quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

Indonésia desdobra aviões de combate para Natuna em impasse com a China

O presidente da Indonésia, Joko Widodo, visto aqui a caminho das Ilhas Natuna em 2016, partiu para a área na quarta-feira. (AP)

Por Stanley Widianto e Agustinus Beo Da Costa, The Sydney Morning Herald, 8 de janeiro de 2020.
Tradução Filipe do A. Monteiro, 9 de janeiro de 2020.

Jacarta: A força aérea da Indonésia desdobrou quatro caças no Mar da China Meridional na noite de terça-feira em um impasse com Pequim, depois que Jacarta protestou contra uma violação chinesa de sua zona econômica exclusiva.



O impasse começou em meados de dezembro, quando um navio da guarda costeira chinesa, acompanhando barcos de pesca chineses, entrou em águas na costa norte da Indonésia, nas ilhas Natuna, levando Jacarta a convocar o embaixador de Pequim.

A questão azedou o relacionamento geralmente amigável da Indonésia com a China, seu maior parceiro comercial e um grande investidor no maior país do Sudeste Asiático.

O presidente Joko Widodo partiu para Natuna na manhã de quarta-feira [8 de janeiro] para se encontrar com pescadores locais que foram mobilizados anteriormente para ajudar a marinha do país na área. Também foram desdobrados vários navios da Marinha.

Fajar Adriyanto, porta-voz da Força Aérea, disse que quatro jatos F-16 estavam realizando vôos sobre as ilhas, embora ele também minimizasse o medo de qualquer confronto com Pequim.
"Eles estão fazendo patrulhas padrão para proteger nossa área soberana. Apenas aconteceu deles estarem patrulhando Natuna", disse Adriyanto. "Não temos a ordem para iniciar uma guerra com a China."

A Indonésia afundou dezenas de barcos de pesca vietnamitas, filipinos, tailandeses e malaios perto das Ilhas Natuna desde 2016. (HANDOUT)


O Mar da China Meridional é uma rota comercial global com ricas área de pesca e reservas de energia, e a China reivindica a maior parte dele baseado no que diz ser sua atividade histórica. Mas os países do sudeste asiático, apoiados pelos Estados Unidos e grande parte do resto do mundo, dizem que essas reivindicações não têm base legal.

Na segunda-feira, a Indonésia disse que estava mobilizando pescadores para a região norte de Natuna e havia enviado vários navios da marinha.

A Reação da China 

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Geng Shuang, disse que Pequim "abriu canais diplomáticos" com a Indonésia desde o último incidente e disse que "os dois países assumiram a responsabilidade de manter a paz e a estabilidade regionais".

Não houve negociações com os navios chineses desde a noite de terça-feira, disse à Reuters Nursyawal Embun, diretor de operações marítimas da Agência de Segurança Marítima da Indonésia.

De acordo com dados do Maritime Traffic, um site de rastreamento de navios, pelo menos dois navios chineses - Zhongguohaijing e Haijing 35111 - estavam em águas na margem da zona econômica exclusiva da Indonésia na terça-feira, a aproximadamente 200 quilômetros das Ilhas Riau.

Um mapa mostrando três das nove linhas da China, as águas territoriais da Indonésia e as Ilhas Natuna. (The New York Times)


Os navios estavam dentro da "linha de nove traços" declarada unilateralmente pela China, que marca uma vasta extensão do Mar da China Meridional que ela reivindica, incluindo grandes faixas da plataforma continental do Vietnã, onde a China concedeu concessões de petróleo.

O navio da Guarda Costeira da China Haijing 35111 é um dos poucos navios chineses que se envolveram em um impasse de meses com navios vietnamitas no ano passado perto do bloco de petróleo em alto mar nas águas disputadas, que se enquadram na zona econômica exclusiva de Hanói.
Luhut Pandjaitan, ministro coordenador do gabinete da Indonésia que supervisiona os recursos e investimentos, disse que a soberania de seu país não é negociável, apesar da importância econômica da China para seu país.

"Eu nunca venderia nossa soberania por investimento", disse ele. "Eu não sou idiota."

Reuters, com Amilia Rosa.




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