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terça-feira, 10 de maio de 2022

FOTO: Soldado soviético da Guarda de Fronteira da KGB

Soldado soviético V. Krapalov, 1981.

Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 10 de maio de 2022.

Retrato do guarda de fronteira soviético V. Kapralov, enquanto ele participa da recepção no Comitê Central do Komsomol e do departamento político das tropas da KGB em homenagem ao Dia da Guarda de Fronteira, 1981.

Todos os países soviéticos necessitavam de uma guarda de fronteira, e sua principal função era impedir que cidadãos dos países comunistas fugissem para o ocidente capitalista.

Marcha da Guarda de Fronteira Soviética


Leitura recomendada:

quinta-feira, 5 de maio de 2022

DOCUMENTÁRIO: A história do Exército Vermelho soviético


Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 5 de maio de 2022.

Documentário em duas partes sobre a história do Exército Vermelho soviético pelo canal alemão Deutsche Welle ("Onda Alemã"), de suas origens brutais na Guerra Civil Russa ao caldeirão da Grande Guerra Patriótica. Criado em 1918, com o nome de Exército Vermelho dos Operários e Camponeses (RKKA), o Exército Vermelho soviético lutaria contra os brancos contra-revolucionários e esmagaria as revoltas camponesas de forma brutal - especialmente a de Tambov. O momento de catarse deste exército do socialismo internacionalista foi a invasão alemã, com o enfrentamento titânico das forças da Wehrmacht e do Exército Vermelho Soviético.

Inicialmente despreparado, milhares de soldados soviéticos foram mortos e capturados, com muitos se unindo aos alemães por apostarem em uma vitória dos nazistas. Com forte apoio ocidental e uma incrível quantidade de sangue soviético, o Exército Vermelho sairia por cima da disputa.

A segunda parte lida com o retorno dos veteranos que, deixando de serem heróis, passaram a ser tratados com suspeita; rebaixados a cidadãos de segunda-classe. Foi apenas com Khrushchov, 11 anos depois, que os veteranos e o exército foram reabilitados. A profissionalização do Exército Soviético para travar a Guerra Fria o afastou do velho exército dos operários e camponeses, tornando-o mais sofisticado e engajado na nova disputa nuclear com os Estados Unidos. Outro campo de batalha foi a exploração especial. O lançamento da cachorra Laika em órbita levou os EUA a criarem a NASA. A disputa levou à conquista do espaço por Yuri Gagarin, um dos momentos de apoteose do Exército Vermelho e da ideologia socialista. No entanto, a sua principal função continuou como sendo de repressão, como gendarmaria do Pacto de Varsóvia. As intervenções na Polônia, Hungria e Tchecoslováquia sendo os maiores exemplos.

Em meio a isso, a miséria da vida no Exército Vermelho, com os soldados sendo abusados e até mesmo estuprados, atingiu o ponto de ebulição na tragédia da guerra no Afeganistão, marcando o ponto mais baixo da experiência do exército do internacionalismo socialista. Uma tentativa de repressão contra os próprios russos em Moscou levou à perda de poder do partido comunista diante da resistência liderada por Boris Yeltsin. O Exército Soviético deixou de existir com o colapso e dissolução da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas em 1991.



Descrição da Primeira Parte:

Em 1918, Leon Trotsky fundou o Exército Vermelho. Em pouco tempo, o exército seria usado não apenas contra o mundo exterior, mas também contra o povo soviético. Preocupado com o grande poder do exército, Stalin iniciou expurgos em 1937 e 1938.

Em 1918, a Rússia soviética estava travando uma guerra total – contra inimigos estrangeiros e seu próprio povo. Logo, o Exército Vermelho, fundado por Trotsky, teve que abandonar seus nobres ideais de igualdade e democracia. Quando o racionamento de alimentos foi ordenado durante a guerra civil, a população rural se revoltou contra o incipiente Estado comunista. Para acabar com a revolta camponesa em Tambov, o ex-oficial czarista Mikhail Tukhachevsky usou gás venenoso contra os aldeões por ordem de Lenin em 1920.

General Mikhail Tukhachevsky com a Budyunovka,
"O Napoleão Vermelho".

 Selo soviética com Mikhail Tukhachevsky, 1963.

O Exército Vermelho emergiu mais forte e confiante como resultado de sua vitória na guerra civil contra os "brancos" e a Rússia czarista. No entanto, Stalin, que chegou ao poder após a morte de Lenin em 1924, temia a crescente influência do exército, bem como a popularidade do comandante marechal Mikhail Nikolayevich Tukhachevsky. Ele o executou em 12 de junho de 1937 e ordenou expurgos. Aqueles anos, 1937 e 1938, ficaram na história como a época do "Grande Terror".

Quando a Wehrmacht alemã invadiu a Rússia, o Exército Vermelho era apenas uma sombra de seu antigo eu. Além de Tukhachevsky, outros três marechais, 13 generais e cerca de 5.000 oficiais foram executados como parte dos expurgos de Stalin. Quase metade da liderança do Exército Vermelho estava morta, assassinada por seu próprio líder.

Prisioneiros soviéticos capturados pelos alemães, 1941.

Para combater o ataque alemão, Stalin ordenou a mobilização geral. Em novembro de 1941, os alemães estavam às portas de Moscou. O General Zhukov conseguiu forçá-los a recuar no último momento. O Exército Vermelho recebeu ajuda do movimento partisan [guerrilheiro], que cresceu como resultado do genocídio dos judeus [pelos nazistas], e conseguiu enfraquecer o moral de combate alemão por meio de ataques direcionados.

Infantaria soviética em combate perto de Tula, durante a Batalha de Moscou, em novembro de 1941.

Soldados alemães marchando em direção a Moscou, 1941.

Em Stalingrado, Zhukov foi capaz de desgastar o inimigo. Graças à coalizão anti-Hitler que a URSS formou com os EUA e a Grã-Bretanha, o Exército Vermelho conseguiu lançar uma contra-ofensiva. Em sua marcha triunfal para Berlim, o Exército Vermelho descobriu os campos de concentração e extermínio, os quais acenderam o desejo de vingança dos soldados. [Durante a marcha sobre a Alemanha] seguiram-se saques e estupros generalizados. Os principais homens de Stalin, os generais Zhukov e Konev, capturaram a capital alemã. A Alemanha nazista se rendeu em 8 de maio de 1945, e o documento de rendição foi assinado em Karlshorst na noite de 9 de maio de 1945.

Pintura do hasteamento da bandeira soviética sobre o Reichstag.

Hasteamento da bandeira sobre o Reichstag, por Yevgeny Khaldei, 2 de maio de 1945.

Descrição da Segunda Parte:

Após o fim da Segunda Guerra Mundial, a glória do Exército Vermelho diminuiu. Então, com o desenrolar da Guerra Fria, Khrushchev poliu a reputação do exército mais uma vez. Mas, a partir de então, o exército passou a ter uma função puramente repressiva.

Após a Segunda Guerra Mundial, as atividades do Exército Vermelho foram direcionadas principalmente contra levantes populares na esfera de influência da URSS. Estes foram brutalmente reprimidos. Hoje, o Exército Vermelho é principalmente um símbolo de aspirações nacionalistas nostálgicas.

Manifestantes tchecos em cima de tanques soviéticos, 21 de agosto de 1968.

Tanques soviéticos em Praga, 1968.

Após a vitória sobre o fascismo no verão de 1945, nove milhões de soldados soviéticos voltaram para casa. Mas os prisioneiros de guerra que sobreviveram aos campos alemães eram frequentemente acusados de traição quando finalmente chegavam à sua pátria e enviados para gulags. Outros foram forçados a mendigar, pois suas pensões de guerra foram cortadas, ou se viram banidos das grandes cidades. Stalin decidiu pôr fim aos dias gloriosos do Exército Vermelho, após a vitória contra a Alemanha de Hitler. Quando a Guerra Fria começou, a única função do Exército Vermelho era manter a ordem e a segurança públicas.

Mas após a morte de Stalin em 1953, as cartas foram re-embaralhadas. O novo homem forte Nikita Khrushchov havia se livrado de seu rival, o chefe do Ministério do Interior Lavrenti Beria, com a ajuda do Exército Vermelho. Depois de tomar o poder, Khrushchov iniciou um programa de desestalinização. Ele nomeou o marechal Georgi Zhukov, que havia caído em desgraça com Stalin, como ministro da Defesa. Khrushchov então reorganizou e modernizou o Exército Vermelho. Ele restaurou seu prestígio e reintroduziu uma pensão para o serviço de guerra.

Cosmonauta Yuri Alekseyevich Gagarin,
o primeiro homem no espaço em 12 de abril de 1961.
Oficial da força aérea do Exército Vermelho.

Soldados do Exército Vermelho em combate no Afeganistão.
A coluna blindada foi emboscada por guerrilheiros mujahideen.

Com o apoio dos tanques soviéticos, o Exército Vermelho foi fundamental para esmagar sangrentamente as revoltas na Polônia e Budapeste em 1956 e em Praga em 1968. E eles desempenharam um papel nas batalhas da Guerra Fria em curso com o Ocidente.

Na década de 1970, as condições de vida dos soldados do Exército Vermelho se deterioraram drasticamente. Muitos recrutas tentaram evitar o serviço militar. Mas muitas vezes não havia como escapar da missão de pesadelo no Afeganistão. O Exército Vermelho estava cada vez mais enfraquecido e desmoralizado à medida que crescia a antipatia pelo sistema soviético. Em 1989, dez anos após o início do conflito no Afeganistão, o presidente Mikhail Gorbachov ordenou que o Exército Vermelho se retirasse daquele país e trouxesse seus soldados para casa. Essa derrota desempenhou um papel na desintegração da URSS, que ocorreu após a renúncia de Gorbachov em 25 de dezembro de 1991.

Bibliografia recomendada:

The Soviet Union at War: 1941-1945.
David R. Stone.

Meninos de Zinco.
Svetlana Aleksiévitch.

Leitura recomendada:

quarta-feira, 27 de abril de 2022

Milicianas cubanas com submetralhadoras tchecas

Plaza de la Revolución em Havana, Cuba, maio de 1963.
(Alberto Korda)

Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 27 de abril de 2022.

Fotos de milicianas cubanas tiradas por Alberto Korda. Elas usam boinas e uniformes azuis claros e escuros, e portam as submetralhadoras tchecas Sa 23, que eram de dotação padrão da nova milícia cubana.

O modelo CZ 25 (corretamente, Sa 25 ou Sa vz. 48b/samopal vz. 48b - samopal vzor 48 výsadkový, "modelo de submetralhadora ano 1948 para") foi talvez o modelo mais conhecido de uma série de submetralhadoras projetadas pela Tchecoslováquia, introduzidas em 1948 Havia quatro submetralhadoras geralmente muito semelhantes nesta série: as Sa 23, Sa 24, Sa 25 e Sa 26. O projetista principal foi Jaroslav Holeček (15 de setembro de 1923 a 12 de outubro de 1997), engenheiro-chefe da fábrica de armas Česká zbrojovka Uherský Brod.

A Sa 23-26 tinha um ferrolho telescópico e foi a base para o projeto da submetralhadora Uzi israelense. Sua emissão foi ampla na milícia e as metralletas foram uma visão comum durante a Batalha da Praia Girón na Baía dos Porcos, em 1961.

"La Miliciana",
foto de Alberto Korda da cubana Idolka Sánchez, 1962
.

Samopal 25 de perfil.

Milicianas cuidando da aparência, 1962.

Capa do manual dos milicianos cubanos
após o recebimento dos fuzis Kalashnikov.

Alberto Korda

Alberto Díaz Gutiérrez, mais conhecido como Alberto Korda ou simplesmente Korda (14 de setembro de 1928 – 25 de maio de 2001), foi um fotógrafo cubano, lembrado por sua famosa imagem Guerrillero Heroico do revolucionário marxista argentino Che Guevara. A imagem tornou-se um símbolo da esquerda socialismo mundialmente e é famosa por estampar camisetas.

Guerrillero Heroico.
O famoso retrato de Che Guevara tirado por Alberto Korda em 1960.

Bibliografia recomendada:

The Bay of Pigs:
Cuba 1961.
Alejandro de Quesada e Stephen Walsh.

Leitura recomendada:


FOTO: Mulheres cubanas em Angola29 de março de 2022.

FOTO: Vespa cubana, 13 de janeiro de 2022.

FOTO: Guardando o Campo de Batalha8 de setembro de 2021.

segunda-feira, 18 de abril de 2022

Nicolás Maduro permite que mineradores destruam florestas da Venezuela

Análise da The Economist: The Americas, 5 de março de 2022.

Tradução Filipe do A. Monteiro, 18 de abril de 2022.

Parques e destruição: “Ecossocialismo” aparentemente significa demolir a natureza para construir mansões.

À medida que o voo duas vezes por semana de Caracas desce em direção ao parque nacional de Canaima, os funcionários da cabine pedem aos passageiros que olhem pelas janelas de bombordo para obter a melhor vista. É um bom conselho. Enormes montanhas de topo plano, com pelo menos 500 milhões de anos, emergem da neblina como antigos portais para outro mundo. Tudo parece pristino e intocado pela humanidade.

Mas olhe para o outro lado do avião e uma imagem mais triste aparece. Lá no vale, a floresta é marcada por manchas nuas de lama e areia, evidência da destruição causada pela mineração ilegal de ouro. E o governo da Venezuela, longe de tentar impedir essa pilhagem ambiental, está incentivando-a.


A Venezuela já foi conhecida por sua vegetação. Em 1977, tornou-se o primeiro país latino-americano a criar um ministério do meio ambiente. Vastas extensões de terra foram designadas como parques nacionais. Leis de conservação da vida selvagem foram promulgadas. Canaima, que era um parque protegido desde a década de 1960, tornou-se a flor mais brilhante de uma coroa floral. Naquela época, a PDVSA, a empresa estatal de petróleo, era bem administrada e forneceu tanto dinheiro aos sucessivos governos que eles viram pouca necessidade de derrubar as florestas do país.

Sob Nicolás Maduro, o ditador socialista da Venezuela que favorece Putin, um plano diferente está em andamento. Seu regime é carente de dinheiro e corrupto. Graças à má gestão e sanções, a PDVSA está em frangalhos, então Maduro está desesperado por novas fontes de receita. Da Amazônia ao Caribe, ele permitiu uma corrida desenfreada por minerais.

Essa corrida começou a sério em 2016, quando os preços do petróleo estavam dolorosamente baixos. Maduro anunciou que um território em forma de meia-lua com quase três vezes o tamanho da Suíça no sul da Venezuela estava aberto para os mineradores desenterrarem. Ele o chamou de Arco Minero, ou arco de mineração. O objetivo declarado era atrair investimentos para a extração de ouro, ferro, cobalto, bauxita, tantalita, diamantes e outros minerais.

Em 2019, depois que Maduro roubou uma eleição, os Estados Unidos impuseram sanções à PDVSA. A economia da Venezuela já estava afundando e o regime ficou ainda mais desesperado por dinheiro. “Tivemos que aprender rapidamente a depender menos do ouro negro e buscar ouro-ouro”, diz um executivo de Caracas.

Quando estiver em um buraco, comece a cavar

Alguns acordos legítimos foram assinados, inclusive com empresas de mineração chinesas, canadenses e congolesas. Mas nenhum levou a projetos significativos. Investimentos de longo prazo em um país com um governo tão predatório não são para os fracos de coração. Em vez disso, um vale-tudo começou no Arco Minero, uma corrida do ouro supervisionada por uma obscura aliança de narcotraficantes, generais, gangues e guerrilheiros colombianos, com o regime sugando uma grande parte dos lucros.

Em 2016, a Global Initiative, uma ONG, estimou que 91% do ouro venezuelano foi produzido ilegalmente. Desde que o senhor Maduro criou o arco de mineração, essa proporção provavelmente aumentou ainda mais. Uma investigação realizada em janeiro por Armando Info, um site de notícias independente, com o jornal espanhol El Pais, revelou que os dois principais estados mineiros de Bolívar e Amazonas têm pelo menos 42 pistas de pouso ocultas para contrabandistas de ouro.

Uniformes e braçadeira das FARC capturados pelos venezuelanos.

Narco-guerrilheiro das FARC capturado pelo exército venezuelano.

A mineração ilegal é atraente para muitos venezuelanos, porque as alternativas são terríveis. Sob o governo de Maduro, os salários caíram. Funcionários do governo ganham menos de US$ 10 por mês. Dezenas de milhares de pessoas, a maioria homens, mudaram-se para Canaima para tentar a sorte como escavadores autônomos. Muitos moradores se juntaram a eles. Com os turistas agora com medo de vir para a Venezuela, os guias indígenas pemon do parque, que antes acompanhavam os caminhantes, têm pouco a fazer além de cavar.

Árvores foram derrubadas para dar lugar a covas. De acordo com dados do Global Forest Watch, um grupo ambientalista, entre 2002 e 2020 a Venezuela perdeu 533.000 hectares de floresta primária úmida, ou cerca de 1,4% da área total de floresta úmida. “A mineração enlouqueceu”, diz Alejandro Álvarez Iragorry, ambientalista. A Venezuela é agora a principal mineradora ilegal da Amazônia. Em 2019, a RAISG, um órgão de vigilância, contou 1.899 locais de mineração na parte venezuelana da bacia amazônica. A Amazônia brasileira, um território mais de dez vezes maior, tinha apenas 321.

Os mineiros estão poluindo a água local. Eles usam mercúrio para separar o ouro do minério; os resíduos então são lixiviados invisivelmente em córregos e rios. Níveis perigosamente altos de mercúrio foram encontrados em amostras de cabelo retiradas de povos indígenas que tomam banho e bebem de córregos locais. Mais de um terço dos indígenas pemon testados em Canaima no ano passado tinham níveis acima do que é considerado seguro pela Organização Mundial da Saúde, de acordo com o SOS Orinoco, um grupo ambientalista. O envenenamento por mercúrio aumenta a probabilidade das mães darem à luz bebês com danos cerebrais.


A petrolífera estatal também é ambientalmente imprudente. Sob o antecessor e mentor de Maduro, Hugo Chávez, milhares de funcionários foram demitidos por se opor ao regime e substituídos por lacaios. Desde então, a empresa tornou-se menos competente. As habilidades foram perdidas, a infraestrutura enferrujou. A Venezuela tem uma média de 5,8 derramamentos de óleo por mês, de acordo com o Observatório de Políticas Ecológicas, um órgão de vigilância.

No Lago Maracaibo, onde as primeiras grandes descobertas de petróleo foram feitas na década de 1920, os moradores dizem que os vazamentos se tornaram constantes desde 2015. A poluição do esgoto e da agricultura só piorou a situação; grande parte do vasto lago está agora coberto por um tapete pútrido de algas. O governo acusa ambientalistas de exagerar o problema e de impedir seu trabalho. Após um vazamento em 2020 no parque nacional de Morrocoy, no noroeste do país, os cientistas reclamaram que não conseguiram medir os danos no fundo do mar porque a PDVSA havia fechado o acesso à área.

Em 2011, o governo parou de publicar estatísticas ambientais. Portanto, a verdadeira escala da poluição da água e do desmatamento só pode ser estimada. As estações meteorológicas instaladas a um custo alto na década de 1970 nos picos das montanhas Canaima estão abandonadas. Em 2014, o Ministério do Meio Ambiente passou a se chamar Ministério do Ecossocialismo. “O governo aqui está orgulhoso da beleza deste país, mas parece haver pouco senso do dever de protegê-lo”, diz um diplomata.

Em outubro passado, Maduro anunciou planos para construir uma cidade “comunitária” no parque nacional de Ávila, uma montanha gloriosa com vista para Caracas e protegida da construção desde 1958. O objetivo do projeto não é claro. Uma teoria é que Maduro, que manifestou interesse no misticismo indiano, pode estar esperando construir algo como Auroville, uma cidade na Índia construída na década de 1960 por seguidores de um guru “para realizar a unidade humana”. Como Maduro raramente cumpre seus anúncios grandiosos, os venezuelanos podem nunca saber.


Mas em outra parte intocada do país, as escavadeiras já estão trabalhando. Em Gran Roque, a maior ilha do arquipélago de Los Roques, perto de um recife de coral único, estão sendo erguidos uma série de mansões de concreto e um hotel. Isso parece violar os decretos governamentais de 2004 que proíbem a construção. Especialistas temem que o projeto perturbe o delicado equilíbrio ambiental de uma área famosa por sua vida selvagem, incluindo uma espécie ameaçada de tartaruga.

Os investidores nos edifícios não são conhecidos, mas os moradores dizem que um alto funcionário do governo parece ser o dono de uma das maiores casas. Demolir a natureza para construir mansões é uma definição estranha de ecossocialismo, mas é um mundo louco, louco, louco esse de Maduro na Venezuela.

terça-feira, 29 de março de 2022

FOTO: Mulheres cubanas em Angola

Tenente Milagros Katrina Soto (centro) e outras integrantes do Regimento Feminino de Artilharia Anti-Aérea do exército cubano em Angola.

Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 29 de março de 2022.

As Forças Armadas Revolucionárias cubanas (Fuerzas Armadas Revolucionarias, FAR) foram moldadas seguindo o sistema soviético, com a criação de formações em estilo soviético. Uma das bases ideológicas do socialismo era o engajamento das mulheres na revolução. As publicações socialistas sempre pavonearam a participação feminina como uma bandeira, a própria Revolução Russa iniciou com uma greve de operárias. Os vietnamitas sempre enfatizaram o serviço das mulheres no esforço de guerra, gerando uma disputa com os franceses no campo da propaganda; o General Giap dedica um capítulo inteiro para o engajamento feminino em seu livro sobre a guerra subversiva, e faz o mesmo o francês Bernard Fall no seu relato da Guerra da Indochina. O mesmo ocorreu na Argélia, apesar das liberdades e narrativas pró-feministas recuarem após a guerra de volta aos padrões muçulmanos. Nada mais natural que as mulheres cubanas tomassem parte na cruzada internacionalista em Angola.

Durante a Guerra Fria, Havana se dedicou a "exportador a revolução", atuando da América do Sul ao Vietnã. Esta função expedicionária era chamada de "internacionalização", ou seja, a internacionalização da revolução socialista global. Nos anos 1980, o desdobramento cubano em Angola atingiu um pico de 50 mil militares e 8 mil civis auxiliando o governo comunista angolano do MPLA (ao lado dos conselheiros soviéticos); intervenção chamada Operação Carlota.

Na década de 80, os cubanos mantiveram missões militares na Argélia, Gana, Guiné-Bissau (ex-Guiné Portuguesa), Somália, Líbia, Tanzânia, Zâmbia, Síria e Afeganistão; além de contingentes militares consideráveis em Angola, conforme já citado, Congo (500 soldados), Etiópia (4 mil soldados, 1978-1984), Moçambique (600 soldados), Iêmen do Sul (500 soldados) e Nicarágua (500 soldados e 3 mil funcionários civis). Os cubanos também enviaram militares para a Síria em 1973, durante a Guerra do Yom Kippur, e uma equipe de 30 oficiais e engenheiros, munidos de 10 escavadeiras para fortificar a linha Ho Chi Minh no Vietnã e Camboja nos anos 1970. Conselheiros cubanos também ordenaram a tomada de Kolwezi pelos guerrilheiros Tigres em 1978. 

Organização das FAR

As FAR eram consideráveis, sendo a maior força latino-americana depois do Brasil. Isso se deveu à doutrina soviética de forças militares em massa divididas em funções de defesa, expedicionária e de controle interno; essa militarização maciça era alienígena à cultura cubana pré-revolução, e específica do novo sistema. Em 1990, o Exército cubano era assim composto:
  • 3 divisões blindadas,
  • 3 divisões mecanizadas,
  • 13 divisões de infantaria.
Exército Ocidental formava um corpo nas províncias de Pinar del Rio e Havana, o Exército Central formava um outro corpo em Matanzas e Las Villas e o Exército Oriental formava dois corpos em Camagüey e Oriente; a Isla de la Juventud (ex-Isla de Pinos) contava com uma divisão de infantaria.

Cada corpo continha 3 divisões, cada uma com três regimentos (2x batalhões), regimento de artilharia, batalhão de reconhecimento e unidades de serviço. Cada quartel-general do exército possuía uma divisão blindada e uma divisão mecanizada.

Divisão Blindada
  • 3 regimentos de tanques,
  • 1 regimento mecanizado,
  • 1 regimento de artilharia.
Divisão Mecanizada
  • 3 regimentos mecanizados (2x batalhões),
  • 1 regimento de tanques (3x batalhões),
  • 1 regimento de artilharia,
  • 1 regimento de reconhecimento mecanizado.
O exército ainda possuía robusta defesa anti-aérea com 26 regimentos AAe e brigadas de mísseis terra-ar, 8 regimentos de infantaria independentes, uma Brigada de Forças Especiais (2x batalhões) e uma Brigada Paraquedista. A Marinha tinha 12 mil homens, com um batalhão de fuzileiros navais com uniformes pretos copiados dos soviéticos; uma Força Aérea de 18.500 homens; tropas de segurança interna (estilo KGB) com 17 mil homens; 3.500 guardas de fronteira; e, em reserva, 1.200.000 homens e mulheres na Milícia Revolucionária, 100 mil na Juventude Trabalhista e 50 mil na Defesa Civil.

"O longo período de serviço militar (3 anos); forças armadas bem treinadas e eficientes; extensa experiência de combate na África e na Ásia; e uma força de reserva vigorosa, fazem de Cuba a maior potência militar do Caribe depois dos Estados Unidos."
- Caballero Jurado & Nigel Thomas, Central American Wars 1959-89, 1990, pg. 7.

Bibliografia recomendada:

Bush Wars: Africa 1960-2010.

Batalha Histórica de Quifangondo.

Operación Carlota: Pasajes de una epopeya.

Leitura recomendada:

FOTO: Vespa cubana, 13 de janeiro de 2022.

FOTO: Guardando o Campo de Batalha, 8 de setembro de 2021.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022

O futuro que a Rússia nos promete, de Olavo de Carvalho


Por Olavo de Carvalho, Brasil Sem Medo, 24 de Fevereiro de 2022.

Em artigo de 2011, o professor Olavo de Carvalho explica os planos da Rússia e as estratégias que serão usadas por Putin.

Um mês após a morte do grande filósofo e professor Olavo de Carvalho, o jornal Brasil Sem Medo (BSM) publica texto de sua autoria que mostra que ele sempre tinha razão. Dessa vez, sobre a situação da Rússia. Leia a íntegra abaixo:

O futuro que a Rússia nos promete

Olavo de Carvalho
Diário do Comércio, 23 de maio de 2011

O prof. Alexandre Duguin, à testa da elite intelectual russa que hoje molda a política internacional do governo Putin, diz que o grande plano da sua nação é restaurar o sentido hierárquico dos valores espirituais que a modernidade soterrou. Para pessoas de mentalidade religiosa, chocadas com a vulgaridade brutal da vida moderna, a proposta pode soar bem atraente. Só que a realização da idéia passa por duas etapas. Primeiro é preciso destruir o Ocidente, pai de todos os males, mediante uma guerra mundial, fatalmente mais devastadora que as duas anteriores. Depois será instaurado o Império Mundial Eurasiano sob a liderança da Santa Mãe Rússia.

Carrasco mostra para a multidão a cabeça do executado na guilhotina.

Quanto ao primeiro tópico: a “salvação pela destruição” é um dos chavões mais constantes do discurso revolucionário. A Revolução Francesa prometeu salvar a França pela destruição do Antigo Regime: trouxe-a de queda em queda até à condição de potência de segunda classe. A Revolução Mexicana prometeu salvar o México pela destruição da Igreja Católica: transformou-o num fornecedor de drogas para o mundo e de miseráveis para a assistência social americana. A Revolução Russa prometeu salvar a Rússia pela destruição do capitalismo: transformou-a num cemitério. A Revolução Chinesa prometeu salvar a China pela destruição da cultura burguesa: transformou-a num matadouro. A Revolução Cubana prometeu salvar Cuba pela destruição dos usurpadores imperialistas: transformou-a numa prisão de mendigos. Os positivistas brasileiros prometeram salvar o Brasil mediante a destruição da monarquia: acabaram com a única democracia que havia no continente e jogaram o país numa sucessão de golpes e ditaduras que só acabou em 1988 para dar lugar a uma ditadura modernizada com outro nome.

"Proclamação da República", 1893, óleo sobre tela de Benedito Calixto (1853 - 1927).
Acervo da Pinacoteca Municipal de São Paulo.

Agora o prof. Duguin promete salvar o mundo pela destruição do Ocidente. Sinceramente, prefiro não saber o que vem depois. A mentalidade revolucionária, com suas promessas auto-adiáveis, tão prontas a se transformar nas suas contrárias com a cara mais inocente do mundo, é o maior flagelo que já se abateu sobre a humanidade. Suas vítimas, de 1789 até hoje, não estão abaixo de trezentos milhões de pessoas – mais que todas as epidemias, catástrofes naturais e guerras entre nações mataram desde o início dos tempos. A essência do seu discurso, como creio já ter demonstrado, é a inversão do sentido do tempo: inventar um futuro e reinterpretar à luz dele, como se fosse premissa certa e arquiprovada, o presente e o passado. Inverter o processo normal do conhecimento, passando a entender o conhecido pelo desconhecido, o certo pelo duvidoso, o categórico pelo hipotético. É a falsificação estrutural, sistemática, obsediante, hipnótica. O prof. Duguin propõe o Império Eurasiano e reconstrói toda a história do mundo como se fosse a longa preparação para o advento dessa coisa linda. É um revolucionário como outro qualquer. Apenas, imensamente mais pretensioso.

Quanto ao Império Mundial Eurasiano, com um pólo oriental sustentado nos países islâmicos, no Japão e na China, e um pólo ocidental no eixo Paris-Berlim-Moscou, não é de maneira alguma uma idéia nova. Stalin acalentou esse projeto e fez tudo o que podia para realizá-lo, só fracassando porque não conseguiu, em tempo, criar uma frota marítima com as dimensões requeridas para realizá-lo. Ele errou no timing: dizia que os EUA não passariam dos anos 80. Quem não passou foi a URSS.

Como o prof. Duguin adorna o projeto com o apelo aos valores espirituais e religiosos, em lugar do internacionalismo proletário que legitimava as ambições de Stálin, parece lógico admitir que a nova versão do projeto imperial russo é algo como um stalinismo de direita.

O então primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, aperta a mão de operadores spetsnaz do Grupo Alpha da FSB durante uma visita a Gudermes, na Chechênia, em 2011.

Mas a coisa mais óbvia no governo russo é que seus ocupantes são os mesmos que dominavam o país no tempo do comunismo. Substancialmente, é o pessoal da KGB (ou FSB, que a mudança periódica de nomes jamais mudou a natureza dessa instituição). Pior ainda, é a KGB com poder brutalmente ampliado: de um lado, se no regime comunista havia um agente da polícia secreta para cada 400 cidadãos, hoje há um para cada 200, caracterizando a Rússia, inconfundivelmente, como Estado policial; de outro, o rateio das propriedades estatais entre agentes e colaboradores da polícia política, que se transformaram da noite para o dia em “oligarcas” sem perder seus vínculos de submissão à KGB, concede a esta entidade o privilégio de atuar no Ocidente, sob camadas e camadas de disfarces, com uma liberdade de movimentos que seria impensável no tempo de Stalin ou de Kruschev.

Ideologicamente, o eurasismo é diferente do comunismo. Mas ideologia, como definia o próprio Karl Marx, é apenas um “vestido de idéias” a encobrir um esquema de poder. O esquema de poder na Rússia trocou de vestido, mas continua o mesmo – com as mesmas pessoas nos mesmos lugares, exercendo as mesmas funções, com as mesmas ambições totalitárias de sempre.

O Império Eurasiano promete-nos uma guerra mundial e, como resultado dela, uma ditadura global. Alguns de seus adeptos chegam a chamá-lo “o Império do Fim”, uma evocação claramente apocalíptica. Só esquecem de observar que o último império antes do Juízo Final não será outra coisa senão o Império do Anticristo.


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sábado, 12 de fevereiro de 2022

Socialismo árabe e prisioneiros egípcios na Guerra dos Seis Dias

Prisioneiros egípcios sendo levados de caminhão para um campo de PG, passando por um comboio de soldados israelenses em direção ao front, 1967.

Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 12 de fevereiro de 2022.

Um caminhão cheio de soldados egípcios capturados cruza um comboio de tropas israelenses perto de El Arish, Egito, durante a Guerra dos Seis Dias, em 8 de junho de 1967.

Os israelenses tomaram El Arish e estão indo em direção ao deserto do Sinai. Eles estão armados com fuzis FAL do modelo Romat, um deles com uma granada de fuzil BT/AT 52 visível, e submetralhadoras Uzi; armamentos típicos do exército israelense do período. Os árabes eram armados com fuzis AK-47 e outros materiais soviéticos, além de outros armamentos portáteis de procedência variada.

O AK e o FAL.
Adversários na Guerra dos Seis Dias, 1967.

O presidente egípcio, Gamal Abdel Nasser, ameaçou repetidamente a existência do Estado de Israel durante anos e costurou uma aliança opondo o mundo árabe ao país hebreu. Os egípcios e seus aliados árabes se mobilizaram ao redor de Israel, seguindo uma ideologia de pan-arabismo e socialismo árabe, além de uma aproximação com a União Soviética que armou pesadamente a coligação árabe. Nasser chegou mesmo a fechar o Estreito de Tirã, uma via marítima essencial a Israel - um causus belli em si mesmo. O Egito sozinho contava 240 mil soldados opondo os 50 mil regulares e 214 mil reservistas israelenses que teriam de lutar em três frentes diferentes, enquanto os egípcios lutariam apenas no Sinai. A Síria, Jordânia e Iraque somavam mais 304 mil homens a esse número, com 20 mil sauditas também à disposição. Os árabes possuíam 2.504 tanques contra os 800 tanques israelenses. Os israelenses tinham entre 250-300 aviões de combate contra os 957 aviões árabes. Dos 264.000 homens da Força de Defesa de Israel mobilizados, 100.000 foram desdobrados em ação. Os árabes dispunham de 567.000 dos quais 240.000 desdobrados. Ainda assim, Nasser e seus seguidores foram surpreendidos pelo ataque surpresa israelense que os colocou de joelhos.

As baixas árabes foram enormes. Do lado do Egito, até cerca de 15.000 soldados egípcios foram listados como mortos ou desaparecidos, com um adicional de 4.338 soldados egípcios capturados.

Yael Dayan, a filha do General Moshe Dayan e oficial do exército acompanhando o estado-maior divisional de Ariel Sharon no Sinai, do ponto de partida da ofensiva em Shivta e pelo caminho através península desértica. Os israelenses acharam depósitos e bases abarrotadas de víveres e equipamentos, com escritórios luxuosos para oficiais, lotados de comidas caras e champagne. Do lado desse luxo havia os pobres soldados egípcios, mal-alimentados e mal-vestidos. Yael descreveu o triste cenário em Nakhl como o "Vale da Morte do Exército egípcio", contando 150 tanques destruídos entre Temed e Nakhl, além de vasto material avariado ou abandonado (canhões, tratores, caminhões etc) e grande quantidade de corpos com fedor nauseabundo cozinhando sob o sol do deserto.  Yael menciona como a cena era depressiva, e como seu colega Dov, outro oficial israelense, contou-lhe que quase chorara pelo destino daqueles soldados egípcios, sob um comando tão incompetente.

"Que destino desgraçado o dêles, tendo de depender de líderes e oficiais miseráveis como aquêles. Em 1948, tiveram os paxás e seus filhos incompetentes por oficiais; em 1956, no Sinai, a gente tinha de desculpá-los até certo ponto - ainda não estavam educados e preparados, a revolução socialista não tivera tempo de acabar com a distância entre oficial e soldado. Mas agora, dezesseis anos depois da revolução, com oficiais treinados na Rússia, com técnicos russos no Egito, onde se encontrava seu espírito de socialismo? Como se explica que tivéssemos só um ou dois oficiais entre os nossos prisioneiros, e tão grande número de soldados? Como se explica que não capturamos nem vemos pelo menos um carro de comando? Onde estavam todos aqueles oficiais sorridentes nas suas reluzentes fardas, com cabelos crespos emplastrados de brilhantina, parecendo tão confiantes quando apareciam no Cairo ou nas páginas dos jornais? Os pobres camponeses foram abandonados à sua sorte, ficaram à mercê das nossas tropas, o inimigo. Como pôde êle, Nasser, que julgávamos um líder honesto de sua nação brincar com a vida do seu povo, blefar, à custa de milhares e milhares de obedientes filhos do Egito? Como teve coragem de brincar de alta política, utilizando-os cinicamente em penhor do seu jôgo? Êle não tinha condições de bancar Napoleão, de fechar o Estreito de Tirã, de nos ameaçar com uma centena de tanques no Sinai. Para quê? Que foi que conseguiu? tinha problemas urgentes que resolver. Não dispunha de meios para matar a fome da população, e gastou milhões em armamentos. Seu povo era analfabeto. Por que cargas d'água foi começar tudo isto, se êle próprio teve de admitir que ainda não se achava preparado?"

- Yael Dayan, Diário de um soldadopg. 135-136, 1967 (trad. 1970).






Prisioneiros egípcios capturados nas cercanias de El-Arish.

Bibliografia recomendada:

Arabs at War:
Military Effectiveness, 1948-1991.
Kenneth M. Pollack.

Leitura recomendada: