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segunda-feira, 29 de março de 2021

GALERIA: Caçadores da África reequipados

Guarda-bandeira do 5º esquadrão do 1er REC em um meia-lagarta M3 americano, outubro de 1943.

Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 29 de março de 2021.

Parada militar e manobra do reequipado 1er REC fotografado pelo ECPAD na floresta de La Mamora, no Marrocos, em outubro de 1943. O Tenente-Coronel Miquel, comandante do 1er REC, inspeciona o 5º esquadrão da unidade, que recentemente foi totalmente equipado com equipamentos americanos.

Em 15 de setembro de 1943 que o esquadrão de reconhecimento do 1er RCA (Régiment de Chasseurs d'Afrique) foi atribuído ao 1º Regimento Estrangeiro de Cavalaria (1er Régiment Étranger de Cavalerie, 1er REC) e assumiu o número 5, enquanto o regimento recebia seu novo equipamento americano.

O 5º esquadrão do 1er REC equipado com os novos canhões M1 de 57mm e tanques leves M3 Stuart, durante a revista da unidade recém-equipada.

Legionários do 5º esquadrão do 1er REC engancham seu canhão antitanque M1 de 57mm em um carro de patrulha M3 durante a manobra de demonstração.

A bandeira regimental é apresentada à unidade e depois ao esquadrão, recém equipado com canhões M1 57mm, tanques leves M3 Stuart, autometralhadoras M8 e obuseiros autopropulsados ​​M8 75mm, desfila, enquanto toca a música do regimento. O 1er REC agora forma o regimento de reconhecimento da 5ª Divisão Blindada (5e Division Blindée, 5e DB), cujo lema "France d'aborde" ("França primeiro") é visível nos vários materiais recém-coletados. O Tenente-Coronel Miquel explica uma manobra em um mapa espalhado no para-brisa de um jipe, na frente de oficiais reunidos ao seu redor.

A vitória na campanha da Tunísia em 13 de maio de 1943 permitiu a reorganização e reequipagem das forças francesas no Norte da África com material americano. Esse influxo de armas e veículos americanos transformou a Legião Estrangeira Francesa  pela primeira vez em uma força de combate moderna. A sua unidade principal foi o Regimento de Marcha da Legião Estrangeira (Régiment de Marche de la Legion Étrangère, RMLE), revivendo o título de 1915-18 na Primeira Guerra Mundial. O RMLE era formado por três batalhões de infantaria provenientes dos 2º, 3º, 4º e 6º regimentos estrangeiros de infantaria (Régiment Étranger d'Infanterie, REI) em Sidi-bel-Abbès, em julho de 1943. Essa unidade fora destinada a fornecer a infantaria blindada da nova 5e DB - organizada, equipada e treinada segundo o modelo americano de Comandos de Combate (Combat Commands): com grupos móveis de infantaria em meias-lagartas, tanques e artilharia. O 1er REC, com um esquadrão de comando e serviço, um esquadrão de tanques leves e quatro esquadrões de carros blindados, serviu como a unidade de reconhecimento da 5e DB, que desembarcou na Provença, no sul da França, em agosto de 1944. O 1er REC lutaria da França à Alemanha, participando da tomada de Stuttgart; terminando a guerra no Tirol austríaco. 

A veterana 13ª Meia-Brigada da Legião Estrangeira (13e Demi-Brigade de Légion Étrangère13e DBLE), que havia lutado de Narvik a Bir Hakeim e Túnis, também aproveitou o período para descanso, reequipagem e re-treinamento segundo o sistema americano. Houve, porém, suspeita e ressentimento mútuos entre os veteranos da "Treze" e as ex-unidades vichystas. A 13e DBLE seria incorporada à 1ª Divisão Francesa Livre (1re Division Française Libre, 1re DFL) e lutaria na Itália, Provença, Vosgues, Strasbourgo e terminaria a guerra em Turim, no norte da Itália (com o 1º Exército francês em contato com as tropas brasileiras).

O desfile dos carros blindados M8 americanos (chamados "automitrailleuses" pelos franceses) e obuseiros autopropulsados M8 do 1er REC.

Carros de combate leves M3 Stuart durante a manobra.

O Tenente-Coronel Miquel, comandante do 1er REC, explica a manobra diante de oficiais da unidade. Ao fundo, um obus autopropulsado M8 de 75mm.

O Tenente-Coronel Miquel, comandante do 1er REC, ao lado de um obus autopropulsado M8 75mm no qual podemos ler o lema "França primeiro" da 5ª Divisão Blindada, da qual o 1er REC forma o esquadrão de reconhecimento.

Banda de música do 1er REC.

Retrato de um "caporal-chef" da banda de música do 1er REC. O brevê "Tunisie" indica serviço na Campanha da Tunísia (1942-1943).

Suboficiais legionários posam com um jipe anfíbio.

Bibliografia recomendada:

French Foreign Legion 1914-45,
Martin Windrow e Mike Chappell.

Leitura recomendada:

quarta-feira, 24 de março de 2021

GALERIA: Atividades das tropas francesas na Tunísia

Um soldado do 2e GTM (2e Grupo de Tabors Marroquinos) dispara uma submetralhadora Thompson no Djébel Ousselat, na Tunísia, abril de 1943.

Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 24 de março de 2021.

As tropas francesas do 19º Corpo de exército são retratadas na frente tunisiana em abril de 1943 durante a Batalha do Maciço de Ousselat (Djebel Ousselat, localizado a noroeste de Kairouan) durante a campanha da Tunísia. Também conhecida como ataque de Fondouk, a batalha opõe o 1º Exército Italiano, apoiado por elementos panzer alemães, ao 19º Corpo de Exército francês em conexão com a 34ª Divisão de Infantaria "Touro Vermelho" americana e o 9º Corpo de Exército britânico, e faz parte das operações realizadas para retomar a crista oriental da cordilheira.

Atividade na linha de frente no  período também envolveram:

- um regimento de caçadores africanos equipados com tanques Renault D1 avançando em direção a Pichon;

- elementos do 411e RAAA (411e Régiment d’artillerie antiaérienne/ 411º Regimento de Artilharia Antiaérea), que lutando como parte da DMC (Division de marche de Constantine/ Divisão de Temporária de Constantine), equipado com um canhão de 75mm CA modelo 1932 em alerta no setor de Robaa;

- soldados do 67e RAA (67e Régiment d’artillerie d’Afrique/ 67º Regimento de Artilharia da África), parte da DMC, armados com canhões de montanha modelo 1906 de 65mm e ocupando posições no setor de Ousseltia;

- do 2e GTM (2e Groupe de tabors marocains/ 2º Grupo de tabors marroquinos), que lutou no seio do DMM (Division de marche du MarocDivisão de Marcha do Marrocos), com veículos que tomaram do inimigo no setor de Siliana e depois partindo ao ataque no setor de Ousseltia;

homens do 1º batalhão do 19e RG (19e Régiment du génie/ 19º Regimento de Engenharia), pertencentes ao DMC, que participam numa operação de neutralização de minas anti-pessoais.

Artilheiros do 67e RA (regimento de artilharia) com uma mula montada com um canhão de montanha 65mm modelo 1906 no setor de Ousseltia.

Operação de detecção de minas por sapadores do 19º Regimento de Engenharia.

O relatório também menciona o posto de comando do General Koeltz, comandante do 19º Corpo do Exército francês, instalado em um trailer provavelmente em Djerissa, o posto de comando Kellermann instalado em tendas, um campo de prisioneiros em Maktar onde estão internados soldados alemães e italianos do corpo expedicionário da África, um avião alemão abatido perto de Maktar e os túmulos de soldados alemães e aliados em Pichon.

Distribuição de sopa aos prisioneiros italianos no campo de Maktar.

O túmulo de um soldado alemão no cemitério de Pichon.

Vista geral do cemitério de Pichon.

O túmulo de um soldado francês morto por uma mina no cemitério de Pichon; um capacete francês é colocado sobre a cruz.

Bibliografia recomendada:


Leitura recomendada:

FOTO: Goumiers com um carro italiano capturado

Soldados marroquinos do Exército Francês posando com um Fiat 508 CM italiano capturado, identificado como a viatura de um oficial pela placa sendo apontada por um goumier, na Tunísia, abril de 1943.

Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 24 de março de 2021.

Durante a batalha do Massiço do Djébel Ousselat (também Ousselet), de março a abril de 1943, soldados goumiers de Tabors marroquinos combatendo como parte da Divisão de Marche do Marrocos (Division de Marche du Maroc) foram uma parte essencial do esforço aliado, especialmente por conta da sua capacidade de combate em montanha. Os goumiers atingiriam o ápice da excelência na campanha da Itália no setor de Monte Cassino, em 1944.

Essa competência militar seria também acompanhada de estupros em massa e massacres terríveis na região de Esperia.

O termo Goum designava uma companhia de Goumiers. Origina-se do árabe-magrebino gūm e do árabe clássico qawm, designando “tribo” ou “povo”. O termo também se refere a contingentes montados de cavaleiros árabes ou bérberes empregados por líderes tribais durante as campanhas no norte da África. O termo tabor é originalmente uma designação turca de tabur fazendo referência a um batalhão ou pelo árabe intermediário ṭābūr, também originalmente uma designação turca.

A palavra originou-se da palavra árabe magrebina Koum (قوم), que significa "povo". A designação não específica "Goumi" (versão francesa "Goumier") foi usada para contornar as distinções tribais e permitir que voluntários de diferentes regiões servissem juntos em unidades mistas por uma causa "comum". Os goumiers foram recrutados das tribos bérberes da Cordilheira do Atlas, no Marrocos.

Na terminologia militar francesa, um goum era uma unidade de 200 auxiliares. Três ou quatro goums formavam um tabor. Um dispositivo  ou grupo era composto de três tabores. Um goum, neste caso, era o equivalente a uma companhia em unidades militares regulares e um tabor, portanto, seria equivalente a um batalhão. Um tabor era a maior unidade goumier permanente.

Entre 1942 e 1945, quatro Grupamentos de Tabors Marroquinos (Groupements de Tabors MarocainsGTM) foram criados, cada um compreendendo 3 Tabors (batalhão) com 3 a 4 goums (companhias). Goumiers serviram então na Indochina de 1946 a 1954. O 2º Grupamento de Tabors Marroquinos (2e groupement de tabors marocains, 2e GTM) foi uma das seis unidades mais condecoradas do Exército Francês na Segunda Guerra Mundial.

Vídeo recomendado:


Bibliografia recomendada:


Leitura recomendada:

FOTO: Paraquedistas do SAS francês na Tunísia, 20 de março de 2021.

FOTO: Somua S 35 na Tunísia26 de março de 2020.

FOTO: O Tigre na Tunísia5 de julho de 2020.

FOTO: Prisioneiros alemães na Itália26 de março de 2020.

FOTO: Comandos anfíbios à moda antiga, 21 de setembro de 2020.

GALERIA: Fortes da Legião Estrangeira Francesa1º de março de 2021.

Lições da campanha do Marechal Leclerc no Saara 1940-4314 de fevereiro de 2021.

Entre Tradição e Evolução: Caçadores Alpinos usando mulas no combate de montanha no século XXI27 de outubro de 2020.

LIVRO: Um Exército no Alvorecer, 2 de julho de 2020.

segunda-feira, 1 de março de 2021

GALERIA: Fortes da Legião Estrangeira Francesa

Por Richard Jeynes, World Archaeology, 21 de setembro de 2012.

Tradução Filipe do A. Monteiro, 19 de novembro de 2019.

Contos da Legião Estrangeira Francesa nos desertos do norte da África despertaram a imaginação de muitos garotos de escola aventureiros. Richard Jeynes era um deles. Agora, como arqueólogo (adulto), sua investigação de um forte abandonado do império colonial francês está dando vida a essas histórias.

O remoto posto avançado do deserto de Fort Zinderneuf, do romance Beau Geste de 1925, de P. C. Wren, guarnecido por legionários rudes e desesperados, e cercado por tribais montados em camelos, inspirou vários filmes de Hollywood e uma série de livros de um gênero semelhante.

A equipe do projeto, 2012.

Embora as alegações de Wren de terem servido na Legião Estrangeira Francesa sejam praticamente sem fundamento, os pequenos detalhes da vida na Legião são razoavelmente precisos. A Legião Estrangeira Francesa foi usada em campanhas no norte da África. Eles construíram fortes isolados que se tornaram o foco de ações militares muito além da imaginação de escritores, e postos avançados eram frequentemente defendidos até o último homem durante o início do século XX. Nossas investigações nos levaram a dois desses locais, no sudeste do Marrocos, perto da fronteira com a Argélia: um grande forte em Tazzougerte e uma fortaleza em Boudenib.

O blocausse

Plano do blocausse, diagramas da Revista de Engenharia francesa, fevereiro de 1909.

Os restos do blocausse (bastião) permanecem claramente visíveis do forte. Mantendo uma posição-chave, cobrindo as abordagens ao sul de Boudenib, foi construído em antecipação a um ataque ao forte, ocorrido na noite de 1º de setembro de 1909. Os 40 defensores seguraram cerca de 400 atacantes por quase dois dias antes de finalmente conseguirem repeli-los. Mas foi uma luta desesperada - quase o equivalente da Legião à Rorke's Drift. Pouco resta agora do blocausse. Mas e as evidências arqueológicas?

Embora haja poucos restos do blocausse hoje, fotografias contemporâneas e desenhos detalhados fornecem uma imagem clara de como era a estrutura em 1909.

O projeto foi limitado pelo espaço disponível no cume da gara. O prédio de dois andares era ladeado a leste e oeste por cercas muradas que davam espaço para posições de artilharia - duas a oeste e uma a leste - aumentando assim o poder de fogo disponível.

Restos do blocausse.

Seções do muro ocidental são claramente definidas, mas ficam a uma altura muito reduzida. Uma pequena sala com brechas sobrevive intacta no extremo sul da parede oeste - essas brechas podem ser vistas nas fotografias antigas; e o que parece ser uma chaminé sobrevive no extremo norte - também visível nas fotografias contemporâneas.

A leste das muralhas sobreviventes, vestígios das paredes baixas dos recintos exteriores podem ser encontrados em alguns lugares, mas é claro que grande parte do edifício foi desmontada. Os locais dos posicionamentos dos canhões foram localizados e pretendemos continuar nossa pesquisa em uma estação futura.

Curiosamente, uma sala no canto sudoeste do edifício não é mostrada no plano de 1909 para o blocausse, sugerindo que aqueles que construíram o forte se desviaram do projeto original durante a construção.

Caminhada ao redor do blocausse.

Estudantes de Worcester.

Cicatrizes de batalha

Sabemos por evidências documentais que o forte foi atacado pelo sul - e por boas razões: os lados da colina ao norte e leste são muito íngremes, com uma visão clara do principal reduto de Boudenib, enquanto ao sul há um pequeno platô a cerca de 100m do cume da colina, logo abaixo do canto sudoeste do blocausse.

Aproximação pelo sul.

Foram encontrados estilhaços aqui em quantidades significativas, confirmando o uso de artilharia defensiva, e o uso do platô como uma possível posição de reunião e tiro pelos marroquinos que assaltaram o cume. Imagens contemporâneas mostram arame farpado amarrado em estacas de metal para rastrear o local, uma prática defensiva padrão, e nossa pesquisa localizou uma estaca de metal no lado sul do prédio. As falésias dos lados norte e leste formavam uma defesa natural, por isso o arame farpado era desnecessário aqui.

As aproximações íngremes de todas as direções proporcionavam pouca cobertura aos atacantes, tanto para se esconder quanto para garantir posições eficazes de tiro. No entanto, também foi difícil para os defensores atirarem em alvos ladeira abaixo em um ângulo tão agudo, o que pode explicar como os atacantes conseguiram chegar tão perto dos muros - e até quebrá-los. Os legionários retaliaram lançando cargas explosivas diretamente em seus atacantes logo do lado de fora dos muros.

Encontrando sombra em Boudenib, com o blocausse ao fundo.

Embora saibamos, pelos registros contemporâneos, que o ataque ao blocausse foi intenso, as evidências de combate na forma de balas, cartuchos, balas de mosquete e estilhaços de artilharia foram decepcionantes. O local permaneceu em uso por muitos anos após o ataque, e muitas das evidências teriam sido removidas após o ataque. No entanto, pretendemos realizar pesquisas mais extensas na área mais ampla no futuro, o que, esperamos, revelará mais evidências dessa noite fatídica.

Forte Tazzougerte

Interior do forte.

Construído em 1926 pela Legião Estrangeira Francesa, o forte de Tazzougerte fica em um planalto no extremo sul do vale do rio Oued Guir, a 6km ao sul da vila de Tazzougert e a 24km a oeste de Boudenib, que naquela época, tornou-se uma importante base militar francesa.

O deserto do Saara é um ambiente desafiador, tanto para a Legião Estrangeira Francesa do início do século XX quanto para os arqueólogos de hoje. No entanto, é graças ao clima seco e à localização remota que a estrutura do forte está em uma condição relativamente completa. As pesquisas de campo por caminhada e de construção produziram evidências claras da vida da guarnição, incluindo latas de ração, botões de túnica e fivelas de cinto, enquanto estojos de cartuchos usados, balas e fragmentos de granada eram lembranças sombrias da atividade militar do forte. A maioria das descobertas estava localizada nos dois lados do forte, que podiam ser facilmente alcançados a pé.

As paredes externas e a torre ainda estão de pé, enquanto os restos dos prédios internos são claramente visíveis, faltando apenas os telhados. A oeste do local, há um pequeno oásis nas margens do rio; ao sul está o deserto aberto da Hammada de Guir que continua, ininterruptamente, em direção a uma fronteira indefinida com a Argélia.

Pesquisa no solo com detector de metais.

Procurando cartuchos de munição.

Marrocos Francês

Torre de vigia.

A expansão colonial pelas principais potências européias deixou o Marrocos praticamente intocado ao longo do século XIX, embora a Grã-Bretanha, a França, a Alemanha e a Espanha tivessem interesses financeiros no país. No entanto, os franceses, procurando igualar a influência colonial britânica em outras partes da África, começaram a se estabelecer no norte da África e se mudaram para o oeste, no Marrocos, como uma extensão natural desse programa. Em 1907, sob o pretexto de proteger seus cidadãos após tumultos e distúrbios locais, a França enviou forças para Oujda e Casablanca. Após novas revoltas, a França e o sultão marroquino Abdel Hafid assinaram o Tratado de Fez em 1912, que estabeleceu o Marrocos como "protetorado" francês. Como tal, o sultão permaneceu no seu posto, mas não governou, efetivamente colocando o Marrocos sob o controle francês. O país não recuperaria a independência até 1956.

Na década de 1920, a conquista e a pacificação francesas do Marrocos foram amplamente possibilitadas pelos esforços e atividades anteriores da Legião Estrangeira Francesa. Sob o comando do Marechal Lyautey, o papel da Legião era construir e guarnecer fortes que ligavam áreas estratégicas, e reprimir rebeliões onde quer que elas eclodissem. Foi uma tarefa formidável: o Marrocos é um país de terreno desafiador, com altas cadeias de montanhas, planícies ensolaradas e florestas densas e desertas habitadas por tribos ferozmente independentes que envolveram os franceses em alguns dos combates mais exigentes que já haviam enfrentado.

Após a independência, os fortes e postos avançados da Legião - vistos como símbolos da conquista colonial - foram abandonados. Muitos foram destruídos pelos franceses quando foram abandonados. Alguns continuaram em uso como delegacias da polícia e do exército marroquinos, outros passaram a ser usados como prédios agrícolas e muitos foram usados como pedreiras pelos construtores de vilarejos e cidades em expansão. Alguns, nas áreas mais inacessíveis, foram simplesmente esquecidos. A situação foi prevista com uma precisão extraordinária pelo famoso oficial da Legião, o Major Zinovi Pechkoff, que escreveu:

"Depois de alguns anos, iremos mais longe. Mas esses postos avançados permanecerão na retaguarda. Eles serão desmontados. Eles servirão de abrigo para as caravanas que passam. Ao redor deles, mercados serão estabelecidos e as pessoas esquecerão que houve um tempo em que as torres carregavam armas.”

Por que os fortes foram construídos?


Os problemas enfrentados pelos franceses durante a ocupação do Marrocos eram imensos: clima, terreno e uma população ferozmente independente estavam todos contra eles.

As montanhas altas, densamente arborizadas no norte, eram difíceis de penetrar, exceto por passagens estreitas e íngremes, que se tornaram armadilhas mortais para muitas colunas francesas emboscadas que passavam por elas. A água preciosa era escassa e os oásis muito disputados.

Jez Dix com camelos - e um meio mais moderno de transporte no deserto.

Os franceses, portanto, estabeleceram uma rede de grandes bases de guarnição em locais como Fez, Meknès e Marraquexe, a partir das quais unidades foram desdobradas para dominar o terreno circundante e permitir movimento seguro para forças militares e colunas de suprimento. O papel secundário delas era "mostrar a bandeira", reforçando o controle francês sobre a população local.

O Major Pechkoff descreveu este papel desta maneira:

“As tribos da montanha acreditavam no direito e no poder dos mais fortes e uma demonstração de armas tinha que ser mostrada a eles.”

A vida de um Legionário

Sem artilharia ou métodos eficazes para forçar a entrada nos fortes, as guarnições teriam se sentido relativamente seguras contra ataques, seu maior perigo sendo o cerco prolongado e a diminuição gradual do suprimento de água. No entanto, evidências literárias sugerem que ataques diretos e infiltração nos fortes eram uma ameaça muito real:

"Eu pulei de pé ao ouvir os oficiais subalternos gritando “Aux armes! Aux armes! Prenez la garde, légionnaires.” [Às armas! Às armas! Assumam a guarda, legionários!] Então ouvi um grito de gelar o sangue e soube que as sentinelas haviam sido baleadas... Eu podia ver uma onda crescente de rostos negros enquanto os árabes escalavam o muro e os bastiões." (Ex-Legionário 75464, 1938)

Aproximação da entrada principal.

"Muitas vezes, eles (os bérberes) vêm e ficam quietos nas proximidades do posto, esperando conseguir algo ao amanhecer, se não à noite. Uma sentinela fica sonolenta depois de uma hora em observação. Então o 'brigand' que está assistindo lança uma corda e houve ocasiões em que homens foram puxados do bastião com suas armas, às vezes mortos, às vezes não, mas sempre roubados de tudo o que tinham." (Oficial da Legião Major Zinovi Pechkoff, 1926)

Os legionários em serviço de sentinela eram obrigados a ter seu fuzil preso ao corpo com um comprimento de corrente, para evitar tais roubos.

Enquanto a munição, a comida e a água durassem, um forte poderia sobreviver por um longo período de tempo e até reforços chegarem. Embora isolados, eles tinham comunicações efetivas que poderiam ser usadas para pedir assistência, do telefone e do rádio à heliografia mais primitiva, pombo-correio e chamadas de corneta. Após a Primeira Guerra Mundial, vôos regulares de aeronaves da Força Aérea Francesa forneceram cobertura adicional.

"O reconhecimento da aviação havia tirado fotografias dessa região e pudemos ver delas que as trincheiras haviam sido escavadas pelos rifenhos na montanha." (Z Pechkoff, 1926)

Ele também registrou o uso de aeronaves para ajudar no alívio de um forte sitiado:

"Eles não tinham comida e principalmente água. Aviões haviam sido enviados para fornecer água jogando blocos de gelo... A área do posto avançado é pequena e os aviões, voando alto e rapidamente, tiveram dificuldade em lançar o gelo no posto."

Interior do forte.

Combate à insurreição

A revolta nas montanhas do Rif, liderada por um líder inteligente e inspirador chamado Abd-el-Krim, viu alguns dos ataques mais dramáticos em fortes isolados. Em 1925, inspirado por seu sucesso contra os espanhóis no norte do Marrocos, ele voltou sua atenção para os franceses.

A Legião sofreu várias derrotas nas mãos dos membros da tribo de Abd-el-Krim. Aqueles fortes que foram perdidos, foram despidos de armas e ítens de valor, e demolidos para impedir que caíssem nas mãos do inimigo: o oficial comandante de um posto avançado, que agüentou quase oito semanas, explodiu o posto, matando a si mesmo e a seus homens restantes, em vez de deixá-lo caírem nas mãos do inimigo.

Tais medidas desesperadas revelam quão grande a ameaça se tornou - por que tão poucos fortes permanecem hoje.

Richard Jeynes, arqueologista e fundador da Trailquest.

Bibliografia recomendada:

Our Friends Beneath the Sands:
The Foreign Legion in France's Colonial Conquestes 1870-1935.
Martin Windrow.

Leitura recomendada:

terça-feira, 8 de dezembro de 2020

Saara Marroquino: a defesa da zona tampão de Guergarate

 

Do Jean-Yves de Cara, Theatrum Belli, 15 de novembro de 2020.

Tradução Filipe do A. Monteiro, 8 de dezembro de 2020.

[Nota: As opiniões expressas nesse artigo pertencem ao seu autor e não representam, necessariamente, àquelas do blog Warfare.]

No dia 13 de novembro, diante das graves e inaceitáveis ​​provocações a que as milícias “Polisário” se engajaram na zona tampão de Guergarate no Saara marroquino, “o Marrocos decidiu agir, respeitando suas atribuições, em virtude de seus deveres e no pleno respeito à legalidade internacional”, anunciou o Ministério dos Negócios Estrangeiros, da Cooperação e dos Marroquinos residentes no estrangeiro (Ministère des Affaires étrangères, de la Coopération et des Marocains résidant à l’étranger). As Forças Armadas Reais (Forces armées royalesFAR) estabeleceram um cordão de segurança para garantir o fluxo de mercadorias e pessoas através da zona tampão de Guerguerate que liga o Marrocos à Mauritânia. Esta medida decorre, em particular, do bloqueio do trânsito rodoviário por um grupo de pessoas formadas por milicianos armados da Polisário.

Militantes da Frente Polisário na Argélia. Ao lado, o selo da Frente Polisário.

Esse incidente não é nada novo. Em várias ocasiões, os rebeldes da Polisário, com o apoio da Argélia, tentaram ataques violentos, limitaram as ocupações ou paralisaram o tráfego internacional na área. A travessia do Saara pelo rally anual de automóveis Africa Eco Race já havia gerado especulações sobre as tentativas de bloqueio em 2019 e, de vez em quando, a Polisário alega a perseguição de garimpeiros ilegais ou traficantes de drogas para tentar penetrar na zona.

Zonas tampão sempre existiram. Instituídas pelo Concerto Europeu (Holanda, Escandinávia, Suíça), criadas por potências rivais (Espanha e Reino Unido em Gibraltar), estabelecidas pelas conferências de paz durante o Tratado de Versalhes (Renânia) e pela conferência de Genebra sobre o Vietnã, elas assumem a forma de uma zona desmilitarizada definida pelas partes (trégua de Tangku entre Japão e China em 1933, armistício de Panmunjom na Coréia em 1953), uma zona neutra , uma zona de segurança, uma zona protegida ou uma terra de ninguém (Faixa de Gaza). Com o objetivo de separar as partes de um conflito, a zona tampão é geralmente controlada por uma força de manutenção da paz, muitas vezes sob a responsabilidade da ONU, às vezes da OTAN, entre a Sérvia e Kosovo. Internas a um estado, podem resultar de uma ocupação (linha verde em Chipre), de um conflito interno (zona de distensão na Colômbia no âmbito das negociações com as FARC) ou mesmo de uma tentativa de secessão tal como a zona tampão que separa a Moldávia da auto-proclamada República da Transnístria.

Soldados sul e norte-coreanos se encarando na Zona Desmilitarizada no paralelo 38.

Para o jurista, elas levantam dois tipos de questões que dizem respeito às regras que regem a criação da zona tampão e às aplicáveis ​​dentro da zona tampão.

Como uma ferramenta de gestão de conflitos, essas zonas são frequentemente impostas como parte de um acordo de paz internacional. Elas tendem a resolver ou atenuar tensões políticas, militares e humanitárias complexas, que muitas vezes são duradouras. Elas podem então ser determinados de uma maneira convencional ou por uma instituição internacional para congelar um conflito de fronteira e as forças de segurança nacional das partes são excluídas. Poderes de intervenção também podem procurar impor tal solução para separar as partes ou isolar grupos incontroláveis, mas isso pressupõe o acordo dos Estados interessados.

A Zona Tampão de Guergarate

Finalmente, a zona tampão também pode consistir em um glacis criado por um Estado ao longo de suas fronteiras com o objetivo de proteger seu território contra incursões de tropas estrangeiras, grupos armados pagos por um Estado estrangeiro ou atividades de grupos rebeldes ou terroristas. É o caso da área de Guerguerate no Saara marroquino.

Para proteger o seu território, o Reino do Marrocos construiu um muro de areia, recuado da fronteira e estabeleceu voluntariamente uma zona tampão que recebeu a aprovação das Nações Unidas. Assim, o Marrocos participa tanto na gestão internacional da situação, como protege o seu território e as populações locais.

Guerrilheiras da Frente Polisário.

Nessas circunstâncias, a criação de uma zona tampão implica assegurar que a lei seja respeitada para os civis que nela residem ou que passam pela zona. Igualmente importante é garantir a segurança e a natureza neutra e desmilitarizada da zona tampão.

Sem dúvida, o direito internacional se aplica nesses espaços, em particular o direito humanitário no caso de uso de força armada, mas não resolve tudo. Não obstante, nestas áreas, por hipótese pacíficas, podem surgir questões jurídicas relacionadas com o direito civil, a propriedade, o tráfego, o direito penal e, em geral, a ordem pública. Na ausência de uma administração internacional, a prática reconhece uma certa competência no Estado cuja soberania territorial é afetada pelo estabelecimento de uma zona tampão.

Além disso, a manutenção da segurança ou, simplesmente, da tranquilidade pública na área pode justificar uma ação limitada para restaurar a ordem. A urgência, ausência ou fraqueza das forças internacionais permite ao exército ou à polícia nacional intervir para conter uma guerra de guerrilha ou restaurar a ordem. Assim, em 2000, a entrada do exército iugoslavo na zona tampão que separa a Sérvia do Kosovo para pôr fim às infiltrações da guerrilha albanesa.

Necessidade e proporcionalidade

Por analogia com a legítima defesa, a intervenção do poder territorial em causa na zona tampão está sujeita a duas condições: necessidade e proporcionalidade.

A necessidade é a base da competência do Estado para agir. Trata-se de um desmembramento da jurisdição territorial originária que o Estado exercia sobre a área que hoje constitui a zona tampão. As províncias do sul foram, desde tempos imemoriais, território do Império Xarifiano e depois do Reino do Marrocos; este último incluiu a questão do Saara, então ocupado pela Espanha, na agenda das Nações Unidas em 1963. Diante das atividades da Polisário, criada e utilizada pela Argélia desde 1973, o Marrocos, num espírito de consulta e para a manutenção da paz no seu território, criou a zona tampão sobre a qual, em consequência, renunciou temporariamente ao exercício da sua jurisdição territorial. Agora, sobre a zona tampão, essa competência é subsidiária e temporária.

Pacificadores da MINURSO no Saara Ocidental.

Neste caso, através da intervenção das FAR, o Marrocos exerceu uma jurisdição substituta para manter o caráter neutro e pacífico da zona sob o controle da MINURSO (Mission des Nations Unies pour l'Organisation d'un Référendum au Sahara Occidental) e para garantir a circulação num eixo de comunicação internacional. Não se tratava de fazer face a um risco ou de prevenir um ataque, mas de fazer face a uma situação presente e atual, na sequência de várias comunicações dirigidas, durante anos, pelas FAR à MINURSO, nas quais as forças marroquinas se incomodaram com a presença de civis e militares, com as incursões e provocações da Polisário [1]. No entanto, “devido à ausência de jurisdição”, nota o Secretário-Geral da ONU, “esta zona tampão entre os pontos de passagem marroquino e mauritano continuou a representar um certo risco para os observadores militares da MINURSO. , devido à falta de jurisdição na área, o que impede garantir a segurança da Missão”. [2]

[1] S/2020/938, Relatório do Secretário-Geral, 23 de setembro de 2020, pontos 29-31.

[2] Ibidem, ponto 46.

Soldados marroquinos e observadores internacionais no Saara Ocidental.

A intervenção das FAR ficou, portanto, limitada no seu objetivo, satisfazendo assim a condição da proporcionalidade. Por outro lado, o autor dos fatos que condicionaram a ação defensiva, a Polisário, é culpada. A defesa da zona tampão não implica exclusivamente agressão. Os "fatos-condições" que podem ser atribuídos a um ator não-estatal podem ser constituídos por atos limitados ou provocações, incursões, notadas no presente caso pela MINURSO e relatadas pelo Secretário-Geral.

Cabe, portanto, à Polisário acabar com as provocações e violações do direito internacional e dos direitos humanos na região, respeitar o estatuto da zona, "cooperar plenamente com a MINURSO, inclusive no que diz respeito à sua liberdade de interagir com todos os seus interlocutores e de tomar as medidas necessárias para garantir a segurança, bem como a plena liberdade de movimento” [3]. Compete ao Estado que inspirou a criação do movimento que é seu instrumento, a Argélia, retomar as negociações sob os auspícios da ONU, "sem pré-requisitos e de boa fé" [4] para pôr fim ao conflito artificial que criou e permitir ao Marrocos recuperar totalmente a sua integridade territorial.

[3] S/RES/2548 (2020) Resolução do Conselho de Segurança de 30 de outubro de 2020.

[4] S/RES/2494 (2019), resolução de 30 de outubro de 2019.

O Professor Jean-Yves de Cara é Presidente do Conselho Científico do Observatório de Estudos Geopolíticos (conseil scientifique de l’Observatoire d’études géopolitiques).

Leitura recomendada:

Capacetes Azuis Marroquinos: valores e compromissos1º de julho de 2020.

GALERIA: Com os Tirailleurs Marroquinos na Operação Aspic na região de Phu My, 14 de outubro de 2020.

quarta-feira, 14 de outubro de 2020

GALERIA: Com os Tirailleurs Marroquinos na Operação Aspic na região de Phu My

Na região de Phu My, atiradores de elite da 2/1er RTM exibem uma bandeira Viêt-Minh encontrada durante a Operação "Aspic" realizada contra o Tieu Doan 300 e a Cong An ("segurança" Viêt-Minh) de Voung Tan.

Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 14 de outubro de 2020.

Operação Aspic (Áspide, víbora-áspide) com o 2/1er RTM e o 22e RIC  na região de Phu My, julha-agosto de 1951, na Cochinchina (sul do Vietnã).

A operação visava reduzir os depósitos de segurança de Voung Tan (Cabo Saint-Jacques) e os acantonamentos do TD 300 (Tiêû Doàn, batalhão Viêt-Minh) localizados ao longo da RC 15 (Route Coloniale 15/ Estrada Colonial 15). Fotos de Coutard Raoul para o ECPAD, focando exclusivamente nos tirailleurs (atiradores).

O TD 300 estava operando com elementos da temida Cong An, a "segurança" Viêt-Minh, era a formação responsável pela repressão política do Estado-subterrâneo Viêt-Minh, encarregada do aprisionamento e assassinato de potenciais adversários do futuro regime. A varredura francesa encontrou e libertou tais adversários políticos nas famosas "cages à tigres" (jaulas de tigre) do Viêt-Minh.

Dois destacamentos do 22º RIC (Régiment d’Infanterie Coloniale/ Regimento de Infantaria Colonial) e o comando Long Thanh chegaram ao local por terra; o 2/1er RTM (2e Bataillon de Marche du 1er Régiment de Tirailleurs Marocains/ 2º Batalhão de Marcha do 1º Regimento de Tirailleurs Marroquinos) foi trazido pela Marinha anfíbia.

Destruição por fogo da infraestrutura deserta do Tieu Doan 300 do Viêt-minh por tirailleurs marroquinos do 2/1er RTM.

Um tirailleur (atirador) do 2/1er RTM armado com uma carabina US M1 durante a Operação "Aspic".

Um sargento do 2/1er RTM aguarda ordem para retomar a progressão. Este quadro está armado com uma submetralhadora MAT 49 e equipado com um porta-carregador de lona, de confecção local.

O atirador de um fuzil-metralhador Châtellerault 24/29 e um dos seus companheiros do 2/1er RTM em Voung Tan.

Na região de Phu My, o capitão-médico do 2/1er RTM cuida de um "Tu Vé" (guerrilheiro Viêt-Minh) feito prisioneiro durante a Operação "Aspic", Voung Tan.

Soldados do 2/1er RTM preparam café no bivaque.

Soldados de 2/1er RTM colocaram um morteiro 60mm em bateria em direção a um destacamento Viêt-Minh, tentando desacelerar sua ação contra Voung Tan.

Padiola carregada por soldados do 2/1er RTM com um prisioneiro da temida Cong An, a "segurança" Viêt-Minh, em Voung Tan, durante a Operação "Aspic". Esta formação é responsável por aprisionar ou assassinar potenciais adversários do futuro regime. Vários presos políticos também foram libertados das "jaulas de tigre" pelos atiradores de elite durante esta operação.

Bibliografia recomendada:

Street Without Joy:
The French Debacle in Indochina.
Bernard B. Fall.

Leitura recomendada: