terça-feira, 15 de dezembro de 2020

Irã envia a maior frota de petroleiros de todos os tempos para a Venezuela

Fortune, navio-tanque de bandeira iraniana, depois de atracar na refinaria El Palito em Puerto Cabello, estado de Carabobo, Venezuela, em 26 de maio de 2020. (Folheto via Anadolu/ Getty Images)

Por Fabiola Zerpa, Ben Bartenstein e Peter Millard, Al-Jazeera, 6 de dezembro de 2020.

Tradução Filipe do A. Monteiro, 15 de dezembro de 2020.

Desafiando as sanções dos EUA, o Irã envia uma flotilha de cerca de 10 navios para ajudar a nação latino-americana a lutar contra a escassez de combustível.

O Irã está enviando sua maior frota de petroleiros para a Venezuela, desafiando as sanções dos EUA para ajudar a nação isolada a enfrentar uma terrível escassez de combustível, de acordo com informações internas. Algumas das flotilhas de cerca de 10 navios iranianos também ajudarão a exportar petróleo venezuelano depois de descarregar o combustível, disseram as fontes, pedindo para não serem identificadas porque a transação não é pública.

O regime de Nicolas Maduro está ampliando sua dependência do Irã como um aliado de último recurso depois que até mesmo a Rússia e a China evitaram desafiar a proibição dos EUA ao comércio com a Venezuela. A crise de combustível do país segue-se a décadas de má gestão, corrupção e sub-investimento na estatal Petroleos de Venezuela, desde a época do falecido mentor e antecessor de Maduro, Hugo Chávez. O país que já foi um grande fornecedor de petróleo para os EUA e ostentava um dos menores preços domésticos da gasolina no mundo, agora mal consegue produzir qualquer combustível.

Os últimos carregamentos de combustível iraniano enviados no início de outubro em três navios estão se esgotando, ameaçando uma escassez mais acentuada em todo o país com filas de horas nos postos de gasolina. A atual frota à caminho tem quase o dobro do tamanho daquela que surpreendeu os observadores internacionais pela primeira vez em maio [de 2020], cruzando um Mar do Caribe patrulhado pela Marinha dos Estados Unidos, para ser saudada pelo próprio Maduro na chegada.

“Estamos observando o que o Irã está fazendo e garantindo que outros carregadores, seguradoras, armadores e capitães de navios percebam que devem ficar longe desse comércio”, disse Elliott Abrams, representante especial dos EUA para o Irã e a Venezuela, em setembro.

Vários navios que transportaram combustível para a Venezuela no início deste ano, incluindo Fortune e Horse, desligaram seu sinal de satélite pelo menos dez dias atrás, de acordo com dados de rastreamento de petroleiros da Bloomberg. Desligar transponders é um método comumente usado por navios na esperança de evitar a detecção. Em outros casos de ajuda iraniana à Venezuela, os nomes dos navios foram ocultados e alterados para ocultar o registro do navio. O ministério do petróleo em Teerã não quis comentar o assunto. As mensagens enviadas a vários funcionários da PDVSA, como é conhecida a estatal de petróleo da Venezuela, não foram respondidas imediatamente.

Uma fila de carros espera para reabastecer em frente a um posto de gasolina da PDVSA em Caracas. (Bloomberg)

Ficando sem dinheiro

Além de importar combustível, a Venezuela também precisa exportar petróleo bruto suficiente para liberar espaço de armazenamento e evitar paradas de campo, uma tarefa dificultada pelas sanções contra o regime de Maduro.

A produção da rede de seis refinarias da Venezuela entrou em declínio constante, com derramamentos e acidentes se tornando rotina. O governo de Maduro aumentou a pressão sobre a infraestrutura mal mantida para garantir a produção para o consumo local. As sanções dificultaram a importação de peças ou a contratação de empreiteiros, e o regime de Maduro está ficando sem dinheiro.

Consequentemente, os dois países também estão discutindo maneiras do Irã ajudar a Venezuela a reformar sua refinaria Cardon, a última usina de combustível lá ainda operando mais ou menos regularmente, disseram fontes internas. Em 2018, as empresas petrolíferas chinesas também procuraram ajudar a Venezuela a consertar suas refinarias, mas perderam o interesse após uma revisão das instalações, disseram fontes a par dos planos.

Não está claro se os iranianos seriam capazes de alcançar o que os chineses não conseguiram. As refinarias da Venezuela foram construídas e operadas por décadas pelas grandes petrolíferas dos EUA e da Europa até a nacionalização na década de 1970. Mesmo assim, a PDVSA contava com tecnologia e peças americanas para manutenção e ampliações. Isso significa que os iranianos precisarão fazer certas peças do zero para realizar os principais reparos. Algumas reparações feitas em junho e julho ainda não foram bem-sucedidas e quatro empreiteiros locais ainda estão realizando os reparos, disse uma das fontes internas.

Maduro está sob renovada pressão internacional depois que a oposição decidiu boicotar as eleições de 6 de dezembro para a Assembléia Nacional, que são amplamente consideradas como supervisionadas por partidários de Maduro. Maduro espera um grande comparecimento para alegar que tem apoio público.

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