sexta-feira, 13 de novembro de 2020

Sahel: A Força Barkhane elimina chefe de operações do Grupo de Apoio ao Islã e aos Muçulmanos

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Por Laurent Lagneu, Zone Militaire Opex 360, 13 de novembro de 2020.

Tradução Filipe do A. Monteiro, 13 de novembro de 2020.

Durante as trocas que ele teve com os chefes do estado-maior dos três exércitos [e da gendarmeria] no final da cerimônia organizada no Arco do Triunfo para o 102º aniversário do armistício de 11 de novembro, o Presidente Macron referiu-se a uma ação que acabava de ser executada no Mali, abordando brevemente o modus operandi que tinha sido seguido. Ao mesmo tempo, duas fotos mostrando uma picape do tipo Hilux supostamente destruída por um ataque aéreo na região de Tatamakat [norte do Mali] começaram a circular nas redes sociais.

Demorou quase 48 horas para descobrir-se mais. De fato, a Ministra das Forças Armadas, Florence Parly, divulgou um comunicado de imprensa anunciando que as forças francesas haviam neutralizado um certo Bag ag Moussa, apresentado como o líder militar do Grupo de Apoio ao Islã e aos Muçulmanos [GSIM ou JNIM , para Jama'a Nusrat ul-Islam wa al-Muslimin], uma das duas principais organizações jhadistas ativas no Sahel.

“Quadro histórico do movimento jihadista no Sahel, Bah ag Moussa é considerado responsável por vários ataques contra o Mali e as forças internacionais. Ele era considerado um dos principais líderes militares jihadistas no Mali, especialmente encarregado de treinar novos recrutas”, disse Parly.

A operação francesa foi lançada no dia 10 de novembro, no final da tarde, quando o veículo em que Bah ag Moussa estava sentado foi avistado por um drone no setor Tatamakat, localidade localizada cerca de cem quilômetros ao norte de Menaka. Dois helicópteros de ataque e reconhecimento e dois outros de manobra, com cerca de quinze comandos a bordo, decolaram para interceptar a pick-up, intenção inicial da Barkhane, especifica o Estado-Maior das Forças Armadas [EMA], sendo então para capturar seus ocupantes.

Porém, após um tiro de advertência e outro de parada, os cinco jihadistas que estavam a bordo da caminhonete abriram fogo com uma metralhadora e suas armas individuais contra os helicópteros franceses. Isso os forçou a retaliar. Os comandos foram colocados no chão, uma luta de cerca de quinze minutos se seguiu. Terminou quando os terroristas foram todos "neutralizados" [leia-se: mortos].

Posteriormente, os militares franceses recuperaram o material "utilizável" para fins de inteligência e destruíram no local o que não era de particular interesse. Quanto aos corpos dos jihadistas, garante o EMA, foram enterrados de acordo com o Direito Internacional Humanitário.

A eliminação de Bah ag Moussa não é consequência de uma operação de oportunidade mas de uma caçada de longo prazo, com a mobilização de recursos de inteligência sobre os quais o EMA não quis comentar [é provável que tenham sido solicitados recursos americanos, bem como drones….].

Para o GSIM, a eliminação do seu chefe de operações é obviamente um golpe. Ex-oficial das Forças Armadas Malinenses [Forces armées maliennesFAMa] e membro fundador do Ansar Dine, o grupo jihadista liderado por Iyad Ag Ghali antes da criação do GSIM, Bah ag Moussa estava na lista do comitê de sanções das Nações Unidas desde agosto de 2019.

Em 2013, quando os grupos jihadistas foram forçados a desistir de suas posições no norte do Mali pela operação francesa Sérval, ele se juntou ao Alto-Conselho pela Unidade de Azawad [Haut-Conseil pour l’unité de l’AzawadHCUA], acusado de jogar um jogo-duplo. Posteriormente, tendo recrutado combatentes tuaregues em nome de Ansar Dine, ele liderou um ataque mortal ao quartel de Nampala [20 mortos, em julho de 2016], antes de assumir a direção de operações do GSIM. Desde então, seu nome foi associado a vários ataques particularmente mortíferos lançados contra as FAMa.

Após a eliminação de Abdelmalek Droukdel, então chefe da Al-Qaeda no Magrebe Islâmico [al-Qaïda au Maghreb islamiqueAQIM] em junho passado, e de Bah ag Moussa, a Barkhane mostra que sua ação não se concentra apenas na região das três fronteiras e o Estado Islâmico no Grande Saara.

"Indiscriminadamente, seja o Daesh ou a Al-Qaeda, a França ataca aqueles que, em nome de sua ideologia mortífera, atacam as populações civis e desejam desestabilizar os Estados da região", disse a ministra Parly, em seu comunicado à imprensa.

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