domingo, 26 de janeiro de 2020

As Forças Armadas chinesas têm uma fraqueza que não podem consertar: nenhuma experiência de combate

Marinha chinesa no Djibouti.

Por David Axe, The National Interest, 16 de dezembro de 2018.

Tradução Filipe do A. Monteiro, 26 de janeiro de 2020.

A última vez que o Exército de Libertação Popular lutou um grande conflito foi em 1979, quando "um exército vietnamita experiente demoliu uma invasão chinesa desajeitada".

As forças armadas chinesas quase não têm experiência em combate, escreveu o analista Timothy Heath para o think tank RAND da Califórnia. Mas essa inexperiência pode não ter muita importância, explicou Heath.

“Hoje, as forças armadas da China têm um arsenal de alta tecnologia cada vez mais impressionante, mas sua capacidade de usar essas armas e equipamentos permanece incerta. Há razões para ser cético.

A última vez que o Exército de Libertação Popular lutou um grande conflito foi em 1979, quando "um exército vietnamita experiente demoliu uma invasão chinesa desajeitada", segundo Heath.

Soldados vietnamitas sobre um Tipo 59 do 8º Exército Chinês, 1979.

Na época, o exército vietnamita ainda estava fresco da sua vitória sobre as forças americanas e aliadas no início dos anos 70. O Partido Comunista Chinês, por outro lado, estripou suas próprias forças armadas através de expurgos de motivação política.

"As conseqüências deletérias são evidentes na reversão do PLA a táticas desacreditadas, mas necessitando pouca habilidade, tais como o ataque por ondas humanas, bem como na incapacidade dos soldados de infantaria de navegarem ou lerem mapas e na imprecisão dos artilheiros devido à falta de familiaridade com os procedimentos para medirem distâncias e calcular distâncias de tiro," escreveu Heath.

"O fantasma dessa derrota ainda paira sobre o PLA," continuou ele. "Na China, as autoridades optaram por ignorar um conflito embaraçoso que se encaixa desajeitadamente na narrativa de Pequim de uma ascensão pacífica, mas o silêncio oficial deixou muitos veteranos do PLA desiludidos com sua participação na guerra."

Miliciana vietnamita guardando prisioneiros chineses, 1979.

"Os poucos veteranos de combate que permanecerem em serviço se aposentarão nos próximos anos, o que significa que os militares em breve não terão pessoal com experiência em combate em primeira mão".

Mas isso não significa que Pequim não possa "vencer" uma grande guerra. Embora seja discutível se algum partido realmente "venceria" em um conflito como esse, dada a perda potencialmente profunda de vidas e o caos econômico, ecológico e político que certamente resultaria da guerra.

"Ganhar", neste caso, só pode significar: um lado alcança seus próprios objetivos estratégicos imediatos enquanto impede que seu oponente faça o mesmo. Heath olhou para a história para explicar o papel que a experiência de combate desempenha no resultado de uma guerra.

As forças armadas dos EUA no início da Segunda Guerra Mundial careciam de experiência, mas possuíam os recursos, a vontade de lutar e a base institucional - treinamento, educação e capacidade de autocorreção oficial - para se recuperar rapidamente de derrotas no campo de batalha, tais como o desbaratamento pelo exército alemão das tropas americanas no Passo de Kasserine no norte da África em 1943.

Prisioneiros-de-guerra americanos capturados pelo Afrikakorps na Tunísia, depois do desastre do Passo de Kasserine, 1943.

Por outro lado, as forças armadas iraquianas em 1991 eram experientes, tendo lutado contra o Irã por oito anos a partir de 1980. Mas seus equipamentos, doutrina e instituições eram inadequados. Uma coalizão menos experiente liderada pelos EUA prevaleceu sobre os iraquianos, devido em parte ao excelente equipamento, treinamento e prontidão dos americanos*, todos remanescentes da Guerra Fria - um conflito que envolveu muito poucos tiros entre os principais rivais, mas ampla preparação em ambos os lados.

*Nota do Tradutor: O principal componente da Operação Tempestade no Deserto foi composto pelos americanos, os britânicos (Operação Granby) e os franceses (Operação Daguet).

Hoje, as forças armadas americanas possuem indiscutivelmente mais experiência em combate do que quaisquer outras forças armadas, devido às operações de longo prazo lideradas pelos americanos no Iraque, Afeganistão e em outros lugares. Mas é discutível se essa experiência em guerra de baixa intensidade importaria no que provavelmente seria uma guerra de alta tecnologia com a China.

"Em nível estratégico, uma guerra entre forças chinesas e americanas provavelmente envolveria um combate de alta intensidade que nenhum dos lados experimentou", escreveu Heath. "O resultado de um confronto inicial é uma incógnita. Com preparação e planejamento adequados e em circunstâncias ideais, é possível que a China prevaleça em uma primeira batalha".

"Mas como o conflito inicial provavelmente não acabaria com a guerra", continuou ele, "seria de esperar que as forças americanas usassem suas vantagens formidáveis para se adaptar e melhorar seu desempenho em engajamentos subsequentes, assim como se reagruparam após a derrota inicial no Passo de Kasserine para derrotar a Alemanha".

Prisioneiros alemães capturados na Linha Gótica, na Itália.

"Se a China fez esforços suficientes para superar as lacunas consideráveis na qualidade de seu comando, o rigor do treinamento, a integração e outros fatores podem provar-se importantes se o conflito persistir. Mas mesmo assim, o resultado final de uma longa guerra entre as duas potências globais provavelmente seria decidido por fatores fora do controle de generais e almirantes, como força econômica, coesão política e determinação nacional".

David Axe atua como Editor de Defesa do National Interest. Ele é o autor das novelas gráficas War Fix, War Is Boring e Machete Squad. Isso apareceu pela primeira vez em 2019.

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