Mostrando postagens com marcador Colômbia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Colômbia. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 12 de outubro de 2021

Soldados Colombianos na Coréia


Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 12 de outubro de 2021.

No dia 16 de julho deste ano foi celebrado o 70º aniversário do desembarque do Batalhão Colômbia (Batallón Colombia, apelidado El Colombia) em Busan, na Coréia do Sul, com o efetivo de 1.080 homens. A Colômbia foi o único país latino-americano a lutar na Guerra da Coréia. Ao todo, os colombianos enviaram cerca de 5.100 homens para lutar na Coréia sob a ONU de 1951 a 1953, com o batalhão se destacando na Batalha de Old Baldy em 1953.

Na época da Batalha de Old Baldy, o Batalhão Colombiano estava na 7ª Divisão sob o comando do General Wayne C. Smith. A unidade sul-americana era o quarto batalhão do 31º Regimento comandado pelo Coronel William Kern, que havia ordenado ao Tenente-Coronel Alberto Ruiz Novoa, comandante colombiano, substituir o 1º Batalhão do regimento em Old Baldy.

O monumento consta de uma estátua de um soldado colombiano com o uniforme da época: capacete americano M1 com rede, fuzil M1 Garand, granadas, uniforme verde oliva, botas americanas e mochila.

O batalhão recentemente havia atacado e capturado a Cota 180, parte da Batalha da Colina de Yeoncheon (Bárbula), tendo perdido 11 mortos, 43 feridos e 10 desaparecidos em combate corpo-a-corpo com os chineses. A Companhia C foi considerada "combat ineffective" e retirada da posição recém conquistada; dois dias depois os colombianos foram ordenados para Old Baldy.

Os colombianos suportariam contínuas barragens de artilharia em preparação para a ofensiva chinesa. Em 20 de março, toda a linha do 31º Regimento foi bombardeada continuamente. Em 21 de março, os chineses expuseram os corpos de 5 soldados da ONU (4 colombianos e 1 americano) em uma tentativa de atrair soldados para o resgate. A missão foi concluída com a entrada nas linhas inimigas por uma patrulha de homens voluntários da Companhia C. O Soldado Alejandro Martínez Roa alcançou a crista, desativou uma mina sob um dos corpos, desceu com um dos cadáveres, escapou do fogo inimigo e quando encontrou outras tropas colombianas, voltou à crista com o Cabo Pedro Limas Medina e a patrulha e resgatou os outros. A ação heróica foi recompensada com quatro Estrelas de Prata no campo de batalha.

Old Baldy em 22 de março de 1953.

No dia 22 de março, o bombardeio de amolecimento da posição colombiana em Old Baldy aumentou, com mais de 2.000 mil obuses e morteiros caindo sobre a área.

No dia 23 de março de 1953, o ataque chinês iniciou avançando sob pesado bombardeio das posições colombianas. O 1º Batalhão do 423º Regimento Chinês, 141ª Divisão, comandado por Hou Yung-chun, foi selecionado para atacar o Old Baldy. O oficial político da unidade escolheu a 3ª Companhia para liderar o ataque e plantar a "Bandeira da Vitória" no morro. Os chineses estavam enfrentando diretamente a maltratada Companhia B colombiana. Às 20h30, a Companhia A do 2º Tenente Alvaro Perdomo em Dale foi atacada brutalmente. Depois de uma resistência tenaz e forte apoio das companhias B e C, os colombianos foram desalojados de sua posição. Ao mesmo tempo, os chineses lançaram um ataque diversionário a Pork Chop Hill; percebido pelo Coronel Kent, o comandante regimental, como o ataque principal.

O Tenente Alfredo Forero Parra, comandando a Companhia B, assim descreveu o ataque em Old Baldy:

"Quarenta minutos após o ataque a Dale e Pork Chop Hill, artilharia tremendamente pesada e morteiros caíram sobre Old Baldy. A terra tremeu como se em um terremoto acompanhado de explosões ensurdecedoras e relampejantes em toda a posição da Companhia B. As silhuetas fugazes dos homens, armas e fortificações enfraquecidas pareciam fantasmas dentro das rajadas do inimigo. Gritos de angústia e agonia se misturavam com o barulho da nossa própria metralhadora e do inimigo. A batalha era travada a cada momento. Podíamos ouvir a uma curta distância os tiros dos morteiros 60 e 82mm inimigos. As comunicações foram perdidas, ninguém respondeu, nem mesmo os comandantes de esquada. De repente, foi relatado a morte do meu sargento de pelotão substituto, Azael Salazar Osorio, então o comandante da terceira esquadra, Cabo José Narvaez Moncayo, que perto de morrer ele gritou para ser levantado para aliviar seu sofrimento porque ele havia sido cortado na cintura e nada poderia ser feito por ele. Em meu posto de batalha, a morte do Cabo Ernesto Gonzalez Varela, comandante da segunda esquadra, foi atroz. Estávamos quase tocando os cotovelos. Ele disparou sua metralhadora contra um ataque de chineses que vieram sobre nós quando um projétil de bazuca o atingiu no rosto, deixando sua cabeça pendurada nas costas. Achei que estava vivendo um pesadelo ou um filme de terror até que novas explosões no meu bunker me trouxeram de volta à realidade. Eu encorajei meus homens e continuei a me comunicar com metralhadoras e dei instruções para um cabo tirar o lança-chamas e se preparar para atirar no inimigo quando eles aparecessem.

Em poucos minutos, dois soldados chegaram à casamata gritando: 'Os chineses, os chineses!' Com certeza, os chineses se lançaram sobre nossa posição com uivos estridentes, disparando rajadas de metralhadoras e lançando granadas."

O ataque não teve sucesso. Eles foram detidos na cerca de arame farpado, deixando-a cheia de cadáveres inimigos.

Parada de soldados colombianos na Coréia.

Uma nova onda de chineses atacou novamente, rompendo a linha de defesa e alcançando as trincheiras colombianas. O uso das reservas para acudir Pork Chop Hill manteve a posição colombiana enfraquecida, e a Companhia C, golpeada duramente em Bárbula, ainda não estava em condições operacionais.

Um regimento chinês perfeitamente sincronizado havia lançado o ataque a Dale. Como o comando do regimento foi distraído pelo ataque anterior ao batalhão americano adjacente à companhia colombiana, outro regimento chinês avançou na escuridão em direção a Old Baldy e assumiu posições de assalto enquanto uma terrível chuva de artilharia inimiga caía. O bombardeio incessante daquele e dos dias anteriores tinha mais do que alcançado seus objetivos de amolecimento, destruindo boa parte do arame farpado e das minas, deixando as trincheiras sem defesas contra o ataque direto. A noite toda lutaram ferozmente em meio à confusão causada pela escuridão e pela presença de elementos de duas companhias colombianas em Old Baldy, já que o reforço ao final incorporou apenas metade do efetivo das companhias C e B. A situação da defesa não poderia ser mais fraca. Um batalhão completo atacando e duas companhias adicionais reforçando era uma força muito grande contra as três companhias diminuídas do El Colombia.

O Tenente-Coronel Ruiz Novoa anunciou sua intenção de usar a companhia de reserva americana que lhe fora designada para contra-atacar e proteger as tropas em combate. O oficial de ligação americano empalideceu com o pedido. Com voz trêmula, declarou que a reserva já havia sido utilizada para conter a penetração chinesa em Pork Chop Hill em defesa do 3º batalhão americano. Com ela recuperou-se a colina, ajudando os americanos. Não houve nenhum aviso ou advertência prévia ao coronel Ruiz dessa decisão.

Com o El Colombia reduzido a seus próprios meios, a unidade não tinha reserva para contra-atacar. A Companhia A, que teve que recuar ante a ferocidade do ataque inicial que precedeu aquele ao Old Baldy, estava decidida a recuperar a parte penetrada pelos chineses com suas próprias forças. As companhias B e C, no meio do revezamento, em tal confusão que nada podiam fazer.

Apesar da adversidade, a força do assalto estava prestes a quebrar, como prova uma angustiada comunicação interceptada pela inteligência divisional (7ª Divisão), na qual o comandante do batalhão de assalto chinês afirmava ser impossível tomar a cota 266 (Old Baldy). A resposta do comando chinês foi implacável: tome a elevação ou sofra as consequências! Momentos depois foi anunciado o envio de reforços.

Manequim de um soldado colombiano no Memorial da Guerra da Coréia, um museu localizado no distrito de Yongsan-dong, na capital Seul, Coréia do Sul.

Os esforços na defesa da posição se esgotavam enquanto aumentava drasticamente o número de atacantes e diminuía o número de defensores devido às baixas. O cheiro de pólvora e sangue impregnou o ar. Aquilo se transformou em um inferno. No entanto, os colombianos lutaram com sua reconhecida intrepidez. Os atacantes, prevalidos por sua enorme superioridade numérica, deviam conquistar a posição trincheira-a-trincheira, reduto-a-reduto, em violento combate corpo-a-corpo.

Por volta da meia-noite, os dois lados, convencidos de que o oposto havia tomado a colina, começaram a golpear com a dureza de suas artilharias. Ambos os exércitos, apesar de terem suas tropas no meio, descarregaram chuvas de projéteis sobre os homens que, presos no combate corpo-a-corpo, tentavam manter suas posições. As baixas de fogo amigo e inimigo se deram por igual.

Desde a meia-noite, apenas um pelotão conseguiu chegar a West View e ajudou a conter parte do ataque. Lá, os colombianos esperaram por reforços para recuperar sua posição perdida. Estes, porém nunca chegaram. Alfredo Forero:

"Às 4h30 da manhã restavam apenas seis homens, com as munições esgotadas e assediadas pelo inimigo, do segundo pelotão de fuzileiros da Companhia B. Mediante fogo e movimento avançamos em direção ao caminho dos tanques, perdendo mais três homens pela artilharia que não descansava.

Antes da meia-noite, os tanques que estavam no vale se retiraram, deixando essa entrada livre para o inimigo. Um caminhão com nossa munição parou na entrada da posição na estrada do vale. Nele vinham o oficial sapador, Tenente Leônidas Parra, e o oficial de transmissão, Tenente Miguel Ospina. Uma intensa neblina cobria a madrugada e esporadicamente ouviam-se tiros e gritos."

Ospina chegou com a ordem de tentar restabelecer as comunicações com o Comando do Batalhão, mas na dura realidade em Old Baldy não havia mais o que fazer.

Por volta das 8:00h, chegou um pelotão americano ao qual os colombianos pediram apoio de fogo para retomar a colina perdida, mas sem responder ao pedido, retiraram-se após fazerem o reconhecimento da situação. Se não fosse a heróica resistência das tropas colombianas em Old Baldy, a força chinesa poderia ter rompido a Linha Principal de Resistência da 7ª Divisão e entrado nas profundezas do território aliado com consequências muito graves, pois na estrada poderia conduzir as tropas e blindados inimigos diretamente a Seul.

Jornais da época.

