala. Como tal, uma força terrestre saudita no Iêmen pode causar mais mal do que bem.

Bilal Saab, membro sênior e diretor do Programa de Defesa e Segurança do Instituto do Oriente Médio, disse ao Business Insider que a Arábia Saudita entendeu o dano potencial para suas forças terrestres. Em um e-mail, a Saab disse que a Arábia Saudita não enviaria grandes contingentes de forças terrestres "porque suas baixas seriam graves e provavelmente causariam tremendos danos colaterais no Iêmen".

Artilharia saudita atirando em direção a posições houthis à partir da fronteira saudita com o Iêmen em 2015.
(Reuters)

O que pode ser feito

Na visão de Knights, a Arábia Saudita precisa reduzir o tamanho de suas forças armadas, focar em recrutamento e treinamento de qualidade e criar unidades capazes de lutar ao lado e de treinar aliados locais.

Hoje, milícias locais e grupos tribais formam a maioria da força terrestre que luta contra os houthis, e poucos ou nenhum soldado saudita os ajuda - exceto por algumas unidades das forças especiais.

"Como resultado", diz Knights, "não há pressão militar credível sobre os houthis."

A batalha terceirizada no Iêmen é apenas um exemplo da crescente influência do Irã no Oriente Médio. O Hezbollah, por exemplo, está melhor armado e organizado do que as forças armadas oficiais do Líbano. O Hamas, envolvido em um conflito contínuo com Israel, também é apoiado publicamente pelo Irã e várias milícias nas Unidades de Mobilização Popular do Iraque recebem treinamento, financiamento e equipamento deste seu país vizinho.

O arsenal da Arábia Saudita, apesar de impressionante, também precisa ser construído com as aplicações desejadas em mente. Por enquanto, essas parecem ser guerras terceirizadas contra um inimigo que raramente está de uniforme, em oposição a uma travada contra um exército convencional da era da Guerra Fria.

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GALERIA: Exercício "Shamrakh 1"12 de março de 2020.

quinta-feira, 12 de março de 2020

GALERIA: Exercício "Shamrakh 1"

Operadores sauditas no exercício de guerra de montanha "Shamrakh 1", nos Alpes franceses, em outubro de 2014.

Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog14 de outubro de 2014.

A Arábia Saudita enviou unidades especiais para treinamento conjunto com tropas alpinas francesas, incluindo unidades de comandos, unidades de vigilância paraquedistas e forças especiais do Exército Real Saudita. O exercício teve seu foco no treinamento físico e a adaptação para condições naturais e o clima frio.

O comandante saudita, Major Fahed bin Zahem al-Atibi, disse que o exercício foi uma continuação de exercícios anteriores com os comandos franceses.

"Nossas unidades passaram por muitos exercícios, e esse treinamento será usado para melhorar o que já ganhamos em experiência e expertise em termos de terreno montanhoso, operações de comandos e vigilância", disse o major.

"O tempo e as condições do clima não serão um obstáculo para os nossos soldados, dado que eles treinaram previamente em ambientes montanhosos e são profissionais", ele adicionou.

Noticiado pela Al Arabiya, 13 de outubro de 2014.
















Bibliografia recomendada:

Arabs at War:
Military Effectiveness, 1948-1991.
Kenneth M. Pollack.

World Special Forces Insignia.
Gordon L. Rottman.

Le FAMAS et son histoire.
Jean Huon.

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domingo, 19 de janeiro de 2020

PERFIL: Khalid Bin Sultan Bin Abdulaziz Al Saud, príncipe Khalid bin Sultan, Arábia Saudita

Tenente-General Khalid Bin Sultan Bin Abdulaziz Al Saud, comandante das Forças Conjuntas na Arábia Saudita, discute as condições para um cessar-fogo com os generais iraquianos durante a Operação Tempestade do Deserto, em 1991. Atrás do General Khaled está o General H. Norman Schwarzkopf, comandante-em-chefe do Comando Central dos Estados Unidos.

Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 19 de janeiro de 2020.

Khalid bin Sultan foi cadete na Academia Militar de Sandhurst, na Inglaterra, de 1967 a 1968, "cumprindo assim um sonho de adolescente". Ele
 se voluntariou para servir nas forças especiais mas foi colocado no comando de um pelotão de artilharia na província de Tabuk, com a perspectiva de ser destacado na função de compras e aquisições militares, para onde foi remanejado tempos depois. Essa posição de importância é conhecida pelos "favorecimentos" com relação às compras de material militar. 

Pensando na defesa antiaérea saudita, o príncipe Khalid criou as Forças de Defesa Aérea independente do Exército em 1981; sendo o seu primeiro comandante. A Força conta atualmente com cerca de 16 mil homens.

Ele também é formado na Escola de Comando e Estado-Maior do Fort Leavenworth (Command and General Staff College, CGSC), e na Escola de Guerra Aérea (Air War College, AWC), ambas nos Estados Unidos.


Emblema das Forças de Defesa Aérea sauditas.

Na década de 1980, o príncipe Khalid bin Sultan, então comandante da Força de Defesa Aérea, foi à China comprar mísseis DF-3 (Dong Feng 3, Vento Oriental 3), o primeiro míssil guiado saudita, criando assim a Força de Mísseis Estratégicos - hoje com 2.500 homens. Por seu papel na criação da Força de Mísseis Estratégicos, Khalid bin Sultan recebeu o apelido de "O Pai dos Mísseis da Arábia Saudita".

Quando o Iraque invadiu o Kuwait, em 1990, o príncipe Khalid foi nomeado comandante das forças conjuntas árabes da Coalização, sua posição mais conhecida, e destacado com uma responsabilidade fictícia equivalente àquela do General Schwarzkopf. Esta sinecura foi narrada pelo General Khalid escreveu um livro em 1995 sobre a sua atuação na Guerra do Golfo, Desert Warrior: A Personal View of the Gulf War by the Joint Forces Commander (Guerreiro do Deserto: A visão pessoal da Guerra do Golfo pelo Comandante das Forças Conjuntas); o primeiro livro escrito por um membro da família real saudita.


Desert Warrior é um relato interessante do universo saudita. Logo de cara percebemos que a visão do príncipe Khalid sobre o que é um "Guerreiro" é bem diferente da visão ocidental: ele se vangloria da sua ilusória importância na Coalizão, de vestir um uniforme militar e viajar dentro de uma Mercedes com ar condicionado, como um playboy, sendo acompanhado por uma equipe de filmagem para auto-promoção enquanto suas tropas suavam em trincheiras no deserto. O Príncipe também fala orgulhosamente sobre a importância de ter nascido na família Saud e dos méritos do nepotismo saudita na escolha de membros da família real para posições importantes independente do mérito profissional. Khalid jamais visitou as linhas de frente, pois ele era "importante demais para se arriscar". 

Ele também tenta pintar uma paridade de importância decisória com Schwarzkopf, com quem teve uma relação tempestuosa, e qualifica a contribuição saudita como "massiva". Em uma das muitas gritarias entre ele e "Storming Norman", o general americano gritou "Devo tratá-lo como general ou como príncipe?", "Ambos!" respondeu Khalid no mesmo tom. Orgulhoso e egocêntrico, o príncipe-general evitou todo tipo de demonstração de subordinação aos americanos, assegurando, por exemplo, que ele sempre tivesse o mesmo número de guarda-costas que Schwarzkopf.

Avibras ASTROS-II SS-30 do Exército Saudito em demonstração durante a Operação Escudo no Deserto, 1990.

Khaled tem muito a dizer sobre a natureza da coalizão contra Saddam Hussein e as peculiaridades de vários contingentes (por exemplo, a atitude de superioridade das tropas francesas) e reclama que o acordo de paz era fraco, sem um documento formal de rendição "que [...] poderia ter ajudado a remover Saddam". A narrativa de um garoto mimado de humor sardônico dá uma visão inédita sobre o universo real saudita. 

Após a guerra, Khalid foi promovido a Marechal-de-Campo pelo Rei Fahd, seu tio, e foi para a reserva em 1991 - dedicando-se a negócios pessoais. Apenas quatro anos depois, o Rei Fahd sofreu um derrame, deixando seu meio-irmão Adbullah como o governante de fato; com sua idade avançada (70 anos) a questão da sucessão real em uma monarquia de 5 mil príncipes afetou a eterna briga por trás das cortinas na corte saudita. De um lado, Abdullah comandando a prestigiosa Guarda Nacional, cuja missão é defender a Casa Real como uma guarda pretoriana e recrutada majoritariamente nas leais tribos beduínas. Do outro, Sultan bin Abdulaziz, Ministro da Defesa, comandando o exército, majoritariamente composto por homens de origem urbana. Sultan reconvocou Khalid, seu filho, para a função de Vice-Ministro da Defesa, em janeiro de 2001, de modo a garantir que as forças armadas permanecessem do lado da família do príncipe Sultan.

Khalid bin Sultan é filho do ex-Ministro da Defesa saudita príncipe Sultan bin Abdulaziz Al Saud, ambos da família real saudita.

Em 2007, os sauditas compraram o míssil de alcance médio Dong-Feng 21 (DF-21) secretamente da China vermelha. O DF-21 foi projetado para carregar armas nucleares, sendo impreciso como arma convencional (o que tornou os DF-3 sauditas inúteis contra os Scuds iraquianos em 1991). Em abril de 2013, Khalid visitou a China novamente e encontrou com o Presidente Xi Jinping e o Ministro da Defesa Chang Wanquan. A aquisição dos mísseis DF-21 só veio a público em janeiro de 2014, por meio de uma matéria da Newsweek dizendo que a CIA aprovou a compra contanto que os mísseis fossem modificados para não serem capazes de carregar cargas nucleares. Em setembro de 2014, Riad anunciou a compra de mísseis balísticos DF-21A chineses (chamados CSS-5 pela OTAN) para a defesa de Meca e Medina contra o Irã.

Em novembro de 2009, Khalid bin Sultan liderou uma intervenção militar saudita no Iêmen, depois que uma patrulha de fronteira saudita foi emboscada por rebeldes houthis, do lado saudita da fronteira, em 3 de novembro, com a morte de 1 soldado e ferindo outros 11 - com um segundo soldado morrendo depois. Os sauditas responderam com ataques aéreos ao território iemenita e mobilização de tropas na fronteira.

Em 8 de novembro, a Arábia Saudita confirmou que havia entrado na briga, alegando ter "recuperado o controle" da montanha Jabal al-Dukhan dos rebeldes. Por volta dessa época, comandos jordanianos, que haviam chegado aos campos sauditas alguns dias antes, apoiaram as forças sauditas nos esforços para tomar a montanha Al-Dukhan; com baixas em ambos os lados. A Arábia Saudita formou uma coalizão árabe e ocupou o Iêmen com quase 200 mil homens, além de um forte contingente dos Emirados Árabes Unidos a partir de 2015.

Tropas sauditas no Iêmen, 2016.

A campanha foi conduzida de forma desajeitada, trazendo fortes críticas a Khalid. O Rei Abdullah não ficou nada satisfeito com a sua liderança, quando as tropas sauditas se mostraram incapazes de rapidamente desalojarem os rebeldes houthis iemenitas de território saudita ocupado por eles no final de 2009. O Rei Abdullah expressou especificamente suas preocupações com a longa duração do conflito, grande número de baixas e incompetência saudita. 

Khalid era cotado para a sucessão de seu pai, falecido em 2011, como Ministro da Defesa. Mas dada sua ineficiência na operação no Iêmen, uma nova viagem à China com mais compras militares vultosas, e a decisão de firmar um acordo multi-bilionário de 84 Boeing F-15 que a Arábia Saudita comprou em 2010, fizeram com que Khalid fosse apontado como Vice-Ministro da Defesa em novembro de 2011. Seu mandato durou até 20 de abril de 2013, quando foi substituído por Fahd bin Abdullah, outro membro da família real. Tradicionalmente, a decisão de dispensa segue "com base em seu pedido", mas a ordem real emitida dispensando Khalid bin Sultan do cargo não incluía esta frase.

Bibliografia recomendada: