sábado, 11 de janeiro de 2020

A França planeja curso autônomo sobre drones

Um soldado francês na base aérea de Niamey, no Níger. Desde 2014, o exército francês usa drones baseados em Niamey para realizar missões de inteligência e vigilância contra-terrorismo. Imagem: Fred Marie/Hans Lucas/AFP.

Por Joseph Hammond, The Defense Post, 1º de outubro de 2019.
Tradução Filipe do A. Monteiro, 11 de janeiro de 2020.

Aviões não-tripulados armados franceses sempre terão seres humanos no circuito, diz especialista em doutrina do Ministério da Defesa na conferência Londres UAV Technology.

Embora muitos comentaristas considerem os drones um disruptor do pensamento militar convencional, para as forças armadas francesas eles não são nada disso.

"Nem uma revolução, nem uma interrupção, [drones] são facilitadores e multiplicadores do poder militar", disse o Coronel Xavier Foissey, principal especialista em doutrina do Sistema Aéreo Não-Tripulado e Contramedidas - UAS do Ministério da Defesa da França, na terça-feira, 1º de outubro.

A doutrina francesa sobre drones enfatiza o elemento humano.

Durante sua apresentação na conferência UAV Technology, organizada pela SMi, em Londres, em 1º de outubro, Foissey dedicou tempo para mencionar o piloto militar francês da Primeira Guerra Mundial, Georges Guynemer, cujo lema “Faire Face!” (Encare!) Poderia facilmente ser o lema da moderna doutrina de drones da França.

A França tem sido uma entrante tardia nos drones armados. Ela anunciou seu programa de drones armados apenas em 2017, quando decidiu armar seis de seus drones de vigilância General Atomics MQ-9 Reaper, alguns dos quais estão atualmente desdobrados na Operação Barkhane no Sahel.

O armamento de tais UAVs [VANT no Brasil] dará às forças armadas francesas “capacidade de identificação de alvos e de ataques profundos de precisão” e “reforçam nossa credibilidade e mantêm nossa autonomia estratégica”, afirmou Foissey.

Mais seis Reapers terão capacidade de ataque até o final de 2019 e o armamento de mais seis está em andamento. A partir do próximo ano, alguns drones Reaper franceses poderão usar os mísseis ar-superfície Hellfire da Lockheed Martin.

Desdobrado é a palavra operacional, porque a doutrina francesa sobre drones enfatiza o desdobramento avançado de suas equipes e técnicos em drones. O cockpit e o suporte para suas missões de drones estão baseados no Níger.

"Se você está conduzindo a guerra longe da área de operações, você não está tão envolvido... se você está pronto para perder soldados, você está determinado", disse Foissey.

Atualmente, os drones da França envolvidos em missões contra-terroristas africanas fornecem os alvos para os caças Mirage 2000, que lançam os ataques depois que um alvo foi encontrado.

"A capacidade de identificação de alvos e de ataques profundos de precisão... reforçam nossa credibilidade e mantêm nossa autonomia estratégica", afirmou Foissey.

De fato, o sistema francês está focado na centralidade do comando-e-controle humanos. "Não usamos o termo sistema 'autônomo'; o humano está sempre no circuito ”, enfatizou.

O ministério da defesa planeja disponibilizar a estratégia em seu site no ano que vem, disse ele ao The Defense Post.

Um operador de drones francês na base aérea de Niamey, no Níger, em 2015. Desde 2014, o exército francês usa drones baseados em Niamey para realizar missões de inteligência e vigilância contra-terrorista como parte da Operação Barkhane. Imagem: Fred Marie/Hans Lucas/AFP.

"Um drone armado não é um robô matador", disse a ministra das Forças Armadas, Florence Parly, em 2017.

A visão francesa imagina que, no nível tático, nano e pequenos sistemas aéreos não-tripulados poderiam ser empregados por tropas em combate, enquanto outros drones operam estrategicamente com altos oficiais do Ministério da Defesa aprovando ataques. A doutrina francesa diferencia os drones de "contato", que têm um alcance de até 20km; drones táticos cujo alcance ultrapassa 20 a 200km; e drones de teatro que podem atingir de 200 a 1.000km.

A França faz parte de um programa europeu de pesquisa para desenvolver o VANT Eurodrone de longa duração e média altitude (Medium-altitude long-endurance unmanned aerial vehicle, MALE UAV). A Alemanha e a Itália também estão participando do desenvolvimento deste MALE UAV - embora a doutrina francesa prefira evitar o uso do termo autônomo para enfatizar ainda mais que os humanos permanecerão no controle da totalidade do sistema.

O programa de drones de reconhecimento francês começou em 1995 com a compra de quatro VANTs RQ-5 Hunter. Os Hunters franceses realizaram missões de reconhecimento em 1999 e forneceram patrulhas aéreas na Cúpula do G8 em Evian, em 2003. Os drones EADS Harfang, operados pelos franceses, mais tarde participaram em apoio às missões da OTAN no Afeganistão.

Original: https://thedefensepost.com/2019/10/01/france-uav-technology-doctrine-xavier-foissey/

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