Nesse momento, o comando da Divisão ordenou que a colina se transformasse em terra de ninguém. E o bombardeio mais temível começa sobre Old Baldy. O Batalhão Colômbia não conseguiu resgatar seus homens deixados para trás, feridos ou mortos. Todos ficaram à mercê da aviação norte-americana, implacável em suas ações.

As baixas colombianas foram 95 mortos, 97 feridos e 30 desaparecidos, perfazendo mais de 20% do efetivo do Batalhão. A 7ª Divisão estimou em 750 mortos as perdas dos chineses em Old Baldy.

As pesadas baixas em Old Baldy e a atitude do comandante do regimento deterioraram as relações com o comando do batalhão. Kern afirmou que poderia dispor e mover a companhia de reserva americana atribuída ao El Colombia quando necessário. Ruiz Novoa lembrou-lhe que o comando americano tinha aceitado que o ataque principal tinha sido contra a cota 266 ou Old Baldy e não contra Pork Chop, e que Kern tinha cometido um erro ao fazer rodízio das companhias no início do ataque e depois ter abandonado o batalhão por conta própria sem a companhia de reserva e não tendo consultado, coordenado ou mesmo notificado o comandante colombiano.

Escudo do Batalhão Colômbia, usado no braço esquerdo.

Um artigo da revista TIME de 6 de abril de 1953, assim mencionou as batalhas simultâneas de Old Baldy (envolvendo a 7ª Divisão) e Bunker Hill, envolvendo a "carregada de glória" 1ª Divisão de Fuzileiros Navais americana:

"Movimentos lentos. Além de suas perdas, ninguém estava preocupado com os fuzileiros navais; eles poderiam cuidar de si mesmos. Ninguém temia um avanço comunista em lugar nenhum. Em Tóquio, Mark Clark disse que também não estava preocupado com a perda de Old Baldy. Mas havia uma angústia bastante visível na 7ª Divisão, resultante de confusão tática e declarações confusas sobre o que as tropas estavam fazendo. O comandante da divisão, Major-General Arthur Trudeau, foi repreendido publicamente pelo comandante do I Corpo de Exército Paul Kendall.

Em vez de recuar de forma inteligente para o MLR, para economizar baixas até que estivessem em forma para um contra-ataque bem-sucedido, muitas das unidades da 7ª tentaram se manter firmes, lançando cozinheiros e rancheiros em combate e gritando por reforços. A longa espera havia tornado o Oitavo Exército lento. Os comandantes de batalhão e companhia não estavam preparados para a movimentação rápida de emergência de seus equipamentos e postos de comando. Nenhum posto de comando de corpo ou divisão foi movido por razões táticas em quase dois anos. A lentidão pode ser observada na movimentação das peças de campanha para a frente e no manuseio do transporte nas estradas lamacentas.

Os comunistas perderam muitas centenas, talvez milhares, de homens, por um ganho de quase nada. As perdas da ONU, embora não tão altas quanto os correspondentes temiam no início, foram substanciais."

Como resultado das enormes baixas sofridas pelo El Colômbia, o Tenente General Régulo Gaitán Patiño, da cúpula militar colombiana, partiu para a Coréia. No Comando Supremo das Nações Unidas, o Coronel Ruiz Novoa expressou francamente sua objeção às ações do Coronel Kern. Assim, o General Arthur Trudeau, comandante da 7ª Divisão, transferiu o El Colômbia para o 17º Regimento e a unidade continuou com os "Búfalos" até o final da guerra.

As forças comunistas retomaram Old Baldy em março de 1953, mas não há muitas informações em termos de baixas para ambos os lados, bem como relatos detalhados da batalha de 1953, em contraste com a batalha de 1952, bem divulgada e excessivamente sensacionalizada. No final, ambos os lados perderam muitos homens com as linhas de batalha terminando exatamente como em maio de 1952, antes da primeira batalha, emblemático da Guerra da Coréia como um todo.

Cerimônia em homenagem aos colombianos na Coréia.
O militar colombiano de bigode tem a insígnia divisional da 7º no braço e no capacete.

O Batalhão Colômbia também lutara na Batalha de Triangle Hill e na recaptura de Geumseong e na defesa do rio Han.

O total de baixas do El Colombia foi de:
  • 163 mortos em combate,
  • 448 feridos,
  • 60 desaparecidos,
  • 30 capturados.
Em 26 de junho de 2020, quando a Coréia do Sul comemorou os 70 anos do início da Guerra da Coréia, uma exibição online chamou a atenção do país. Organizado pela Embaixada da Colômbia em Seul, "A Guerra da Coréia pelos olhos de um veterano colombiano" pôde ser vista no site do Memorial da Guerra da Coréia.

Contendo 152 fotos tiradas pelo Sargento-Major Gilberto Diaz durante sua passagem de 14 meses na Coréia, ela foi aumentada por outras cinquenta fotos fornecidas por veteranos da Colômbia.

Gilberto Diaz Velasco, um veterano da Guerra da Coréia de 86 anos, mostra a câmera que usou para tirar cerca de 400 fotos durante sua estada de 14 meses na Coréia em uma entrevista em vídeo de sua casa em Bogotá.

"A câmera era meu melhor amigo na Coreia", disse Diaz, 86, a um grupo de jornalistas no início desta semana, em uma vídeo-chamada de sua casa em Bogotá. "Sempre estivemos juntos e mesmo agora faz parte da minha vida. Ainda funciona perfeitamente."

Diaz comprou sua câmera Kodak por 5 dólares em Tóquio e tirou cerca de 400 fotos, a maioria em cores, antes e depois de sua chegada a Incheon como um soldado de 18 anos em junho de 1952.

"Essas fotos nos lembram do valor precioso da liberdade", disse o ministro da Defesa sul-coreano, Jeong Kyeong-doo. "O nobre sacrifício e a dedicação dos veteranos colombianos permitiram que a Coréia do Sul mantivesse a paz. A República da Coréia se lembrará para sempre do sacrifício que seu país fez."

O General James Fleet, comandante do 8º Exército, condecora a bandeira do Batalhão Colombiano.

segunda-feira, 11 de outubro de 2021

FOTO: Monumento ao Soldado Colombiano.

"Ao Soldado Colombiano,
o maior dos heróis, valente diante das adversidades e humilde na vitória.
Honra - Disciplina - Coragem
1819"

Monumento na Escola de Soldados Profissionais do Exército Nacional (Escuela de Soldados Profesionales del Ejército Nacional, ESPRO), Centro Nacional de Treinamento (Centro Nacional de EntrenamientoCENAE) no Forte de Tolemaida, na Colômbia.

quarta-feira, 22 de setembro de 2021

A Venezuela acusou a Colômbia de intrusão em seu espaço aéreo com um drone Hermes


Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 22 de setembro de 2021.

Hoje, 22 de setembro, as forças armadas da Venezuela (oficialmente Fuerza Armada Nacional Bolivariana, FANB) afirmaram que ontem (21/09) um drone Hermes da Colômbia violou o espaço aéreo venezuelano na província de Zula. 



Comunicado oficial da Força Armada Nacional Bolivariana

A Força Armada Nacional Bolivariana denuncia a flagrante violação do espaço aéreo venezuelano por uma aeronave remotamente tripulada (drone), tipo Hermes, pertencente à Força Aérea Colombiana, fato ocorrido ontem, segunda-feira, 20 de setembro, às 16:48 horário legal da Venezuela.

A referida aeronave foi detectada pelos sistemas de exploração do nosso Comando Integral de Defesa Aeroespacial, sobrevoando o território do município de Jesús María Semprúm, estado de Zulia, na Região de Informação de Vôo Maiquetía (FIR) nas coordenadas 09º04'50″N - 72º53'52″O, 64 milhas náuticas a noroeste do aeroporto “Francisco García de Hevia” localizado em La Fría, estado de Táchira, a 8 mil pés de altitude, velocidade de 90 nós e rumo 318, vindo da FIR de Bogotá sem a devida autorização de sobrevôo ou apresentar o plano correspondente para entrar na República Bolivariana da Venezuela.

Este acontecimento constitui uma gritante ameaça à segurança do país por se tratar de um sistema militar utilizado para missões de reconhecimento aéreo, que com toda certeza não foi involuntário ou acidental, já que coincide com a presença na Colômbia do Almirante Crayg Faller, chefe do Comando Sul dos Estados Unidos, em sua segunda visita este ano ao território neo-granadino, supostamente para discutir assuntos de "cooperação em questões de segurança".

Sem dúvida, estamos dando claros indícios de um estratagema do império norte-americano e do governo colombiano, seu indigno e incondicional aliado na região, para construir alguns de seus conhecidos falsos positivos ou qualquer tipo de incidente que permita continuar gerando instabilidade , e de maneira particular, torpedear o processo de diálogo que está ocorrendo atualmente no México, em busca de soluções para os problemas do país, da paz e da unidade de todo o povo venezuelano.

Não cairemos nas repetidas e grosseiras provocações de uma oligarquia criminosa e do decadente império que a patrocina, que se tornaram um anacronismo sem a mínima credibilidade no contexto das nações. Mas em estrito cumprimento das diretrizes estratégicas ensinadas pelo cidadão Nicolás Maduro Moros, Presidente Constitucional da República Bolivariana da Venezuela, nosso Comandante-em-Chefe, permaneceremos vigilantes, monitorando constantemente todo o espaço geográfico venezuelano, a fim de garantir sua integridade , bem como nossa liberdade, soberania e independência.

Chávez vive... a Pátria continua!

Independência e Pátria Socialista... Vamos viver e vencer!

Independência ou nada!

Sempre leais... Nunca traidores!

Nasce o Sol da Venezuela no Essequibo!

Caracas, 21 de setembro de 2021

VLADIMIR PADRINO LÓPEZ

General-em-Chefe

Comando Sul dos Estados Unidos (United States Southern Command, US SOUTHCOM) referido pelo comunicado venezuelano é o comando americano responsável pela América Latina. Seu quartel-general está localizado em Doral, na Flórida. O governo venezuelano frequentemente usa o fantasma do "imperialismo estadunidense" como ferramenta de união popular ao redor do regime. A Colômbia, além de um adversário tradicional de Caracas, é também o maior aliado americano no continente sul-americano, o que mata dois coelhos com uma cajadada só. Um dos exemplos dessa amizade é justamente que o governo colombiano condecorou o Comando Sul dos EUA com a Ordem de San Carlos, uma alta comenda por serviço excepcional à Colômbia.

 Almirante Crayg Faller e o distintivo do Comando Sul dos Estados Unidos.

Com uma tal amizade aberta, o governo bolivariano pode simplesmente ocupar a mídia nacional (controlada pelo governo) com ataques aos colombianos, alegando que o governo de Bogotá está iniciando uma agressão imperialista retrógrada contra o progresso da revolução socialista bolivariana da Venezuela. Dessa forma, o governo bolivariano justifica a escassez de bens, o fracasso econômico do país, a violência e criminalidade etc.

O diálogo no México mencionado pelo comunicado é uma sessão de reuniões na Cidade do México incluindo a oposição venezuelana. Em agosto, o presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, libertou Freddy Guevara, um líder da oposição que estava preso há mais de um mês, para que ele possa atuar como um negociador nas negociações políticas programadas para começar em setembro desse ano na capital mexicana. Um importante aliado de Juan Guaido, Guevara foi libertado na noite de domingo da sede da unidade de inteligência policial conhecida como Sebin em Caracas. Ele deve representar Guaido quando delegados do governo e da oposição se reunirem na Cidade do México.

Freddy Guevara fala durante uma sessão da Assembleia Nacional em Caracas, em 19 de novembro de 2020.

Os militares colombianos, por sua vez, lançaram uma nota dizendo que estavam operando na área, mas que seu drone operava dentro do espaço aéreo colombiano. Esse último incidente na fronteira entre os dois países aumenta a suspeita de que há uma base das FARC em Zula, e tanto a operação quanto a acusação venezuelana podem indicar que realmente há uma base narco-guerrilheira ali. Assim como no comunicado venezuelano, os colombianos também providenciaram as coordenadas da ação, dado que a região selvática é de difícil navegação de outra forma.

Comunicado da Força Aérea Colombiana.

Comunicado Nº 007

Em referência à declaração hoje emitida pelo Ministro da Defesa da Venezuela, a Força Aérea Colombiana está autorizada a informar ao público que, no exercício legítimo de suas funções, na segunda-feira, 20 de setembro de 2021, às 16:48 horas, realizou missão de reconhecimento aéreo com aeronave não-tripulada, sobrevoando o espaço aéreo colombiano na área do município de Tibú, Norte de Santander.

De fato, as coordenadas 09º04'50”N - 72º53'52”O referidas no comunicado venezuelano, correspondem ao território colombiano.

Autor

Imprensa da Força Aérea Colombiana

O recente incidente vem na rabeira de mais um outro escândalo venezuelano, com uma lista de oficiais da inteligência naval da Armada Bolivariana sendo vazada na internet dez dias atrás (12/09). Foram 262 arquivos pessoais da marinha e, conforme foi noticiado, era pessoal de contra-inteligência visando a Colômbia - o que novamente levou às acusações de costume. 

Em 17 de agosto desse ano, Jorge Nobrega, um empresário americano foi acusado de violações de sanções e lavagem de dinheiro por ajudar em reparos de aeronaves militares da Venezuela, de acordo com uma queixa apresentada ao Tribunal Distrital dos EUA para o Distrito Sul da Flórida. Nobrega, presidente-executivo da Achabal Technologies Inc, com sede em Miami, foi então preso e compareceu ao tribunal de Miami na semana seguinte. O regime adquiriu um vasto arsenal comprado da Rússia e da China, e vem tendo problemas em manter a frota funcionando. O Irã vem fornecendo petróleo, mas a China está tomando caminhos contrários aos interesses da indústria petrolífera da Venezuela.

Recentemente, o governo da Espanha repotencializou a frota de carros de combate AMX-30B2, de procedência francesa, apesar das sanções impostas a Caracas. Os tanques desfilaram na celebração da Batalha de Carabobo em 5 de julho desse ano.

Um caça à jato Sukhoi Su-30MKV, de fabricação russa da Força Aérea da Venezuela, voa sobre uma bandeira venezuelana amarrada a lançadores de mísseis, durante o exercício militar "Escudo Soberano 2015" em San Carlos del Meta, no estado de Apure, em 15 de abril de 2015.

A morte de um mito: O General en jefe Jacinto Perez Arcay

O General-em-chefe Jacinto Perez Arcay sendo cumprimentado pelo presidente Nicolás Maduro.

Entre os vários tropeços do regime, há também a ação do mero acaso: nesta segunda-feira, dia 20 de setembro de 2021, faleceu o General en jefe Jacinto Perez Arcay, um conselheiro de longa data do presidente Maduro. Este último repetiu o grito de Che Guevara na sua mensagem de despedida ao Gal. Perez Arcay - ¡Hasta la Victoria Siempre!

Com 86 anos, o velho general era o militar da ativa com maior antiguidade na FANB, e sua convalescência foi um evento nacional na Venezuela. Outros generais famosos também morreram de COVID-19, como o General Pacepa, famoso por seus escritos sobre a espionagem soviética e romena, e o General Lam Quang Thi, famoso por seus escritos sobre a Guerra da Indochina e sobre o Exército da República do Vietnã (Vietnã do Sul).

No sistema venezuelano, os oficiais-generais do exército são General en jefe (G/J, 4 estrelas), Mayor general (M/G, 3 estrelas), General de division (G/D, 2 estrelas) e General de brigada (G/B, 1 estrela). O General-em-Chefe Jacinto Perez Arcay foi velado em uma procissão fúnebre, carregado por cadetes em uniformes tradicionais, incluindo o famoso Pickelhaube prussiano.



A morte do general é um verdadeiro caso de luto nacional, pois a militarização da Venezuela segue o típico padrão de engajamento total dos governos socialistas. O Gal. Jacinto Perez Arcay era basicamente onipresente nas várias manifestações públicas cívico-militares e era visto como um símbolo nacional e revolucionário. Em 2016, ele foi entrevistado pela jornalista Érika Ortega Sanoja para o jornal Actualidad RT.

Na entrevista, o velho general defende o socialismo cristão e menciona as figuras históricas venezuelanas Simón Bolívar e General Marcos Pérez Jiménez, além de elogiar o ex-ditador Coronel Hugo Chavez - de quem o General Arcay também foi mentor: “Amei Hugo Chávez como um filho e sinto que, em termos geopolíticos, sou o primeiro responsável por sua vida e sua morte” (5:32).


Arcay se formou na Academia Militar em 1956, com especialização na arma de artilharia. Formou-se em história e geografia pela Universidade Católica Andrés Bello. Ele participou do levante do Coronel Enrique Hugo Trejo em 1º de janeiro de 1958 contra o presidente-ditador General Pérez Jiménez. Ficou conhecido por dar aulas ao ex-presidente da Venezuela, Hugo Chávez, na Academia Militar, onde lhe incutiu os pensamentos de Ezequiel Zamora e Simón Bolívar. Arcay foi reconvocado ao serviço ativo em 2007.

Em 15 de fevereiro de 2012, foi promovido por Chávez de General de Divisão do Exército a Major-General da FANB. Ele foi considerado um assessor de Chávez em questões históricas, políticas e militares. Em 2016 foi premiado com a distinção "El Gran Cordón de Caracas", e foi Chefe do Estado-Maior Geral do Comandante-em-Chefe da FANB, o mais alto general venezuelano, designado como tal pelo Presidente Nicolás Maduro em 11 de julho de 2019.

Exemplar do livro "La Guerra Federal" com dedicatória do G/J Arcay a José Sant Roz, autor do livro "Bolívar y Santander - dos visiones contrapuestas".

O General Jacinto Perez Arcay escreveu os livros El Fuego Sagrado, Bolívar hoy (O Fogo Sagrado, Bolívar hoje, 1974), La Guerra Federal: Consecuencias (A Guerra Federal: Consequências, 1974) e Hugo Chávez, alma de la revolución en Cristo y en Bolívar (Hugo Chávez, alma da revolução em Cristo e em Bolívar, 2013).

Funeral na Academia Militar.

Os ritos fúnebres foram televisionados para todo o país em sua integralidade pelos canais estatais venezuelanos, ocorridos na Academia Militar em meio aos cadetes e ao presidente Maduro.


A perda de um tal símbolo revolucionário, ainda mais mediante tamanhos óbices e fracassos da revolução bolivariana, acabaria por levar o governo de Caracas a tentar mostrar firmeza e começar a criar pretextos para demonstrações de força. A ideia de uma Venezuela progressista, permanecendo unida sob o cerco "imperialista ianque", já é uma situação normal na rotina política da república bolivariana. A desastrada aventura de forças especiais americanas e mercenários em agosto do ano passado já deram voz à propaganda (além de legitimidade aos olhos da população comum). Agora, diante de negociações no México com a presença da oposição e sob pesado escrutínio internacional, a tendência é uma vocalização cada vez mais alta da Venezuela.

Milicianos bolivarianos com o fuzil FAL.
O grande número de paramilitares é uma forma de engajar a população na luta ideológica.

Leitura recomendada:


sábado, 10 de julho de 2021

O PM provisório do Haiti confirma pedido de tropas dos EUA para o país


Por Joshua Goodman, Astrid Suárez, Evens Sanon e Dánica Coto, Associated Press, 10 de julho de 2021.

Tradução Filipe do A. Monteiro, 10 de julho de 2021.

PORT-AU-PRINCE, Haiti (AP) - O governo interino do Haiti disse na sexta-feira que pediu aos EUA que enviassem tropas para proteger a infraestrutura principal, enquanto tenta estabilizar o país e preparar o caminho para as eleições após o assassinato do presidente Jovenel Moïse.

“Definitivamente precisamos de ajuda e pedimos ajuda aos nossos parceiros internacionais”, disse o primeiro-ministro interino Claude Joseph à Associated Press em uma entrevista, recusando-se a fornecer mais detalhes. “Acreditamos que nossos parceiros podem ajudar a polícia nacional a resolver a situação.”

Joseph disse que ficou consternado com os oponentes que tentaram se aproveitar do assassinato de Moïse para tomar o poder político - uma referência indireta a um grupo de legisladores que declararam sua lealdade e reconheceram Joseph Lambert, chefe do desmantelado Senado do Haiti, como presidente provisório e Ariel Henry, a quem Moïse designou como primeiro-ministro um dia antes de ser morto, como primeiro-ministro.

“Não estou interessado em uma luta pelo poder”, disse Joseph na breve entrevista por telefone, sem mencionar o nome de Lambert. “Só há uma maneira das pessoas se tornarem presidentes no Haiti. E isso é por meio de eleições.”

ARQUIVO - Nesta foto de arquivo de 7 de fevereiro de 2020, o presidente haitiano Jovenel Moïse chega para uma entrevista em sua casa em Pétion-Ville, um subúrbio de Port-au-Prince, Haiti. Moïse foi assassinado em um ataque a sua residência privada na manhã de quarta-feira, 7 de julho de 2021, e a primeira-dama Martine Moïse foi baleada no ataque noturno e hospitalizada, de acordo com um comunicado do primeiro-ministro interino do país. (Foto AP / Dieu Nalio Chery, Arquivo)

Joseph falou poucas horas depois que o chefe da polícia da Colômbia disse que os colombianos implicados no assassinato de Moïse foram recrutados por quatro empresas e viajaram para o país caribenho em dois grupos via República Dominicana. Enquanto isso, os EUA disseram que enviariam altos funcionários do FBI e da Segurança Interna para ajudar na investigação.

O chefe da Polícia Nacional do Haiti, Léon Charles, disse que 17 suspeitos foram detidos no assassinato descarado de Moïse, que surpreendeu uma nação que já sofrendo com a pobreza, da violência generalizada e da instabilidade política.

À medida que a investigação avançava, o assassinato assumia o ar de uma complicada conspiração internacional. Além dos colombianos, entre os detidos pela polícia estavam dois haitianos americanos, descritos como tradutores dos agressores. Alguns dos suspeitos foram presos em uma operação na embaixada de Taiwan, onde eles teriam buscado refúgio.

Em entrevista coletiva na capital da Colômbia, Bogotá, o General Jorge Luis Vargas Valencia disse que quatro empresas estiveram envolvidas no “recrutamento e reunião dessas pessoas” implicadas no assassinato, embora não tenha identificado as empresas porque seus nomes ainda estavam sendo verificados.

O Comandante das Forças Armadas da Colômbia, General Luis Fernando Navarro, ao centro, o Diretor da Polícia Nacional, General Jorge Luis Vargas, à direita, e o Comandante do Exército, General Eduardo Zapateriro, dão entrevista coletiva sobre a suposta participação de ex-militares colombianos no assassinato do presidente haitiano Jovenel Moïse , em Bogotá, Colômbia, sexta-feira, 9 de julho de 2021. (Foto AP / Ivan Valencia)

Dois dos suspeitos viajaram para o Haiti via Panamá e República Dominicana, disse Vargas, enquanto um segundo grupo de 11 pessoas chegou ao Haiti em 4 de julho vindo da República Dominicana.

Em Washington, a secretária de imprensa da Casa Branca, Jen Psaki, disse que altos funcionários do FBI e do Departamento de Segurança Interna serão enviados ao Haiti "assim que possível para avaliar a situação e como podemos ajudar".


“Os Estados Unidos continuam engajados e em estreitas consultas com nossos parceiros haitianos e internacionais para apoiar o povo haitiano após o assassinato do presidente”, disse Psaki.

Após a solicitação do Haiti por tropas americanas, um alto funcionário do governo reiterou os comentários anteriores de Psaki de que o governo está enviando funcionários para avaliar como isso pode ser mais útil, mas acrescentou que não há planos para fornecer assistência militar no momento.

Os EUA enviaram tropas ao Haiti após o último assassinato presidencial no país, o assassinato do presidente Vilbrun Guillaume Sam em 1915 nas mãos de uma multidão enfurecida que havia invadido a embaixada francesa onde ele se refugiou.

No Haiti, o chefe da Polícia Nacional, Léon Charles, disse que outros oito suspeitos ainda estavam foragidos e sendo procurados.

Suspeitos do assassinato do presidente do Haiti, Jovenel Moïse, são jogados no chão após serem detidos, na Direção-Geral da Polícia em Port-au-Prince, Haiti, quinta-feira, 8 de julho de 2021. Um juiz haitiano envolvido na investigação do assassinato disse que o presidente Moïse foi baleado uma dúzia de vezes e seu escritório e quarto foram saqueados. (Foto AP / Jean Marc Hervé Abélard)

O juiz investigativo Clément Noël disse ao jornal francês Le Nouvelliste que os haitianos-americanos presos, James Solages e Joseph Vincent, disseram que os agressores planejavam inicialmente prender Moïse, não matá-lo. Noël disse que Solages e Vincent estavam atuando como tradutores para os agressores.

O mesmo jornal citou o promotor de Port-au-Prince Bed-Ford Claude dizendo que ordenou que uma unidade de investigação da Força Policial Nacional interrogasse todos os agentes de segurança próximos a Moïse. Entre eles estão o coordenador de segurança de Moïse, Jean Laguel Civil, e Dimitri Hérard, chefe da Unidade de Segurança Geral do Palácio Nacional.

“Se você é o responsável pela segurança do presidente, por onde você esteve? O que você fez para evitar esse destino para o presidente?” Claude disse.

O ataque, ocorrido na casa de Moïse antes do amanhecer de quarta-feira, também feriu gravemente sua esposa, que foi levada de avião para tratamento em Miami.

Soldados chegam para troca da guarda na fronteira com o Haiti em Jimani, na República Dominicana, sexta-feira, 9 de julho de 2021. O presidente dominicano Luís Abinader ordenou o fechamento da fronteira na quarta-feira depois que o governo do Haiti informou que pistoleiros assassinaram o presidente haitiano Jovenel Moïse. (Foto AP / Matias Delacroix)

Joseph assumiu a liderança com o apoio da polícia e dos militares e declarou um "estado de sítio" de duas semanas. Port-au-Prince já está em estado de alerta em meio ao crescente poder das gangues que deslocaram mais de 14.700 pessoas só no mês passado enquanto incendiavam e saqueavam casas em uma luta por território.

O assassinato paralisou a normalmente movimentada capital, mas Joseph exortou o público a voltar ao trabalho.

Vargas prometeu a cooperação total da Colômbia, e as autoridades identificaram 13 dos 15 colombianos implicados no ataque como militares aposentados, 11 capturados e dois mortos. Eles variam em patente de tenente-coronel a soldado.

O comandante das Forças Armadas da Colômbia, General Luis Fernando Navarro, disse que eles deixaram a instituição entre 2018 e 2020.

“No mundo do crime existe o conceito de homicídio de aluguel e foi o que aconteceu: eles contrataram alguns membros da reserva (do exército) para esse fim e têm que responder criminalmente pelos atos que cometeram”, disse o general reformado do Exército Colombiano Jaime Ruiz Barrera.

Altos militares das forças de segurança da Colômbia viajarão ao Haiti para ajudar na investigação.

Soldados colombianos treinados pelos americanos são fortemente recrutados por empresas de segurança privada em zonas de conflito global por causa de sua experiência em uma guerra de décadas contra rebeldes esquerdistas e poderosos cartéis de drogas.

Dois suspeitos do assassinato do presidente do Haiti, Jovenel Moïse, são transferidos para serem exibidos à imprensa na Direção Geral da Polícia em Port-au-Prince, Haiti, quinta-feira, 8 de julho de 2021. Moïse foi assassinado em um ataque a sua residência privada na quarta-feira. (Foto AP / Joseph Odelyn)

A esposa de um ex-soldado colombiano sob custódia disse que ele foi recrutado por uma empresa de segurança para viajar à República Dominicana no mês passado.

A mulher, que se identificou apenas como “Yuli”, disse à Rádio W da Colômbia que seu marido, Francisco Uribe, foi contratado por US$ 2.700 por mês por uma empresa chamada CTU para viajar à República Dominicana, onde foi informado que forneceria proteção a algumas famílias poderosas. Ela diz que falou com ele pela última vez às 22h, quarta-feira - quase um dia após o assassinato de Moïse - e disse que estava de guarda em uma casa onde ele e outros estavam hospedados.

“No dia seguinte, ele me escreveu uma mensagem que parecia uma despedida”, disse a mulher. “Eles estavam correndo, eles foram atacados. ... Esse foi o último contato que tive.”

A mulher disse que sabia pouco sobre as atividades do marido e nem sabia que ele havia viajado para o Haiti.

Suspeitos do assassinato do presidente do Haiti, Jovenel Moïse, são exibidos à mídia na Direção Geral da Polícia em Port-au-Prince, Haiti, quinta-feira, 8 de julho de 2021. Moïse foi assassinado em um ataque a sua residência privada na manhã de quarta-feira. (Foto AP / Joseph Odelyn)

Uribe está sendo investigado por seu suposto papel em execuções extrajudiciais cometidas pelo Exército Colombiano treinado pelos EUA há mais de uma década. Os registros do tribunal colombiano mostram que ele e outro soldado foram acusados de matar um civil em 2008, que mais tarde eles tentaram apresentar como um criminoso morto em combate.

A CTU em questão pode ser a CTU Security em Miami-Dade. A empresa possui dois endereços listados em seu website. Um era um armazém fechado sem nenhuma placa indicando a quem pertencia. O outro é um escritório simples com o nome de uma empresa diferente, onde a recepcionista diz que o proprietário da CTU vem uma vez por semana para coletar a refeição e realizar reuniões ocasionais.

Solages, 35, descreveu-se como um "agente diplomático certificado", um defensor das crianças e político em ascensão em um site agora removido para uma instituição de caridade que ele começou em 2019 no sul da Flórida para ajudar um residente de sua cidade natal, Jacmel, na costa sul do Haiti.

Solages também disse que trabalhou como guarda-costas na Embaixada do Canadá no Haiti, e em sua página do Facebook, que também foi retirada após a notícia de sua prisão, ele exibiu fotos de veículos militares blindados e uma foto de si mesmo em frente a uma bandeira americana.

A polícia revistou o distrito de Morne Calvaire de Pétion-Ville em busca de suspeitos que permanecem foragidos pelo assassinato do presidente haitiano Jovenel Moïse em Port-au-Prince, Haiti, sexta-feira, 9 de julho de 2021. Moïse foi assassinado em 7 de julho após homens armados serem atacados sua residência privada e feriu gravemente sua esposa, a primeira-dama Martine Moïse. (Foto AP / Joseph Odelyn)

O Departamento de Relações Exteriores do Canadá divulgou um comunicado que não se referia a Solages pelo nome, mas disse que um dos homens detidos por seu suposto papel no assassinato havia sido "temporariamente empregado como guarda-costas de reserva" em sua embaixada por um contratante privado.

Chamadas para a caridade e associados de Solages ficaram sem resposta. No entanto, um parente no sul da Flórida disse que Solages não tem nenhum treinamento militar e não acredita que ele esteja envolvido no assassinato.

“Sinto que meu filho matou meu irmão porque amo meu presidente e amo James Solages”, disse Schubert Dorisme, cuja esposa é tia de Solages, ao WPLG em Miami.

A polícia guarda suspeitos do assassinato do presidente do Haiti, Jovenel Moise, detidos na Direção Geral da Polícia em Port-au-Prince, Haiti, quinta-feira, 8 de julho de 2021. Moïse foi assassinado em um ataque a sua residência privada na manhã de quarta-feira. (Foto AP / Jean Marc Hervé Abélard)

A embaixada de Taiwan em Port-au-Prince disse que a polícia prendeu 11 pessoas que tentaram invadir o complexo na manhã de quinta-feira. Não deu detalhes de suas identidades ou uma razão para a invasão, mas em um comunicado referiu-se aos homens como “mercenários” e condenou veementemente o “assassinato cruel e bárbaro” de Moïse.

“Quanto aos suspeitos estarem envolvidos no assassinato do presidente do Haiti, isso precisará ser investigado pela polícia haitiana”, disse o porta-voz das Relações Exteriores, Joanne Ou, à Associated Press em Taipei.

A polícia foi alertada pela segurança da embaixada enquanto diplomatas taiwaneses trabalhavam em casa. O Haiti é um dos poucos países com relações diplomáticas com Taiwan.

Suárez reportou de Bucaramanga, Colômbia. Goodman reportou de Miami. O cinegrafista da AP Pierre-Richard Luxama em Port-au-Prince e Johnson Lai em Taipei, Taiwan, contribuíram.


Bibliografia recomendada:

Violência e Pacificação no Caribe.
Coronel Fernando Velôzo Gomes Pedrosa.

A república negra:
Histórias de um repórter sobre as tropas brasileiras no Haiti.
Luis Kawaguti.

Leitura recomendada: